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Segunda Guerra Mundial: Perguntas Complicadas & Suas Respostas – Parte II
Continuação das respostas para a pergunta do Paulo Roberto de Oliveira:
Nada se fala dos soldados soviéticos que também em sua grande maioria eram simples aldeões, e fizeram o mesmo percurso na contra ofensiva e ou soldados norte americanos que se embrenhavam nas florestas da Ásia na luta contra o exercito japonês?
Chico Miranda: Na verdade são contextos e situações diferentes.
Os Soviéticos:
O soldado soviético viu seu território ser invadido e respondeu ao chamado desesperado para defender sua pátria, em contrapartida o soldado alemão, em dado momento, já não acreditava na motivação da guerra.
Uma das características do Exército soviético foram seus abundantes recursos humanos, e isso é facilmente comprovado pelo número de baixas sofridas no conflito, 17 milhões. Diferentemente do Exército alemão, o soviético possuía uma massa de homens para recomposição de suas unidades.
Mesmo com pouco material e treinamento quase inexistente, o Exército soviético supria com jovens enviados de trens de todo o território das repúblicas comunistas, enquanto que a Wermarcht já não conseguia realizar a reposição de seus efetivos com a mesma eficiência do início da guerra.
Os americanos:
O contingente americano utilizado no Teatro de Operações da Europa, a partir da Operação Overlord, por exemplo, era quase totalmente formado por novas Unidades, exceto a 116 Rangers e a 82 Airborne, com renovado efetivo, que participaram das operações na África do Norte, todas as demais unidades entravam em combate a primeira vez. Enquanto que os fuzileiros, com pequeno apoio do US Army, foram predominantes no Teatro do Pacífico.
Portanto não podemos comparar o esforço de um ou outro exército, pois foram circunstâncias diferentes para contextos e cenários diferentes.
Se houve problemas de logístico devido a “Lama” nos pós invernos de 41/42, para a Wehrmacht também não aconteceu o mesmo com o exercito vermelho, mesmo com a enorme quantidade de material bélico fornecido pelos americanos?
Chico Miranda: Sim, mas o Exército Vermelho lutava nestas condições já há alguns anos, para não dizer séculos, se levarmos em consideração a campanha de Napoleão contra a Rússia. O problema nesse caso é que a Alemanha esperava uma vitória aos moldes da Campanha da França, rápida e conclusiva. O que não aconteceu. Eles não se preocupavam com o general inverno, pois acreditavam em uma vitória muito antes disso.
Um outro fator a ser observado é que as linhas de transportes do Exército Vermelho foram mantidas, que era basicamente linhas férreas. Em nenhum momento da guerra a Alemanha conseguiu interromper o fluxo de transporte dentro da URSS, portanto a manutenção de deslocamentos e de linhas de abastecimento sempre estiveram ativas.
Me dá impressão que só temos fatos do ponto de vista dos aliados, será que a superioridade tecnológica e a melhor qualidade de treinamento militar Alemão (nos primeiros anos do conflito) não deveria ser mais divulgada atualmente?
Chico Miranda: Claro! Estudos indicam que em 1939 o Exército Alemão estava tecnologicamente cerca de 5 anos à frente de seus opositores. E esse desenvolvimento prosseguiu em várias áreas da pesquisa bélica desde mísseis balísticos continentais até o enriquecimento de urânio. Basta lembrar a disputa pelos cientistas nazistas quando a Alemanha caiu e a transferência e utilização dessas tecnologias no pós-guerra.
Acredito sinceramente que estamos na fase do revisionismo histórico responsável, entendendo que a história não deve e não pode ser contada pelos Vencedores, mas pela análise dos FATOS, independente dos seus agentes.
Obrigado Paulo!
Galeria de Fotos que mostram Tropas Americanas no Dia D – Demonstra tropas novas, treinadas para o primeiro combate na Operação Overlord
Segunda Guerra Mundial: Perguntas Complicadas & Suas Respostas!
