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A Alemanha e a Campanha na Itália.

Em 1943 a Alemanha tinha perdido parte do seu poder combativo com todos os Fronts abertos. Eles lutavam concomitantemente na Itália e União Soviética, além de possuírem tropas de ocupação na França, Países Baixos e em várias outras repúblicas da Europa, em muitos casos lutando violentamente contra os movimentos de Resistências desses países. Hitler que criticara em seu livro os dois fronts abertos pelo Kaiser, agora lutava em muitos mais.

Um dos inúmeros questionamentos que se faz sobre as atitudes de Hitler era a insistência e esforço do Fürher em manter o Dulce do poder na Itália. Seria muito mais viável para a Alemanha abrir mão de parte dos territórios italianos e a manutenção de uma linha de defesa que protegesse a fronteira alemã. Mas o Líder nazista preferiu dedicar esforços para manter todo o território da Itália, mesmo quando Mussoline não tinha qualquer condição de liderar o seu país.

A Itália nunca valera o esforço de mantê-la. Não justificava o desperdício de material e vidas humanas que lutaram valentemente desde a queda de Messina até o avanço sobre o Vale do Pó. Essas e outras atitudes de Hitler são questionáveis e fazem parte da mística sobre as suas ações durante a Segunda Guerra Mundial.

 

 

 

Patrulha de Infantaria – A Morte no Caminho

Depois das frustradas operações brasileiras sobre Monte Castelo, toda as ofensivas Aliadas nos Apeninos foram suspensas com a chegada do inverno italiano, essa fase da guerra se estendeu até fevereiro de 1945, quando se deu início a ofensiva do V Exército no Teatro de Operações da Itália.

No período compreendido entre dezembro de1944 afevereiro de 1945, as operações contra os alemães se resumiram as constantes patrulhas que objetivavam capturar inimigos e monitorar a movimentação e manutenção da linha de frente. Esse árduo trabalho foi desempenhado de forma brilhante pelas tropas brasileiras, tanto que o pracinha brasileiro ficou conhecido por ser um bom patrulheiro. Nomes como o sargento Max Wolf e tenente Iporan eram reconhecidamente exímios nesse tipo de operação.

Essa atividade, bem característica da infantaria, consiste em um ou mais grupo de combate (CG) ou até mesmo um pelotão, sempre atuando próximos ou nas linhas inimigas. A patrulha é uma atividade de enorme risco e não raramente vidas são perdidas no cumprimento dessa missão.

Castelnuovo – A luta pela sobrevivência de um pelotão brasileiro – Parte II

Para quem não viu o Relato do General de Exército Manoel Rodrigues de Carvalho Lisboa que era à época, comandante do I Batalhão de Fuzileiros do 11º Regimento de Infantaria para a Revista do Clube Militar, segue o LINK da Primeira Parte: A Luta pela sobrevivência de um Pelotão Brasileiro – Parte I

 Um Pelotão da 1ª Companhia do 1/11º Regimento de Infantaria fatidicamente cai em uma campo minado na noite do dia 06 para o 07 de março de 1945, e fica encurralado. A cada vez que se movem, mais baixas acontecem. Eles têm apenas uma saída: aguardar o resgate médico do Batalhão. Voluntários da Unidade se deslocam noite à dentro em um terreno desconhecido para salvar o Pelotão; outros tentam refazer o caminho a pé para consertarem a linha telefônica destruída e restabelecer a comunicação com o Comandante da Companhia.

 Essa é uma História de Heróis; Heróis brasileiros que perderam suas vidas se lançando contra pior dos inimigos, o desconhecido; materializada em forma de Mina Terrestre, que, se a vítima tiver sorte, morrerá, caso contrário será mutilada de uma forma terrível.

 Segunda Parte:

 – “Faça-me vir o Tenente-Médico com urgência!” – é a ordem do Major Comandante.

– “Pronto, Major, aqui estou!” – É um jovem médico, cheio de vida, valente, e que já tomara conhecimento do fato.

 –  “Sr. Major, tenho os padioleiros do Batalhão e mais o reforço do Batalhão de Saúde. Posso levá-los todo comigo!”

– “Mas, como irão sem correr o grave risco de perdê-los também?”

Só um recurso que lhe vem à mente. A Estrada 64 passa à direita, não se sabe o que há nela daqui para frente, mas a ambulância, numa operação de vaivém poderia, talvez, atingir a altura em que se acha o Pelotão e desse ponto, pelo campo, os padioleiros entrariam para a retirada do pessoal. Não vê outra solução, mas exige coragem a abnegação. Diz ao Tenente o seu pensamento e os riscos da missão. Necessitava essa de uma coordenação no local em que se achavam os homens da Companhia, coordenação que deveriam ter como zona crítica o trecho da Estrada 64 ainda em poder do inimigo.

