Archive
Veículos Militares da Alemanha na Segunda Guerra
Quando se fala em blindados alemães a primeira coisa que lembramos são os panzes blindados consagrados pela Blitzkrieg, com isso deixamos de lado o excelente legado de veículos militares produzidos pela Alemanha no período da guerra, inclusive norteando a tecnologia para o pós-guerra. Portanto, vamos apresentar alguns dos veículos militares, blindados ou não, que foram utilizados largamente nas campanhas da Segunda Guerra pela Alemanha.
Causos e Contos da Força Expedicionária Brasileira – IV
O “Nabisco”
O jantar que serviam no navio de transporte de tropas que levava a FEB à Europa era tipicamente brasileiro mas, o almoço era genuinamente americano, cheio de produtos que a maioria dos nossos pracinhas nunca haviam visto ou provado o sabor. No primeiro almoço a bordo, nos serviram um certo “Nabisco Shereddee Wheat”, uma espécie de biscoito de farinha de trigo, que se apresentava sob a forma de um fio enrolado sobre si mesmo, muito seco e duro, parecendo com a forma de palha de aço. Logo surgiram os comentários,não só quanto ao nome “Nabisco”(iniciais da National Biscuit Company), que ficou célebre, tanto com relação ao gosto, como apresentação e o modo de ser comido.
O Doutor Sá Nogueira( 1º Tenente Médico do Batalhão de Saúde), que era médico em São Paulo, atrapalhou-se seriamente com o famoso “Nabisco”. Ao abrir o pacote, deu com o rolo de palha seca e, não teve dúvida, salpicou açúcar e provou. Não gostou. Então, experimentou outra porção com manteiga e sal. Também não aprovou o sabor. Tentou comê-lo puro, enfiando um bocado na boca. Cada vez pior. Quando já estava por desistir de comer esta iguaria, o Capitão Médico Dr. Álvaro Pais,que já havia estado nos EUA, explicou-lhe que aquele produto deveria ser embebido em leite, que se transformaria em uma papa saborosa.
“A passagem da linha do Equador”
Embora a FEB viajasse em um transporte de guerra, um acontecimento foi bastante comemorado por nossos soldados, a passagem pela linha do Equador, que rendeu homenagens ao Rei Netuno, que veio a bordo batizar os seus súditos.
Passava das 2 horas da tarde do dia 27 de Setembro de 1944, quando foi anunciado pelos alto falantes da presença do Rei Netuno e sua corte e, a frente seguia o embaixador de sua majestade( o Capitão de Corveta Paulo Antônio T. Bardy, vestido de pirata) abrindo alas para que os Rei dos Mares, que era outro senão o próprio Comandante Raul Reis. O Major Saldanha da Gama e o Capitão Amador Cisneiros, envoltos nas cortinas dos camarotes dos oficiais e usando perucas feitas de cordas desfiadas, eram o advogado de defesa e o promotor da corte, respectivamente. O Major Médico era o médico de sua Majestade,enquanto o Capelão de bordo era também o sacerdote, além de vários outros oficiais, marinheiros e soldados compunham o restante da corte.
Após os cumprimentos do General Cordeiro de Farias e das “altas autoridades”, houve uma ligeira confusão e, o Rei Netuno se aborreceu e mandou prender várias pessoas, que de imediato foram levados a julgamento, que ao final acabou por absolver todos réus.
Prosseguindo às brincadeiras, vários soldados foram batizados e, em homenagem aos fatos o Comandante do navio mandou distribuir dez maços de cigarro a cada soldado e, aos oficiais foram entregues diplomas, pelos quais adquiriam o direito de serem respeitados por baleias, serpente do mar, golfinhos, tubarões, lagostas e caranguejos, que eles guardaram como recordação desta histórica travessia.
O General Falconiére, que viajava no outro navio, telegrafou ao General Cordeiro de Farias nos seguintes termos: “Cumprimentando pela passagem do Equador, comunico situação e disciplina tropa ótima. Somente os artilheiros de bordo tiveram que ser amarrados em suas camas, com receio de grande choque de encontro à linha do Equador”.
No dia anterior o Comandante Raul Reis havia anunciado que daria um prêmio de cem dólares ao soldado que primeiro avistasse a linha do Equador.
Para mostrar o espírito esportivo que os soldados americanos possuíam em relação à nossa tropa, pode-se citar o boletim de bordo, documento oficial, assinado pelo Comandante e Imediato, que publicou o seguinte:
“Item 2 – Passagem do Equador – avisamos à tropa em geral que amanhã o navio atravessará a linha do Equador. Devem ser tomadas precauções especiais, pois muitas vezes se sente um choque muito violento, podendo até mesmo a hélice embaraçar-se na referida linha, se a passagem não for feita com muito cuidado”.
Texto extraído do Livro “A Epopéia dos Apeninos” de José de Oliveira Ramos
Causos e Contos da Força Expedicionária Brasileira – III
Alguns Causos enviados pelo Pesquisador Rigoberto Souza Júnior.
O 2º Escalão da FEB embarcou no dia 22 de Setembro de 1944, às 12:15 hs, rumo à saída da barra, de onde podia-se vislumbrar sem binóculo o relógio da Central de Brasil. As lembranças dos entes queridos que ficavam para trás daqueles montes, nos vinham nítidas à memória. Quando voltaríamos a rever essas praias saudosas? Quando voltaríamos a transpor essa barra, de regresso à nossa Pátria querida?
Vários causos podem ser lembrados nesta travessia do Atlântico rumo ao Teatro de Operações da Europa, que relatamos agora:
“Lá vem peixe – Lá vem tu-tu-tu”
O que chama a atenção no início do trajeto a bordo do General Mann, eram as ordens transmitidas a todo o navio, pelos inúmeros alto falantes, em inglês, para os americanos e, em português para os brasileiros. Estas ordens sempre eram precedidas por um agudo silvo, e os soldados logo aprenderam que depois do apito viria uma novidade, e gritavam: “Lá vem peixe, lá vem peixe!”
