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Archive for abril, 2010

Ressurreição de Jesus, Posso Provar? III Parte – Final

Nos textos anteriores o principal objetivo era responder, de forma mais satisfatória possível, duas perguntas simples: Existe fundamentação histórica para dizer que Jesus de Nazaré viveu no primeiro século? Alguns podem questionar a abordagem, contudo o resultado final da resposta é inegável; SIM, o homem existiu. A segunda pergunta: há alguma dúvida histórica contundente que negue sua prisão e julgamento ou que permitam incoerências históricas que podem anular o relato? Não podemos negar que os detalhes bíblicos dos relatos acerca do Julgamento de Jesus são coerentes como a atuação do judiciário judaico do I século e a condução do processo como um todo.

Portanto, vamos ao principal fato: posso afirmar ou negar que Jesus ressuscitou? Vamos analisar os acontecimentos.

Jesus afirmava ser o Filho de Deus e pregou com essa ênfase aproximadamente três anos. Com sua mensagem, revolucionária para época, atraia multidões pela sua sabedoria, inteligência e, principalmente, demonstrações públicas de virtudes não encontradas em outros “messias” que nasceram e morreram naquele período, e não foram poucos. Não sejamos tolos! Como já citado anteriormente, havia na palestina do primeiro século dezenas de pessoas se declarando o “messias”, “salvador”, isso é um fato canônico e secular (Nos Pergaminhos do Mar Morto lemos sobre um Messias que teria existido antes do primeiro século chamado Menahem, o essênio; Com a destruição do Segundo Templo de Jerusalém em 70 d.C., temos uma pausa na aparição de “messias”. Foi uma época em que os judeus começaram a peregrinação por muitos outros países em busca de um lugar para viver. Ainda no I século, um movimento político-messiânico de grandes proporções teve lugar, com Shimeon Bar Kochba (também Bar Kosiba) como líder. Este líder da revolta contra Roma foi saudado como o Rei-Messias pelo Rabi Aquiva, que se referiu a ele, como: “Uma quarta estrela de Jacob virá e o cetro irá erguer-se fora de Israel, e irá golpear pelos cantos do Reino de Moab,”, e Hag. ii. 21, 22;) , então, o que distingue Jesus desses outros tanto “profetas”?

Temos que compreender que Jesus não era um ignorante ou um inculto, ele não teve formação rabínica, mas foi instruindo dentro de um nível bastante elevado para os padrões de outras regiões do mundo. O sistema judeu de ensino permitia que o jovem aprendesse sobre sua cultura através de estudos dos livros antigos judaicos, e ele mostrou-se em diversos relatos tendo  profundo conhecimento em filosofia, leis, tradições judaicas, posição social e econômica de seu povo, portanto Jesus foi um homem instruído, vivendo em uma mundo helenizado. Contudo, nenhum outro “pregador” teve um discurso tão libertador. Enquanto há relatos de “Messias Guerreiros”, sua mensagem era de AMAR AO PRÓXIMO, e o impacto dessa mensagem era de proporções inimagináveis. Estamos nos referindo ao Mundo Antigo, isso quer dizer que a expansão era através das guerras, e só através dela o “status quo” era mantido. As palavras desse homem caíram como uma bomba devastadora em um mundo que até então, era regido pela espada.  Não estamos nos limitado a uma visão histórica, mas lógica.

A questão é: Se os indícios sobre Cristo fossem uma mentira deslavada, isso não teria encerrado com sua morte não? É inconcebível entender que uma mensagem de Revolução a partir da crença de uma ressurreição fosse aceita por um grupo e mantida pelos seus inimigos sem qualquer retaliação. Hoje, podemos ter exemplos disso: políticos, artistas, personalidades e tantos outros que ao longo dos anos são pegos por indiscrições e imperfeições que revelam o manto das incorreções humanas. É só sair uma biografia que vemos o quanto as pessoas são tão falhas e incorretas, quanto qualquer outra pessoa perdida no meio da multidão. Sobre Jesus Adam Schaff filósofo marxista polonês e ateu comentou:

“Este Jesus de Nazaré, sem dinheiro nem armas, venceu milhões a mais do que Alexandre, César, Maomé e Napoleão; sem ciência nem erudição formal, derramou mais luz sobre questões humanas e divinas do que todos os filósofos e sábios juntos; sem a eloqüência das escolas, falou tais palavras de vida como nunca se falou antes nem depois e que produziram efeitos que estão além do alcance de um orador ou de um poeta; sem escrever uma únic alinha, fez moverem-se mais penas, e forneceu temas para mais sermões, discursos, discussões, volumes eruditos, obras de arte e hinos de louvor do que todo o exército de grandes homens dos tempos antigos e modernos”. (Ramm, 1953, p. 177)

Acredito que já deve ter ficado claro que a personalidade de Jesus era irrepreensível, e por isso os inimigos declarados do cristianismo desde o nascimento dela como seita podem atacar a religião, mas nunca o seu fundador. Isso é importante para esclarecer um fato curioso ainda sobre a personalidade de Jesus, já que todos os relatos passam a idéia de um homem calmo e sereno, mesmo quando foi sobre ameaça de uma morte brutal. Não podemos negar nem afirmar que os relatos dos evangelhos são uma visão histórica, claro não há como afirmar, já que não existe provas materiais dos acontecimentos, contudo o relato é inquietante pelos detalhes relacionados ao procedimento jurídico, nomes dos lugares, pessoas envolvidas e todas evidências que apontam se não para a confirmação dos acontecimento, mas proíbem uma negação. Por isso, a relação com o que um relato canônico e um relato secular de outras fontes é uma linha tênue que pode ser confiada para a verificação dos fatos ocorridos com a pessoa de Jesus. Vamos analisar do ponto de vista do homem Jesus mais uma vez, vejamos:

Vamos levar em consideração que Jesus era mentiroso, isso mesmo, o maior mentiroso da história, fazendo com que centenas de pessoas acreditassem que ele era um mestre e passaram a segui-lo.

Essa ideia não é nova, contudo é absurda, como já repassamos anteriormente, os próprios inimigos de Jesus ao longo dos séculos exaltavam sua conduta. Uma outra observação é que Jesus cultivou discípulos por anos, ninguém poderia passar tanto tempo sem ter seus desvios de caráter externados em algum momento. E por último, por melhor que fosse a mentira não valeria a pena morrer por ela, correto? Quem morreria? A primeira atitude de qualquer pessoa seria negar ou fugir. Jesus conscientemente permaneceu e aceitou sua condenação;

Ele não era mentiroso e sim louco, achava que era o próprio Filho de Deus encarnado, por isso aceitou completamente sua condenação, pois estava fora de si, um lunático.

Essa também não é uma acusação nova, e inaceitável, pois o comportamento expressado por Jesus vão de encontro a essa opinião. Jesus ficou conhecido em sua região em seu tempo por sua tranquilidade.  A respeito escreve o historiador cristão C. S. Lewis:

“Nunca foi superada satisfatoriamente a discrepância entre a profundidade e a sensatez do Seu ensino moral por um lado e, por outro, a enorme megalomania que teria de estar por trás de Seu ensino Teológico a menos que Ele fosse realmente quem se declarou ser.” (Lewis, 1958, p.32)

Jesus foi uma lenda?

  • Já conversamos anteriormente sobre isso, mas vamos colocar alguns pontos, a saber: segundo descobertas arqueológicas recentes (Quoram – Mar Morto) é claro que os três evangelhos sinóticos, mais o livro de João, tem sua origem ainda no primeiro século, portanto ratifica a idéia de que eles foram escritos por testemunhas dos acontecimentos ou transcrito por pessoas que estiveram ligados as testemunhas (Não há nenhuma razão para acreditarmos que qualquer um dos evangelhos tenham sido produzidos depois do ano 70. d.C. – Dr. William F. Albright – Um dos maiores autoridades em Arqueologia do mundo moderno).

