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Carnaval de 1945 e a Guerra pelo Carnaval!

 O Artigo abaixo foi retirado e adaptado da obra As Fornalhas de Março – História das Eleições no Recife – Volume 1, de Romildo Maia Leite – Edições Bagaço, 2002. Uma excelente e obrigatória leitura para aqueles que querem entender como a Segunda Guerra Mundial afetou o cotidiano do brasileiro, mas especificamente do recifense.

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Como se justificar que, nestes dias de dor, de luto e miséria para a humanidade, se leve a efeito a realização de um carnaval já condenado pela sadia opinião pública do país. Esse foi o protesto do jornal A Gazeta, um jornal católico conservador da cidade do Recife que circulou na década de 40.

Alguns jornais e personalidades da vida social pernambucana defendiam que o Carnaval de 1945 não se realizasse, alegando que o clima era de consternação pelos mortos no conflito, inclusive vidas brasileiras, que se arrastava há mais de cinco anos.  O rigor do protesto viria contra a festividade via em apoio a proibição do Chefe de Polícia do Distrito Federal (então na cidade do Rio de Janeiro), que proibia carnaval de rua, e apenas autorizava o carnaval em clubes e sem máscaras. O objetivo economizar gasolina e evitar a ação de agentes subversivos. Declara o Chefe de Polícia do Distrito Federal: “Os clubes de fechassem ao Frevo, pois se trata de uma dança muito violenta, que tem dado lugar a muitos incidentes”.

Em protesto, outras personalidades se levantaram em defesa da tradição da festa de rua mais popular do país. O jornalista Mário Melo em sua coluna no Jornal Pequeno, jornal tradicional da capital pernambucana, consolidou a defesa:

“Todos os anos, o inimigos do carnaval põem a máscara de fora, procurando pretexto que impeça e entretenimento popular. Um, o mais batido, já não provoca efeito: o carnaval tem suas origens no paganismo. No ano passado, não tínhamos soldados em guerra e não era possível fazer-se carnaval de rua, podendo, no entanto, ser permitido nos clubes. Traduzindo: a gente de colarinho branco e gravata, que bebe champanhe e gim, pode embriagar-se nos clubes, mas os pés raspados, que trabalham no duro, não!”

Muitos alegavam que não era certo que, não admitiam que o povo se atirasse no Frevo, enquanto no front de guerra nossos irmãos se batem denodadamente pela causa das Nações Unidas.

No dia 9 de janeiro de 1945, Mário Melo entra em um dos mais tradicionais Cafés do Recife com sua Crônica  do Jornal do Commercio, bate no balcão e grita: “Por acaso, e em qualquer canto, deixou de haver algum banquete ou recepção festiva às altas personalidades por motivo de guerra?”

Em seguida o Cônego Jerônimo Assumpção, Vigário da paróquia da Boa Vista escreve:

  – São Paulo, que é o Estado mais civilizado do país, está acabando com o carnaval: de ano para ano, cresce o ânimo das pessoas que dão as costas ao tumulto carnavalesco, procurando refúgio nos campos e nas praias. E a mesma coisa vem ocorrendo com a população carioca.

 

No dia 2 de fevereiro acabou a polêmica. A esquina do Lafayete presenciou o desmentido de que o carnaval era incompatível com a guerra. Ancorados no porto do Recife, Marinheiros do encouraçado São Paulo organizaram a troça Mimosas na Folia. E desfilam ruidosamente, cantando Carnaval da Vitória, de Nelson Rodrigues Ferreira e Sebastião Lopes.

 Pela primeira vez vestidos de mulher. Musculosos e atléticos, os marinheiros de guerra do Brasil introduziram no carnaval pernambucano um hábito até então absolutamente carioca.

 No porto da resistência democrática, ancoravam também frevo e povo. Alegres prostitutas, de braços dados com suados estivadores e marinheiros, desceram do cais.

No final sai nos principais jornais:

– Houve carnaval. A derrota do quinto-colunismo foi absoluta. Houve carnaval dos mais animados, o povo divertiu-se e está pronto para receber a notícia da derrota de Hitler…

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A galeria de fotos abaixo é de autoria do Pierre Verger de sua coleção do Carnaval de Pernambuco. É de 1947, mas não é muito diferente do Carnaval de Rua defendido por Mário Melo dois anos antes.

As fotos foram enviadas pelo poliglota, pesquisador, historiador, atleta da voz e contador de causos, Tenente Silvio Mário Messias.

Serie: Causos de Brasileiros na Segunda Guerra Mundial – Parte II

 A pedidos. Vamos mais um vez contar alguns “causos” dos nossos pracinhas. Desta vez, fiz questão de incluir alguns casos que os pracinhas da Regional Pernambuco nos relataram através de depoimento. Alguns casos eu preservo os nomes já que o teor é um pouco…digamos…Forte!

