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PE – Polícia do Exército – Uma tropa de Elite da FEB!
Dedico este post à “Associação Uma Vez PE – Sempre PE”, e em especial ao grande amigo e mestre Chico Miranda, exemplo de dedicação em preservação da História.
Antes do embarque para o Teatro de Operações da Itália, foi organizada uma tropa de elite, muito especializada, os “MP – Military Police”, e seus integrantes, como sabemos, foram recrutados em grande parte na Polícia Militar de São Paulo, que por sua vez, a maioria eram oriundos do estado de Santa Catarina, descendentes de saxônicos, consequentemente foram apelidados de “catarinas”.
Devido ao seu rigoroso treinamento especializado em policiamento, logo impuseram respeito à tropa apresentando um alto índice de eficiência, igualando-se às melhores polícias dos outros exércitos. Os comandados do 1º Ten R2 José Sabino Maciel Monteiro, estavam sempre impecavelmente fardados, mantendo uma postura em seus postos de serviços, que impunham respeito a qualquer pessoa, ou organizando o tráfego na famosa Rota 64, com inflexibilidade e intransigência, sem distinção de patente.
Os integrantes desta tropa, como dissemos, eram em sua maioria descendentes de alemães e poloneses, de forma que eram louros e falavam com um forte sotaque, que muitas vezes se tornava impossível entender o que estavam dizendo, e para complicar eles usavam os mesmos “field-jackets” dos americanos e não raro eram confundidos com eles.
Devemos explicar que os uniformes da Força Expedicionária não foram planejados para enfrentar o rigoroso inverno europeu, portanto era possível encontrar diversos tipos de uniforme em uma mesma tropa, levando aos nossos soldados a recorrer aos uniformes americanos, para aguentar o frio e o vento daqueles dias de guerra, e o “field-jacket” ( uma jaqueta de cor bege, forrado de lã e com capuz, que se fechava inteiramente com um zíper. Nossos uniformes eram uma mistura de cores, com calças verde-oliva, “field-jacket” bege, gorro de lã verde petróleo, mas de toda forma serviu para aquecer a todos.
O Ministro da Guerra Eurico Gaspar Dutra cercou-se de uma grande comitiva quando a FEB começou a vencer suas batalhas, e foi visitar alguns setores onde nossos pracinhas participavam de ações contra o inimigo. Nesta comitiva estava o Cel Bina Machado, homem de cultura, e que viveu nos EUA por vários anos, por isso dominava perfeitamente o inglês.
Ao chegar ao acampamento do 6º RI, passou a percorrê-lo, conversando animadamente com os soldados que ali estavam, em um acampamento próximo à cidade de Barga. Ao aproximar-se de um soldado alto, louro, tipo clássico de soldado americano, com aquela mistura uniformes, dirigiu-se educadamente ao mesmo, em um inglês refinado, fazendo-lhe diversas perguntas, enquanto o soldado permanecia imóvel, olhando-o fixamente sem nada responder. O Cel Bina Machado já estava ficando irritado com o silêncio do praça, inclusive se questionando se ele se achava tão superior que não se dignava a lhe dirigir a palavra, ou se o seu inglês estava mal a ponto de não ser entendido.
Ele chamou o comandante do Regimento e disse: Oh, Segadas, o que há com esta “besta”, que não se digna a me responder? Faz quase meia hora que faço perguntas e ele não dá uma palavra em resposta, e ainda fica me olhando com esta cara de bobo.
– Não é possível Bina, este é um dos nossos soldados mais educados do nosso grupo, diga-me por favor, em que língua você está falando com ele?
– Em inglês é claro! Ele não é americano?
O Gen Segadas deu uma gostosa gargalhada e disse: É óbvio que ele não poderia lhe responder nada, caro amigo. Seu inglês continua impecável como sempre, acontece que este soldado é brasileiro e não entende nada de inglês.
– Então, foi a vez do Cel Bina ficar surpreso. Este soldado não é americano? E esta farda que ele usa, não é toda americana?
– Claro que é, mas quando percebemos que nosso material era inadequado, tivemos que recorrer aos americanos. Quanto a este rapaz, é o meu motorista, e tem este biotipo, pois é descendente de poloneses. É um dos nossos “catarinas”.
O Cel Bina Machado ficou muito sem graça por ter perguntado por que o “besta” não respondia.
Realmente os “MP”, quer brasileiros ou americanos, eram rigorosamente respeitados, e as infrações de trânsito na Rota “64” eram punidas rigorosamente.
Fonte: “E foi assim que a Cobra Fumou” – Elza Cansanção – 1987
“ Brazilian Expedicionary Force in World War II” – C.C. Maximiano e R. Bonalume Neto
Osprey Publishing – 2011
Nota: A Associação de Polícia do Exército é que agradece ao amigo Rigoberto Souza pela força e amizade a TODOS os PEs de ontem e de hoje!

O Irmão PE Bendl juntamente com o PE Cassal lá no Rio Grande do Sul - PE é PE em qualquer parte do Brasil
A Polícia do Exército na FEB – Uma Tropa Preparada!
Já publicamos artigos sobre a formação de uma Tropa de Elite para compor os quadros da FEB para ser utilizada com poder de polícia no front. A Polícia do Exército foi concebida a partir de uma das instituições mais respeita do Estado de São Paulo, a Guarda Civil do Estado, que no esforço de guerra, cedeu todo o efetivo para formação dessa tropa, sendo a única tropa que desembarcou na Itália já ciente e capacitada para a missão. A Guarda Civil paulista posteriormente deu origem a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros.
O Corenel Paulo Adriano L. L. Telhada escreveu uma das poucas obras sobre essa estreita ligação entre a Força Expedicionária Brasileira e a Polícia Militar do Estado de São Paulo, em sua obra A Polícia de São Paulo nos campos da Itália.
As fotos aqui postadas foram do Grupo de Reencenação Histórica “Dogs of War”, que segue o link: Reencenação Histórica “Dogs of War”
- Desfile da Vitória
- Capa do Livro do Cel. Telhada
- Desfile
- Uniformes e Capacetes do V Exército
- Capacete original
- Tipico MP americano do V Exército, no centro do capacete a Tropa brasileira tinha a bandeira do Brasil
- Museum dos Oficiais da Reserva do Estado de São Paulo






