Então, supomos que é possível que as afirmações sobre Jesus tenham uma boa probabilidade de se apresentarem como fatos históricos; podemos enfim discutir sobre sua ressurreição sob uma perspectiva da investigação histórica.

Levando em consideração que as teorias científicas que podem perscrutar uma grande descoberta são baseadas em cogitações, é assim que os cientistas teóricos trabalham, montando cenários possíveis e impossíveis, projetam situações para chegarem a uma conclusão, se possível, dentro de uma lógica aceitável para corroborar com suas afirmações. A ressurreição não é algo factível cientificamente, claro, embora todas as coisas que o homem não compreende se encaixe no termo “não factível”, exemplo seria “a Teoria das Cordas”, A Física Quântica quanto apresentada por Niels Bohr no início do século XX foi dada como absurda e destemperada pela comunidade científica da época e atualmente faz parte da doutrina de qualquer físico teórico. Então como podemos afirmar ou provar algo que não é compreensível ou esteja dentro do entendimento humano? Assim como os cientistas teóricos pelas evidências, pela lógica para chegar mais próximo de uma verdade! Se chegamos a conclusão que o relato da prisão e julgamento de Jesus é algo aceitável historicamente e a existência do próprio Jesus é uma fato, então podemos dizer que Pedro e outros seguidores, estavam com medo de serem presos, conforme o relato bíblico, mas que pouco tempo depois, se jogaram a um cruzada para levar uma mensagem de que Jesus não morreu, mas estava vivo. Como explicar essa mudança de comportamento dos seguidores de Cristo?

Evidências apontam que algo aconteceu, algo tão radical que mudou a forma deles enxergarem a morte. Algo parecido como viria a acontecer com Paulo de Tarso, ou Saulo, não há dúvidas que possam levantar sobre esse homem, que nasceu de uma linha rabínica farisaica, discípulo de Gamaliel, um dos grande mestres judeus de seu tempo. Paulo surge na narrativa bíblica  como perseguidor da recém formada seita sobre um tal de Jesus de Nazaré. Sua convicção é tamanha que ele solicita cartas ao Sinédrio para as sinagogas de outras regiões, dando-lhe poderes para prender qualquer um que pregassem sobre esse tal de Jesus. Sua viagem foi em outra direção (segundo um relato bíblico um encontro com o próprio Jesus) que o faz mudar de comportamento, mudar de postura; o perseguidor passa a ser o perseguido e os próximos 50 anos serão de peregrinação para levar a mensagem de ressurreição de Jesus que agora é chamado de Cristo (O Salvador). Provas? Claro, a própria expansão do cristianismo é a prova cabal e inegável do trabalho efetivo desse homem, considerado por muitos o instrumento maior de promoção da Fé Cristã.

Estudos recentes da Universidade de Princeton apontam para a “causa mortis” de Jesus, segundo o estudo, o relato da lança transpassando sua lateral e a liberação de um fluxo que é identificada como “água” misturada com sangue é algo comum em vítimas de mortes violentas causada pelo colapso dos órgãos vitais, popularmente é conhecida por “morte por agonia”. O relato também informa que o próprio Pilatos, a pedido dos sacerdotes, deu ordens específicas para que soldados pretorianos montassem guarda (indicava que o número de soldados poderia variar de quatro a dezesseis soldados)  no local do sepultamento até o final do terceiro dia. Falando especificamente sobre os soldados pretorianos, a elite do exército romano, soldados treinados sob todos os aspectos e agindo sempre sob um rígido código de disciplina tornava-os integrantes de um dos maiores e mais vitoriosos exércitos do mundo antigo. Para um soldado do exército romano, dormir do posto significava a morte certa, portanto, é inconcebível e muito pouco provável pela disciplina imposta a esses homens que eles ficaram desatendo ao ponto de permitir qualquer intruso ou até mesmo um grupo de seguidores retirassem o corpo de Jesus para simular uma ressurreição.  Outro ponto a considerar é o túmulo lacrado. Uma invasão deliberada seria totalmente rechaçada quando o boato da ressurreição começasse a percorrer, havendo provas materiais, poderiam ser apresentadas e tudo seria explicado e o cristianismo jamais sairia dos arredores dos vilarejos da Galileia.

O cristianismo não nasceu como uma febre que alienou completamente seus adeptos, muito pelo contrário, ele foi visto com ceticismo por dezenas de anos, levando em consideração que a religião estava mais equacionada para uma seita ligada ao judaísmo e a ênfase da pregação dos primeiros cristãos foi a mesma que é hoje: ressurreição de Jesus Cristo. Se houvessem provas inquestionáveis sobre uma farsa elaborada para criar um culto a um homem morto e enterrado, será que os mesmos homens que condenaram a morte esse profeta não usariam para intimidar seus seguidores? Há relatos claros que expressa a preocupação do corpo eclesiástico judeu para acabar com qualquer suspeita de revolta ou divisão dentro das camadas sociais e religiosas, então como foi possível permitir que os seguidores de Jesus continuassem a pregar não apenas suas palavras mais também que Ele ressuscitou ao terceiro dia? Seria incoerente e ilógico não atentar para os fatos posteriores ao sepultamento de Cristo. Se levarmos as narrativas históricas que afirmam que Jesus apareceu a várias pessoas após sua morte, inclusive a um grupo de mais de 50 pessoas ao mesmo tempo, não seria possível desmentir tal boato; se esse aparecimento não fosse verdade não haveria testemunhas para relatar os acontecimentos? Dizer que as aparições são frutos de uma visão coletiva é tão ou mais absurda quanto negar o Jesus histórico. Espiritualistas também alegam o aparecimento do “espírito” de Jesus. Bem, se isso for realmente um argumento, poderíamos usar o exemplo de Tomé que era completamente descrente e teve um encontro pessoal com Jesus para expressar o seguinte: “Senhor meu, Deus meu!”, logicamente é um encontro que estaria ligado a um contra-argumento as experiências com o “espírito” de Jesus.

Finalmente, podemos argumentar que o resultado final da expansão do cristianismo credencia a lógica da ressurreição, já que com base nessa retórica, a religião passou de um mero movimento liderado por um pobre carpinteiro, de uma pobre e dominada região para nortear todo o rumo da história da humanidade nos últimos dois milênios. Se pararmos para entender as fases do cristianismo veremos que houve uma série de acontecimentos interligados que a simples lógica não resultaria em um resultado convincente para os incrédulos, embora não precise de mais para entender o rumos de seita que se transformou em religião de massa, onde os impérios foram destruídos e outros se levantaram, onde homens morreram e outros reviveram para uma nova vida, perceber isso é mais profundo do qualquer tipo de raciocínio lógico, mas teorizar é possível, por isso mesmo Jesus Cristo de Nazaré é um fenômeno, um paradigma que pode e deve ser entendido como um acontecimento único na história da humanidade. A explicação científica para os fatos que circundam a vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo são mais lógicos do que ilógicos, são um paradoxo que podemos ser explicados à luz dos acontecimentos, embora nossa compreensão esteja intrinsecamente ligada as nossas crenças e a nossa formação moral e religiosa. Negar o que Ele fez é impossível, isso nos levar diretamente a questão fundamental: “Ele estava falando a verdade?”. Se alguém entender que a resposta é SIM, então para essa afirmação podemos acreditar que ele realmente RESSUSCITOU. Se alguém responder negativamente então pode viver como se Ele não existisse. Contudo a meia afirmação é inconcebível, ou Ele é quem disse ser ou Ele não é. Não há meio termo. Não há meia verdade, isso é a convergência entre Jesus e a ciência: ou a afirmação é verdadeira ou é falsa, uma operação booleana que não deixa margem para indagações sem uma afirmação afirmativa ou negativa. Contudo a resposta chega sempre em seu tempo…

…“SE JESUS NÃO RESSUSCITOU COMAMOS E BEBAMOS POIS AMANHÃ MORREREMOS!”

…MAS O TÚMULO ESTÁ VAZIO!”.

