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Morre um Herói – Major Richard Winters
Diferentemente dos estereótipos heróis que tanto ilustram a cultura cinematográfica americana, Richard “Dick” Winters foi um exemplo dos soldados que combateram nas mais importantes batalhas do teatro de operações europeu durante a Segunda Guerra Mundial. Tenente Wintens fez parte da lendária Companhia E do 506ª Regimento de Infantaria Pára-quedista da 101ª Divisão Aero-Transportada, embora tenha alcançado a fama pela Série da HBO Band of Brothers, o seu grande mérito aconteceu nos campo de batalhas da França, Holanda e Alemanha. Dono de uma liderança invejável e de uma postura disciplinar exemplar, Dick foi a representação do soldado compromissado com sua missão, e por isso, é o modelo a todos os líderes de organizações militares e civis, cujo o envolvimento em suas atribuições torna-o um homem respeitado pelo seus superiores e exaltado pelos seus comandados.
O tenente Dick desembarcou na Normandia em 06 de junho 1944, durante seu salto perdeu seu armamento e perambulou pelas cercas vivas normandas até encontrar parte do seu pelotão e seguir para seus objetivos. Na manhã do dia 07, o Comando lhe repassa a missão de silenciar canhões de 105mm que castigavam os desembarques na praia chamada Utah, ele com apenas um grupo de 12 homens atacam aproximadamente 50 alemães que defendiam as armas, a batalha ocorreu ao sul de Le Grand-Chemin na localidade conhecida como Brécourt Manor, usando táticas inovadoras de combates com pequenas unidades, o tenente Winters expulsa a guarnição e consegue uma mapa preciso das posições das defesas alemãs na região. Até hoje, a Operação Brécourt Manor (como ficou conhecida), é estuda em West Point (Academia Militar americana), como exemplo de tática de combate. Pela atuação de Winters foi indicado para receber Medalha de Honra, infelizmente pela postura do governo americano em conceder tal honraria apenas a um militar por Divisão, concedida ao Tenente Coronel Robert G. Cole. A condecoração de Winters foi rebaixada para Distinguished Service Cross.
Durante a Operação Merket Garden Winters foi o responsável pela operação que enfrentou diretamente 200 soldados alemães, já como Capitão Winters passa a comandar o Batalhão enfrenta a Batalha do Bulge, na floresta das Ardenas, na Bélgica e como Major toma o Ninho da Águia, residência de campo de Adolf Hitler.
Por todos os seus feitos, ele foi convidado a permanecer no Exército, contudo não aceita o convite e resolve viver uma vida calma, muito embora tenha retornado na década de 50 para treinar os pára-quedistas para a guerra da coréia, não aceita novamente o convite para combater na linha de frente, dizia ele estar cansado de tudo aquilo. Dick resolve viver uma vida tranqüila vendendo ração animal para fazendeiros no estado da Pennsylvania, e lá aos 92 anos no dia 02 de janeiro de 2011 faleceu com suas lembranças dos amigos que viu tombar nos campos de batalha. Foi um herói, não um de filmes, mas um homem, que sofreu terrivelmente as perdas severas de um juventude que lutou para que o mundo pudesse conhecer a democracia do mundo livre, mesmo ainda falha, mas só foi possível porque uma geração deu seu sangue por ela, e Dick, foi um desses jovens que perdeu sua inocência lutando fora de seu país pela liberdade de outros, que ele nem mesmo conhecia.
Em honra aos mais de 400 brasileiros mortos nos campos da Itália e que, como Dick, acreditavam que estavam lutando pela liberdade das próximas gerações, inclusive a nossa!
We regret to inform you that our former commander Major Richard ´Dick` Winters passed away at the age of 92.
During Operation Overlord he became our commanding officer and led us through the most important hours of the battle. Many of us survived because of his leadership. After D-Day he stayed our leader through Operation Market Garden and after he was promoted and did his job in regimental headquarters his heart stayed with us and led us through several battles till the end of the war.