Esse BLOG, desde o momento que decidi enveredar para sua construção, tinha em mente que deveria expor a Segunda Guerra Mundial sem a estupidez da explicação pelo prisma ideológico, digo estupidez não com a arrogância de ser o dono da verdade, pelo contrário, mas tendo como objetivo expor apenas o FATO, despido das interpretações pessoais para embasar uma ou outra corrente de interpretação dos acontecimentos, ou seja, defender apenas aquilo que tem embasamento histórico, independente se esse Fato exalta um Derrotado do conflito e diminui um Vencedor, ou vice-versa.
Contudo, sempre sou inquirido sobre determinados acontecimentos que exige uma posição. Ou pelo menos, exige argumentos que possam agradar uma ou outra interpretação. Por exemplo, Os Bombardeios Aliados sobre as cidades alemães foram crimes de guerra? É possível negar o Holocausto, ou pelo menos diminuí-lo em números? E os bons resultados do Nacional Socialismo no pré-guerra, são sustentáveis? Todas essas perguntas exigem argumentos prós e contra, mas, como diria uma dos maiores medievalistas do século XX, Edward Carr: “Cabe ao Historiador trazer à luz os argumentos que ele entende sejam necessários para a compreensão do Fato Histórico”. Portanto, o Historiador possui na sua raiz profissional a obrigação de expor para seus contemporâneos todos os argumentos necessários ao entendimento do fato, e, pode sim, ser uma visão diferente da VERSÃO OFICIAL.
Bem, então resolvi postar perguntas que são enviadas para mim, que geralmente, respondo por email.
Se você quiser pode enviar perguntas para: blogchicomiranda@gmail.com
Terei o maio prazer em responder, pelo menos tentar!
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Vamos começar pelas perguntas enviadas por Paulo Roberto de Oliveira:
Francisco com sempre seus artigos são sensacionais!! Parabéns mais uma vez, agora me diga lá, veja se pode me ajudar…tenho algumas dúvidas há anos:
Pode ser que eu esteja desatualizado, se for caso desculpe-me.
1-Qual foi a área em Km2 em que se desenvolveu a Segunda Guerra (Europa e Africa do Norte) ou seja o palco das invasões da Alemanha Nazista?
Chico Miranda – Eduardo, levando em consideração o Teatro de Operações da Europa que, a depender do estágio da guerra, se subdividiu em vários outros teatros de operações, portanto, se pensarmos em fase, por exemplo: “A Guerra de Mentira”, que iniciou com a invasão da Polônia em setembro de 1939 até o início da ofensiva contra os Países Baixos em maio do ano seguinte, sem levar em consideração os países que foram “anexados” ideologicamente por Hitler. Só nesse quadro temos boa parte do território europeu.
Com o fim da “Guerra de Mentira”, teve iniciou a Campanha contra a França e a ofensiva aérea contra a Grã-Bretanha, aumentou a extensão geográfica das ações. Sem falar na Batalha do Atlântico, sendo o mais atuante o Norte e o de menor importância o Atlântico Sul, pois é exigível considerar a perda de 30 mil alemães que morreram em ação nas operações de UBoot nos oceanos.
Sem contar com as Tropas de Ocupação, para cada país invadido havia tropas de choque, significativo contingente administrativo e governos militares instituídos.
Para os dois Teatros citados na pergunta, há vários fatores além da extensão territorial que podem torna a resposta, meramente por quilômetros quadrados, ainda mais imprecisa.
Para ajudar no entendimento, em termos militares, são importantes três concepções. A primeira é o tamanho da Linha Ofensiva que um determinado Exército irá atuar, falo da Linha Ofensiva, já que creio que o seu foco é a atuação da Alemanha que esteve inicialmente nesta condição. A extensão dessa Linha é um dos principais fatores que determina o tamanho da Força Invasora, no caso da Invasão a Polônia, por exemplo, foram empregadas cerca de 53 Divisões alemãs, baseada na extensão territorial e na força do Exército polonês. O segundo fator para um plano de invasão, que é o tamanho da penetração territorial, ou seja, a extensão de deslocamento das tropas dentro do território ocupado e sua estimativa de avanço, que determina o terceiro parâmetro, o planejamento da Linha de Suprimentos, necessários para manutenção das Unidades Combatentes na Linha de Frente. Todos esses fatores são determinantes para um Teatro de Guerra e podem sofrer variação no decorrer da Campanha. Portanto a extensão em quilômetros quadrados, como já disse anteriormente, pode ser uma dado irreal.
