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71 ANOS DA MAIOR OPERAÇÃO ANFÍBIA DO SÉCULO 20 – O Dia D!
Mais um data para que possamos lembrar. A Operação Overlord teve início no distante 06 de junho de 1944.
Separamos alguns dos principais artigos que o BLOG já publicou sobre a Dia D, em um vasto acervo de fotografias e análise da operação.
A operação, perdoe-nos os adeptos da República Soviética, é a que mais aguça o interesse de alguns aficionados pela Segunda Guerra Mundial. Deixando de lado a ideologia, escrevemos tanto sobre esse tema, mas mesmo assim parece que o tema não se esgota. Disponibilizamos alguns links de todos os artigos sobre o Dia D, e não são poucos! São 47 Artigos tratando diretamente os eventos do dia 05 e 06 de junho de 1944, data que marca o início das operações aerotransportadas e, posteriormente, os desembarques nas praias normandas. Acompanhada com os artigos, estão disponíveis algumas centenas de fotografias que, diga-se de passagem, estão entre as preferidas. As fotografias que consideramos imperdíveis para quem gosta da operação.
Rommel e o Dia D – Preparação
Os Loucos Condenados do Dia D
Os Feridos e Mortos em Omaha – Dia D
Bombardeios Imprecisos, prenúncio do massacre – Omaha/Dia D
Dia D – A Operação que Mais Consumiu Recursos Materias e Humanos!
Dia D e a Normandia: O Preço Pela Liberdade!
O Dia D – IN LOCO
A Hora H do Dia D – Parte II
Os Alemães e o Dia D.
Os Melhores Registros Fotográficos do Dia D – Homenagem a Robert Capa
Dia D – Especial 69 Anos – Destruição e Morte Vinda dos Céus
Eis O Dia D, Ainda Chama Atenção
O GOOGLE MAPS do Dia D!!
Bunker – As Fortificações do Dia D e Outras
O Dia D – Defensores e Atacantes
Dia D – Análise, Fatos e Fotos
E o Brasil, Como Viu o Dia D?
Omaha – Dia D – General Cota – O Comandante no Setor DOG WHITE
O Dia D no LEGO – Muito Legal!
O Fracasso da Defesa no Dia D
Dossiê – A Morte do General Pratt no Dia D – Parte I
O Dia D – Visto por um ângulo Diferente
Dia D – Visto por Outro Ângulo
DIA D – Mais Um Ângulo Diferente, a do Soldado – A Mais Difícil – Parte I
DIA D – Mais Um Ângulo Diferente, a do Soldado – A Mais Difícil – Parte II
DIA D – Mais Um Ângulo Diferente, a dos Alemães – Parte Final
O Dia D, depois do Dia D!
Os Civis No Dia D e depois do Dia D!
O Que Sobrou do Dia D? Cidades Destruídas
A Marinha de Guerra dos Aliados no Dia D.
As Consequências do Dia D para a População da Normandia
06 de Junho de 1944 – 67 Anos do Dia D
Muito bem. Vamos! – A Ordem do Dia D – Especial – Parte II
05 de Junho 1944 – DIA D 67 Anos – Especial – Parte I
Os Páraquedistas no Dia D – Parte I
Dia D – Relatos de Omaha – Parte III – Os Erros em Omaha
No Dia D – Hitler Dorme do Ponto
Dia D – Relatos de Omaha – Parte III – Quem fez a diferença
Dia D – Relatos de Omaha – Parte II
Dia D – Relatos de Omaha – Parte I
Depois do Dia D
Prisioneiros de Guerra do Dia D!
Fortificações Destruídas no Dia D
Erros do Dia D?
Desastre em DIEPPE – O Dia D que fracassou!
Fotos & Versões do Dia D
Operações Militares na Normandia!
Antes e Depois – Especial Normandia
Treinando para o Dia D – Fotos Coloridas.
A máxima da infantaria sempre será: “Treinamento difícil, combate fácil”. Para realizar uma operação nunca antes imaginada, esse jargão fora o principal motivador para o início da Operação Overlord, mas conhecida como o Dia D. Desde o final de 1943 milhões de soldados, aviados e marinheiros treinaram a exaustão aquela que seria a maior operação anfíbia da guerra até aquele momento. Os Aliados queriam desembarcar na Europa ocupada nas primeiras horas da invasão 200 mil homens e uma quantidade de equipamento descomunal. Para tanto, seria necessário empreender na doutrina e na disciplina da tropa para que todos os níveis de comando pudessem entender e executar todas as missões previstas para alcançar os objetivos. Não havia margem para erros, pois as falhas iriam ser cobradas com vidas. Por isso, meses após meses, todos os militares envolvidos treinavam a exaustão suas missões. De operações de desembarque a escaladas em montanhas, como foi o caso da Ranges na Pointe du Hoc. Além dos treinamentos das divisões aerotransportadas e de ataques de pequenas unidades de infantaria, missões específicas dos paraquedistas britânicos e americanos.
Evidentemente que nenhum treinamento se compararia ao cenário de horror que esses jovens seriam submetidos, como foi o caso em Omaha Beach, pois, como diria o próprio comandante Supremo da Força Expedicionária Aliada, General Eisenhower : “Todos os Planos de Guerra se encerram quando a Batalha começa[…]”
Segue uma excelente galaria desses treinamento de todas as Forças envolvidas no Dia D com fotografias coloridas:
Baterias de Costa e a Guerra Estática da Alemanha
Quando a França caiu em 23 de junho de 1940, a Alemanha subjugava grande parte da Europa Continental. Os domínios do Reich chegavam ao auge e um Exército de ocupação seria crucial para a manutenção do domínio alemão. Esse Exército, deveria, além de manter o controle interno dos inimigos do Reich, também deveria estar preparados para um possível ataque das nações inimigas. Quando a frente oriental foi aberta e uma nova fase da guerra se voltava para uma possível invasão da França, ergueu-se a mais conhecida fortificação estática da Segunda Guerra Mundial, a Muralha do Atlântico. Um conjunto de fortificações que se estendiam dos Países Baixos até as costas normandas. A propaganda de Goebbels classificava a Muralha com instransponível e inexorável. Mas não resistiu a primeira inspeção de Rommel. Que a chamou de enganação, e só servia de propaganda.