Jeitinho Brasileiro

Quando a 10ª Divisão de Montanha se instalou próximo ao acampamento brasileiro, os nossos pracinhas começaram a sentir a falta de vários objetos de uso pessoal, uniformes e mantimentos. Então os soldados se reuniram e foram falar com o Comandante de Companhia, este, ouvindo as queixas prometeu entrar em contato com o pessoal da 10ª Divisão.

Então lá vai o Capitão brasileiro falar com o Capitão americano sobre os pequenos “desaparecimentos”.

O americano escutou atentamente as ponderações do brasileiro e no final, disse que não iria se preocupar com esse tipo de problema, que estava em zona de guerra, e que, para ele, isso era normal e não deveria ser uma censura para seus homens.

Retornando, o Comandante brasileiro reúne sua Companhia e diz o seguinte:

– Pessoal! Está tudo liberado! Nem o comando americano e nem o brasileiro irão punir qualquer tipo de conduta em relação aos furtos que acontecem entre nossas Unidades.

Algumas semanas depois o Capitão americano pede para falar com o brasileiro.

Pede desculpas pelo mal entendido e leva-o até o pátio onde há três caminhões carregados de todo tipo de objetos pessoais e mais outras coisas. E fala o seguinte:

– Entendemos que erramos quando não nos preocupamos com essa conduta, creio que essa carga supre todo o material desaparecido de sua tropa…Agora, veja se consegue restituir os 05 caminhões, 8 jeeps e um tanque da nossa Companhia.

Da noite para o dia as Companhias brasileiras apareciam com novos veículos com o Cruzeiro do Sul desenhado e tudo, inclusive alguns pracinhas juravam que tinham chegado do Rio de Janeiro de navio com eles desde o início da guerra.

Senha? P…Nenhuma!

O Comando americano sempre enviava senhas e contrassenhas em inglês, e o comando brasileiro, em operações em conjunto, tinha que manter as senhas. Na prática o pracinha não queria saber de senha, que passava a ser os xingamentos.

Conta o sargento Rigoberto do 2º Batalhão do 11º RI, Companhia anti-carros, que posteriormente foi revertida em companhia de fuzileiros. Estava em uma patrulha para detectar um corte na linha de transmissão da companhia. No caminho acabou chegando em  uma casinha, e se instalou por alguns instante ali. Quando viu um grupamento se aproximando, um dos soldados gritou – quem vem lá? A resposta veio da seguinte forma:

Tá me reconhecendo não Filho da p… Manda tua mãe pra cá! Seu filho da p…

Em resposta ele escuta:

 – Tu num tem mãe, pois mãe que manda o filho para a guerra é melhor parir um rolo de arame farpado!

 E assim nossos soldados iam se entendendo do jeito brasileiro de se comunicar!

Soldado de Engenharia que é “Pau pra toda Obra”

 Certa vez o soldado Geraldo recebeu uns dias de descanso em Florença e para lá seguiu. Chegando em um Hotel administrado pelos americanos, foi longo procurando um lugar onde tivesse algumas mulheres para desfrutar suas moedas de ocupação. O militar que o acomodou informou que, para manter a integridade física da tropa, ele tinha que escolher dentre as mulheres escaladas para esse tipo de atividade e que mandaria a escalada em um horário determinado.

Chegando no horário, uma bela senhoria passou a lhe fornecer informações importantes quanto a saúde sexual e sobre a discrição do seu trabalho. Fez recomendações quanto a limpeza e a sua identificação. Depois partiram para o ato sexual.

Ao final, a jovem pediu para que ele esperasse até que viesse um soldado para ajudá-lo no asseio. Mesmo estranhando, ele esperou! Chegou um enfermeiro que iniciou um processo de “higienização” de suas partes íntimas, acompanhado de um banho com produtos farmacológicos misturados na água.

Isso o deixou impressionado e feliz pelo tratamento VIP recebido.

Esse mesmo soldado, ao voltar para sua cidade, no interior de Minas, foi recebido com direito a banda de música, discurso em praça pública ao lado do prefeito e tudo que tinha direito.

Depois das festividades, ele recebeu um convite para ir à noite ao Bordel local. Evidentemente, o nosso vigoroso pracinha não baixou a guarda.

Ao chegar no “baixo meretrício”, a dona do Bordel deixou claro que seria tudo por conta da casa, mas ele tinha que discursar. E lá vai mais um vez nosso eloquente pracinha!

Segundo o próprio, o discurso pátrio no Bordel foi tão fervoroso que no outro dia pela manhã, todos na cidade sabiam o teor do discurso do nosso soldado.

