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Mais do que boas FOTOS; o registro de uma época!

Certo dia, minha filha de seis anos me fez a seguinte pergunta: “papai por que o senhor gosta tanto de guerra?”, na hora fiquei sem reação, já que a primeira coisa que me passou pela cabeça foi repreendê-la, mas rapidamente percebi que o mais importante era explicar a ela o PORQUÊ do estudo desse período. Então revolvi ter uma bela conversa com a minha futura historiadora…

Por outro lado, gostaria de falar para o público que acompanha o BLOG, pois naquele momento entendi que provavelmente há outras pessoas que podem pensar o mesmo: “Poxa como esse Chico Miranda gosta da Segunda Guerra!”, na verdade acho que o “gostar” não é tão simplista assim.

Primeiramente a Segunda Guerra foi destrutiva demais para pormenoriza-la no contexto História da Humanidade, principalmente porque o que conhecemos como mundo hoje, está diretamente relacionado com os impactos dos resultados, e os desdobramentos políticos e econômicos do pós-guerra, além de toda a composição geográfica do mundo. Por isso mesmo é necessário que compreendamos os motivos, circunstancias, razões e tudo que for possível sobre o conflito, para que haja o perfeito entendimento nosso mundo AGORA. E mais, subsidiar ideias para aprender quais os descaminhos que a humanidade tomou há 72 anos, e não repetirmos o flagelo generalizado a qual uma geração inteira foi sacrificada.

Sabe o que me deixa mais estarrecido, o fato de nossos jovens serem cobrados mais pelo conhecimento da organização social e política romana do século I, do que sobre os impactos do mundo com a Segunda Guerra. Não entendo como somos bombardeados com notícias sobre a Palestina e seu conflito territorial com o Estado de Israel, quando muitos nem mesmo sabem a origem do processo de criação do Estado Judeu. Analisar a História sob uma parcialidade contemporânea é um erro recorrente em nosso país.

Quando nos referimos a Segunda Guerra Mundial não vislumbramos outra coisa se não o terrível Hitler matando milhões de Judeus ou a bomba atômica destruindo as cidades de Hiroshima e Nagasaki. O sofrimento foi muito mais localizado e abrangente e a Segunda Guerra Mundial foi mais que isso. A Segunda Guerra Mundial moldou o mundo de tal maneira que boa parte dos processos e tecnologias que utilizamos hoje, foram criadas durante ou após o conflito, mas sempre pela imposição do resultado e que são utilizadas no nosso cotidiano. Isso foi bom? Claro, mas a um custo muito alto, e por ter sido alto, devemos sempre lembrar que gozamos de determinados privilégios que foram construídos sob as custas do medo, da morte, do sofrimento de uma geração inteira.

Por esses e outros motivos devemos entender exatamente o que foi esse conflito, para que nossos filhos não precisem sacrificar-se como nossos avós o fizeram, para que as futuras gerações não precisem de BLOGS para lembra-los sobre um passado tão importante, mas esquecido por muitos.

Quero encerrar com umas fotos que não retratem combates, mas pessoas.

 Os créditos das fotos são Alfred Palmer/OWI/LOC

Revisionismo – É preciso ter cuidado!

O britânico Edward Hallett Carr foi um dos maiores historiadores do século XX, em sua obra que é história? (What is History?) de 1961, estabelece princípios historiográficos radicais que rejeitavam as práticas e os métodos históricos tradicionais. “O fato histórico deve ser analisado segundo a ótica dos documentos, relatos e outros elementos que confirmem a historiografia dos acontecimentos”, dizia Carr. Ele rejeitava as interpretações históricas baseadas no empirismo da velha escola clássica, tão comum na primeira metade do século XX.

Infelizmente passamos por uma nova fase de interpretações históricas. Dado a velocidade com que a informação percorre o mundo virtual, encontramos uma quantidade enorme de pessoas que fazem o papel de um historiador moderno, dominando assuntos que, em outros tempos, só estariam disponíveis em centros acadêmicos e bibliotecas de grande porte, mas isso também abriu margem para um fenômeno de interpretação parcial da História.

 Falando especificamente sobre a Segunda Guerra Mundial, a partir da década de 70 houve um movimento de alguns estudiosos para redesenhar a historiografia dos acontecimentos relativos a todo o período compreendido da Segunda Grande Guerra, isso incluía uma nova visão sobre os motivos de sua deflagração, os anos do conflito e suas consequências sobre a humanidade em diversos aspectos. É importante salientar que esse movimento abrange todo o contexto do conflito, muito embora, há trabalhos de pesquisadores especificamente sobre o Revisionismo do Holocausto, que tem lançado uma série de questionamentos em relação a abrangência, métodos e logística em relação ao extermínio sistemático de judeus. Mas também existe um movimento que luta pela “desmistificação da Alemanha nazista”, que tem como objetivo mudar a visão histórica do nazismo que fora construído no pós-guerra.

Os Movimentos Revisionistas são ruins para História? Evidente que não! Pelo contrário são salutares, mas devemos ter em mente que a historiografia moderna, defendida por figuras como Carr, são por si só REVISIONISTAS, e a História como ciência tem seus conceitos perpetrados na Revisão dos Fatos Históricos e, como qualquer outra ciência não há conceitos eternizados. Infelizmente, o que está acontecimento é uma visão parcial da interpretação histórica baseada nas tendências ideológicas de quem a interpreta.

Uma pessoa que realiza uma pesquisa sobre um autor que defende um Revisionismo radical do Holocausto. Essa pessoa poderá defender a tese desse autor como uma verdade absoluta, mesmo que o autor do estudo não tenha apresentado documentos ou qualquer tipo de prova substancial que sustente sua teoria. A mera argumentação deve ser colocada em check, pois sempre caberá uma contra-argumentação, e para formar uma perspectiva histórica sólida é necessário ter a visão do todo e não apenas lidar com argumentos parciais. Evidente que isso também vale para uma visão simplista da Segunda Guerra, quando na afirmação de que “A Segunda Guerra foi uma Luta do Bem contra o Mal…”. Claro que não há mais espaço para essa visão na História.

De alguma forma os fóruns, comunidades sociais e outras formas de comunicação pela internet têm seus membros divididos em grupos que são declaradamente Revisionistas e Não-Revisionistas. Mas isso é necessário? A polarização histórica é um erro recorrente da humanidade, e nesse mundo de visões mil, devemos agir com parcimônia em qualquer radicalização de opinião. O que temos que fazer é entender a interpretação histórica de forma a ter a visão do geral e não do parcial.

Teorias conspiratórias e teses sionistas de domínio do mundo podem até chamar a atenção e serem interessantes, mas de forma alguma possuem embasamento histórico, assim como aqueles que acreditam que a Alemanha é um povo vil, como caricaturado pela mídia ocidental, não possui nenhum juízo de valor sobre a Ciência chamada História.

Nossa tendência não é defender uma ou outra corrente, mas defender o Fato Histórico, entender seus desdobramentos e suas consequencias.

* Francisco Miranda – Reprodução proíbida sem autorização.