A Wehrmacht, no final de 1943, estava agora atrás da Muralha fazendo uma guerra estática, parecido com as trincheiras da Grande Guerra, aguardando um movimento do inimigo. Ou melhor, o próprio sistema de defesa estático da Alemanha era tão complicado quanto a diversidade de unidades militares estacionadas pela França. As Baterias Costeiras estavam subordinadas a Kriegsmarine , mas até iniciar os desembarques de tropas inimigas, a partir deste momento, a subordinação passaria a Wehrmacht, que deveria impedir exatamente a consolidação de pressionar o inimigo de volta para o mar.
Essa complicação de subordinação também se dava para as unidades Panzers que só podiam ser acionadas por ordem direta de Hitler, ou seja, Rommel deveria contra-atacar, mas sem contar com as Unidades de Blindados, exceto se solicitasse em tempo para que eles fossem deslocados.
Um dos grandes fatores de preocupação para Rundstedt e Rommel era o poderio naval dos aliados, por isso as fortificações costeiras foram construídas com uma proteção de concreto reforçado e dispostos de tal forma que resistissem a projéteis diretamente. Essas Baterias de Costas estavam prontas para atacar embarcações e tropas que chegasse às praias por elas protegidas. A proteção funcionou no Dia D. A maioria dos que lutaram nos Bunkers e Fortificações nas praias que desembarcaram inimigos, estavam vivos depois dos bombardeios navais e aéreos. Estavam surdos, mas vivos!
Vamos verificar como estas baterias funcionavam e o que restou delas no Dia D.
Eis O Dia D, Ainda Chama Atenção
O Dia D ou, no contexto militar, Operação Overlord, sempre esteve na mística das grandes batalhas da Segunda Guerra Mundial. Sempre habitou a mente daqueles que pesquisaram o assunto e sempre foi objeto de estudo de operações anfíbias nos centros de estudos militares do mundo. Os atacantes, representados pelo Supremo Comando Aliado, tinha à frente ninguém menos do que General Dwight David Eisenhower , veterano da Grande Guerra, foi escolhido por conseguir conciliar e transitar entre as arestas da alta cúpula militar americana e inglesa. Ele planejou, supriu e tentou executar da melhor forma possível a invasão à Muralha Europa, empregando todos os meios tecnológicos e humanos disponíveis do ocidente.
Do outro lado, estava dois experiente Marechais, o primeiro Gerd von Rundstedt, Comandante em Chefe da Frente Ocidental, estava cansado na idade e mais ainda daquela guerra, mas era um soldado profissional, comandando meio milhão de homens atrás da Muralha que a propaganda do Dr. Goebbels insistia em adjetivá-la de “intransponível”. Mas coube ao Marechal-de-Campo Erwin Rommel, nomeado Comandante do Grupo de Exército B, as defesas costeiras do Passo do Calais até o extremo sul da França. “A Raposa do Deserto” era respeitado pelos inimigos e graças a sua intervenção o Dia D, principalmente em alguns aspectos, o Dia D se tornou muito mais duro do que se podia imaginar.
Em abril de 1944, Rommel inicia uma série de melhorias nas defesas, que visavam aumentar as chances de fracasso de uma investida direta dos aliados. Isso incluía aumento do número de fortificações, expansão de áreas alagadas contra um desembarque aeroterrestre e criação de novas áreas de obstáculos marítimos em várias áreas que poderiam ser utilizadas como locais de desembarque. Segundo a doutrina empregada por Rommel, os Aliados deveriam ser repelidos sem que conquistassem um Cabeça-de-Praia, isso quer dizer que as defesas deveriam evitar a chegada e a fixação de tropas inimigas nas praias. Os blindados deveriam ser acionados assim que os desembarques iniciassem, acabando com qualquer chance de reforços através do Canal.
Mas os blindados não poderiam ser acionados sem uma ordem direta do próprio Hitler. Quando a ordem chegou, o Dia 06 de junho de 1944, já estava se encerrando e as tropas Aliadas, mesmo sofrendo terríveis baixas, já se posicionavam em direção ao interior; em direção a Caen, maior objetivo após os desembarques.
O Dia D, apesar de estudado e comentado a exaustão, ainda é motivo de reflexão, pois todos aqueles recursos de homens e material empregados em um espaço geográfico limitado e em um curto período não mais deva se repetir, já que a grandiosidade se reflete, infelizmente, na quantidade de civis e militares que perderam suas vidas nessa operação.
Detalhes da Guerra Na Normandia
Artigo publicado por Ernie Pyle que acompanhou tropas no Dia D e nas operações posteriores. O relato foi um dos últimos do Ernie, pois um pouco mais de um ano depois ele seria morto em Okinawa por um atirador japonês. Vale a pena conferir o trabalho de um dos jornalistas que era considerado o melhor correspondente de guerra do mundo.
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Cabeça de praia da Normandia, 15 de junho de 1944 – O navio no qual eu rumo para a invasão do continente traz também alguns componentes da segunda leva de tropas de assalto. Chegamos nas águas congestionadas um pouco depois do escurecer do dia D mais um.
Abordo do navio, temíamos secretamente esta viagem, pois esperávamos ataques de U-boats, lanchas torpedeiras e ataques aéreos, contudo, nada aconteceu.
Ficamos no mar por muito mais tempo do que normalmente ficaríamos para fazer a jornada da Inglaterra para a França. O comboio no qual viajávamos era um dos vários que compunham o que é conhecido como “força”.
Enquanto descíamos, o Canal estava apinhado de forças rumando nos dois sentidos, e, enquanto escrevo, elas ainda rumam para norte e sul. Caça-minas alargaram as passagens para nosso comboio durante todo o percurso da Inglaterra para a França. Estas passagens eram marcadas com bóias. Cada caminho tinha milhas de largura.
