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Os alemães e o Brasil – A Imigração Alemã – Parte IV
Autor: Professor Mestre Alessandro dos Santos Rosa
Laços Rompidos
Como analisado anteriormente, no início da colonização alemã houve um forte incentivo para que ela ocorresse, efetivando a ocupação de terras estrategicamente distribuídas. As colônias alemãs que se estabeleceram nos três estados do sul do país, permaneceram isoladas. Não se integraram a sociedade brasileira. Viviam como alemães, mantendo costumes, tradições e utilizando a língua da terra materna, tendo como principal culpado o próprio Estado, que despreocupado com essa gente, deixou-os a própria sorte.
Inicialmente todo esse conjunto de acontecimentos era visto com naturalidade. Porém, quando ideologias sobre uma hegemonia racial começaram a ser difundidas, partindo da própria Alemanha, começaram a pairar sobre as elites brasileiras preocupações sobre essas comunidades que se mantinham íntegras e isoladas do restante da sociedade.
Surgem preocupações com a própria unidade nacional, pois associações, escolas, jornais e até mesmo igrejas, agiam ideologicamente para que permanecessem isolados todas as gerações de imigrantes alemães. Em 1871, com a criação do Império Alemão, e em 1890 a Liga Pangermânica, apoiada pelo surgimento do III Reich, buscavam apoio daqueles que estavam residindo fora da Alemanha
No inicio do século XX, o mundo caminhou para a Primeira Guerra Mundial, onde as preocupações aumentaram e ao findar da mesma respirou-se com grande alivio, como analisa René Gertz[1]:
Graça Aranha declarou depois da guerra e da derrota alemã: “Deste perigo fomos libertados pela vitória dos aliados em 1918. Devemos-lhes a segurança da nossa integridade territorial. Se ainda algum incrédulo duvidar das vantagens obtidas pelo Brasil em combater a Alemanha, se perguntar o que lucramos materialmente, a melhor resposta a essa indagação utilitária seria aquela muito simples de obscuro, mas arguto jornal de província: ganhamos Santa Catarina e o Rio Grande do Sul. (p. 16)
Após a guerra, durante as décadas de 20 e 30, as preocupações com essas comunidades isoladas foram constantes, principalmente na década de 30, já que o Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães, mais conhecido como partido nazista, reconhece como alemães todos descendentes que moravam no exterior. Formaram-se então pequenos grupos nazistas dentro do país. Tão logo se estabelece o Estado Novo iniciam-se algumas formas de represália, na tentativa de combater as infiltrações nazistas, mas procurando sempre manter os bons relacionamentos políticos e econômicos com a Alemanha.
As tentativas de golpe, como a dos Integralistas, que eram aliados a idéias nazi-fascistas, faziam com que o governo tomasse medidas que visavam obrigar os imigrantes alemães a se nacionalizar, determinando que nas escolas particulares as aulas fossem ministradas somente em língua portuguesa, como explica Dennison[2]: “Todas as aulas deveriam ser ministradas em português, todos os professores e diretores deveriam ser brasileiros natos e nenhum subsídio poderia ser fornecido às escolas por entidades estrangeiras”. (p. 23)
Da mesma forma houve exigências de que as missas deveriam ser executadas em língua portuguesa, tanto nos cultos católicos quanto nos cultos protestantes. No mês de julho de 1936, surgem indícios das dificuldades que seriam enfrentadas nas relações entre alemães e brasileiros, pois os descendentes de alemães pelas leis brasileiras eram considerados de nacionalidade brasileira, situação que era contestada pelas legislações alemãs.
Dentro das normas alemãs, o descendente de alemão, mesmo morando no exterior, era considerado como cidadão germânico e com obrigações para com seu país, como abordado por Ricardo Seitenfus[3]: “A Posição da Alemanha, relativamente aos seus cidadãos que residem no exterior, é límpida: a lei de 21 de maio de 1935 obriga todo cidadão alemão, qualquer que seja o lugar de sua residência, a cumprir seu serviço militar na Alemanha”. (p. 29)
No ano de 1941 foi baixado um decreto que acabava impondo barreiras para a entrada de novos imigrantes, com a intenção de que a nacionalização se solidificasse com maior rapidez.
