A FEB Indo para a Guerra: o Filme que o Exército Americano Gravou em 1944

O roteiro do vídeo

Julho de 1944. Meio do Oceano Atlântico. Num navio de tropas americano, cinco mil soldados brasileiros seguem para a guerra. E no convés, a tropa assiste a uma corte de fantasiados. É o Rei Netuno, que veio a bordo.

Uma câmera do Exército americano estava lá, e filmou. Esse filme está hoje no Arquivo Nacional dos Estados Unidos. E é com ele que a gente vai fazer, agora, a viagem da FEB.

2 de julho de 1944. O primeiro escalão da Força Expedicionária Brasileira deixa o porto do Rio de Janeiro. São cinco mil e setenta e cinco homens, trezentos e quatro deles oficiais. O navio é o transporte americano General Mann. O destino, Nápoles, na Itália.

A travessia era o trecho mais perigoso. Havia submarinos do Eixo no Atlântico. Contratorpedeiros da Marinha brasileira e navios de combate americanos escoltavam o comboio até o Estreito de Gibraltar.

A bordo, alerta total. Exercício de abandono de navio todos os dias. Colete salva-vidas o tempo todo. E à noite, todas as luzes apagadas, para não entregar a posição. Com o navio fechado e o calor, a viagem era desgastante.

Para passar o tempo, xadrez, baralho, conversa. E a comida. O jantar era brasileiro; o almoço, americano, cheio de coisas que a maioria nunca tinha visto. No primeiro almoço, veio um tal de Nabisco: um rolo de trigo seco e duro, parecendo palha de aço. Um tenente médico tentou com açúcar. Depois, com manteiga e sal. Depois, puro. Cada vez pior. Até que um capitão que já tinha estado nos Estados Unidos explicou: aquilo se come mergulhado no leite.

No General Mann, os alto-falantes davam as ordens em inglês para os americanos e em português para os brasileiros, sempre depois de um apito agudo. A tropa logo aprendeu que, depois do apito, vinha novidade. E gritava: lá vem peixe!

E foi na linha do Equador que o Rei Netuno apareceu. A Marinha americana tinha uma brincadeira tradicional: quem cruzava a linha pela primeira vez ganhava um diploma do Rei Netuno. Num navio às escuras, com medo de submarino, a festa aliviou a tensão. E a irreverência brasileira fez o resto.

Dois meses depois, a festa se repetiu com o segundo escalão. E ficou registrada num documento oficial, o boletim de bordo, assinado pelo comandante: amanhã o navio atravessará a linha do Equador. Devem ser tomadas precauções especiais, pois muitas vezes se sente um choque muito violento, podendo até mesmo a hélice embaraçar-se na referida linha.

O general Falconière, que viajava no outro navio, telegrafou: disciplina da tropa ótima. Somente os artilheiros de bordo tiveram de ser amarrados em suas camas, com receio do grande choque contra a linha do Equador.

Em Gibraltar, a Marinha brasileira terminou sua missão de escolta. Dali em diante, o comboio seguiu com navios americanos e ingleses. E a entrada no Mediterrâneo virou cerimônia. O comandante do General Mann, o capitão Paul Maguire, saudou a tropa: sois a primeira força sul-americana que deixou seu continente para combater em ultramar. O general Mascarenhas de Morais respondeu: unidos na América e sobre as águas do Atlântico, seremos na Europa também irmãos do mesmo ideal.

16 de julho de 1944. O General Mann atraca em Nápoles. E o cinegrafista americano anota na claquete: Exército brasileiro desembarcando. Nápoles. 16 de julho de 44.

A câmera passa de rosto em rosto. No convés, o general Mascarenhas recebe os oficiais americanos. No cais, uma banda. Dois meses depois, em 16 de setembro, um batalhão do 6º Regimento de Infantaria iniciava a marcha na frente do rio Serchio, entre Pietrasanta e Lucca. A FEB entrava em combate.

Em 22 de setembro de 1944, ao meio-dia e quinze, partiu o segundo escalão, junto com o terceiro: dez mil, trezentos e setenta e cinco homens, sob o comando do general Falconière. Um veterano guardou a cena: da saída da barra ainda se via, sem binóculo, o relógio da Central do Brasil. Quando voltaríamos a rever essas praias?

Eles desembarcaram em Nápoles e seguiram em navios de desembarque americanos até Livorno. E lá estava a câmera de novo. Na claquete: chegada das tropas brasileiras, Livorno, 11 de outubro de 44.

