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Esse País Ficou Mais Pobre Hoje! LUTO

 Caros Amigos,

 Com profunda tristeza em meu coração e com a dor de ter perdido um grande amigo, venho informar o falecimento do Mestre Historiador Alessandro Santos Rosa um dos homens mais cultos e inteligentes que tive a oportunidade de conhecer.  Sargento Santos era militar do Exército Brasileiro e servia atualmente no Centro de Preparação de Oficiais da Reserva em Recife (CPOR/Recife) e estava prestes a incorporar a Missão de Paz do Haiti. A causa-mortis ainda não foi divulgada. O Sargento Santos estava internado no Hospital Militar de Área em Recife, quando seu quadro piorou em ele foi transferido para a UTI, vindo a falecer nesta madrugada.

Alessandro dos Santos Rosa é natural do Rio Grande do Sul, sendo formando em História pela Universidade Católica de Cuiabá, realizando sua tese de mestrado pela Universidade Federal  do Paraná. Serviu com dedicação, zelo e amor à pátria, abrindo mão do convívio de sua família pela vocação profissional, configurando um exemplo para um país recheado de canalhas e dilapidadores do bem público.  Felicidade de estar relacionado para servir no contingente da Missão de Paz no Haiti, e não escondia seu orgulho de participar de tão grandiosa missão. Em paralelo estava trabalhando arduamente para escrever um livro com a História dos Pracinhas da Associação de Veteranos da FEB – Seccional Pernambuco, insistindo em concluir esse projeto antes de partir para o exterior.

Santos escreveu e colaborou com esse BLOG desde os primeiros meses, e sentia-se orgulhoso em produzir e ver seu trabalho publicado. Seu último artigo publicado A Revolução de 1964: Ponderações Historiográficas! Mostra a visão de historiador e não a de um militar sobre os eventos de 1964, dando um exemplo de análise histórica. Além de outros tantos artigos também publicamos parte de sua tese de mestrado e um especial sobre os alemães e o Brasil que serve como parâmetro para um assunto tão pouco abordado, principalmente no meio acadêmico.

Quando você escreve e tem um espaço que é acompanhado por tantas pessoas, nunca imagina que irá ter que escrever sobre um acontecimento tão triste, mas em respeito a memória desse Herói, pela sua sapiência, pelo seu exemplo de dedicação e pela seu amor incondicional ao estudo da História, deixamos registrado aqui para a posteridade tudo que Meu Amigo Santos defendeu, o respeito e o amor aos Soldados Brasileiros que lutaram na Segunda Guerra e que, assim como ele, defenderam ideais e lutaram pelo seu país, abdicando de qualquer outra coisa em prol de suas convicções.

Pedimos que o Nosso Senhor Jesus Cristo possa confortar sua esposa Rosangela e seus filhos Matheus e Eduarda.

Para encerrar segue abaixo os Agradecimentos da Tese de Mestrado do Professor Alessandro dos Santos Rosa:

“Agradeço a Deus, meu amigo fiel de todas às horas que, através de minhas orações, fortaleceu meu espírito, possibilitando que eu tivesse a coragem e superasse as dificuldades que às vezes pareciam infinitas dentro desse período. Elevo os meus pensamentos aos céus e agradeço por tudo que recebo, por tudo que sou e faço, onde sempre encontro fé e esperança, permitindo renova sempre minhas forças.”

 

Alessandro dos Santos Rosa

Alessandro dos Santos Rosa

Sargento Santos e Francisco Miranda

Grupo da ANVFEB-PE em Reunião comemorativa a Tomada de Montese em 14 de abril de 2012

Palestra sobre a Tomada de Montese

A Reintegração Social dos Ex-Combatentes da FEB – Parte IV

Texto de Autoria do Professor Mestre Alessandro dos Santos Rosa:

CONTINUACAO

 

 

1.1 O Brasil sai de “cima do muro”: a criação da FEB

 

As primeiras providências tomadas em torno da Força Expedicionária Brasileira deixaram evidente que, mesmo parte dos militares responsáveis por tal mobilização, não acreditavam na possibilidade da participação brasileira no cenário da Segunda Guerra Mundial. Atitudes negativas como essa, somadas a outras tantas, direcionaram para a desorganizada desmobilização no pós-guerra.

Como analisado anteriormente, o governo de Getúlio Vargas foi direcionado a apoiar os países aliados, pois havia uma ampla e profunda diplomacia entre ambos os países. Surgem então, os episódios dos torpedeamentos dos navios brasileiros na costa brasileira e em águas internacionais, no ano de 1942, sendo os alemães responsáveis pelos atos. Dessa forma, nos grandes centros, onde as pessoas acompanhavam com maior proximidade a evolução dos acontecimentos e era possível uma junção de massas sociais, pessoas ligadas principalmente a instituições políticas, manipulavam esses grupos para que solicitassem uma atitude dos políticos e demais autoridades do país. Eles exigiam a participação do Brasil no conflito armado, pois o principal argumento que se utilizava era que a honra dos brasileiros estava manchada sendo necessária uma reação.

