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Mensagem do Gal. Eisenhower sobre as áreas de desembarque em D+2
CONFIDENCIAL
DE: POSTO DE COMANDO DO SHAEF, Comandante Supremo.
PARA: AGWAR
DATA: 8 de Junho de 1944
Acompanhado do Almirante Ramsay ontem eu fiz um tour completo de Destróier nas áreas de desembarque, começando pela direita.
Os desembarques na península Cotentin ocorreram aparentemente tão bem quanto esperado com a 101ª Divisão Aerotransportada executando suas missões de uma boa forma. Informações sobre a 82ª Aerotransportada são poucas, mas o General Bradley me informou que o Sétimo Corpo fez contato com ela. Na praia a oposição ao Quinto Corpo foi fortemente inesperada devido à presença de uma divisão inteira alemã nas praias, que estava manobrando. As baixas foram consideráveis nessa força e os desembarques foram mais difíceis devido à proteção das praia por artilharia inimiga. Além disso, uma grande parte dos tanques afundaram no caminho da praia. Devido ao tempo ruim essa decisão foi tomada em outras praias. Os tanques foram descarregados diretamente nas praias a partir dos LCT’s que os carregavam.
À tarde no dia 7 de Junho, General Bradley percebeu que as condições estavam melhorando em Omaha Beach e alguns passos estavam sendo tomados para substituir a artilharia que foi perdida no desembarque devido a fogo de artilharia e o afundamento de barcaças. Por causa da formação do terreno nessa área em particular, a pontaria para o fogo naval foi particularmente difícil e assim que os problemas surgiram em terra, particularmente de baterias fixas, tanto o bombardeio aéreo quanto os tiros navais foram relativamente ineficientes em apoiar o desembarque.
Em todo o front americano o plano tático imediato foi alterado com o objetivo agora dos dois corpos executarem em breve uma corrida para Carentan para se unir, depois disso as concepções originais serão seguidas.
No fronte da 15ª Divisão Britânica o avanço foi muito bom embora, como nos outros lugares, o desembarque foi afetado pelo tempo ruim. Da mesma forma nas frentes da 3ª Britânica e da 3ª Canadense o avanço foi satisfatório embora o tempo ruim forçou o Comandante da Força Naval a ordenar a secagem completa dos LSTs porque as barcaças ‘Rhino’ não funcionavam. Nessa frente em particular as praias estavam planas e duras e acredita-se que não houve nenhum dano aos LSTs.
Por todo o fronte nos perdemos um numero considerável de pequenas barcaças de desembarque, tanto pelo tempo ruim quanto pelas minas. Essas eram minas Teller que abriram buracos consideráveis nas barcaças de desembarque, mas um grande numero delas pode ser consertada assim que os grupos de manutenção chegarem em terra e começarem a trabalhar. A perda dessas embarcações, somadas ao tempo ruim, atrasou o desembarque de todos os suprimentos e na tarde do dia D+1 nós estávamos aproximadamente 24 horas atrás de nossa agenda de descarga planejada. O tempo melhorou acentuadamente na noite do dia D+1. Se esse intervalo de tempo bom se prolongar por alguns dias faremos muito em direção ao nosso objetivo.
Ao longo do dia eu falei com o General Montgomery e o General Bradley e com os Almirantes Kirk, Cian, Douglas Pennant e Oliver. Todos estavam desapontados com as condições de desembarque desfavoráveis e todos acham que a melhora do tempo teria uma correspondente melhora de nossa posição.
No retorno do Almirante Ramsay e eu aos Quartéis Avançados às 10 p.m. nós nos informamos que aparentemente capturamos Bayeux.
Hoje de manhã eu fui informado que um contra-ataque alemão por parte de duas divisões Panzer está ocorrendo na direita do setor Britânico e teve algum progresso. No entanto, ontem à tarde enquanto eu estava presente naquelas praias a 7ª Divisão Blindada estava ocupada descarregando e essa ameaça inimiga deve ser efetivamente retaliada.
Nas praias americanas a 2ª e a 19ª Divisões estavam para desembarcar ontem à noite e, apesar de eu não ter nenhum relatório essa manhã, eu acredito que o bom tempo ontem a noite permitiu o desembarque de consideráveis reforços naquelas regiões.