O oficial Olívio Gondim de Uzêda contou a chegada. Desembarcamos espremidos entre as malas, por um lamaçal sem fim, até os caminhões. Pela estrada, destruição e mais destruição. E as crianças pedindo cigarro, chocolate e caramelo.

O acampamento ficava num parque de pinheiros perto de Pisa: a Tenuta di San Rossore, o parque do rei da Itália. Ali, por mais de um mês, a tropa se adaptou ao clima e à comida, recebeu armamento e fez instrução.

Em volta, tudo marcado com fita branca: campo minado. E dentro dele andavam uns camelos. De vez em quando, uma explosão, e os soldados diziam: lá vai um camelo. Até que alguns começaram a desrespeitar as marcas. E a pergunta, a cada estouro, passou a ser outra: será um camelo ou um brasileiro?

Entre julho de 1944 e fevereiro de 1945, mais de vinte e cinco mil brasileiros fizeram essa viagem. A câmera americana filmou o começo dela. Se tem um pracinha na sua família, conta aqui nos comentários.

Fontes

Imagens: filmes do U.S. Army Signal Corps, de 1944, em domínio público (obra do governo dos EUA), copiados do Internet Archive. As tomadas a bordo são do 1º escalão, identificado pela presença do general Mascarenhas de Morais.

Categories: Mais Assuntos

Verdun 1916: a batalha planejada para sangrar a França

Categories: Mais Assuntos

O Herói Esquecido da FEB: o Primeiro Comandante da Polícia do Exército

Categories: Mais Assuntos

Os Três Heróis Brasileiros da FEB: e se os nomes estiverem errados?

Categories: Mais Assuntos

Onde Hitler Morreu? A Verdade Contra a Lenda da Fuga para a América do Sul

Categories: Mais Assuntos

Monte Castelo: a batalha que fez a cobra fumar

Categories: Mais Assuntos

O “Desertor” da FEB: o soldado que se escondeu no navio para ir à guerra

Categories: Mais Assuntos

A Batalha de Los Angeles: a cidade que declarou guerra ao céu vazio

Categories: Mais Assuntos

Os Tanques Mais Bizarros da História: Quando a Guerra Perdeu a Razão

Categories: Mais Assuntos

O Pacto Secreto: Quando Hitler e Stálin Dividiram a Europa

Categories: Mais Assuntos

O Mito do Tiger: Por Que o Melhor Tanque de Hitler Perdeu na Rússia

Categories: Mais Assuntos

A Invasão da Polônia (1939): Hitler Queria a Guerra?

Categories: Mais Assuntos

Kharkov na Ucrânia: Um lugar sem paz!

Existem alguns lugares que não podem ter suas histórias contadas sem dor, sem sofrimento e sem sangue. A segunda maior cidade da Ucrânia é um desses lugares. Os últimos 200 anos nessa região foram testemunhas de todo tipo de provações e privações diante de invasões e domínios estrangeiros.

Durante a Segunda Guerra Mundial, Kharkov foi palco de quatro grandes campanhas militares de 1941 a 1943. Todo seu território tomado pela Alemanha de Hitler e depois retomado pelos soviéticos, deixaram milhares de mortos, civis e militares. Após o conflito, veio a dominação soviética e novas privações. Mesmo por algumas décadas vivendo em relativa paz, em 2022 torna-se alvo da Rússia. Tentativa de tropas russas tomarem a cidade fracassaram, mas as linhas inimigas estão, atualmente, no raio de 20km da cidade, isso há 04 anos de guerra. Não há paz! Uma cidade que protagoniza guerras modernas na essência da palavra!

Categories: Mais Assuntos

Medicina Militar – O que fez a Diferença na Campanha dos Aliados

Durante a Segunda Guerra Mundial o mundo presenciou uma revolução que impactou no curso da guerra. A Medicina Militar não apenas sofreu uma revolução com novos métodos e tratamento, mas também estrutural e de emprego. Hospitais militares ficavam a poucos quilômetros da linha de frente, com isso, o tempo de atendimento aos feridos nos combates permitiu o aumento da taxa de sobrevivência para os casos menos complexos. A organização e o emprego eficiente, aliado as novas formas de tratamento, como transfusão de sangue e uso de penicilina, aumentaram significativamente as chances de sobrevivência aos feridos em combate. Era a medicina militar evoluindo para mudar o curso da guerra. Mas não apenas isso. A estrutura hospitalar de atendimento também mudou.

