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A Hora H – Parte VIII
Quando os bravos caem, quando a morte chega, quando a covardia aflora e o medo atinge. Essa é a hora H! Não há homem que não saiba essa hora; não há soldado que não se assombre neste momento. Essa é a HORA H:
Okinawa – A Última Fronteira de Sangue.
Okinawa foi a derradeira das grandes batalhas da Segunda Guerra, mas como não poderia deixar de ser, os japoneses lutaram até o fim na vã tentativa de barrar o avanço americano.
Alguns Detalhes estão em uma publicação nossa anterior com o link abaixo:
Segue abaixo o artigo de Márcio Sampaio de Castro sobre a Batalha:
Em abril de 1945, o mundo estava cansado da carnificina que a Segunda Guerra Mundial espalhara ao redor do planeta ao longo dos seis anos anteriores. Praticamente todos os países invadidos pelas potências do Eixo já haviam sido libertados, o fascismo italiano dava seus últimos suspiros, a Alemanha havia se transformado em um monte de escombros e os Aliados marchavam sobre seu território, rumo a Berlim. Enquanto isso, no Extremo Oriente, o império japonês preparava-se para lutar até o fim contra a invasão inimiga, que se aproximava a passos largos.
O mês de março havia mostrado aos japoneses que essa invasão era iminente. A pequena ilha de Iwo Jima, considerada solo sagrado japonês, havia sido tomada pelos americanos, e o arquipélago de Ryukyu, a 1,2 mil quilômetros de distância da ilha de Kyushu, uma das três principais do Japão, configurava-se como o próximo alvo da potência ocidental.
Na aurora do dia 1º de abril, uma impressionante frota com mais de 1,2 mil navios de guerra, 183 mil homens e 750 mil toneladas de equipamentos aguardava ao largo de Okinawa, a principal ilha do arquipélago de Ryukyu, para iniciar o ataque que visava tornar o caminho para o Japão mais curto. Pouco menos de um ano antes, a força de ataque à Normandia, na Europa, considerada até então a maior operação de desembarque da guerra, havia colocado em combate no primeiro dia 150 mil homens e 570 mil toneladas de equipamentos.
De um lado, os Estados Unidos buscavam encurtar a rota de seus bombardeiros, que vinham sistematicamente atacando as cidades nipônicas para enfraquecer o esforço de guerra inimigo e cortar suas comunicações com a porção sul do continente asiático, de onde provinham suas matérias-primas. De outro, os japoneses sabiam que não poderiam derrotar o gigante industrial que estava cada vez mais próximo. Mas um lema se espalhava entre seus combatentes: “Cada homem abatido deveria levar consigo dez americanos; cada avião destruído, um navio”. Defender Okinawa significava ganhar tempo para preparar as defesas do Japão metropolitano. Para isso, o alto-comando designara o general Mitsuru Ushijima, que resolveu concentrar as principais linhas defensivas de sua guarnição de 100 mil homens do 32º Exército na montanhosa região sul da ilha.
Tempestade de aço
Para a surpresa dos invasores, o desembarque na parte central da ilha, realizado após um impiedoso bombardeio promovido pelos aviões e navios da frota, denominado pelos moradores como tetsu no bofu (tempestade de aço), transcorreu sem que os japoneses disparassem um tiro sequer. O plano dos atacantes era dividir a ilha em duas partes, ficando a cargo do Corpo de Fuzileiros Navais a seção norte da ilha, enquanto as divisões do Exército marchariam para o sul, ambas sob o comando do tenente-general Simon Bolivar Buckner. Em apenas quatro dias os fuzileiros atingiram o extremo setentrional. Ao final de um mês, não havia mais nenhum foco de resistência. As atenções voltaram-se então para a porção sul da ilha, mais povoada e onde estão as cidades de Shuri e Naha.
O terreno escarpado que envolvia as duas cidades possibilitou aos homens do Exército imperial construir uma cadeia de fortificações ligadas entre si por túneis escavados no interior das montanhas, a linha Shuri. Se a antiga floresta tropical da superfície de Okinawa havia dado lugar a uma desoladora paisagem após os bombardeios americanos, sob a superfície verificava-se uma intensa atividade de militares e civis japoneses preparados para surpreender seus inimigos.
