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Teatro do Pacífico – O Mais Terrível da Segunda Guerra Mundial
O velho Teatro de Operações da Europa com certeza foi o mais devastador em termo de destruição e perdas de vidas humanas. Mas para o soldado, o guerreiro incorporado ao Exército americano ou japonês, nada se comparou ao Teatro de Operações do Pacífico. A guerra que se desenvolveu das Ilhas Salomão até o avanço sobre Okinawa transformou a vida dos homens que combateram nestas batalhas um inferno comparável as mais sangrentas batalhas de trincheiras da Primeira Guerra.
Não por acaso, foi nestas batalhas que o número de atrocidades contra o inimigo foram banalizadas, tanto que Alto Comando da Marinha americana emitiu ordens proibindo que se colecionassem partes dos corpos dos inimigos. Médicos do Corpo de Fuzileiros tentavam explicar as tropas as doenças cadavéricas que as pessoas que manipulavam corpos em decomposição estavam sujeitas a contrair.
Do lado japonês, os mortos se acumulavam em cada campanha para defender ilha a ilha. O espírito combativo e o código de conduta do exército nipônico não permitiam que o soldado japonês se rendesse, não permitia que seu ardor combativo diminuísse, por isso a quantidade de mortos em ataques suicidas eram impressionantes. Um grupamento atacava uma metralhadora inimiga até que o último homem caísse, e não eram poucos que caiam.
Para acrescentar a violência dos combates, o clima foi outro inimigo terrível. Meses de chuvas incessantes fizeram um atoleiro insuportável, alguns suicídios foram registrados, e muitos militares foram retirados da linha para hospitais psiquiátricos, um verdadeiros pandemônio.
Se a guerra é uma experiência terrível e devastadora para os jovens, pelo menos no Teatro das Europa, as folgas com os passes livres amenizavam e revigoravam os homens, já no Teatro do Pacífico apenas as ilhas e o mar contemplavam os desejos de retornar para casa de milhares de jovens japoneses e americanos.
Guadalcanal – Primeira Ofensiva no Pacífico
No posto do Cel Hunt, onde estou aquartelado, ouvi notícias ruins: que o Cel Goettge, o Ten. Cory, o Cap. Ringer e vários outros do nosso pessoal desapareceram num excursão a Matanikau. Como também o velho e incorrigível aventureiro Dr. Pratt, que embarcou na expedição só pela diversão da aventura.
A história é que um prisioneiro japonês (são mais de cem em Guadalcanal a esta altura, sobretudo tropas de trabalho), ofereceu-se para levar o Cel. Goettge até a aldeia, afirmando que as japas estavam dispostos a entregar-se.
Então o Cel. Goettge reuniu um grupo de 26 oficiais e homens, e partiu para Matanikau. O grupo fez um desembarque noturno, caindo em cheio no meio de uma emboscada japonesa. O Cel. Goettge foi o primeiro a ser atingido.
Só três do grupo escaparam a nado para Kukum. Foram o cabo Joseph Spaulgind, o Sgt. Arndt e o Sgt. Few. Few e Arndt mataram três japas cada, no decorrer da luta.
O Sgt. Few, um meio-índio moreno, de 22 anos de idade, é imensamente respeitado pelos homens por ser, como dizem os fuzileiros navais, “durão mesmo”. Isso quer dizer que é um cara de fibra, e Few, sem a menor dúvida, se encaixa no papel; tem olhos ferozes, um corpo esguio, e se move com uma rápida facilidade de um gato.
O Sgt. Few me contou a história da malfada expedição. Ainda estava meio abalado com a experiência.
– Eles acertaram rápido o Cel. Goettge na direita do peito. Spaulgind e eu fomos correndo até ele, mas quando o toquei vi que estava morto.
“Só então notei alguém ali perto. Gritei perguntando quem era, ele deu um grito de guerra e meio pra cima de mim. Minha submetralhadora emperrou. Fui atingido no braço e no tórax com sua baioneta, mas derrubei seu fuzil. Eu o sufoquei e o apunhalei com sua própria baioneta.”
Sabendo que o Cel. Goettge estava morto, disse Few, ele começou a voltar para juntar-se aos outros homens que haviam desembarcado. Então localizou de repente um japa em uma árvore.
– Minha arma continuava bloqueada – ele disse. – Então peguei emprestada a pistola do Arndt e atirei sete vezes no japa.
“Consegui destravar e pôr minha arma em funcionamento depois disso, mas o carregador não funcionava. Tinha de enfiar um cartucho na câmara toda vez que quisesse atirar. Só podia disparar um tiro de cada vez. E nesse exato momento, vi outro japa. Disparei e o atingir na cara. Depois o espanquei violentamente com a coronha de minha arma.”
Quando voltou ao grupo principal de fuzileiros, Few encontro-os entrincheirados para um combate. Ele também se enfiou no buraco, usando o capacete e as mãos, e segui-se uma longa troca de fuzilaria.
Vários outros americanos haviam sido atingidos, notadamente o Ten. Cory, o intérprete, com uma bala no estômago, e o Cap. Ringer. Os japas fechavam o cerco para a matança, quando o céu começou a iluminar-se com um brilho de início do amanhecer. Spaulgind, que antes correra para a praia. Começou então a nadar em direção a Kukum. Arndt segui-o. E então Few, após despir-se e ficar só com a roupa de baixo, correu como um raio para a água.
– Foi o fim dos outros na praia – disse Few. – Os japas fecharam o cerco e destroçaram o nosso pessoal. Eu vi espadas resplandecendo no sol.
Few teve de nada mais 7 quilômetros para alcançar Kukum, e, embora haja tubarões naquelas águas, conseguiu chegar. Quando conversei com ele apenas horas mais tarde, não me pareceu nem um pouco cansado fisicamente.
Relato de Richard Tregaskis – Correspondente de Guerra na Ilha de Guadalcanal na quinta-feira 13 de Agosto de 1942.
Guadalcanal foi tomada pelos japoneses na grande ofensiva de dezembro de 1941. Essa ilha estratégica com uma campo de pouso que daria invergadura para incursões aéreas na Austrália foi um primeiro grande objetivo ofensivo do que americanos classificaram como Teatro de Operações do Pacífico. O objetivo era tomar as terras Guadalcanal, ilha que faz parte do Arquipélago das Ilhas Salomão, expulsar as defesas e colocar em operação o aeroporto que estava em fase final de construção. A operação envolveu o 11 mil homens do Corpo de Fuzileiros Navais dos Estado Unidos e embarcações de apoio que iriam evitar a chegada e reforços por mar. O desembarque foi realizado no dia 07 de agosto, não houve resistência durante o desembarque anfíbio. Contudo, uma contra-ofensiva japonesa do 17º Exército Japones comandado pelo Tenente-General Harukichi Hyakutake em 21 de agosto, tornou a conquista difícil e custosa, já que a batalha foi por terra, mar e ar. O Almirante Tuner foi obrigado a deixar os fuzileiros por conta própria e sem provisões para protejer o Porta-Aviões Hornet na costa do pacifíco. Os Marines resistiram as diversas ofensivas japonesas até receber reforços e concretizar a tomada, embora isso só aconteceu em fevereiro de 1943.







































