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Posts Tagged ‘rendição alemã’

O “Fritz” Cansado de Guerra!

Os nazistas são sabidamente arrogantes e presunçosos! Hitler conseguiu acrescentar-lhe mais uma outra característica: um fanatismo doentio!

Por isso não nos surpreendiam os prisioneiros que nos chegavam cobertos de condecorações, batendo os calcanhares e saudando-nos com o seu “famoso”: HEIL HITLER!

Entretanto, a fome, a bala, e, sobretudo, a baioneta não fazem graça para alguém rir! E os homens de Hitler, que ficavam calmamente atrás de suas metralhadoras, guardados por fortes abrigos, esperando sorridentes a aproximação dos nossos soldados para ceifá-los, começava a sentir o peso da derrota. E lá veem os prisioneiros alemães, mãos cruzadas na nuca, submissos, humildes, “inocentes”!

 

Certo dia, porém, assistíamos o tenente Renato Gonçalves proceder a interrogação de uma leva de prisioneiros. O oficial de informações do Batalhão manda sair um deles já interrogado e entrar outro. A porta se abre bruscamente e entra um alemão de meia idade, risonho e satisfeito, gritando alô! Alô volvendo-se ora para um ora para outro de nós.

 

Dissemos ao nosso soldado intérprete que chamasse a atenção do prisioneiro para que se portasse convenientemente. Que ele se achava num Posto de Comando brasileiro, local ao qual ele devia muito respeito e consideração.

 

O prisioneiro, toma uma atitude respeitosa e pede para intérprete que nos diga que começou a guerra na Polônia; foi para a África, onde arrostou todo aquele vai e vem de Rommel; viveu nos desertos; retirou-se para Itália, e vem de léo e léo, sempre para trás, para trás, sofrendo derrotas e mais derrotas, a munição escasseando cada vez mais; por último, vem comendo o que consegue no local! E lá se vão cinco anos! E os senhores sabem o que foram cinco anos de guerra?  Pergunta o Alemão. Sem notícia da família havia mais de uma ano, assombrado por desilusões, desenganados, sofrimentos!

 

Bem podíamos avaliar! Essa guerra termina hoje pra mim! Não vos estou desrespeitando, mas, me sinto muito e muito alegre, concluiu o “Fritz” impando de vera satisfação.

Fonte: Crônicas de Guerra – Coronel Olívio de Gondim Uzêda

 

 

 

Berlim, 1945 – A Vida dos Alemães Antes da Derrota!

A Estação Gesundbrunnen do U-Bahn, o sistema de metrô de Berlim, tinha sido projeto para comportar 1.500 pessoas, mas tinha três vezes esse número nos primeiros meses de 1945. Velas espalhavam-se por todo o lugar e, além de fornecer uma iluminação escassa, serviam para medir o nível de oxigênio. Ao se apagar uma vela no chão, as crianças eral alçadas sobre os ombros dos mais velhos. Se alguma outra, sobre uma cadeira, se apagasse, era hora de começar a evacuar a estação. Ou, então, se a chama de uma última vela, colocada na altura do queixo, se extinguisse, todos deveriam correr para a superfície, mesmo que fosse em meio a um bombardeio aéreo.

A vida nos bunkers e estações de metrô era uma constante para os 2,7 milhões de habitantes que restava na capital do Terceiro Reich, em 1945. Cerca de 300 bombardeios aéreos, que assolavam a cidade desde 1940, e o avanço de 2,5 milhões de soldados e amais 6 mil tanques do Exército Vermelho devastaram ruas, avenidas, pontes, sistemas de água, luz e transporte, além de quase a metade das casas e um terço dos prédios residenciais, entre os soldados soviéticos, era comum a prática de estupros coletivos de civis alemãs e os saques a estabelecimentos comerciais e casas. Até a capitulação, que seria assinada no dia 08 de maio de 1945, 50 mil civis pereceriam em meio aos 80 milhões de metros cúbicos de entulho em Berlim.

Em 19 de março de 1945, com a iminência do cerco soviético sobre a capital, Adolf Hitler deu a ordem que ficou conhecida como “terra arrasada”. Nela, o Führer determinava que instalações militares, de transportes, comunicações e suprimentos e toda a estrutura física da capital, que pudesse servir aos soviéticos fossem destruídos. “Caso a guerra seja perdida, o povo também estará perdido e não é necessário se preocupar com as usas necessidades de sobrevivência elementar”, disse Hitler em um memorando. “Os que restarem após a batalha serão, de qualquer maneira, apenas os inadequados, porque os bons estarão mortos.” Em 30 de abril, o próprio Hitler uniu-se aos “bons”, cometendo suicídio.

Números que retratam a destruição:

A precária infraestrutura da cidade refletia a baixa qualidade de vida em maio de 1945.