Os hospitais militares americanos eram divididos em três categorias: Hospital de Campanha (Field Hospital), sua localização permitia um atendimento rápido, com distâncias entre 3 a 5km da linha de frente, tratando os casos intensivos mais urgentes, buscando estabilizar o paciente. Hospital de Evacuação (Evacuation Hospital), localizado de 15 a 50km de distância, realizava procedimentos cirúrgicos mais complexos. Hospital de Retaguarda (General Hospital), localizado nos grandes centros, tratava casos mais complexos e reabilitação. Mais de 59 mil enfermeiras atuaram nesses centros médicos.

Durante a Operação Overlord, o Dia D, o 5º Hospital Geral, comandado pelo Tenente-Coronel Robert M. Zollinger, desembarcou no dia 09 de julho e foi instalado próximo da cidade francesa de Carentan. Essa localização, possibilitou o avanço das tropas pelo interior francês. A importância de manter linhas de suprimentos e atendimento rápido, bem como o uso de novas tecnologias nos procedimentos médicos, seria um dos pilares da reconquista do território Europeu ocupado pelos alemães.

Nesta fotografia é possível identificar mais duas oficiais enfermeiras preparando ataduras para serem usadas. Esse processo e o controle de qualidade eficiente era uma marca dos centros médicos. Em seguida, o diretor do Hospital, Tenente Coronel Zollinger que era cirurgião, observando uma intervenção cirúrgica. E, por último, um equipe verificando o equipamento para transfusão de sangue foi outro avanço. Pela primeira vez o sangue foi colhido e armazenado para salvar vidas dos soldados em campanha.

Walter Tull: coragem para além das quatro linhas

Texto Escrito pela Jornalista Ananda Miranda – Universidade do Esporte

MIRANDA, Ananda. Walter Tull: coragem para além das quatro linhas. Ludopédio, São Paulo, v. 180, n. 3, 2024

Em uma das batalhas mais sangrentas da história, morreu Walter Tull. O homem que trocou uma camisa de futebol por um uniforme militar. Em 1918, na sangrenta Batalha de Somme, agonizava o oficial de infantaria do Exército Britânico. O último suspiro de Tull marcou a despedida de alguém que defendeu a bandeira até o fim, não apenas dos clubes ingleses que defendeu, mas também do próprio império britânico.

A vida de Walter foi marcada por lutas, que deixaram um legado para outras gerações. Seu pioneirismo, embora esquecido pela história, serve de inspiração que ecoa nos dias atuais. Poucos conhecem a vida do gigante  Walter Tull, que foi muito além do primeiro negro a disputar uma partida da primeira divisão da Inglaterra.

Neto de escravos, filho de imigrantes e órfão aos dois anos de idade, Walter Tull nasceu com um instinto natural de superação. A família que lhe restara, enviou Walter e um dos seus irmãos, Edward, para um orfanato em Londres, onde ficaram até completar a maioridade.

Ao sair do orfanato, Tull conseguiu um emprego, em uma gráfica local como tipógrafo, carreira de seu falecido pai, mas ele já havia percebido desde muito novo, que queria mesmo era ser jogador de futebol. Se encontrar oportunidades como jogador já é difícil, imagina para um negro nas primeiras décadas do século 20. Apesar disso, Walter Tull não deixou o preconceito ser o limite e insistia em seu sonho.

Tull fez o teste para o Clapton, um dos melhores clubes de futebol amador da época, e foi escolhido. Entretanto, o amadorismo não era o objetivo final, treinava dia e noite para alçar voos mais altos, e como destaque nas partidas vestindo a camisa do Clapton, logo foi percebido pelos olheiros do Tottenham. Em uma época de racismo explícito, Walter Tull era chamado de “escurinho” pelos jornais. A ideia de um mestiço jogar futebol incomodava. As equipes que antes eram compostas apenas por brancos da elite inglesa, tiveram que se render  ao talento de Tull.

Já no primeiro treino, o atleta chamou atenção pelas habilidades. Prontamente, a equipe técnica lhe ofereceu uma viagem à Argentina para disputar uma série de amistosos. Não demorou muito para Walter ter lugar no time titular, nem para conquistar a honra de ser o primeiro negro a marcar um gol no então campeonato inglês, também não demorou para os ataques racistas aumentarem.