Ao contrário do que ocorrera no início da invasão, as tropas de Buckner começaram a sofrer pesadas perdas com a intrincada linha de casamatas montada por seus oponentes. Sem poder contar com o apoio da artilharia naval, que nada podia fazer contra as fortificações encravadas no interior da ilha, os atacantes tinham de desabilitar os bunkers japoneses um a um. A violência e a tensão chegaram a níveis tão elevados que 48% das baixas americanas foram causadas por estresse de combate. Muitas vezes, ao atacar esconderijos com seus lança-chamas e granadas, os soldados acabavam incinerando famílias inteiras. Por sua vez, a propaganda japonesa havia plantado no imaginário dos moradores de Okinawa que o inimigo iria violentar e torturar os civis. Para não correr esse risco, muitos preferiam cometer suicídio.
Curiosa e tragicamente, a batalha teria, ao seu fim, uma coincidência incomum na história das guerras modernas. Os oficiais comandantes dos dois exércitos em combate morreriam antes do encerramento das hostilidades. Quatro dias antes de eliminar a resistência japonesa na ilha, Buckner foi atingido por estilhaços de granada, enquanto vistoriava a linha de frente. Perto dali, em seu abrigo subterrâneo, o general Ushijima, acompanhado por seu colega, general Isamu Cho, cometeria harakiri no último dia da batalha, em 21 de junho de 1945. Junto ao corpo de Cho um epitáfio escrito de próprio punho: “Cho, Isamu, tenente-general do Exército imperial japonês. Morro sem arrependimento, sem medo, sem desonra e sem dívidas”.
Após 82 dias de sangrentos combates, os japoneses haviam perdido o controle de mais uma ilha no Pacífico, mas sua determinação de lutar até as últimas conseqüências mantinha-se inquebrantável. Para os Estados Unidos, Okinawa servira para estabelecer sombrias estimativas de, no mínimo, 500 mil mortos no ataque final ao Japão. A aceleração do chamado Projeto Manhattan configurava-se cada vez mais como uma necessidade. Para muitos historiadores, a Batalha de Okinawa representou não só o último grande embate da Segunda Guerra, mas também o impulso que faltava para o emprego da terrível arma secreta desenvolvida pelo projeto. O Japão seria o primeiro país na história a enfrentar os horrores da bomba atômica.
Mar de sangue
A Batalha de Okinawa marcou o último embate aeronaval da Segunda Guerra Mundial. Depois de ajudar a derrotar os nazistas no Atlântico Norte, a esquadra britânica pôde encaminhar uma força-tarefa para auxiliar no processo de asfixia do império japonês. Uma combinação de navios ingleses, canadenses, australianos e neozelandeses proporcionou 20% do poderio aeronaval empregado nas operações de ataque à ilha.
Ao lado dos americanos, essa força-tarefa sofreria os terrores do crescente e desesperado emprego por parte dos japoneses dos kamikazes. Após a quase aniquilação de sua frota ao longo do ano anterior, o Japão não podia mais se bater nos mares de igual para igual, como fizera em Midway ou em Guadalcanal. Sua única alternativa era procurar causar pânico e o máximo de danos aos inimigos com o emprego de aeronaves que se chocavam contra as embarcações aliadas. Empregando uma variação de ataques suicidas e bombardeios estratégicos, os japoneses conseguiriam, somente em 6 de abril de 1945, primeiro dia de sua ofensiva, afundar 60 embarcações inimigas.
O plano de batalha incluía o uso do supercouraçado Yamato, um gigante veterano da guerra que tinha por missão aportar ao largo de Okinawa e causar o máximo de destruição possível antes de ser afundado. Detectada na saída do porto pelos submarinos Hackleback e Threadfin, a pequena frota capitaneada pelo Yamato foi atacada pelas aeronaves dos porta-aviões da Força-tarefa 58. Após uma hora e meia de bombardeios, o orgulho da frota imperial explodiu e afundou, levando consigo 2,5 mil homens. A partir daí, a guarnição de Okinawa estava entregue à própria sorte. Após seis dias de ofensiva, os ataques japoneses começaram a rarear. No fundo do mar, milhares de homens de ambos os lados acabaram encontrando seu túmulo. Eram os últimos movimentos da guerra mais sangrenta de todos os tempos.
- Comemoração
Embarque da Força Expedicionária Brasileira
Artigo enviado pelo pesquisador Rigoberto Souza Júnior.
