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Rússia, 1941. Uma Guerra Sem Louros

 Segue abaixo uma tradução realizada por A. Raguenet, um exímio tradutor, que nos brinda com um clássico da Segunda Guerra: War War Without Garlands, do autor Robert Kershaw.

 A. Raguenet é um atuante membro do WebKits.

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Pessoal, traduzo aqui parte do capítulo do livro War Without Garlands, do autor Robert Kershaw.

Este capítulo, também chamado A War Without Garlands, é bem interessante pois trata sobre as pressões que o soldado alemão sofria com a campanha de invasão da União Soviética (Operação Barbarossa). Os relatos são fortes e os detalhes às vezes cruéis. Deve-se ter em mente que este front (oriental) estava mais inclinado para uma guerra de extermínio do que para um embate justo.

Como sempre coloco o capítulo em partes para não sobrecarregar a leitura. E me reservo o direito de adaptar certas passagens para a nossa língua pátria de modo a tornar o texto com uma compreensão mais fácil à nossa cultura.

Espero que gostem!

Abrs a todos!!!
A Raguenet

Parte 1

As pressões sobre o soldado alemão

O principal medo para o soldado alemão era o mesmo que sempre acompanhou todos os combatentes através dos tempos: será que ele sobreviveria tanto em corpo quanto em mente para a próxima batalha? Sobre esta expectativa incerta, havia tempo suficiente para se preocupar durante as longas viagens para o front. Essas poderiam durar semanas já que os avanços dos exércitos alemães penetravam cada vez mais no interior da Rússia em 1941. Porém, os trens-hospital ofereciam as primeiras perspectivas dos desencantamentos que estavam logo à frente ao transportarem tropas que se dirigiam naquela que era a difícil viagem para a retaguarda. O soldado alemão Breno Zeiser, motorista de uma unidade de transporte, de início tinha uma visão ingênua. Durante seu treinamento, ele e seus companheiros foram alimentados com uma dieta de proclamações vitoriosas no rádio os quais lhe fizeram acreditar, arrogantemente, que:

“Qualquer idiota sabe que é necessário ter perdas, você não faz uma omelete sem quebrar ovos, mas nós vamos lutar pela vitória. Além disso, se qualquer de um de nós realmente acabar por deter uma bala, será a morte de um herói. Então gritemos ao máximo HURRA, vamos lá, atacar, HURRA!”

As primeiras visões dos trens-hospital retornando do front rapidamente dissiparam este patriotismo de HURRA.

“Os enfermeiros começaram a trazer os rapazes com membros amputados, uniformes cobertos de sangue, uma maçaroca de curativos, o tecido encharcado de vermelho nas pernas, braços, cabeças e torsos além daquela agonia a qual não necessariamente precisa ter sangue: rostos desconfigurados com olhos profundos.” Um dos soldados que estava no trem lhe disse o que os esperava:

“De acordo com ele, era bem sombrio. Os Vermelhos estavam lutando desesperadamente e nós tivemos muitas baixas. Mesmo assim, o avanço continuava com rapidez, mas a um preço o qual deixava claro de que nós não poderíamos saber qual seria já que os russos tinham muito mais homens do que nós, mas muito mais.”

C O N T I N U A.