Enquanto torcidas adversárias hostilizavam a presença de Walter em campo e a arbitragem marcava-o rigorosamente, o saldo de gols assinados por Tull só aumentava. Na partida contra o Bristol Rovers, ele marcou quatro, dos cinco gols do Tottenham. Infelizmente, nessa partida, ele saiu lesionado gravemente e passou muito tempo longe dos gramados. Ao se recuperar, o treinador o deixou no banco de reservas, sem oportunidades. Por algum motivo, o brilho de Walter Tull, no Spurs foi apagado.

Quando parecia o fim, Herbert Chapman, um dos maiores técnicos da história, convidou Tull para o Northampton Town, para disputar a Southern League. Nessa época, os jornalistas já haviam passado a reconhecer o craque, nomeado como melhor jogador de ataque pelo The Futebol Stars. Walter Tull parecia voltar a brilhar. Encerrada a bela trajetória de três anos no Tottenham, Tull assinou com o Northampton.

A passagem pelo Northampton Town foi brilhante. A habilidade de Tull unida ao fascínio de Chapman pelo talento do atleta, o tornou destaque na equipe. Em 1914 Walter estava no auge da carreira, tratado como craque, já era sondado por outros clubes, dentre eles, o Glasgow Rangers.

No dia 21 de julho de 1914, todo esse sucesso foi interrompido, o Glasgow Rangers não teve nem tempo de assinar contrato. Aquela altura, Walter Tull já havia trocado a bola por uma arma, o campo de futebol pelo campo de batalha. A Primeira Guerra Mundial estava em seu início, Walter Tull, foi um dos primeiros jogadores de futebol a se alistar no “Footballers Battalion”, o 17º da infantaria, que reunia jogadores profissionais para lutarem na guerra.

Novamente, era pioneiro.  O primeiro negro nascido na Inglaterra a lutar pelo Exército Inglês. Seu comportamento heroico o tornou o primeiro oficial mestiço do Exército Britânico, reconhecimento por sua bravura em combate. Fez o inimaginável, numa época em que os manuais militares diziam: “nenhum negro pode comandar os brancos”. Dividindo opiniões, muitos lutaram contra a nomeação de Walter, mas os oficiais que o comandavam o deram o que chamaram de “justa promoção”.

Tull estava a poucos dias do seu aniversário de 30 anos, realocado como líder de infantaria na Segunda Batalha de Somme, entrou com toda valentia no campo de batalha, mas caindo diante do inimigo. Ali se encerrava a trajetória de coragem de Walter Tull, o homem que rompeu todas as barreiras que o preconceito levantou.

O corpo de Walter Tull nunca foi encontrado, o protagonista dessa história não tem nem túmulo. Foi condecorado com a British War Medal, mas seu nome foi apagado na história, assim como as cinzas do seu corpo. Existindo apenas no imaginário dos grandes exemplos de superação do futebol mundial.

Stálin – Exemplo de Ditador Sanguinário

Joseph Stálin sem sombra de dúvida foi um dos maiores genocidas que já passaram pela terra! Com sua ascensão ao poder em 1922, adotou uma política ditatorial que, abertamente, caçava seus opositores e matava seu próprio povo em uma escala jamais vista pelos próprios soviéticos. Em nome da Revolução, matou concorrentes dentro e fora do País, como Trotsky (Conheça mais sobre a Trotsky) .

Quando eclodiu a guerra, o velho georgiano se aliou a Hitler na primeira oportunidade e, posteriormente, ao ser atacado durante a Operação Barbarossa, se aliou aos seus antigos inimigos. Durante o desenrolar da Guerra pela Pátria Mãe, Stálin não hesitava em executar generais que desobedeciam suas ordens ou deixar seu povo para trás quando as tropas inimigas tomavam as cidades soviéticas.

No final das contas, não estamos colocando em check a ideologia que culminou na Revolução Russa, mas no personagem histórico que, comprovadamente, dizimou seu próprio povo durante quatro décadas.

Quer saber mais Stálin? Stálin: Ditador, Fato!

Hitler era mesmo Vilão?

Curiosidades:

 Stálin adotou esse nome após a Revolução. Durante sua juventude em Tiflis era conhecido como “KOBA” em homenagem ao protagonista do romance Robin Hood, de 1883, esse era seu codinome favorito ao longo de sua vida revolucionária. Entre os mais próximos, o futuro líder da URSS, era conhecido como “SOSO, uma forma diminuta georgiana para Ioseb (Joseph). Alguns historiadores sustentam que a palavra em georgiano antigo para “aço”, o que leva a crer a escolha de Stal (aço) com o sufixo possessivo russo IN, ou seja Stálin. Os bolcheviques alteram seus nomes dessa forma, incluindo LÊNIN.