Recife e suas Mutilações

A nós pernambucanos, nascidos na segunda metade do século XX, nos foi  dado o direito de descobrir as sutilezas  resplandecentes do mundo moderno, homens e mulheres forjados pelas tecnologias que nos fez respirar uma realidade inimaginável pelos nossos antepassados, fazendo vislumbrar sempre o futuro. Somos integrantes de um mundo globalizado, ansiosos por suas transformações e sua trilha para o futuro. Mas a conscientização na preservação do nosso passado é algo distante no mundo contemporâneo em especial no Brasil. Infelizmente, não temos a consciência da preservação da nossa identidade histórica para as gerações futuras, preferimos desfrutar da expectativa do futuro a preservar nossa história. Nossas crianças manipulam as redes sociais com a facilidade e a trivialidade do cotidiano, mas não sabem onde está localizado o Teatro Santa Isabel, por exemplo.

O povo pernambucano é um bravo por natureza. Nossa formação nos últimos 500 anos é marcada por pioneirismos, suor e sangue, basta observar a lista dos mártires pernambucanos que compõe o quadro de heróis da pátria. Mas a preservação histórico dessa passado heroico é mutas vezes relegada ao esquecimento, já que, infelizmente, nós pernambucanos, temos pouca vocação para valorizar, contemplar, aprender e preservar a nossa própria história, e isso não é privilégio apenas de nossa geração. A incoerência e os desmandos dos homens que deveriam, em tese, proteger nosso patrimônio histórico, não o fizeram muitas vezes por interesse político ou por motivos torpes, uma destruição metódica do nossa passo, sem qualquer justificativa. Vamos a alguns exemplos.

A ponte mais antiga das Américas foi inaugurada em 28 de fevereiro de 1643, pelo Conde Maurício de Nassau, e ligava o povoado da ilha dos arrecifes ao continente; o bairro do Recife, mais conhecido como Recife Velho, é uma ilha. Moradores da cidade não sabem, não conhecem a geografia da sua cidade. No local onde o Recife nasceu, justamente na cabeceira da Ponte construída pelo Conde Flamengo, e que recebera seu nome, existia o Arco da Conceição, o Portão de Entrada da cidade. Essa maravilhosa obra, testemunha do passado, foi demolida 1913, por exigências do trânsito. Isso mesmo. Em 1913, o trânsito em Recife já era terrível (felizmente, os franceses não acharam isso no Arco do Triunfo em Paris).

As pessoas que deveriam cuidar do patrimônio público demoliram, também por exigências do trânsito o Arco de Santo Antônio (1917), e por motivos não declarados, o Arco do Bom Jesus(1850), o maior de todos, privando as gerações futuras de contemplar tais construções, os (in)responsáveis à época da demolição, não pensaram que um dia as futuras gerações pernambucanas mereceriam contemplar tais obras.

Um outro caso notório: em 1971 o então, Excelentíssimo Senhor Prefeito do Recife Augusto Lucena, após embates com intelectuais e especialistas da época, destruiu completamente nada mais do que 400 casas, 11 ruas (Rua Augusta, Rua Santa Teresa, Rua do Alecrim, Rua de Hortas, Rua Dias Cardoso, entre outras), o Pátio do Carmo e a Igreja do Senhor Bom Jesus dos Martírios, para a construção da Avenida Dantas Barreto, um corredor viário inútil que logo foi apropriado pelo comércio ambulante, pelos terminais de ônibus e estacionamentos. Só por curiosidade, a igreja do Senhor Bom Jesus dos Martírios, tem sua construção datada entre 1791 a 1796, com uma fachada em estilo rococó, pela Irmandade do Senhor Bom Jesus dos Martírios (a Irmandade dos Homens Pardos), em terreno doado pelo Sargento-Mor José Marques do Vale e sua esposa, a Sra. Ana Ferreira, era a única do Brasil totalmente edificada por negros escravos. Um outro Detalhe, o Prefeito recebeu o apoio da Arquidiocese de Olinda e Recife, sob denúncias de suborno, pressão política e sabe lá Deus mais o que.

No final das contas, Recife jaz na mutilação incessante que a cada século administradores teimam em continuar a privar as novas gerações de contemplar nossa própria história. Por fim, fico encerro com as palavras do Professor Luís Manuel Domingues do Nascimento, professor de História da Universidade Católica de Pernambuco quando se refere ao assunto: Quase sempre tudo foi operado em nome do futuro, uma entidade inflexível e onipotente que outorgava um projeto de um mundo novo que se constitui no presente e se instala no futuro, mas em momento algum se situa ou se reporta ao passado e à tradição”.

 


Ressurreição de Jesus, Posso Provar? II Parte

Os fatos que iremos discutir: Jesus de Nazaré morreu por volta do ano 32 d.C. por ordens do Procurador Romano Pôncio Pilatos, segue o relato da prisão descrito no Evangelho segundo João:

“Tendo Jesus dito isto, saiu com os seus discípulos para além do ribeiro de Cedrom, onde havia um horto, no qual ele entrou e seus discípulos. E Judas, que o traía, também conhecia aquele lugar, porque Jesus muitas vezes se ajuntava ali com os seus discípulos. Tendo, pois, Judas recebido a coorte e oficiais dos principais sacerdotes e fariseus, veio para ali com lanternas, e archotes e armas.  Sabendo, pois, Jesus todas as coisas que sobre ele haviam de vir, adiantou-se, e disse-lhes: A quem buscais?  Responderam-lhe: A Jesus Nazareno. Disse-lhes Jesus: Sou eu. E Judas, que o traía, estava com eles.  Quando, pois, lhes disse: Sou eu, recuaram, e caíram por terra.  Tornou-lhes, pois, a perguntar: A quem buscais? E eles disseram: A Jesus Nazareno. Jesus respondeu: Já vos disse que sou eu; se, pois, me buscais a mim, deixai ir estes; para que se cumprisse a palavra que tinha dito: Dos que me deste nenhum deles perdi. Então Simão Pedro, que tinha espada, desembainhou-a, e feriu o servo do sumo sacerdote, cortando-lhe a orelha direita. E o nome do servo era Malco. Mas Jesus disse a Pedro: Põe a tua espada na bainha; não beberei eu o cálice que o Pai me deu? Então a coorte, e o tribuno, e os servos dos judeus prenderam a Jesus e o maniataram. E conduziram-no primeiramente a Anás, por ser sogro de Caifás, que era o sumo sacerdote daquele ano. Ora, Caifás era quem tinha aconselhado aos judeus que convinha que um homem morresse pelo povo.”

Sobre Caifás: A Mixná (Parah 3:5) se refere a ele como Ha-Koph (“O Macaco”), trocadilho com seu nome, por ter se oposto ao Mishnat Ha-Hasidim. (O Talmude Babilônico (Yavamot 15b) dá o seu sobrenome como Kuppai, enquanto o Talmude de Jerusalém (Yevamot 1:6) menciona Nekifi).

Sobre Anás: Citado por Flávio Josefos como o sacerdote o mais influente de sua época (Josefo, “Antiguidades Judaicas” XVIII).