Uma das ordens mais comuns era para este ou aquele oficial ou marinheiro telefonar para o telefone 222, terminando as ordens pelo infalível “two, two, two”. Nossa rapaziada achava graça naquela história e gritava: “Lá vem o tu, tu, tu! Olha o tu, tu, tu!”
“Lixo, lixo!”
Muitos soldados se divertiam na popa do navio, formando duas alas, entre as quais passavam os marinheiros, encarregados de levar o lixo para o depósito. Os pracinhas gritavam: Lixo, lixo! Dizendo outras palavras inventadas, fingindo que falavam inglês.
Os americanos achavam graça e, pensavam que lixo queria dizer; “Abram passagem”, ou coisa parecida. Na volta os próprios americanos vinham gritando também: “lixo, lixo!”
“Confusões”
Muitas confusões interessantes ocorreram entre brasileiros que não sabiam falar bem o inglês e americanos que não sabiam falar bem o português.
O dentista do Q.G., o Ten Paulino de Melo, estava comendo um bombom perto de uma americano e, querendo ser educado perguntou-lhe assim: “Want you a good-good?” Ao que o americano lhe respondeu em ótimo português: “Não, obrigado, não gosto de bombom”.
Uma outra foi com o Sgt Enfermeiro Menésio dos Santos, que desejava visitar a enfermaria de bordo. Dirigiu-se à sentinela, com a frase já engatilhada: “Permit I visit the enfermar?” Respondeu-lhe a sentinela, que havia passado vários meses no Rio de Janeiro: “Não pode ser, cai fora!”
Extraído do Livro “A Epopéia dos Apeninos” de José de Oliveira Ramos
- Patrulha da FEB na região entre Montese e Fanano antes do ataque final
Causos e Contos da Força Expedicionária Brasileira – II
O Amuleto!
Um pracinha do 1º RI, foi escalado para tirar o serviço de sentinela na linha de frente. Quando entrou em forma, o sargento responsável pelo serviço, percebeu que o soldado estava com um sapato feminino pendurado a seu cinto de campanha. Ele chega bem próximo do ouvido do soldado, e começa a falar:
– Que merda é essa no seu cinto soldado? Tá mudando o uniforme de campanha? Ficou louco? – O sargento fala sem alvoroço.
O soldado, meio assustado com a reação do sargento, conta o motivo do objeto feminino estranho a uma soldado na guerra.
– Sargento, esse não é o meu primeiro serviço na linha, e esse sapato é da minha mulher, e me salvou a vida – falando já suspirando.
O sargento com cara de surpresa, arregala os olhos.
– Salvou sua vida? Como? – pergunta o sargento.
– É que quando eu sai do Brasil, não houve tempo de me despedir da minha mulher, já que ninguém sabia quando era o embarque, e sempre vinha aqueles cansativos treinamentos de embarque e desembarque, até que entramos no navio e chegamos aqui. Só que como eu moro próximo da Estação do trem que passamos para o porto, consegui ver minha mulher no caminho e ela me viu. Claro, a gente só se viu a distância, então ela pegou esse sapato e jogou e mim, gritando para que eu levasse o sapato comigo o tempo todo, para lembra dela. E eu sempre fiz isso. No meu último serviço na linha, eu estava guardando uma estrada, protegido por sacos de areia em cima de um pequeno morro. A noite, peguei o sapato para matar um pouquinho a saudade. Só que o sapato escorregou da minha mão e caiu no sopé do morro, fiquei com medo de ir buscá-lo, mas resolvi descer, não podia perder a única lembrança da minha mulher, e se eu voltar para o Brasil sem isso, vai dar merda pro meu lado. Assim que desci, e peguei o sapato, explodiu um granada de artilharia no meu posto, tudo foi pelos ares! Se não fosse o sapato eu não estaria aqui hoje, tinha explodido no meu posto. Portanto, o senhor pode me prender, mas esse sapato vai ficar exatamente onde está! – Fala decididamente
O sargento não pergunta mais nada, bate no ombro do soldado e leva o grupamento para o serviço na linha.
O brasileiro amigo da artilharia inimiga
O Sargento Rigoberto contou que certa vez, que a sua companhia estava sofrendo uma barragem de artilharia e todos estavam abrigados. Quando ouvia um dos pracinhas gritando cada vez que um projétil de artilharia passava por suas cabeças.
“Alta demais…baixa a Alça!” – quando o projétil passava muito alto.
E quando o projétil explodia à frente da Companhia ele reclamava com o inimigo.
– “Foi muito…aumenta a merda da Alça!!”
A cada tiro, o brasileiro tentava guiar a artilharia alemã. Até que o capitão, comandante da Companhia, resolveu tomar uma decisão:
– Tirar esse desgraçado da linha, antes que algum alemão que fale português entenda o que ele está falando. – E o soldado foi retirado da linha
O soldado corajoso para guerra, mas com alguns medos.
Certa vez, uma patrulha do 6º RI , comandado por um sargento, estava atuando próxima a uma pequena vila, quase abandonada. Quando resolveram descansar em uma casa mais afastada de dois andares. Eles resolveram ficar no segundo andar para poder observar o território. O sargento deu ordens para um soldado ficar de sentinela, enquanto o resto do grupamento descansava. A sentinela ficou próxima a uma janela, observando o movimento. Só que a casa tinha um caminho a sua retaguarda, e uma porta que dava acesso direto ao interior da casa. Quando o sargento percebeu, a casa estava com praticamente um pelotão de alemães alojados. Ficar ali, no segundo andar, era perigoso demais, qualquer barulho, chamaria a atenção do pelotão. Então o sargento observou um poste próximo a uma das grandes janelas da casa, e ordenou que os homens pulassem da janela para o poste, e descessem. Já no chão, poderiam se afastar e pedir apoio da nossa artilharia que não estava longe, tudo isso tinha que ser feito sem chamar a atenção do inimigo. Então, todos começaram a pular, um por um, até que ficou apenas o sargento com o soldado Inácio. Soldado considerado um dos mais combativos do regimento, voluntário para patrulhas. O sargento, mandou o Inácio pular, e o bravo soldado ficou estático e só balançava a cabeça – O que foi Inácio? Desce logo essa merda! – xinga o sargento.
