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Ressurreição de Jesus, Posso Provar? I Parte
A filosofia é a primeira ciência a ser estudada ao ingressar na Academia. Não por acaso, é considerada a mãe de todas as ciências. Ela é, por definição, a constante racionalização do homem como ser pensante, racional. Portanto, por natureza somos racionais. Essa é a verdadeira força de nossa predominância na terra, o resto, os 99% de nosso DNA, nada diferencia-nos de qualquer outro ser vivente. Os homens racionais podem se deliciar sobre sua própria existência, cogitando os produtos da physis e confabulando o incompreensível. Evoluímos na esteira da racionalidade socrática, no avanço das ideias revolucionárias dos grandes pensadores, que por séculos e séculos colocaram à disposição seu intelecto acerca de tudo e de todos, abrindo caminho a auto-suficiência humana, e predominância da ciência.
Embora tenhamos chegado tão longe, nunca deixamos de entender racionalmente o produto de nossa fé. O campo inexplorado da filosofia que ainda constrange centenas de letrados. É possível vislumbrar nossa fé a luz da ciência, também. Será?
Nessa vanguarda ferrenha do conhecimento científico; na busca desenfreada para entender metodologicamente tudo, podemos nós, realizar análises científica de crenças basilares da fé? Levando em consideração que a própria ciência é dinâmica e muda de lado ante novas descobertas; levando em consideração que, existindo provas, ou instrumento argumentativo que aponte uma tese com probabilidade e consistência, a própria ciência outorgará crédito. Nenhuma descoberta é de fato uma verdade, nenhum experimento ou teoria poderá potencializar algo absoluto, imutável, ao ponto de não ser inconteste. Isso vale também para perguntas sobre as crenças humanas. Perguntas no campo filosófico que repercutem em outras ciências. Como surgiu a vida? Quem criou a universo? Ou como o universo foi criado? Deus existe? São perguntas inquietantes que a ciência ou discorda ou se exime da resposta.
Mas será que não podemos aplicar uma metodologia científica como se fosse um objeto de estudo qualquer, nas questões relativo a nossa fé? Tal como um cientista teórico que tem o papel de argumentar algo que ele não consegue ver, mas consegue apontar evidências que para sua tese?
Esse artigo pretende jogar luz racional sobre a crença basilar do Cristianismo: A Ressurreição. Apesar de audacioso, apenas argumentaremos a partir de um lógica argumentativa a partir de pressupostos histórico consagrados. Claro que não queremos explicar o retorno à vida de um corpo declarado morto. Não se trata disso. Queremos evidenciar que a cadeia de acontecimentos que ocorreu corroboram para sustentar a tese que algo ocorreu após a morte do Galileu pelos romanos. Nossa objetivo teorizar de forma racional, o que realmente ocorreu.
O cristianismo é a única religião que professa abertamente que Seu Deus não morreu.
Para entender essa confissão de fé e dar respostas plausíveis à luz da racionalidade humana é necessário enveredar para o lado da descrença, antes de tomar partido. Exatamente isso, para que possamos ter juízo de causa para construir uma opinião sobre o assunto é necessário conhecer a “estória” em sua plenitude sem nos deixarmos levar pelo simples ceticismo, já que podemos racionalizar sobre a vida daquele que se declarou ser O Cristo.
O primeiro passo é conhecer um pouco mais desse Judeu chamado de Deus por seus seguidores; se esse homem realmente falou as coisas que estão registradas nesse conjunto de livros que chamamos de Bíblia; se esses mesmos livros são uma grande farsa ou se o próprio Jesus é apenas uma estória criada por outros homens que se tornou verdade com o passar dos anos. Podemos fabular todas as teorias que caracterizam o pensamento racional, sempre buscando a verdade ou, quando não for possível, chegar o mais próximo dela. Por isso, devemos como pesquisadores e juízes da racionalidade, estarmos prontos a identificar e analisar fatos, quando não for possível a análise dos fatos, devemos reunir evidências sistemáticas que nos levem a um veredicto. Enfim, devemos nos despir de quaisquer preconceitos de cunho religioso ou doutrinário que possa atrapalhar nosso ponto de vista teórico sobre as confirmações científicas.
