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As Baixas da Polícia do Exército na FEB
Bem, não é de hoje que buscamos pesquisar sobre a origem da Polícia do Exército e sua formação no Brasil. O pesquisador Rigoberto Souza enviou informações importantes que nos levam mais uma vez a refletir sobre o importante papel da MP (Miltary Police) brasileira, futura Polícia do Exército, no Teatro de Operações da Itália. Não por acaso, a postura e a coragem desses soldados iniciaram a tradição que perpetuou a estigma máxima do soldado da Polícia do Exército ser um militar diferenciado. Já na sua estruturação encontramos um militar preparado para desempenhar suas inúmeras funções. Segue abaixo descrição do soldado PE realizada no livro A FEB por um Soldado de Joaquim Xavier. A narrativa expõe a morte de um soldado MP abatido por soldado americano embriagado.
“Quem foi motorista na FEB não esquece a figura dos MP (Military Police, nome inicialmente dado ao Policial do Exército durante os combates na Itália) postados em uma encruzilhada ou na cabeceira de alguma ponte, dando as informações precisas, mandando aguardar ou avançar. Os membros do Pelotão frente de combate ou na retaguarda, com a missão de orientar o tráfego de veículos em comboios, carros de combate e deslocamento de tropas a pé. Essas missões obrigavam a permanecer em seus postos, e muitas vezes sob forte bombardeio inimigo. O Pelotão de Polícia teve algumas baixas, uma delas extremamente dolorosa: um soldado da MP, em serviço na Ponte Veturinna, no dia 10 de fevereiro de 1945, deu voz de prisão a um elemento da tropa aliada, em estado de embriaguez, que não queria obedecer sua instrução. Foi abatido a tiros por esse militar embriagado, que, preso logo em seguida, foi entregue à sua unidade de origem. Esse militar respondeu à Corte Marcial e foi fuzilado. O fato causou constrangimento , mas também surpresa, pela rapidez com que o comando aliado julgou e condenou o responsável à pena máxima, sem apelação ou qualquer mercê.”
Abaixo vamos encontrar a fotografia e as informações sobre o Soldado CLOVIS ROSA DA SILVA, Natural do Estado de São Paulo, Morto quando fazia o Policiamento na Ponte Veturinna na Itália . Também encontramos informações sobre uma segunda baixa, esta em uma acidente de veículo que vitimou outro soldado PE.
Essas informações são extremamente importantes para que possamos trazer à luz a memória daqueles que se sacrificaram no cumprimento do dever.
- PE Clóvis Rosa da Silva
- Paulo Emídio Pereira
Polícia do Exército – História de uma Tropa de Elite
Permita-me publicar algo em causa própria. O senhor Rigoberto Souza Júnior me presenteou com algumas revistas de valor e peso histórico da década de 40 até a década de 80 e, por isso, estou estudando de forma gradativa para extrair o máximo possível dessa maravilhosa fonte histórica. E de ante mão, agradeço a esse pesquisador pela cooperação, contribuição e amizade que, mesmo de pouco tempo, já tem produzido frutos na renovação do Espírito Febiano desse humilde blogueiro.
Em uma publicação há uma revista O Expedicionário (Número 141 setembro/outubro de 1987), tem uma matéria assinada pelo General de Divisão Domingos Ventura Pinto Júnior sobre a formação do 1º Batalhão de Polícia do Exército do Rio de Janeiro. Como a matéria é grande, coloquei alguns pontos abaixo que podem servir de inspiração e análise histórica para outros que, como eu um dia ostentaram o Braçal PE com orgulho e galhardia.
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O General Zenóbio da Costa depois da experiência com o Pelotão de Polícia da FEB tinha como objetivo ratificar a atuação de uma tropa de elite que pudesse ser exemplo de disciplina e respeito dentro do Exército Brasileiro.
Em fins de 1946, o General Zenóbio da Costa deu instruções pessoais ao Capitão Evandro Guimarães Ferreira, para providenciar, junto à 5ª Região Militar a seleção de 400 homens que iriam constituir, em 1947, a 1ª Companhia de Polícia do Exército, sob seu comando.
Entusiasmou-se o velho chefe com a primeira incorporação dos conscritos vindos do Paraná e Santa Catarina, tendo, ele próprio, ido esperar na estação Central do Brasil o primeiro contingente, que iria se transformar em homens de elite, de uma Unidade de Elite. Da Central do Brasil, o Marechal Zenóbio da Costa, dirigiu-se ao quartel da PE, onde aguardou a chegada do contigente, e, no pátio, fez uma saudação confortadora, ao mesmo tempo que lhes disse que iriam servir Unidade Ex-Combatente, pois era originária do Pelotão e Companhia de Polícia Militar da Força Expedicionária Brasileira, e com o pensamento voltado a Pátria. Disse-lhe, também, que a Polícia do Exército é uma Unidade disciplinadora e que eles deveriam dar o exemplo, mostrando-se sempre austeros, bem uniformizados, cabeça levantada, disciplinados, e que cumpre-se à risca uma mística em que o CUMPRIMENTO DA MISSÃO é ponto de Honra. A DISCIPLINA tem que ser exemplar, pois o PE coíbe a indisciplina e para coibi-la, ele tem que ser disciplinado no mais alto grau; a POSTURA, a ATITUDE e o DECORO MILITAR, são virtudes que impossibilitam ao transgressor revidar a uma repreensão. É essa razão porque o soldado PE é DIFERENTE dos demais. Não é melhor nem pior; apenas diferente. Disse-lhes o General Zenóbio da Costa que eles teriam todo o conforto necessário e uma alimentação substancial e que em poucas semanas notariam sensível diferença física.
