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Archive for julho, 2014

Debate Sobre a Segunda Guerra Mundial – João Barone

Vamos participar do Debate sobre a Segunda Guerra Mundial e a participação do Brasil no maior conflito do século XX.  Acesse o LINK abaixo e acompanhe

 http://seuhistory.com/programas/guerras-mundiais/bate-papo-com-joao-barone

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Afinal! Onde Hitler Morreu? Berlim ou América do Sul?

Um dos maiores nomes da ciência História, um dos expoentes da Escola de Annales, o inglês Eduard Carr, vai afirmar em uma das principais obras que analisa a História enquanto ciência, que o fato histórico deverá ser embasado em evidências e considerações por parte do historiador, segundo Carr: “Como qualquer historiador ativo sabe, se ele para pra avaliar o que está fazendo enquanto pensa e escreve, o historiador entra num processo contínuo de moldar seus fatos segundo sua interpretação e sua interpretação segundo seus fatos. É impossível determinar a primazia de um sobre o outro”. (Carr, 1973). Portanto, cada historiador deverá se policiar para que sua interpretação não tenha primazia sobre o fato, incorrendo em defender inverdades como fatos.

Uma dos acontecimentos que é mais castigado por interpretações, em termos de Segunda Guerra Mundial, é a morte de Adolf Hitler em 30 de abril de 1945. Ao longo das décadas, muitas teorias e especulações foram sendo elaboradas com o objetivo de negar o suicídio de Hitler em Berlim. Uma fuga negociada e executa com o aval dos Estados Unidos do Führer e de seus assessores para a América do Sul são as que mais ganham cobertura dos adeptos da teoria. Alguns escritores narram detalhes da vida de Hitler no exílio. Entre os adeptos da tese, fazemos menção a duas em especial. A primeira é a obra da Simoni Renée Guerreiro Dias que realizou dissertação de mestrado com o tema, Hitler no Brasil – Sua Vida e Sua Morte.  O interessante na pesquisa é que ela afirma que o ditador teria fugido com a tutela e a ajuda do Vaticano. Hitler teria recebido da Igreja Católica direito a um mapa contendo a localização de um tesouro jesuíta do século XVIII. Não encontrando o tesouro, Hitler se instala em definitivo na cidade de Nossa Senhora do Livramento, em Mato Grosso, onde teria constituindo família, com uma brasileira negra, para não levantar suspeitas, claro. Hitler teria morrido com 81 anos de idade; a segunda teoria, publicada por Ediciones Absalón, “El Exilio de Hitler”, sustenta a passagem de Hitler por Barcelona, antes de formar um comboio de submarinos em direção a América do Sul. É importante observar que, em conjunto com os seus assessores, Hitler embarcou com uma carga de ouro.

Um novo capítulo inicia com a liberação de um documento do FBI, datado de 21 de setembro de 1945, que trata exatamente um encontro com uma fonte que testemunhou que altos representantes do governo Argentino receberam o comboio de Hitler com mais de 50 pessoas.

Agora vamos realizar uma pequena exposição que tem que ser explicada antes de qualquer afirmação. Constantes em vasta bibliografia.

Os ataques sobre Berlim iniciaram de forma contundente em 21 de abril de 1945. Hitler foi transferido com seus assessores no dia seguinte para o bunker, vamos aos relatos:

Em 21 de abril, Hitler foi levantado cerca de 09h30m e informado de que Berlim estava na linha de fogo da artilharia russa. Burgdorf bem como outros ajudantes esperaram por ele na antecâmara.

            Na antecâmara, esperavam por Hitler Burgdorf, Schaub, Below e Günsche.

                – Que está acontecendo? De onde vem o tiroteio? – perguntou. Burgdorf informou que o centro de Berlim estava sob pesado fogo de artilharias russas, aparentemente postadas a noroeste de Zossen. Hitler empalideceu. – os russo estão assim tão perto?

                Às primeiras horas da manhã de 22 de abril o fogo da artilharia russa aumentou…

                As bombas russas frequentemente explodiam em Tiergarten e por vezes mesmo nos jardins que circundavam os ministérios da Wilhelmstrasse (Chancelaria). O seu estrondo arrancou Hitler do sono às nove da manhã.

 Tão logo se vestiu chamou Linge e perguntou nervosamente: “Qual o calibre?” Para acalmar Hitler, Linge respondeu que o fogo vinha de baterias antiaéreas no Tiergarten e de canhões russo isolados, de longo alcance. Após o café em seu gabinete, Hitler voltou ao quarto, onde Morell lhe aplicou como de costume uma injeção estimulante.