Lá nós víramos, diante de nossos olhos, mais navios do que qualquer humano jamais vira em um só relance. Rumando para o norte, navegavam outros gigantescos comboios, alguns compostos de destróieres e outros navios velozes, que rumavam para a Inglaterra a fim de trazer novas cargas de tropas e equipamentos.
Tão longe quanto sua vista pudesse enxergar em qualquer direção, o oceano estava infestado de navios. Devia existir todo o tipo de embarcação oceânica do mundo ali. Eu até mesmo creio ter visto um vapor de roda de pá à distância, mas acho que era provavelmente uma ilusão.
Havia encouraçados e todos os tipos de vasos de guerra em escolta e patrulha. Havia grandes frotas de “Liberty Ships” Havia frotas de luxuosos transatlânticos transformados em transportes de tropas e frotas de grandes cargueiros e petroleiros. E, de quando em vez, em meio a essa barafunda, avistávamos navios que não conseguíamos descrever: iates convertidos, barcas, rebocadores, chatas. A melhor maneira que encontro para descrever esta vasta armada e a urgência frenética do tráfego é pedir que o leitor visualize o porto de Nova York, no dia mais ocupado do ano e multiplique a cena até que ela tome todo o espectro de visão que o olho humano pode atingir, até a linha do horizonte. E, além do horizonte, ainda haveria dúzias de vezes este número.
Não pudemos desembarcar assim que chegamos à costa de invasão em meio ao grande volume de navios, naquilo que é conhecido como “área de transporte”.
Tudo é altamente organizado em uma invasão, e, cada navio, até mesmo o menor deles, está sempre sob as ordens exatas, mensuradas por minutos. Mas, como nosso comboio foi tão castigado pelos ventos e pelas correntes, acabamos nos adiantando cinco horas no cronograma, apesar do fato de nossas máquinas terem permanecido paradas durante metade do tempo. Gastamos esse tempo circulando.
Embora tenhamos chegado a tempo, eles não estavam prontos para nos receber nas praias e passamos ainda várias horas navegando para lá e para cá entre a multidão de navios próximos à cabeça de praia. Finalmente, depois de muito tempo, recebemos ordens de entrar em fila e aguardar nossa vez.
Nesse momento deu-se a parte mais incongruente da invasão para nós. Aqui estávamos, na primeira fileira de um grande épico militar. Granadas dos encouraçados zuniam sobre nossas cabeças e, ocasionalmente, um cadáver passava pelo nosso navio boiando. Centenas e centenas de navios carregados moviam-se confusamente em torno de nós. Podíamos nos sentar na amurada e ver tanto as nossas granadas, quanto as alemãs, explodindo na praia, onde homens esforçados saltavam para a costa, vadeando desesperadamente e largando armas e equipamentos pelo caminho.
Estávamos no próprio vórtex da guerra e ainda assim, sentávamos lá para esperar. O Tenente Chuck Conick e eu jogávamos buraco nos beliches, enquanto Bing Crosby cantava “Sweet Leilani” pelo sistema de som do navio.
Projéteis acertavam as águas próximas a nós e levantavam colunas de água, que se chocavam contra o casco de nosso navio. Mas em nosso alojamento, homens com máscara contra gases e vestindo salva-vidas sentavam-se, lendo a “Life” e ouvindo a BBC, que nos transmitia notícias de como a guerra, que estava bem debaixo de nossos narizes, progredia.
Mas não era exatamente assim que acontecia em terra. Não, realmente não era nada parecido com um boletim da BBC.
Algum lugar da França, 26 de junho de 1944 – O atirador de escol – até onde eu saiba – é reconhecido como um meio legítimo de se fazer guerra; ainda assim, há algo de furtivo nele que implica com o senso americano de justiça. Eu nunca sentira isso antes de chegar à França e começar a acompanhar nossos soldados. Já tivéramos contato com franco-atiradores antes – em Bizerta, Cassino e vários outros lugares, mas sempre em pequena escala.
Aqui, na Normandia, os alemães se dedicaram de maneira total ao tiro de precisão. Há atiradores de escol em toda a parte. Há atiradores em árvores, em prédios, em pilhas de destroços, no mato, mas eles se localizam, principalmente, nas altas e cerradas cercas vivas que cobrem todos os campos normandos e costeiam cada estrada ou trilha.
Este é um país perfeito para o atirador de escol. Um homem pode se esconder nas boscosas sebes com vários dias de ração e encontrá-los é como procurar agulha em um palheiro. Para cada milha que avançamos, dúzias de franco-atiradores ficam para trás. Eles acertam nossos soldados um por um enquanto se deslocam pelas estradas ou campos.
Não é seguro se mover em uma área de bivaque até que os franco-atiradores tenham sido encontrados. No primeiro acampamento que cheguei, ouvi tiros zunindo por um dia inteiro antes que todos os atiradores escondidos fossem eliminados. Isso lhe dá a mesma sensação assustadora de andar em meio a um lugar que você acredite estar minado.
Nas campanhas anteriores, nossos soldados falariam sobre atiradores esporádicos com desprezo e nojo, mas aqui, a atividade se tornou mais importante e tomar precauções contra ela é algo que temos que aprender bem rápido.
Um amigo oficial disse: “Cada soldado aprendera a se prevenir contra franco-atiradores individualmente, agora temos que nos conscientizar deles como unidade”.
Os franco-atiradores matam tantos americanos quanto podem e então, quando sua comida ou munição terminam, se rendem. Para um americano, isso não é considerado muito ético. O soldado americano médio não tem grande ódio do soldado alemão comum, que luta em terreno aberto, mas seu sentimento contra os sorrateiros atiradores de escol são tão cáusticos que não podem ser publicados. Eles estão aprendendo como matar os atiradores antes que chegue o momento de se renderem.
