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Qual a Origem dos Nossos Pracinhas?

 Segue abaixo artigo enviado pelo colaborador e Secretário Ad-hoc da Associação Nacional dos Veteranos da FEB – Seccional Pernambuco Rigoberto de Souza Júnior.

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            Desde o ano de 1937 que o Brasil tornara-se uma ditadura inspirada nos modelos tanto italiano quanto alemão, com o Poder Legislativo, os partidos políticos fora da lei, a liberdade suprimida e a exaltação exacerbada ao Chefe de Governo Getúlio Vargas. O governo valeu-se da oportunidade, tendo em vista que a opinião pública exigia a tomada de uma atitude frente aos diversos ataques aos nossos navios, que levou à morte centenas de civis e militares, além da entrada dos EUA no conflito, para romper relações com os países do Eixo.

            Infelizmente o entusiasmo das ruas não tomou o caminho da seções de recrutamento, praticamente sendo inexistente o voluntariado. O apelo das autoridades militares para que todos os homens aptos ao serviço militar, engrossassem as fileiras da FEB, ficou sem eco nas classes mais abastadas de nossa sociedade, onde curiosamente os oradores mais inflamados dos comícios da época, ao serem chamados a se incorporar, se valiam de dispositivos legais que os isentavam de servir o Exército e, a Força Expedicionária Brasileira teve de ser organizada com a juventude pobre do Brasil.

            Os vários episódios ocorridos nos quartéis(quarteladas), o falso civismo republicano, o material obsoleto usado por nosso Exército, nos obrigou juntamente com oficiais americanos a retirar quase do nada uma divisão de Infantaria, um Grupo de Caça e um reduzido números de navios.

De acordo com relatos de alguns Veteranos da FEB da Regional PE, várias artimanhas foram usadas para estes jovens de classe, como o uso do creme dental “Kolinos”, que naquela época tinha uma cor amarela, e no exame de saúde ao ser perguntado se teria alguma doença venérea, apertava a ponta do pênis, de onde saía um excremento amarelado, que se dizia ser “pus”, já que sofria de blenorragia. Outro artifício usado para burlar o exame médico era se colocar um dente de alho no ânus, o que causava um aumento da temperatura corporal, indicando que o mesmo estaria com febre devido a uma possível infecção.

De acordo com fatos da época, se dizia que a era mais fácil a “Cobra Fumar” que o Brasil entrar na guerra e para configurar ainda mais a descrença da partida da FEB, o Major Elber de Mello ouviu do General Cordeiro de Farias uma anedota recorrente nas altas rodas da sociedade carioca na época era: A FEB não partirá. Não partirá porque seu comandante é DEMORAIS; o comandante da Infantaria é da COSTA e o comandante da Artilharia é CORDEIRO, ou seja, não é de briga…

 

Fonte: “A FEB doze anos depois” do Major Elber de Mello Henriques – Bibliex – 1959

Todos de famílias humildes do sertão nordestino

Fotos & Detalhes Históricos – Especial FEB

 Com muito prazer o blog foi autorizado pela ANVFEB – Seccional Pernambuco, a publicar um material exclusivo do acervo pessoal do Secretário Rigoberto Júnior, que tem de forma muito peculiar, contribuído para preservação histórica da Força Expedicionária Brasileira.  Aproveitamos para ratificar o compromisso que temos com a luta pelo reconhecimento histórico dos mais de 20 mil brasileiros deslocados para os campos de batalhas italianos. Dos que tombaram em combate: lutamos ferozmente pela sua memória; dos que morreram esquecidos pelo seu povo anos depois da guerra: lutamos pelo seu reconhecimento; e os que ainda estão vivos: nos orgulhamos e reverenciamos.

 Nesse 07 de Setembro possamos refletir não apenas sobre nossa independência, mas principalmente sobre a ignorância latente que insiste em cercar muitos brasileiros.

As Imagens aqui postadas são de Reprodução Proibida! Fazem parte de um acervo pessoal. Qualquer cópia sem a autorização dos seus proprietários estará sujeito às sanções previstas em lei

Memórias de um Soldado da FEB – Parte I

Apresentaremos a partir de hoje, uma série especial contendo o relato do 3º Sargento Virgílio Daniel de Almeida que combateu pelo Regimento Sampaio durante a campanha na Itália. Nordestino valente, Sgt. Virgílio fez um relato abrangente que compreende desde o patrulhamento da costa paraibana, passando pelo seu voluntariado para compor a Força Expedicionária Brasileira até a atuação individual dos combatentes da FEB.

É com satisfação que publicamos um material tão rico em detalhes e temos a convicção de que estamos contribuindo para que as histórias aqui narradas possam ser utilizadas como reflexão pelos milhares de brasileiros que não conhecem a história da participação brasileira na Segunda Guerra Mundial e, portanto, não valorizam o sacrifício de jovens brasileiros em um período tão importante para o mundo.

Iremos realizar a publicação em cinco Partes, sendo uma por dia.

Todos os comentários enviados nos POSTS serão entregues ao próprio Major R-1 Virgílio Daniel de Almeida. Portanto fiquem à vontade!!