Contudo, esse é um ponto de vista que autores como Joaquim Xavier da Silveira[1] defendem: “o clima era de total repúdio e, como acontece nessas ocasiões, desmandos são feitos, agitadores profissionais encontram clima para suas tendências. Multidões acorreram ao Palácio do Catete, no Rio de Janeiro, exigindo a guerra”, segundo um ponto de vista oficial, não sendo único e verdadeiro.

Concomitante a todo esse cenário, os norte-americanos pressionavam para que Getúlio Vargas decidisse a quem apoiaria, ofertando um investimento na parte de infra-estrutura no campo industrial do país e o reaparelhamento das Forças Armadas, as quais se encontravam sucateadas, conforme já analisado. O desencadear dessas promessas de investimentos tem como objetivo central, legitimar a entrada do Brasil na guerra o que, de fato, acaba acontecendo com a declaração de guerra no dia 22 de agosto de 1942, conforme abordagem anterior.

Em relação à bibliografia que aborda o contexto da historiografia da FEB, o processo de mobilização, atuação e retorno foi realizado, num primeiro momento, a partir de uma análise de pesquisas ligadas a história militar oficial. A maioria dessas obras enaltece a imagem dos militares, principalmente daqueles que se encontravam no alto-comando da força expedicionária e combateram contra os regimes ditatoriais, e fazem reflexões sobre os problemas sociais surgidos após a desmobilização. O maior número dessas obras foi de contribuições realizadas por oficiais do alto escalão da FEB, tendo como editora a BIBLIEx, Biblioteca do Exército.

Pelo fato das obras, em sua maioria, serem de autoria de militares, acabam convergindo em uma mesma direção, pois mesmo se tratando de relatos do campo de batalha, há uma preocupação com a própria memória da instituição. A preservação da integridade desta está relacionada à capacidade dos líderes militares se destacarem como comandantes. Na obra do comandante da FEB, General João Batista Mascarenhas de Moraes[2], há destaque do momento em que se dá a criação da FEB, pela organização do efetivo que partiria para a Itália, e contempla a chegada no Teatro de Operações[3](TO).

Ainda, comenta como devem ser os procedimentos de um General, comandante de um contingente em situação real de guerra, como o mesmo deve se portar frente a grandes peças de manobras, que sejam os batalhões, e como direcioná-las no campo de batalha. Faz, também, reflexões sobre decisões tomadas com correções e outras que foram deixadas de ser aplicadas e que poderiam ter trazido resultados mais positivos. Ou seja, a obra também traz uma abordagem em torno do aspecto de que o chefe militar, no caso, General deve colocar em prática os altos estudos realizados em escolas com essa finalidade dentro das forças armadas.

Outra obra analisada é a do Chefe do Estado Maior da Força Expedicionária Brasileira, coronel Floriano de Lima Brayner[4], que procura enaltecer o papel desempenhado pelo estado-maior da FEB, sendo ele um dos componentes deste. Apresenta-se como grande crítico de como foi organizado e mobilizado o efetivo expedicionário, utilizando da crítica também para analisar como algumas autoridades do governo do Estado Novo se utilizaram de mecanismos para a mobilização de artifícios contra a FEB. Ainda, realiza reflexões sobre o retorno dos expedicionários e o fim da Força Expedicionária.

As obras acima mencionadas, mesmo procurando relatar sobre o episódio da participação da FEB no contexto da Segunda Guerra Mundial, mantêm-se quase sem críticas a instituição e a possíveis falhas ocorridas nas ordens emitidas nos campos de batalha, com exceção feita à obra do coronel Lima Brayner. Em situação contrária, os oficiais de postos inferiores, como no caso dos oficiais da reserva[5], lançam uma coletânea – Depoimentos de Oficiais da Reserva sobre a FEB. São Paulo: IPÊ – Instituto Progresso Editorial S.A., 1950 – em que acabam criticando seus chefes militares, colocando-se contra alguns discursos apresentados pelo general Mascarenhas de Moraes e, em parte, pelo coronel Brayner.

Essa coletânea, logo após a sua edição, foi apreendida. Isso ocorreu em função da obra contestar, como falamos acima, muitas ordens vindas do escalão superior. Seus depoentes eram oficias que se encontravam no comando de pequenas frações, eram executores de ordens e, segundo consta na obra, uma quantidade expressiva de ordens das quais discordavam. Se essas ordens tivessem sido mais bem analisadas, teria evitado consequências mais graves, como a perda de militares em situações de combate desnecessárias. Essa coletânea teve, ainda, mais duas edições entre o final da década de 1950 e início da década de 1960.

Obras como a de Joaquim Xavier da Silveira[6], permitem uma análise da formação da FEB e de quem estava sendo comandado, das dificuldades enfrentadas no Brasil e em solo italiano, das aspirações da soldadesca, do cotidiano do campo de batalha e realiza, de forma mais suave, algumas críticas sobre os militares que estavam no comando dos expedicionários. Silveira também escreve sobre a dissolução e a desmobilização da FEB. Interessante frisar que o autor realiza ainda observações sobre como ficaram os ex-combatentes após o retorno, as legislações e associações, mencionando sobre o descaso das autoridades frente aos ex-combatentes.

