Archive
Esse País Ficou Mais Pobre Hoje! LUTO
Caros Amigos,
Com profunda tristeza em meu coração e com a dor de ter perdido um grande amigo, venho informar o falecimento do Mestre Historiador Alessandro Santos Rosa um dos homens mais cultos e inteligentes que tive a oportunidade de conhecer. Sargento Santos era militar do Exército Brasileiro e servia atualmente no Centro de Preparação de Oficiais da Reserva em Recife (CPOR/Recife) e estava prestes a incorporar a Missão de Paz do Haiti. A causa-mortis ainda não foi divulgada. O Sargento Santos estava internado no Hospital Militar de Área em Recife, quando seu quadro piorou em ele foi transferido para a UTI, vindo a falecer nesta madrugada.
Alessandro dos Santos Rosa é natural do Rio Grande do Sul, sendo formando em História pela Universidade Católica de Cuiabá, realizando sua tese de mestrado pela Universidade Federal do Paraná. Serviu com dedicação, zelo e amor à pátria, abrindo mão do convívio de sua família pela vocação profissional, configurando um exemplo para um país recheado de canalhas e dilapidadores do bem público. Felicidade de estar relacionado para servir no contingente da Missão de Paz no Haiti, e não escondia seu orgulho de participar de tão grandiosa missão. Em paralelo estava trabalhando arduamente para escrever um livro com a História dos Pracinhas da Associação de Veteranos da FEB – Seccional Pernambuco, insistindo em concluir esse projeto antes de partir para o exterior.
Santos escreveu e colaborou com esse BLOG desde os primeiros meses, e sentia-se orgulhoso em produzir e ver seu trabalho publicado. Seu último artigo publicado A Revolução de 1964: Ponderações Historiográficas! Mostra a visão de historiador e não a de um militar sobre os eventos de 1964, dando um exemplo de análise histórica. Além de outros tantos artigos também publicamos parte de sua tese de mestrado e um especial sobre os alemães e o Brasil que serve como parâmetro para um assunto tão pouco abordado, principalmente no meio acadêmico.
Quando você escreve e tem um espaço que é acompanhado por tantas pessoas, nunca imagina que irá ter que escrever sobre um acontecimento tão triste, mas em respeito a memória desse Herói, pela sua sapiência, pelo seu exemplo de dedicação e pela seu amor incondicional ao estudo da História, deixamos registrado aqui para a posteridade tudo que Meu Amigo Santos defendeu, o respeito e o amor aos Soldados Brasileiros que lutaram na Segunda Guerra e que, assim como ele, defenderam ideais e lutaram pelo seu país, abdicando de qualquer outra coisa em prol de suas convicções.
Pedimos que o Nosso Senhor Jesus Cristo possa confortar sua esposa Rosangela e seus filhos Matheus e Eduarda.
Para encerrar segue abaixo os Agradecimentos da Tese de Mestrado do Professor Alessandro dos Santos Rosa:
“Agradeço a Deus, meu amigo fiel de todas às horas que, através de minhas orações, fortaleceu meu espírito, possibilitando que eu tivesse a coragem e superasse as dificuldades que às vezes pareciam infinitas dentro desse período. Elevo os meus pensamentos aos céus e agradeço por tudo que recebo, por tudo que sou e faço, onde sempre encontro fé e esperança, permitindo renova sempre minhas forças.”
Alessandro dos Santos Rosa
Os alemães e o Brasil – A Imigração Alemã – Parte III
Segue a terceira parte da análise da imigração alemão para o Brasil do Mestre Alessandro Santos Rosa:
E as preocupações aumentam!
Preocupações mais acentuadas começaram a surgir no cenário político nacional com a eclosão da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), uma vez que se perceberam as idéias que pairavam dentro da Alemanha de estender seus territórios até mesmo no além-mar.
Os imigrantes residentes no Brasil passaram a representar uma ameaça, pois, além de não se integrarem a sociedade brasileira, mantinham um apoio incondicional a Alemanha, como explicado por René Gertz[1]: “Houve reservistas alemães que abandonaram o Brasil para lutar pela Alemanha; no início do conflito foi fundado o jornal Bismarck em Porto Alegre para contrapor-se às notícias negativas sobre a Alemanha difundidas pela maioria da imprensa, e mais tarde foi adquirido O Diário para o mesmo fim”. (p.16)
Se havia esse tipo de disponibilidade de um indivíduo sair de um país para onde tinha imigrado para defender a pátria mãe de arma em punho, arriscando sua própria vida, então se tratava no mínimo de uma situação de preocupação relevante. O que fora tão incentivado que ocorresse, a imigração de alemães para realizar a ocupação das grandes áreas de terras brasileiras, acaba tomando um sentido contrário, pois ficam suspensos no ar os primeiros alarmes dos perigos que passam a representar para o Brasil.