Em contrapartida, as relações do campo econômico evoluíam em tamanha velocidade que causava grande preocupação aos norte-americanos, pois aos poucos viam-se perdendo sua hegemonia comercial com o Brasil. Até meados de 1934 a Alemanha mantinha interesse na compra somente de um produto, o café.
Já no inicio do ano de 1935, são realizados acordos, onde é proposto que a Alemanha concederia uma assistência no desenvolvimento de projetos ambicionados pelo governo brasileiro, que seja um deles, a construção de uma siderúrgica. Em troca seriam fornecidas matérias-primas necessárias para as indústrias germânicas.
A partir desse momento desencadeia-se uma grande quantidade de acordos econômicos, inclusive com a Itália. Esses procedimentos não tinham uma boa repercussão perante os olhares norte-americanos. Para agitar ainda mais os ânimos, no ano de 1937, Getúlio Vargas decide modificar as leis e, com apoio militar, fecha o congresso, cancela a campanha eleitoral e promulga uma nova Constituição de caráter fascista, utilizando dessa forma, um sistema existente na Europa, um regime totalitário.
Para agravar essa situação, por volta do ano de 1936, as negociações com a Alemanha e o Brasil ultrapassaram as realizadas entre brasileiros e norte-americanos. Os EUA não aceitando tal situação procuraram criar mecanismos para que essas relações comerciais entre brasileiros e Alemães fossem de certa forma prejudicadas, como explicado por Ricardo[4]:
O departamento de estado tenta obstaculizar a aproximação comercial germano-brasileira pois, segundo Washington, a política comercial da Alemanha, com os marcos aski e as subvenções concedidas à exportação, contrariam a política comercial liberal do Programa Hull. Berlin, por sua vez, está consciente das pressões exercidas pelos Estados Unidos com a finalidade de dificultar seu comércio com a América Latina. Para os alemães, a estratégia de Washington tornou-se “claramente perceptível quando das negociações comerciais com vários Estados sul-americanos e, em particular, com o Brasil”. (p. 20-21 )
Quando acontece a ascensão de Hitler ao poder, as negociações tem uma grande evolução, cresce a importância da economia brasileira perante a nação germânica. Além do café, o principal produto comprado pelos alemães, o algodão ganha destaque, fazendo com que a própria produção dentro do Brasil fosse alavancada.
O governo brasileiro consegue manter um bom relacionamento comercial com a Alemanha e EUA até meados de 1942, momento em que é obrigado a “sair de cima do muro” e apoiar um dos lados que estavam em guerra, pois ambos continuavam a manter as relações comerciais com a elite brasileira. Os norte-americanos fizeram propostas para investir e desenvolver a economia, da mesma forma a Alemanha havia feito promessas dessa natureza, porém, os norte-americanos apresentam melhores condições econômicas para cumprir com as propostas efetuadas.
Acontecem ainda os episódios dos torpedeamentos de navios brasileiros na costa brasileira e em mar aberto, dessa forma não tinha mais como o Brasil permanecer neutro, pois as próprias elites políticas acabaram insuflando as massas dos grandes centros, onde solicitavam ao governo que apoiasse a guerra. A culpa, relacionada aos torpedeamentos, foi imputada aos alemães.
Sendo assim, o governo toma a decisão de apoiar os EUA, em troca de algumas exigências, quais sejam, o reaparelhamento das forças armadas, que se encontravam grandemente sucateadas, e a construção de uma Siderúrgica.