– Não posso sargento, tenho medo de altura! – fala o corajoso guerreiro
– Como assim medo de altura? Você tá na merda, tá vendo o inimigo lá embaixo não? Pula logo, antes que empurre você pela janela!
Inácio, se prepara, chega até a janela e volta com lágrimas nos olhos!
– Sargento, consigo não! Tô quase me mijando de medo dessa altura! – fala já com lágrimas no olhos.
– Inácio, se tu num pular de vez, eu vou pular e deixar você resolver com os tedescos lá de baixo – ameaça o sargento
Outra tentativa, desta vez Inácio quase escorrega, e se agarra com o sargento, e chora! Já desesperado, os outros soldados gesticulavam para o sargento. Então ele olha pra baixo:
– O que é? – Pergunta o desesperado sargento
Um soldado que conhece o Inácio desde os tempos de escola, diz que Inácio tem mais medo de injeção do que de altura. Então é a solução! O enfermeiro que estava acompanhando a patrulha, jogou o seu estojo e dentro o sargento tirou uma injeção de penicilina, e já falando para o Inácio:
– O seguinte soldado, você vai pular dessa janela agora, se você voltar aplico essa merda em você – Aponta a seringa para o pobre soldado
Inácio, respira fundo, corre e se joga no poste. A técnica era se jogar com o pé batendo no poste de forma que pudesse cair girando no poste, afim de minimizar o impacto da queda, mas o guerreiro se jogou de pernas abertas! E o poste maltratou profundamente suas partes mais sensíveis, praticamente ficou estatalado, abraçado com o poste alguns segundos, até cair completamente no chão.
E todos ficaram felizes em ver o pobre Inácio gemendo no chão! Mesmo com todas as dificuldades a patrulha se afasta e aciona a artilharia brasileira, passando as coordenadas da casa com os inimigos.
- Fig. 1 – Soldado Francisco de Paula
- Integrantes do 9º BE
- Patrulha da FEB na região entre Montese e Fanano antes do ataque final
- Fig. 2 – Guarnição de artilharia da FEB. O soldado Francisco de Paula aparece ao fundo, o terceiro da esquerda para a direita, de frente para a foto, já ocupando a posição padrão do C3 – Sd carregador da peça
- Desfile da Vitória
- Patrulha Brasileira – Ao Fundo a Cidade de Montese
- Militares brasileiros fazem varredura em Montese após combate
- Patrulha do Tenente Iporan sob fogo inimigo
- 2º Pelotão à frente da 8ª do 11º RI deixando Montese após vitória contra os alemães
- Montese – Igreja e Torre detruídas após bombardeio de 1945
- Vista parcial de Montese após ataque
- Montese destruída pela fogo alemão e aliado
Sequência de um Ataque Antiaéreo Alemão Contra Paraquedistas!
Quando li a primeira vez a obra de Stephen E. Ambrose, O Dia D, fiquei fascinado por sua descrição no capítulo que abordava as Operações Aerotransportadas. Logo no início, ele já avisa que não há registro fotográfico dos saltos no território francês. Contudo, o relato das baterias antiaéreas abrindo fogo contra os Dakotas, que tentavam desviar dos tiros traçantes aumentando ou diminuído a altitude e tornando o salto dos paraquedistas um verdadeiro inferno. Isso aguçava a imaginação.
Já na Operação Market Garden houve sim registro fotográfico, mas são poucos os registros do lado alemão das operações antiaéreas contra as tropas aliadas. Por isso, o registro fotográfico abaixo é extremamente importante para termos noção como as baterias antiaéreas alemãs atuavam contra uma invasão do porte da Market Garden.
- Campo onde iniciará os desembarques
- Tropa aguardando os desembarques
- Os Aviões iniciam
- Os primeiros saltos
- A bateria
- ação
Na Guerra, Um Cigarro Era Tudo!
Na preparação para o Dia D, todos os soldados receberam um maço de cigarros para consumo durante a Operação Overlord. Quando estava na fila para receber o seu material individual que acompanhava o tal maço, um dos soldados não quis receber seu maço.
– Desculpe Sargento, mas eu não fumo – disse o soldado
O veterano Sargento da campanha da África, disse:
– Filho, pegue o cigarro e leve com você, quando chegar do outro lado do Canal você estará fumando!
O Soldado da 116 Ranges iria desembarcar no setor Dog Red na praia de Omaha.
Ao final daquele dia 06 de junho, o Soldado já tinha praticamente fumado todo o seu maço.
O cigarro e o cachimbo entrou para Rol das necessidades básicas do soldado na Segunda Guerra Mundial. Diferentemente de outros conflitos posteriores, tais como o Vietnã, onde o consumo de maconha era muito alto, na Segunda Guerra Mundial o cigarro era o único instrumento que visava relaxar o controle emocional para o soldado em campanha. Usado não apenas dos Aliados mais de todos os países envolvidos.
Foi a guerra do Lucky Strike
* Os malefícios do cigarro não eram totalmente conhecidos, pelo contrário, o cigarro era considerado agente que tranquilizava e relaxava os fumantes. Felizmente hoje sabemos da ação devastadora do uso do cigarro.
Bandeira Inimiga – A simbologia da Derrota
Quando em guerra, os espólios sempre foram o sonho de consumo dos exércitos vencedores. Não por acaso, quando as unidades americanas já como tropa de ocupação, passavam os dias bebendo comemorando a paz em terras conquistadas, eles enviavam através de um serviço do US Army esses espólios para os Estados Unidos, por isso, vários pequenos objetos chegaram nas casas de famílias americanas.
Ao final das hostilidades na Itália, nossos pracinhas também trouxeram toda a sorte de suvenir, dentre uma das mais curiosas, o soldado Giovanne trouxe uma Estátua de uma Santa que ele encontrou em uma igrejinha destruída no interior italiano. Entretanto o espólio mais comum eram as armas, nossos soldados trouxeram para o Brasil vários tipos de armas brancas, pistolas e até metralhadoras alemães.