O autor Francisco Ferraz César Alves[7], em sua pesquisa de doutorado, faz uma abordagem sobre a historiografia internacional, relacionando os ex-combatentes e a sua inserção dentro da sociedade em lugares diferentes do mundo. Fala sobre a formação da FEB, sua partida para a Itália e sua participação em combate. Ainda, analisa a receptividade e desmobilização da FEB, trazendo à luz problemas ignorados por entidades, tanto políticas como também militares, como a reintegração social dos veteranos de guerra. Seu estudo se encerra verificando até onde trabalha o ex-combatente como agente de memória.

A autora Sirlei de Fátima Nass[8] também pesquisa sobre a mobilização da FEB, sua partida e retorno. A ênfase trabalhada em sua pesquisa é no que tange a forma como foi realizada a desmobilização e o problema social gerado por essa atitude mal planejada.

Essas duas últimas obras, principalmente, abordam temas que eram evitados pelo alto-escalão das Forças Armadas. Ambas as pesquisas alinham-se com o objeto principal da aqui proposta, qual seja, o de realizar uma análise de como ocorreu o processo de inserção social dos ex-combatentes, com ênfase na legislação e sua aplicação. Essas pesquisas já possuem uma abordagem em torno desse processo, são estudos importantes, porém, não esgotam o assunto. Buscaremos uma compreensão de como as legislações, que foram criadas logo após findar a guerra, demoraram tanto até chegar ao destino final, ou seja, naquele combatente que se encontrava distante, retirado dos grandes centros.

O assunto sobre a reintegração social será devidamente abordado em capítulo específico dessa dissertação, mas não nos restringiremos a esse tema. Também falaremos como foi o retorno para a vida civil, as discriminações sofridas e as lutas diárias. Realizaremos, também, uma abordagem sobre as facilidades surgidas durante a guerra, aspecto a ser abordado no transcorrer dessa pesquisa.

 O Brasil se colocava, frente ao cenário da Segunda Guerra Mundial, dentro de uma faixa de neutralidade camuflada. No ano de 1942, conforme analisado anteriormente, muita pressão e vários acontecimentos acabaram direcionando e aproximando, de forma definitiva, as ideologias brasileiras junto daquelas apresentadas pelos países aliados.

Além dos acontecimentos citados acima, ocorreram acordos políticos, o que permitia a utilização das costas marítimas brasileiras pelos norte-americanos, de onde seriam desencadeadas operações militares aeronavais. No conjunto de acordos ficou acertado a participação do Brasil com tropas militares e, também, uma modernização das forças armadas.

No dia 15 de março de 1943, Getúlio Vargas aprovou o envio de tropas brasileiras para combater na Segunda Guerra Mundial. O primeiro passo para a concretização da Força Expedicionária Brasileira foi a criação da Portaria Ministerial 47-44 do dia 13 de agosto de 1943, que regulamentou a criação da 1ª DIE – Divisão de Infantaria Expedicionária. Ficou definido que seria composta da seguinte forma: de um Quartel Geral, Estado-Maior Geral, Estado Maior especial e Tropa Especial, Infantaria Divisionária, Artilharia Divisionária, Batalhão de Engenharia, Esquadrão de reconhecimento, Batalhão de Saúde, Companhia de transmissão e esquadrilha de Aviação.

Importante lembrar que aquele momento não era nada favorável para tal evento, pois as Forças Armadas se deparavam com dificuldades de grande porte. As barreiras a serem ultrapassadas eram complexas e exigiam um esforço de grande vulto, apesar do aumento de efetivos que se deu na década de 30 e do aumento do orçamento destinado para as Forças Armadas, como analisado por Dennison de Oliveira[9]:

O exército possuía, em 1930, um efetivo de quase 48 mil homens, passando a pouco mais de 80 mil, em 1936, e atingindo mais de 171 mil, em 1944. Tamanho crescimento nos efetivos correspondeu também ao aumento de verbas alocadas para o exército. Em 1930, lhe eram destinados 12,3% das verbas do orçamento federal, passando para 17,6% em 1936, e 19%, em 1940.

O autor não nos proporciona, por intermédio dessas informações, um entendimento da precariedade orçamentária e pessoal que assolava e debilitava a operacionalidade das instituições militares. O sucateamento dos materiais destinados ao emprego militar ainda era presente, sendo outro aspecto que comprometia a eficiência militar e treinamentos. Para termos idéia da real situação, as Forças Armadas faziam uso de equipamentos utilizados na Primeira Guerra Mundial e contavam com um exército que se movimentava, em grande parte, por meio de transporte hipomóvel, ou seja, no lombo de cavalos. Até mesmo as doutrinas militares encontravam-se ultrapassadas. Para agravar ainda mais todo esse contexto, havia resistências dentro do próprio meio político e meio militar contra a formação da FEB.