Referencia Bibliográfica
*GERTZ, René. O perigo alemão. Porto Alegre: Editora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 1991
* OLIVEIRA, Dennison de. Os soldados alemães de Vargas. Curitiba: Juruá, 2008
* SEYFERTH, Giralda. A colonização alemã no vale do Itajaí – Mirim. Porto Alegre: Movimento, 1985
[1] GERTZ, René. O perigo alemão. Porto Alegre: Editora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 1991. p. 16
[2] OLIVEIRA, Dennison de. Os soldados alemães de Vargas. Curitiba: Juruá, 2008. p.23
[3] SEITENFUS, Ricardo. O Brasil vai a Guerra: o processo do envolvimento brasileiro na Segunda Guerra Mundial. 3ª Ed. Barueri, SP: Mamole, 2003. p.29
[4] SEITENFUS, Ricardo. O Brasil vai a Guerra: o processo do envolvimento brasileiro na Segunda Guerra Mundial. 3ª Ed. Barueri, SP: Mamole, 2003. p.20-21
Links para os artigos anteriores:
Os alemães e o Brasil – A Imigração Alemã – Parte I
A Reintegração Social dos Ex-Combatentes da FEB – 46/88 – Parte I
Estamos publicando, a partir de hoje, a pesquisa do Professor Mestre Alessandro do Santos Rosa. Sua Dissertação de Mestrado contempla o retorno dos pracinhas e as políticas de abandono que foram implementadas pelo país até a década de 80, portanto é um subsídio incomensurável para todos aqueles que desejam entender sobre a condição dos membros da Força Expedicionária Brasileira, depois da desmobilização promovida ainda pelo governo de Getúlio Vargas até o seu reconhecimento na Constituição Federal de 1988.
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INTRODUÇÃO
O objetivo principal do estudo focalizado por essa dissertação é desenvolver uma análise sobre o processo de reintegração social dos ex-combatentes da Força Expedicionária Brasileira (1943/1945), por intermédio de uma tardia legislação, que visava trazer um amparo legal. Será realizada uma abordagem geral sobre a FEB, sendo que se dará uma ênfase sobre o surgimento da legislação, na década de 40, especificamente no ano de 1946, um ano após o retorno dos expedicionários da Itália por término da Segunda Guerra Mundial (1939/1945).
Mesmo com o surgimento dessas legislações, um grande número de expedicionários obteve seu benefício somente na década de 1980. Em alguns casos, foram mais de quarenta anos de demora para que, aqueles que permaneceram vivos, fossem assistidos pelo Estado. A historiografia militar, aqui especificamente sobre a Força Expedicionária, ficou por um longo período no esquecimento da sociedade e dos próprios pesquisadores. Alguns contatos com ex-combatentes, que fizeram parte do efetivo da FEB e estiveram diretamente envolvidos no combate ou, ainda, que ficaram como reservas no depósito de pessoal, aguçaram meu interesse em procurar uma compreensão a respeito desse processo.
A academia apresenta, na atualidade, pesquisas de vulto importantíssimos para uma compreensão de como foi realizado o processo de desmobilização e sobre como foi trabalhada a reintegração social dos ex-combatentes. Porém, o objetivo é adicionar uma reflexão junto com essas pesquisas e tentar compreender as formas e razões que conduziram a criação dessas legislações, de modo específico, para aqueles que estiveram de forma direta envolvidos nos campos de batalha na década de 1940 e, em alguns casos, foram contemplar quem tinha direito somente na década de 80.
Essa pesquisa não tratara de casos nem de lugares específicos. Por intermédio de depoimentos, colhidos aleatoriamente, buscaremos uma compreensão do que ocorreu, de uma forma geral, com os homens e mulheres que compuseram o efetivo febiano. O processo pelo qual se desenvolveu a participação do Brasil, no episódio da Segunda Guerra Mundial, foi conturbado e desorganizado, deixando a sociedade distante. Os sacrifícios realizados nos campos de combate também ficaram, de certa forma, alheios ao conhecimento social, causando um esquecimento por parte da sociedade e por parte dos estudiosos.
Não seria diferente o procedimento no retorno, pois o povo brasileiro não estava interligado com seus militares combatentes. Em decorrência da forma como foi realizada a mobilização não havia uma relação de proximidade com o processo da participação na guerra, ficando os combatentes, dessa forma, ignorados, esquecidos. Como foram recebidos pela população seus ex-combatentes? Como a maioria dos ex-febianos passaram a viver seu cotidiano? Houve algum tipo de discriminação da sociedade em relação aos ex-componentes da FEB? Que tipo de amparo foi prestado pelo Estado? Esses amparos conseguiram reparar as injustiças ocorridas? Todos ex-combatentes foram beneficiados pelas leis criadas? Essa pesquisa tentara responder questões como essas e outras que possam surgir.