Mas o espólio de guerra mais simbólico para um Exército era, sem sombra de dúvidas, a bandeira da nação inimiga ou do Exército enfrentado. Essa simbologia milenar não foi diferente na Segunda Guerra Mundial. Podemos encontrar centenas de fotos de soldados ostentando as bandeiras inimigas derrotadas. Inclusive, no desfile da vitória em Moscou as bandeiras nazistas foram devidamente humilhadas e destruídas para representar a vitória total sobre o regime.
Carnaval de 1945 e a Guerra pelo Carnaval!
O Artigo abaixo foi retirado e adaptado da obra As Fornalhas de Março – História das Eleições no Recife – Volume 1, de Romildo Maia Leite – Edições Bagaço, 2002. Uma excelente e obrigatória leitura para aqueles que querem entender como a Segunda Guerra Mundial afetou o cotidiano do brasileiro, mas especificamente do recifense.
__________________________
Como se justificar que, nestes dias de dor, de luto e miséria para a humanidade, se leve a efeito a realização de um carnaval já condenado pela sadia opinião pública do país. Esse foi o protesto do jornal A Gazeta, um jornal católico conservador da cidade do Recife que circulou na década de 40.
Alguns jornais e personalidades da vida social pernambucana defendiam que o Carnaval de 1945 não se realizasse, alegando que o clima era de consternação pelos mortos no conflito, inclusive vidas brasileiras, que se arrastava há mais de cinco anos. O rigor do protesto viria contra a festividade via em apoio a proibição do Chefe de Polícia do Distrito Federal (então na cidade do Rio de Janeiro), que proibia carnaval de rua, e apenas autorizava o carnaval em clubes e sem máscaras. O objetivo economizar gasolina e evitar a ação de agentes subversivos. Declara o Chefe de Polícia do Distrito Federal: “Os clubes de fechassem ao Frevo, pois se trata de uma dança muito violenta, que tem dado lugar a muitos incidentes”.
Em protesto, outras personalidades se levantaram em defesa da tradição da festa de rua mais popular do país. O jornalista Mário Melo em sua coluna no Jornal Pequeno, jornal tradicional da capital pernambucana, consolidou a defesa:
“Todos os anos, o inimigos do carnaval põem a máscara de fora, procurando pretexto que impeça e entretenimento popular. Um, o mais batido, já não provoca efeito: o carnaval tem suas origens no paganismo. No ano passado, não tínhamos soldados em guerra e não era possível fazer-se carnaval de rua, podendo, no entanto, ser permitido nos clubes. Traduzindo: a gente de colarinho branco e gravata, que bebe champanhe e gim, pode embriagar-se nos clubes, mas os pés raspados, que trabalham no duro, não!”
Muitos alegavam que não era certo que, não admitiam que o povo se atirasse no Frevo, enquanto no front de guerra nossos irmãos se batem denodadamente pela causa das Nações Unidas.
No dia 9 de janeiro de 1945, Mário Melo entra em um dos mais tradicionais Cafés do Recife com sua Crônica do Jornal do Commercio, bate no balcão e grita: “Por acaso, e em qualquer canto, deixou de haver algum banquete ou recepção festiva às altas personalidades por motivo de guerra?”
Em seguida o Cônego Jerônimo Assumpção, Vigário da paróquia da Boa Vista escreve:
– São Paulo, que é o Estado mais civilizado do país, está acabando com o carnaval: de ano para ano, cresce o ânimo das pessoas que dão as costas ao tumulto carnavalesco, procurando refúgio nos campos e nas praias. E a mesma coisa vem ocorrendo com a população carioca.
No dia 2 de fevereiro acabou a polêmica. A esquina do Lafayete presenciou o desmentido de que o carnaval era incompatível com a guerra. Ancorados no porto do Recife, Marinheiros do encouraçado São Paulo organizaram a troça Mimosas na Folia. E desfilam ruidosamente, cantando Carnaval da Vitória, de Nelson Rodrigues Ferreira e Sebastião Lopes.
Pela primeira vez vestidos de mulher. Musculosos e atléticos, os marinheiros de guerra do Brasil introduziram no carnaval pernambucano um hábito até então absolutamente carioca.
No porto da resistência democrática, ancoravam também frevo e povo. Alegres prostitutas, de braços dados com suados estivadores e marinheiros, desceram do cais.
No final sai nos principais jornais:
– Houve carnaval. A derrota do quinto-colunismo foi absoluta. Houve carnaval dos mais animados, o povo divertiu-se e está pronto para receber a notícia da derrota de Hitler…
________________
A galeria de fotos abaixo é de autoria do Pierre Verger de sua coleção do Carnaval de Pernambuco. É de 1947, mas não é muito diferente do Carnaval de Rua defendido por Mário Melo dois anos antes.
As fotos foram enviadas pelo poliglota, pesquisador, historiador, atleta da voz e contador de causos, Tenente Silvio Mário Messias.
O Schalke 04 e o Nazismo – A Alemanha e o futebol de Hitler
Em 22 de junho de 1941. Esta é uma das mais importantes datas da história moderna. Ainda raiva o sol, quando, bem no início da manhã, a Alemanha nazista cruzou as fronteiras com a União Soviética, lançando guerra contra o território vermelho.
Com a desculpa de responder a violações de fronteira, mas com a notória intenção de destruir o bolchevismo e a União Soviética, Hitler mobilizou uma colossal máquina de guerra para o front russo.
Mais de três milhões de soldados nazistas cruzaram a fronteira ocidental, percorrendo mais de três mil quilômetros, desde o mar báltico ao Mar Negro, dando início à chamada Operação Barbarossa – batizada assim por Hitler em homenagem ao monarca Frederico I, o barba-ruiva, um grande imperador alemão da Idade Média.