A organização da Força Expedicionária estava fadada a romper barreiras, a ultrapassar grandes obstáculos. A operacionalidade e estratégia militar seguiam a Doutrina Francesa, a qual já se encontrava, nesse momento, ultrapassada, sendo necessária uma adaptação nos estabelecimentos de aperfeiçoamento militar e seguir as novas e modernas diretrizes norte-americanas. Após o rompimento desses primeiros obstáculos iniciava-se uma nova e importante atividade da recentemente criada FEB, a seleção daqueles que comporiam o único efetivo sul-americano a participar de forma prática das atividades de “combate em campanha”[10] nos solos da Europa.

A expectativa ambicionada, inicialmente, era mobilizar em torno de cem mil homens para singrar o oceano atlântico e chegar à Europa. Devido às dificuldades e a demora da mobilização, foram enviados pouco mais de 25.000 homens. O conflito já se encontrava em um estado bem adiantado, fato esse que não tirou a importância e o brilhantismo da participação brasileira nesse episódio. A primeira medida tomada pelo Estado-Maior das forças armadas, após a criação da FEB, foi formar uma Comissão Militar Brasileira, chefiada pelo General Mascarenhas de Moraes. Este grupo tinha por objetivo específico realizar um reconhecimento nos campos de batalha da Europa, principalmente no continente africano, cuja intenção, inicialmente, era empregar as tropas brasileiras.

A atividade era considerada pelas autoridades político-militares de grande importância, pois seriam verificadas as condições gerais dos campos de batalha que se apresentariam para os expedicionários. Seria possível analisar as condições climáticas, de terreno, as necessidades de emprego de material militar, que tipo de uniforme se fazia necessário e tantos outros aspectos peculiares. Porém, tal missão não foi levada tão a sério por aqueles que constituíram a Comissão, já que nem foi realizado um planejamento minucioso, como analisado por Floriano de Lima Brayner[11]:

Não houve um planejamento adequado para a constituição da comissão, nem para o desenvolvimento de sua missão. O chefe do Estado-Maior Divisionário não acompanhou o Comandante da Divisão. Subestimou-se, de um modo geral, a missão de alta importância que a FEB deveria cumprir nesse primeiro contato com a realidade da guerra.

Essa narrativa mostra, de forma evidente a descrença que imperava entre as altas autoridades que compunham a FEB. Não se tinha a certeza da participação brasileira na guerra devido à conjuntura precária em que se encontravam as forças militares, fato esse que acabava desacreditando a possibilidade de viabilizar a constituição desse efetivo, como abordado por Joaquim Xavier da Silveira[12]: “os obstáculos iniciais para organizar a FEB foram enormes, tanto no campo material, como no político – neste, houve eficiente passividade na colaboração, acompanhada por uma campanha de descrédito”.

Procedimentos de tamanha irresponsabilidade trouxeram como principal consequência o despreparo. A participação concretizava-se a todo instante, porem as preocupações com organização e preparação mais minuciosa acabavam ficando relegadas a um segundo plano. Até mesmo porque os responsáveis em adequar as tropas para o emprego em condições adversas não demonstravam grande interesse e entusiasmo. Ao que se pode analisar, assim seguiu ate o momento da partida.

BIBLIOGRAFIA

 

BRANDI, Paulo. Vargas: da vida para a história. Rio de Janeiro: Zahar, 1983.

 

BRAYNER, Floriano de Lima. A verdade sobre a FEB: memórias de um chefe do estado-maior na campanha da Itália. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1968.

SILVEIRA, Joaquim Xavier da. A FEB por um soldado. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército, 2001.

CYTRYNOWICZ, Roney. Guerra sem guerra: a mobilização e o cotidiano em São Paulo durante a Segunda Guerra Mundial. São Paulo: Edusp, 2000.

EICKHOFF, Renato. A Força Expedicionária Brasileira e os seus veteranos. 2005. 42 f. Trabalho de conclusão de curso (Licenciatura Plena) – Setor de Ciências Humanas, Letras e Artes, Universidade Tuiuti do Paraná, Curitiba, 2005.

FERRAZ, F. C. A. O Brasil na guerra: um estudo de memória escolar. Comunicação apresentada no IV Encontro Perspectiva do Ensino de História. Ouro Preto. Universidade Federal de Ouro Preto, 24 de abril de 2001. Anais da ANPOC.

 

MORAES. J. B. M. de. A FEB pelo seu comandante. São Paulo: Instituto Progresso Editorial, 1947.

NASS, Sirlei de Fátima. Legião Paranaense do Expedicionário: indagações sobre a reintegração social dos febianos paranaenses (1943-1951). Dissertação – UFPR, 2005.

OLIVEIRA, Dennison de. Os soldados alemães de Vargas. Curitiba: Juruá, 2008.

RIBEIRO, P. da S. As batalhas da memória: uma história da memória dos ex-combatentes brasileiros. Niterói, 1999. Dissertação (Mestrado em História): Instituto de Ciências Humanas e Filosofia, Universidade Federal Fluminense.

