A Polícia do Exército na FEB – Uma Tropa Preparada!
Já publicamos artigos sobre a formação de uma Tropa de Elite para compor os quadros da FEB para ser utilizada com poder de polícia no front. A Polícia do Exército foi concebida a partir de uma das instituições mais respeita do Estado de São Paulo, a Guarda Civil do Estado, que no esforço de guerra, cedeu todo o efetivo para formação dessa tropa, sendo a única tropa que desembarcou na Itália já ciente e capacitada para a missão. A Guarda Civil paulista posteriormente deu origem a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros.
O Corenel Paulo Adriano L. L. Telhada escreveu uma das poucas obras sobre essa estreita ligação entre a Força Expedicionária Brasileira e a Polícia Militar do Estado de São Paulo, em sua obra A Polícia de São Paulo nos campos da Itália.
As fotos aqui postadas foram do Grupo de Reencenação Histórica “Dogs of War”, que segue o link: Reencenação Histórica “Dogs of War”
- Desfile da Vitória
- Capa do Livro do Cel. Telhada
- Desfile
- Uniformes e Capacetes do V Exército
- Capacete original
- Tipico MP americano do V Exército, no centro do capacete a Tropa brasileira tinha a bandeira do Brasil
- Museum dos Oficiais da Reserva do Estado de São Paulo




















Quando me apresentei à PE para servir, em maio de 1.969, o Brasil era governado por militares.
Eu seria, então, o policial que os controlaria, que impediria excessos, que manteria a ordem.
Mas, eu tinha apenas dezoito anos, e me vi portando uma pistola Colt, calibre 45, um cassetete de borracha do outro lado da cintura (sim, era de borracha, abolido em 70, com o advento do bordão, de madeira), um braçal preto com as iniciais PE, e investido de uma autoridade surpreendente.
À noite, tínhamos aula com um capitão médico, na verdade psiquiatra, que nos chamava à atenção pela imagem, pelo respeito, pela postura que deveríamos ter perante à população.
Afinal das contas éramos uma tropa de elite e tínhamos que nos comportar como tal, ou seja, não seria porque pertencíamos ao Exército e, ainda por cima, exercíamos funções policiais que poderíamos exacerbar em nossas funções, longe disso, a sensatez, o bom senso, a educação, eram preponderantes no trato com quem quer que fosse, principalmente quando íamos atender uma ocorrência.
Assim, desde cedo, aprendemos a conviver com situações adversas, com pensamentos diferentes, a manter a linha, não desrespeitar a autoridade policial civil e nem da polícia militar (aqui, no Rio Grande do Sul, denominamos de Brigada Militar).
A população de Porto Alegre gostava de nós, pois nos distinguíamos dos demais, usávamos um fardamento diferente de outras guarnições, os coturnos eram primorosamente engraxados, eram amarrados com tirantes de paraquedas e desenhos nas laçadas, portávamos um talabarte com um apito, onde em situações de emergência poderíamos controlar o trânsito, haja vista que éramos especialistas no controle de tráfego, um preparo físico extraordinário, e todos nós já havíamos frequentado ou o Científico ou o Clássico, equivalente ao segundo grau, atualmente ensino médio completo.
Portanto, nossa escolaridade era superior à média dos soldados no Exército, justamente para que compreendêssemos as nossas obrigações e agíssemos de acordo com o esperado e estabelecido.
O RDE (Regulamento Disciplinar do Exército), praticamente sabíamos de cor, enfim, nos orgulhávamos de pertencer àquela guarnição e nos sentíamos honrados de prestar serviço militar e pertencentes ao glorioso Exército Brasileiro!
No final do ano fui promovido a Cabo, e dei baixa nesta graduação em 1.972, três anos depois.
Jamais deixei de me comunicar com amigos do quartel, aliás, pessoas que nunca esqueceríamos, e que se transformariam em grandes amizades, justamente pelos momentos importantes que havíamos passado juntos, pelos serviços feitos, pelo que nos haviam ensinado.
Meus três filhos serviram o Exército, e saíram oficiais.
Não seguiram carreira, mas fizeram parte do nosso EB.
Salve, Chico, a nossa Polícia do Exército, uma tropa preparada, de elite, que enaltece o soldado e distingue quem a comanda um dia.
Caro Bendl…..da mesma forma que tu,tb servi no grandioso III BPEx(1980), já no morro Santa Tereza..e tenhas certeza de que ainda hoje ressoa forte em meus ouvidos e no meu coração o brado :
Uma vez PE,sempre PE!
Forte abraço!