Esse é nosso Veterano “pau para toda obra!”

A Festa Longe do Front! Era uma FESTA!

Uma coisa muito interessante na Segunda Guerra Mundial era o tratamento que era dispensado aos soldados que tiravam licenças para sair do front. Os Exércitos Aliados criaram uma doutrina até então completamente diferente de tudo que se poderia imagina. Com a ideia de que eram necessários pelo menos 20 anos para formar um bom soldado, os serviços de assistências se desdobravam para dispensar aos militares, toda a sorte de serviços para que o mesmo pudesse esquecer, pelo menos por algumas horas ou dias, os horrores dos combates. Para tanto ofereciam Bailes, Festas recheadas de bebidas e mulheres, estadias em hotéis e outros entretenimentos. Não por acaso, vários pracinhas da Força Expedicionária Brasileira relatam os dias felizes que tiveram em suas folgas pelas cidades da Itália. Evidentemente tudo controlado dentro dos padrões americanos de observância da lei e da ordem, mas que, depois de algumas garrafas de uma boa bebida, sempre havia confusão. Por isso a Miliry Police (MP) era uma figura sempre presente nos animados locais de diversão. Não por acaso, a MP brasileira também desempenhou a função da Itália. De tanto necessária, o general Zenóbio da Costa resolve implantar, em tempo de paz, uma tropa que se especializasse em trazer disciplina, onde os ânimos se exaltavam, era a Polícia do Exército dando seus primeiros passos no Rio de Janeiro no pós-guerra.

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Epa!!

Ferrou, tudo!

Olha a PE americana!

Fotos: David Scherman

Pelotão de Sepultamento – A Difícil Missão de Enterrar um Combatente

Não foram poucos os casos que os mortos nos ataques a Monte Castello e nas patrulhas subsequentes dos meses de dezembro e janeiro de 44 e 45 respectivamente, foram deixados no local onde caíram, sendo resgatados depois dos ataques de fevereiro de 45, alguns só puderam ser sepultados depois da guerra. Infelizmente essa tarefa árdua era uma atividade do Pelotão de Sepultamento, comandado pelo 1º Tenente Lafayette Vargas Moreira Brasiliano, estando ligado ao Serviço de Intendência da Divisão Brasileira. Esses soldados tiveram que enfrentar além da discriminação dentro da própria tropa, a dura missão de identificar e sepultar brasileiros com o respeito devido. Segue uma pequena explicação da obra do Joaquim Xavier da Silveira, A FEB por um Soldado.

 “O serviço de intendência tinha ainda entre as suas obrigações uma bem dura: sepultar os soldados mortos, serviço feito pelo Pelotão de Sepultamento. No começo a atividade foi difícil, mas aos pouco essa unidade foi conquistando respeito e admiração pela dedicação com que realizava a tarefa. Os primeiros mortos foram sepultados nos cemitérios de Tarquinia, Follorica e Vada. Quando a FEB foi lutar no Vale do Reno, instalou-se um cemitério em Pistóia, para onde  foram removidos os corpos enterrados em outros cemitérios, lá permanecendo até seu translado definitivo para o Monumento aos Mortos da II Guerra Mundial, no Rio de Janeiro.

Assim que caía morto, o soldado brasileiro era transportado pelos companheiros para os postos de coleta. O pessoal do Pelotão de Sepultamento fazia a identificação, anotava os dados necessários e levava o corpo até a cova no cemitério militar. Cada soldado tinha pendurado em seu pescoço duas chapas metálicas de identificação. O pessoal do Pelotão destacava essas placas, colocando uma entre os dentes do combatente morto e a outra na cruz de madeira que marcava a cova.

O serviço de sepultamento era realizado muitas vezes em condições penosas e perigosas. Com a vitória em Monte Castello, o Pelotão de Sepultamento foi remover os cadáveres dos que tinham caído nos ataques anteriores. Isso foi feito ainda sob fogo do inimigo, que jogava granadas na região. Havia minas ainda não desativadas e, sobretudo as boody-traps armadas embaixo de corpos. Essa armadilha exigia de cada um prévio e cuidadoso exame. Os corpos, já em estado de decomposição, eram carregados em padiolas até o ponto em que pudessem ser transportados de jeep. Foi sem dúvida uma tarefa dura que o pessoal do Pelotão de Sepultamento executou com correção e, sobretudo, dignidade, pois a cada morto eram prestadas honrarias fúnebres.”