SALUM, A. O. Zé Carioca vai à Guerra. São Paulo, 1996. Dissertação (Mestrado em História) Pontifícia Universidade Católica.

SEITENFUS, Ricardo. O Brasil vai à guerra: o processo de envolvimento brasileiro na Segunda Guerra Mundial. 3.ed. Barueri, SP: Mamole, 2003.


[1] SILVEIRA, Joaquim Xavier da. A FEB por um soldado. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército, 2001. p. 43.

[2] MORAES. J. B. M. de. A FEB pelo seu comandante. São Paulo: Instituto Progresso Editorial, 1947.

[3] Se compõe de todas as peças de manobra em um campo de batalha. Envolve a parte logística, alimentação, roupa, etc, e a parte operacional, viaturas, armamentos, pessoal, etc.

[4] BRAYNER. F de L. A verdade sobre a FEB: memórias de um Chefe do Estado Maior na Campanha da Itália. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1968.

[5] Depoimentos de Oficiais da Reserva sobre a FEB. São Paulo: IPÊ – Instituto Progresso Editorial S.A., 1950.

[6] SILVEIRA, Joaquim Xavier da. A FEB por um soldado… op. cit, 2001.

[7] FERRAZ, Francisco César Alves. A guerra que não acabou… op. cit. p. 127-145

[8] NASS, Sirlei de Fátima. Legião Paranaense do Expedicionário… op. cit. 2005

[9] OLIVEIRA, Dennison de. Os soldados alemães de Vargas. Curitiba: Juruá, 2008. p. 52.

[10] Atividades de combate em conflito armado.

[11] BRAYNER, Floriano de Lima. A verdade sobre a FEB: memórias de um chefe do estado-maior na campanha da Itália. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1968. p.21.

[12] SILVEIRA, Joaquim Xavier da. A FEB por um soldado… op. cit. p. 56.

Os alemães e o Brasil – A Imigração Alemã – Parte II

Continuando uma série aprofundada de estudos sobre a Força Expedicionária Brasileira produzida pelo Mestre em História Alessandro dos Santos Rosa.

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O isolamento alemão

Os imigrantes alemães que povoaram as regiões do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, no século XIX, efetivaram sua ocupação em terras que ficavam compreendidas entre as áreas litorâneas e as áreas de planalto, as terras de matas e terras dobradas, ficando distante das terras luso-brasileiras e das grandes fazendas cafeicultoras.

Os alemães foram designados a ocupar as regiões indicadas por uma opção estratégica, pois o café era nesse momento um dos produtos mais importantes para a economia brasileira, e pequenas propriedades em meio a esses campos acabariam prejudicando a produção. Outro ponto importante era que havia necessidade de se criar uma via de comunicação entre o litoral e as regiões que compreendiam o planalto, como abordado por Giralda Seyferth[1]:

     As primeiras colônias foram estabelecidas em pontos estratégicos entre o planalto e o litoral do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, a fim de garantir de alguma forma as vias de penetração. Em Santa Catarina, principalmente, não havia comunicação entre a capital Desterro e o Planalto e foi com esta finalidade que se deu estímulo à colonização alemã no Vale do Itajaí. (p.31)

Devido às suas características culturais européias, mais especificamente da própria Alemanha, os imigrantes conseguem, mesmo com um número pequeno de componentes, contribuir consideravelmente com a economia brasileira, possibilitando que pequenas propriedades tenham um alto índice de produtividade na produção agrícola e agropecuária.

Tiveram também grande êxito ao procurar uma inserção no setor de comércio, realizando investimentos em diversos setores da economia comercial e extrativa, como explicado por Dennison[2]:

     Embora possuíssem menos de 0,5% da superfície cultivável do país, as comunidades de origem alemã geravam 8% da produção agrícola. Além da agropecuária, alemães e seus descendentes mantinham também empreendimentos nos setores comercial, extrativo e industrial. Fábricas de cerveja, charutos, mineradoras, têxteis e calçados eram suas atividades de investimento preferenciais, fazendo com que possuíssem 10% da indústria e 12% do comércio do Brasil. (p.13-14).

Portanto, é perceptível através dos estudos dos pesquisadores Dennison, Giralda e René, que os imigrantes alemães apresentavam um espírito empreendedor e sofisticado, conseqüência das experiências vivenciadas e perspectivas que conseguiam também realizar.

Juntamente a isso soma-se o desprendimento e força de vontade para trabalhar suas pequenas propriedades e torná-las significativamente produtivas. Essas características apresentaram-se também na participação do comércio e indústria como observado pelo general da reserva e ex-combatente da Força Expedicionária Brasileira Italo Conti, de origem italiana, natural de Mallet, interior do estado do Paraná[3]:

     Por que todos nós sabemos da contribuição dos colonizadores alemães em beneficio ao desenvolvimento da economia brasileira e do progresso do Brasil, principalmente na indústria. Na lavoura também, mas o grande destaque foi na área industrial. Aqui em Curitiba, tinham três sociedades alemãs, que era muito freqüentada pela alta sociedade, havia uma confraternização muito grande, realmente eles eram um pouco mais fechados, porem eram respeitados de uma forma geral.

