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A FEB Em Quadrinhos. Muito Legal!
Achei essa raridade. Muito legal. Isso nos passa a sensação do quanto os pracinhas foram cotejados como heróis. Histórias em quadrinhos que narram a epopeia da Força Expedicionária Brasileira.
Em tempo: Chega uma explicação do pesquisador Mário Messias:
Estampas foram editadas a partir da década de 20, valendo citar as famosas como Estampas Liebig e Eucalol, da Perfumaria Myrta do Brasil do Rio de janeiro.(exemplos anexos). Houve uma série de Estampas Eucalol que retratava A História da FEB. As estampas da FEB eram do Sabonete Eucalol, três sabonetes em cada caixa com três estampas – e o Creme Dental Eucalol – uma estampa por tubo.
Foram desenhadas por Willy von Paraski e impressas pela Gráfica F. Lanzarra – São Paulo -, Litográfica Rebizzi e Gráfica Mauá, ambas do Rio de Janeiro, e algumas outras menores. Assim, não se editou quadrinhos sobre a FEB, mas sim estampas.
Fonte: http://www.brasilcult.pro.br/historia/feb/hist01.htm
- 9 – VIII – 1943 Força Expedicionaria Brasileira Declarada a guerra, ao Eixo, tornou-se necessário enviar forças militares para combater o inimigo, na Europa. Então Ministro da Guerra, Gal. Eurico Dutra coube organizar a Força Expedicionária Brasileira, tropa selecionada do nosso Exército e que se tornou mundialmente famosa como”FEB”.
- 2 – VII – 1944 – “General Mann” transatlantico armado em transporte de guerra – A bordo do transatlântico “General Mann” armado em transporte de guerra norte-americano, os nossos pracinhas que partiam para os campos da Itália, receberam a visita do Presidente Getulio Vargas.
- 16 – VII – 1944 – Chega a Nápoles (Itália), o 1º escalão da FEB – Depois de uma viagem sem dificuldades, graças a escolta dos nossos vasos de guerra em colaboração com unidades americanas e inglesas, chegou a Napoles o 1º escalão da FEB, precedendo ao 2º, 3º e 4º escalões, num total de 25.334 homens para lutar contra os Alemães, na Itália.
- Hasteada em 19 de julho de 1944 a bandeira em solo Europeu – A 19 de julho de 1944, presidida pelo General Mascarenhas de Morais, Comandante em Chefe da FEB, foi hasteada com indisivel patriotismo a Bandeira do Brasil em território Europeu, pela primeira vez em toda a nossa História.
- Incorporação da FEB ao 5º Exercito dos EE.UU. – A 5 de agosto de 1944, com as formalidades regulamentares, o 1º escalão da FEB foi incorporado ao 5º Exercito dos EE.UU., tropa de escol sob o comando do general Mark Clarck e que já obtivera grandes vitórias na África. (brasilcult)
- 19 – VIII – 1944 Winston Churchill visita Mascarenhas de Morais A gravura focaliza o momento em que o Gal. Mascarenhas de Morais, recebia em Tarquinia, a visita de Winston Churchill, 1º Ministro inglês e uma das mais destacadas personalidades da Historia Contemporânea. (brasilcult)
- 16 – IX – 1944 – Pracinhas brasileiros entram na cidade de Massarosa, na Itália – A gravura representa a entrada de pracinhas brasileiros na cidade de Massarosa, na Itália. Esta foi a primeira localidade capturada pela FEB graças a uma arriscada ação da 2ª Cia. do 6 º Regimento de Infantaria, sob o comando do Capitão Alberto Tavares da Silva.
- 24 – IX – 1944 O Ministro da Guerra Eurico Gaspar Dutra visita a FEB – A FEB recebeu também a visita do Ministro Eurico Dutra. A gravura mostra o momento em que o Ministro da Guerra aprovava o distintivo da “cobra fumando”. Numa homenagem ao Brasil, os Generais dos Exércitos das Nações Unidas entregaram-lhe o comando geral das operações, durante a sua estadia.
- “Zé Carioca” o jornal dos pracinhas – Para maior contentamento dos nossos pracinhas, foi fundado no acampamento da FEB um pequeno jornal, mimiografado, com noticiário o mais variado possível. Tal jornal chamava-se “Zé Carioca”.
- A Religião – Católica na FEB Atendendo a que a maioria da população brasileira é Católica, a FEB possuía também um perfeito serviço religioso para maior conforto espiritual dos pracinhas católicos.
