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O Cemitério Militar de Pistóia e o Último dos Brasileiros Morto na Itália
O quanto uma nação pode contemplar tanto descaso histórico ao ponto de ignorar escandalosamente o sacrifício de gerações passadas? Quem somos afinal? Que nação o Brasil irá se tornar se continuamos a vivenciar o descaso com brasileiros que deram suas vidas para forjar esse país? Muito pior, quando observamos que o descaso governamental se baseia em argumentação ideológica destrutiva de nossa própria identidade como povo, que se orgulha em cantar “Mas, se ergues da justiça a clava forte, Verás que um filho teu não foge à luta,!”.
Segundo o pensamento científico o que move a humanidade são as perguntas e não as respostas, mas neste caso, as perguntas estão sem respostas década após décadas.
Pistóia foi a cidade que acolheu os corpos dos brasileiros que deram sua vida pelo seu país. Isso mesmo, eles deram a vida pelo seu país, pois foi o Brasil que os enviou! Para lutarem e morrerem na Itália. Todos brasileiros! Todos nascidos em diversas regiões do país que, deixando suas famílias e suas vidas, partiram para lutar a Segunda Guerra Mundial ostentando a Bandeira do Brasil e de lá só retornaram a sua terra natal, em 22 de dezembro em cotejo fúnebre para repousar eternamente no Monumento aos Mortos da Segunda Guerra Mundial e para repousarem na memória dos brasileiros que nem mesmo entendem que a bela construção arquitetônica no Aterro do Flamengo guarda os restos mortais de brasileiros natos, bravos e que honram a frase: “ Nem teme, quem te adora, a própria morte.” , enquanto deixamos a desejar como nação: “ Dos filhos deste solo és mãe gentil…“
O MONUMENTO VOTIVO MILITAR BRASILEIRO DE PISTÓIA
Depois de quase 5 anos em que o terreno do antigo Cemitério foi deixado repousar para permitir a drenagem da terra, foram começados os trabalhos para a construção do Monumento. Neste meio tempo muito grande foi a tarefa diplomática para conseguir os recursos e as autorizações necessárias para conseguir realizar o Monumento Votivo do Cemitério Militar Brasileiro. Foi o filho do então Embaixador Francisco D’Alamo Lousada, Engº Dr. Carlos Eduardo, que realizou uma grande opera de persuasão junto as personalidades e Autoridades do Governo e ao Ministro das Relações Exteriores Juracy Magalhães, vencendo inúmeras dificuldades para conseguir recursos governamentais. O Monumento foi projeto do Arquiteto Olavo Redig de Campos, discípulo do projetista de Brasília Oscar Niemayer, auxiliado pelo Engenheiro italiano Luigi Cafiero na realização que foi executada pela firma Zarri. A inauguração aconteceu em 7 de junho de 1966, na presença das mais altas Autoridades brasileiras, com destaque para S. E. Francisco D’Alamo Lousada, Embaixador junto ao Governo italiano em Roma, o Embaixador junto à Santa Sé Henrique de Souza Gomes, o General do Exército brasileiro Floriano de Lima Brayner, chefe da delegação especial das Forças Armadas brasileiras. Também as Autoridades italianas prestigiaram a cerimônia sendo presentes, entre outros o Ministro das Relações Exteriores, o subsecretário da Defesa ,o Prefeito de Pistóia, o Bispo da diocese de Pistóia, além de inúmeros representantes das Forças Armadas italianas.
Varias simbolizais caracterizam o Monumento, como muito bem explicado na entrada onde em duas colunas em base triangular são gravadas as palavras:
A TERRA
A terra de sepultura
É terra sagrada
Na Itália o campo-santo
É a terra intocável
Do antigo cemitério
E lá continua agreste
Como antes
Sagrada pelo “Sangue dos heróis”
A CRUZ
A cruz toma posse do terreno
Fixa seus limites
Consagra seu destino
São as linhas brancas
Da enorme cruz
Que marcam o lugar para sempre
Ao altar de Deus
Se ascende pelo pé da cruz
Os braços se abrem
Em verdes campos
De esperança e fé
O SACRIFÍCIO
Ao centro da cruz
Está o altar de Deus
Pelo sacrifício do altar
Os mortos se elevam
À glória de Deus
Aqui domina a vertical
As colunas elevam o pálio
Bem alto
A ÁGUA
O horizonte é o perfil da terra
Da terra que recebe os mortos
Para o descanso eterno
É a linha horizontal
Do longo espelho d’água
Serena, estática
Como as coisas acabadas
Como um cálice
A PEDRA
A pedra é símbolo da resistência
A pedra é tenaz
A pedra é dura
O muro de pedra guarda
Gravados para sempre
Os nomes gloriosos
E a memória dos vivos
Os nomes emergem
Das águas tranqüilas
As águas refletem os nomes no céu
É a gloria dos heróis
A GLÓRIA
Para ascender à gloria dos mortos
Um longo caminho
Em meio às pedras
O caminho das batalhas vencidas
O das vitorias
Alcançadas no sacrifício
O nome de Monte Castelo
E tantos outros
Gravados no chão de pedra
Reúnem a longa caminhada
De nossos irmãos
O RESPEITO
A presença dos vivos
É marcada pelo respeito
Um lugar apartado
Para a glorificação
Na contemplação
À direita do altar
No lugar de honra
A Bandeira do Brasil
E a gratidão da pátria.
