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Causos de Brasileiros na Segunda Guerra Mundial
Não tem como negar que a característica do povo brasileiro esteve muito presente no Teatro de Operações da Itália. Entre os diversos “causos” há vários relatos, alguns, é verdade, sem a comprovação necessária para tomarmos como verdadeiras. Mas outros realmente encontramos comprovação. Entre tantos relatos, separamos alguns, bastante engraçados.
A Comida Comuflada
Os pracinhas, acostumados às rações reguladas que tinham no Brasil, ficavam surpresos com a abundância servida pelos americanos: carnes, legumes, frutas, uva-passa, sorvetes, mas nem tudo era elogio. Tinha um tal de Pork Lunch (enlatado a base de carne de porco) que eles serviam tantas vezes que todos odiaram – inclusive os americanos. De vez enquanto os cozinheiros punham um molho diferente para enganar o pessoal, mas o primeiro pracinha da fila que via aquela rodela coberta com molho avisava a turma de trás: “Cuidado, pessoal, hoje ela está camuflada!”.
O Ferimento de Neve
No meio de uma saraivada da artilharia alemã, os soldados aprontavam uns com os outros para amenizar o stress do combate como conta o sargento Moacyr Machado Barbosa: “Quando caíam algumas granadas de 88mm, nós jogávamos bolas de neve ou pedra nas costas dos companheiros. Quando o bombardeio acabava, a gente levantava e voltava à normalidade. Aquele que tinha sido atingido pela bola de neve ficava passando a mão no local atingido procurando sangue para ver se tinha sido ferido. Ferimento não dói na hora, só depois. Por isso ficava procurando ferida. Era uma brincadeira de brasileiro”
Tá todo mundo preso!
Numa região onde havia brasileiros, americanos, alemães e italianos indo pra lá e pra cá, só podia acabar em confusão. Certo dia, uma patrulha sob o comando de um sargento gaúcho voltando de uma missão deu de cara com um grupo de alemães. Imediatamente o sargento mandou seus homens cerca-los e desarmá-los. Mas os alemães viam sendo conduzidos como prisioneiros por três americanos. Sendo tantos pracinhas os cercando, os americanos gritaram: -Oh! Brazilian, friends! Mas o sargento não entendia inglês. Não quis saber de conversa foi logo dizendo: – Não tem disso, não! É tudo gringo, vai tudo preso! Só quando chegaram à Companhia é que então se esclareceu quem era “gringo” e que não era.
Bota-fogo!
O Cabo João Batista Moreira, da 5ª Companhia do 11º RI, conta que quando estava na linha de frente o Alto Comando mandou reforço de duas seções de metralhadoras pesadas sob o comando de dois cabos. O 1º RI todo era carioca e as senhas escolhidas do dia foram Flamengo e Botafogo. Informou o Capitão a aproximação de uma patrulha inimiga de 12 a 15 homens. O Capitão mandou esperarem chegar mais perto e desligou. Logo depois tentou contato com a seção de metralhadoras, que não atendeu. Nervoso, o Capitão começou a gritar: “Alô, Botafogo! Botafogo!”. O pracinhas ouviram isso e gritaram para os artilheiros: “O Capitão ordenou: ‘Mete Fogo!’ ‘Mete Fogo!’”. E toda a frente abriu fogo. Quanto mais o Capitão gritava, mais atiravam até que um mensageiro mandou cessar fogo. Então lançaram um very-light que iluminou uma área de 100 metros. Havia apenas um alemão morto, o resto da patrulha fugiu. A confusão gerou telefonemas das companhias e do batalhão querendo saber sobre “o violento ataque alemão…”.
Fontes: Relatos da FEB, História Oral do Exército na Segunda Guerra.
- Preparação para o acampamento
- Transporte nos LCI americanos.
A Revolta dos Vencedores! Os Partigianis Italianos!
Sargento Rigoberto relatou certa vez que os maiores horrores que ele viu na guerra foram testemunhadas após o cessar fogo na Itália. Evidentemente parece soar estranho para quem passou quase um ano na linha de frente e viu sua Unidade atuar nas principais batalhas da Força Expedicionária Brasileira. Mas não é tão surpreendente quando se observa o furor do povo italiano para por fim aquele período de dor e tristeza. Mussoline conseguiu, entre outras coisas, envolver a Itália na Guerra Civil Espanhola, levar o Exército a uma fatídica campanha no Norte da África e enviar Exércitos para apoiar a Alemanha na campanha de inverno na União Soviética. Tudo isso deixou os italianos com os nervos a flor da pele! Quando o regime cai e a Alemanha ocupa de fato os territórios italianos, revelasse a opressão do dominador. A Itália é um dos países que sentiu a guerra de perto. Pobreza, morte e destruição faziam parte do cotidiano dos italianos.
Quando a FEB chega à Itália, todos os pracinhas relatam unanimemente que se impressionavam com a destruição das cidades onde passavam, exatamente assim é a guerra, não permite que ninguém escape de suas consequências. Pessoas vivendo em cavernas, mulheres se prostituindo por qualquer alimento, crianças e velhos morrendo de inanição, esse era o quadro da população civil da outrora alegre Itália.
Quando a Alemanha se rende, chega a hora do acerto de contas, e os Partigiani queriam se vigar. Não por acaso, tropas alemães capturadas sofriam espancamento e morte, mas o pior estava reservado para os “traidores da pátria”, ou seja, os homens e mulheres que colaboravam com o regime de ocupação. Para estes, não bastava apenas a violência dos espancamentos ou a morte, mas a humilhação! Para as mulheres a violência era seguida da execração pública! Todos viravam as costas enquanto os cabelos eram raspados e suas roupas rasgadas! Se tivessem filhos de soldados alemães, eram banidas da cidade com a criança, tendo que perambular pelas estradas sem qualquer tipo de ajuda, pois quem ajudasse estava sujeita ao rigor da justiça dos vencedores.




























