O depoimento acima deixa mais transparente a realidade vivida pelos imigrantes alemães e sua importância dentro das localidades onde se alocavam. Tanto pesquisadores como demais membros da sociedade que vivenciaram aquele momento, vem nos trazer a confirmação desses fatos.

A imigração alemã, que fora tão incentivada pelo governo brasileiro, acabou tendo restrições quanto às propagandas feitas dentro da Alemanha. Isso ocorreu por parte do governo alemão, no momento em que soube da utilização dos imigrantes nos campos e fazendas do interior de São Paulo. Essa atividade caracterizava, de certa forma, uma forma de exploração inaceitável. A proibição foi generalizada em 1871, voltando a normalização a partir do ano de 1896, já no final do século XIX.

Além da importante contribuição econômica, os alemães também colaboraram na parte demográfica, já que era de costume das famílias dessa época, principalmente àquelas que possuíam uma pequena gleba de terra, terem grande número de filhos, cruciais para que se tivesse mais mão-de-obra para trabalhar a terra e desenvolver as atividades que se faziam necessárias. Esse fato fez com que, nos estados sulinos, essa população tivesse expressividade, como explicado por Dennison de Oliveira[4]:

     …se caracterizavam por um expressivo índice de fertilidade, na média de oito a nove filhos por mulher, para aquelas que se casaram até os 19 anos, e sete filhos, para as que casaram após essa idade. Como resultado, a Colônia alemã tinha antes da Segunda Guerra Mundial uma participação significativa no conjunto da população dos Estados da região sul, onde residiam seus maiores efetivos: 6,9% da população do Paraná, 19,62% do Rio Grande do Sul e 22,34% de Santa Catarina. (p. 14).

A parcela mais expressiva de imigrantes alemães teve sua entrada entre 1850 e o final do século, tendo como característica o surgimento de um grande número de povoados espalhados pelos estados do Sul. Até meados de 1830, o governo oferecia incentivos financeiros para que os alemães se estabelecessem em terras brasileiras e adquirissem as pequenas propriedades. Contudo, a partir desta data houve uma mudança na política Imperial passando essas responsabilidades aos governos das províncias onde os imigrantes se estabeleceriam, sendo que, a partir de 1850, empresas privadas passam a assumir essas atividades.

A grande maioria desses grupos imigrantes ou pequenas comunidades que se formaram, constituiu-se de forma isolada, sem interferência de outras etnias ou grupos, até mesmo porque o Estado não ofereceu nenhum tipo de estrutura básica. Dessa forma, mantiveram seus costumes e sua cultura inalterados. Por estarem localizados nos pontos estratégicos determinados pelos governos, até mesmo a comunicação entre eles acabava ocorrendo na língua materna, ou seja, somente em casos extremos utilizam o pobre vocabulário que tinham em português.

Esse cenário de isolamento dos imigrantes alemães com o passar dos tempos vai acarretar em problema, pois as comunidades germânicas admitidas no Brasil não estavam conseguindo o entrosamento com os brasileiros, portanto, não estavam constituindo um único grupo, como explicado por René Gertz[5]: “Acusação repetida contra alemães e descendentes, desde o início da imigração em 1824, é o de não-integração, do que resultaria uma verdadeira anticidadania brasileira, mesmo para os descendentes que são brasileiros de fato e de direito”. (p. 13)

Por outro lado, os portugueses que se fixaram nas terras brasileiras, já na sua segunda geração possuíam hábitos e costumes brasileiros, procurando integrar-se rapidamente a nova cultura, como analisa Gertz[6]:

     O filho do português entre nós já é brasileiro e pugna pelo Brasil como sua única pátria. Podemos dizer o mesmo dos míseros alemães? Me parece que não. Em geral não há filho e mesmo neto de colono alemão que pugne pelo Brasil como se pugnasse pela sua pátria; pelos exemplos dos pais que olham esta terra mais como madrasta do que como mãe…  (p.13)

A não-integração dos alemães com a sociedade brasileira criou naturalmente uma preocupação para aqueles que conduziam o Brasil, pois estava surgindo um problema social que colocaria em risco a própria formação geográfica do país, como explicado por Dennison de Oliveira [7]:

     Contudo, a relativa não-integração das comunidades de origem germânica levou a uma reversão dessas expectativas iniciais. Termos como “quistos inassimiláveis” de estrangeiros que estariam vivendo no Brasil, alertas para o “perigo alemão” e os temores com relação à criação de uma “Alemanha Antártida” no sul do Brasil passariam, a partir daí, a circular entre as elites dirigentes brasileiras com diferentes graus de aceitação e intensidade. No decorrer das duas guerras mundiais, tais receios seriam amplificados ao máximo, num contexto em que os projetos de uma possível separação da região sul e a criação de uma nova entidade nacional sob controle dos alemães eram tidos não só como altamente prováveis de virem a ser realizados, como também iminentes.  (p.15)