De modo geral, esta parte da França é muito complicada para qualquer coisa a não ser o combate em pequenas unidades. Essa é uma região de pequenos terrenos, cada qual cercado por uma grossa sebe ou cercas altas de árvores. Dificilmente há um lugar onde você possa enxergar o campo além daquele onde você se desloca. Na maioria do tempo, o soldado não vê mais do que algumas dezenas de metros em qualquer direção.
Em outros lugares, o solo é inundado e pantanoso, com mato muito crescido e denso. Neste tipo de situação a guerra se torna quase homem a homem. Um oficial que servira muito tempo no Pacífico disse que este tipo de luta é a coisa mais próxima de Guadalcanal que ele já tinha presenciado.
Na frente oeste, 11 de agosto de 1944 – Eu sei que todos nós, correspondentes, tentamos por várias vezes descrever para vocês como é esta esquisita luta em cercas vivas no nordeste da França, apesar disso eu insistirei no assunto mais uma vez, pois estamos aqui por dois meses e alguns de nós sentem que este tempo foi suficiente para quebrar o exército alemão no oeste.
Este tipo de luta é realizado sempre em pequenos grupos, vamos tomar então, como exemplo, uma companhia. Digamos que eles avançam por uma viela entre dois campos e que esta companhia é responsável pela limpeza destas duas áreas em cada lado da estrada enquanto avança. Isso significa que você tem aproximadamente um pelotão por campo e, como normalmente as companhias ficam desfalcadas por baixas, você deve ter não mais do que 25 ou 30 homens em cada campo.
Por aqui os campos normalmente não são maiores do que 45 metros de largura por algumas centenas de metros de comprimento. Eles podem ter plantações de cereais, ou pomares, mas normalmente são somente pastos de grama bem verde, cheios de belíssimas vacas.
Os campos são cercados por todos os lados por gigantescas cercas vivas que consistem de bancos de terra antiqüíssimos, cobertos de raízes, sob as quais crescem ervas daninhas, arbustos e árvores de até seis metros de altura. Os alemães usam estas barreiras muito bem. Eles colocam franco-atiradores nas árvores, cavam trincheiras profundas atrás das sebes e as cobrem com vigas e troncos, tornando-as quase à prova de nossa artilharia.
Algumas vezes eles armam metralhadoras com cordões presos, podendo atirar pela sebe sem sair de seus buracos. Eles até mesmo seccionam parte da sebe e escondem ali um canhão ou um tanque, cobrindo-os com vegetação. Eles também cavam túneis sob as cercas vivas, abrindo no lado oposto um buraco suficientemente grande para posicionar uma metralhadora; mas, normalmente, o padrão neste terreno é: uma metralhadora pesada escondida em cada ângulo do campo e soldados ocultos ao longo de toda a sebe, com fuzis e submetralhadoras.
Nossa tarefa agora é arrancá-los de lá. Esse é um negócio lento e cauteloso, e não há nada muito fascinante a respeito. Nossos homens não avançam pelo campo em dramáticas cargas como aquelas que você vê no cinema. Inicialmente eles procediam assim, mas as baixas lhes ensinaram que esta não era a melhor maneira.
Eles avançam em pequenos grupos, um esquadrão ou menos, separados por alguns metros e colados às sebes de cada lado do campo. Eles rastejam por alguns metros, param, perscrutam, esperam e então rastejam novamente. Se você pudesse estar exatamente entre os alemães e os americanos você não conseguiria enxergar muitos homens de cada vez – só uns poucos ali e aqui, sempre tentando manter-se escondidos, mas certamente você ouviria um grande número de barulhos horríveis.
Nossos homens aprenderam, no treinamento, a não atirar até que vissem alguma coisa em que disparar. Mas essa doutrina não funcionou neste país, pois você “vê” muito pouco, portanto a alternativa é continuar atirando constantemente contra as cercas vivas. Isso mantém os alemães nos seus buracos enquanto nossos soldados rastejam em direção a eles.
Os esquadrões de ataque esgueiram-se ao lado das sebes enquanto o resto do pelotão permanece nas suas próprias cercas e mantém a cerca adiante saturada de fogo. Eles também usam lançadores de granadas, e um esquadrão de morteiro um pouco mais atrás, disparando cargas sobre as sebes alemãs.
Os pequenos grupos de vanguarda chegam às sebes inimigas pelos ângulos do campo, tentando, primeiramente, eliminar as metralhadoras ali posicionadas com granadas de mão, lançadores de granadas e submetralhadoras.
Geralmente, quando a pressão aumenta muito, os defensores alemães da sebe começam a recuar. Eles levam suas armas mais pesadas e a maioria dos homens por alguns campos e começam a cavar uma nova linha de defesa. Eles deixam uma ou duas metralhadoras, e uns poucos fuzileiros espalhados pela linha antiga; estes homens tentam manter um volume de fogo a fim de atrasar os americanos o máximo possível.
Nossos homens agora se esgueiram para o meio da sebe, atirando granadas para o outro lado e disparando contra a vegetação. A luta é realizada de muito perto, somente uns poucos metros de distância, mas raramente desenvolve para combate homem a homem.
Algumas vezes os defensores alemães se levantam de suas trincheiras com as mãos para cima, noutras eles fogem e são atingidos, em outras ainda, eles simplesmente não saem de seus abrigos de forma alguma e uma granada de mão, jogada nas suas trincheiras, os elimina. Desta forma, finalmente, conquistamos outra sebe e estamos prontos para avançar à próxima.
Esta batalha nas cercas vivas configura-se por uma série de pequenas escaramuças como as descritas acima, milhares de pequenas escaramuças, sendo que nenhuma delas envolve mais do que poucas dezenas de homens, mas, somando-as todas, por dias, semanas e meses, nós temos uma guerra gigantesca, com milhares de homens sendo mortos de cada lado.
O GOOGLE MAPS do Dia D!!