Segundo os relatos acima podemos estabelecer alguns pontos cruciais sobre esse acontecimento. Inicialmente estamos falando de um homem público, claro, guardando as devidas proporções com relação a ser um homem público de uma pequena província romana. Mas o importante nesse caso é que ele aplicou sermões, peregrinou por várias cidades da região, visitou várias vezes o templo de Jerusalém. Então, qual o motivo da prisão furtiva de Jesus? Os relatos bíblicos informam que Jesus foi preso pelos guardas do templo; isso é coerente com a historicidade, tendo em vista que era a única força militar aprovada pelos Romanos, o Sinédrio, era responsável pela segurança dos peregrinos na visitação ao Templo Sagrado de Jerusalém e cabia à Guarda do Templo essa tarefa. Roma respeitava a religiosidade dos povos conquistados dando liberdade de culto e os guardas ministravam a segurança do próprio Sinédrio, de seus membros e atuavam como força policial durante as festividades do calendário judaico. O relato de uma prisão noturna é compreensível e aceitável, já que Jesus era sempre seguindo por dezenas de pessoas, e uma prisão diurna traria mais instabilidade para uma região que estava sob domínio estrangeiro e que combatia uma guerrilha armada de um grupo denominado Zelotes que lutava pela independência da região. Por esses motivos, não deveria haver qualquer apelo público pela prisão de Jesus. Para garantir que a pessoa certa fosse presa, nada mais adequado do que um de seus seguidores o identificar perante os soldados, evitando prender a pessoa errada ou outro seguidor que quisesse proteger seu mestre. O relato de sua prisão, portanto, não há qualquer incompatibilidade com o relato da prisão de Jesus, exceto pelo fato narrado ter ocorrido fora das muralhas do templo. A Guarda do Templo não teria jurisdição para prender qualquer pessoa, fora da área do templo. Isso denota a importância dada ao fato e, principalmente, como os sacerdotes premeditaram de forma meticulosa cada passo para tirar Jesus do caminho.

Então vamos para o relato do primeiro julgamento de Jesus:

“E os que prenderam a Jesus o conduziram à casa do sumo sacerdote Caifás, onde os escribas e os anciãos estavam reunidos. E Pedro o seguiu de longe, até ao pátio do sumo sacerdote e, entrando, assentou-se entre os criados, para ver o fim. Ora, os príncipes dos sacerdotes, e os anciãos, e todo o conselho, buscavam falso testemunho contra Jesus, para poderem dar-lhe a morte; E não o achavam; apesar de se apresentarem muitas testemunhas falsas, não o achavam. Mas, por fim chegaram duas testemunhas falsas, E disseram: Este disse: Eu posso derrubar o templo de Deus, e reedificá-lo em três dias. E, levantando-se o sumo sacerdote, disse-lhe: Não respondes coisa alguma ao que estes depõem contra ti? Jesus, porém, guardava silêncio. E, insistindo o sumo sacerdote, disse-lhe: Conjuro-te pelo Deus vivo que nos digas se tu és o Cristo, o Filho de Deus. Disse-lhe Jesus: Tu o disseste; digo-vos, porém, que vereis em breve o Filho do homem assentado à direita do Poder, e vindo sobre as nuvens do céu. Então o sumo sacerdote rasgou as suas vestes, dizendo: Blasfemou; para que precisamos ainda de testemunhas? Eis que bem ouvistes agora a sua blasfêmia. Que vos parece? E eles, respondendo, disseram: É réu de morte. Então cuspiram-lhe no rosto e lhe davam punhadas, e outros o esbofeteavam, Dizendo: Profetiza-nos, Cristo, quem é o que te bateu?[…]

[…]E, chegando a manhã, todos os príncipes dos sacerdotes, e os anciãos do povo, formavam juntamente conselho contra Jesus, para o matarem; 2 E maniatando-o, o levaram e entregaram ao presidente Pôncio Pilatos.”

Apontaremos para alguns fatos. Dado as circunstâncias dos acontecimentos, alguns críticos ao longo dos anos contestam que o Sinédrio (A Corte Jurídica e eclesiástica dos judeus do I século) não poderia se reunir à noite, tendo em vista que seria proibida a formação de um corpo de sacerdotes para um julgamento noturno.

Vamos observar uma circunstância lógica, Jesus antes de ser preso passa por um episódio relatado nos livros sinóticos como “A purificação do Templo”, onde ele açoita os negociadores do Templo, dizendo “Não está escrito: A minha casa será chamada casa de oração para todas as nações? Vós, porém, a tendes transformado em covil de salteadores.” Baseado neste relato era eminente e imperativo que os sacerdotes fizessem algo tão radical ao ponto de se reunirem, contra suas leis, para aplicar uma punição severa a um agitador que, naquele episódio, poderia transformar uma peregrinação religiosa em derramamento de sangue. O momento político-econômico foram os grandes precursores da prisão e morte de Jesus, que até então, era visto como mais um pregador a ser observado entre tantos outros que existiam naquele momento. Politicamente a região estava a mercê de ataques deliberados dos Zelotes, que utilizavam tática de guerrilhas para impor o separatismo; economicamente Jerusalém era um centro de peregrinação, lucrativo demais para ter sua principal festividade, a Páscoa, onde todo o povo Judeu em todas as partes do mundo conhecido se dirigia para a cidade realizavam suas ofertas. É perfeitamente justificável a proteção de tal evento.

O julgamento de Jesus foi um acontecimento atípico na vida jurídica judaica, por isso, podemos entender os acontecimentos que sucederam e a posterior condenação do réu, por si tratar de um agitador político e religioso que estava atentando contra a ordem pública, e principalmente, contra a sustentação econômica da vida de uma elite estabelecida. Portanto, era essencial que a prisão e o julgamento fossem algo premeditado e preparado para um desfecho brutal para aquele Galileu que ousou defender ideias contra todo um sistema estabelecido.

Após a prisão, dado a gravidade dos fatos, era necessário que o Sinédrio fosse, de forma extraordinária, reunido para o julgamento do agitador, como visto anteriormente. É importante entender que a historicidade do julgamento de Jesus seria facilmente negada pelos opositores históricos dos cristãos, os próprios judeus do I século, por exemplo, contudo não há negação dos acontecimentos relacionados ao julgamento, condenação, pelo contrário, os indícios históricos nos levam a confirmação dos acontecimentos através dos escritos do século I e II.

Segundo o relato do julgamento, observamos, por exemplo, a confirmação da tendência para uma condenação capital, mas qual é a acusação? As acusações são principalmente de natureza teológica, como violação das leis mosaicas e blesfemicas, quando Jesus declara ser “Filho do Altíssimo”, mas isso era motivo de condenação à morte? Como queriam os inquisidores de Jesus? A resposta era NÃO para qualquer das acusações. Novamente sob a óptica da lógica política-social histórica, podemos concluir que os fatos descritos no julgamento de Jesus se encaixam em um contexto histórico em acordo com a narração bíblica. Historicamente a pena capital não era possível ser aplicada pelo Sinédrio, pois tal condenação só poderia ser deliberada pelas autoridades romanas. Novamente, há um sincronismo entre o relato bíblico com as condições histórico-judaica, eis, portanto, o motivo de ter o relato de Jesus a Pôncio Pilatos.

Quando Jesus é apresentado a Pilatos fica claro, segundo o relato bíblico, a hesitação do mesmo na aplicação da pena solicitada pelos sacerdotes, o motivo era simples, durante as festividades de páscoa judaica era extremamente impopular esse tipo de pena dado a brutalidade da morte do condenado, sendo só justificável em caso da culpabilidade do individuo ser explícita, no caso Jesus isso  NÃO se aplicava.

Brasil o vigilante na Segunda Guerra

Além do envio de tropas para o front italiano o Brasil também cedeu bases militares em todo o nordeste. O Comando da Quarta Frota Naval (Fourth Fleet) era sediado em Recife e ficou situado no Ed. Sulacap até 1946. Segue abaixo um vídeo raro que mostra o então recém criado Ibura Field que atualmente é o Aeroporto Internacional dos Gurarapes.

Categories: Guerras, História, Recife

Ressurreição de Jesus, Posso Provar? I Parte

    A filosofia é a primeira ciência a ser estudada ao ingressar na Academia. Não por acaso, é considerada a mãe de todas as ciências. Ela é, por definição, a constante racionalização do homem como ser pensante, racional. Portanto, por natureza somos racionais. Essa é a verdadeira força de nossa predominância na terra, o resto, os 99% de nosso DNA, nada diferencia-nos de qualquer outro ser vivente. Os homens racionais podem se deliciar sobre sua própria existência, cogitando os produtos da physis e confabulando o incompreensível. Evoluímos na esteira da racionalidade socrática, no avanço das ideias revolucionárias dos grandes pensadores, que por séculos e séculos colocaram à disposição seu intelecto acerca de tudo e de todos, abrindo caminho a auto-suficiência humana, e predominância da ciência.

