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O Dia D – IN LOCO

Há alguns meses atrás estava em uma das mais tradicionais livrarias aqui em Pernambuco, procurando uma boa revista e encontrei e não pude deixar de ouvir um comentário de um senhor que foleava uma revista sobre o Dia D: “ninguém merece! Mais uma matéria sobre o Dia D, parece que só teve isso na Segunda Guerra”. É fato que a Operação Overlord foi atípica no contexto da guerra, mas é fato também que o assunto é muito exaurido, mas vamos falar um pouco mais. Em relação a outras batalhas da Segunda Guerra, o Dia D não foi nem de perto a maior. Contudo, não podemos deixar de estudar o assunto por algumas razões que enumero abaixo:

  • Invasão da Europa – o contexto de que em 1943/1944 a Alemanha declarava em sua propaganda que a Muralha do Atlântico era inexpugnável selou uma área de interesse pela Invasão da Europa que permaneceu até depois da guerra. Tanto que o seu comandante se transformou em Presidente dos Estados Unidos;

  • Liberdade da França – Os franceses que eram parte integrante da balança do poder na Europa durante século estava sob o julgo de nação inimiga a quase quatro anos, e seu povo vivia a expectativa da liberdade.

  • Baixas Civis – Ponto questionado a muito, qual o preço da liberdade da França? Um bombardeio de proporções épicas atingiu todas as cidades da Normandia deixando um rastro de mortos civis e destruição generalizada de construções e plantações.

  • Baixa de soldados – Apesar de importantes objetivos sendo alcançados no primeiro dia a um alto custo de vidas de soldados, principalmente em Omaha, onde centenas de milhares de soldados morreram antes mesmo de disparar um único tiro. E não demorou muito para que os alemães lutassem contra os avanços. Caen por exemplo, resistiu por meses.

  • Operações Aerotransportadas – A utilização de paraquedistas no Dia D menos um, tornou a operação possível em diversos níveis, desnorteando as forças de defesa, além de executarem a maior operação aerotransportada da história.

Esses foram apenas alguns motivos que levaram a Operação Overlord, o Dia D, a ser a mais famosa operação militar da História, mesmo que ela não tenha sido a maior.

Portanto vamos verificar nas fotografias cada área desta abordagem. Nas melhores fotos do Dia D.

As Consequências do Dia D para a População da Normandia

A Operação Overlord foi desencadeada para conquistar os territórios ocupados na França pelos alemães desde 1940, e o povo francês ansiava por essa liberdade, contudo a libertação teve um alto preço. O Comando Supremo Aliado deu ordens para bombardear pesadamente as cidades normandas, principalmente aquelas onde a resistência alemã se mostrou consistente nos primeiros dias de invasão, como por exemplo, Caen.  Os civis dessas cidades foram sendo contabilizados como contingência da guerra, perdendo suas casas e testemunhando suas propriedades sendo destruídas, ora com os bombardeios sistemáticos, ora por combates intensos entre as tropas que lutaram em suas cidades e ruas. O resultado desse processo foi uma destruição de quase todas as edificações das cidades litorâneas e à medida que a guerra avançava no território francês mais civis entravam na linha de frente.

Evidentemente os objetivos eram nobres, contudo os meios foram severamente criticados no pós-guerra, já que os desabrigados e mortos civis foram em números tão elevados quanto a operação que libertou a França.

A Marinha de Guerra dos Aliados no Dia D.

A Marinha Real Britânica e a Marinha Americana tiveram um papel fundamental na maior operação anfíbia da Segunda Guerra Mundial, transportar e apoiar com fogo naval um contingente de mais de meio milhão de homens nos primeiros dias da Operação Overlord. E para tal operação, todo tipo de embarcação foi utilizada, desde Destroier até outras embarcações menores como CLI, CLVP, LCT e LCM, todas essas letrinhas representavam o transporte de tropas e de material, além de carros de combate e toda a logística de guerra necessária à tomada de posições fortemente defendidas. As cabeças-de-praia só poderiam ocorrer se a Marinha Americana e Inglesa pudessem bombardear pontos estratégicos específicos e dá apoio total aos setores de desembarque de tropas. Contudo problemas acorreram, principalmente na praia chamada Omahar, quando a U.S Navy despejou projéteis de 12 e 14 polegadas sobre topos de penhascos e por cima de casas matas que praticamente ficaram intactas nas primeiras ondas de desembarque, o que aumentou enormemente a resistência na tomada dessa praia.  Mas o pior ainda estava por vir, quando começou os desembarques a Marinha não poderia mais ajudar as tropas, pois corria o risco de atingir as suas próprias tropas. Sobre isso escreve o W.J. Marshall, comandante do destroier Satterlee:

“Era extremamente vexatório e deprimente permanecer ocioso a algumas centenas de metros das praias e observar as tropas, carros de combate, barcos de desembarques e veículos motorizados sendo pesadamente bombardeados e não poder disparar um tiro para ajuda-los, só porque não tínhamos informações sobre em quem atirar e éramos incapazes de detectar a fonte de fogo inimigo”. Stephen E. Ambrose – O Dia D – 06 junho 1944.