O primeiro passo para tentar esclarecer e jogar um pouco de discussão é tentar buscar identificar o Homem Jesus, o cidadão que nasceu entre os anos 4 à 6 a.C. Vamos atender. Jesus não nasceu no ano 0, a data do nascimento de Jesus foi erroneamente calculada pelo monge Dionísio, o Pequeno, no século VI durante a elaboração do calendário gregoriano, tal erro só foi admitido pela igreja romana 1.400 anos depois, em 1987 pelo Papa João Paulo II. Contudo a informação não é substancial para o entendimento da vida histórica do homem Jesus.
Antes desse período há evidências que comprovavam que os governantes e homens públicos, citados por fontes bíblicas, estavam realmente no poder no período do nascimento de Jesus, portanto, não há controvérsias históricas sérias de que tais pessoas indicadas como figuras bíblicas não sejam personagens históricos reais. Baseado nisso, desmascarar qualquer tentativa de ludibriar uma pesquisa que remota a um passado de mais de dois mil anos, a pergunta: há evidências contemporâneas sobre a existência de governantes, senadores, procuradores, juízes, reis ou imperadores do período que é citado a existência de qualquer personagem supostamente histórico? Para Jesus, a resposta é SIM! Para todos os homens públicos citados em fontes bíblicas e não bíblicas.
Graças à ascensão do Iluminismo da Europa, eram amplamente divulgadas declarações de que Jesus de Nazaré nunca existiu, essas declarações eram sempre bombásticas e causava alvoroço nas igrejas cristãs, contudo com pouca ou nenhuma base científica. Nenhum cientista ou pesquisador sério sustentou tal teoria, então vamos a mais algumas evidências:
Evidências 01:
“Tácito, romano do primeiro século, que é considerado um dos mais precisos historiadores do mundo antigo, mencionou “cristãos” supersticiosos (“nomeados a partir de Christus”, palavra latina para Cristo), que sofreram nas mãos de Pôncio Pilatos durante o reinado de Tibério. Seutônio, secretário chefe do Imperador Adriano, escreveu que houve um homem chamado Chrestus (ou Cristo) que viveu durante o primeiro século (“Anais” XV,44).”
Evidências 02:
“O Talmude da Babilônia (Sanhedrin 43 a) confirma a crucificação de Jesus na véspera da Páscoa, e as acusações contra Cristo de usar magia e encorajar a apostasia dos judeus.”
Evidências 03:
“Julio Africano cita o historiador Talo em uma discussão sobre as trevas que sucederam a crucificação de Cristo (Escritos Existentes, 18).”
Pesquisas contemporâneas mostram com uma boa exatidão que viveu na região da Galileia um homem chamado Jesus e exerceu liderança religiosa efetiva durante um curto período de tempo, e por esse motivo foi crucificado por ordens do Procurador romano Pôncio Pilatos por volta do ano 32 a. C., tal castigo só poderia ser aplicado por ele tendo em vista a natureza brutal da condenação.
Existem textos não canônicos que se referem a essa crucificação em especial, portanto a formulação de uma ideia racional passa em ter bases argumentativas que impliquem no entendimento do Homem Jesus; Flávio Josefus historiador judeu do século I, fala o seguinte sobre os acontecimentos referente a prisão, condenação e morte de Jesus de Nazaré:
Evidência 04:
“Flávio Josefo é o mais famoso historiador judeu. Em seu Antiguidades Judaicas, se refere a Tiago: “o irmão de Jesus, que era chamado Cristo.” Há um verso polêmico (XVIII,3) que diz: “Agora havia acerca deste tempo Jesus, homem sábio, se é que é lícito chamá-lo homem. Pois ele foi quem operou maravilhas… Ele era o Cristo… Ele surgiu a eles vivo novamente no terceiro dia, como haviam dito os divinos profetas e dez mil outras coisas maravilhosas a seu respeito.” Uma versão diz: “Por esse tempo apareceu Jesus, um homem sábio, que praticou boas obras e cujas virtudes eram reconhecidas. Muitos judeus e pessoas de outras nações tornaram-se seus discípulos. Pilatos o condenou a ser crucificado e morto. Porém, aqueles que se tornaram seus discípulos pregaram sua doutrina. Eles afirmam que Jesus apareceu a eles três dias após a sua crucificação e que está vivo. Talvez ele fosse o Messias previsto pelos maravilhosos prognósticos dos profetas” (Josefo, “Antiguidades Judaicas” XVIII,3,2).”