He was an incredible leader and a wonderful person. Also thanks to him we became A Band of Brothers where he was a part of. He was respected by all of us.
We want to express our condolences to his family and wish them strength in these difficult times.
May he rest in peace.
The eagle will always scream for our brothers !
Fotografia de Guerra –
Oficiais Nazistas – Essa foto foi oferecida por um familiar de um dos oficiais. A fotografia foi tirada no início da Campanha Russa, onde os êxitos de Hitler ainda ecoavam como um sino na cúpula do Wermack. Não podemos deixar de notar a boa aparência e um sentimento vitorioso revelada na foto.
Front Russo – Depois de expulso em Stalingrado os exércitos de Hitler se esforçam para tentar manter uma linha defensiva, evitando a todo custo, a perda de territórios conquistados. No final tudo em vão.
Bateria 88 – Um Grupo de Artilharia corre desesperado para conter os desembarques na Normadia em 06 de junho de 1944. Os Estado Unidos encabeçam a invasão com o objetivo de libertar a França, e expulsar os Nazistas . Durante o “Dia D” foram empregados 200 mil homens, e só na praia de Omaha Beach morreram 12 mil homens. Um preço bastante alto.
O Dia D + 32 – Apesar dos desembarques nas praias serem realizados com certo êxito, mesmo os que causaram enormes baixas, os Aliados não obtiveram muito sucesso nas incursões pelo interior da França, basta dizer que a região de Caen só foi inteiramente conquistada 32 dias após o Dia D. O Exército Nazista, mesmo com recursos escassos tentam impedir o avanço das tropas anglo-americanas.
O Desespero – O grosso das tropas que defendia a Normandia ocupada eram dos chamados batalhões OSTs – que são estrageiros recrutados nos territórios ocupados muitas vezes como prisioneiros de guerra, poucos preparados eles eram comandados por sargentos veteranos que ficavam atrás das metralhadoras com uma pistola, ameaçando qualquer ato de covardia com a pena capital imediata.
Stalingrado – Foi o primeiro grande fracasso da Alemanha hitlelista e causou um número de baixa de quase 300 mil homens, deixando a cidade completamente devastada. Hitler não permite que seja divulgado que o Exército do Marechal Pompeu se rendeu ao Exército Vemelho, e divulga que as tropas foram massacradas por estarem isoladas sem uma linha de suprimento.
Juventude Nazista – O sistema nazistia possuia um rede de educação que exercia domínio sob a juventude alemã. Por isso, desde cedo, os jovens eram impiricamente devotos na composição das fileiras do partido. Uma exemplo disso é a defesa de Berlim, que praticamente foi realizada por jovens dessas fileiras. Hitler aparece pela última vez na história para condecorar esses jovens nazistas.
Conflito Chega a Berlim – A Alemanhã não consegue impedir o avanço do Exército Vermelho vindos do oeste, e nem das forças dos exércitos americanos e ingleses vindos do leste. Seria uma questão de tempo para que o mundo visse um dos maiores tiranos cair com seu regime totalitário.
O dia em que o nazismo matou um craque*
Matthias Sindelar. Um nome simples para aqueles nomes confusos austríacos, mas no futebol, não era simples. Longe disso. Era um monstro.
Poucos sabem, mas a seleção austríaca era a grande potência do mundo todo nos anos 1930; era chamada de Wonderteam. Havia alguns grandes jogadores, como o artilheiro Bican, a muralha Raftl, e o zagueiro Schmaus, mas nenhum chegava aos pés do cerebral meia-atacante Sindelar.
Rápido, habilidoso, chutava bem com as duas pernas, e era disputado já por alguns clubes europeus, mas não. Preferiu ficar no seu clube de coração, o Austria Viena, por qual defendeu 13 anos de sua vida, de 1926 a 1939.