Para tentar explicar melhor o argumento vamos ver algumas observações desses teatros de operações.
Na Operação Barbarossa os três grandes Exércitos, Norte, Centro e Sul, tinham missões específicas para invasão de cidades estratégicas. Esses Exércitos foram formados e dotados de arsenal bélico, levando em consideração o poder do Exército Vermelho (subestimado?) e a extensão territorial, não das fronteiras da União Soviética que iria atuar a Wermarcht, mas a soma das Linhas das operações de ocupação desses Exércitos. Como a guerra com a URSS se prolongou, as Linhas de Suprimento ficavam cada vez mais vulneráveis, pois dependiam de transporte férreo ou grandes deslocamentos de comboios de veículos ou de tração animal, suscetíveis ao conhecimento do inimigo, portanto a ataques terrestres e aéreos de uma Força Aérea cambaleante, mas ainda atuante.
Acrescento isso a dois outros fatores, a saber:
1. Indecisão na estratégia final da Ofensiva – Hitler resolve não mais entrar em Moscou e se dirige ao Cáucaso. Acertada ou não, mas toda uma logística inicialmente planejada teve que ser alterada. O moral da tropa, que já lutava havia meses, realizando exaustivos deslocamentos diários, com objetivos traçados e quando estava há alguns quilômetros do desses objetivos, tiveram que iniciar um novo deslocamento para o oriente.
2. Linha de Manutenção – citado por ninguém menos que Guderian. Nas ofensivas de 1940 contra a França, as Linha de Manutenção seguiam mais próximas das Linhas Ofensivas, o resultado disso é que viaturas e equipamentos bélicos poderiam parar, seja pela ação do inimigo, seja por defeito, e o conserto era realizado logo atrás das linhas e, estaria em condições de combate pouco tempo depois. Na campanha russa não houve a preocupação de manter essa Linha de Manutenção, fato que foi apontado por Guderian como um dos fatores para a derrota da Alemanha nesta Campanha.
Quando se trata do Teatro de Operações da África, que ocorreram em cinco territórios na África do Norte: desertos da líbia e egípcio, Marrocos, Argélia e Tunísia. Inicialmente Rommel tinha uma missão específica, dominar Gibraltrar e Suez e avançar para o Cáucaso, ou seja, uma Linha Ofensiva definida. Mas a partir de 1942 os ingleses, com a ajuda dos americanos, conseguem impedir Rommel. A Raposa do Deserto e o Montgomery passam um período lutando nos desertos entre ofensivas e contra-ofensivas, ou seja, o mesmo território foi conquistado e perdido mais de uma vez pelos Exércitos. Portanto, a extensão territorial das Operações não se limita apenas a extensão territorial das regiões geográficas que serviram de cenários das batalhas.
2-Porque só se comenta que os soldados alemães ficavam “atordoados” com a tal distancia Berlim-Moscou ( pouco mais de 2.000 km) não é isso? Bem como com a “vastidão” do tamanho da area sovietica anexada?
Para essa sua pergunta, vou colocar o link que, no me entendimento, contém a resposta:
O que Esperava o Soldado alemão na Campanha Russa?
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TODOS estão convidados a corrigir e/ou acrescentar a essa modesta argumentação
Posteriormente publicarei as demais perguntas e respostas.
Foto Diário do 506 Regimento de Infantaria Alemão – Parte 01
O 506º Regimento de Infantaria fez parte da 291ª Divisão de Infantaria.