     Embora tenhamos chegado tão longe, nunca deixamos de entender racionalmente o produto de nossa fé. O campo inexplorado da filosofia que ainda constrange centenas de letrados. É possível vislumbrar nossa fé a luz da ciência, também. Será?

Nessa vanguarda ferrenha do conhecimento científico; na busca desenfreada para entender metodologicamente tudo,  podemos nós, realizar análises científica de crenças basilares da fé? Levando em consideração que a própria ciência é dinâmica e muda de lado ante novas descobertas; levando em consideração que, existindo provas, ou instrumento argumentativo que aponte uma tese com probabilidade e consistência, a própria ciência outorgará crédito. Nenhuma descoberta é de fato uma verdade, nenhum experimento ou teoria poderá potencializar algo absoluto, imutável, ao ponto de não ser inconteste. Isso vale também para perguntas sobre as crenças humanas. Perguntas no campo filosófico que repercutem em outras ciências. Como surgiu a vida? Quem criou a universo? Ou como o universo foi criado? Deus existe? São perguntas inquietantes que a ciência ou discorda ou se exime da resposta.

Mas será que não podemos aplicar uma metodologia científica como se fosse um objeto de estudo qualquer, nas questões relativo a nossa fé? Tal como um cientista teórico que tem o papel de argumentar algo que ele não consegue ver, mas consegue apontar evidências que para sua tese?

 Esse artigo pretende jogar luz racional sobre a crença basilar do Cristianismo: A Ressurreição. Apesar de audacioso, apenas argumentaremos a partir de um lógica argumentativa a partir de pressupostos histórico consagrados.  Claro que não queremos explicar o retorno à vida de um corpo declarado morto. Não se trata disso. Queremos evidenciar que a cadeia de acontecimentos que ocorreu corroboram para sustentar a tese que algo ocorreu após a morte do Galileu pelos romanos. Nossa objetivo teorizar de forma racional, o que realmente ocorreu.

 

O cristianismo é a única religião que professa abertamente que Seu Deus não morreu.

 

Para entender essa confissão de fé e dar respostas plausíveis à luz da racionalidade humana é necessário enveredar para o lado da descrença, antes de tomar partido. Exatamente isso, para que possamos ter juízo de causa para construir uma opinião sobre o assunto é necessário conhecer a “estória” em sua plenitude sem nos deixarmos levar pelo simples ceticismo, já que podemos racionalizar sobre a vida daquele que se declarou ser O Cristo.

O primeiro passo é conhecer um pouco mais desse Judeu chamado de Deus por seus seguidores; se esse homem realmente falou as coisas que estão registradas nesse conjunto de livros que chamamos de Bíblia; se esses mesmos livros são uma grande farsa ou se o próprio Jesus é apenas uma estória criada por outros homens que se tornou verdade com o passar dos anos. Podemos fabular todas as teorias que caracterizam o pensamento racional, sempre buscando a verdade ou, quando não for possível, chegar o mais próximo dela. Por isso, devemos como pesquisadores e juízes da racionalidade, estarmos prontos a identificar e analisar fatos, quando não for possível a análise dos fatos, devemos reunir evidências sistemáticas que nos levem a um veredicto. Enfim, devemos nos despir de quaisquer preconceitos de cunho religioso ou doutrinário que possa atrapalhar nosso ponto de vista teórico sobre as confirmações científicas.

O primeiro passo para tentar esclarecer e jogar um pouco de discussão é tentar buscar identificar o Homem Jesus, o cidadão que nasceu entre os anos 4 à 6 a.C. Vamos atender. Jesus não nasceu no ano 0, a data do nascimento de Jesus foi erroneamente calculada pelo monge Dionísio, o Pequeno, no século VI durante a elaboração do calendário gregoriano, tal erro só foi admitido pela igreja romana 1.400 anos depois, em 1987 pelo Papa João Paulo II. Contudo a informação não é substancial para o entendimento da vida histórica do homem Jesus.

Antes desse período há evidências que comprovavam que os governantes e homens públicos, citados por fontes bíblicas, estavam realmente no poder no período do nascimento de Jesus, portanto, não há controvérsias históricas sérias de que tais pessoas indicadas como figuras bíblicas não sejam personagens históricos reais. Baseado nisso, desmascarar qualquer tentativa de ludibriar uma pesquisa que remota a um passado de mais de dois mil anos, a pergunta: há evidências contemporâneas sobre a existência de governantes, senadores, procuradores, juízes, reis ou imperadores do período que é citado a existência de qualquer personagem supostamente histórico? Para Jesus, a resposta é SIM! Para todos os homens públicos citados em fontes bíblicas e não bíblicas.

Graças à ascensão do Iluminismo da Europa, eram amplamente divulgadas declarações de que Jesus de Nazaré nunca existiu, essas declarações eram sempre bombásticas e causava alvoroço nas igrejas cristãs, contudo com pouca ou nenhuma base científica. Nenhum cientista ou pesquisador sério sustentou tal teoria, então vamos a mais algumas evidências:

Evidências 01:
“Tácito, romano do primeiro século, que é considerado um dos mais precisos historiadores do mundo antigo, mencionou “cristãos” supersticiosos (“nomeados a partir de Christus”, palavra latina para Cristo), que sofreram nas mãos de Pôncio Pilatos durante o reinado de Tibério. Seutônio, secretário chefe do Imperador Adriano, escreveu que houve um homem chamado Chrestus (ou Cristo) que viveu durante o primeiro século (“Anais” XV,44).”

Evidências 02:
“O Talmude da Babilônia (Sanhedrin 43 a) confirma a crucificação de Jesus na véspera da Páscoa, e as acusações contra Cristo de usar magia e encorajar a apostasia dos judeus.”

Evidências 03:
“Julio Africano cita o historiador Talo em uma discussão sobre as trevas que sucederam a crucificação de Cristo (Escritos Existentes, 18).”

Pesquisas contemporâneas mostram com uma boa exatidão que viveu na região da Galileia um homem chamado Jesus e exerceu liderança religiosa efetiva durante um curto período de tempo, e por esse motivo foi crucificado por ordens do Procurador romano Pôncio Pilatos por volta do ano 32 a. C., tal castigo só poderia ser aplicado por ele tendo em vista a natureza brutal da condenação.

Existem textos não canônicos que se referem a essa crucificação em especial, portanto a formulação de uma ideia racional passa em ter bases argumentativas que impliquem no entendimento do Homem Jesus; Flávio Josefus historiador judeu do século I, fala o seguinte sobre os acontecimentos referente a prisão, condenação e morte de Jesus de Nazaré:

Evidência 04:
“Flávio Josefo é o mais famoso historiador judeu. Em seu Antiguidades Judaicas, se refere a Tiago: “o irmão de Jesus, que era chamado Cristo.” Há um verso polêmico (XVIII,3) que diz: “Agora havia acerca deste tempo Jesus, homem sábio, se é que é lícito chamá-lo homem. Pois ele foi quem operou maravilhas… Ele era o Cristo… Ele surgiu a eles vivo novamente no terceiro dia, como haviam dito os divinos profetas e dez mil outras coisas maravilhosas a seu respeito.” Uma versão diz: “Por esse tempo apareceu Jesus, um homem sábio, que praticou boas obras e cujas virtudes eram reconhecidas. Muitos judeus e pessoas de outras nações tornaram-se seus discípulos. Pilatos o condenou a ser crucificado e morto. Porém, aqueles que se tornaram seus discípulos pregaram sua doutrina. Eles afirmam que Jesus apareceu a eles três dias após a sua crucificação e que está vivo. Talvez ele fosse o Messias previsto pelos maravilhosos prognósticos dos profetas” (Josefo, “Antiguidades Judaicas” XVIII,3,2).”

Algumas informações que circularam nos anais históricos contrários a Jesus Histórico:
“Nos documentos existentes de gregos, hindus e romanos dos Séculos I e II, constata-se que eles jamais ouviram falar de algum Jesus”.