- Montese, Castelnuovo e Monte Castelo, tomadas pela FEB – O mapa, do verso, dá uma idéia da região onde atuaram os soldados brasileiros. Distinguem-se, entre outras, as localidades de Montese, Castelnuovo e Monte Castelo, tomadas pela FEB. Vê-se assinalada a região onde foi aprisionada pela FEB a 148ª Divisão de Infantaria Alemã.
- A tomada de Monte Castelo A gravura mostra alguns pracinhas descançando antes da subida para a tomada de Monte Castelo, glorioso feito de nossas armas, na Itália, em terreno difícil e montanhoso, contra um inimigo poderoso e bem localisado.
- Aviões atiram alimentos em caixinhas para a sentinela avançada A sentinela avançada, por sua localização distante e perigosa, recebia os alimentos em caixinhas como a que se vê na gravura, as quais eram jogadas por aviões.
- Serviço de transmissões da FEB O serviço de Transmissões, da FEB, manteve impecável ligação entre os diversos escalões da tropa. A gravura nos mostra um posto de radio, em campanha, em pleno funcionamento. (brasilcult)
- O problema de Suprimento – – Em qualquer campanha o problema de Suprimento é de capital importância. Dotada de uma organização modelar em todos os sentidos, a FEB nada deixou a desejar, embora fosse a 1ª vez que nossas forças lutavam fora do continente.
- Defesa anti-aerea da FEB em ação Em virtude do progresso da arma aérea, nesta guerra, todas as forças em operações deveriam possuir recursos indispensáveis e uma perfeita segurança contra raids aéreos. Vemos no verso, uma peça anti-aerea da FEB, em ação.
- Serviço de Saúde da Força Expedicionária Brasileira O serviço de Saúde, da Força Expedicionária Brasileira, se fez presente em todos os Hospitais da linha de frente, em colaboração com o serviço de Saúde das Nações Unidas.
- 19 – VIII – 1944 Na Hora do “rancho” A hora do “rancho”, como são conhecidos os momentos das refeições, entre os soldados, é sempre recebida com prazer. Em plena campanha, mesmo com “a cobra fumando”, os nossos pracinhas recebiam com satisfação as suas refeições, graças ao impecável serviço da FEB.
- O General Inverno Um dos maiores inimigos dos nossos pracinhas, foi o frio. Os nossos soldados se referiam à ele, chamando-o General Inverno. Mesmo assim, com neve e um frio jamais imaginado, os nossos soldados se conduziram com o ardor que sempre caraterizou nossos militares. A gravura mostra alguns oficiais brasileiros treinando Sky.
- 8 – XI – 1944 Sir Alexander, Gal. Inglez, Comandante do XV Grupo de Exércitos A FEB recebeu a visita honrosa de Sir Alexander, Gal. Inglez, Comandante do XV Grupo de Exércitos. Teve ocasião de ser homenageado com um almoço, pela FEB, debaixo de violento bombardeio alemão. O Gal. Alexander, teceu os maiores elogios a bravura dos comandados do Gal. Mascarenhas.
- Desfile de soldados americanos e brasileiros A gravura mostra um desfile de soldados americanos e brasileiros assistido pelos seus comandantes: Gal. Mark Clarck e Gal. Mascarenhas de Morais, famosos cabos de guerra que passarão a historia, como um exemplo de patriotismo a ser seguido pelas gerações futuras. (brasilcult)
- A coragem, e o sangue frio dos brasileiros Enfrentando os mais poderosos e modernos engenhos de guerra, por ocasião da tomada de Monte Castelo, os nossos pracinhas mostraram ao Mundo a coragem, o sangue frio e o patriotismo tão peculiares aos brasileiros e que nos foram legados por Caxias, Barroso e “outros heróis que honram a nossa historia”.
- Um “ninho” de metralhadoras, dos nossos pracinhas A gravura mostra um “ninho” de metralhadoras, dos nossos pracinhas, em plena campanha, levando ao inimigo, na certeza de suas pontarias, a prova mais eloqüente de que há um povo viril nesta parte do Atlântico.
- Força Aérea Brasileira na vigilância aos comboios Seria injusto deixar de mencionar o papel preponderante que teve a Força Aérea Brasileira, quer na vigilância aos comboios quer nos ataques diretos às tropas e às posições inimigas.
- Ação da Engenharia Brasileira A engenharia militar brasileira teve atuação destacada, em campanha. A ponte de Sila, nas proximidades de Monte Castelo, tinha de ser reparada diariamente, pois os alemães a mantinham sob permanente fogo de seus canhões para impedir o avanço da FEB.
- As minas como engenhos de guerra Um dos engenhos de guerra que maior porcentagem de baixas causou na Itália, foram, as Minas. Os Jeeps, quando atingidos, iam pelos ares, destroçados. Aos poucos, a pratica foi ensinando que um dos recursos mais eficazes era o da colocação de sacos de areia, no fundo dos veículos, para amortecer o choque causado pela explosão.