Algumas informações que circularam nos anais históricos contrários a Jesus Histórico:
“Nos documentos existentes de gregos, hindus e romanos dos Séculos I e II, constata-se que eles jamais ouviram falar de algum Jesus”.
Na verdade essa argumentação e insustentável já que os gregos e romanos no século I e II já tinham igrejas constituídas a amplamente ativa, ao ponto do Imperador Nero em 82 d. C. incendiar Roma e declarar os cristãos como culpados, já que era uma seita proeminente e ativa no império e a igreja grega foi uma das primeiras a ser fundada pelo próprio apóstolo Paulo em suas viagens missionárias. Com relação aos Hindus estamos falando de uma religião amplamente divulgada na Índia, portanto região alcançada pelo cristianismo apenas no século XV com as viagens marítimas.
“Ninguém, entre escritores e historiadores, que teriam vivido na mesma pretensa época que Jesus, falou algo sobre ele ou sobre qualquer aparição pública ou tumulto religioso encabeçado por Jesus.”
Já citados: Flávio Josefo, tácito, o romano, Plínio, Fílon de Alexandria e outros. Todos contemporâneos de Jesus de Nazaré ou no período imediatamente posterior.
“Os documentos que descrevem sobre a atuação de Pôncio Pilatos nada falam sobre alguém que chamado Jesus Cristo […]”
Exatamente, não há registro sobre a crucificação de Jesus por Pôncio Pilatos, na verdade não registros dele sobre absolutamente nada, inclusive até o século XIX as evidências históricas eram textuais de outras fontes, contudo foi encontrado na década de 70 uma pedra que indica a construção de uma edificação durante a administração de Pôncio Pilatos, é uma prova arqueológica da existência do Procurador Romano, citando uma fonte, Eusébio de Cesaréia, em sua História Eclesiástica, afirma que Pilatos caiu em desgraça junto ao imperador e cometeu suicídio por volta do ano 37 d.C..
Portanto, dado as evidências textuais até o momento, e na inconsistência de uma argumentação contrária não é possível precisar fatos da vida de Jesus, mas sua existência, morte e crucificação são fatos históricos declaradamente factíveis.
Agora pensamos como investigadores imparciais que não possuem todas as circunstâncias claras de um acontecimento. Por dever, é necessário levantar as hipóteses e evidências que possam nos conduzir a uma certeza absoluta do que realmente aconteceu ou, caso não seja possível, chegar o mais próximo possível da verdade dos fatos, sendo coerente entre o que é possível e o que não é possível ter acontecido, ou o mais próximo disso. A ciência também trabalha sob essa perspectiva, levantar as cogitações, interpelações, consultar fontes e transparecer qualquer possibilidade para lucidar um ocorrido, claro que tudo isso será declaradamente examinado e a conclusão, como qualquer descoberta científica, poderá ser questionado em qualquer tempo.
Podemos cita um simples exemplo, a morte de Getúlio Vargas, um acontecimento histórico, suicidou-se em 1954 com um tiro no peito, em seu quarto, no Palácio do Catete na cidade do Rio de Janeiro, então capital federal. Esse acontecimento é incontestável pelos olhos da história contemporânea, contudo ele não é conclusivo e poderá, em qualquer momento, baseado em argumentos de evidências factíveis, apresentarem uma nova versão para os acontecimentos ocorridos naquela noite de 24 de agosto de 1954.
Agora vamos indagar o seguinte: Será que poderemos ter uma mentalidade definitiva sobre qualquer acontecimento do passado? Claro que não! Devemos questionar fatos e formar uma opinião pessoal somente, e tão somente, após a análise desses fatos. Uma visão fechada sobre um acontecimento, uma pessoa histórica ou produção literária poderá nos levar a um erro e a uma injustiça sobre um determinado acontecimento e/ou pessoa.