  1. 37 dos 38 reservatórios e 99,9% dos dutos de gás de Berlim estavam destruídos
  2. Nenhum dos 100 mil postes de iluminação das ruas funcionavam
  3. As 19 estações de água da cidade estavam danificadas
  4. 122 das 188 agências dos Correios estavam fora de operação
  5. As 46 centrais telefônicas estava fora de funcionamento
  6. Dos 4300 km de ruas, 1350 km estavam destruídos
  7. De 153 mil veículos motorizados da cidade, apenas 115 continuavam funcionando
  8. Dos 33 mil leitos em hospitais antes disponíveis, 24 mil não podiam ser usados e nenhuma das 400 ambulâncias funcionava
  9. Das 649 escolas, 149 estavam destruídas, 439 danificadas e 81 foram disponibilizadas para outros usos

Fonte: Grande Guerras – Julho 2006

Especial: 08 de Maio de 1945 – Os Acontecimentos!

O fim já estava estabelecido. A Alemanha não mais representava perigo, mesmo que ainda houvesse alguns focos de resistência à guerra já tinha sido definida. O interessante é que algumas tropas nazistas ainda enfrentavam os soviéticos para atravessar as linhas para se entregar aos americanos e ingleses. A Alemanha entrava em uma das fases mais duras de sua história. Sua capital estava em ruinas e seu povo vagava pelas ruas em busca de alimento, milhões perderam a vida. Indícios de estupros de mulheres berlinenses já eram ouvidos nas linhas Aliadas, mas o calor da vitória não cedia margem para os “pequenos desvios de condutas” das tropas de ocupação soviéticas. O objetivo agora era caçar de forma sistemática os principais líderes nazistas e conseguir angariar as melhores mentes para seu próprio país, era outra guerra.  Suja ao ponto de relevar as atitudes de qualquer nazista para deliberadamente absorver as pesquisas, métodos e informações contra um ex-aliado em potencial. Alguns generais, como George Patton falavam abertamente sobre um ataque preventivo contra a União Soviética, a política de Stálin era cruel e sua vontade de implantar um mundo nos moldes socialistas só não era tão grande o ego do declaro Grande Vencedor da Guerra. Heinrich Himmler, Göring, Speer e outros líderes nazistas são presos para um futuro acerto de contas. Himmler se mata ao ser descoberto e preso. Nada mais resta para a Alemanha a não esperar pela misericórdia dos seus inimigos, mas uma vez! Em contrapartida o soldado alemão se matem disciplinado, não há debandadas, não há fugas ou levantes contra os comandantes, o  soldado da Wehrmacht marcha de forma honrada e disciplinada.

Especial: 08 de Maio de 1945 – A Rendição!

Amanhã, estamos comemorando 67 anos do fim da guerra na Europa. Realmente a data deve ser lembrada e refletida para que possamos, como civilização, entender o contexto de toda a guerra, suas causas e consequências para o mundo hoje. E isso é História, é o principal instrumento para que os homens possam utiliza e entender os erros do passado e caminhar para o futuro com a ponderação necessária a paz, o respeito a sobrevivência dos povos e seu direito de existir, tudo que a Segunda Guerra ensinou para uma geração que sofreu como nenhuma outra, e as futuras pudessem entender tudo isso! Aprendemos?

 Para lembrar a DATA vamos publicar um Especial hoje e amanhã tentando realizar uma análise histórica do conflito, com fotos inéditas e artigos dos mais variados.

Artigo: A Rendição e suas consequências

No dia 08 de maio de 1945 deu-se oficialmente a rendição alemã, pondo um fim ao conflito que se arrastava desde setembro de 1939. Apesar da continuação da Segunda Guerra Mundial no Teatro de Operações do Pacífico, o principal inimigo das nações Aliadas na Europa assinava sua rendição incondicional após uma última e desesperada batalha por sua capital, Berlim. Hitler não representava mais perigo desde 30 de abril, quando se suicídio em seu bunker, muito embora ainda haja aqueles que sustentem a teoria de que o Fürher não morrera sob essas circunstâncias. Esse dia marca o início de um novo processo que lançaria o mundo em um novo paradigma entre dois blocos de influência, os vencedores se dividiriam em socialistas e capitalistas e a Alemanha seria o centro nervoso da chamada Guerra Fria.

Em 1945 a Grande Guerra Patriótica da União Soviética teria oficialmente assegurado à vitória em 09 de maio, data que muitos países consideram a fim da guerra da Europa, já que as condições de rendição foram vazadas para impressa ocidental antes de sua divulgação, fazendo com que países como Inglaterra e França festejassem o fim da beligerância antes da divulgação oficial. Contudo, no dia 07 houve a primeira capitulação geral em Reims, mas Stálin deu ordens expressas sobre a cerimônia de rendição, e deveria ser em Berlim.

É importante pontuar que a partir desse momento o mundo, e os próprios Aliados, já olhavam com desconfiança para a União Soviética, principalmente porque as ações em Berlim que deixaram a capital alemã totalmente nas mãos dos Vermelhos, e ainda havia a influência nos Estados fronteiriços libertados como a Polônia, Tchecoslováquia, Hungria e Bulgária. Eram muitos países potencialmente influenciados pelo Comunismo e isso incomodava os aliados acidentais. Na Conferência de Potsdam se considerou as áreas de influência e a divisão da Alemanha em zonas de ocupação: Francesa no sudoeste, Britânica a sudoeste, e americana no sul e soviética no leste, essa formação durou até 1949 quando os setores se franceses, britânicos e americanos se tornaram a Alemanha Ocidental (RFA), com capital em Bonn, enquanto o setor soviético se transformou na República Democrática Alemã (RDA) ou simplesmente Alemanha Oriental. O caso mais grave era exatamente Berlim, sendo uma ilha no lado soviético, ficou dividida entre Berlim Oriental e Berlim Ocidental. Essa era as consequências geopolíticas do pós-guerra que permeou o mundo por 45 anos.