Para deixar a situação ainda mais grave, havia por parte do governo alemão incentivo para aqueles que se encontravam morando no exterior e que se mantivessem autênticos nas suas origens, como explicado por Frank D. McCann[8]: “O governo alemão os incentivava a se considerarem não como imigrantes, mas como alemães vivendo no exterior, como parte da Grande Alemanha”. (p.70)

Toda essa situação foi gerada pela própria estratégia de ocupação criada inicialmente pelos políticos que estavam a frente do Brasil, sendo posteriormente seguido o mesmo procedimento pelos governos provinciais. A idéia de deixar os imigrantes alemães em terras que tinham seus limites com as grandes fazendas, em lugares isolados dos grandes centros, sem muitos meios de comunicação, devido às grandes dificuldades impostas pelas distâncias, não representava, na visão das elites políticas e burguesia, nenhum tipo de perigo ou ameaça.

A própria falta de infra-estrutura, no caso de escolas e outros serviços que suprissem as necessidades básicas sociais, forneceram ferramentas para que esse cenário de não-integração tivesse se desenvolvido e ficasse ainda mais arraigado no peito dos imigrantes, como analisa Ricardo Seitenfus[9]: “Apesar de estabelecida há mais de um século, a colonização alemã é escassamente assimilada. Trata-se de um aparente paradoxo, pois poder-se-ia imaginar que o tempo fosse o importante elemento imigratório. Todavia é o espaço, ou seja, a localização do imigrado que determina sua assimilação”. (p.12)

A preocupação das elites brasileiras não fora somente que o imigrante efetivasse uma ocupação territorial, mas havia outras intenções, como a de melhorar a sociedade, estrategicamente pensada para que a população como um todo evoluísse, acreditava que seria possível desenvolver com melhor qualidade a economia e a cultura, como explicado por Dennison[10]:

     Inicialmente, a imigração alemã para o Brasil era considerada não apenas oportuna, mas extremamente necessária. Afinal, entendia-se que a vinda dos alemães ajudaria a “branquear” nossa população, erradicando-se, com o passar do tempo, a herança cultural e biológica de origem africana, indígena e lusitana, a qual era associada ao atraso cultural e ao subdesenvolvimento econômico. (p. 15)

A falta desse apoio básico propiciou um terreno, onde se desenvolveram instituições que incentivavam a prática da língua alemã e de costumes trazidos da própria Alemanha, como abordado pode Dennison[11]:

     Dessa forma, os colonos foram forçados a prover, com seus próprios recursos ou, em alguns casos, com auxílio financeiro de instituições alemãs, a oferta desses serviços. Assim, as instituições que se dedicavam a essas atividades reforçavam a tendência à endogenia da comunidade, na medida em que, tendo sido criadas por alemães para atender alemães, convertiam-se elas próprias em fatores de comunidade e reforço da germanidade (Deutschtum). (p. 17)

Todo esse conjunto de acontecimentos deflagrou um crescimento de estabelecimentos criados por alemães e para alemães, fazendo mais presente ainda a cultura e costumes germânicos, atingindo todas as idades e gerações que se faziam presentes no território brasileiro. De acordo com Dennison[12]: “No Rio Grande do Sul, por exemplo, elas passaram de 24 para 937 estabelecimentos de ensino. Em Santa Catarina não foi diferente. O caso de Blumenau é típico dessa tendência. Em 1928, das 200 escolas daquele município, nada menos de 132 eram alemãs”. (p.17-18). Não deixando de se mencionar aqui as outras instituições que serviam de meios de comunicação e de recreação.

Dessa forma, as comunidades utilizavam a língua alemã como língua principal, em jornais, nos cultos religiosos, dentro dos lares, fazendo uso do alemão para efetivar a comunicação deles dentro das comunidades. Todos, imigrados ou nascidos, já de segunda geração, se mantinham totalmente atrelados aos costumes e língua germânicos.

Como já analisado anteriormente, o principal fator que propicia esse desencadeamento, foi o abandono dessas famílias em lugares isolados pelas pessoas responsáveis pelos movimentos imigratórios, onde os alemães criaram mecanismos para educar suas gerações.

No ano de 1871 surge um novo fato que vai reforçar a idéia de isolamento das comunidades alemãs que se encontrassem morando em outras regiões fora da Alemanha, seja no Brasil ou qualquer outro lugar que existissem imigrantes germânicos, a criação do Império Alemão, como explica René[13]: “A idéia de não-integração, de segregação, de antipatriotismo e de anticidadania ganhou nova dimensão com a criação do império alemão em 1871 e do quadro internacional daí resultante”. (p. 15)

Essa nova situação trouxe consigo um novo fôlego aos imigrantes alemães, pois reascendeu o que nem havia se apagado, o sentimento de patriotismo pela terra que estava distante. A idéia de germanismo era passada de pai para filho, por isso atingiu todas as gerações.