O “homem de papel”, como era conhecido devido à sua elasticidade, ganhou duas Copas Mitropa, a precursora da Liga dos Campeões, e também um campeonato austríaco. Mas foi na seleção austríaca que ganhou renome internacional. De 1930 a 1933, a seleção austríaca disputou 16 partidas, e atingiu a bagatela de 13 vitórias, 2 empates e 1 derrota, para Inglaterra, saindo aplaudida por quase ter vencido o jogo. Além disso, marcara 52 gols, uma média de mais de 3 gols por partida.
Na Copa de 1934, Sindelar jogou a primeira partida contra a França, e logo anotou o seu. Depois, nas quartas de finais, fez de tudo, dando diversos passes que poderiam ser gol. Não anotou o seu, mas foi o melhor em campo contra a Hungria. Mas a Áustria acabou eliminada quando enfrentou a anfitriã Itália (isso mesmo, a que jogava, e se perdesse, morreria). Isso, aliado à marcação desleal de Monti sobre Sindelar, eliminou as chances austríacas no mundial. Tanto que Sindelar nem jogou na disputa de terceiro lugar, pois saiu lesionado
Então, Sindelar continuou jogando seu futebol alegre e vistoso, pelo seu time Austria Viena. Até que chegaram as eliminatórias para o mundial de 1938, a ser disputado na França. Sindelar participou das eliminatórias pelo Wonderteam, e como era de se esperar, logo a Áustria esteve classificada.
Mas é aí que começa tudo. Se alguns sabem de história, já devem saber o que aconteceu no dia 13 de março de 1938; para os que não sabem, um breve resumo: a Alemanha, vizinha da Áustria, vivia sob um regime ditatorial de Adolf Hitler. O führer convidou o líder do partido nazista austríaco, Arthur Seyss-Inquart, para um jantar na casa dele. Então os dois trocaram algumas ideias, se tornaram amigos, até que no dia 13 de março de 1938, Seyss-Inquart anunciou a unificação da Áustria com a Alemanha. Então, a economia alemã melhorou, a vida melhorou, e um país a menos no mundo…
No entanto, isso também trouxe mudanças no futebol. Se tudo fosse simples, os craques austríacos jogariam sem problemas na seleção alemã. E isso até que aconteceu em parte, porque Raftl, Pesser, Mock, Hahnemann e Mock, antigos integrantes do Wonderteam, foram para a seleção alemã, a Nationaelf. Mas e Matthias Sindelar?
Sindelar era um homem de ouro. Não aceitava o regime ridículo, o preconceito obrigatório contra os negros, homossexuais, e, principalmente, judeus – até porque Sindelar era um. Como se não bastasse ser judeu, ainda era social-democrata. Oh, os nazistas ouviram isso. Matar? Estraçalhar? Trabalhos forçados? Depende. Se ele aceitasse defender a sua nova pátria, isso logo se esqueceria, e ele se tornaria um alemão legítimo. Mas Sindelar não era nazista! Odiava isso, e se recusou a defender essa seleção ridícula.
Hitler ficou louco; como pode, um jogador de futebol, profissão tão ridícula, não aceitar seu poder? Irado, acionou a Gestapo. Começaram a investigá-lo, e descobriram, também, uma partida entre Alemanha x Áustria, para comemorar a unificação, em abril de 1938, na qual Sindelar jogou por todos, foi o melhor em campo, e ao fazer um gol se dirigiu às tribunas onde estavam Adolf Hitler e seus comparsas. Começou a dançar, desrespeitando o ditador no meio dos alemães.
E também não aceitava as convocações, como foi dito antes. Com isso, a Gestapo, depois de muita investigação, decidiu dar um fim nele, com a justificativa de mau-exemplo para o povo austríaco – afinal, ele era um ídolo. Para ninguém desconfiar, esperariam 6 meses depois do fim da Copa do Mundo.
E então, Sindelar e sua namorada, coitada, foram mortos a pedido de Hitler. Intoxicados por monóxido de carbono, em seu próprio apartamento. E o homem que desafiou o nazismo estava morto. Perdera uma batalha, como se tivesse perdido para um adversário mais forte que ele. Como jogador, não bastava só um para lhe marcar. Eram preciso vários para tentar ter alguma chance com ele. O nazismo era exatamente o que podia vencê-lo. Vários jogadores, fortes, que usavam armas desleais dentro de jogo. E, abatido em seu quarto, enquanto estava dormindo, não teve tempo de usar sua agilidade, e sair correndo. Ou mesmo driblar os generais nazistas – nada disso foi possível.