Devido à natureza flexível da batalha, está sendo extremamente difícil dar alvos lógicos à maioria de nossas forças aéreas, mas eu estou certo que se o tempo permitir nós iremos intervir por ar efetivamente em qualquer tentativa de contra-ataque do inimigo.
Fim da mensagem.
CONFIDENCIAL
Os Páraquedistas no Dia D – Parte I
A utilização de unidades Aerotransportada nas guerras eram um conceito relativamente novo e tinha sido pouco utilizado em larga escala, no entanto, no Dia D, o envio dessa força era defendida por Eisenhower como chave para o sucesso da operação. Embora o Alto-Comando Aliado sabia da necessidade do emprego, entre os generais havia uma divisão com relação as missões desse tipo de tropa. Por exemplo, o próprio General Marshell aconselhou Eisenhower a limitar a utilização das tropas próximas a litoral em apoio ao desembarque, pois acreditava que os pára-quedistas corriam o risco muito grande isolados por dias antes da chegada das tropas de invasão. Depois de uma rebatimento, o Comandante Supremos das Forças Aliadas, General Eisenhower determinou que o emprego das tropas pára-quedistas seria de tomar pontos sensíveis e destruir outros mais no interior da Normandia e aguardar o avanço das tropas de assalto. A estimativa de baixas entre as tropas pára-quedistas era alta, cria-se que poderia chegar a setenta por cento em algumas unidades, quando de fato chegou a trinta por cento, mas para o velho general esse número já era bastante alto.
Os aviões C-47 cruzaram o Canal a 150 metros ou menos de altura para fugir da detecção do radar alemão, em seguida elevavam-se a 500 metros para escapar das baterias antiaéreas nas ilhas do Canal (que de fato abriram fogo sobre eles, inutilmente, a não ser para despertar os pára-quedistas adormecidos – os comprimidos contra enjôo que os médicos haviam distribuídos nos aeródromos tinha levado muitos homens a cochilar). Ao se aproximarem da costa de Cotentin,desceram a 200 metros mais ou menos, a altitude de salto calculada para reduzir o tempo me que o pára-quedista ficava totalmente vulnerável e sem possibilidade de defesa.
Ao cruzar a costa, eles atingiram um bloco compacto de nuvens e perderam completamente a visibilidade, os pilotos separaram-se instintivamente, alguns descendo, outros subindo, todos girando para esquerda ou para a direita, afim de desviar de uma colisão em pleno ar. Ao emergir das nuvens, dentro de segundos ou no máximo minutos, estavam imediatamente separados. O tenente Haroldo Young da 326ª de Engenheiros Pára-Quedistas relembrou que quando o seu avião saiu das nuvens, “estavam sós. Lembro-me do meu espanto. Para onde tinha ido todos aqueles C-47?”.
Simultaneamente, para usar as palavras de muitos pilotos, “as portas do inferno se abriram”. Holofotes, traçantes e explosões enchiam o céu. O piloto Sidney Ulan, do 99º Esquadrão de Transporte de Tropas, estava mastigando chiclete, “e a saliva da boca secou completamente de tanto pavor. Parecia quase impossível voar através daquela muralha de fogo sem ser alvejado, mas eu não tinha outra escolha. Não havia retorno”.
Muitos pára-quedistas viam aviões abaixo deles quando saltavam. Pelo menos um avião foi atingido por uma fardo de equipamento, que olhe arrancou quase 90cm da extremidade da asa. Virtualmente cada avião foi atingido por alguma coisa. Um piloto quebrou o silêncio do rádio para grita desesperadamente: “tenho um pára-quedista pendurado na minha asa.” Outro piloto entrou no ar com um conselho: “Diminua a marcha e ele escorregará daí”.
O sargento Charles Bortzfield, do 100º Esquadrão de Transporte de Tropas, estava junto à porta, usando um fone de ouvido para o sistema de intercomunicação, passando a sua informação para o mestre-de-salto. Quando a luz verde acendeu, ele foi atingido no braço. Ao tombar em consequência de quatro ferimentos no braço e na mão, ele quebrou a perna. Um pára-quedista lhe perguntou, momentos antes de saltar: “Você está ferido?”.
“Acho que sim”, replicou Bortzfield.
“Eu também”, gritou o pára-quedista sobre seu ombro ao saltar na noite.