Ninguém sabe ao certo a data de nascimento de Joseph Stálin. Iosif Dzhugashvili, nome de batismo do futuro ditador soviético, segundo registros encontrados na Igreja Uspensky, Gori, Georgia, nasceu no dia 06 de dezembro, contudo, confunde-se com 18 de dezembro de 1878. O próprio Stálin deixou seu currículo no início do século XX com 18 de dezembro. Mas Stálin é STÁLIN e, em 1922, quando assumiu o poder, alterou a data de seu aniversário para 21 de dezembro, para que a União Soviética pudesse celebrar.

Stálin escrevia cartas curtas para sua mãe. Ela, na velhice, perguntou para Stálin: “Quem você agora?”, ele respondeu: “Lembra do Czar?” – “lembro”, respondeu ela. “Eu sou como o Czar”. Ela finalmente responde: “Seria melhor se fosse padre!”.

 

 

 

Guerra: Quando os Pais enterram os Filhos!

A Teatro de Operações do Pacífico talvez tenha sido o mais duro de toda a Segunda Guerra. A campanha resultou em uma carnificina até então nunca vista. Para os combatentes que lutaram neste teatro e combatendo ilha a ilha, seja japonês ou americano, há relatos terríveis que superam em muito os limites humanos.

Com esse mesmo grau de dramaticidade, temos um dos registros fotográficos com maior carga emocional. A triste, mas heroica história do Coronel Francis Fenton.

O Coronel Fenton era o comandante do Batalhão de Engenharia da 1ª Divisão de Fuzileiros Navais americano. Ele tinha dois filhos, os dois lutaram no Teatro de Operações do Pacífico, mas o filho mais novo, Soldado de 1ª Classe Mike Fenton, integrava o 1ª Batalhão, 5º Regimento da 1ª Divisão Marines. Apesar de participarem da mesma Divisão, pai e filho só se encontraram uma única vez em Okinawan.

Algumas semanas depois, em 7 de maio de 1945, o Coronel é informado que seu filho tinha sido morto durante um contra-ataque japonês.

Ele imediatamente vai ao local onde o filho jazia. Ao ver seu filho Mike, ao lado de outros soldados mortos em combate, ele declara: “Todas essas pobres almas. Os pais deles não estão aqui”. Com essas palavras fez uma oração e se despediu do filho.

Triste foto.

 

Coronel Francis Fenton se despede do seu filho na batalha por Okinawan

Categories: Guerra no Pacífico

A Argentina e o Apoio ao Nazismo

O Brasil manteve em seu território em pleno funcionamento o Partido Nazista. Apenas em 1937, com a proclamação do Estado Novo, os partidos estrangeiros foram proibidos de atuarem em território nacional. Mas, nos nossos vizinhos hermanos, a história era outra.

Antes da guerra a Argentina mantinha um movimento pró-nazista forte e organizado, controlado pelo Embaixador Alemão. Na primavera de 1938, cerca de 20 mil pró-nazistas se encontraram no chamado “Dia da Unidade” em um comício realizado no Estádio Luna Park para celebrar a anexação da Áustria pelo Terceiro Reich.

Esteve presente ao evento o vice-Consul americano W. F. Busser. O cenário lembrava os Comícios do Partido Nazista em Berlim, não faltando o Hino do Partido, bandeiras e representantes das organizações nazistas como a Juventude Hitlerista, SA e apoiadores locais. No pódio uma enorme faixa em vermelho gótico poderia ser ler “Ein Volk, ein Reich, ein Führer”, ou seja, “Um povo, Um Império, um Líder”.

Todo o estádio ficou cercado pela Alianza de Juventud Nacionalista, que seria equivalente a Juventude Hitlerista da Alemanha com um toque argentino. Durante o comício, várias pessoas se reversavam nos discursos, mas Dr. Ott, um orador político (Reichredner) enviado especialmente para o evento, levava o público ao delírio com uma imitação perfeita dos discursos apoteóticos do próprio Hitler. Segundo o diplomata americano, um verdadeiro exercício de hipnose em massa.

Fora do Luna Park é instalado o caos quando grupos da Federação Universitária Argentina e outras organizações socialistas começaram a se reunir na Praça San Martin, a manifestação começou nas ruas com queimas de bandeiras nazistas, mas piorou quando bancos, lojas e centro culturais passaram a serem apedrejados. Duas pessoas morreram ao serem pisoteadas por cavalos da polícia, que reagiram contra a manifestação.