Dentro daquela máximo “UMA IMAGEM VALE MAIS DO QUE MIL PALAVRAS”. Vamos publicar uma galeria que nos oferece a oportunidade de ver o momento dos desembarques, os corpos pelas praias e as embarcações destruídas na arrebentação do mar. Depois, em terra, podemos observar a destruição que a invasão proporcionou, inclusive com o sofrimento dos civis, atingidos diretamente pela guerra, os aviões dos paraquedistas em chamas desde a madrugada e a agonia das praias com os feridos. O que a ferramenta do GOOGLE MAPS procura fazer, uma visão aérea e a possibilidade de caminhar pelos locais escolhidos, tentamos reproduzi-lo. Aprecie!
Bunker – As Fortificações do Dia D e Outras
A propaganda alemã divulgou a ideia de que havia construído uma barreira intransponível no litoral de toda a França iniciando na fronteira com a Espanha até a Noruega, dando-lhe o nome de Muralha do Atlântico. Durante os anos de 1942/1943 o sentimento de inexorável aumentou quando no segundo semestre de 1942 uma tentativa de desembarque em Dieppe na França foi violentamente repelida pelas unidades alemãs ali dispostas. A propaganda exultava em relação as grandes unidades de artilharia de costa disponíveis em toda a extensão da Muralha, bem como o contingente de um milhão de soldados prontos para serem colocado em ação em caso de um desembarque.
Entre as concepções de guerra estática estavam bunkers interligados e fortes o suficiente para resistirem a grandes ataques aéreos e dos fogos de artilharia vindo do mar. Essas fortificações interligadas entre si por túneis e vielas, se estendiam por toda a costa até os grandes centros urbanos e locais mais afastados, onde a artilharia alemã poderia atacar com certa segurança os possíveis desembarques.
No início de 1944, o Marechal de Campo Erwin Rommel, nomeado para a repelir uma possível investida aliada, realizou uma visita por toda a extensão da Muralha do Atlântico, constatando “inexorável” era mais um pomposo adjetivo de propaganda do que algo realmente real. E a partir de sua visita melhorias nas fortificações e nos dispositivos de defesa foram realizados para concretizar sua frase que caracterizaria o dia da invasão como “O MAIS LONGO DOS DIAS”.
Segue abaixo uma demonstração dos Bunkers erguidos pelos alemães. Na verdade arguidos pelos nativos por ordem dos alemães
Dia D – Especial 69 Anos – Destruição e Morte Vinda dos Céus
Há 69 anos a região da Normandia estava sendo palco do maior desembarque anfíbio da história militar. A Operação Overlord iniciara com a primeira leva desembarcando as 06:30 pontualmente em cinco praias francesas de codinome Ohama, Utah, Gold, Juno e Sword. Essa operação, mundialmente conhecida como O DIA D, ficou no imaginário daqueles que estudam ou são entusiastas da Segunda Guerra Mundial.
Hoje o BLOG terá um dia inteiro com publicações sobre o Dia D e seus desdobramentos.
Iniciamos agora não no Dia D, mas em uma visão diferente para uma análise individual. Os sistemáticos bombardeios as cidades francesas. Quase todas as cidades que estiveram no caminho das tropas aliadas foram bombardeadas, enquanto todas os centros populacionais costeiros foram total ou parcialmente destruídas.
A galeria abaixo mostra 80 fotografias, sendo que as 40 primeiras mostram o momento de um bombardeio ou o momento logo após. A segunda parte da galeria exibe a destruição em solo depois dos bombardeios. Cada foto é uma consequência de uma da galeria anterior, portanto é de imagina a agonia da população civil das cidades como Saint-Lo e Caen. Uma reflexão.
Aguardem que mais publicações que hoje o dia é do Dia D.
DESTRUIÇÃO EM TERRA
Operações Militares na Normandia!
Quando se fala em operações militares no Normandia pensa-se logo no Dia D. É certo que depois do Dia D, outros duros combates ainda estavam por vir. O dia 12 de junho e a partir do dia 20 com violentos combates que aconteceram para consolidar posições, principalmente em Caretan, Caen e as regiões circunvizinhas, formada por planícies com boa vegetação e bastantes obstáculos colocados ainda na preparação das defesas.
Muitos que tiveram a sorte de sobreviver a difícil tomada de Omaha encontraram a morte nas operações subsequentes. Enquanto as unidades paraquedistas americanas e inglesas ficaram largadas por dias em pequenas unidades de combate espalhadas por toda a Normandia.
Do lado alemão os reforços não chegaram antes do dia 12 de junho, quase uma semana depois do Dia D. Se concentraram em uma determinada região evitando o avanço aliado por algumas semanas.
Os Alemães e o Dia D.
Quando no início de 1944 Rommel resolve realizar uma inspeção na inexpugnável Muralha de Atlântico. Observou que o “inexpugnável” só fazia sentido para a propaganda do “doutor” Goebbels. Uma análise da Raposa do Deserto constatou que para se deter uma investida aliada era necessário deter o inimigo antes que ele tivesse a chance de conquistar uma “cabeça-de-praia”, então formula a célebre frase: “o mais longo dos dias”. Como providências para esse pensamento, os reforços bélicos foram aumentados consideravelmente, com aumentando as defesas fixas na região na Península de Contentin, alagamento de grandes áreas e proteção contra desembarques aerotransportados, além de uma quantidade absurda de obstáculos nas praias e extensas áreas minadas.
Todos os especialistas do Dia D são unânimes em afirmar que a designação de Rommel para Teatro de Operações na Europa aumentou de modo exponencial as baixas dos aliados na incursão pela França. Ele queria deter qualquer tentativa de avanço sobre o território francês. Contava com divisões panzers para um contra-ataque rápido de feroz no mesmo dia dos desembarques. Nesse momento entra a ordem absurda de Hitler de que qualquer deslocamento de panzers deveria ser realizada apenas sob suas ordens, e ele estava dormindo até duas horas da tarde do Dia D. A ordem só chegou no final do Dia D e com ressalvas de tropas, tornando o deslocamento complicado naquele momento.