Na verdade essa argumentação e insustentável já que os gregos e romanos no século I e II já tinham igrejas constituídas a amplamente ativa, ao ponto do Imperador Nero em 82 d. C. incendiar Roma e declarar os cristãos como culpados, já que era uma seita proeminente e ativa no império e a igreja grega foi uma das primeiras a ser fundada pelo próprio apóstolo Paulo em suas viagens missionárias. Com relação aos Hindus estamos falando de uma religião amplamente divulgada na Índia, portanto região alcançada pelo cristianismo apenas no século XV com as viagens marítimas.

“Ninguém, entre escritores e historiadores, que teriam vivido na mesma pretensa época que Jesus, falou algo sobre ele ou sobre qualquer aparição pública ou tumulto religioso encabeçado por Jesus.”

Já citados: Flávio Josefo, tácito, o romano, Plínio, Fílon de Alexandria e outros. Todos contemporâneos de Jesus de Nazaré ou no período imediatamente posterior.
“Os documentos que descrevem sobre a atuação de Pôncio Pilatos nada falam sobre alguém que chamado Jesus Cristo […]”

Exatamente, não há registro sobre a crucificação de Jesus por Pôncio Pilatos, na verdade não registros dele sobre absolutamente nada, inclusive até o século XIX as evidências históricas eram textuais de outras fontes, contudo foi encontrado na década de 70 uma pedra que indica a construção de uma edificação durante a administração de Pôncio Pilatos, é uma prova arqueológica da existência do Procurador Romano, citando uma fonte, Eusébio de Cesaréia, em sua História Eclesiástica, afirma que Pilatos caiu em desgraça junto ao imperador e cometeu suicídio por volta do ano 37 d.C..

Portanto, dado as evidências textuais até o momento, e na inconsistência de uma argumentação contrária não é possível precisar fatos da vida de Jesus, mas sua existência, morte e crucificação são fatos históricos declaradamente factíveis.

Agora pensamos como investigadores imparciais que não possuem todas as circunstâncias claras de um acontecimento. Por dever, é necessário levantar as hipóteses e evidências que possam nos conduzir a uma certeza absoluta do que realmente aconteceu ou, caso não seja possível, chegar o mais próximo possível da verdade dos fatos, sendo coerente entre o que é possível e o que não é possível ter acontecido, ou o mais próximo disso. A ciência também trabalha sob essa perspectiva, levantar as cogitações, interpelações, consultar fontes e transparecer qualquer possibilidade para lucidar um ocorrido, claro que tudo isso será declaradamente examinado e a conclusão, como qualquer descoberta científica, poderá ser questionado em qualquer tempo.

Podemos cita um simples exemplo, a morte de Getúlio Vargas, um acontecimento histórico, suicidou-se em 1954 com um tiro no peito, em seu quarto, no Palácio do Catete na cidade do Rio de Janeiro, então capital federal. Esse acontecimento é incontestável pelos olhos da história contemporânea, contudo ele não é conclusivo e poderá, em qualquer momento, baseado em argumentos de evidências factíveis, apresentarem uma nova versão para os acontecimentos ocorridos naquela noite de 24 de agosto de 1954.

Agora vamos indagar o seguinte: Será que poderemos ter uma mentalidade definitiva sobre qualquer acontecimento do passado? Claro que não! Devemos questionar fatos e formar uma opinião pessoal somente, e tão somente, após a análise desses fatos. Uma visão fechada sobre um acontecimento, uma pessoa histórica ou produção literária poderá nos levar a um erro e a uma injustiça sobre um determinado acontecimento e/ou pessoa.

Uma segunda visão: Hamilet, obra prima da dramaturgia atribuída a William Shakespeare, escrita entre 1599 e 1601. Boa parte da obra foi alterada com o passar dos séculos, segundo estudos, cerca de 62% dos escritos de Shakespeare foi objeto de alterações por copistas, e mesmo assim não há um só questionamento sobre o valor da obra, inclusive até a própria autoria da obra é questionada, inclusive há teorias que sustentam que Shakespeare nunca existiu. Absurdo, claro. Fazendo um paralelo direto com textos bíblicos: Os Manuscritos do Mar Morto formam uma coleção de cerca de 930 documentos descobertos entre 1947 e 1956 em 11 cavernas próximo de Qumran, todos datados do I século da era cristã, ou seja, produzidos no período contemporâneo aos apóstolos ou imediatamente após. Foi encontrado uma quantidade significativa de passagens do Livro de João. Estudos mostram que há 96% de compatibilidade literária com a atual versão utilizada do Evangelho de João, utilizado pelo mundo atual. Afinal, o que isso significa? Que temos em nossas mãos um relato real dos mesmos documentos que circulavam no período dos originais que encontramos, alguns do século I e II.

Para chegarmos a discutir a ressurreição do ponto de vista lógico, de forma a estabelecer um parâmetro coerente, foi necessário entender que o Jesus histórico é inegável e que os relatos bíblicos podem ser vistos à luz da historicidade teórica, contudo não estamos discutindo a validade histórica do livros bíblicos, apesar de ser necessário uma breve discussão para compor um cenário real das evidências da ressurreição de Jesus.

Categories: Religão

O Grande Irmão – BIG BROTHER

Somos talentosos, ninguém pode negar. Sempre encontramos formas de extravasar os instintos animalescos de muitos. Mesmos tendo consciência do que é certo e errado, levamos nossos expectadores a vivenciar formas temporais da satisfação pessoal, oscilando entre a linha tênue do bem e do mal, e, como tal, entrelaçamos conceitos infinitamente discutíveis do que é certo ou errado. Conjecturamos nossa visão da maldade de tal forma, que até a mais das dignas almas passa a ver a maldade como, simplesmente, um ponto de vista diferente. Somos mestres em relativizar virtudes, na verdade, vendemos a imagem de que tudo é relativo. Acreditamos que dessa forma podemos ter um portfólio de produtos mais incrementado. Sim, isso mesmo, vendemos a imagem de pessoas vazias e dizemos que ela – a pessoa – é um estereótipo a ser seguido, mesmo que essa pessoa seja ironicamente resprezível. Descartá-lo-emos assim que não servir mais aos nossos propósitos capitalistas.

Queremos veicular nossa marca enquanto for rentável e através da nababesca futilidade das pessoas para que possamos expor a naturaza humana na sua versão mais egoísta e, assim, atender a uma alienação de uma nação fútil de valores e identidade social questionável, viciada por produtos ligados a pessoas vazias. Para tanto, sempre chamaremos de heróis, mesmo que esse adjetivo tenha sido usado para designar outra coisa no passado. Homens e mulheres fantoches, com intelecto e cultura desvirtuada e abaixo da média de qualquer padrão de um país subdesenvolvido, mas com corpos esculturais e com alta promiscuidade. Quanto aos doutores, cientistas e intelectuais temos a plena convicção que não podemos dar méritos a essas pessoas, esses servem apenas para serem consultados mediante uma situação extrema, só assim podemos usá-los como mais um produto.

Essa utopia para adjetivar pessoas ajuda a criar a nossa imagem e semelhança, pois devemos cuidar dos nossos “produtos”.