Uma segunda visão: Hamilet, obra prima da dramaturgia atribuída a William Shakespeare, escrita entre 1599 e 1601. Boa parte da obra foi alterada com o passar dos séculos, segundo estudos, cerca de 62% dos escritos de Shakespeare foi objeto de alterações por copistas, e mesmo assim não há um só questionamento sobre o valor da obra, inclusive até a própria autoria da obra é questionada, inclusive há teorias que sustentam que Shakespeare nunca existiu. Absurdo, claro. Fazendo um paralelo direto com textos bíblicos: Os Manuscritos do Mar Morto formam uma coleção de cerca de 930 documentos descobertos entre 1947 e 1956 em 11 cavernas próximo de Qumran, todos datados do I século da era cristã, ou seja, produzidos no período contemporâneo aos apóstolos ou imediatamente após. Foi encontrado uma quantidade significativa de passagens do Livro de João. Estudos mostram que há 96% de compatibilidade literária com a atual versão utilizada do Evangelho de João, utilizado pelo mundo atual. Afinal, o que isso significa? Que temos em nossas mãos um relato real dos mesmos documentos que circulavam no período dos originais que encontramos, alguns do século I e II.
Para chegarmos a discutir a ressurreição do ponto de vista lógico, de forma a estabelecer um parâmetro coerente, foi necessário entender que o Jesus histórico é inegável e que os relatos bíblicos podem ser vistos à luz da historicidade teórica, contudo não estamos discutindo a validade histórica do livros bíblicos, apesar de ser necessário uma breve discussão para compor um cenário real das evidências da ressurreição de Jesus.
O Grande Irmão – BIG BROTHER
Somos talentosos, ninguém pode negar. Sempre encontramos formas de extravasar os instintos animalescos de muitos. Mesmos tendo consciência do que é certo e errado, levamos nossos expectadores a vivenciar formas temporais da satisfação pessoal, oscilando entre a linha tênue do bem e do mal, e, como tal, entrelaçamos conceitos infinitamente discutíveis do que é certo ou errado. Conjecturamos nossa visão da maldade de tal forma, que até a mais das dignas almas passa a ver a maldade como, simplesmente, um ponto de vista diferente. Somos mestres em relativizar virtudes, na verdade, vendemos a imagem de que tudo é relativo. Acreditamos que dessa forma podemos ter um portfólio de produtos mais incrementado. Sim, isso mesmo, vendemos a imagem de pessoas vazias e dizemos que ela – a pessoa – é um estereótipo a ser seguido, mesmo que essa pessoa seja ironicamente resprezível. Descartá-lo-emos assim que não servir mais aos nossos propósitos capitalistas.
Queremos veicular nossa marca enquanto for rentável e através da nababesca futilidade das pessoas para que possamos expor a naturaza humana na sua versão mais egoísta e, assim, atender a uma alienação de uma nação fútil de valores e identidade social questionável, viciada por produtos ligados a pessoas vazias. Para tanto, sempre chamaremos de heróis, mesmo que esse adjetivo tenha sido usado para designar outra coisa no passado. Homens e mulheres fantoches, com intelecto e cultura desvirtuada e abaixo da média de qualquer padrão de um país subdesenvolvido, mas com corpos esculturais e com alta promiscuidade. Quanto aos doutores, cientistas e intelectuais temos a plena convicção que não podemos dar méritos a essas pessoas, esses servem apenas para serem consultados mediante uma situação extrema, só assim podemos usá-los como mais um produto.
Essa utopia para adjetivar pessoas ajuda a criar a nossa imagem e semelhança, pois devemos cuidar dos nossos “produtos”.
