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A inquisição evangélica
A inquisição foi criada inicialmente em 1184 em Languedoc (França), era basicamente um tribunal eclesiástico dedicado inicialmente para monitorar judeus e muçulmanos convertidos em territórios cristãos e também o sincretismo (fusão de doutrinas). A Inquisição foi uma das manchas mais contundentes do cristianismo católico romano ao longo de quase 640 anos de exploração da fé pelo medo. Em 1821 a Inquisição foi extinta em Portugal.
Atualmente desfrutamos em nosso país, e na maioria dos países cristãos, a liberdade religiosa, podemos declarar-nos seguidores dessa ou daquela religião sem a preocupação da morte e julgamento iminente. Contudo, sempre que andamos em lugares públicos não é difícil perceber um evangélico realizando uma “pregação”. Nada demais, pois vivemos em um país cujas características políticas já foram citadas acima, e nós, como cristão, estamos sempre dispostos a inclinar os ouvidos à palavra de conforto no meio da agitação do cotidiano. Infelizmente não é isso que acontece, não basta muito tempo para perceber que o tom da pregação quase sempre é baseado na inteira pregação do “julgamento eterno e do medo pela fé”, evidentemente, guardando as devidas proporções com a Inquisição católica romana, mas o tom de morte eterna é o mesmo, no processo do julgamento medieval tinha-se como desculpa “matar o corpo para salvar a alma”, em muitas pregações em ônibus, praças e ruas Brasil a fora, a alma já não tem mais salvação, exceto pela conversão a igreja “A” ou “B” em detrimento a uma conversão comportamental de valores baseado nas doutrinas e no amor a Jesus Cristo, ou seja, uma conversão cristã bíblica. Ouvir delírios demasiados em forma de palavras desconexas, erros gramaticais bárbaros e radicalismo religioso não são a receita para a propagação do nome de Jesus, pelo contrário, transfere a antipatia muitas vezes irreversível do ponto de vista espiritual de um ouvinte mais atento, e isso é uma forma, mesmo que branda e inocente de “Inquisição”.
A pregação ela tem uma papel importante no cristianismo contemporâneo, e cada cristão tem por obrigação vigorar a propagação do conhecimento sobre Jesus Cristo. Mas lembremos que podemos “pregar” de várias formas, não apenas pelos alto-falantes e microfones, mas também (principalmente) pelos nossos atos, personalidade, bondade, disposição para ajudar e amor ao próximo, ou seja, as características que são inerentes a um verdadeiro cristão. É preocupante ver um cristão aos berros enquanto há outras pessoas, muitas vezes ao seu lado, que precisa simplesmente ser ouvido, de desabafar e receber conforto ou simplesmente de um pão para se alimentar. Muitas vezes somos robustos em falar e esbanjar salvação cristã, enquanto todos os outros estão destinados ao fogo do inferno e, enquanto gritamos em nosso pedestal divino como uma raça ariana escolhida, observamos, com olhar de desprezo, uma seguidor do espiritismo arrecadando ofertas para alimentar quem tem fome, então, coloquemos em check, quem é mais cristão neste momento?