Fonte: Siveira, Joaquim Xavier da. A FEB por um soldado – Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército Ed.; Rio de Janeiro Editora Expressão e Cultura – Exped Ltda, 2001

“Conspira contra a sua própria grandeza, o povo que não cultiva seus feitos heróicos”

Monumento aos Mortos da Segunda Guerra Mundial no Aterro do Flamengo

Eunucos da Segunda Guerra

Este relato foi extraído do Livro “E foi assim que a Cobra Fumou” da Major Elza Cansanção de Medeiros.

            Casos divertidos aconteceram em todos os setores de nossa gloriosa FEB e, quando as enfermeiras estavam indo para o Teatro de Operações da Itália, viajavam de acordo com a disponibilidade dos aviões que partiam do Rio de Janeiro.

            Do segundo grupo a deixar o Brasil, fazia parte a Srta. Lúcia Osório, mulher bonita e descontraída, de gênio alegre, desencanada e que nunca levou desaforo para casa. Quando ela chegou a Dacar, cansada da extenuante viagem, a primeira coisa que tratou de fazer foi tomar um banho refrescante.

            Como não tinham o posto de Oficial, ficaram alojadas com as moças da Cruz Vermelha que trabalhavam como assistentes sociais. Despreocupadamente, entrou no banheiro e começou a se deliciar com a água fresca, mas de repente, o sabonete caiu-lhe das mãos quando estava de costas para a porta do box e, abaixou-se para apanhá-lo, e deparou-se com uma mão preta que também estava tentando apanhar o objeto.

            Seu olhar apavorado seguiu a mão, subindo pelo braço forte e negro, até que surge um sorridente negro que lhe entregava muito solícito, o sabonete. Lúcia pôs-se a gritar e tratou logo de apanhar uma toalha e, o rapaz prestimosamente alcançou a mesma e ainda tentou envolvê-la em seu corpo, fazendo com que ela cada vez se desesperasse mais ainda.

            A esta altura, com todo o nervosismo além do inusitado da situação, esqueceu o inglês e o francês e, gritando em português para que o mesmo se retirasse de seu apartamento. O sorridente serviçal, abriu-lhe a porta do quarto, que ao ser passada foi batida com toda a força e trancada imediatamente.

            Ao aproximar-se da cama, outra surpresa! Suas roupas estavam perfeitamente arrumadas sobre ela, na ordem exata pela qual deveria ser vestida. Então, Lúcia arrumou-se apressadamente e tratou de sair correndo em desabalada carreira em direção ao comando da base, para protestar contra a falta de segurança, que havia possibilitado a entrada daquele intruso em seu aposento.

            O Coronel a recebeu, e ficou surpreso com a reação de sua hóspede. Depois de se inteirar da queixa, ele deu uma sonora gargalhada, o que aborreceu ainda mais a Srta. Lúcia.

–        Não se preocupe, pois não há nada de errado. Ele está lá para isso mesmo, sendo encarregado de atender às senhoras, não se preocupe, pois não representa nenhum perigo, é completamente inofensivo.

–        Como é que é inofensivo um brutamontes deste!

–        Calma, ele é realmente inofensivo, pois é um EUNUCO!

            Lúcia ficou pasma com a revelação. Em pleno século XX, ainda existiam eunucos?

–        Olhe Coronel , eunuco ou não, quando estiverem brasileiras por aqui, é melhor o Senhor tirá-los de lá, pois nós não estamos acostumadas com eunucos, e não os aceitamos, ainda mais um eunuco deste. Estou apavorada!

–        Mas Miss, ele está lá justamente para ajudá-las a lavar as costas, arrumar suas roupas, etc.

–        Pode deixar Coronel, brasileira não gosta que ninguém lhe lave as costas nem nenhuma parte do corpo. Deixe que fazemos isto sozinhas!

            Ao voltar ao alojamento, Lúcia trancou todas as portas e janelas.

            –  Eu hein, contou a Lúcia depois – sei lá se o outro que entrasse também era da mesma confraria? Eu é que não quis me arriscar…

 

 

Enfermeira Lúcia Osório

Artigo enviado pelo pesquisador Rigoberto Souza Júnior.

A Artilharia da Força Expedicionária Brasileira

       Quando a 2ª guerra mundial começou, o Exército Brasileiro acabara de receber da Alemanha uma primeira remessa de peças de artilharia de 75 mm fabricada pela Krupp, que na sua época era o que havia de mais moderno em matéria de Artilharia de Campanha. O novo sistema biflecha permitia aumentar o seu movimento em direção cerca de 10 vezes mais, o número variável de cargas dava-lhe maior facilidade de manuseio e, o seu carregamento semiautomático aumenta em muito a sua capacidade de tiro. O restante do pedido ficou retido no porto de Lisboa proibido de prosseguir viagem por pressão do governo da Inglaterra.