Com relação a padronização de procedimentos, é importante salientar que nossas indicações são as melhores possíveis, elevamos o grau de violência exibido na nossa programação, por temos a convicção que a violência é um produto rentável,  lucro garantido! Se tivermos noticiários que não sejam sensacionalistas sob qualquer aspecto, qual a paixão? Qual o incentivo que nossa “presa telespectiva” irá continuar sendo “presa”? Essa estupidez de jornalismo sério, independente é apenas uma filosofia ultrapassada. Temos que noticiar produtos sanquinários, mortes, chacinas, assaltos, tudo isso é retorno garantindo em cifras estratosféricas, não podemos decepcionar nosso público alvo. Podemos dar-lhes horas sem fim desse entretenimento macabro, preenchendo suas tardes e noites com sofrimentos alheios sem fim.  Temos impactos avassaladores na vida de nossa “presa”, que passa a ter medo de sair de casa, vivendo uma vida assombrada, e por consequencia mais próximas de nós, mais submissas as nossas opiniões, sem questionar, sua mente jamais pensará em fazer algo que não esteja direta ou indiretamente ligado a nós. Se ainda que a violência no nosso país não seja suficiente, podemos sempre importá-la, claro, sempre há no mundo suicidas que querem levar à cabo suas vidas juntamente com a de outras pessoas, isso sim, é produto de primeira! Quando damos total cobertura a episódios de matanças em escolas e outros locais públicos, definimos um procedimento, e esse será seguido por outro desafortunado, que na semana seguinte irá gerar outro “produto” que podemos veicular com grande destaque e aterrorizar mais e mais.

Quanto a recomendação acerca da família, como instituição é um risco eminente a nossa existência. Quem já se viu jantar na mesa? Conversar sobre os problemas? Exigimos total atenção, temos sempre que colocar em nossas estórias novelescas sub-produtos que ataquem essa instituição, tramas que tenham novas ordens, traição, desrespeito familiar, maldade de filhos, destruição familiar, pais ausentes tudo de forma bem relativista, sob os argumentos já descritos, com isso nossas vítimas sempre estarão se comportando dentro de uma padrão que nós estabelecemos e moldaremos a família para deliberar a nosso favor, absorvendo nossas ideias e disseminando a nossa imagem.

Crianças e adolescentes, atenção especial a esses pequenos “clientes”. Não podemos e não seremos negligentes com nossos pequenos consumidores capitalistas, sempre dispostos a bater o pé exigindo dos pais o que lhes oferecemos, somos o agente controlador, por isso, temos que doutriná-los de maneira que possam sempre demonstrar autoridade sem respeito. Vamos criar “roborzinhos” consumidores, e assim, teremos uma vida toda a nossa disposição.

Finalmente, nós somos fortes e presentes. Criamos o elo contemporâneo que se baseia a sociedade atual. Quando Freud citou que a religião é o ópio do povo, ele ainda não nos conhecia, não presenciou os poderes quase sobrenaturais da mídia televisiva, influenciando e formando a Opinião de Massa, ditando padrões comportamentais de qualquer faixa-etária.  SOMOS por definição o QUARTO PODER nas sociedades democráticas; SOMOS a representação ortodoxa das sociedades teocráticas; SOMOS instrumento de manipulação de massa, SOMOS A TELEVISÃO.

Categories: Mundo

Histórias e Estórias do Recife

Quando eu estava no ensino fundamental, fiz uma prova que tínhamos que escrever uma frase sobre o Recife, como dias antes li em uma placa: “Recife, minha cidade, minha vida…”, imediatamente escrevi esta frase, tirei dez com direito a comentário da professora. Na verdade, eu não sabia o significado dessa frase, apenas escrevi. E ainda hoje talvez não saiba, de certa forma Recife passar longe da minha vida e na de muitas pessoas, pois a sensação que tenho é que as mazelas da cidade ficam expostas aos nossos olhos, muito mais do que suas virtudes, e conseqüentemente adotamos referencias ruins quando temos que falar da cidade. Atualmente, moro em Olinda, mas sou filho do Recife, nascido e educado, como muitos pernambucanos, que moram em Olinda, e passam o dia inteiro em Recife, seja trabalhando, seja estudando, portanto é mais fácil você falar de Olinda, claro, apesar de sofrer das mazelas igualmente depreciativas a uma cidade.  Também trabalho em Recife, trabalho no bairro do Recife, e comecei a deslumbrar a cidade por outra visão, observando o Recife pela perspectiva cultural, histórica, arquitetônica e suas belezas naturais, coloquei algumas observações e gostaria de compartilhar com vocês.

O Recife Antigo abriga o pólo tecnológico, eu não esqueço que a ilha do bairro do Recife, com seu fabuloso monumento idealizado pelo xará Francisco Brennand, e com o marco zero revitalizado, é cenário para uma das mais belas paisagens que já vi, o fim da tarde pernambucana! Tenho o prazer de apreciar todos os dias o despertar da noite, a imagem serena do mar, que é apenas mais um elemento que enaltece o capricho que Deus teve na criação dessa ilha. Na mesma idéia de beleza, aconselho a todos, observarem a cidade à noite, não suas ruas sujas ou perigosas, mas observarem a imensa beleza de suas pontes centenárias, graciosamente iluminadas, dando um ar veneziano ao nordeste brasileiro. De preferência, subam em um de seus muitos edifícios, para apreciar do alto. Tenho certeza que vocês ficarão impressionados com a vertigem de deslumbre que encherá vossos corações de orgulho de serem filhos dessa terra.

Tirei minhas horas de almoço, não para ir a shoppings ou andar pelas lojas da cidade, mas para observar os prédios centenários, e suas histórias que estão impressas em desenhos arquitetônicos. Passando pela Rua do Imperador D. Pedro II, encontro o antigo senado da província que data sua construção de 1730 e abrigou entre outros, o revolucionário e pernambucano Frei Caneca, morto por ordem de D. Pedro I, no forte das cinco pontas, e foi para história como um martírie da liberdade, esse mesmo forte também testemunhou em 23 de janeiro de 1654 a redenção dos holandeses, frente ao exército luso-brasileiro, mostrando o primeiro sentimento pátrio a permear o coração de uma nação que dava seus primeiros passos, não por acaso, aqui o Exército Brasileiro reconhecendo tal importância comemora o DIA DO EXÉRCITO, sabendo que sua origem é pernambucana. Passando pelo Palácio do Campo das Princesas, construção imponente que data da primeira metade do século XIX, trás esse nome em referência as princesas imperiais que adoravam os jardins do palácio, quando aqui se hospedavam. Lembrei também, que esse mesmo palácio foi palco dos grandes momentos da história pernambucana, das batalhas e tentativas de tomadas de poder.

Ruas impressionantemente cheias de histórias, mesmo que com a sensação de abandono, ainda há, em seus sobrados centenários os gritos da história que vislumbra aos olhos mais atentos. Como não se impressionar pelo testemunho da rua nova, onde, morto João Pessoa caiu, hoje é nome da capital paraibana, e  como resultado do seu infortúnio destino, deu espaço para implantação do Estado Novo, do  senhor então presidente Getúlio Dornelas Vargas, tudo isso é um passado que clama em silêncio, a um povo que tem  a fama de ter memória curta!

Muitos não sabem, porém a rua da aurora, que abriga construções como Ginásio Pernambucano (em homenagem ao imperador Pedro II, tem sua construção, o número dois em algarismo romano), Assembléia Legislativa, Museu de Arte Moderna, antiga câmara municipal e muitos prédios datados do século XVII e XVIII, no tempo em que os nobres e ricos não compravam casas em Boa Viagem, que por sinal nada mais era do que uma praia remota, a alta sociedade morava às margens do rio capibaribe, ser chique, era morar no centro do Recife.

Por fim, temos a primeira Sinagoga das Américas, hoje Rua do BOMFIM, antiga dos judeus e que aqui chegaram com os holandeses para fugir da perseguição no Antigo Continente, mas com a derrota dos flamengos, tiveram que fugir para outra terra promissora, chamada New York, e lá fundaram uma comunidade forte e que ajudou no desenvolvimento daquele país. O primeiro observatório Astronômico das Américas, chamada de Torre Malakoff, Forte do Brum,Casa da Cultura (antes cadeia pública até a primeira metade do século XX), Biblioteca Portuguesa; Teatro Santa Isabel; Palácio da Justiça. Toda essa história clama um encontro entre o recifense e o Recife, na verdade clama por um REENCONTRO, pois o Recife chama pela sua atenção a cada esquina, a cada entardecer.