                A conferência militar foi convocada para o meio-dia. Por volta de meio-dia reuniram-se no bunker de Hitler as seguintes pessoas: Doenitz, Keitel, Jodl, Krebs, Burgdorf, Winter, Christian, Voss Fegelein, Bormann, Hewel, Lorenz, Below, Günsche, Johannmeyer, John von Freyend e Von Freytag-Loringhover.

                Foi a conferência militar mais rápida de toda a guerra. Muitos rostos estavam transfigurados. Em vozes abafadas a mesma pergunta era repetida várias vezes: “Por que não pode o Führer se decidir a abandonar Berlim?”

                Hitler chegou dos seus aposentos particulares e parecia mais curvado do que nunca. Laconicamente saudou os membros da conferência e deixou-se cair na cadeira. Krebs começou a relatar os fatos. Comunicou considerável agravamento da situação das tropas alemães que defendiam Berlim. Os tanques russos tinham conseguido avançar para o sul, via Zossen, e alcançado os arredores de Berlim. Nos subúrbios leste e norte havia violenta luta. As tropas alemãs postadas no Óder ao sul de Stettin estavam inapelavelmente cercadas. Os tanques russos tinham-se infiltrado através de uma brecha e penetrado profundamente nas posições defensivas alemãs.

                Hitler se levantou e curvou-se sobre a mesa. Pôs-se a apontar algo no mapa, suas mãos tremendo. Subitamente empertigou-se e jogou seu lápis de cor sobre a mesa. Inspirou profundamente, sua face ficou rubra, seus olhos esbugalhados. Recuou um passo da mesa e numa voz brusca gritou: “É o fim! Em tais circunstâncias não posso comandar! A guerra está perdida! Mas vocês estão enganados, cavalheiros, se pensam que vou deixar Berlim! Daria antes um tiro na cabeça! ”

                Todos fixaram os olhares horrorizados sobre ele. Mal levantou a mão. “Obrigado senhores”. Então, abandonou a sala. (Bezymenski, 1968)

               Apesar de algumas contradições encontradas no relato, principalmente sobre os participantes da Conferência Militar do dia 22 de abril, não há qualquer dúvida que houve a reunião e que as condições de saúde e o cenário militar descrito, correspondem à realidade de Berlim.  O próprio Almirante Doenitz deixa Berlim naquele mesmo dia, confirmando assim que havia ainda condições de entrada e saída da cidade, e que o cerco dos soviéticos ainda não estava completo. No dia 23, Hitler recebe a visita de Alberto Speer e no dia seguinte chega à família do ministro Goebbels. No dia 26 todas as linhas de entrada e saída de Berlim estavam completamente tomadas, para se sair da cidade, apenas fugindo do cerco imposto pelos soviéticos. No dia 29 de abril, deu-se a reunião final. O General Weidling, governador militar de Berlim, e comandante da LVI Corpo Panzer, ainda aventou a possibilidade de uma escapada pelas linhas soviéticas, mas Hitler o dissuadiu. Não tinham nem tropas, nem equipamento, nem munições, para qualquer tipo de operação. Era ficar e morrer!

O Führer então despediu-se formalmente das pessoas mais próximas que ainda o seguiam até aquele momento.

Baseado no que já temos como relato, podemos identificar algumas questões:

  • O médico particular de Hitler, Theodor Morell, afirma que a saúde de Hitler era delicada. Inclusive, estudos recentes apontam sintomas de Mal de Parkinson.
  • Várias testemunhas confirmam que Hitler estava no bunker em 30 de abril de 1945, portanto a possibilidade de uma fuga sob o forte cerco soviético se não era impossível, era muito pouco provável.
  • Goebbels confessa a Hitler que ficaria com ele até o fim. Joseph e Marta Goebbels estiveram no bunker e assassinaram seus seis filhos, depois se mataram. Soa como ilógico que eles não tenham fugido com o Hitler.
  • Blondi sua cadela é encontrada morta nas proximidades do bunker, mais uma evidência que Hitler não deixou Berlim.

Os soviéticos antes de chegarem a Berlim promoveram uma corrida interna entre as suas unidades para quem trouxesse Hitler, vivo ou morto. Também outros altos membros do partido nazista estavam na lista. No início de maio, foram encontramos 02 corpos em caixas de munição nos arredores de Berlim, estes foram enviados imediatamente para autópsia e investigados pela NKVD. Identificaram que eram os corpos de um homem e uma mulher. Foram em busca dos registros dentários e do próprio dentista de Hitler que, confrontando com os registros, confirmaram que o corpo do homem era do líder nazista.