A campanha iniciada naquele dia se revelaria a mais longa, mais cara e mais feroz operação militar de todos os tempos, mas, naquele fim de semana, surpreendentemente, não era o tema mais comentado entre os alemães nas todas de conversa em Berlim.
A Segunda Guerra Mundial havia estourado há quase dois anos e já não era mais novidade para ninguém. Sobre aquele violento pano de fundo, a vida cotidiana corria e a guerra deixara de ser o assunto principal. Para os alemães, então, pelo menos no princípio, a invasão da União Soviética era somente mais um passo de um drama sem data para acabar.
Fôlego novo para o futebol
Naquele domingo de junho, no ano de 1941, Berlim acordou com a notícia de que as tropas nazistas haviam invadido o território de Stálin, mas aqueles dias não seria, para o alemão, o episódio mais importante do dia. Estava programada para acontecer naquela tarde, no Estádio Olímpico da cidade, a final de um importante torneio de futebol.
Lá, os campeões do Schalke 04, clube favorito dos adeptos do regime nazista, iriam enfrentar o Rapid Viena time que defendia a Áustria, país recentemente anexado à Alemanha. A partida prometia, e a rivalidade de política existente entre os dois lados só acentuavam o interesse da população alemã. O clima de decisão enchia de ansiedade os torcedores germânicos que carregavam a certeza: os jogadores do Schalke 04 certamente não iriam decepcionar.
Com ascensão do nazismo, o futebol alemão viveu um período de renascimento. A estrutura do jogo foi profundamente modernizada, o que aumentou o interesse das torcidas e escancarou o talento dos jogadores, que, de olho no crescimento do esporte , empenharam-se como nunca. O regime de Hitler foi mestre em explorar o potencial do futebol, o “teatro do povo”, como divulgador da imagem do movimento nazista. As estrelas dos times alemães passaram a se tornar verdadeiros garotos-propaganda da ideia de supremacia ariana.
A renascença do futebol alemão ocorreu quase que simultaneamente ao período do florescimento de um dos mais famosos clubes de futebol do país, o Schalke 04. Saído do humilde subúrbio industrial de Gelsenkirchen (na região de Ruhr)m o Schalke 04 amargou a derrota do campeonato de 1933 para, no ano seguinte, voltar a triunfar sobre o então favorito time do FC Nuremberg (região da Baviera). E este era apenas o começo de uma notável sequência de vitórias. O time chegou à final em sete dos oito campeonatos seguintes e conquistou o título em cinco deles.
Em 1941, na final do campeonato, o time do Schalke 04 enfrentaria u duro adversário, o Rapid Viena, que vinha de uma excelente temporada. A seleção nacional austríaca de futebol tornara-se uma das mais fortes do mundo nos anos de 1930. Depois de 1938, quando o país foi anexado à Alemanha e os times austríacos rapidamente impuseram sua presença na disputa pela Liga alemã de futebol, a rivalidade, então, cresceu.
Naquele ano o Rapid Viena venceu a copa alemã. No ano seguinte, em 1939, outro time austríaco chegaria à final: o Admira Viena, que ficou apenas com o vice-campeonato. Em 1940, novamente o time do Rapid estaria nas finais, mas não levou o título. A presença dos austríacos do Rapid Viena na final do campeonato de 1941 simbolizava, portanto, mais um indício do evidente crescimento do time.
A partida naquela tarde de domingo era um confronto imperdível para austríacos e alemães. Não fosse apenas a rivalidade no futebol, havia também uma acentuada rivalidade regional. Ignorando a origem austríaca do Führer, a cultura alemã de, tradicionalmente, fazer uma divisão norte-sul vigorava à todo vapor – protestantes contra católicos e “prussianos” contra austríacos.
Os habitantes do norte da Alemanha insistiam em colocar os austríacos em um patamar inferior. Já os nascidos na Áustria, por sua vez, viam os alemães do norte como incultos e arrogantes.
Em 1939, um episódio viria, então, exaltar ainda mais os ânimos. Matthias Sindelar, um das principais estrelas do futebol austríaco, morreu misteriosamente depois de recusar-se a defender a camisa alemã. Suspeita-se que Matthias tenha sido assassinado pelos nazistas.
Embates físicos tornaram-se comuns nas disputas entre os times austríacos e alemães. Em 1940, inúmeros jogos foram marcados por brigas. E a violência não ficava restrita às arquibancadas. Em uma partida entre um time da Luftwaffe de Hamburgo e um time de Viena houve uma série de incidentes violentos e o goleiro austríaco, após alguns confrontos brutais, deixou a partida seriamente ferido. Mais tarde, o jogador morreria no hospital.
O espírito competitivo cada vez mais contaminava as opiniões dos torcedores. O sentimento antinazista carregado pelos austríacos direcionava-se ao time predileto pelo regime de Hitler: o Schalke 04.
Cada vez mais próximo da administração nazista, os jogadores do Schalke passaram a receber honrarias do governo, como posições de destaque nas tropas nazistas AS. Os atletas que brilhavam mais, como Ernst Kuzorra e Fritz Szepan, eram, inclusive, utilizados como porta-voz da propaganda nazista. Até mesmo Hitler torcia pelo time. O Schalke passou, então, a representar o movimento nazista e, assim, os embates entre eles e qualquer time de Viena tornaram-se palco de muita violência. O jogador Kuzorra, por exemplo, foi nocauteado em um jogo, e, no encontro entre o time do Admira Viena e o Schalke, em novembro de 1940, uma limusine nazista e um ônibus do time alemão acabaram depredados. Por todas essas razões, àquela altura, o jogo de 22 de junho de 1941 interessava mais aos alemães do que a invasão nazista a União Soviética.