É impressionante como pagamos fortunas para conhecer outros estados e países, e não sabemos a riqueza que representa nossa cidade, sua riqueza histórica, a riqueza do seu povo, dos seus mártires, da sua vida…

Todo pernambucano tem um pouco de Recife em suas veias.

Categories: História, Recife

A Potencialidade da Razão

Universidade é sinônimo de pluralidade de pensamentos, ou seja, a liberdade de pensar e expressar tais pensamentos são a maior contribuição que uma instituição de ensino pode oferecer a sociedade moderna. Contudo, a liberdade de pensamentos deverá ser pautada segundo conceitos científicos, o que na prática abole qualquer tentativa de focar o estudo da fé humana no meio acadêmico. E quando há uma tentativa de criar uma vertente comum em que religião e ciência possam caminhar e se completarem, o meio acadêmico é completamente avesso a esse pensamento, tendo em vista que os pensadores são limitados pela visão empírica que aparece como um elemento de controle da ávida liberdade de se expressar a um público cético e com conceitos preestabelecidos e que, quase sempre, não possui o menor interesse de entender fatos que podem ligar religião e ciência a patamares interligados e complementares.

A ciência é baseada na dinâmica dos seus fatores, isso indica que não há uma área de estudo que não tenha suas verdades contestadas e muitas vezes reformuladas sistematicamente ao longo dos anos, décadas e séculos. Teorizar sobre tudo é uma característica daqueles que se envolvem com a ciência. Saber que fundamentos elementares universais de determinado campo de estudos não é inquestionável e poderá em um dia passar a ser infactível e torna-se completamente obsoleto, essa realidade da ciência é um dos fatores de promoção da pesquisa, da disseminação do conhecimento e da busca por resultados concretos e satisfatórios, mesmo que esses possam mudar uma verdade constituída. O que dizer das Leis Newtonianas quando Albert Einstein questionou a teoria da gravidade e lançou a relatividade? E a teoria quântica formulada por Niels Henrick David Bohr? No fundo ciência é isso: transformação de verdades que nunca são absolutas e que seus resultados serão eternizados enquanto não houver uma justificativa teorizada que a derrube como lei universal científica.

A Filosofia, a ciência da filosofia, embora que o termo ciência não é muito aceito para a filosofia, mas é praticada nos meios acadêmicos como o vislumbramento do pensamento humano; sua origem e o mundo onde ele existe, segundo a visão antropocêntrica de Sócrates, mas que na verdade é a teorização do mundo segundo a visão de um determinado homem no seu tempo, isso quer dizer que, o filosofo cria sua interpretação de pensamento, homem, mundo, natureza e todas as interações entre estes, baseado na influência dos aspectos sociais, econômicos  e políticos do seu tempo. Quando falamos de Nietzsche, para muitos um grande filósofo, contudo suas afirmações filosóficas são um mero ataque a outras filosofias como a Socrateana ou as religiões como o cristianismo e o budismo. A questão é: as teorias filosóficas de Nietzsche têm embasamento científico? Claro que não. Nietzsche é um filosofo, como disse antes, de seu tempo e com uma forte argumentação ele protagonizou uma visão mais próxima da Escola Sofista da Grécia Antiga do século VI a.C. do que qualquer outra linha de pensamento que possua base científica. Porém Nietzsche é ovacionado nos meios acadêmicos como sendo uma fonte de inspiração para qualquer aspirante a cientista. Como isso pode ser?

Com isso, uma visão de determinado homem poderá ser um ataque deliberado a outros pensamentos desde que, não se posicione a favor da fé humana? Isso é ter uma visão dogmática contra as práticas religiosas. A ciência deve ser aberta ao ponto de se envolver seriamente em elementos da fé humana podendo, inclusive, apoiar sua fundamentação, isso inclui o envolvimento de cientistas das diversas áreas onde o homem possui suas crenças estabelecidas para conceder parâmetros científicos sérios e, com isso, nortear a fé para algo mais puro e livre dos preconceitos existentes entre os simples mortais e os cientistas modernos.

Chico Miranda

Categories: Religião & Ciência

A Potencialidade da FÉ

Fé (do grego: pistia e do latim: Fides) é a firme convicção de algo que seja verdade, sem prova de que este algo seja verdade, pela absoluta confiança que depositamos neste algo ou alguém. Acreditar é uma questão de fé, porém quando estamos no âmbito religioso é importante salientar que devemos ter um profundo conhecimento sistemático da fé humana sob a perspectiva religiosa, para que possamos entender a profundidade do que cremos e do que somos. Na verdade, quando afirmamos que acreditamos, tal afirmação nos leva a uma linha argumentativa que fundamenta a crença e o objeto da fé, isto é, a crença que professo é resultado daquilo que observo, herdo ou teorizo. Ninguém acredita em algo que não está fundamentado num raciocínio lógico próprio daquele que se crê, por exemplo, quando alguém afirma acreditar em Deus, significa que houve um argumento que o levasse a acreditar na existência de Deus através de uma observação, uma experiência pessoal ou recebesse como herança a fé em Deus, isso o levou a suas convicções religiosas. Não há uma só pessoa que diga que tem fé simplesmente por tê-la ou que acredite em algo que acha (?) que existe.

Fé, no sentido mais religioso, poderá se distanciar do seu significado descrito anteriormente, ao ponto de ser conceituada de forma diferente, isto tem sido bastante comum nas três religiões monoteístas do mundo. O acreditar em Deus, para muitos, seria uma incompatibilização com qualquer argumentação lógica-científica que possa levar os seguidores de tais religiões a questionar sobre a visão de Deus enxergada na óptica da religião que professam. Com isso, a fé, se entendida como um conceito tão rígido e dogmático ao ponto de não possuir uma racionalização daquilo que se crê, gerará seguidores fantoches alimentados por crenças manipuladoras formuladas para atender uma elite detentora do conhecimento e escravizar mentalmente e espiritualmente o homem cuja vocação principal é simplesmente aceitar por encomenda aquilo que ele pensa ser a verdade absoluta, o que, historicamente foi a condução da humanidade durante quase treze séculos, considerando o Concílio de Nicéia em 325 d.C até o estabelecimento do Iluminismo no século XVII e nos dias atuais, uma devastação teológica chamada NEO-PENTECOSTALISMO.

Quando colocamos crenças religiosas em confronto direto com o pensamento científico, ou em menor escala, quando confrontamos nossa fé com uma linha racional, estamos num plano mais amplo, ratificando aquilo que cremos. Claro que não estamos levando em consideração a extrema valorização das experiências ditas espirituais, que é o principal argumento, por exemplo, das correntes cristãs chamadas pentecostais, onde o emocional é o carro-chefe da fé. Porém, será que a experiência física-emocional é mais importante do que a racional? Refletir, pensar e questionar não são elementos importantes na formação do teólogo? E qual o motivo de não o ser para o leigo?

Muitos eruditos consideram o livro de Jó um conto judaico, e possuem uma linha argumentativa-científica defendendo que o mesmo fora uma criação proveniente da cultura oral, contudo tal argumentação é completamente inaceitável para muitos judeus e cristãos, já que o Livro de Jó constitui um Livro Sagrado dentro do cânon das duas religiões. O que pensar? Se for verdadeiro, isso destruiria a fé de ambas? Claro que não. Aceitar tal argumentação não fere a bíblia cristã ou a torá judaica, muito pelo contrário, eleva o Livro Sagrado a um discurso racional quando a base científica é comprovada, com isso, torna os cristãos e os judeus mais esclarecidos e mais próximos de uma visão científica que valoriza sua fé. Deixar que achados arqueológicos justifique e comprove um Livro Sagrado, deixará extasiado o crédulo e o tornará mais verdadeiro aos olhos dos incrédulos. Mesmo que não seja o objetivo principal, um documento de fé e prática, como é a bíblia cristã, pode passar uma comprovação histórica-científica que solidifique objeto da FÉ CRISTÃ, para tanto, é preciso que o homem cristão esclarecido possa saber onde há a convergência entre a FÉ e a CIÊNCIA.