Olavo Redig de Campos
ESTA TERRA SAGRADA FOI SEPULTURA DOS SOLDADOS BRASILEIROS MORTOS NO CAMPO DE HONRA PELA DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA. SEUS NOMES ESTÃO GRAVADOS NESTA PEDRA PARA ETERNA MEMÓRIA DOS HOMENS
A atender as visitas desde o 1947 foi o Sr. Miguel Pereira, integrante da FEB que teve a honra de ficar como guardião, recebendo inúmeras importantes visitas (passaram até dois Presidentes do Brasil) e sem poupar esforços, ao longo dos anos, recuperou boa parte dos extraviados, bem como os contatos com as Prefeituras dos locais onde os soldados brasileiros atuaram, estreitando ainda mais as relações entre os dois países. Falecido em fevereiro de 2003 deixou ao filho a tarefa de continuar a “missão” de cuidar deste singelo lugar onde Historia, Honra e Glória estão de mãos dadas, num cartão postal que fala num conjunto único das qualidades humanas do povo do Brasil.
Mário Pereira
Administrador Monumento Votivo Militar Brasileiro
Último dos Brasileiros
Foi no fim da mesma cerimônia que um idoso da cidade de Montese – onde aconteceu uma das mais duras batalhas – declarou conhecer o local onde um brasileiro estava ainda sepulto. Depois de um ano de pesquisa, o Guardião do Monumento, Miguel Pereira, conseguiu localizar os restos exatamente no local indicado, achando provas que não deixavam dúvidas quanto à nacionalidade dos restos e sim sobre a identidade certa de quem podia ser o corpo, entre os ainda 15 desaparecidos. A decisão de deixá-lo repousar no Monumento, enquanto Desconhecido, e então representando todos os irmãos tombados no cumprimento do Dever, transformou o local – de fato – num Sacrário.

Autoridades administrativas, judiciárias e policiais da Comuna de Montese e da Província de Módena assistem à entrega da urna do “Pracinha de Montese”, às autoridades brasileiras, no Cemitério de Montese. O Subtenente Miguel Pereira, da Reserva do Exército, ex-Expedicionário, encarregado da Conservação do Monumento de Pistóia, conduzirá a urna ao seu destino definitivo. Montese 30/5/1966
É necessário que se faça menção ao trabalho do Arquivo Histórico do Exército (AHEX). Um oásis para os pesquisadores do período. Mantém um acervo maravilhoso e também disponibiliza material ONLINE (www.ahex.ensino.eb.br). Temos que divulgar!
Homenagem aos Pernambucanos Mortos no Teatro de Operações da Itália
Uma importante homenagem a Força Expedicionária Brasileira foi realizada hoje em Pernambuco. Em uma bonita cerimônia, foi inaugurado no 10º Esquadrão de Cavalaria Mecanizado – Esquadrão Forte das Cinco Pontas, o Monumento aos Pernambucanos Mortos nos campos da Itália.
O evento contou com a presença do Presidente da Associação Nacional dos Veteranos da Força Expedicionária Brasileira – Regional Pernambuco, senhor Alberides de Lima Passos e do Tenente R/2 Gildo – Diretor Cultural da Associação dos Oficiais da Reserva-AORE que, acompanhados do Major André Augusto, comandante do 10º Esquadrão, realizaram o descerramento da placa alusiva que homenageia os 12 pernambucanos que perderam suas vidas no Teatro de Operações da Itália.
O evento também contou com a Guarda do Monumento, formada por uma representação do Grupamento Histórico Aspirante Francisco Mega, que tornou a solenidade ainda mais emocionante.