Depois de perder o ímpeto combativo, os defensores, apesar de enormes baixas causadas na praia de codinome Omaha, cedeu terreno e acabaram retraindo para o interior. As principais defesas foram concentradas na cidade de Caen, onde a resistência alemã lutou por meses. A cidade foi totalmente destruida por bombardeios aéreos, mas mesmo assim ainda, havia duros combates até a conquista total.
Argentan, Caretan e a região de Contentin foram cenários de duros combates. Mas nesse momento a capitulação da Alemanha em terras francesas era uma questão de tempo.
Abaixo um conjunto de fotografias que visa mostrar as tropas alemães antes e depois do Dia D.
A Hora H do Dia D – Parte II
Confesso que o conjunto de fotos que iremos publicar me empolgou, não apenas pela qualidade, mas principalmente pela quantidade dos registros. A convicção que as forças aliadas tinham de registrar do desembarque ao avanço das tropas. Fotografias até certo ponto difíceis de ver, principalmente os que registram corpos dos soldados mortos ou feridos gravemente. O interessante é que as fotografias não foram publicadas durante o conflito e permaneceu assim por décadas até ser liberado, no final das contas transformou-se em uma trabalho para posterioridade. Determinadas fotografias publicadas na imprensa nesse período iria ter um impacto semelhante, creio eu, a propaganda da guerra do Vietnã.
Então vamos a elas:
A Hora H do Dia D!
O Dia D ficou consagrado como o dia da decisão, termo militar que foi utilizado como codinome para a Operação Overlord e que acabou sendo sinônimo para um dia importante. Mas dentro do Dia D, o mais longo dos dias, segundo o próprio Rommel, houve para cada soldado participante do conflito a sua própria Hora H. Aquela que determinou a vida ou morte; aquele momento de decisão ou de angustia, de alegria ou de tristeza, um momento importante para qualquer soldado, seja ele americano, inglês ou alemão. A Hora H pode ser um momento de tranquilidade e de paz depois de um inferno.
Como temos nossa série a Hora H aqui no BLOG, resolvemos buscar no acervo fotografias da Hora H do Dia D, que não necessariamente foi no Dia D, mas inclui operações posteriores a Dia D. Resgatamos fotografias da U.S Corps com a qualidade impressionante, que nos orgulhou colocar a disposição de vocês.
Nas próximas remessas vamos abordar o próprio Dia D e a impressão do soldado ao se aproximar a sua Hora H.
O Dia D – IN LOCO
Há alguns meses atrás estava em uma das mais tradicionais livrarias aqui em Pernambuco, procurando uma boa revista e encontrei e não pude deixar de ouvir um comentário de um senhor que foleava uma revista sobre o Dia D: “ninguém merece! Mais uma matéria sobre o Dia D, parece que só teve isso na Segunda Guerra”. É fato que a Operação Overlord foi atípica no contexto da guerra, mas é fato também que o assunto é muito exaurido, mas vamos falar um pouco mais. Em relação a outras batalhas da Segunda Guerra, o Dia D não foi nem de perto a maior. Contudo, não podemos deixar de estudar o assunto por algumas razões que enumero abaixo:
- Invasão da Europa – o contexto de que em 1943/1944 a Alemanha declarava em sua propaganda que a Muralha do Atlântico era inexpugnável selou uma área de interesse pela Invasão da Europa que permaneceu até depois da guerra. Tanto que o seu comandante se transformou em Presidente dos Estados Unidos;
- Liberdade da França – Os franceses que eram parte integrante da balança do poder na Europa durante século estava sob o julgo de nação inimiga a quase quatro anos, e seu povo vivia a expectativa da liberdade.
- Baixas Civis – Ponto questionado a muito, qual o preço da liberdade da França? Um bombardeio de proporções épicas atingiu todas as cidades da Normandia deixando um rastro de mortos civis e destruição generalizada de construções e plantações.
- Baixa de soldados – Apesar de importantes objetivos sendo alcançados no primeiro dia a um alto custo de vidas de soldados, principalmente em Omaha, onde centenas de milhares de soldados morreram antes mesmo de disparar um único tiro. E não demorou muito para que os alemães lutassem contra os avanços. Caen por exemplo, resistiu por meses.
- Operações Aerotransportadas – A utilização de paraquedistas no Dia D menos um, tornou a operação possível em diversos níveis, desnorteando as forças de defesa, além de executarem a maior operação aerotransportada da história.
Esses foram apenas alguns motivos que levaram a Operação Overlord, o Dia D, a ser a mais famosa operação militar da História, mesmo que ela não tenha sido a maior.
Portanto vamos verificar nas fotografias cada área desta abordagem. Nas melhores fotos do Dia D.
Dia D – Relatos de Omaha – Parte III – Os Erros em Omaha
Quatro detalhes deram aos Aliados a noção de que podiam assaltar com sucesso a praia de omaha. Primeiro, o serviço de inteligência aliada disse que as fortificações e trincheiras eram guardadas pela 716ª Divisão de Infantaria, uma unidade de baixa qualidade composta por poloneses e russos com fraco moral. Em Omaha, a inteligência calculou que havia apenas um batalhão de cerca de 800 homens para guarnecer as defesas.
Segundo, os B-17 designados para o bombardeio aéreo atingiriam a praia com tudo o que tinham, destruindo ou pelo menos neutralizando os bunkers e criando crateras na praia e no penhasco que poderiam ser usadas como trincheiras pela infantaria. Terceiro, o bombardeio naval, culminando com foguetes dos LCT(R) acabaria com tudo o que ficasse vivo e se movendo depois que os C-17 terminassem. À infantaria da 29ª e da 1ª Divisões foi dito que seus problemas do Dia D começariam quando chegassem ao topo do penhasco e começassem a se mover para o interior na direção dos seus objetivos.
A quarta causa para gerar confiança de que o trabalho seria feito era que os 40.000 homens com 3.500 veículos motorizados estavam programados para desembarcar em Omaha no Dia D.