“O avião de Bortzfield teve de fazer um pouso de emergência na Inglaterra, com motor esquerdo pifado e sem nenhuma pressão hidráulica. Uma ambulância o recolheu na pista e o levou às pressas para o hospital. Ele recordou: ‘Eu era uma verdadeira celebridade porque naquele momento era o único paciente que eles tinham. Todos os outros haviam sido evacuados e eles estavam esperando pelas baixas do Dia D. Eu estava na enfermaria por volta das 06h00 quando os rapazes estavam atingindo as praias’”
Dentro dos aviões os pára-quedistas estavam aterrorizados, não com o que estavam à frente deles, mas por causa do sentimento inútil de ser baleado e cair por ali incapaz de fazer qualquer coisa a respeito. Quando os aviões serpenteavam e giravam, subiam ou mergulhavam, todos os pára-quedistas eram jogados no solo numa desesperada confusão de braços, pernas e equipamento. Nesse ponto, balas atravessavam as asas e a fuselagem.
Os pilotos acenderam a luz vermelha e o mestro-de-salto gritou a ordem: “Levantar e enganchar”. Os homens enganchavam as linhas presas atrás das mochilas de seus pára-quedas principais à linha de aço que corria no meio do topo da fuselagem.
“Respondam para verificação do equipamento”. Da traseira do avião vinha a chamada, “dezesseis, tudo bem!” e assim por diante. Os homens da traseira começavam a fazer pressão para a frente. Sabiam que os alemães estavam esperando, mas nunca em suas vidas haviam estado tão ansiosos de saltar de avião.
“Vamos!, Vamos!”, gritavam eles, mas os mestres-de-salto os impediam, esperando pela luz verde.
“Meu avião ia aos saltos, como alguma coisa fora do controle”, lembrou o praça Dwayne Burns do 508º. Eu podia ouvir os projetes de metralhadora passando através das asas. Era difícil ficar em pé e os soldados caíam e se levantavam, alguns vomitando. De modo que o treinamento que tivemos, não houve nada que nos preparasse para isso.
O avião do sargento Dan Furlong foi atingido por três granadas de 88mm. A primeira bateu na asa esquerda, arrancando cerca de 90cm da extremidade. A segunda atingiu pelo lado da porta e destruiu o painel luminoso. A terceira veio pelo chão. Abriu um buraco de 60cm indo atingir o teto, e explodiu, criando um buraco de 1,20m, matando três homens e ferindo quatro outros. Recordou Furlong: “Basicamente, os krauts tinha cortado o avião pela metade”.
“Eu estava na traseira, como auxiliar do mestre-de-salto gritanto: ‘Vamos!’” Os pára-quedistas, inclusive três dos quatro homens feridos, foram os primeiros a mergulhar de cabeça, para fora do avião. O piloto conseguiu manter o controle do aparelho e retornar à base mais próxima na Inglaterra para um pouso de emergência. O quarto homem ferido caíra inconsciente; quando voltou a si, sobre o Canal, estava delirando, Tentou jogar-se do avião. O chefe da tripulação teve de sentar sobre ele até a hora do pouso.
A bordo de aviões ainda voando mais ou menos no nível, quando a luz verde acendeu os pára-quedistas bateram o recorde no tempo de saída. Todavia, muitos deles recordaram em seus pensamentos toda suas vidas. Quando chegaram à porta e saltaram. Ansiosos como estavam para ir, o céu cheio de traçantes lhes deu uma pausa. Quatro homens do 505º, dois no 508º, um do 506º e outro no 507º “se recusaram”. Preferiram, nas palavras de John Keegan, “enfrentar selvagens consequências disciplinares e a total ignomínia social de ficar no avião a se lançar na escuridão da Normadia”.
Fonte: O Dia D – Sthephen E. Ambrosi – A Batalha Culminante da Segunda Grande Guerra – Pg. 240/241-244
Obviamente não existem fotos da Operação do Dia D, mas segue abaixo uma série de fotos coloridas do treinamento na Inglaterra para a Operação que estava por vir.







































































