São iniciativas como estas que fazem jus a memória daqueles que entregaram suas vidas pelo seu país.
Os Veteranos pernambucanos da FEB agradecem os Lanceiros do 10º Esquadrão pela oportunidade de presenciar, em vida, o reconhecimento dos sacrifícios dos jovens pernambucanos em favor de um mundo melhor.
Informações Adicionais:
Os Pernambucanos da FEB mortos na Itália
A Memória dos Heróis Mortos Largado ao Esquecimento!

Os lanceiros do Recife honram, nesta data, a memória daqueles que fizeram o mais alto sacrifício em defesa da Nação Brasileira e da Democracia durante a 2ª Guerra Mundial

O Belo Monumento em Homenagem aos Pernambucanos Mortos! Com a Guarda do Grupamento Histórico Aspirante Francisco Mega
- Os lanceiros do Recife honram, nesta data, a memória daqueles que fizeram o mais alto sacrifício em defesa da Nação Brasileira e da Democracia durante a 2ª Guerra Mundial
- O Belo Monumento em Homenagem aos Pernambucanos Mortos
Pelotão de Sepultamento – A Difícil Missão de Enterrar um Combatente
Não foram poucos os casos que os mortos nos ataques a Monte Castello e nas patrulhas subsequentes dos meses de dezembro e janeiro de 44 e 45 respectivamente, foram deixados no local onde caíram, sendo resgatados depois dos ataques de fevereiro de 45, alguns só puderam ser sepultados depois da guerra. Infelizmente essa tarefa árdua era uma atividade do Pelotão de Sepultamento, comandado pelo 1º Tenente Lafayette Vargas Moreira Brasiliano, estando ligado ao Serviço de Intendência da Divisão Brasileira. Esses soldados tiveram que enfrentar além da discriminação dentro da própria tropa, a dura missão de identificar e sepultar brasileiros com o respeito devido. Segue uma pequena explicação da obra do Joaquim Xavier da Silveira, A FEB por um Soldado.
“O serviço de intendência tinha ainda entre as suas obrigações uma bem dura: sepultar os soldados mortos, serviço feito pelo Pelotão de Sepultamento. No começo a atividade foi difícil, mas aos pouco essa unidade foi conquistando respeito e admiração pela dedicação com que realizava a tarefa. Os primeiros mortos foram sepultados nos cemitérios de Tarquinia, Follorica e Vada. Quando a FEB foi lutar no Vale do Reno, instalou-se um cemitério em Pistóia, para onde foram removidos os corpos enterrados em outros cemitérios, lá permanecendo até seu translado definitivo para o Monumento aos Mortos da II Guerra Mundial, no Rio de Janeiro.
Assim que caía morto, o soldado brasileiro era transportado pelos companheiros para os postos de coleta. O pessoal do Pelotão de Sepultamento fazia a identificação, anotava os dados necessários e levava o corpo até a cova no cemitério militar. Cada soldado tinha pendurado em seu pescoço duas chapas metálicas de identificação. O pessoal do Pelotão destacava essas placas, colocando uma entre os dentes do combatente morto e a outra na cruz de madeira que marcava a cova.
O serviço de sepultamento era realizado muitas vezes em condições penosas e perigosas. Com a vitória em Monte Castello, o Pelotão de Sepultamento foi remover os cadáveres dos que tinham caído nos ataques anteriores. Isso foi feito ainda sob fogo do inimigo, que jogava granadas na região. Havia minas ainda não desativadas e, sobretudo as boody-traps armadas embaixo de corpos. Essa armadilha exigia de cada um prévio e cuidadoso exame. Os corpos, já em estado de decomposição, eram carregados em padiolas até o ponto em que pudessem ser transportados de jeep. Foi sem dúvida uma tarefa dura que o pessoal do Pelotão de Sepultamento executou com correção e, sobretudo, dignidade, pois a cada morto eram prestadas honrarias fúnebres.”
Fonte: Siveira, Joaquim Xavier da. A FEB por um soldado – Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército Ed.; Rio de Janeiro Editora Expressão e Cultura – Exped Ltda, 2001
“Conspira contra a sua própria grandeza, o povo que não cultiva seus feitos heróicos”
- Monumento aos Mortos da Segunda Guerra Mundial no Aterro do Flamengo
- Visita ao Monumento aos Mortos a Segunda Guerra local de sepultamento atual – Aterro do Flamengo
A Memória dos Heróis Mortos Largado ao Esquecimento!