Em 1947, a 1ª Companhia de Polícia do Exército se consagra campeã das Olimpíadas Militares, competindo com Unidades mais antigas, entre elas os Regimentos de Infantaria, Artilharia, Cavalaria e Engenharia. O entusiasmo a que chegou o Marechal Zenóbio da Costa levou a determinar ao Capitão Evandro, comandante da Companhia, que tomasse providencias para que a PE fizesse demonstrações de ginástica, ordem unida e instruções especializadas, a fim de que ele pudesse convidar Generais e autoridades brasileiras e estrangeiras para mostrar a eficiência da nova Polícia do Exército. Determinou também que a guarda dos Palácios Presidenciais, do Ministério da Guerra, das residências dos Generais Ministro da Guerra e Comandante da Zona Militar Leste e 1ª Região Militar, fosse feita pela PE, e o seu objetivo era mostrar aos transeuntes a atitude militar do soldado da PE, bem como angariar a simpatia e o respeito das autoridades civis e militares que trafegassem pelos Palácios e residências oficiais.
Os transeuntes que passavam em frente a essas guardas da PE, se admiravam com a postura do PE, quando tentavam puxar assunto e não obtinham resposta. Diziam: “Esses PE, mais parecem estátua do que gente”
Em 1947 foi formada a primeira turma de Motociclistas Militares que iram operar 10 motos Harley Davidson, necessárias às escoltas das autoridades e dos embaixadores, além da escolta de unidade militares em cumprimento da missão.
Em 1948, precisamente no dia 16 de abril às 15 horas, os paióis de munição do Depósito Central de Material Bélico explodiram, levando a devastação e o pânico, às áreas de Deodoro, Vila Militar e adjacências, com dezenas de mortos e feridos e a fuga, em massa, de famílias dos militares que tinham naquelas localidades as suas residências e que deixaram ao abandono de suas casas. O Marechal Zenóbio, comandante da Zona Militar Leste e 1ª Região Militar tomou conhecimento da catástrofe e imediatamente, ele mesmo, telefonou ao Capitão Evandro, Comandante da Companhia, para que fosse pronto, para a Vila Militar e tomasse as providências compatíveis com a situação.
Era chega a hora da PE mostrar que não era apenas uma tropa de demonstrações e de se apresentar impecável nos logradouros ou em missão de guarda e patrulhamento; às 15 horas e 10 minutos o Capitão Evandro, com seus motociclistas à frente, com as sirenes abertas com cerca de 300 soldados, deslocou-se para a Vila Militar, onde chegou as 15h45m, a tempo de o Marechal Zenóbio da Costa, que também para lá se dirigiu, assistir o desembaraço do pessoal da PE, no transporte de feridos, vigilância nas áreas residenciais, balizamento com indicação dos hospitais e dos locais de reunião dos que perderam suas casas.
Em 15 de maio de 1948, a PE é visitada pelo Almirante Comandante do Corpo de Fuzileiros Navais, Brigadeiro e Generais sediados no Distrito Federal, e foi feita uma demonstração de Ginástica Calistênica, Controle de Distúrbio e Ordem Unida, além de uma disputa de Cabo de Guerra entre os soldados do Corpo de Fuzileiros e a PE, em que se sagrou vencedora a Polícia do Exército.
A tropa foi muito elogiada pelos presentes, e o Comandante do Corpo de Fuzileiros Navais perguntou ao Marechal Zenóbio sobre a possibilidade de ser mandado um núcleo de Fuzileiros para estagiar na PE, com a finalidade de preparar a organização da futura Polícia da Marinha, ao que o Marechal respondeu ser uma honra para o Exército atender aquela solicitação.
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Segue abaixo as fotos do amigo Rafael que é membro do WebKits e que, getilmente, autorizou a publicação, aqui no BLOG, das fotos do acervo do seu pai que serviu no 2º BPE na década de 50 .
Aviso que as fotos são do acervo pessoal da família de Rafael e sua cópia só poderá ser realizada com a autorização do mesmo.
Uma dessas motos é esta aqui:
Outras Fotos Históricas:


