             Com a entrada no Brasil na guerra, recebemos obuses de 105 e 155 tracionados a motor e que já apresentavam sobre o material alemão algumas novidades, sendo mais evidentes a utilização de trajetórias curvas, o aumento do calibre e o fato de serem auto rebocados. Nessa época, a variação da nomenclatura militar já motivava alegres comentários por parte de nossa tropa e, como os Regimentos organizados se chamavam ROAuR(Regimento de Obuses Auto Rebocáveis), foram apelidados de Auauau( os praças diziam: “Pertenço ao 1º ou 2º Auauau).

             A Divisão de Infantaria Expedicionária, que se preparava na cidade do Rio de Janeiro comportou logo logo uma Artilharia Divisionária constituída por três grupos de 105 mm e um de 155 mm. Vale ressalvar que o choque entre novas e velhas ideias surgiram, mas rapidamente a doutrina americana predominou.

             Com o embarque do 1º escalão da Força Expedicionária Brasileira, seguiu o II/1º ROAuR, sob o comando do competente Coronel da Camino, tendo como oficial de operações o Major Ramiro Gorreta Júnior. Do seu aquartelamento em Campinho, seguiu a pé para a estação ferroviária de Madureira, onde embarcou em direção ao Porto do Rio de Janeiro.

             Chegando na cidade de Nápoles(Itália), ficou acampada na cidade de Bagnoli e pouco tempo depois seguiu por rodovia e via férrea para a milenar cidade de Tarquínia, onde recebeu seu material e armamento. Da cidade de Tarquínia, deslocou-se em caminhões para a cidade de Vada, em marcha noturna.

             Neste novo acampamento, um grande parreiral em época de colheita, iniciou intensos preparativos para estar em condições de apoiar o 6º RI, que seria em breve lançado à luta. De toda a sua dotação, só não recebeu nesta oportunidade, seus L-4(aviões de ligação e observação).

            No dia 13 de Setembro de 1944 deslocou-se par a cidade de Ospedaleto, estando próximo o batismo de fogo. No dia 15 de Setembro entrou em posição na Região de Monte Bastione, em apoio ao 6º RI, e às 14:22 horas do dia 16,lançou o primeiro obus contra o inimigo. Foi um momento de grande emoção para todos, quando o barulho do canhão assinalou a abertura das hostilidades.

            O fato das operações iniciais da FEB terem se caracterizado por ser uma autêntica marcha para o combate, a 1ª Bateria realizou um lance no dia 17 de Setembro, a fim de assegurar a continuidade do apoio, ocupando posição na Região de Le Corti. Em seguida o grupo deslocou-se em direção a V. Lippi, C. D’Babano e Torcigliano, e durante o este mês foram utilizdas 3.182 granadas.

            Aos primeiros dias do mês de Outubro de 1944, enquanto a 2ª Bateria permaneceu apoiando as ações do 6º RI, a maioria do grupamento seguiu para a Região de Pietrasanta para reforçar a Artilharia que apoiava a 92ª Divisão Americana(conhecida como Cabeça de Búfalo, que era constituída apenas por negros), que em vão, tentava prosseguir no setor costeiro.

            Da cidade de Pietrasanta o grupo retornou para apoiar a tropa brasileira, ocupando posição ao Norte de Borgo a Mozzano, na Região de Cardozo. Durante este deslocamento, através de uma picada que era desaconselhada a sua utilização por parte dos oficiais que fizeram o reconhecimento do terreno, que nosso material ficou dois dias atolado na lama.

            O chuvoso mês de Outubro terminou com o grupo na cidade de Fornacci di Barga, apoiando a Infantaria Brasileira na conquista da cidade de Lama di Sotto. O contra ataque alemão, visando proteger a posição chave de Castelnuovo di Garfagnana, encerrou o ciclo operacional de Destacamento Brasileiro no Vale do Sercchio. O mês de Outubro consumiu 6.630 tiros.

            No dia 5 de Novembro de 1944, o Grupo já se encontrava no novo setor do Reno, ocupando seu PC em um sobrado nas proximidades da ponte de Silla, que foi impiedosamente martela pela artilharia inimiga. Neste sobrado, que apresentava numerosos buracos feitos por granadas, o Posto de Comando sofreu um grande ataque de metralhadora  de um avião inglês, levando um motorista americano a falecer.

            Desde o dia 1º de Novembro de 1944, o Grupo passou ao controle da Divisão de Infantaria Divisionária, e no dia 15  foi incorporado à AD/1E. Os outros três grupos de Artilharia, chegados com o 2º e 3º escalões da FEB, entraram em ação beneficiando-se da experiência do II/1º ROAuR.