Os fatos aqui observados são embasados em vasta bibliografia fruto de pesquisa de vários historiadores e pesquisadores do tema. Isso não quer dizer que os acontecimentos que cercam A MORTE DE HITLER, estejam completamente sacramentados, pois a própria História como ciência passa por revisões e podem sofre alterações, contudo não há ainda qualquer evidência séria, apesar das tentativas insípidas, de mude o fato de que Hitler não morreu em 30 de abril de 1945, no bunker em Berlim.

No dia 31, a partir das 21h00, será transmitido ONLINE pelo Hangout um vídeo Chat com João Barone e os convidados Marcelo Madureira, Arthur Dapieve e Chico Miranda. Falaremos sobre a Segunda Guerra Mundial, abordando, inclusive a participação brasileira.

  Para participar é só Clica neste LINK: https://plus.google.com/u/0/events/c3u0jqefnibrf8h2keekcgdqcs4

 Confirme sua presença e mande sua pergunta! PARTICIPEM!

MAIS INFORMAÇÕES: http://seuhistory.com/programas/guerras-mundiais

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Guerras Mundiais no HISTORY & João Barone e Convidados!

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 O dia 31 de julho será um excelente dia para os entusiastas, pesquisadores e estudiosos da Segunda Guerra Mundial. Na verdade, para ser mais amplo, a jornada da Segunda Guerra Mundial, será nos dias 28, 29 e 30 de julho, com a série Guerras Mundiais, exibida pelo HISTORY CHANNEL, indicada a 03 Emmy.

Minissérie em 6 episódios, que traz a história de uma geração de homens que lutaram como soldados nas trincheiras da Primeira Guerra Mundial, e que se tornaram líderes na Segunda Guerra Mundial. Hitler, Churchill, De Gaulle, MacArthur, Patton, Stalin e Mussolini hoje são conhecidas lendas globais, e fizeram parte das duas guerras sangrentas que abalaram a humanidade por 30 anos. Desde as primeiras batalhas, eles souberam o quanto lhes custaria subir ao poder, lutando por suas vidas na linha de frente. As lições que aprenderam ali os moldou, e os revelou quando o combate irrompeu de novo. Alguns se tornaram heróis, forjados pela coragem debaixo de fogo; outros, despontaram como os vilões mais infames que o mundo já viu. Reconstituir as guerras mundiais dessa forma, é contá-la através desses homens em uma abordagem única e inédita: a Primeira Guerra os mudou e na Segunda Guerra, eles mudaram o mundo.

  No dia 31, a partir das 21h00, será transmitido ONLINE pelo Hangout um vídeo Chat com João Barone e os convidados Marcelo Madureira, Arthur Dapieve e Chico Miranda. Falaremos sobre a Segunda Guerra Mundial, abordando, inclusive a participação brasileira.

  Para participar é só Clica neste LINK: https://plus.google.com/u/0/events/c3u0jqefnibrf8h2keekcgdqcs4

 Confirme sua presença e mande sua pergunta! PARTICIPEM!

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A Velha e Boa Alemanha de SEMPRE!

Depois da consagração da Copa do Mundo do Brasil, a imprensa brasileira muito tem alardeado sobre a organização e o planejamento dos alemães e seu metodismo para tornar-se a maior potência futebolística do mundo. Mas, para quem conhece o histórico da Alemanha, não é difícil entender os motivos que levaram a Alemanha a atingir esse nível de planejamento e execução, já que isso faz parte da cultura desse povo. Sempre fez. O mundo sentiu de forma voraz essa cultura de organização e execução calculista na mais trágica das formas. A Alemanha fez sua fama pela vocação belicista. Contudo, não quero falar sobre as duas guerras, daria margem para infindáveis discussões entre adeptos e acusados do rastro de destruição e morte dos regimes que estiveram no poder seja na Alemanha do Kaiser; seja na Alemanha Nazista.

A prova inconteste da magnitude da abnegação alemã surge exatamente quando o povo esteve destroçado, ou seja, no final da Segunda Guerra Mundial. Não há outro exemplo mais contundente de humilhação que uma nação tenha vivenciado com privação ao extremo, nos difíceis meses posteriores a guerra. Cidades completamente destruídas, mortos aos milhões, estupros em massa, foram os ingredientes que acompanharam a chegada das forças estrangeiras a partir de abril de 1945 e por lá permaneceram até 1989.