Texto Roger Moorhouse
Post Relacionado: Morte de Matthias Sindelar
Star Wars na Segunda Guerra Mundial
Primeiramente peço desculpas pela foto abaixo, é que enviaram essa foto e achei inusitada, então resolvi publicar…
As Imagens da Guerra – Combates
A Segunda Guerra Mundial foi um evento que forjou o destino das gerações seguintes, paradoxalmente as terríveis consequências dessa guerra, recebemos como herança, além do repúdio pelos acontecimentos referente ao evento, uma quantidade expressiva de tecnologia que foi desenvolvida durante o período ou em imediatamente após, portanto não exagero dizer que recebemos uma parcela da Segunda Guerra, muito embora nenhum benefício justifique a perda de milhões de vidas em uma período tão curto. E para quem ainda tem dúvidas sobre os males que esse evento quase apocalíptico trouxe, não melhor do que trazer imagens que mostrem como os homens podem ser cruéis durante uma guerra, e que mesmo separados por intervalo de mais de 7 décadas, ainda não aprendemos a não usar a guerra como instrumento de opressão. Mudamos de época, mas não de guerras. Portanto segue as imagens de guerra com ênfase em combates:
Segunda Parte: As Imagens da Guerra – Combates Parte II
As Melhores Fotos da Segunda Guerra – Conferências e Rendição
- A Conferência de Casa Blanca – Marrocos em Janeiro de 1943
- O Presidente Roosevelt aparece bastante debilitado
- O Presidente debate os problemas britânicos em 17 de janeiro de 43
- Presidente Roosevelt, General Henri Honoré Giraud, Charles de Gaulle de Winston Churchill
- As conversas são uma forma de padronizar as operações dos Aliados
- Cúpula Militar Britânica
- Conferência da Crimeia
- Stálin, pressionará os demais Aliados para abir um novo Front
- As três potências
- Os três foram os responsáveis pela virada na guerra
- Conferência de Potsdam, na Alemanha. Roosevelt morrera e Churchill perdeu as eleições
- Stálin? Pergutou a Churchill por que ele não mandava matar seu opositor político
- Alguns Historiadores Afirmam que o Presidente Truman disse a Stálin:”Temos a Bomba!’
- BOMBA Atômica seria detonada contra o Japão para garantir a derrota final
- Assustado, Stálin diz: “Que Bomba?”
- Enquanto isso…As esposas conversam….conversam….
- Conferência de Quebec
- Conferência de Quebec
- Rei Saud da Árabia Saudita tem conferência com Roosevelt.
- Comitiva do Rei pousa pra fato oficial
- Rendição Alemã
- O general Jodl assina a rendição incondicional. Rheimn, França. 7 de maio de 1945
- O general Jodl assina a rendição incondicional. Rheimn, França. 7 de maio de 1945
- Gen. Smith assina para os EUA
- Eisenhower e a comitiva americana
- Rendição Japonesa – USS Missouri na baía de Tóquio
- Rendição Japonesa – USS Missouri na baía de Tóquio
- Comitiva japonesa
- Grande Festa
No Dia D – Hitler Dorme do Ponto
Logo que o sol nasceu no dia 06, o piloto alemão Adolf Bärwolf recebeu a ordem de decolar da base de Laval para um voo de reconhecimento. Depois de sobrevoar Cean e virar à esquerda no Rio Ornem, ele e seu auxiliar viram centenas de carcaças de planadores inimigos espalhados pelo campo. Bärwolf fotografou a cena e rumou para o mar, onde pôde avistar mais de 50 embarcações. Estava claro que havia chegado o dia da invasão.
Quando o piloto voltou a sua base, eram cerca de 6h, e o desembarque dos Aliados mal começara. Com as informações, as temidas divisões blindadas que estavam posicionadas a oeste das praias da Normandia poderiam agir com rapidez. Os tanques iniciaram o deslocamento por determinação do marechal Gerd von Rundstedt, que pediu autorização para agir. No entanto, o contra-ataque só foi lançado entre as 14h30 e 15h pela 21ª Divisão Panzer da SS. Motivo da demora: somente Hitler, comandante em chefe das Forças Armadas, poderia dar a ordem.
Eram 7h30, Von Rundstedt recebeu a informação de que o Füher dormia. Em seu refúgio em Berghof, nos Alpes bávaros, o ditador nazista havia pegado no sono apenas à 3 horas. Ninguém queria acordá-lo por causa de “relatórios não confirmados” de invasão. Segundo depoimentos, auxiliares só teriam chamado o ditador depois das 10 horas. Outros dão conta de que ele teria levantado sozinho quando já passava do meio-dia. Ao ser informado da magnitude do ataque, Hitler desdenhou: “A notícia não poderia ser melhor. Enquanto estavam na Grã-Bretanha, não poderíamos alcançá-los. Agora estão onde podemos destruí-los”.
O Füher tinha um encontro com diplomatas e políticos da Hungria, Romênia e Bulgária. Ao entrar na sala estava radiante: “Começou, afinal!”. Logo depois, desenrolou um mapa da França e disse ao comandante da Luftwaffe, Hermann Göring: “Eles estão desembarcando exatamente onde esperávamos!”. Göring preferiu não corrigi-lo.
A Grande Guerra Em FOCO
A partir de amanhã (05/04), estaremos abrindo uma série de POSTS até o próximo dia 11/04, com pelo menos uma publicação por dia, todas relacionadas a Grande Guerra. Teremos os principais confrontos e histórias interessantes, além de fotos exclusivas de alta qualidade.
Comentem ou mandem email: blogchicomiranda@gmail.com
E para começar segue abaixo uma raridade. O modelo francês de uma dos tanques mais utilizados, o Mark V.
A visão americana do Brasil!
O Vídeo tem uma afirmação de Charles de Gaulle: “O Brasil não é uma país para ser levado à sério”.
O Brasil é um país que não deve ser levado à sério.” – Frase atribuída ao general, mas de origem negada por historiadores. Eles dizem que a frase é do embaixador brasileiro na França, Carlos Alves de Souza, dita ao jornalista Luiz Edgar de Andrade, na época correspondente do “Jornal do Brasil” em Paris. Depois de discutir com De Gaulle a “guerra da lagosta”, em 1962, quando barcos franceses pescavam o crustáceo na costa brasileira, Souza relatou a Edgar o encontro dizendo-lhe que falaram sobre o samba carnavalesco “A lagosta é nossa”, das caricaturas que faziam dele (De Gaulle), terminando a conversa assim: “Edgar, le Brésil n’est pas un pays sérieux”. O jornalista mandou o despacho para o jornal e a frase acabou outorgada a De Gaulle.