A imagem criada de conservação da identidade alemã, mesmo em território estrangeiro, aguça ainda mais a idéia de isolamento e de uma “superioridade racial”, pois a imagem e características da sociedade alemã eram pontos positivos e a avaliação das demais etnias era o mais negativo possível, como abordado por Dennison[14]:

     …manutenção dos traços de origem ancestral alemã uma série de características positivas, como a eficiência, limpeza, produtividade, inteligência etc. Inversamente, imputavam aos habitantes de origem luso-brasileira características francamente negativas, as quais seriam racialmente determinadas, como preguiça, a sujeira, a doença etc. Sua principal referência negativa eram os caboclos, habitantes do litoral, que constituíam, aos seus olhos, uma raça que reputavam como portadora de características inatas que seriam antagônicas a tudo que se associavam ao modo de vida alemão, como o atraso, a ignorância, a pobreza etc. (p. 18)

Até mesmo nas uniões matrimoniais havia uma constante preocupação para que não houvesse uma mistura racial, uma miscigenação, para que se mantivesse a identidade alemã. Dessa forma, as características germânicas estariam preservadas, não havendo o risco de serem abandonadas ou desviadas, fortalecendo cada vez mais as ideologias partidas da Europa, mais propriamente dito da Alemanha. Situação essa que acabava sendo mais usual nas sociedades que moravam no interior, em áreas rurais, onde prevalecia o isolamento e a comunidade era composta somente por descendentes de alemães.

Essas práticas e formas de agir das sociedades alemãs que se encontravam morando no exterior fortaleciam a idéia de se manter isolada e inalteradamente sólida a germanidade. A Alemanha se utiliza dessas pessoas que moravam fora, para que elas divulguem a idéia da germanidade, na tentativa de manter essas sociedades interligadas com a pátria mãe, como analisado por René[15]: “A Alemanha não tinha colônias e ideólogos e estrategistas alemães pensaram no aproveitamento os “alemães no exterior” em beneficio da “pátria mãe”. (p.15)

Referencia Bibliográfica

 

*McCANN, Frank D. Aliança Brasil – Estados Unidos (1937-1945). Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército Editora, 1995

*GERTZ, René. O perigo alemão. Porto Alegre: Editora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 1991

* OLIVEIRA, Dennison de. Os soldados alemães de Vargas. Curitiba: Juruá, 2008

* SEYFERTH, Giralda. A colonização alemã no vale do Itajaí – Mirim. Porto Alegre: Movimento, 1985

* Italo Conti. Ex-combatente da Força Expedicionária Brasileira. Entrevista realizada no dia 12 de novembro de 2009 na cidade de Curitiba – PR.


[1]SEYFERTH, Giralda. A colonização alemã no vale do Itajaí – Mirim. Porto Alegre: Movimento, 1985. p.31

[2] OLIVEIRA, Dennison de. Os soldados alemães de Vargas. Curitiba: Juruá, 2008. p.13-14

[3]Italo Conti. Ex-combatente da Força Expedicionária Brasileira. Entrevista realizada no dia 12 de novembro de 2009 na cidade de Curitiba – PR. Natural da cidade de Mallet – PR, de origem italiana, participou como voluntário. Após a declaração de guerra do Brasil contra as nações do eixo, todos os oficiais receberam do ministro um telegrama, solicitando que compusessem o efetivo da FEB, o qual ele fez prontamente. Fez parte do efetivo do 1o Grupo de Artilharia em apoio ao 11o RI. Tinha a função de oficial de ligação, era capitão naquela oportunidade, tendo como seu superior o coronel Valdemar Levi Cardoso, comandante do 1o Grupo de Artilharia. Após passar para a Reserva, desempenhou funções como chefe de segurança do Estado do Paraná e foi também por algumas vezes foi deputado estadual. Conta atualmente com 94 anos.

[4]OLIVEIRA, Dennison de. Os soldados alemães de Vargas. Curitiba: Juruá, 2008. p. 14

[5] GERTZ, René. O perigo alemão. Porto Alegre: Editora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 1991. p.13

[6] Idem, Ibidem.

[7]OLIVEIRA, Dennison de. Os soldados alemães de Vargas. Curitiba: Juruá, 2008. p.15

[8]McCANN, Frank D. Aliança Brasil – Estados Unidos (1937-1945). Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército Editora, 1995. p.70

[9]SEITENFUS, Ricardo. O Brasil vai a Guerra: o processo do envolvimento brasileiro na Segunda Guerra Mundial. 3ª  ed. Barueri, SP: Mamole, 2003. p.12

[10]OLIVEIRA, Dennison de. Os soldados alemães de Vargas. Curitiba: Juruá, 2008. p.15

[11]Idem. p.17

[12] Idem. p.17-18

[13] GERTZ, René. O perigo alemão. Porto Alegre: Editora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 1991. p.15

[14] OLIVEIRA, Dennison de. Os soldados alemães de Vargas. Curitiba: Juruá, 2008. p.18

[15] GERTZ, René. O perigo alemão. Porto Alegre: Editora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 1991. p.15