Não importa os motivos da guerra, as ideologias ou qualquer tipo de juízo de valor sobre seu desfecho causal, o que interessa são os fatos e isso aponta para um povo extraordinário e resistente, e com uma impressionante vocação para se reinventar e se adaptar as mais adversas situações; seja causado por regimes nefastos; seja para reerguer-se da quase aniquilação ou até mesmo para se planejarem para ser o país do futebol.

Uma Luz na Escuridão Histórica: Gastão Coimbra e o Seu Maravilhoso “Homens da Pátria”

O professor e historiador Roney Cytrynowicz  escreveu um artigo que dizia o seguinte sobre o envolvimento do Brasil na Segunda Guerra Mundial: 

O lugar da Segunda Guerra Mundial na história e na memória coletiva da população do São Paulo, e do Brasil [grifo nosso], tem sido, no entanto, marcado muito mais pela ausência do que por uma presença efetiva e consistente. A guerra, episódio central da História do século 20, não está presente na memória da cidade de São Paulo; ela não é celebrada coletivamente, não é lembrada. Os soldados que lutaram e os mortos não são referenciados a não ser por pequenos grupos diretamente ligados a eles. 

 Infelizmente uma verdade gritante que se agrega a característica do Brasil em ser um País sem memória. Mas, sempre haverá ações que possam ir de encontro a essa nociva cultura. Essas ações, não raras vezes, são protagonizadas por pessoas que, distantes dos financiamentos públicos e de suas estatais, têm que vivenciar sacrifícios pessoais para ter sua obra sendo exibida.

 Gestão Coimbra conseguiu formar um bastião de resistência para levar ao público uma obra cinematográfica que retrate o sacrifício de jovens, que deixaram suas famílias e sua terra, para obedecer ao chamado patriótico de uma nação em guerra.  O longa-metragem HOMENS DA PÁTRIA é muito mais do que um filme, é um projeto que traz ao público histórias marcantes e reais de pessoas humildes que estivem à serviço do Brasil e lá deixaram suas vidas ou grande parte de sua juventude; histórias reais vivenciados por brasileiros que, infelizmente, são estigmatizados pelo ideologismo governamental que vira as costas para a importância histórica dos mais de 25 mil brasileiros que lutaram na Itália e a memória de quase 500 mortos.

 Apesar dos sacrifícios para concepção do projeto, é facilmente perceptível a fidelidade histórica do filme de 90 minutos, possibilitando uma vivência com os fatos narrados, ou seja, será uma aula de história e o reconhecimento da Força Expedicionária Brasileira na formação de uma política de regaste do nosso passado recente.

 Esses são alguns motivos para que TODOS possam apreciar e convidar outras pessoas, principalmente àqueles que acham que o Brasil pulou de 1939 para 1945.

 O Todos os envolvidos nosso muito obrigado!

 

 

NATAL, TRAMPOLIM DA VITÓRIA: UMA AULA DE CIDADANIA HISTÓRICA – FUNDAÇÃO RAMPA

Muitos textos e artigos foram publicados aqui no BLOG para expressar a indignação quando o abandono histórico que o Brasil relega sua participação na Segunda Guerra Mundial. Infelizmente, nenhum é tão gritante quando a completa ausência de informações sobre o que americanos consideravam ser o “Trampolim da Vitória”.  A bela cidade de Natal figura como a cidade que mais sentia os efeitos da guerra, simplesmente pelo fato dela ser a principal rota aérea para apoio e suprimento das operações ocorridas em todo Teatro do Mediterrâneo que sustentavam os bombardeios ao sul da Alemanha, além de operações do Pacífico. Era a maior Base Aérea Americana fora  dos Estados Unidos, por isso, a importância das operações do Pernamirim Field serem consideradas como cruciais para o esforço de guerra dos Aliados.

Os impactos sociais com a presença de centenas de americanos mudou a cara da cidade de Natal e transformou a vida de milhares de cidadãos. Para aqueles americanos, vivenciar as terras tropicais durante a guerra foi a melhor experiência que se poderia ter em um conflito de sofrimento humano inenarrável.

Tudo ficou em um passado obscuro e sem qualquer tipo de ligação com o presente. Não há mais paralelo histórico que possa trazer à luz a riqueza e importância da presença dos Aliados no importantíssimo e estratégico Saliente do Nordeste, exceto pela batalha individual de heróis contemporâneos como Augusto Maranhão e Marcos Sedin, aliando esforços para manter a História de sua cidade com a Fundação Rampa.