Soldados Brasileiros de Hitler
Hitler teve centenas de soldados brasileiros em suas tropas Professor da Universidade Federal do Paraná lança livro sobre os brasileiros com dupla cidadania que lutaram pela Alemanha na Segunda Guerra Marina Lemle
É bem possível que brasileiros tenham lutado contra brasileiros na Segunda Guerra. No recém-lançado livro “Os soldados brasileiros de Hitler” (Editora Juruá), o historiador Dennison de Oliveira sugere, com base no número de repatriados da Alemanha para o Brasil entre 1946 e 1949, que algumas centenas de brasileiros lutaram sob a bandeira da Alemanha nazista. É provável, portanto, que alguns tenham enfrentado tropas da Força Expedicionária Brasileira (FEB) na Itália, embora não se conheçam registros oficiais.
Apesar do tabu acerca do tema, o professor da Universidade Federal do Paraná decidiu investigar a história desses indivíduos que prestaram serviço militar para o inimigo. A idéia surgiu a partir de um trabalho de Oliveira e seus alunos no Museu dos Expedicionários em Curitiba. Ao conhecerem a história de alemães que lutaram na guerra pela FEB, se questionaram se o contrário também teria ocorrido.
A resposta foi sim. Através do autor de um polêmico livro revisionista, Oliveira teve acesso a seis brasileiros que foram “soldados de Hitler”. Entrevistou quatro integrantes do exército alemão e dois membros da Juventude Hitlerista, incumbida do resgate de feridos, desabrigados e corpos durante a guerra.
“Por razões óbvias, a experiência de vida desses indivíduos, suas memórias e vivências, ficaram até recentemente silenciadas. O tabu contra os indivíduos que prestaram serviço militar sob a bandeira do inimigo, bem como a revelação, ao fim da guerra, do real significado do projeto nazista (genocídio, escravismo, racismo, totalitarismo etc), trabalharam para que a aparição desse tipo de relato permanecesse praticamente impossível”, explica o autor no início do livro.
Para atribuir à casa das centenas o número de soldados brasileiros que lutaram pela Alemanha, Oliveira baseou-se nos relatos do coronel do Exército Brasileiro Aurélio de Lyra Tavares, comandante do escritório da Missão Militar Brasileira aberto em Berlim em março de 1946.
De acordo com o coronel, antes mesmo de iniciados os trabalhos, a repartição já havia recebido um volume substancial de pedidos de brasileiros que pleiteavam repatriação para o Brasil. Quando o escritório abriu suas portas, havia filas permanentes em torno do prédio. Ao fim das atividades da Missão em dezembro de 1949, o coronel Tavares havia contabilizado o envio para o Brasil de 2.445 brasileiros e 2.752 estrangeiros, uma vez que o plano de repatriação incluía também os membros alemães das famílias.
Segundo o coronel Tavares, 83% dos pedidos referiam-se a brasileiros que haviam entrado na Alemanha entre 1938 e 1939 – período entre a anexação da Áustria e o início da guerra.
Oliveira explica que talvez jamais se saiba com exatidão quantos destes indivíduos eram do sexo masculino e se encontravam no grupo etário recrutável para o serviço militar pelo regime de Hitler. Mas, levando-se em conta que o ingresso na Juventude Hitlerista – organização que colaborava com o exército – era obrigatório a meninos e meninas a partir dos 14 anos, pode-se estimar em centenas o número de brasileiros que atuaram no regime nazista.
Para as crianças entre 10 e 14 anos, a filiação na organização JungVolk, controlada pelo regime, também era obrigatória.
Segundo Oliveira, os brasileiros recrutados eram em maioria filhos de famílias alemãs nascidos no Brasil, que retornaram à Alemanha para estudar ou trabalhar na década de 30, geralmente com suas famílias. Com a guerra, não puderam mais retornar ao Brasil e foram convocados pela sua também pátria.
De acordo com Oliveira, os brasileiros engajados pelas forças alemãs sempre agiram e lutaram como os outros alemães. O livro registra um caso único de um soldado que se recusou a lutar contra seus compatriotas brasileiros na Itália. O soldado apelidado pelos colegas de Der Amerikaner (o americano) tinha consciência de que podia se tornar responsável pela morte de antigos amigos recrutados pelo exército brasileiro e também sofrer represálias por ser um “traidor” do Brasil, caso fosse capturado.
Uma curiosidade é que a maior dificuldade dos combatentes ao voltar para o Brasil foi a falta do certificado de cumprimento das suas obrigações militares para com as Forças Armadas brasileiras, pré-requisito para o exercício da maior parte dos direitos civis. Segundo Oliveira, eles contornavam o problema cumprindo penalidades leves, como o pagamento de uma multa, ou recorrendo a soluções informais.
Com a publicação, que resultou de uma pesquisa sobre cidadania e nacionalidade entre teuto-brasileiros no período 1919-2004, o professor espera incrementar a historiografia da segunda guerra do ponto de vista de quem a perdeu, contribuindo para o conhecimento sobre diferentes dimensões sociais e humanas do conflito.
“A validade do exame e preservação desse tipo de memória sempre foi amplamente reconhecida: os testemunhos daqueles que viveram, trabalharam e – neste caso – lutaram pelo III Reich pode nos fornecer pistas importantes para o entendimento de uma série de eventos que tornaram o nazismo e a Segunda Guerra Mundial possibilidades históricas”, acrescenta.
Apesar de discordar da visão política dos entrevistados – a maioria é revisionista e até negacionista, isto é, nega que a Alemanha tenha começado a guerra e promovido o extermínio de milhões de pessoas em campos de concentração – Oliveira reconhece que desenvolveu uma relação de amizade com eles, tanto que dedicou-lhes o livro.