Outras abordagens, ainda, serão realizadas, as quais passam pelo processo de convocação e seleção, em que a questão dos apadrinhamentos será aprofundada. Incluem-se, assim, em nossas análises, investigações sobre os seguintes aspectos: a participação no confronto, bem como a participação na guerra, buscando-se dar ênfase, de uma forma inédita, sobre as facilidades oferecidas em situação de guerra; o que aconteceu aos ex-combatentes, após seu retorno ao país; qual foi a reação frente ao processo de desmobilização; como ficou marcado o momento da chegada e suas festividades por ocasião do retorno; quais as preocupações das autoridades político-militares, de uma forma geral, em relação aos expedicionários.
Na historiografia brasileira as pesquisas realizadas sobre esse grupo social, com teor mais profundo, datam de um momento recente. Alguns trabalhos realizados tiveram seu início no eixo Rio/São Paulo, na década de 1970, com a pesquisa de Maira de Lourdes Lins[1] (1972), a qual fazia parte do programa de pós-graduação. Nos anos que compõem a década de 1980 dois trabalhos, um do ex-combatente da FEB, Francisco Cabral[2] (1982) e outro do tenente-coronel, João Felipe Sampaio Barbosa[3] (1985), são apresentados, sendo que o último realiza uma abordagem específica sobre a questão social dos ex-componentes da FEB.
Outros trabalhos, não relacionados com a questão social da FEB, mas com a historiografia vem surgir na década 1990. A participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial começa, então, a ganhar espaço e destaque entre os estudos acadêmicos, com pesquisadores como Luís Felipe da Silva Neves[4] (1992), Alfredo Oscar Salum[5] (1996) e Patrícia da Silva Ribeiro[6] (1999).
É perceptível que são poucas pesquisas realizadas em torno do assunto que envolve a participação efetiva do Brasil, no episódio da guerra. Em países do continente europeu, América do Norte, alguns países da Ásia e Oceania, nunca se deixou de pesquisar o ramo da História Social, que estuda as guerras e os homens que as fazem. Do mesmo modo, nunca se deixou de pesquisar sobre os ex-combatentes, seu impacto social. Um trabalho, que tem por objetivo uma abordagem em torno da questão social e tem uma representatividade historiográfica de grande importância, é a pesquisa do historiador Francisco César Alves Ferraz[7], o qual surgiu quase 60 anos após o encerramento da participação do Brasil no contexto da Segunda Guerra Mundial. Pode ainda ser citado como destaque, o empenho do pesquisador Dennison de Oliveira,[8] o qual se dedica, no desenvolvimento dos trabalhos desenvolvidos, à ênfase a uma Nova História Militar Brasileira. Este autor coordena grupos de pesquisa, desenvolvendo projetos e artigos que visam valorizar a história militar
Um longo período se passou até que houvesse interesse, por parte dos estudiosos, em desenvolver pesquisas em torno da participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial, referente à criação da Força Expedicionária Brasileira. Conforme explica Francisco César Alves Ferraz[9], nas quase seis décadas que separam o fim da guerra aos dias atuais, o tema da participação na Campanha da Itália teve pequena relevância na disciplina de História e nos livros didáticos.
Esse desinteresse acabou deixando um permanente abismo entre os ex-combatentes, componentes da FEB e o meio social. Para a pesquisadora Sirlei de Fátima Nass[10], a participação da FEB na Segunda Guerra não implicou nem em perdas substanciais de vidas humanas, nem a ocupação estrangeira do território brasileiro, sendo vista à distância pela sociedade. Fato esse que foi fundamental para o rápido esquecimento por parte da sociedade. Porém, para o pesquisador Dennison de Oliveira[11], essa falta de proximidade com os efeitos violentos da guerra não justifica o silêncio e a omissão, na medida em que o mundo acadêmico brasileiro mantém-se, curiosamente, distante do enfrentamento dos problemas suscitados pela necessidade de se interpretar a história militar e as memórias a ela associadas. O que poderia ter propiciado o pouco interesse em pesquisas relacionadas a assuntos militares, segundo os pesquisadores Dennison de Oliveira[12] e Francisco César Alves Ferraz[13], foi o difícil relacionamento existente entre a universidade e o Regime Militar (1964/85), sendo que, mesmo depois de terminada a ditadura, a FEB continuou sendo desprezada na historiografia acadêmica.