O Capitão S/3, encarregado das operações, não titubeou, para isso, e se apresentou voluntário, juntando-se ao destemor, à bravura e ao espírito de solidariedade do médico. E lá se foram os dois, pressurosos na ajuda aos companheiros mutilados e em agonia. Durante toda a noite se fez a evacuação cuidadosa, as viaturas com as luzes apagadas, num silêncio que não provocasse a intervenção alemã. A cada rumo diferente, um estampido revelava no campo e novos mutilados caíam. A angústia pelo sofrimento era intensa. Os padioleiros heróis anônimos, não descansavam na faina da busca e do transporte de feridos. Nenhum ruído maior. Só os gemidos abafados dos moribundos e dos mutilados movimentavam aqueles homens no salvamento dos camaradas. Todas as cenas são heroicas. Todos os protagonistas cresceram em sacrifícios e bravura. Mas, muito mais do que todo os sentimentos, aquele que fazia sentir a dor de seu semelhante e que procurava dar-lhe o conforto da presença amiga com o afeto da palavra e do gesto fraternal, o espírito natural do brasileiro de solidariedade humana, fazia ascender, na escuridão da noite, uma auréola cuja luz refletia toda a grandeza da alma brasileira, boa e humana! Os seus nomes Historiador da FEB deve anotá-los. Cite-os. Transcrevendo os trechos da citação em combate. São eles:

Capitão Francisco Carlos Bueno Deschamps – S/3 do Batalhão: Na madrugada de 06 para 07 de março, muito cooperou com o Comando do Batalhão no auxílio à 1ª Companhia, lançando-se no eixo da Estrada 64 para se ligar pessoalmente ao Comandante da 1ª Companhia, sentir a sua situação, ver o que necessitava, acudir os feridos, agindo consciente  com desvelo em meio ao perigo, coordenando a operação de salvamento dos feridos.

Capitão Darcy Lázaro – Comandante da 1ª Companhia: Vibrante condutor de homens, soube empolga-los pela missão, entusiasmos que não arrefeceu nem naqueles que ficaram gravemente feridos. Comandou com inteligência, serenidade e ardor.

Tenentes-Médicos Yvon de Miranda Azevedo Maia e Murilo de Oliveira Paiva: Dedicados no socorro feito aos feridos na noite de 06 para 07 de março, enfrentando o perigo e o desconhecido para remove-los para a retaguarda num serviço cuidadoso, eficiente e bravo.

– 1º Tenente Alfredo Bertoldo Klas – Subcomandante da 1ª Cia: Dedicado e esforçado nas medidas para o socorro dos feridos.

2º Tenente Wilson Rocha da Silva – Comandante do 1º Pelotão: Conduzindo os seus homens com iniciativa e inteligência, mesmo dentro de um campo de minas, não perdendo a serenidade.

2º Tenente José Leite Rezende: Prestando auxílio aos feridos, fazendo a ligação com os Pelotões e assinalando os campos de minas.

Sgt. Luiz Pereira: Com elevadas baixas em seu Pelotão, não se intimidou no cumprimento da missão recebida que era a de atingir determinado ponto, por azar, outro campo minado e onde aumentou as baixas do seu Pelotão, conservando-se com heroísmo e dando exemplo aos seus comandados.

Sgt Max Wolff Filho, Sgt Hélio Moreira Alvarenga, Cb Thiago Luiz de Mello e Soldados José Berberino dos Santos e José Mendes dos Santos: Voluntários que se apresentavam para o reparo da linha telefônica arrebentada, cooperando com os telefonistas, redobrando-lhes a confiança e a energia.

Soldados Olympio Ferreira Cintra e Antônio Cosme da Silva: Agentes de ligação entre o S/3 e Comandante da 1ª Companhia.

Sgt. Francisco de Sales Teles: Digno exemplo de chefe e líder, imbuído de alto espírito de sacrifício soube, com o pé amputado por uma mina, animar os seus comadantes, lamentado não poder continuar à frente de seu Grupo de Combate.

Sgt. Aquino de Araújo: Apresentou-se voluntariamente para acompanhar o Comandante do Pelotão num reconhecimento em um bosque, a fim de desbordar um campo minado. Vê caído um de seus subordinados, Soldado Indalécio, procura socorrê-lo, no que foi atingido por uma mina, mantendo a mesma serenidade e dedicação ao seu companheiro.

                Na ânsia de salva os companheiros caídos, um valente grupo com os Sargentos Pedro Gerônimo dos Santos e Hidelbrando de Andrade Farias e o Cabo Anísio Batista da Silva avançam nessa noite escura esquecendo-se da presença das minas. Alguns caiem vitimados, como o Soldado Indalécio Rolsa e Silva; outros, como Eduardo Schmit, embora feridos em uma das mãos, continua prestando socorros aos companheiros, recusando ser evacuado.

                São todos heroicos representantes de uma Infantaria valente e que não diminuíram os lances históricos dos seus antepassados em Lacuna. É difícil dizer-se qual o mais valente, se o Sargento Leopoldo Leão de Souza, não perdendo o sangue-frio, nem a calma à frente do seu Pelotão, dentro de uma campo de minas, ou os Soldados Antônio Vicente de Paulo e Florival Alves Pereira conduzindo, com o risco da própria vida, por entre as estreitas brechas feitas nos campos minados, o seu companheiro Indalécio, mortalmente ferido, até Bonzoni.

                Na espera dos socorros pedidos, vê-se, com uma dedicação fraternal, consolando os feridos, o Sargento Amilcar Pedro dos Santos, mitigando-lhes a sede, ajeitando uma perna fraturada ou recompondo o curativo. Aqueles outros se oferecem para as ligações diversas e lá se vão, em terreno desconhecido e suspeito de minas, o Sargento Jovelino Francisco Carvalho, os Soldados Antônio Sá Rodrigues, Wilson de Freitas Sella, Francisco Coelho de Amorim e Antônio Manoel Raimundo, dedicados na afeição e firmes na solidariedade humana.

Fonte: Coronel Adhmar Rivermar – Montese – Marco Glorioso de uma Trajetória