            Do relatório do Grupo, mandado confeccionar pelo S3, o Major Ramiro Gorreta Júnior, pode-se extrair os seguintes dados:

            “O II/1º ROAuR cumpriu, de 15 de Setembro a 31 de Outubro de 1944, cerca de 1500 missões de tiro, sendo que 847 delas com observação terrestre, 21 com observação aérea, e 683 não observadas.

            Estas missões se repartiram em regulações, tropas, inquietações, metralhadoras, morteiros, baterias, propaganda, pontos fortes, postos de comando, postos de observação, veículos, tiros de cegar, áreas de bivaque, pontos de reabastecimento, pontes, tiros de deter, barragem defensiva, barragem fixa, bombardeio fixo, preparação de contra ataques”.

        Os artilheiros do V Exército Americano nos advertiram das manhas inimigas, que procurava atingir a retaguarda dos infantes em progressão, para fazer crer que eles estavam sendo atingidos por fogo amigo.

             A  Artilharia da Força Expedicionária Brasileira, sob o comando do General Osvaldo Cordeiro de Farias, somente começou a atuar como Artilharia Divisionária nas ações do Vale do Rio Reno e da Ofensiva da Primavera, apoiando o bravo infante da defensiva gelada, na demolição das linhas inimigas e na fulminante perseguição ao sul do Rio Pó. Fica claro que os riscos corridos pelos artilheiros foram incomparavelmente menores que os dos infantes das companhias de fuzileiros, mas foi um trabalhoso e duro, igualmente importante para a vitória ante o inimigo.

             Enquanto o pé de poeira dormia velado pelos sentinelas, o artilheiro estava a postos, martelando sem cessar os pontos assinalados pelo infante, quase sempre assustado e nervoso nos fox-hole.

            “A  Artilharia é a Arma da vigília”

 

            É à noite que ela se remunicia, que se desloca, que  prepara as posições, que estende seu manto protetor sobre a Rainha da Armas.

             No dia 15 de Novembro de 1944, o comandante da Artilharia Divisionária, jubilosamente anunciou a sua entrada em ação:

            “Nossa  Artilharia, com a maioria dos seus meios, entra hoje em linha. Esta data deve, por todos nós, ficar perfeitamente assinalada, porque representa a objetivação do nosso grande desejo de sermos efetivos combatentes para a feitura de um mundo melhor e mais justo.

            O estágio de treinamento na Itália foi dispensado e devemos caracterizar este fato, porque é ele o prêmio do nosso esforço no Brasil de preparação para a guerra.”.

             Abaixo, transcrevemos o item relativo à Artilharia numa das ações da FEB – 3º Ataque ao Monte Castelo:

ARTILHARIA

  1. 1.      Missão
  • ações em proveito do dispositivo de ataque ao Monte Castelo e do dispositivo de defesa dos subsetores Leste e Oeste.
  • participação eventual na contrabateria a executar pela Artilharia do IV Corpo.

  1. 2.      Repartição
  • apoio direto

                     Ao I/1º RI – I grupo

                     Ao III/11º RI – II grupo

            Aos Subsetores Leste e Oeste – III grupo

  • ação de conjunto – IV grupo
  • reforço – A artilharia do IV Corpo reforçará as ações em proveito do ataque.

                        3.  Fogos

  • preparação do ataque terá por fim a neutralização das posições alemãs, particularmente as de Monte Castelo e permitir a melhoria de base de partida, com duração de 40 minutos.
  • apoio imediato entendimento entre os comandantes de grupos e batalhões apoiados e desencadeamento a  pedido.
  • proteção conquista o objetivo intermédio do Grupamento: de H até + 15 sobre Monte Castelo, Della Caselina e Cota 1036.
  • conquista do objetivo final: de H 1 até H 1 + 15 em La Serra e Cota 1036.
  • e H ! até H 1 + 30 no Morro de La Torracia e Salciccia
  • de deter após conquista de 01 após conquista de 02 face aos subsetores Leste e Oeste.

            “Este post é dedicado ao Veterano Manoel Clementino de Morais(In Memoriam) e ao Cel  Art Ernesto de Lima Gil”

           

Manoel Clementino de Morais(In Memoriam)

 

Cel Art Ernesto de Lima Gil

Memorial Day – NO BRASIL JÁ!

Hoje nos Estados Unidos comemora-se o Memorial Day, é um feriado onde se referencia a memória daqueles que morreram por seu país. Essa é uma cultura que, infelizmente, não temos e, muito provavelmente, nunca teremos. Nosso país, diferentemente dos Estados Unidos, não se envolve em guerras. Contudo, como aconteceu lá nas terras de Tio Sam, aqui pátrios também perderam a vida em solo estrangeiro, lutando pelo seu país. Pelo menos os que morreram achavam que estavam morrendo por isso.