Com relação a padronização de procedimentos, é importante salientar que nossas indicações são as melhores possíveis, elevamos o grau de violência exibido na nossa programação, por temos a convicção que a violência é um produto rentável, lucro garantido! Se tivermos noticiários que não sejam sensacionalistas sob qualquer aspecto, qual a paixão? Qual o incentivo que nossa “presa telespectiva” irá continuar sendo “presa”? Essa estupidez de jornalismo sério, independente é apenas uma filosofia ultrapassada. Temos que noticiar produtos sanquinários, mortes, chacinas, assaltos, tudo isso é retorno garantindo em cifras estratosféricas, não podemos decepcionar nosso público alvo. Podemos dar-lhes horas sem fim desse entretenimento macabro, preenchendo suas tardes e noites com sofrimentos alheios sem fim. Temos impactos avassaladores na vida de nossa “presa”, que passa a ter medo de sair de casa, vivendo uma vida assombrada, e por consequencia mais próximas de nós, mais submissas as nossas opiniões, sem questionar, sua mente jamais pensará em fazer algo que não esteja direta ou indiretamente ligado a nós. Se ainda que a violência no nosso país não seja suficiente, podemos sempre importá-la, claro, sempre há no mundo suicidas que querem levar à cabo suas vidas juntamente com a de outras pessoas, isso sim, é produto de primeira! Quando damos total cobertura a episódios de matanças em escolas e outros locais públicos, definimos um procedimento, e esse será seguido por outro desafortunado, que na semana seguinte irá gerar outro “produto” que podemos veicular com grande destaque e aterrorizar mais e mais.
Quanto a recomendação acerca da família, como instituição é um risco eminente a nossa existência. Quem já se viu jantar na mesa? Conversar sobre os problemas? Exigimos total atenção, temos sempre que colocar em nossas estórias novelescas sub-produtos que ataquem essa instituição, tramas que tenham novas ordens, traição, desrespeito familiar, maldade de filhos, destruição familiar, pais ausentes tudo de forma bem relativista, sob os argumentos já descritos, com isso nossas vítimas sempre estarão se comportando dentro de uma padrão que nós estabelecemos e moldaremos a família para deliberar a nosso favor, absorvendo nossas ideias e disseminando a nossa imagem.
Crianças e adolescentes, atenção especial a esses pequenos “clientes”. Não podemos e não seremos negligentes com nossos pequenos consumidores capitalistas, sempre dispostos a bater o pé exigindo dos pais o que lhes oferecemos, somos o agente controlador, por isso, temos que doutriná-los de maneira que possam sempre demonstrar autoridade sem respeito. Vamos criar “roborzinhos” consumidores, e assim, teremos uma vida toda a nossa disposição.
Finalmente, nós somos fortes e presentes. Criamos o elo contemporâneo que se baseia a sociedade atual. Quando Freud citou que a religião é o ópio do povo, ele ainda não nos conhecia, não presenciou os poderes quase sobrenaturais da mídia televisiva, influenciando e formando a Opinião de Massa, ditando padrões comportamentais de qualquer faixa-etária. SOMOS por definição o QUARTO PODER nas sociedades democráticas; SOMOS a representação ortodoxa das sociedades teocráticas; SOMOS instrumento de manipulação de massa, SOMOS A TELEVISÃO.
Histórias e Estórias do Recife
Quando eu estava no ensino fundamental, fiz uma prova que tínhamos que escrever uma frase sobre o Recife, como dias antes li em uma placa: “Recife, minha cidade, minha vida…”, imediatamente escrevi esta frase, tirei dez com direito a comentário da professora. Na verdade, eu não sabia o significado dessa frase, apenas escrevi. E ainda hoje talvez não saiba, de certa forma Recife passar longe da minha vida e na de muitas pessoas, pois a sensação que tenho é que as mazelas da cidade ficam expostas aos nossos olhos, muito mais do que suas virtudes, e conseqüentemente adotamos referencias ruins quando temos que falar da cidade. Atualmente, moro em Olinda, mas sou filho do Recife, nascido e educado, como muitos pernambucanos, que moram em Olinda, e passam o dia inteiro em Recife, seja trabalhando, seja estudando, portanto é mais fácil você falar de Olinda, claro, apesar de sofrer das mazelas igualmente depreciativas a uma cidade. Também trabalho em Recife, trabalho no bairro do Recife, e comecei a deslumbrar a cidade por outra visão, observando o Recife pela perspectiva cultural, histórica, arquitetônica e suas belezas naturais, coloquei algumas observações e gostaria de compartilhar com vocês.