Em resumo, nada de cima mencionado funcionou. O serviço de informações estava errado; em vez do desprezível 716ª Divisão, a realmente capaz 352ª estava no lugar. Em vez de um batalhão alemão para cobrir a praia, haviam três. A cobertura das nuvens e a chegada atrasada fizeram com que os B-17 demorassem para liberar as bombas até estava nada menos que cinco quilômetros no interior; nem uma bomba se quer caiu na praia ou no penhasco. O bombardeio naval foi breve demais e geralmente impreciso, e em todo caso se concentrou nas grandes fortificações acima do penhasco. Finalmente, a maioria dos foguetes não alcançou o alvo, a maior parte caindo na arrebentação, matando peixes e não alemães.
O capitão Walker, num LCI, relembrou que poucas horas antes da Hora H “dei uma olhada na direção da costa e meu coração afundou, não podia acreditar quão pacífica, quão imperturbada, quão tranquila era a cena. O terreno era verde. Os edifícios e casas estavam intactos, as torres e igrejas estavam orgulhosamente e desafiadoramente firmes no seu lugar ” – Na instrução de pré-assalto disseram a Walker: “Esta maquete mostra a terra atrás da praia como verde, mas não parecerá muito assim no Dia D. a pulverização do bombardeio, das bombas navais e dos foguetes fará com que ela fique marrom. E não dependa dessas torres de igreja como pontos de referência, porque todos os edifícios serão arrasados.”
Fonte: O Dia D – Stephen E. Ambrose
No Dia D – Hitler Dorme do Ponto
Logo que o sol nasceu no dia 06, o piloto alemão Adolf Bärwolf recebeu a ordem de decolar da base de Laval para um voo de reconhecimento. Depois de sobrevoar Cean e virar à esquerda no Rio Ornem, ele e seu auxiliar viram centenas de carcaças de planadores inimigos espalhados pelo campo. Bärwolf fotografou a cena e rumou para o mar, onde pôde avistar mais de 50 embarcações. Estava claro que havia chegado o dia da invasão.
Quando o piloto voltou a sua base, eram cerca de 6h, e o desembarque dos Aliados mal começara. Com as informações, as temidas divisões blindadas que estavam posicionadas a oeste das praias da Normandia poderiam agir com rapidez. Os tanques iniciaram o deslocamento por determinação do marechal Gerd von Rundstedt, que pediu autorização para agir. No entanto, o contra-ataque só foi lançado entre as 14h30 e 15h pela 21ª Divisão Panzer da SS. Motivo da demora: somente Hitler, comandante em chefe das Forças Armadas, poderia dar a ordem.
Eram 7h30, Von Rundstedt recebeu a informação de que o Füher dormia. Em seu refúgio em Berghof, nos Alpes bávaros, o ditador nazista havia pegado no sono apenas à 3 horas. Ninguém queria acordá-lo por causa de “relatórios não confirmados” de invasão. Segundo depoimentos, auxiliares só teriam chamado o ditador depois das 10 horas. Outros dão conta de que ele teria levantado sozinho quando já passava do meio-dia. Ao ser informado da magnitude do ataque, Hitler desdenhou: “A notícia não poderia ser melhor. Enquanto estavam na Grã-Bretanha, não poderíamos alcançá-los. Agora estão onde podemos destruí-los”.
O Füher tinha um encontro com diplomatas e políticos da Hungria, Romênia e Bulgária. Ao entrar na sala estava radiante: “Começou, afinal!”. Logo depois, desenrolou um mapa da França e disse ao comandante da Luftwaffe, Hermann Göring: “Eles estão desembarcando exatamente onde esperávamos!”. Göring preferiu não corrigi-lo.
Dia D – Relatos de Omaha – Parte II
Barnes e sua equipe de assalto tiveram uma sorte extraordinária. Cerca de 60 por cento dos homens da Companhia A vieram de uma mesma cidade, Bedford, Virgínia; para Bedford, os primeiros minutos em Omaha foram um completo desastre. As Companhias G e F deveriam entrar à esquerda da Companhia A, mas derivaram um quilometro mais a leste antes de desembarcar, por isso, todos os alemães em torno do barranco solidamente fortificado de Vierville concentraram seu fogo na Companhia A. Quando as rampas do barcos Higgins foram arriadas, os alemães logo concentraram sobre eles o fogo de metralhadoras, artilharia e morteiros, apenas duas dezenas sobreviveram, e praticamente todos eles feridos.
O Sargento Thomas Valance conseguiu sobreviver. “Quando descemos a rampa, estávamos com água mais menos à altura do joelho e começamos a fazer o que tínhamos treinados para fazer: mover-nos para frente e em seguida agachar-nos e atirar. O problema era que não sabíamos absolutamente em que atirar. Vi algumas balas traçantes vindas de um embasamento de concreto, que, para mim, parecia colossal. Nunca pensei que embasamentos de canhões pudessem ser tão grandes. Atirei nele mas não havia jeito algum de derrubar um gigante com uma .30”
“Ficou logo evidente que não íamos realizar muita coisa. Eu me lembro de patinhar na água com minha mão erguida no ar, tentando conseguir equilíbrio, quando fui baleado na palma da mão, em seguida através das juntas.”
“O praça Henry Witt estava voltando na minha direção. Lembro-me dele dizer: ‘Sargento, eles estão nos deixando aqui para morrer como ratos’.”
Valence foi atingido novamente, na coxa esquerda por uma bala que quebrou seu fêmur. Ele levou dois outros no corpo. Teve a mochila atingida duas vezes, e a jugular de seu capacete cortada por outro tiro. Ele se arrastou pela praia “e cambaleei de encontra à muralha marítima, e de algum modo caí ali prostrado, e o fato é que passei o dia inteiro na mesma posição. Os corpos dos meus camaradas estavam sendo arrastados pelas águas e eu era o único sobrevivente no meio de tantos de meus amigos, todos eles mortos, em muitos casos cruelmente feitos em pedaços”. 1
Do seu barco, o Tenente Edward Tidrick foi o primeiro a sair. Ao saltar da rampa na água levou um tiro que lhe atingiu a pescoço. Ele cambaleou para a areia, deixou-se pesadamente perto do praça Leo Nash e ergueu-se para dizer em voz entrecortada: “Avance com os cortadores de arame!” Naquele instante, balas de metralhadoras dilaceraram Tidrick da cabeça à cintura.
