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Os Alemães e o Dia D.
Quando no início de 1944 Rommel resolve realizar uma inspeção na inexpugnável Muralha de Atlântico. Observou que o “inexpugnável” só fazia sentido para a propaganda do “doutor” Goebbels. Uma análise da Raposa do Deserto constatou que para se deter uma investida aliada era necessário deter o inimigo antes que ele tivesse a chance de conquistar uma “cabeça-de-praia”, então formula a célebre frase: “o mais longo dos dias”. Como providências para esse pensamento, os reforços bélicos foram aumentados consideravelmente, com aumentando as defesas fixas na região na Península de Contentin, alagamento de grandes áreas e proteção contra desembarques aerotransportados, além de uma quantidade absurda de obstáculos nas praias e extensas áreas minadas.
Todos os especialistas do Dia D são unânimes em afirmar que a designação de Rommel para Teatro de Operações na Europa aumentou de modo exponencial as baixas dos aliados na incursão pela França. Ele queria deter qualquer tentativa de avanço sobre o território francês. Contava com divisões panzers para um contra-ataque rápido de feroz no mesmo dia dos desembarques. Nesse momento entra a ordem absurda de Hitler de que qualquer deslocamento de panzers deveria ser realizada apenas sob suas ordens, e ele estava dormindo até duas horas da tarde do Dia D. A ordem só chegou no final do Dia D e com ressalvas de tropas, tornando o deslocamento complicado naquele momento.
Depois de perder o ímpeto combativo, os defensores, apesar de enormes baixas causadas na praia de codinome Omaha, cedeu terreno e acabaram retraindo para o interior. As principais defesas foram concentradas na cidade de Caen, onde a resistência alemã lutou por meses. A cidade foi totalmente destruida por bombardeios aéreos, mas mesmo assim ainda, havia duros combates até a conquista total.
Argentan, Caretan e a região de Contentin foram cenários de duros combates. Mas nesse momento a capitulação da Alemanha em terras francesas era uma questão de tempo.
Abaixo um conjunto de fotografias que visa mostrar as tropas alemães antes e depois do Dia D.
Dia D – Análise, Fatos e Fotos
A Operação Overlord sem dúvida entrou para história das guerras não apenas pelos seus números de homens e equipamentos, mas por alguns outros motivos que gostaria de analisar nesta publicação. Muita gente gosta de entender o Dia D segundo uma concepção americana, como uma operação americana, mas outras nações lutaram e perderam seus filhos no Dia D, e merecem o crédito pelo sucesso e pelos fracassos dessa batalha que devolveu a Europa Continental para seus povos.
É importante entender que os franceses se sentiam humilhados desde sua rendição em 1940, sendo tratados como colônia alemã, com boa parte de seus recursos sendo enviados para o esforço de guerra alemão, observando uma queda no potencial econômico, tendo que pagar um altíssimo espólio de guerra. Evidentemente todos queriam a liberdade.
Na preparação para o Dia D, já se verificava a estimava as baixas civis e a destruição de cidades francesas, principalmente as mais próximas do litoral. Esse era o preço a se pagar pela liberdade da França. Um exemplo que podemos tomar como base, foi à situação da cidade de Caen, previsto por Montgomery para ser tomada ainda no Dia D. Passados semanas, ainda continuava em poder dos alemães. Foi nesse momento que ficou decidido que a cidade inteira seria destruída por um maciço bombardeio aéreo. Sobrou muito pouco da secular Caen para contar a História. Infelizmente esse tipo de procedimento não foi uma exceção no Dia D e nas semanas subsequentes cidades inteiras foram destruídas, seja pelo ardor do combate local da infantaria, seja pelo fogo da artilharia ou pelo poder aéreo.
Temos que pensar que a libertação da França era crucial para todo o esforço de guerra, certo? Claro, mas toda uma guerra política estava se desenhando. Os Aliados sabiam que Stálin tinha intenções expansionistas tão agressivas quanto à própria Alemanha de Hitler, se contar o fato de que em 1940, quando a França caiu nas mãos da Wermarcht, os soviéticos e alemães eram parceiros. Então o Dia D foi uma jogada política? Isso também é verdade, mas o Dia D foi muito mais que isso. Marca a retomada do brio Inglês, expulso e quase destruído quando na queda da França, o velho Churchill reaviva a coragem e determinação do seu povo, com a retomada a ofensiva no continente.
Num composição ainda mais prática das dificuldades do Dia D, a falta de entendimento e até mesmo o desdém entre as tropas americanas e inglesas, que não se entendiam ou se suportavam. Era como se juntássemos em um mesmo Exército brasileiros e argentinos, com certeza lutariam juntos, mas com muita briga e birra. E essas desavenças aconteciam em toda a cadeia de comando, do alto escalão ao soldado mais recruta. Quem não sabe da eterna disputa entre Patton e Montgomery? O próprio Eisenhower trocava suas farpas com o Monty e outros comandantes. Contudo foi o próprio General Ike que conseguiu alinhar os objetivos e juntar soldados tão diferentes.
Um último aspecto foi o tipo de tropa utilizada no Dia D. Do lado dos Aliados, a maioria esmagadora eram de soldados com muito treinamento, mas nenhuma experiência em combate, estando pela primeira vez na linha de frente. Isso é determinante quando levamos em conta que o soldado experimentado tem receios latentes, pois já viu ou conviveu com a morte de perto, enquanto o soldado bem treinado, mas sem ter participado da guerra, tem ainda a mente livre para combater sem complexos ou fobias. Do lado alemão boa parte de suas tropas formadas dos Batalhões Ost, estrangeiros que lutavam para defender suas vidas, geralmente com um alemão experiente apontando sua arma para eles lutarem até à morte. Evidentemente havia tropas preparadas na região, como é o caso da Divisão Paraquedista Alemã, que estava presente nas defesas do Dia D.
No final foi uma operação dura para qualquer tropa e suas consequências, sejam elas políticas ou locais, serviram para moldar o mundo como o conhecemos hoje.











