O Recife Antigo abriga o pólo tecnológico, eu não esqueço que a ilha do bairro do Recife, com seu fabuloso monumento idealizado pelo xará Francisco Brennand, e com o marco zero revitalizado, é cenário para uma das mais belas paisagens que já vi, o fim da tarde pernambucana! Tenho o prazer de apreciar todos os dias o despertar da noite, a imagem serena do mar, que é apenas mais um elemento que enaltece o capricho que Deus teve na criação dessa ilha. Na mesma idéia de beleza, aconselho a todos, observarem a cidade à noite, não suas ruas sujas ou perigosas, mas observarem a imensa beleza de suas pontes centenárias, graciosamente iluminadas, dando um ar veneziano ao nordeste brasileiro. De preferência, subam em um de seus muitos edifícios, para apreciar do alto. Tenho certeza que vocês ficarão impressionados com a vertigem de deslumbre que encherá vossos corações de orgulho de serem filhos dessa terra.
Tirei minhas horas de almoço, não para ir a shoppings ou andar pelas lojas da cidade, mas para observar os prédios centenários, e suas histórias que estão impressas em desenhos arquitetônicos. Passando pela Rua do Imperador D. Pedro II, encontro o antigo senado da província que data sua construção de 1730 e abrigou entre outros, o revolucionário e pernambucano Frei Caneca, morto por ordem de D. Pedro I, no forte das cinco pontas, e foi para história como um martírie da liberdade, esse mesmo forte também testemunhou em 23 de janeiro de 1654 a redenção dos holandeses, frente ao exército luso-brasileiro, mostrando o primeiro sentimento pátrio a permear o coração de uma nação que dava seus primeiros passos, não por acaso, aqui o Exército Brasileiro reconhecendo tal importância comemora o DIA DO EXÉRCITO, sabendo que sua origem é pernambucana. Passando pelo Palácio do Campo das Princesas, construção imponente que data da primeira metade do século XIX, trás esse nome em referência as princesas imperiais que adoravam os jardins do palácio, quando aqui se hospedavam. Lembrei também, que esse mesmo palácio foi palco dos grandes momentos da história pernambucana, das batalhas e tentativas de tomadas de poder.
Ruas impressionantemente cheias de histórias, mesmo que com a sensação de abandono, ainda há, em seus sobrados centenários os gritos da história que vislumbra aos olhos mais atentos. Como não se impressionar pelo testemunho da rua nova, onde, morto João Pessoa caiu, hoje é nome da capital paraibana, e como resultado do seu infortúnio destino, deu espaço para implantação do Estado Novo, do senhor então presidente Getúlio Dornelas Vargas, tudo isso é um passado que clama em silêncio, a um povo que tem a fama de ter memória curta!
Muitos não sabem, porém a rua da aurora, que abriga construções como Ginásio Pernambucano (em homenagem ao imperador Pedro II, tem sua construção, o número dois em algarismo romano), Assembléia Legislativa, Museu de Arte Moderna, antiga câmara municipal e muitos prédios datados do século XVII e XVIII, no tempo em que os nobres e ricos não compravam casas em Boa Viagem, que por sinal nada mais era do que uma praia remota, a alta sociedade morava às margens do rio capibaribe, ser chique, era morar no centro do Recife.
Por fim, temos a primeira Sinagoga das Américas, hoje Rua do BOMFIM, antiga dos judeus e que aqui chegaram com os holandeses para fugir da perseguição no Antigo Continente, mas com a derrota dos flamengos, tiveram que fugir para outra terra promissora, chamada New York, e lá fundaram uma comunidade forte e que ajudou no desenvolvimento daquele país. O primeiro observatório Astronômico das Américas, chamada de Torre Malakoff, Forte do Brum,Casa da Cultura (antes cadeia pública até a primeira metade do século XX), Biblioteca Portuguesa; Teatro Santa Isabel; Palácio da Justiça. Toda essa história clama um encontro entre o recifense e o Recife, na verdade clama por um REENCONTRO, pois o Recife chama pela sua atenção a cada esquina, a cada entardecer.