- A tomada de Monte Castelo o maior feito da campanha da Itália A resistência tremenda de Monte Castelo realça ainda mais a vitória final da FEB. Repelidos duas vezes, os nossos pracinhas na terceira tentativa conseguiram dominar a praça, alcançando uma vitória que se transformou num dos maiores feitos da campanha da Itália e, também, das armas brasileiras.
- Uma patrulha Brasileira aprisionada pelos alemães Houve uma patrulha brasileira que, aprisionada dentro das linhas alemães, reagiu, conseguiu criar uma situação de pânico para o inimigo e ainda trazer dois prisionairos, de volta. Essa patrulha foi condecorada por ato de bravura. Col: Raimundo Pereira Paulo Bodmer
- Os nossos pracinhas e os ataques aéreos alemães Os nossos pracinhas eram castigados duramente pelos ataques aéreos alemães. A gravura nos deixa ver alguns soldados da FEB atirando-se ao solo, considerando que esse ainda é uma dos recursos mais eficientes contra o ataque aéreo. (brasilcult)
- 21 – II – 1945 A gloriosa Bandeira Brasileira nos cumes de Monte Castelo A gloriosa Bandeira Brasileira, desfraldada ao vento nos cumes de Monte Castelo, foi para todos os brasileiros o desagravo que desejávamos contra o impiedoso sacrifício de nossos patrícios quando do torpedeamento de nosso barcos mercantes. (brasilcult)
- 30 – IV – 1945 Prisioneiro o Gal. Alemão Otto Fretter Pico Ao comando da FEB, na Itália, foi apresentado como prisioneiro de guerra o Gal. Alemão Otto Fretter Pico, comandante da 148ª D.I. e do restante de uma D.I. Italiana. O gal. Pico fez-se acompanhar por 31 oficiais do seu Estado Maior e rendeu-se por julgar inútil resistir ao ímpeto avassalador de nossas forças.
- A FEB na campanha da Itália fez 20.573 prisioneiros de guerra A Força Expedicionária Brasileira, na campanha da Itália, fez 20.573 prisioneiros de guerra, num total quase igual ao que enviamos à Europa, o que demonstra cabalmente o valor de nossos soldados. Também farto material bélico aprisionado ao inimigo. COL: brasilcult
- Em Fornovo a FEB aprisionou os remanescentes do “Afrika Corps” Na área de Fornovo a FEB aprisionou os remanescentes do “Afrika Corps” tropa de elite alemã que serviu sob o comando do famoso general Von Rommel, cujas rápidas avançadas e retiradas em solo africano valeram-lhe o apelido de “a raposa do deserto”.
- A FEB apreendeu ao inimigo 1.000 veiculos e 4.000 cavalos A FEB conseguiu apreender ao inimigo copioso material bélico. Nos dezenove dias de ofensiva, na primavera, foram capturados 1.000 veiculos, 4.000 cavalos além de abundante material de saúde e intendência.
- Utilisado pelos heróis da FEB este novo engenho de guerra A Bazooka foi um dos engenhos de guerra de grande poder mortífero mais utilizados nesta guerra. A gravura nos dá uma nítida idea de seu funcionamento, vendo-se dois pracinhas da FEB utilizando-a contra um objetivo.
- Padioleiros transportando um ferido em combate O serviço de saúde da FEB merece uma referencia especial. Todo o seu pessoal foi de uma dedicação à toda a prova e portou-se com um heroísmo inexcedível. Vemos no verso, um grupo de padioleiros transportando um companheiro ferido em combate.
- Em Pistoia, na Itália, descançam alguns heróis brasileiros Na localidade de Pistoia, na Itália, descançam alguns heróis da Força Expedicionária Brasileira, bravos patrícios que lutaram e morreram para que a Liberdade – maior bem do homem – pudesse continuar entre os povos de boa vontade.
- 18 – VII – 1945 Os pracinhas cheios de glorias voltam ao Brasil A maior manifestação publica já registrada no País, teve lugar quando os nossos pracinhas voltaram da Europa. Massa compacta de povo acudiu as ruas centrais da cidade para dar as boas vindas aos heróis que regressavam vitoriosos, inscrevendo outro episodio glorioso, na já gloriosa “Historia do Brasil”. (brasilcult)
- Em 29 de outubro de 1945 foi deposto o Presidente Vargas Para evitar que perdurasse a situação em que se encontrava o País, as forças armadas, irmanadas, no dia 29 de outubro de 1945, depuzeram o Presidente Getulio Vargas que foi substituído pelo Dr. José Linhares, Presidente do Supremo Tribunal Federal.
