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Ia Drang 1965: A Primeira Batalha Americana no Vietnã

O roteiro do vídeo

Novembro de 1965. Helicópteros americanos descem nas serras do Vietnã do Sul, a noroeste de Plei Me, e deixam no chão soldados da 7ª Cavalaria. Pouco depois do desembarque, eles fazem o primeiro prisioneiro. E o prisioneiro avisa: há quatro batalhões aqui, loucos para matar americanos.

Começava a Batalha do Vale do Ia Drang. A primeira grande batalha entre forças americanas e as tropas de outra nação desde o cessar-fogo na Coreia.

Vinte anos antes, na Segunda Guerra Mundial, ninguém que lutava questionava o motivo da guerra. Os americanos tinham sido atacados, os ingleses sofreram perdas terríveis, e os outros países diziam, simplesmente, que era a guerra do bem contra o mal. Para quem estava lá, tudo era claro.

No Vietnã, não. Era a Guerra Fria na sua versão mais pungente. O inimigo, muitas vezes, estava infiltrado entre os aliados. E os Estados Unidos sabiam o que isso significava: tinham lutado na Coreia, no começo dos anos cinquenta. Uma nação dividida, separada por sistemas de governo diferentes, podia produzir campos de batalha tão terríveis quanto os da Segunda Guerra.

Desde 1956, os Estados Unidos apoiavam as ações militares do Vietnã do Sul, mas sem tropas no campo de batalha. No começo dos anos sessenta, a situação se agrava. Os vietcongues, guerrilheiros sul-vietnamitas a favor do Vietnã do Norte, junto com tropas norte-vietnamitas, começam a atacar bases americanas no Vietnã do Sul.

Agosto de 1965. Uma câmera do Exército americano filma a partida de uma divisão inteira, a 1ª de Cavalaria, de Fort Benning, na Geórgia. O destino é o Vietnã.

Ela levava uma nova forma de combater. A infantaria ia de helicóptero, desembarcava num setor escolhido e consolidava a posição ali. A mobilidade da tropa era a nova doutrina. E foi em Ia Drang que ela foi posta à prova pela primeira vez.

De 14 a 22 de novembro de 1965, numa operação de captura e emboscada, entraram em combate batalhões da 7ª e da 5ª Cavalaria. À frente do primeiro a desembarcar, o então tenente-coronel Hal Moore.

A batalha foi bem diferente do esperado. As tropas americanas tiveram de pedir apoio de artilharia e de aviação várias vezes. E, no meio do combate, foi dado um código que o Exército quase nunca usava: Flecha Quebrada. Ele avisava a todas as unidades aéreas que uma unidade americana estava prestes a ser massacrada. A resposta era imediata: todo avião disponível seguia para socorrê-la.

Houve também uma ordem, no calor da batalha, para que Moore deixasse o campo e voltasse ao quartel-general: era inconcebível que um coronel morresse na primeira operação militar americana no Vietnã. Moore se recusou. Não ia deixar seus homens à própria sorte.

No fim, os americanos contaram trezentos e quatro mortos e quinhentos e vinte e quatro feridos. Do lado vietnamita, as estimativas falam em quinhentos e cinquenta e quatro mortos e seiscentos e sessenta e nove feridos. O Exército americano estimou mil quinhentos e dezenove mortos.

Os Estados Unidos chamaram aquilo de vitória. Mas foi um desastre estratégico, com perdas sérias para as unidades envolvidas. E a suposta vitória deu uma impressão falsa: a de que o país podia lidar perfeitamente com um inimigo diferente de todos os exércitos que já tinha enfrentado. O Exército não estava preparado para aquela quantidade de baixas.

E a vitória empurrou o país para uma guerra que se arrastou por quase dez anos, até 30 de abril de 1975, com a queda de Saigon. Uma guerra que marcou para sempre a história da maior potência do Ocidente, e pôs em xeque a reputação das forças armadas mais aclamadas das décadas anteriores.

Hal Moore chegou a tenente-general. Com o jornalista Joseph Galloway, que esteve na batalha, ele escreveu o livro We Were Soldiers Once… and Young. Em 2002, o livro virou o filme Fomos Heróis, com Mel Gibson, que conta a primeira parte da Batalha de Ia Drang.

A Guerra de Inverno, em 1939, e a invasão da União Soviética já tinham mostrado: homens que lutam pelo seu país, na sua própria terra, estão dispostos a tudo para expulsar o inimigo. O Vietnã provou isso de novo. E muitas guerras depois dele também. É o que a história ensina.

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Fontes

Imagens: filmes do Exército dos Estados Unidos, em domínio público (obra do governo dos EUA), copiados do Internet Archive e convertidos para preto e branco. São imagens de época da 1ª Divisão de Cavalaria e do Vietnã — nenhuma é da Batalha de Ia Drang.


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