É impressionante como pagamos fortunas para conhecer outros estados e países, e não sabemos a riqueza que representa nossa cidade, sua riqueza histórica, a riqueza do seu povo, dos seus mártires, da sua vida…
Todo pernambucano tem um pouco de Recife em suas veias.
A Potencialidade da Razão
Universidade é sinônimo de pluralidade de pensamentos, ou seja, a liberdade de pensar e expressar tais pensamentos são a maior contribuição que uma instituição de ensino pode oferecer a sociedade moderna. Contudo, a liberdade de pensamentos deverá ser pautada segundo conceitos científicos, o que na prática abole qualquer tentativa de focar o estudo da fé humana no meio acadêmico. E quando há uma tentativa de criar uma vertente comum em que religião e ciência possam caminhar e se completarem, o meio acadêmico é completamente avesso a esse pensamento, tendo em vista que os pensadores são limitados pela visão empírica que aparece como um elemento de controle da ávida liberdade de se expressar a um público cético e com conceitos preestabelecidos e que, quase sempre, não possui o menor interesse de entender fatos que podem ligar religião e ciência a patamares interligados e complementares.
A ciência é baseada na dinâmica dos seus fatores, isso indica que não há uma área de estudo que não tenha suas verdades contestadas e muitas vezes reformuladas sistematicamente ao longo dos anos, décadas e séculos. Teorizar sobre tudo é uma característica daqueles que se envolvem com a ciência. Saber que fundamentos elementares universais de determinado campo de estudos não é inquestionável e poderá em um dia passar a ser infactível e torna-se completamente obsoleto, essa realidade da ciência é um dos fatores de promoção da pesquisa, da disseminação do conhecimento e da busca por resultados concretos e satisfatórios, mesmo que esses possam mudar uma verdade constituída. O que dizer das Leis Newtonianas quando Albert Einstein questionou a teoria da gravidade e lançou a relatividade? E a teoria quântica formulada por Niels Henrick David Bohr? No fundo ciência é isso: transformação de verdades que nunca são absolutas e que seus resultados serão eternizados enquanto não houver uma justificativa teorizada que a derrube como lei universal científica.
A Filosofia, a ciência da filosofia, embora que o termo ciência não é muito aceito para a filosofia, mas é praticada nos meios acadêmicos como o vislumbramento do pensamento humano; sua origem e o mundo onde ele existe, segundo a visão antropocêntrica de Sócrates, mas que na verdade é a teorização do mundo segundo a visão de um determinado homem no seu tempo, isso quer dizer que, o filosofo cria sua interpretação de pensamento, homem, mundo, natureza e todas as interações entre estes, baseado na influência dos aspectos sociais, econômicos e políticos do seu tempo. Quando falamos de Nietzsche, para muitos um grande filósofo, contudo suas afirmações filosóficas são um mero ataque a outras filosofias como a Socrateana ou as religiões como o cristianismo e o budismo. A questão é: as teorias filosóficas de Nietzsche têm embasamento científico? Claro que não. Nietzsche é um filosofo, como disse antes, de seu tempo e com uma forte argumentação ele protagonizou uma visão mais próxima da Escola Sofista da Grécia Antiga do século VI a.C. do que qualquer outra linha de pensamento que possua base científica. Porém Nietzsche é ovacionado nos meios acadêmicos como sendo uma fonte de inspiração para qualquer aspirante a cientista. Como isso pode ser?
Com isso, uma visão de determinado homem poderá ser um ataque deliberado a outros pensamentos desde que, não se posicione a favor da fé humana? Isso é ter uma visão dogmática contra as práticas religiosas. A ciência deve ser aberta ao ponto de se envolver seriamente em elementos da fé humana podendo, inclusive, apoiar sua fundamentação, isso inclui o envolvimento de cientistas das diversas áreas onde o homem possui suas crenças estabelecidas para conceder parâmetros científicos sérios e, com isso, nortear a fé para algo mais puro e livre dos preconceitos existentes entre os simples mortais e os cientistas modernos.
