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Dunquerque – Cronologia de Uma Fuga
1940 – 20 de Março
Churchill pede ao Almirantado para preparar uma frota de embarcações adequadas para a evacuação da BEF da costa francesa. Em Paris, o General Maxime Weygand assume o posto de General Maurice-Gustave Gamelin como supremo comandante das forças Aliadas na França.
24 de maio
Hitler ordena que as forças Panzer não ultrapassem a linha de Lens-Béthune-St Omer-Gravelines. As razões para o impedimento não são claras, mas de qualquer forma isto dá um tempo precioso para que as tropas inglesas e francesas retiradas de Dunkirk alcancem a costa.
A Luftwaffe inicia um intenso bombardeio contras as posições Aliadas nas imediações de Dunkirk, esse bombardeio permaneceria até 4 de junho, contudo perdem mais de 200 aviões para a RAF que chega de surdina pelo sul da Inglaterra.
25 maio
Hitler reverte a ordem de parar, mas a demora fez com que as forças alemãs não pudessem chegar a Dunkirk antes da retirada Aliada. Às 18h57, a Operação Dínamo, a evacuação das forças inglesas de Dunkirk, começa oficialmente. Mais de 850 barcos ingleses civis participam, levando os soldados da beira da praia até os navios da Marinha que ficam à espera no mar, ou carregando os soldados eles mesmos até o Reino Unido.
28 de maio
O Exército belga que protegia o flanco direito dos Aliados se rende diante da investida do 18º e 16º Exércitos da Alemanha. A Bélgica foi derrotada em apenas 18 dias, embora sua ação tenha dados aos Aliados a oportunidade de escapar. No final do dia 28, 25.473 soldados ingleses tinham sido evacuados.
29 maio
Mais 47 mil soldados aliados evacuam das praias de Dinkirk. O número inclui 6 mil soldados franceses.
31 maio
150 mil soldados aliados – incluindo 15 mil franceses – são transportados para o Reino Unido.
1º de junho
A defesa do perímetro de Dunkirk passa para o XVI Corps francês.
4 de junho
A Operação Dínamo é encerrada oficialmente. No total, 338.226 soldados Aliados foram resgatados e salvos de aprisionamento ou morte nas mãos das forças alemãs. No total, estão incluso 113 mil franceses. Cerca de 40 mil soldados franceses, entretanto tornaram-se prisioneiros de guerra quando as tropas alemãs tomaram Dunkirk.
5 de junho
A Operação Vermelha alemã tem início – o objetivo final é quebrar a resistência francesa ao longo dos rios Somme, Seine, Aisne e Moselle e seguir até Paris. Em 12 de junho, o exército alemão Grupo B, comandado pelo General Gerd Von Rundstedt que as defesas francesas.
10 a 25 de junho
Os Aliados conduzem mais operações de evacuações ao longo da costa francesa. Antes de 15 de junho, as evacuações são concentradas nos portos do norte, tais como Le Havre e St. Valery, mas no lançamento da Operação Ariel no dia 15, portos do sul em Biscay também são usados. Perto de 250 mil soldados Aliados são resgatados durante essas operações.
14 de junho
As forças alemãs entram em Paris, depois da cidade ter sido declarada cidade livre. As defesas francesas através do país entram em colapso com a ofensiva final alemã.
22 de junho
O General francês Charles Huntzinger assina um armistício de acordo com os alemães. A humilhação é maior para os franceses por ter de assinar um armistício na mesma ferrovia de transporte usada para a assinatura da rendição alemã no final da Grande Guerra.
Eventos Internacionais
22 de maio
Decifradores ingleses de códigos, trabalhando em Bletchley Park, quebram o código “Vermelho” da Luftwaffe da máquina de codificar Enigma. Eles conseguiram isso usando um instrumento de computar mecânico, conhecido como “Bombe”.
26 maio
O governo inglês começa a requisitar sobras e restos de metal para serem utilizados pela indústria bélica.