Outros interesses se interligavam com essas problemáticas, pois as autoridades político-militares, temendo que pudesse haver uma mobilização política mediada pelo contingente que havia retornado dos campos de batalha da Europa, procuravam manter a sociedade distante da FEB. Ficava, dessa forma, mais enfraquecida a imagem da Força Expedicionária e de seus componentes, apagando-se, rapidamente, da memória da sociedade. Embora no período da ditadura tenha ocorrido um grande desenvolvimento nas áreas de pesquisas, graduação e pós-graduação dentro do meio acadêmico, as tensões políticas distanciavam as produções científicas. Nem mesmos os livros didáticos traziam grandes informações. Nesse material constavam algumas poucas informações sobre a participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial, desprezando posteriormente a FEB também.
A sociedade, por não conhecer o processo pelo qual passaram os ex-combatentes, por não saber das dificuldades enfrentadas, desde a mobilização, a passagem pelo processo da participação efetiva nos campos de batalha, encerrando por uma desmobilização desorganizada e rápida, não teria condições, também, de oferecer apoio, de reconhecer seus heróis. Como nos explica Dennison de Oliveira[14], dependendo das avaliações do desempenho da tropa brasileira na Itália, feitas por essa história, a memória da FEB assumiu dimensões simpáticas e generosas, hostis e negativas, ou mesmo heróicas ou depreciativas.
Dessa forma, se tornava fácil distorcer os feitos dos expedicionários, seguindo as divulgações e pesquisas, o critério que interessasse àquelas pessoas que detinham o poder e visavam preservar seus interesses. Essas possibilidades poderiam transformar pontos positivos em negativos sem questionamentos, pois não havia na memória social informações concretas. Como analisado por Sirlei de Fátima Nass[15], tal entendimento exerceu grande influência, para melhor ou para pior, no conjunto de questões, na diversidade de memórias, nas representações sobre a atuação dos expedicionários na guerra, bem como na busca por reconhecimento e inserção social da sua memória e história.
BIBLIOGRAFIA
BONALUME NETO, Ricardo. A nossa Segunda Guerra: os brasileiros em combate, 1942-1945. Rio de Janeiro: Expressão e Cultura, 1995.
CABRAL, F. Um batalhão no Monte Castelo. São Paulo, 1982. Tese (Doutorado em História), Universidade de São Paulo
FERRAZ, Francisco César Alves. A guerra que não acabou: a reintegração social dos veteranos da Força Expedicionária Brasileira (1945-2000). Tese de doutorado. São Paulo, 2003.
FERRAZ, F. C. A. O Brasil na guerra: um estudo de memória escolar. Comunicação apresentada no IV Encontro Perspectiva do Ensino de História. Ouro Preto. Universidade Federal de Ouro Preto, 24 de abril de 2001. Anais da ANPOC.
LINS, M de L. F. A Força Expedicionária Brasileira: uma tentativa de interpretação. São Paulo, 1972. Dissertação (Mestrado em História) Universidade de São Paulo (publicada em 1975 pela Editora Unidas de São Paulo).
MASCARENHAS DE MORAES, João Batista. A FEB pelo seu Comandante. São Paulo: Instituto Progresso Editorial, 1947.
NASS, Sirlei de Fátima. Legião Paranaense do Expedicionário: indagações sobre a reintegração social dos febianos paranaenses (1943-1951). Dissertação – UFPR, 2005.
OLIVEIRA, D. História e memória entre ex-combatentes: o caso da Força Expedicionária Brasileira (1943-2000).
RIBEIRO, P. da S. As batalhas da memória: uma história da memória dos ex-combatentes brasileiros. Niterói, 1999. Dissertação (Mestrado em História): Instituto de Ciências Humanas e Filosofia, Universidade Federal Fluminense.
SALUM, A. O. Zé Carioca vai à Guerra. São Paulo, 1996. Dissertação (Mestrado em História) Pontifícia Universidade Católica.
[1] LINS, M de L. F. A Força Expedicionária Brasileira: uma tentativa de interpretação. São Paulo, 1972. Dissertação (Mestrado em História) Universidade de São Paulo (publicada em 1975 pela Editora Unidas de São Paulo).
[2] CABRAL, F. Um batalhão no Monte Castelo. São Paulo, 1982. Tese (Doutorado em História), Universidade de São Paulo.