Prisioneiros de Guerra – Normandia

Falar em Convenção de Genebra durante a Segunda Guerra Mundial é complicado, se vislumbramos todos os acontecimentos nos campos de concentração e de prisioneiros mantidos por todos os países beligerantes. Contudo vamos publicar algumas fotos dos Prisioneiros de Guerra alemães capturados no Dia D ou nas operações subsequentes.

É importante observar que tanto os Aliados quanto as nações do Eixo cometeram graves descumprimentos da Convenção. Dos nazistas podemos dar exemplos até mais do que gostaríamos, os japoneses eram conhecidos pelas marchas monstruosas por territórios ocupados, enquanto os americanos tinham campos de prisioneiros com pouca ração, pouca água e poucas condições de higiene; estima-se que 200 mil homens tenham perecido nos campos de detenção americanos a céu aberto. Pior que isso, claro qualquer exército era a ordem de não fazer prisioneiros.

Evidente que houveram bons exemplos com os Prisioneiros de Guerra, inclusive com relatos de ambos os lados de bons tratos, boa alimentação e cordialidade. Vamos ver os bons exemplos então.

Memórias de um Soldado de Hitler – Parte II

Para que não acompanhou a primeira Parte: Memórias de um Soldado de Hitler – Parte I

Aguardem a última parte.

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Algo de novo no front

  O moral da tropa era elevado. Metelmann logo se envolveu em operações antiguerrilha e, na primavera, viveu seu primeiro grande combate. Em pouco tempo, ele já era um soldado experiente, que apreciava a sabor da vitória.  Joanna Bourke, em sua obra prima Intimate History of killing [A História intima do ato de matar, não publicado no Brasil], afirma que “a atitude de característica dos homens durante a guerra não é morrer, é matar”. Que a matança pode ser agradável é uma coisa de Metelmann está preparado para admitir. “Nós, homens, nos sentimos muito bem quando derrotamos um adversário, conquistamos uma vila, expulsamos o inimigo”, confessa.

 

Em pouco tempo, ele entrou para o Sexto Exército de Hitler, que contava com mais de 200 mil soldados, e logo estava avançando 80 quilômetros por dia. Rapidamente, aprendeu o idioma russo e começou  conversar com a população local. Assim, surgiram as primeiras dúvidas sobre a guerra – que foram imediatamente reprimidas, diga-se de passagem.

 

Ferido, passou a trabalhar como guarda em um campo de prisioneiros enquanto se recuperava. Lá, para escapar do tédio, ficou amigo de um comunista detido, com quem conversava à noite, através do arame farpado. Ficaram íntimos e começaram a discutir política. Metalmann se lembra de se sentir desconfortável e confuso com a conversa. Por fim, o jovem comunista foi levado a interrogatório e fuzilado. “Isso me deixou muito triste, mas fiquei feliz em poder volta à linha de frente. Lá, não havia complicações. ‘Matar ou morrer’ era fácil de entender”, diz.

 

No front, Henry Metelmann viu russos sendo fuzilados, homens feridos legados à morte, civis friamente executados. Foi um cruel processo de brutalização. A ideologia de superioridade racial alemã parecia justificar tudo, e a pressão de seus camaradas encorajava o conformismo. Tanto que não demorou muito para que ele mesmo começasse a agir como se tudo fosse natural.

 

Quando foram encontrados corpos de soldados alemães mortos à queima-roupa com as mãos amarradas, ele se enfureceu. Pouco depois, quarenta militares russos se aproximaram com as mãos levantadas e bandeira branca – e foram metralhados. “Se um soldado levanta as mãos, você não luta mais com ele, você não o mata, mas nós matávamos. A partir de então, e por um bom tempo, não fizemos mais prisioneiros pela frente”, lembra Metelmann.

 

Nasce um Selvagem

 Em setembro, o Sexto Exército chegou a Stalingrado. A divisão de Metelmann foi posta ao lado do exército romeno, protegendo as vulneráveis linhas de suprimentos que chegavam à cidade, onde milhares de homens estavam engajados em uma batalha titânica. Em 19 de novembro, ele se viu em meio a um contra-ataque russo, que libertou Stalingrado e destruiu por completo o Sexto Exército. “Stalingrado foi um divisor de águas da companha russo, um divisor de águas da Segunda Guerra Mundial e também um divisor de águas para o insignificante soldado Henry Metelmann”. Ele foi o único sobrevivente de sua unidade. Durante dias, vagou pela neve até encontrar outros soldados e formar um grupo de combate temporário.

Metelmenn concedeu entrevista a Jonathan Hacker – BBC History