Alguns Fatos sobre a Argentina:

Devido a quantidade imigrantes alemães, a Argentina sempre mantive relações estreitas com a Alemanha, inclusive com fornecimento de armamento e missão militar para formulação da doutrina militar na Argentina

Os portenhos estiveram sempre na proteção dos interesses alemães na América do Sul. Mesmo com os ataques a Pearl Harbor mantiveram relações diplomáticas e só declararam guerra à Alemanha duas semanas antes de sua capitulação.

Após o conflito, o presente Péron, manteve linhas de imigração secretas na Espanha e Itália, chamada de linha dos ratos, para receber importantes figuras nazistas como Adolf Eichmann, Josef Mengele, Aribert Heim, Erich Priebke, Eduard Roschmann e “Bubi” Ludolf von Alvensleben.

 

Bismarck e a Lenda da Invencibilidade no Mar

Hitler iniciou a guerra em setembro de 1939 com a ideia da superioridade bélica nos mares. Evidentemente já pensava nos submarinos como um arma importante nos desenrolar do conflito. Contudo, ele queria fazer frente à Armada Inglesa com uma nova geração de Encouraçados. Ele investiu fortemente para ter domínio dos mares.

O projeto mais audacioso do “Cara do Bigode Engraçado” foi sem sombra de dúvida o famoso Encouraçado Bismarck. A Nau Alemã que era dita como invencível e traria orgulho para a Alemanha hitlerista não resistiu a caçada imposta pelo ingleses. “Afundem o Bismarck” entrou para a História como sendo o início do fim do sonho alemão sobre o domínio dos mares.

 Abaixo, transcrevo a reportagem do Edwin Muller sobre os últimos momentos de uma lenda.

O fim do Bismark – visto de bordo do encouraçado alemão

            Edwin Muller – “Harper’s Magazine”

O encouraçado Bismark era o orgulho da Marinha de guerra alemã, e as marinhas de guerra de todo o mundo lançaram mão de todos os recursos para se obter o maior número de informações sobre o seu afundamento, assim é possível relatar os dramáticos acontecimentos a bordo deste fabuloso navio, em seus últimos instantes.

No dia 22 de maio à noite, acompanhado do Prinz Eugene, zarparam da costa da Noruega rumo à passagem entre Groenlândia e a Islândia. Na madrugada do dia 24, a Marinha Inglesa é avistada, o famoso cruzador Hood, seguido pelo Prince of Wales. O primeiro abrir fogo foi o Hood. O Bismark de pronto respondeu com toda a força dos seus canhões. Em seguida, toda sua artilharia foi concentrada no Prince of Wales, que seriamente atingido, ficou impossibilitado de seguir na batalha. O combate prosseguiu entre o Bismark e o Hood. Na terceira onda de ataque do Bismark, a nau inglesa começou a impelir uma grossa nuvem de fumaça que saia pela proa, tombando para a esquerda, e em pouco tempo partiu-se ao meio, afundando primeiro a proa e logo depois a popa desapareceu no fundo do mar.

A bordo do Bismark, grande foram os momentos de festa por parte da tripulação, enchendo o tombadilho, que a pouco se encontrava deserto, com as pessoas se abraçando freneticamente, entoando canções e abraçando-se uns aos outros, festejos que duraram até o dia seguinte. Poucas foram as avarias no navio alemão, que em nenhum momento puseram em risco a sua estrutura. O número de baixas, se resumiu a alguns feridos. No decorrer do dia chegaram diversas mensagens entre elas, uma do Füeher em que agraciava o Comandante Schneider com o grau de Cavaleiro da Cruz de Ferro, enquanto os operadores da propaganda nazista comandados por Joseph Goebbels, andavam de um lado para outro filmando aquele momento de glória de demonstração da superioridade da raça ariana.

A tripulação do Bismark era constituída basicamente por rapazes na faixa etária de 20 anos, além de aproximadamente 500 aspirantes com menos de 20 anos representantes da Juventude Hitlerista, que todos os dias ao acordar, ouviam a exaustão: “Hoje dominamos a Alemanha – amanhã será o mundo inteiro”. Esta nau era o mais potente navio de guerra que já fora construído e poucos sabiam realmente a sua tonelagem, alguns falavam em 35 mil toneladas, enquanto outros falavam em 50 mil, e sua velocidade máxima seria de 33 nós (aproximadamente 53 km/h), que era superior a qualquer navio americano ou inglês desta época.