[3] Este é a única pesquisa encontrada abordando alguns tópicos sobre a questão social da FEB. BARBOSA, João Felipe Sampaio. Regresso e desmobilização da FEB: problemas e consequências. (A Defesa Nacional, Rio de Janeiro. Ano 71, n. 719, mai./jun. 1985).
[4] NEVES, L. F. da S. A Força Expedicionária Brasileira: uma perspectiva histórica. Rio de Janeiro, 1992. Dissertação (Mestrado em História), Universidade Federal do Rio de Janeiro.
[5] SALUM, A. O. Zé Carioca vai à Guerra. São Paulo, 1996. Dissertação (Mestrado em História) Pontifícia Universidade Católica.
[6] RIBEIRO, P. da S. As batalhas da memória: uma história da memória dos ex-combatentes brasileiros. Niterói, 1999. Dissertação (Mestrado em História): Instituto de Ciências Humanas e Filosofia, Universidade Federal Fluminense.
[7] FERRAZ, Francisco César Alves. A guerra que não acabou: a reintegração social dos veteranos da Força Expedicionária Brasileira (1945-2000). Tese de doutorado. São Paulo, 2003. p. 5
[8] O doutor Dennison de Oliveira, além de coordenar grupos de pesquisa em torno da historiografia militar brasileira é autor de várias obras podendo ser citadas aqui “Os soldados alemães de Vargas” e “Os soldados brasileiros de Hitler”, dentre outra obras.
[9] FERRAZ, F. C. A. O Brasil na guerra: um estudo de memória escolar. Comunicação apresentada no IV Encontro Perspectiva do Ensino de História. Ouro Preto. Universidade Federal de Ouro Preto, 24 de abril de 2001. Anais da ANPOC.
[10] NASS, Sirlei de Fátima. Legião Paranaense do Expedicionário: indagações sobre a reintegração social dos febianos paranaenses (1943-1951). Dissertação – UFPR, 2005. p.17.
[11] OLIVEIRA, D. História e memória entre ex-combatentes: o caso da Força Expedicionária Brasileira (1943-2000).
[12] Idem.
[13] FERRAZ, F. C. A. A Guerra que não acabou…. op. cit. . p. 10
[14] Idem.
[15] NASS, Sirlei de Fátima. Legião Paranaense do Expedicionário…. op. cit. p.18
Os alemães e o Brasil – A Imigração Alemã – Parte III
Segue a terceira parte da análise da imigração alemão para o Brasil do Mestre Alessandro Santos Rosa:
E as preocupações aumentam!
Preocupações mais acentuadas começaram a surgir no cenário político nacional com a eclosão da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), uma vez que se perceberam as idéias que pairavam dentro da Alemanha de estender seus territórios até mesmo no além-mar.
Os imigrantes residentes no Brasil passaram a representar uma ameaça, pois, além de não se integrarem a sociedade brasileira, mantinham um apoio incondicional a Alemanha, como explicado por René Gertz[1]: “Houve reservistas alemães que abandonaram o Brasil para lutar pela Alemanha; no início do conflito foi fundado o jornal Bismarck em Porto Alegre para contrapor-se às notícias negativas sobre a Alemanha difundidas pela maioria da imprensa, e mais tarde foi adquirido O Diário para o mesmo fim”. (p.16)
Se havia esse tipo de disponibilidade de um indivíduo sair de um país para onde tinha imigrado para defender a pátria mãe de arma em punho, arriscando sua própria vida, então se tratava no mínimo de uma situação de preocupação relevante. O que fora tão incentivado que ocorresse, a imigração de alemães para realizar a ocupação das grandes áreas de terras brasileiras, acaba tomando um sentido contrário, pois ficam suspensos no ar os primeiros alarmes dos perigos que passam a representar para o Brasil.
Quando finda a Primeira Guerra Mundial, as elites brasileiras respiraram aliviadas, pois a idéia do pangermanismo colocava em risco a hegemonia brasileira, a integridade e a soberania. Com a ocupação alemã, que se deu nos três estados sulinos, em maior peso no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, havia a preocupação de que a Alemanha investisse na idéia de tornar este uma extensão de seu país como ocorrido com outros países da Europa sobre regiões subdesenvolvidas.