Quando finda a Primeira Guerra Mundial, as elites brasileiras respiraram aliviadas, pois a idéia do pangermanismo colocava em risco a hegemonia brasileira, a integridade e a soberania. Com a ocupação alemã, que se deu nos três estados sulinos, em maior peso no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, havia a preocupação de que a Alemanha investisse na idéia de tornar este uma extensão de seu país como ocorrido com outros países da Europa sobre regiões subdesenvolvidas.
A partir da Primeira Guerra Mundial, a preocupação com a não-integração alemã com a sociedade brasileira, torna-se constante, pois, assim como consideravam o povo judeu uma sociedade que só explorava e não trabalhava, que se aproveitavam da produção alemã, poderiam passar a ter a mesma visão dos brasileiros. Os judeus eram vistos como os grandes culpados da Alemanha estar subordinada aos efeitos do capitalismo internacional e por viver em atraso econômico. Havia uma espécie de sentimento de ódio, onde não havia lugar para essa sociedade inferior.
A intervenção de autoridades alemãs acabava influenciando as normas da política brasileira em relação a imigrantes judeus, como analisa Ricardo[2]: “A cooperação policial e governamental germano-brasileira conduz o Brasil a adotar medidas anti-semitas preconizadas por Berlim. Por meio da circular secreta n. 1.127, de 7 de junho de 1937, o governo Vargas oficializa as restrições à entrada de imigrantes de origem judaica no Brasil”. (p. 28)
Do mesmo modo, cria-se um temor intenso no Brasil, já que essas idéias criadas e alimentadas pela liga Pangermânica, após o ano de 1928, continuavam fervorosas. As comunidades de alemães passam a ser alvo de constante observação, pois a idéia de tornar o povo alemão uma raça superior era latente e foi ainda mais incentivada com o surgimento do III Reich de Adolf Hitler, como aborda Dennison[3]:
O imperialismo, o militarismo e o pangermanismo foram entusiasticamente adotados pelos nazistas, constituindo a base de seus argumentos em favor de uma drástica mudança na ordem mundial vigente. Deve-se destacar, contudo, que o nazismo também enfatizava ainda mais os elementos de ordem racial, ao explicitar seu projeto de poder. (p.19)
A partir de 1920 a Alemanha inicia uma trajetória para recuperar sua economia e tentar se projetar no cenário mundial, pois com a derrota da Primeira Guerra Mundial teve toda sua estrutura abalada. Já após 1933 encontrava-se com sua economia em ascendência, um crescimento contínuo e com uma política totalitária.
Nessa mesma década, no Brasil, ocorre o golpe do Estado Novo, ascendendo ao poder a figura de Getúlio Vargas (1937), o qual tinha formas de governo e pensamento alinhados com as ideologias de Hitler e Mussolini, sendo que o primeiro ascendeu ao poder já em 1933 e o segundo em 1925, este através de um golpe de estado. Esses aspectos que caracterizam ambos os governos vão propiciar um estreitamento nas relações políticas e econômicas.
Essas novas relações preocupam de imediato o governo norte-americano, pois a política econômica, de troca de produto, fez com que houvesse um grande impulso nas atividades comerciais desenvolvidas pela aliança Brasil-Alemanha, perdendo fôlego o comércio entre brasileiros com os Estados Unidos, como analisado por Dennison[4]:
Dessa forma, compreende-se que, ao aumento do volume do comércio da Alemanha com o Brasil, correspondesse uma queda das trocas brasileiras com os EUA. Quando Adolf Hitler chegou ao poder na Alemanha em 1933, os EUA respondiam por 21,2% das importações brasileiras e a Alemanha, por 12%. As exportações brasileiras para os EUA alcançavam 46,7% do valor total, e aquelas para a Alemanha, 8,1%. Cinco anos depois, o quadro era muito diferente. As importações de produtos alemães correspondiam a 25% do total, e as norte-americanas a 24,2%. Já as exportações brasileiras para os EUA haviam caído para 34,3%, enquanto as destinadas para a Alemanha subiram para 19,1%. (p.20)
Perante as alterações nos níveis de negociação comercial com a Alemanha, iniciou nesse momento uma preocupação constante por parte do governo norte-americano. Pois a comercialização com o país germânico ocorria em moeda alemã, atrelando a economia de quem estivesse comercializando, pois os valores convertidos em francos alemães ficavam depositados em bancos alemães e só poderiam ser usados para pagar por mercadorias produzidas na própria Alemanha.
Referencia Bibliográfica
*GERTZ, René. O perigo alemão. Porto Alegre: Editora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 1991
* OLIVEIRA, Dennison de. Os soldados alemães de Vargas. Curitiba: Juruá, 2008
* SEYFERTH, Giralda. A colonização alemã no vale do Itajaí – Mirim. Porto Alegre: Movimento, 1985