Aparentemente o Bismark visto de fora era idêntico a qualquer nau, mas o diferencial era o seu projeto interno, abaixo do tombadilho, onde abaixo da linha de flutuação tinha cinco paredes de aço, que se juntavam a vários compartimentos estanques. O seu comando fora confiado ao Vice Almirante Gunther, um nazista de coração de corpo franzino, que compensava sua fraqueza física com uma truculência e violência de caráter. As instalações dos marinheiros eram pequenas, pois além dos aspirantes havia também centenas de pessoas que não tinham função específica, tornando as acomodações muito apertadas, o espaço que em outros navios era reservado para dormitórios, e refeitórios, foram transformados em proteção extra aos complicados compartimentos do casco. Parte da tripulação dormia na proa em redes, que de tão juntas, batiam umas nas outras, enquanto os Oficiais subalternos se apinhavam em camarotes com beliches para 4 pessoas, mas ninguém reclamava em prol do aumento da resistência do casco.

Entre a tripulação, várias eram as hipóteses sobre o seu destino e  maioria pensavam em um ataque aos portos ingleses, onde o contingente excessivo seria para os barcos que fossem presos, enquanto outros afirmavam ter ouvido que o Bismark ia tomar os Açores para o Reich, e outros aventavam a possibilidade de irem juntar-se à esquadra japonesa no Pacífico, hipótese menos provável pois a tripulação não havia recebido nenhum equipamento tropical, mas ao final do combate, o objetivo da excursão se esclareceu: sua missão era destruir o navio inglês Hood!

A festa da vitória não poderia durar para sempre e no segundo dia o Prinz Eugen retornou à Alemanha, em um dia frio e nublado, com muita chuva e granizo, trazendo um pouco de nostalgia à maioria dos homens, que tinham pouca experiência da vida em alto mar. Na manhã do dia 26 de Maio, quando o Bismark passava ao largo do sul da Groenlândia, ouviu-se o som de um avião se aproximando, e em pouco tempo surgiu um Catalina americano. Então, todos os canhões antiaéreos começaram a atirar, fazendo o avião desaparecer por entre às nuvens. Posteriormente correu a bordo o boato de uma violenta discussão entre o Almirante Luetjens e o Capitão Lindemann, que tinha sido escutada através das portas fechadas, onde o Capitão tentava convencer o Almirante a retornar imediatamente à Alemanha, tendo em vista que agora os ingleses iriam concentrar toda a sua esquadra na caça ao Bismark, e que não descansariam enquanto não o afundassem. O Almirante fez a tripulação acreditar que reforços chegariam em breve, e que os levariam à novas e maravilhosas vitórias.

No dia 27 de maio porém, a ajuda não chegou, e logo ouviu o som de um gigantesco enxame de abelhas, e uma esquadrilha de aviões da Força Aérea Inglesa se aproximou do Bismark, e um após o outro largaram seus torpedos e sumiam nos céus, e um destes torpedos atingiu o navio na sua linha média, erguendo uma coluna de água mais alta que o mastro central, fazendo-o estremecer da popa à proa. Um dos compartimentos destruído, encheu de água, e para completar as notícias que chegavam por rádio era que a frota inglesa convergia toda em sua direção. O Almirante Lutjens reuniu a tripulação e em um discurso confuso, disse que o Bismark iria travar uma dura batalha em breve, e esperava que os submarinos alemães chegassem a tempo de combater as foças inglesas, e que tinha certeza eles levariam a pique antes da morte, mais uma unidade inimiga, o que deixou os marujos completamente enlouquecidos. Na tentativa de desfazer a sua gafe, fez circular entre os marinheiros um telegrama informando que além da flotilha de submarinos cerca de 200 aviões já estavam a caminho.

Após 3 dias, o encouraçado alemão Bismark rumava para o Cabo Finisterra, na esperança de atingir a costa da França, quando ao cair da noite um esquadrão de caças britânicos atacou novamente, atingindo-o com três torpedos, sendo que um deles atingiu o leme, fazendo com que o navio navegasse em círculos, trazendo desespero aos marinheiros. O Almirante chegou a prometer condecorar aquele que consertasse o leme com a Cruz de Ferro.