Por volta das 6:40 apenas um oficial da Companhia A estava vivo, o tenente E. Ray Nance, e ele fora atingido no calcanhar e na barriga. Todos os sargentos ou estavam mortos ou feridos. Em um barco, quando a rampa foi arriada, todos os trinta homens foram mortos entes que pudessem sair.2
- Depoimento Oral do Thomas Valance – Eisenhower Center
- S. L. A. Marshall, “First Wave at Omaha Beach”, novembro de 1960, p. 68
Dia D – Relatos de Omaha – Parte I
As operações anfíbias no Dia D em Omaha Beach foram temas de longas discussões desde o dia 06 de junho de 1944 até os dias atuais, e seus desdobramentos a partir do número elevado de baixa foram citados pelos críticos várias vezes, em contrapartida, todos são unanimes em afirmar que, havendo a invasão na Normadia, a única alternativa para operação era tomar aquele trecho de praia. Segue abaixo alguns relatos de fontes diversas, para fazer jus, citaremos a fonte no final de cada post:
O Plano
O plano da Overlord para Omaha era preciso elaborado. Tinha o 116º Regimento da 29ª Divisão do Exército dos Estados Unidos, penetrando pela direita (oeste), apoiado pela Companhia C do 2º Batalhão das Tropas de Assalto Anfíbia (os Rangens). O 16º Regimento da 1ª Divisão penetraria pela esquerda. Seria um ataque linear com os dois regimentos penetrando com as companhias em conjunto. Havia oito setores da esquerda para direita chamados Charlie, Dog Green, Dog White, Dog Red, Easy Green, Easy Red, Fox Green e Fox Red.
As primeiras levas constituíam em dois batalhões de cada um dos regimentos, chegando às praias numa coluna de companhias, com terceiro batalhão avançando atrás. Á frente das equipes de assalto estariam os carros de combate, equipes de demolição submarina da Marinha e engenheiros do Exército. Cada equipe de assalto e as unidades de apoio tinham tarefas específicas para executar, todas aparelhadas para abrir as saídas. Quando a infantaria suprimisse qualquer tipo de fogo vindo dos alemães.
Em seguida, as próximas levas de embarcações de desembarque trariam reforços num rigoroso e severo horário destinado a empregar um poder de fogo que iam de M1 a obuseiros de 105mm, além de carros de combate, caminhões, jeeps, unidades de saúde, pessoal de controle de trafégo e pessoal administrativo.
Por volta da hora H mais 120 minutos, os veículos estariam subindo o barranco aberto para o cimo do penhasco e começando a deslocar-se para o interior na direção de seus objetivos no Dia D em Vierville, St.-Laurent e Colleville, rumando depois para Pont-du-Hoc ou para tomar Trevières, a oito quilômetros de Omaha.
Mas como citado por Eisenhower: “os planos são tudo antes da batalha, mas inúteis assim que travada”
Os problemas
Com exceção da Companhia A do 116º, nenhuma outra unidade desembarcou onde se esperava. Metade da Companhia E estava a mais de um quilometro do alvo, a outra metade a mais de dois quilometro a leste do setor. Consequencia dos ventos e da maré. Vento noroeste de dez a dezoito nós criava ondas de 90cm a 1,20m, que empurrava as embarcações de desembarque da direita para esquerda.
Por volta da Hora H, não só os barcos estavam fora da posição, como também os homens neles confinados, enjoados, infelizes. Muitos haviam descido pelas redes de corda para a embarcação quatro horas antes.
Pelo menos dez dos 200 barcos na primeira leva afundaram; a maioria das tropas foi apanhada pelos barcos de salvamento da Guarda Costeira, depois de horas na água; muitos se afogaram pelo excesso de equipamento.
De um modo geral, os homens da primeira leva estavam exaustos e confusos mesmo antes que se travasse qualquer batalha. Todavia, a aflição causada pelo borrifo que os atingia no rosto com cada onda e pelo enjoo que sentiam era tal que eles estavam ansiosos para atingir a praia, sentido que nada poderia ser pior do que ficar nos malditos barcos Higgins.
Relatos
“Alvo Dora – Fogo!”, gritou o tenente Frerking ao telefone. Quando a bateria abriu fogo, atirados alemães ansiosos, por toda área, puxaram seus gatilhos. Á esquerda de Frerking havia posições MG-42; à sua frente uma posição fortificada de morteiros; nos declives avançavam do penhasco, soldados de infantaria em trincheiras. Eles entraram em ação.‑1
No barco da Companhia A que liderava o percurso, o LCA 1015, o capitão Taylor Fellers e cada um dos seus homens foram mortos antes que a rampa fosse baixada. Simplesmente evaporou em uma explosão. Ninguém jamais soube se resultado de te atingindo uma mina ou de ter sido atingido por um 882
Por toda a praia as metralhadoras alemãs estavam lançando fogo de monstruosa proporções sobre os desafortunados americanos (um metralhador ao lado de Frerking no ponto forte 62 disparou 12 mil cartuchos naquela manhã ). Por causa dos desembarques feitos no lugar errado os soldados achavam-se aglomerados, com grandes lacunas entre os grupos, de até um quilometro de comprimento, o que permitiu aos alemães concentrar seu fogo.
O Soldado John Barnes, da Companhia A, 116ºm estava no LCA. Ao aproximar-se da praia, em linha com onze outras embarcações, alguém gritou: “Dê uma olhada! Aí está uma coisa que contaremos a nossos netos!”
“Se vivermos”, pensou Barnes
CONTINUE ACOMPANHANDO – PRÓXIMO POST 20/30/2011
1. Carell, Invasion – They’re Coming!, p.76
2. Joseph Balkoski, Beyond the beachhead



















