10 de junho
A Itália declara guerra à Inglaterra e França. Mussoline declara: “Tomamos partido contra as democracias plutocráticas e reacionárias que têm bloqueado a marcha e frenquentemente tramado contra a existência do povo italiano”.
11 de junho
A Ilha de Malta experimenta sei primeiro ataque aéreo alemão, iniciando uma das campanhas de bombardeio mais fortes de guerra.
12 de junho
A Royal Air Force bombardeia Milão e Gênova, em resposta a Declaração de Guerra da Itália contra Inglaterra e França.
14 de junho
Na Polônia, o campo de concentração de Auschwitz recebe seus primeiros internos, 728 prisioneiros de Tarnow.
20 de junho
No extremo oriente, o Japão adverte os governantes franceses da Indochina contra o apoio dado a ações anti-japão realizadas pelo governo da China Nacionalista em Chungking.
Dia D – Relatos de Omaha – Parte II
Barnes e sua equipe de assalto tiveram uma sorte extraordinária. Cerca de 60 por cento dos homens da Companhia A vieram de uma mesma cidade, Bedford, Virgínia; para Bedford, os primeiros minutos em Omaha foram um completo desastre. As Companhias G e F deveriam entrar à esquerda da Companhia A, mas derivaram um quilometro mais a leste antes de desembarcar, por isso, todos os alemães em torno do barranco solidamente fortificado de Vierville concentraram seu fogo na Companhia A. Quando as rampas do barcos Higgins foram arriadas, os alemães logo concentraram sobre eles o fogo de metralhadoras, artilharia e morteiros, apenas duas dezenas sobreviveram, e praticamente todos eles feridos.
O Sargento Thomas Valance conseguiu sobreviver. “Quando descemos a rampa, estávamos com água mais menos à altura do joelho e começamos a fazer o que tínhamos treinados para fazer: mover-nos para frente e em seguida agachar-nos e atirar. O problema era que não sabíamos absolutamente em que atirar. Vi algumas balas traçantes vindas de um embasamento de concreto, que, para mim, parecia colossal. Nunca pensei que embasamentos de canhões pudessem ser tão grandes. Atirei nele mas não havia jeito algum de derrubar um gigante com uma .30”
“Ficou logo evidente que não íamos realizar muita coisa. Eu me lembro de patinhar na água com minha mão erguida no ar, tentando conseguir equilíbrio, quando fui baleado na palma da mão, em seguida através das juntas.”
“O praça Henry Witt estava voltando na minha direção. Lembro-me dele dizer: ‘Sargento, eles estão nos deixando aqui para morrer como ratos’.”
Valence foi atingido novamente, na coxa esquerda por uma bala que quebrou seu fêmur. Ele levou dois outros no corpo. Teve a mochila atingida duas vezes, e a jugular de seu capacete cortada por outro tiro. Ele se arrastou pela praia “e cambaleei de encontra à muralha marítima, e de algum modo caí ali prostrado, e o fato é que passei o dia inteiro na mesma posição. Os corpos dos meus camaradas estavam sendo arrastados pelas águas e eu era o único sobrevivente no meio de tantos de meus amigos, todos eles mortos, em muitos casos cruelmente feitos em pedaços”. 1
Do seu barco, o Tenente Edward Tidrick foi o primeiro a sair. Ao saltar da rampa na água levou um tiro que lhe atingiu a pescoço. Ele cambaleou para a areia, deixou-se pesadamente perto do praça Leo Nash e ergueu-se para dizer em voz entrecortada: “Avance com os cortadores de arame!” Naquele instante, balas de metralhadoras dilaceraram Tidrick da cabeça à cintura.
Por volta das 6:40 apenas um oficial da Companhia A estava vivo, o tenente E. Ray Nance, e ele fora atingido no calcanhar e na barriga. Todos os sargentos ou estavam mortos ou feridos. Em um barco, quando a rampa foi arriada, todos os trinta homens foram mortos entes que pudessem sair.2
- Depoimento Oral do Thomas Valance – Eisenhower Center
- S. L. A. Marshall, “First Wave at Omaha Beach”, novembro de 1960, p. 68