Era uma hora da manhã quando surgiu uma flotilha de destroieres ingleses surgiram e um após outro lançaram seus torpedos e outros compartimentos foram atingidos e inundados, fazendo o número de baixas aumentarem. Na manhã seguinte, o tempo estava nublado e o vento frio com o mar agitado, quando surgiram no horizonte os pesos pesados da Armada Inglesa, o Rodney e o George V, que abriram fogo com seus canhões de 16 polegadas a uma distância de 11 milhas. Em seguida, se posicionaram à metade desta distância. O Bismark aguentou o quanto pode ao forte ataque, mas um dos tiros da artilharia inimiga fez explodir a estação central de comando, destroçando qualquer capacidade de reação por parte tripulação.

O Rodney e o King George V se aproximaram para cerca de 2 milhas, disparando contra o Bismark sem errar nenhum tiro, até que um destes partiu o mastro central, fazendo cair no tombadilho.

Nunca um navio de guerra tinha sido tão castigado, e pouco a pouco ele começou a tombar para a esquerda, fazendo a água entrar pelos buracos no casco, inundando os diversos conveses em sequência, avançando por entre as câmaras e os corredores. Por todos os lados ouviam-se gritos de horror, corpos estavam por todos os lados, a tripulação não sabia mais o que fazer, fora tentar se salvar da derrota iminente. Os que estavam embaixo tentavam subir para não morrer afogados pela água que subia rapidamente, enquanto os que estavam acima tentavam fugir do inferno que ardia no tombadilho, o caos era total.

Neste momento, a esta altura, o Bismark já estava praticamente de quilha para o ar, e muitos marinheiros já estavam se debatendo no mar e outros tentavam se agarrar no casco negro e viscoso, e vagarosamente a proa se empinou para o céu, e de popa para baixo o Bismark desapareceu no oceano. Então os navios ingleses se aproximaram para recolher os náufragos, conseguindo salvar cerca de 100 alemães que agarraram-se às cordas que foram lançadas, e içados a bordo, mas com as notícias de que os submarinos alemães se aproximavam, para não serem apanhados os ingleses foram obrigados a deixar centenas de marinheiros vagando naquele oceano revolto.

A tripulação que foi salva pela Marinha Inglesa, após ser levada para tratamento em hospitais aliados, apresentavam sinais como se estivessem sidos torturados por meses a fio, apresentando sequelas horríveis, mesmo após meses, o que levou um Observador a compará-los a zumbis que erram pelo mundo sem alma…

O que sofreram aqueles homens era muito mais simples do que um choque físico: a fé em os que educaram, em que inspiraram suas vidas, estava despedaçada, e morta a crença invencibilidade da sua raça

GALERIA ESPECIAL

Sobre o Comunismo – Parte 1

Num país polarizado, muitas vezes não compreendemos que a origem dos rancores que afloram hoje, tem sua origem na história. Então vamos analisar alguns fatos históricos que marcaram a essência do Comunismo, que no geral, são um dos lados dessa polarização no Brasil

              Muito se fala, pelo menos a Esquerda Brasileira, sobre o quão assassino e repressivo foram os anos em que os militares estiverem no poder. De fato, é inegável as torturas e as mortes nos porões do governo militar. Contudo, negar que a Esquerda teria se comportado de forma diferente caso estivesse no Poder nesse período, é não compreender a essência do regime comunistas no decurso da História.

              Joseph Stálin foi o maior genocida que a humanidade já presenciou. Isso mesmo! Hitler é culpado pelo genocídio durante a Segunda Guerra Mundial, mas Stálin já vinha dizimando seu próprio povo desde que assumiu na década anterior.

              Não é possível deixar de registrar que de 1939 a 1941, ou seja, dos seis anos de Guerra Mundial, três, soviéticos e alemães marcharam no mesmo compasso. Dividiram e Invadiram a Polônia (exatamente nessa ordem) e determinaram áreas de influência com o objetivo de viverem harmoniosamente durante as décadas vindouras. Se Hitler, traíra por natureza, não tivesse rasgado do Tratado de Não-Agressão Molotov-Ribbentrop, estaríamos falando de uma guerra com um final possivelmente diferente do que conhecemos hoje.

              Então cabe uma reflexão. O que um regime aos moldes soviéticos faria no Brasil se, e só se, derrubasse o governo militar e assumisse o poder? Instituiriam um modelo onde o povo estivesse à frente de todos os interesses do Estado? A bandeira nacional continuaria nas mesmas cores e um período de paz a amor entre todos se perpetuaria com justiça social?

              A História ensina e Trotsky sentiu na pelo o que o totalitarismo vermelho pode fazer com seu próprio povo e sua nação.

              Próximo POST: A tristeza por Katin.