Chico Miranda
A Potencialidade da FÉ
Fé (do grego: pistia e do latim: Fides) é a firme convicção de algo que seja verdade, sem prova de que este algo seja verdade, pela absoluta confiança que depositamos neste algo ou alguém. Acreditar é uma questão de fé, porém quando estamos no âmbito religioso é importante salientar que devemos ter um profundo conhecimento sistemático da fé humana sob a perspectiva religiosa, para que possamos entender a profundidade do que cremos e do que somos. Na verdade, quando afirmamos que acreditamos, tal afirmação nos leva a uma linha argumentativa que fundamenta a crença e o objeto da fé, isto é, a crença que professo é resultado daquilo que observo, herdo ou teorizo. Ninguém acredita em algo que não está fundamentado num raciocínio lógico próprio daquele que se crê, por exemplo, quando alguém afirma acreditar em Deus, significa que houve um argumento que o levasse a acreditar na existência de Deus através de uma observação, uma experiência pessoal ou recebesse como herança a fé em Deus, isso o levou a suas convicções religiosas. Não há uma só pessoa que diga que tem fé simplesmente por tê-la ou que acredite em algo que acha (?) que existe.
Fé, no sentido mais religioso, poderá se distanciar do seu significado descrito anteriormente, ao ponto de ser conceituada de forma diferente, isto tem sido bastante comum nas três religiões monoteístas do mundo. O acreditar em Deus, para muitos, seria uma incompatibilização com qualquer argumentação lógica-científica que possa levar os seguidores de tais religiões a questionar sobre a visão de Deus enxergada na óptica da religião que professam. Com isso, a fé, se entendida como um conceito tão rígido e dogmático ao ponto de não possuir uma racionalização daquilo que se crê, gerará seguidores fantoches alimentados por crenças manipuladoras formuladas para atender uma elite detentora do conhecimento e escravizar mentalmente e espiritualmente o homem cuja vocação principal é simplesmente aceitar por encomenda aquilo que ele pensa ser a verdade absoluta, o que, historicamente foi a condução da humanidade durante quase treze séculos, considerando o Concílio de Nicéia em 325 d.C até o estabelecimento do Iluminismo no século XVII e nos dias atuais, uma devastação teológica chamada NEO-PENTECOSTALISMO.
Quando colocamos crenças religiosas em confronto direto com o pensamento científico, ou em menor escala, quando confrontamos nossa fé com uma linha racional, estamos num plano mais amplo, ratificando aquilo que cremos. Claro que não estamos levando em consideração a extrema valorização das experiências ditas espirituais, que é o principal argumento, por exemplo, das correntes cristãs chamadas pentecostais, onde o emocional é o carro-chefe da fé. Porém, será que a experiência física-emocional é mais importante do que a racional? Refletir, pensar e questionar não são elementos importantes na formação do teólogo? E qual o motivo de não o ser para o leigo?
Muitos eruditos consideram o livro de Jó um conto judaico, e possuem uma linha argumentativa-científica defendendo que o mesmo fora uma criação proveniente da cultura oral, contudo tal argumentação é completamente inaceitável para muitos judeus e cristãos, já que o Livro de Jó constitui um Livro Sagrado dentro do cânon das duas religiões. O que pensar? Se for verdadeiro, isso destruiria a fé de ambas? Claro que não. Aceitar tal argumentação não fere a bíblia cristã ou a torá judaica, muito pelo contrário, eleva o Livro Sagrado a um discurso racional quando a base científica é comprovada, com isso, torna os cristãos e os judeus mais esclarecidos e mais próximos de uma visão científica que valoriza sua fé. Deixar que achados arqueológicos justifique e comprove um Livro Sagrado, deixará extasiado o crédulo e o tornará mais verdadeiro aos olhos dos incrédulos. Mesmo que não seja o objetivo principal, um documento de fé e prática, como é a bíblia cristã, pode passar uma comprovação histórica-científica que solidifique objeto da FÉ CRISTÃ, para tanto, é preciso que o homem cristão esclarecido possa saber onde há a convergência entre a FÉ e a CIÊNCIA.