- O grande pleito de 2 de dezembro de 1945 No dia 2 de dezembro de 1945, foram realizadas as eleições para Presidente da Republica. A elas concorreram como principais candidatos o Brigadeiro do Ar Eduardo Gomes, um dos “18 do Forte” e o general Eurico Gaspar Dutra, que foi eleito em sensacional pleito.
- Eleito Presidente da República o general Eurico Gaspar Dutra Eleito em 1945, o general Dutra deverá governar o país até 1950. Col: Raimundo Pereira Paulo Bodmer
Diário de Guerra – a FEB em Quadrinhos
Com a indicação de André Monteiro:
Fonte:
http://www.bigorna.net/index.php?secao=gibizoide&id=1300553461
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Já dentre os artistas brasileiros dos quadrinhos que durante os anos 60 do século passado tiveram a oportunidade de escrever e desenhar sobre histórias de guerra, seguiram a linha de Kanigher, e como o Brasil também teve sua participação, sua importância no desfecho do conflito da II Guerra Mundial, não faltaram histórias, não faltou inspiração! Os soldados e oficiais da Força Expedicionária Brasileira (FEB), que entre erros e acertos cumpriram valorosamente sua missão nos campos de batalha da Europa, já haviam se tornado conhecidos personagens de gibis (em títulos como Conquista e Combate), quando na metade final dos anos 1960 a Gráfica & Editora Penteado (GEP), de Miguel Falcone Penteado, lançou nas bancas o gibi Diário de Guerra, propondo aos leitores logo na capa do primeiro número a chamativa advertência de que se tratava de “uma revista de guerra diferente”. E talvez tivesse mesmo razão: publicando HQs produzidas exclusivamente por artistas brasileiros (ou estrangeiros aqui radicados), muitas das histórias lançadas nesta revista mostravam personagens profundamente humanizados, revelando aos leitores situações reais vividas pelos pracinhas brasileiros – não foi a toa que, dentre os roteiristas da GEP estava Alberto André Paroche, um legítimo ex-pracinha que havia visto de perto os horrores, e, paradoxalmente, a solidariedade nos conflitos bélicos na II Guerra. Garth Ennis, badalado roteirista da moçada de hoje em dia, que se destacou pela excessiva violência explícita com que narra suas histórias, na GEP seria no máximo contínuo, ou office boy. Coube a mim a sorte de encontrar quatro números desta coleção, num sebo na cidade paulista de Bauru: os números 1, 7, 8 e 10, lançados nas bancas brasileiras provavelmente entre os anos de 1968 e 1969.
A seguir vamos comentar mais detalhadamente cada um destes gibis:
Diário de Guerra # 1 estréia com a HQ chamada “Mêdo” (na época ainda se grafava o acento circunflexo), escrita por Paroche e ilustrada pelo grande Rodolfo Zalla, argentino de alma brasileira. Retratando a situação de alguns pracinhas da FEB, fala exatamente daquele sentimento, ou daqueles sentimentos que mais afligem os soldados de qualquer nação: quando a covardia e a coragem se confundem, as conseqüências podem ser trágicas. É também da dupla Paroche-Zalla a segunda história deste primeiro número, “Cláudia”, uma fascinante love story nos campos de batalha italianos. Um pracinha se apaixona por uma jovem italiana que tivera o rosto deformado por soldados alemães (e que ainda haviam matado seu pai). A feiúra na face da moça não impede o amor devotado pelo soldado brasileiro. De volta ao combate, ele tem chance de se vingar dos algozes de Cláudia, mas ao retornar para a cidade onde a encontrara, receberá uma péssima notícia. Completa esta primeira edição de Diário de Guerra “Uma Nova Esperança”, que não fala sobre a FEB, mas um relato banal sobre confrontos entre americanos e chineses, mas não seriam coreanos, não? Huum… Escrita e desenhada por Osvaldo Talo (que, assim como Zalla, é um argentino apaixonado pelo Brasil), se o roteiro parece pouco inspirado, seus desenhos dinâmicos muito valorizam a HQ.