No ano passado, realizamos uma pesquisa para descobrir se Pernambuco teria algum monumento que fizesse referência a Força Expedicionária Brasileira, já que, tradicionalmente, Pernambuco é um Estado repleto de monumentos, esculturas, placas, marcos e edificações que referenciam seus inúmeros mártires.
Iniciamos a pesquisa com o direcionamento e a ajuda de Rigoberto Souza que identificou duas homenagens que estão bem registradas na ANVFEB-PE. A primeira, uma placa inaugurada no Monte Guararapes pelo próprio Marechal Mascarenhas de Moraes na década de 50, e que teve um grande significado, já que nesse local, na cidade de Jaboatão de Guararapes, ocorreu a Batalha dos Guararapes, considerado pelo Exército Brasileiro como um marco de criação da Força Terrestre. Infelizmente essa placa foi retirada do local e atualmente está no Rol da Associação. A Segunda é um Monumento em estilo moderno, lembrando o estilo de construção que Oscar Niemayer utilizou em Brasília, e cujo a grandiosidade destoa de outras construções no principal parque da cidade de Recife, o Parque 13 de Maio, que, por acaso, também foi o local onde se anunciou ao povo pernambucano o início da Segunda Guerra.
Para pesquisar o monumento à FEB, resolvemos seguir para o Arquivo Público de Pernambuco, onde há vários registros e jornais de época que podem explicar como ocorreu a concepção desse projeto. Encontramos registros no principais jornais da cidade que circularam no dia 13 de março de 1971, onde se destaca a Inauguração de um Viaduto no bairro do Espinheiro, na Rua João de Barros, e um Monumento em Homenagem aos pernambucanos mortos na Itália, essa honraria foi realizada pela Prefeitura da Cidade do Recife sob a gestão do então Prefeito Geraldo Magalhães.
O Monumento inaugurado contou com a presença da Associação dos Ex-Combatentes da FEB e a presença de militares do IV Exército, além de autoridade civis e eclesiásticas. Por ocasião houve uma missão em homenagem aos mortos e o descerramento das placas alusiva seguido do desfile de tropas e dos ex-combatentes . As placas estavam registrados o seguinte:
1 – Homenagem do Prefeito Geraldo de Magalhães Melo e do povo do Recife aos integrantes da FEB, 13/III/1971.
2 – “Aquele que morre por seu país, serve-o mais em um só dia do que os outros em toda vida” (Péricles).
3 – Homenagem aos pernambucanos que deram a vida em holocausto à pátria na Segunda Guerra Mundial:
2º Tenente Manuel Barbosa da Silva,
2º Sargento Severino Taborda de Freitas,
3º Sargento José de Souza,
Cabo Hermínio da Silva,
Cabo Otávio Araújo,
Cabo Waldemir Holder,
Soldado Joaquim Lira,
Soldado José Barro.
Atualmente esse monumento encontra-se abandonado, quando visitamos a local, as pessoas responsáveis pela manutenção não souberam dizer do que se tratava essa grandiosa obra, se limitando a dizer que: “era alguma coisa do Exército”. Procuramos a administração do Parque 13 de Maio, que também nada acrescentou. Perguntamos a algumas pessoas que estavam no local que frequentam o Parque, mas não sabiam de nada. Um das razões disso é que as placas foram retiradas do local, e ninguém sabe informar se foram retiradas pela prefeitura ou simplesmente roubadas.
Para finalizar observamos que esse acontecimento é uma prova material do descaso com que a História do nosso povo a jogado na obscuridade da ignorância. Pior que tudo, jogamos ao relento a memória e o sacrifício de 12 pernambucanos que morreram lutando pelo seu país seu país, sem qualquer cerimônia esquecemos que esses brasileiros deram sua vida, assim como Frei Caneca e outros mártires pernambucanos entregaram suas vidas por uma causa.
Outras Fontes: Carlos Bezerra Cavalcanti, O Recife – Um Presente do Passado.
Os Heróis MORTOS PELO SEU PAÍS E ESQUECIDO POR ELE!
- Outro Convite
- Convite para Inauguração
- Informações sobre a Inauguração
- Fotos RARAS do Acervo da ANVFEB-PE.
- Formatura com a presença em peso dos Ex-Combatentes
- Localização do Monumento
- Os Mastros são do período da Inauguração, hoje sem qualquer indicação ou bandeira
- Não há qualquer indicação da origem, apenas depredação!
- Tristeza com o Descaso!







































