E o maior jogador dos anos 30 acabara de morrer. Mas a memória dele, suas jogadas, quem o viu, nunca irá esquecê-lo. O maior austríaco de todos os tempos. Matthias Sindelar.
“Nesta casa, morreu no dia de 23 de janeiro de 1939, em circunstâncias pouco claras, o Rei do futebol de Viena, Matthias Sindelar, apelidado de “O homem de papel”. Sindelar, nascido em 10 de fevereiro de 1903, em Kozlau (hoje Kozlov, na República Checa), foi durante anos o coração e a cabeça do Áustria Viena e do legendário Wonderteam austríaco.
* Conteúdo retirado do blog: Fichas de futebol – http://fichasfutebol.blogspot.com

Perseguição a Clubes de Futebol durante a II Guerra Mundial
Por USP
Medidas influenciadas pela política nacionalista do Estado Novo obrigaram clubes a expulsar associados de origem estrangeira. Reuniões de diretoria só podiam ser realizadas com autorização da DEOPS
Pesquisa do historiador Alfredo Oscar Salun aponta que na época da entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial, em agosto de 1942, Corinthians e Palmeiras foram forçados a expulsar cerca de 150 sócios de origem estrangeira, inclusive alguns de seus dirigentes. Os dois clubes estavam entre as entidades atingidas pela legislação repressora do Estado Novo, especialmente de 1941 até 1945, quando aumentou o rigor na vigilância da polícia política aos grupos estrangeiros e seus descendentes.
Equipes mais populares da época, Palestra Itália (antigo nome do Palmeiras) e Corinthians atraíam grande número de torcedores de origem imigrante, muitos dos quais operários, caracterizando-os como times populares. “Quando o Brasil declarou guerra à Itália, Alemanha e Japão, a vigilância aos estrangeiros pela Delegacia de Ordem Política e Social (DEOPS) aumentou, devido a suspeitas de espionagem”, conta Salun.
“No Palestra Itália, predominavam os italianos, e no Corinthians havia também italianos, além de espanhóis, alemães e até árabes”, explica o historiador, que pesquisou os efeitos das medidas de nacionalização para sua tese de doutorado no Núcleo de Estudos de História Oral (NEHO) na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP.
Após a entrada do Brasil na guerra, o Conselho Nacional de Desportos (CND) baixou uma série de regulamentações para o esporte, em acordo com o projeto nacionalista do regime do Estado Novo (1937-1945). “Os clubes de futebol foram atingidos, tendo que expulsar dirigentes e associados estrangeiros, principalmente os ligados aos países do Eixo, rotulados como ‘Súditos do Eixo’.”
Vigilância
A desobediência às normas de nacionalização poderia levar ao fechamento dos clubes. “No caso do Palestra Itália, isso gerou rumores não confirmados de que dirigentes do São Paulo manobravam nos bastidores para tomar seu patrimônio”, relata Alfredo Salun. “Os boatos e a mudança de nome para Palmeiras, em 1942, tornaram o episódio marcante na história do clube e dos seus torcedores, ao contrário dos fatos ocorridos no Corinthians.”
A aplicação das leis levou a destituição do presidente do Corinthians Manuel Correncher, espanhol de nascimento. “O clube conquistou vários títulos na gestão de Correncher, considerado uma figura folclórica, comparada a de Vicente Matheus”, conta Salun. “A presidência foi assumida por Mario de Almeida, interventor indicado pelo CND, que ocupou o cargo por alguns meses, até o clube escolher um novo presidente.”
“Em um clube é uma história conhecida e celebrada e no outro, silenciada e apagada”, destaca o historiador. Nesse aspecto, o pesquisador desenvolve um trabalho em História Oral, com torcedores, jogadores e dirigentes. “Esses clubes não foram os únicos na capital paulista que foram alvos da repressão, mas tinham maior torcida e prestígio.”