Diário de Guerra # 7 traz belíssima capa de Rubens Cordeiro, e começa com “O Grande Covarde”, escrita por Milton Mattos e desenhada pelos irmãos Edno e Edmundo Rodrigues (o notável autor de Jerônimo Herói do Sertão, entre tantos outros personagens em Quadrinhos). No confronto com os alemães, um soldado da FEB angariava forte antipatia dos oficiais e dos colegas, pois se mostrava como um fervoroso cristão e por isso se recusava a tirar a vida de outrem. Ganhou o apelido de “Bíblia”, pois vivia citando os versículos sagrados aos companheiros, mesmo diante de fogo cerrado. Mas, quando a “cobra vai fumar” (o lema dos combatentes em ação), “Bíblia” surpreende pela impetuosa coragem – e sempre agindo como deve agir um bom cristão. Os irmãos Rodrigues se destacam por mostrar nas HQs um estilo que se assemelha ao do mestre Joe Kubert. Segue o número 7 com memorável HQ escrita e desenhada por Rodolfo Zalla, chamada “O Equilibrista”, que aborda um tema comum à FEB: a diversidade dos pracinhas, não só regionais mas também nos ofícios & profissões dos soldados que formavam as tropas. Aqui, um telefonista e um equilibrista de circo é quem vão tentar resolver a parada, cortando fios que eram essenciais para as comunicações entre os inimigos. Esta HQ foi republicada anos depois, já na década de 1980, num gibizão da Editora Ninja de Fernando Mendes, Pelotão Suicida (que é, a propósito, o nome de outro gibi de guerra contemporâneo do Diário de Guerra, mas lançado por outra editora, a Jotaesse).
A sétima edição se encerra com chave-de-ouro, com outra notável HQ da dupla Paroche-Zalla: “Santa Maria Villiana”, onde o próprio Paroche é o narrador, lembrando um episódio ocorrido realmente, uma batalha em destroçada cidade italiana onde o roteirista e ex-pracinha perdeu muitos de seus colegas, e muitos alemães perderam a vida também – mas nem o bombardeio conseguiu destruir a imagem da Santa Maria. Pode-se “acusar” esta HQ de ser amargurada e pessimista, mas não foram estes os sentimentos predominantes durante os conflitos? É perfeitamente compreensível que um participante, em espectador vivo e presente daqueles tristes acontecimentos, traga em seu coração algumas mágoas, alguns traumas, sentimentos e lembranças muito difíceis de se lidar.
Diário de Guerra # 8 traz linda capa do grande Sérgio Lima (profícuo ilustrador que na GEP ficou conhecido por seu traço em Lobisomem e também na revista da Múmia, ilustrando roteiros de Gedeone Malagola), e abre com “Fim-De-Semana No Front”, outra escrita por Milton Mattos e ilustrada por Edno & Edmundo Rodrigues. Dois pracinhas, Tião Pretinho e Mangueira, querem aproveitar uma pequena folga entre uma batalha e outra e tentar descolar algumas gatinhas na cidade de Nápoles (famosa por suas belas e jovens mulheres), mas a guerra não dá trégua e os dois combatentes, ambos tidos como “alterados” (indisciplinados) por oficiais & colegas, mostram muita coragem na hora do “vamos-ver”. Uma chance para o roteirista Mattos abordar outros assuntos como racismo, malandragem, religiosidade e amizade. Paroche-Zalla retornam com tudo em “À Sangue Frio”, história violentíssima que acaba comovendo até mesmo o lado inimigo – uma boa chance para mostrar aos leitores um fato histórico comprovado por autores como Hélio Silva e César Maximiano, e desconhecido da maioria das pessoas: a dignidade dos soldados alemães em combate. Maxiamiano comprova, em seu livro sobre os pracinhas da FEB, Onde Estão Nossos Heróis, que nos diversos campos de batalha por toda a Itália eram encontradas lápides improvisadas, grafadas em alemão, homenageando o guerreiro inimigo morto em combate – os soldados brasileiros, por seu lado, faziam o mesmo sempre que tinham oportunidade de enterrar algum “bosche” (o respeito mútuo que existia entre os combatentes brasileiros e alemães é algo que merece mesmo maior estudo dos historiadores). Encerra esta outra notável edição de Diário de Guerra mais uma do trio Mattos-Edno & Edmundo Rodrigues: “Homens Contra Tanques”, muito mais do que mostrar atos de heroísmo dos pracinhas, toca num outro assunto que foi muito marcante durante a participação brasileira, especialmente nos primeiros meses de recrutamento: as rusgas entre eles próprios, tão diferentes eram entre si os soldados convocados para a guerra. Nesta história, Maritaca e Bahia, dois pracinhas do Regimento Sampaio, trocam tantas ofensas que o sargento não agüenta e manda os dois resolveram a coisa no muque. Exaustos de tanto trocar porrada, ambos finalmente vêem-se obrigados a ajudar-se mutuamente quando são atacados por tanques alemães. Resolvida a parada com os blindados, ainda restavam as velhas rusgas a se acertar.














