A partir da Primeira Guerra Mundial, a preocupação com a não-integração alemã com a sociedade brasileira, torna-se constante, pois, assim como consideravam o povo judeu uma sociedade que só explorava e não trabalhava, que se aproveitavam da produção alemã, poderiam passar a ter a mesma visão dos brasileiros. Os judeus eram vistos como os grandes culpados da Alemanha estar subordinada aos efeitos do capitalismo internacional e por viver em atraso econômico. Havia uma espécie de sentimento de ódio, onde não havia lugar para essa sociedade inferior.
A intervenção de autoridades alemãs acabava influenciando as normas da política brasileira em relação a imigrantes judeus, como analisa Ricardo[2]: “A cooperação policial e governamental germano-brasileira conduz o Brasil a adotar medidas anti-semitas preconizadas por Berlim. Por meio da circular secreta n. 1.127, de 7 de junho de 1937, o governo Vargas oficializa as restrições à entrada de imigrantes de origem judaica no Brasil”. (p. 28)
Do mesmo modo, cria-se um temor intenso no Brasil, já que essas idéias criadas e alimentadas pela liga Pangermânica, após o ano de 1928, continuavam fervorosas. As comunidades de alemães passam a ser alvo de constante observação, pois a idéia de tornar o povo alemão uma raça superior era latente e foi ainda mais incentivada com o surgimento do III Reich de Adolf Hitler, como aborda Dennison[3]:
O imperialismo, o militarismo e o pangermanismo foram entusiasticamente adotados pelos nazistas, constituindo a base de seus argumentos em favor de uma drástica mudança na ordem mundial vigente. Deve-se destacar, contudo, que o nazismo também enfatizava ainda mais os elementos de ordem racial, ao explicitar seu projeto de poder. (p.19)
A partir de 1920 a Alemanha inicia uma trajetória para recuperar sua economia e tentar se projetar no cenário mundial, pois com a derrota da Primeira Guerra Mundial teve toda sua estrutura abalada. Já após 1933 encontrava-se com sua economia em ascendência, um crescimento contínuo e com uma política totalitária.
Nessa mesma década, no Brasil, ocorre o golpe do Estado Novo, ascendendo ao poder a figura de Getúlio Vargas (1937), o qual tinha formas de governo e pensamento alinhados com as ideologias de Hitler e Mussolini, sendo que o primeiro ascendeu ao poder já em 1933 e o segundo em 1925, este através de um golpe de estado. Esses aspectos que caracterizam ambos os governos vão propiciar um estreitamento nas relações políticas e econômicas.
Essas novas relações preocupam de imediato o governo norte-americano, pois a política econômica, de troca de produto, fez com que houvesse um grande impulso nas atividades comerciais desenvolvidas pela aliança Brasil-Alemanha, perdendo fôlego o comércio entre brasileiros com os Estados Unidos, como analisado por Dennison[4]:
Dessa forma, compreende-se que, ao aumento do volume do comércio da Alemanha com o Brasil, correspondesse uma queda das trocas brasileiras com os EUA. Quando Adolf Hitler chegou ao poder na Alemanha em 1933, os EUA respondiam por 21,2% das importações brasileiras e a Alemanha, por 12%. As exportações brasileiras para os EUA alcançavam 46,7% do valor total, e aquelas para a Alemanha, 8,1%. Cinco anos depois, o quadro era muito diferente. As importações de produtos alemães correspondiam a 25% do total, e as norte-americanas a 24,2%. Já as exportações brasileiras para os EUA haviam caído para 34,3%, enquanto as destinadas para a Alemanha subiram para 19,1%. (p.20)
Perante as alterações nos níveis de negociação comercial com a Alemanha, iniciou nesse momento uma preocupação constante por parte do governo norte-americano. Pois a comercialização com o país germânico ocorria em moeda alemã, atrelando a economia de quem estivesse comercializando, pois os valores convertidos em francos alemães ficavam depositados em bancos alemães e só poderiam ser usados para pagar por mercadorias produzidas na própria Alemanha.
Referencia Bibliográfica
*GERTZ, René. O perigo alemão. Porto Alegre: Editora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 1991
* OLIVEIRA, Dennison de. Os soldados alemães de Vargas. Curitiba: Juruá, 2008
* SEYFERTH, Giralda. A colonização alemã no vale do Itajaí – Mirim. Porto Alegre: Movimento, 1985