Aos Diretores da Fundação Rampa, nossa humilde continência.

http://www.fundacaorampa.com.br

 O Tenente Mário Messias, secretário da Associação Nacional dos Veteranos da FEB/Regional Pernambuco, enviou um conjunto de fotografias que orgulharia qualquer pesquisador. São fotos de Ivan Dmitri/Michael Ochs Archives / Getty Images.

História do Brasil: 70 de Anos do Embarque do 1º Escalão da FEB

Em 02 de julho de 1944 iniciava a trajetória de uma das mais importantes atividades militares desse País. A Força Expedicionária Brasileira  deixava o Brasil rumo ao Teatro de Operações da Itália. A FEB foi a única tropa Latino-Americana a atuar em um Teatro de Guerra.

 Uma pergunta incômoda: Nossos livros didáticos fazer alguma alusão a isto?

 Hoje estaremos publicando um material importante para a História de nossos País e para que as pessoas saibam que homens foram enviados como legítimos representantes do nosso Brasil e, no mínimo, deixaram parte de sua juventude nos campos de batalha.

Esse depoimento foi escrito pelo então Coronel Floriano de Lima Brayner, Chefe do Estado Maior da Força Expedicionária Brasileira, e nos mostra um fato curioso sobre o Embarque do 1º Escalão para a Itália.

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O General Mascarenhas de Morais desencadeou a operação “embarque” que importava lançar o Grupamento nº 1 (1º R.I.) para Santa Cruz, onde estacionaria como se estivesse embarcado; o Grupamento 11º (11º R.I.) para o Recreio dos Bandeirantes, com o mesmo objetivo: finalmente, o Grupamento nº 6 (6º R.I) para o embarque real.

Vinte e quatro horas depois entrava no porto do Rio de Janeiro o poderoso transporte “General Mann”, super-artilhado, com alojamento para 6.000 homens. Atracou no Armazém 2 do Cais do Porto, abriu os portões do embarque, e às 21 horas dessa jornada de 30 de junho*  começou a “engolir” os 6 mil homens do 1º Escalão de Transporte. Mascarenhas, cuja bagagem já estava embarcada, presidiu todos os detalhes da operação, com serenidade e a costumeira energia. Como Comandante da Área de Embarque, eu o assessorava em todos os momentos.

Presentes e extremamente atentos, dois generais americanos, vindos especialmente para presenciar o embarque, eram assessorados pelo General Kröner, Adido Militar dos Estados Unidos. Em dado momento, algo inesperado aconteceu: uma patrulha de Fuzileiros Navais que fazia a Segurança da Área de Embarque, encontrou um soldado expedicionário escondido. Leva-o imediatamente à presença do Grupo de Autoridades presentes, com grande desgosto para o nosso Comandante que não teve meias-palavras para invectivar aquele que considerou o desertor nº 1 da F.E.B. O homem ouviu a torrente de insultos de cabeça baixa, sem esboçar a mínima reação. A mesma patrulha levou-o até a escotilha de embarque, entregando-o ao oficial que fiscalizava a entrada dos homens. Algum tempo passado, uma escolta de bordo bem à presença das autoridades, com o pretenso desertor, declarando, de Ordem do Ten.Cel. Motta, que dirigia a operação dentro do navio, que o homem não pertencia a nenhuma das unidades embarcadas! Surpresa Geral. Emoção. A informação dizia  que o homem não era tipicamente um desertor. Ao contrário; ele estava ali para tentar o embarque como clandestino, de vem que a sua unidade – Um Grupo de Artilharia – estava na Vila Militar e só embarcaria no 2º Escalão.

E porque esse interesse em seguir com o 1º Escalão?
Simplesmente por motivo sentimental. Um companheiro e conterrâneo da cidade mineira, amigo de família, seguia no 1º Escalão.
Ao partirem de sua cidade para se incorporarem à F.E.B. trocaram juramentos perante seus pais, de que zelariam sempre, um pelo outro. Naquele momento, quando as circunstâncias iriam os separar – um seguia no 1º Escalão, enquanto a unidade do outro permaneceria no Rio, o peso do juramento prevaleceu, e ele aproveitaria a confusão dos últimos momentos e entraria no navio, para esconder-se e só aparecer quando estivesse ao largo e aceitassem o fato consumado, de um clandestino que não seria devolvido. Um plano simplista, ingênuo e convincente. Os Chefes militares reunidos ali, ouviram-no conta com desembaraço, a proeza frustrada e, mais do que isso, o apelo veemente, em tom dramático, para que o deixassem seguir com seu companheiro, da cidadezinha mineira. O Gen. Mascarenhas que tivesse expressões candentes ao classifica-lo como 1º desertor da F.E.B., só faltou-lhe pedir desculpas, censurando-o, todavia por ter permanecido silencioso quando verdadeiramente insultado e ofendido nos seus brios.