Questionado se seus entrevistados realmente acreditam no que dizem, Oliveira afirma que a negação dos fatos “é uma atitude política consciente”. “Eles têm um orgulho patriótico da Alemanha”, diz Oliveira, doutor em Ciências Sociais pela Unicamp.
Os entrevistados do livro insistem em apontar a responsabilidade da Grã-Bretanha pela eclosão da Segunda Guerra Mundial, que, alegando defender a integridade das fronteiras polonesas, declarou guerra à Alemanha, mas não à URSS, que também havia invadido aquele país, como resultado do acordo Molotov-Ribentrop de agosto de 1939. “Fica evidente o esforço de se sublinhar o oportunismo britânico, ao mesmo tempo em que se invalidam as alegações de caráter ético ou de solidariedade que usualmente são associadas à atitude da Grã-Bretanha”, relata o pesquisador.
Os ex-combatentes também destacam os bombardeios aéreos de anglo-americanos contra as cidades alemãs, que teriam resultado na morte de pelo menos seiscentos mil alemães, além de feridos e mutilados. “Os alemães também sofreram com a guerra e é importante que se avance no conhecimento deste sofrimento – bem como o de todos os envolvidos”, explica Oliveira.
O próximo livro de Oliveira falará sobre os soldados alemães de Getúlio Vargas.
Fonte: Revista História Biblioteca Nacional
III Reich – EM CORES – LIFE
Aos olhos da imprensa internacional o III Reich fez várias iniciativas para transparecer um regime forte, organizado e de grande coesão. Por isso, toda a imprensa era convidada a participar das festividades nazistas e seus comícios suntuosos e com alto grau de culto à pátria. Segue abaixo o acervo da revista Life que durante todos os anos 30 e início dos anos 40 registrou as várias faces exibidas pela Alemanha Nazista.
Piloto Russo abatido em 1942
|
|
Michail Gavrilov
Abril 1942 o Tte. Michail Gavrilov já era um piloto experiente. Participara de várias missões com seu IL-2, e abatido várias aeronaves alemãs. Condecorado por bravura, tinha 26 anos de idade, casado, 1 filho.
Foto de Família
Os Ilyushin IL-2 Sturmovik e seus pilotos tiveram participação decisiva na Segunda Guerra, para conter os avanços alemães. Durante a Guerra foram fabricados mais de 36.000 IL-2. Sua cabine não era blindada, o que ressaltava a coragem e heroísmo de seus ocupantes.
Ilyushin IL-2 Sturmovik, orgulho da aviação russa da Segunda Guerra
30 de Abril de 1942 foi um dia comum no front soviético, novamente vencido pelos Sturmovik IL-2, que abateram 36 aviões alemães, e perderam apenas 9. Porém, uma destas perdas permaneceu envolta em mistério durante décadas. O IL-2 de Gavrilov, após reportar situação de ataque na região de Demyannsk, simplesmente desapareceu. Os restos da aeronave nunca foram encontrados.
Abril de 2010, um grupo de militar de sondagem que encontrou na região um caça russo “enterrado” num pântano, e após vários dias de escavação esclareceu: O IL-2 de Gavrilov e seus restos mortais, extremamente bem conservados após 68 anos de espera.
Fotos da escavação e restos do avião
O Tenente Gavrilov ainda vestia sua farda, capacete e botas de batalha, mas não estava com sua identificação, arma, pára-quedas e relógio, o que significa que o avião foi encontrado e saqueado.
Corpo mumificado de Gavrilov ainda com o capacete (a cabeça foi encoberta)
A identificação foi feita pelo código do avião, número de série do motor e pelo facto de estar ocupando a cabine do piloto da aeronave…
O potente motor depois de limpo. Perfeito estado de conservação
Supõe-se que ao atacar o acampamento inimigo, o IL-2 de Gavrilov foi atingido por uma bateria anti-aérea, obrigando-o a uma aterragem forçada.
A resposta se Gavrilov morreu durante a aterragem ou se foi executado em solo pelos alemães será dada pelos peritos. Triste fim para um importante membro da mais corajosa equipe de pilotos da Segunda Guerra.
Curiosidade
Gavrilov não foi o único. Em 2008 o piloto Boris Lazarev foi encontrado no seu avião durante sondagens de uma empresa de Topografia. Os pântanos europeus possuem alta concentração de Tanino, que inibem a proliferação de bactérias. Por isto os corpos são naturalmente “mumificados”, permanecendo intactos durante centenas de anos.
Prisioneiros de Guerra do Dia D!
Não foram poucos os Prisioneiros de Guerra do Dia D, tanto do lado dos Aliados quanto do lado da Alemanha.
- Soldados rumando para Inglaterra. Espantados com o desembarque avassalador dos Aliados
- Informações dos Aliados já revelavam a idade avançada dos soldados que lutavam na França
- Por recomendações médicas os PGs estão vestidos desta forma. Aguardam transporte para Inglaterra e de lá EUA
- Marinheiro americano ensina nó a PG alemão
- Alimentação reforçada
- Prisioneiros em forma
- Diversão a bordo
- Revista do Comandante da Embarcação em Oficiais alemãos
- Oficiais nazistas capturados
- Soldados nazista Móngois – Os estrageiros do Reich
- Em forma para o embarque
- Prisioneiros ainda nas praias
- Rendição nas Praias
- Em marcha para o embarque
- Rendidos
- A caminho para as embarcações
































































































































































































































































