Reuniões de diretoria dos dois clubes só eram feitas com autorização da DEOPS e a presença de um agente do órgão. “Os clubes também precisavam de permissão oficial para jogos fora de São Paulo, especialmente no litoral, devido a importância estratégica das regiões costeiras na Segunda Guerra Mundial.”
Após as expulsões, Corinthians e Palmeiras realizaram uma “campanha de nacionalização” para atrair novos sócios, nascidos no Brasil. “A imprensa da época viu essa iniciativa como uma prova de patriotismo”, diz Salun. “Os estrangeiros expulsos começaram a retornar aos clubes após 1945, como reflexo do final da Guerra, de medidas liberalizantes adotadas pelo governo de Getúlio Vargas e o fim da perseguição à ‘quinta-coluna’, espiões e os ‘Súditos do Eixo’.”
Publicado:
http://www.2guerra.com.br/sgm/index.php?option=com_frontpage&Itemid=1
Santa Cruz Futebol Clube nasce alvinegro
Em 1914, o futebol no Recife não era mais privilégio do Sport, Náutico e ingleses. Ele havia se alastrado começando a se popularizar e raro era o dia em que nos jornais não saíam notinhas comunicando a fundação de mais clube. Era o paulistano, Internacional, Centro Sportivo de Peres, Coligação Sportiva Recifense, Agros, Canxagá, Flamengo, Olinda, Botafogo, João de Barros (depois mudou para América), Velox, Americano e tantos outros. Chegou-se até a se fundar uma Liga, a recifense que teve poucos dias de vida. Jogava-se na campina do Derby (atualmente o campo da Polícia Militar no Quartel General), no jardim 13 de maio (atual Parque 13 de maio), no British Club, no Colégio São Vicente de Paula, em Olinda, e Areias. Jogava-se onde tivesse terreno baldio e até nas ruas se jogava.
Os jornais mais lidos da época, como o Pequeno, Diário de Pernambuco, a Província, e Recife, que antes davam mais ênfase às regatas e turfe, mudaram totalmente sua linha em relação ao futebol, cujo as notícias eram consumidas ferozmente pelo povo.
Eles não saiam mais espremidas numa coluna, como antes, mas em duas, três e até quatro! À falta de fotografias, encimavam o noticiário com gravuras, mostrando os jogadores disputando a posse de bola à frente de uma barra.
E foi no meio dessa empolgação pelo novo esporte que nasceu a 3 de fevereiro de 1914 o Santa Cruz Futebol Clube, idealizado por um grupo de garotos que, à noite, costumava a reunir-se na calçada da igreja Santa Cruz, do que resultou o nome da agremiação. A reunião foi na rua da mangueira (hoje Leão Coroado), casa número 2, bairro da Boa Vista.
No ano seguinte, quando o Santa Cruz filiou-se à Liga Sportiva Pernambucana, teve que alterar suas cores preta e branca de origem, isto porque o Flamengo (de Pernambuco), que também era alvinegro, não quis abrir mão daquilo que considerava um direito alienável. O Santa Cruz firmou-se também na mesma posição. Luiz Barbalho, fundador do clube disse que o impasse foi resolvido por meio de um sorteio. O que perdesse, mudava de cores. O Santa Cruz perdeu e transformou-se em tricolor até hoje.
Foi ainda de Luiz Uchôa Barbalho, segundo ele, a idéia de acrescentar o vermelho, pois queria que a bandeira do clube ficasse com as cores semelhantes às da Alemanha por quem torcia na Primeira Guerra Mundial, e que por isso mesmo ficou sendo chamado de germanófilo.