Afinal de conta o homem era mais herói do que covarde!

Fonte: Brayner, Floriano de Lima –  Recordando os Bravos, Civilização Brasileira – São Paulo, 1977.

* O Embarque de fato ocorreu de 30 de junho, ficando embarcado no porto até 02 de junho, quando houve a solenidade de partida com a presença do Presidente Vargas.

Os Comboios

Foram ainda transportados por via aérea, 44 médicos e 67 enfermeiras, totalizando 25.334 participantes da Campanha da Itália.

            Considerando a possibilidade de ataques por submarinos alemães, a travessia do Atlântico e do Mediterrâneo, foi cercada de um rigoroso dispositivo de segurança, do qual participou também , a valorosa Marinha brasileira.

            O transporte foi feito pelos navios americanos “General Mann” e “General Meigs”, comboiados por destróiers da nossa Marinha e navios de combate americanas até o Estreito de Gilbraltar. Essa medidas de segurança foram completadas com as bombas de profundidade dos nossos destróiers, com o próprio armamento dos transportes de guerra e o contínuo funcionamento do radar e dos aviões existentes nos cruzadores americanos da escolta. Apesar de todo este aparato de segurança, eram diários os exercícios de alarme para abandono de navio e obrigatório o uso permanente de coletes salva-vidas, as regras de segurança impuseram também, o escurecimento

 do navio durante a noite.

            A partir do Estreito de Gibraltar, a escolta foi feita somente por navios americanos e ingleses, dispondo inclusive, de permanente cobertura aérea.

            A entrada do “General Mann” no mediterrâneo, se revestiu de grande solenidade, tendo o Comandante do navio, o Capitão Paul Maguire, dirigiu à FEB, uma entusiástica saudação, ao qual extraiu-se este trecho: “ Brasileiros! Sois a primeira força sul americana que deixou seu continente para combater em ultramar, com destino ao Teatro de Guerra Europeu, constituindo um novo Exército de homens livres que se vem a juntar a tantos outros na luta pela liberdade dos povos oprimidos. Quem poderá avaliar da suprema importância que podereis representar nos campos de batalha? Não a primeira vez na História, que a adição de alguns homens, em determinado setor de luta, fizesse pender definitivamente para eles o fiel da balança e os louros da vitória”.

            Em resposta assim se expressou o General mascarenhas de Morais: – “Senhor Comandante! Conduzistes as primeiras tropas terrestres sul americanas através do Atlântico; ides fazê-las penetrar no Mediterrâneo e depois entregá-las ao Teatro de Guerra no Sul da Europa. A minha Pátria está vivendo assim, o ciclo da grande e gloriosa Pátria de Washington. Colonizados e vitalizados pela civilização europeia, somos as Nações do Hemisfério Ocidental mais identificadas na defesa do patrimônio da Humanidade em terras americanas e, em muito em breve, nos campos de batalha da Europa. E esta identidade de destino de dois povos unidos por tão alevantada aliança, traduz-se no entrelaçamento de nossa bandeiras no Mediterrâneo, no próprio berço da civilização cristã, que hoje engrandece os Estados Unidos e o Brasil. Unidos na América e sobre as águas do Atlântico, seremos na Europa também irmãos do mesmo ideal”.

            A primeira missão da Marinha Brasileira chegara ao fim comboiando o 1º Escalão até o Estreito de Gibraltar. Nesta ocasião o General Mascarenhas de Morais transmitiu a seguinte mensagem telegráfica ao Capitão de Mar e Guerra Antônio Alves de Câmara Júnior, Comandante da Frota brasileira: “ – Em nome dos brasileiros que partem para a linha de frente, a fim de continuar o glorioso trabalho de nossa Marinha na defesa de nossa soberania, apresento minhas despedidas: gratíssimo pela vossa proteção contra os submarinos”.

            Em seguida, recebeu o General Mascarenhas de Morais a seguinte resposta: “Os representantes da Marinha do Brasil tiveram a grande honra em comboiar vossa Forças e fazem votos de todo o sucesso para maior glória das Armas brasileiras.”

            Em todos os escalões, estabeleceu-se as mesmas medidas de segurança durante a viagem

marítima.