Não me venham com falácias sobre a participação pífia do Brasil na Segunda Guerra ou, até mesmo, sobre os conchavos políticos de Vargas, isso não vale, pois quem derramou seu sangue pelo seu país no ataque a Montese, em abril de 1945, e foi morto lutando à frente de seu pelotão, foi o Aspirante e Herói brasileiro Francisco Mega, ele morreu lutando pelo seu Brasil, diferentemente dos inúmeros políticos corruptos da atualidade, ele deu o que tinha de mais valioso, sua vida. E o que o Brasil lhe deu em troca? Esquecimento! Se o Sargento Max Wolf pudesse ver o futuro, será que ele teria se arriscado tanto? Será que ele abdicaria do convívio de sua filha Hilda, se soubesse que o mesmo país que o enviou, também o esqueceria? E que os jovens brasileiros de gerações posteriores acolheriam como heróis jogadores de futebol com milhões de dólares em suas contas e nenhum amor pelo Brasil, e não saberia quem foi Max Wolf? Ou qualquer outro brasileiro que lutou e morreu na Segunda Guerra? Ora, meu povo brasileiro, de tantos ídolos e alegres músicas, como podes esquecer, ignorar, menosprezar e até xingar homens corajosos que deixaram sua juventude para lutar por uma causa, que bem ou mal, era a Tua Causa? Como jovens podem amar o que é estrangeiro, idolatrar grandes personalidades de outras nações, enquanto há um desconhecimento geral de quase 500 corpos brasileiros sepultados no Rio de Janeiro. Onde? No Rio de Janeiro! Quantos cariocas sabem que existem no Aterro do Flamengo esses heróis sepultados? E Pernambuco? Apenas 12 mortos na Itália! Apenas? Quantos monumentos há para lembrar? Nenhum! Ou melhor, UM! Onde? Parque 13 de Maio, centro do Recife! Isso mesmo! Mas como alguém pode saber? Não há qualquer placa, apenas um velho monumento inominado, sem indicação, sem uma plaquinha que seja. Esse é nosso país. Esse é nosso Estado. E a Paraíba? E Minas Gerais? E São Paulo? Quantas mães, mulheres, filhos e filhas choraram seus entes queridos, levados pela guerra e esquecidos pelo tempo?

Ficamos na esperança de que nosso país mude, como a mesma expectativa quando tantos compatriotas se juntaram em outra geração para gritar por Diretas Já, para que também possa, essa geração, gritar por mais reconhecimento histórico, não apenas pelos esquerdistas, comunistas e guerrilheiros que morreram por esse ideal, mas para todos os Filhos da Terra Tupiniquim que já derramaram seu sangue, independente se usavam farda ou não. Sigam o exemplo de West Point, Academia Militar Americana, onde há uma placa com o nome de todos os oficiais formados que lutaram e morreram na Guerra Civil Americana, pois eram todos irmãos, independente se Confederados ou da União, eram todos americanos e mereciam serem homenageados. Portanto, nesse ponto, temos muito que aprender com os capitalistas, mas honrados norte-americanos.

Essa foto é de soldado que morreu no Dia D, e um velho veterano francês da Primeira Guerra que se compadece com a perda de um jovem.

Os Navios Brasileiros Torpedeados!

 Deixa-me aterrorizado ver professores de História explicando ao aluno do ensino médio que o Brasil entrou na Segunda Guerra por ter navios mercantes “supostamente” serem afundados por submarinos alemães. Isso é uma aberração histórica. Já publiquei outros artigos sobre as evidências e provas irrefutáveis que atestam para operações submarinas no Atlântico Sul. Infelizmente parece que alguns professores deixam de lado a análise histórica para colocar em prática o antiamericanismo de formação tendenciosa. Os alemães atingiram os navios brasileiros! Fato! Qualquer tipo de questionamento deverá ser pautado apenas pela observância do argumento histórico, é assim que as coisas funcionam. Pelo menos para os historiadores sérios.

 Estamos publicando uma série de artigos sobre os torpedeamentos dos navios brasileiros. Essas publicações foram realizadas pelo pesquisador Rigoberto Souza Júnior que, como colaborador da verdade histórica nos enviou para divulgação. A História agradece!

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 O Brasil entra na 2ª Guerra Mundial

            Na reunião do Rio de Janeiro, que ocorreu na cidade do Rio de Janeiro de 1942, o Ministro das Relações Exteriores do Brasil, o Dr. Oswaldo Aranha comunicou no último dia deste encontro(28 de Janeiro) que, cumprindo ordem do seu governo, os nossos representantes diplomáticos em Berlim, Tóquio, e o encarregado de negócios em Roma estavam comunicando aos respectivos governos, junto aos quais estavam credenciados, que o Brasil estava cortando relações definitivamente com eles, solidarizando-se com as repúblicas deste continente, as quais estava ligado por laços de amizade.