Ilo Just, primeiro goleiro do Santa Cruz, tem outra versão sobre a alteração das cores. Está dito por ele no Fascículo 2, Conheça o Santa Cruz, 55 anos de glórias:
Quando houve a criação da Liga, surgiu o problema do Flamengo, que tinha as mesmas cores nossa: preto e branco. Os dois não podiam ficar e o Flamengo permaneceu alvinegro. Ainda estávamos em dúvida com respeito às cores, quando passou por aqui o Flamengo, do Rio de Janeiro, que ia excursionar a Belém do Pará. Sua camisa era vermelho, preto e branco. Resolvemos nosso problema, acrescentamos o vermelho às nossas cores.
De fato, a passagem do clube carioca pelo Recife, naquela época, aconteceu. Viaja no paquete Rio de Janeiro, com destino ao Pará, aonde vai a convite da Liga paranaense jogar diversos matchs de foot-ball, por ocasião das festas do Tricentenário de Belém, o poderoso team do Flamengo do Ri, registrava o Diário de Pernambuco do dia 19.02.1915.
Tem razão ainda Ilo Just, quando afirma que as cores do time da Gávea, ao transitar por Recife, naquele ano, eram vermelho, preto e branco. Há inúmeras publicações sobre o futebol carioca que atestam esse fato, a mais recente delas, Campeonato Carioca – 96 anos de história, de Roberto Assaf e Clóvis Martins, está dito no histórico sobre o campeonato de 1916:
Na briga pelo tri, o Flamengo foi de fato uma das vedetes da temporada. Mas, temendo que a imagem do clube fosse definitivamente por água abaixo, sua diretoria, mudou, em fim, o uniforme. A camisa “cobra-coral”, semelhante à bandeira da Alemanha, principal protagonista da Primeira Guerra Mundial, foi substituída pela de listras vermelhas e preta.
Sobre a inclusão do vermelho às suas cores preto e branco, o Santa Cruz deu conhecimento à Liga no dia 16 de março de 1916, conforme consta no livro de atas da entidade. E dessa data em diante, o tricolor ficou sendo chamado também – a exemplo do que aconteceu com o Flamengo carioca em 1914/1915 – de cobra-coral.
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Um fato singular e inesquecível marcou o primeiro ano de vida do Santa Cruz. Todo mundo queria participar da primeira partida do clube, que tinha acertado um jogo com o Rio Negro, uma agremiação também nova e composta por sua maioria de garotos. Havia uma grande expectativa não somente por parte dos seus defensores, mas também por parte dos seus primeiros torcedores. O local do encontro foi o campo do Derby, o mesmo onde havia se realizado o primeiro jogo de futebol do Recife o Rio Negro e esforçou muito, porém não conseguiu se livrar de humilhante goleada de 7X0, imposta pelos meninos da Boa Vista (como eram conhecidos os jogadores do Santa Cruz), a grande figura do encontro foi o jogador Carlos Machado, que arrasou com a defesa adversária, fazendo 5 gols dos 7 assinalados. No final do jogo a euforia tomou conta de todos pelo grande triunfo.
A fragorosa derrota tornou-se, porém, um pesadelo para a turma do Rio Negro, que resolveu pedir revanche impondo as seguintes condições: o jogo seria no seu próprio campo, na Rua do Sebo, hoje Barão de São Borja, e o Santa Cruz não escalaria Carlos Machado, como era natural o pessoal do Santa Cruz estranhou a segunda condição, mas mesmo assim aceitou o desafio. Sem Carlos Machado, a reabilitação era quase certa, raciocinavam os jogadores do Rio Negro. O Santa Cruz respeitou fielmente o acordo feito e chegou a campo na hora certa. Discretamente, os diretores do Rio Negro conferiram se Carlos Machado, o homem que havia feito tantos gols na outra partida, estava entre os onze da Boa Vista. Não. Não estava.
Acabando o jogo, nova vitória do Santa Cruz e por uma placar muito mais elástico: 9X0. Carlindo Cruz, que havia substituído Carlos Machado, ganhou o Jose quase sozinho. Fez 6 dos 9 gols assinalados.
História do Futebol Pernambucano, Givanildo Alves – Ed. Bagaço – 1998 – 2ª edição