Histórico da 291ª Divisão de Infantaria “Elch Division”
Formada a 06/02/40. Atuou na Campanha do oeste em 1940. Foi para Prússia oriental em julho de 1940, participando da invasão da União Soviética (22/06/41), no setor norte. Marchou através dos Estados Bálticos, conquistando Tallin, e, posteriormente, cercou Leningrado. Em dezembro de 1942, ela foi transferida para o setor central, lutando na região de Velikiye Luki. Durante o inverno de 1942/43, 3 dos seus batalhões foram dissolvidos. A 28/04/43, o 506º Regimento foi dissolvido (seus batalhões passaram para outros regimentos, deixando a divisão com 2 regimentos e 3 batalhões cada, mais um batalhão de ciclistas). No final do verão de 1943, a divisão foi transferida para o setor sul, lutando na região de Kiev e Korosten. Um novo 506º Regimento foi criado a 28/02/44 a partir do 1º Regimento de Reserva (141ª Divisão de Reserva), e a divisão foi organizada como Tipo 44. Ela lutou na região de Tarnopol, Brody e Lublin. A 10/09/44, a divisão absorveu a 1135ª Brigada. Em janeiro 1945, a divisão foi destruída no Vístula e os sobreviventes foram reorganizados no 37º Regimento (6ª Divisão de Infataria). A 11/03/45, os seus remanescentes, juntamente com os da 88ª Divisão, foram absorvidos pelas 6ª e 17ª Divisões.
Vamos acompanhar a partir de hoje a campanha russa juntamente com o 506 Regimento de Infantaria da 291 Divisão Alemã.
- O última boletim do 506 Regimento antes campanha russa, 20 de junho de 1941
- Oberst Gurran, comandante do 506 regimento de Infantaria, discutindo as futuras ações militares antes de 22 de junho de 1941.
- Oberst Gurran apresenta oficiais do regimento para o Major-General Herzog.
- As últimas ordens do comandante antes das operações que iniciariam
- Reforços foram vítimas do fogo de metralhadora. Isso nos deixa tristes pois muitos nem tiveram a chance de se defender.
- Destruído arma anti-aérea russa na estrada para Libau.
- Mortos russos no campo de centeio, junho 1941
- Três companheiros do 506 mortos em ação na Estônia em 24 de agosto de 1941. Ficamos tristes, muitos nós enterrou um companheiro pela primeira vez.
- Pertences do oficial soviético de 1941. Não demorou muito até os soldados tentarem aproveitar algum coisa
- Soldado russo morto em ação em 1941. Foi só um grupo avançado, esperamos encontrar mais resistência
- Soldados e oficiais ouvem as notícias do Alto Comando Alemão. Estamos sempre querendo saber como estão o avanço das outras tropas
- Os cães foram os amigos mais fiéis dos soldados. Diferente de outros animais eles não nos abandonam mesmo quando se rompem o fogo.
- Descanso da marcha, bebida refrescante. As marchas sempre são longas de desgastantes, ficamos dias em movimento, atravessamos campos e estradas, o medo faz parte do nosso dia, mas a certeza da vitória também nos acompanha, nosso comandante sempre nos lembra isso. 1941
- Prisioneiros de guerra russos no Quartel General
- 506 Regimento de infantaria primeiros dias depois do avanço no território soviético
- Descanso e alimento para os motociclistas do regimento.
- fotos fazem os soldados sorrirem.
- Missão reparar a estrada para os veículos do regimento
- Coluna de infantaria em marcha, Letônia.
- De artilharia de apoio na marcha, na Letônia
- Comandante do Batalhão Krauze do III/506 (no centro), Voigtlander capitão (à direita) e Tenente Meinel (à esquerda) discutem plano de ações, julho de 1941.
- Companheiros do Pelotão de Cavalaria
Parte 02 – Os Combates e suas baixas





















