PRIMEIRA PARTE – O VOLUNTARIADO

Desde a declaração de guerra contra o eixo, as forças armadas aumentaram seus efetivos. Os regimentos de infantaria passaram a contar com efetivos de guerra. No nordeste foi criado o Campo de Instrução Engenho Aldeia (atualmente Centro de Instrução Marechal Newton Cavalcanti), todos os quartéis ficaram vazios, já que o efetivo da 7ª Região Militar foram acampar por tempo indeterminado em Aldeia, com exceção de duas companhias de fuzileiros por regimento, as quais, ficaram guarnecendo as praias contra eventual desembarque de tropas ou náufragos.

No 15º Regimento de Infantaria ficaram a 4ª e 5ª Companhias, fazíamos parte da 4ª Companhia, a qual coube manter a vigilância das praias do litoral sul da Paraíba, sua sede foi transferida, a princípio, do quartel para a praia de Tambaú, na época como 3º Sargento de Infantaria , comandava um grupo de combate. Recebi a missão com meu grupo, de manter a vigilância da praia de Jacumã, meu regimento naquela época era hipomóvel, contudo fomos deslocados por viaturas motorizadas de um grupo de artilharia, sediado em João Pessoa. Em nosso deslocamento para Jacumã, o subtenente da companhia nos acompanhou, conduzindo os gêneros para nossa alimentação nos próximos 15 dias, e estava ainda, autorizado a requisitar uma casas a beira mar para alojar o grupo e conseguir crédito na pequena padaria local para compra dos pães, a casa requisitada tinha fogão, mas faltava os utensílios de cozinha e lenha. Para a função de cozinheiro resolvemos com a seguinte pergunta: quem deseja ser dispensado da guarda noturna da praia e assumir a função de cozinheiro? Não difícil, apareceu logo candidato. Com criatividade resolvemos o impasse dos utensílios de cozinha e a lenha, a água para uso diária, era recolhida de uma cacimba, que ficava a uns dois quilômetros de distância da casa. O nosso banho, era uma pequena lagoa, formada por um córrego que saia de uma mata e desaguava na praia. Contudo algo lamentável aconteceu, contraí malária!  Quando decorreu 15 dias que estávamos na praia, o capitão Ari, comandante da companhia, veio nos inspecionar. Me encontrou deitando em uma rede, com febre, tremores, frio e dor de cabeça. Ele então mandou o cabo assumir o comando do grupo e levou-me para a sede da companhia e, depois, para a enfermaria do regimento. Fui medicado com comprimidos de quinino, o medicamente não surtiu o efeito desejado e agravou ainda mais meu estado de saúde. O capitão Ari, então, me levou para o Serviço Geográfico do Exército, sediado em João Pessoa, e naquela organização o médico administrou ateblina. Foi quando me recuperei da malária e permaneci na sede da companhia.

Da praia de Tambaú, a companhia se deslocou para a cidade de Goiana em Pernambuco, onde fui designado para manter a vigilância da praia de Pitimbú, distante pouco mais de 40km daquela cidade. Em Pintimbú as missões eram as mesmas de Jacumã, a única novidade era um estação de rádio, chefiada por um sargento rádio telegrafista, que em caso de necessidade, eu me comunicaria com o comando da companhia em Goiana.

Em 1943 começaram os preparativos para a organização da FEB, sendo escolhido para o comando da Divisão de Infantaria Expedicionária 1ª DIE, o General  de Divisão João Batista Mascarenhas de Morais, para comandar a Infantaria Divisionária, o General  Euclides Zenóbio da Costa, para Artilharia Divisionária o General Osvaldo Cordeiro de Farias.

Em junho de 1944, o Ministério da Guerra determinou às Regiões Militares que organizassem contingentes para seguir destino ao primeiro escalão da FEB no Rio de Janeiro. A prioridade adotada foi o voluntariado e caso não atingisse o número exigido, as faltas seriam preenchidas por militares escalados, então me apresentei como voluntário, como explicado abaixo:

                Estava com a companhia em instrução, quando recebemos a ordem para suspender os exercícios e regressar ao quartel. Lá mandaram os oficiais e praças antigas para o alojamento, onde ficaram aguardando a ordem para falar com o comandante da companhia. Quando chegou minha vez, o comandante olhou para mim e disse –   sargento Virgílio recebi ordens para selecionar voluntários para a Força Expedicionária Brasileira, vou olhe fazer uma pergunta, você responde sim ou não: você deseja se inscrever como voluntário para a FEB? Respondi  – sim. Após a minha resposta, ele me mandou que saísse e não mais voltasse ao alojamento. No dia seguinte, na leitura do boletim da Unidade, foi publicado a minha inclusão como voluntário no contingente destinado a FEB, ficando adido para atender os vários procedimentos, tais como inspeção de saúde, receber proventos, aguardar ordem de embarque e outros. A 20 de junho fui excluído do estado efetivo da Unidade e embarquei para Recife, ficando adido ao 7º Grupo de Artilharia de Dorso, em Olinda-PE, aguardando envio para seguir destino para o Rio de Janeiro.

 CONTINUA…