             Em represália à atitude brasileira, os submarinos alemães e italianos passaram a atacar nossos navios mercantes, embora estes viajassem com a bandeira brasileira pintada nos dois lados do casco e no convés. Os navios de  passageiros navegavam mais próximo possível da costa e totalmente acesos.

             A declaração de guerra do Brasil não podia deixar de ocorrer, uma vez que nossa dignidade e a nossa soberania haviam sidos ofendidas.

             O Brasil vinha sofrendo pressões por mar por parte da França e da Inglaterra, e  a prova disto foi o incidente com o Navio “Buarque”, no dia 27 de Setembro de 1940, quando este se encontrava em Port of Spain (Trinidad e Tobago) e as autoridades locais de controle ao contrabando de guerra retiraram dele 32 caixas e 32 fardos destinados a países neutros e que estavam sendo transportados em um navio neutro. Outro caso a ser citado, ocorreu com o Navio “Itapé”, que na madrugada de 1º de Dezembro de 1940, ao longo do território brasileiro, a 18 milhas do Farol de São Tomé, foi abordado por um cruzador inglês que dele retirou 22 cidadãos alemães que viajavam com destino à Região Norte.

            Posteriormente o Navio “Siqueira Campos”, queno início de Outubro de 1940, quando retornava da Europa, transportando cerca de 400 passageiros, mercadorias e armamentos adquiridos na Alemanha em 25 de Agosto de 1938, só sendo entregue naquela época, foi obrigado pelas autoridades inglesas de policiamento em alto mar, a recolher-se à Base de Gibraltar. Somente no dia 18 de Dezembro de 1940, tiveram autorização para seguir viagem, assim mesmo, depois de muitas rodadas de negociações, como também ao precário estado de saúde em que se encontravam os passageiros e tripulantes.

             A primeira vítima brasileira da declaração de Guerra às Potências do Eixo, foi o conferente do Navio “Taubaté”, quando este viajava com destino ao Porto de Alexandria(Egito) transportando somente mercadorias, e com a bandeira pintada dos dois lados, sendo atacado com fogos de metralhadora de um avião alemão e, que apesar dos lenços brancos içados, e de ter parado as máquinas, sofreu ataque por cerca de 70 minutos, matando o conferente que estava no passadiço.

Navio Taubaté

 

Navio Siqueira Campos

 

 


O Cemitério Militar Brasileiro

Os brasileiros mortos na Campanha da Itália, até Dezembro de 1944 eram sepultados nos Cemitérios de Tarquínia, Felônica e Vada. A partir de Janeiro de 1945, foram todos reunidos no Cemitério Militar Brasileiro numa área adquirida pelo nosso governo, na localidade de Pistóia.

            Juntamente com os valorosos expedicionários do Brasil, jaziam até alguns anos atrás os despojos de 40 militares alemães, recolhidos na zona de combate pelo Pelotão de Sepultamento da FEB.

            Os números dos brasileiros vitimados na Campanha da Itália são os seguintes:

            Feridos em ação……………………………………………………………………………. 1.577

            Mortos em ação, incluindo os desaparecidos…………………………………….                401

            Mortos em acidentes diversos(veículos,minas,arma de fogo, afogamento)   60

            Mortos por doença…………………………………………………………………………    4

            Morto por assassinato…………………………………………………………………….     1

            Morto por suicídio…………………………………………………………………………     1

Observação: dos 467 mortos, 13 eram Oficiais do Exército, 8 oficiais da FAB e 442 Sargentos e Soldados do Exército.

            Posteriormente, os restos mortais foram trasladados para o Brasil e estão no Monumento aos Mortos da 2ª Guerra Mundial, que foi erguido na cidade do Rio de Janeiro e inaugurado em 24 de Janeiro de 1960, que foi idealizado pelo Gen Mascarenhas de Morais, e fica localizado no Aterro do Flamengo.

            Houve um único caso de deserção, o soldado B.L., que não mais foi incluído na FEB por ter cometido suicídio no acampamento de Lucky Strike, em Saint Valery – França onde foi sepultado.

            No local foi construído o Monumento Votivo Brasileiro, mantido até hoje sob os cuidados de  Mário Pereira, filho do Veterano Miguel Pereira ex-combatente da FEB, que após a guerra permaneceu  em solo italiano, para cuidar daquele pedaço de  terra  brasileira, cravada na Região da Toscana.

Soldado não identificado