O embarque da FEB se processou da seguinte maneira:1º Escalão, embarcado no Porto do Rio de Janeiro em 02/07/1944 e desembarcado em Nápoles, no dia 16/07/1944, com um efetivo de 5.075 homens, inclusive 304 oficiais; 2º e 3º escalões, embarcados em 22/09/1944, com um efetivo de 10.375 homens, inclusive 686 oficiais; 4º escalão, embarcado em 23/11/1944, com um efetivo de 4.691 homens, inclusive 285 oficiais e 5º e último escalão, embarcado em 08/02/1945 e desembarcado em 22/02/1945, com um efetivo de 5.082 homens, inclusive 247 oficiais.
Foram ainda transportados por via aérea, 44 médicos e 67 enfermeiras, totalizando 25.334 participantes da Campanha da Itália.
Considerando a possibilidade de ataques por submarinos alemães, a travessia do Atlântico e do Mediterrâneo, foi cercada de um rigoroso dispositivo de segurança, do qual participou também , a valorosa Marinha brasileira.
O transporte foi feito pelos navios americanos “General Mann” e “General Meigs”, comboiados por destróiers da nossa Marinha e navios de combate americanas até o Estreito de Gilbraltar. Essa medidas de segurança foram completadas com as bombas de profundidade dos nossos destróiers, com o próprio armamento dos transportes de guerra e o contínuo funcionamento do radar e dos aviões existentes nos cruzadores americanos da escolta. Apesar de todo este aparato de segurança, eram diários os exercícios de alarme para abandono de navio e obrigatório o uso permanente de coletes salva-vidas, as regras de segurança impuseram também, o escurecimento
do navio durante a noite.
A partir do Estreito de Gibraltar, a escolta foi feita somente por navios americanos e ingleses, dispondo inclusive, de permanente cobertura aérea.
A entrada do “General Mann” no mediterrâneo, se revestiu de grande solenidade, tendo o Comandante do navio, o Capitão Paul Maguire, dirigiu à FEB, uma entusiástica saudação, ao qual extraiu-se este trecho: “ Brasileiros! Sois a primeira força sul americana que deixou seu continente para combater em ultramar, com destino ao Teatro de Guerra Europeu, constituindo um novo Exército de homens livres que se vem a juntar a tantos outros na luta pela liberdade dos povos oprimidos. Quem poderá avaliar da suprema importância que podereis representar nos campos de batalha? Não a primeira vez na História, que a adição de alguns homens, em determinado setor de luta, fizesse pender definitivamente para eles o fiel da balança e os louros da vitória”.
Em resposta assim se expressou o General mascarenhas de Morais: – “Senhor Comandante! Conduzistes as primeiras tropas terrestres sul americanas através do Atlântico; ides fazê-las penetrar no Mediterrâneo e depois entregá-las ao Teatro de Guerra no Sul da Europa. A minha Pátria está vivendo assim, o ciclo da grande e gloriosa Pátria de Washington. Colonizados e vitalizados pela civilização europeia, somos as Nações do Hemisfério Ocidental mais identificadas na defesa do patrimônio da Humanidade em terras americanas e, em muito em breve, nos campos de batalha da Europa. E esta identidade de destino de dois povos unidos por tão alevantada aliança, traduz-se no entrelaçamento de nossa bandeiras no Mediterrâneo, no próprio berço da civilização cristã, que hoje engrandece os Estados Unidos e o Brasil. Unidos na América e sobre as águas do Atlântico, seremos na Europa também irmãos do mesmo ideal”.
A primeira missão da Marinha Brasileira chegara ao fim comboiando o 1º Escalão até o Estreito de Gibraltar. Nesta ocasião o General Mascarenhas de Morais transmitiu a seguinte mensagem telegráfica ao Capitão de Mar e Guerra Antônio Alves de Câmara Júnior, Comandante da Frota brasileira: “ – Em nome dos brasileiros que partem para a linha de frente, a fim de continuar o glorioso trabalho de nossa Marinha na defesa de nossa soberania, apresento minhas despedidas: gratíssimo pela vossa proteção contra os submarinos”.
Em seguida, recebeu o General Mascarenhas de Morais a seguinte resposta: “Os representantes da Marinha do Brasil tiveram a grande honra em comboiar vossa Forças e fazem votos de todo o sucesso para maior glória das Armas brasileiras.”
Em todos os escalões, estabeleceu-se as mesmas medidas de segurança durante a viagem
marítima.
Fotografia: Contando a Segunda Guerra Mundial – Parte VII
As defesas russas não foram páreas as primeiras incursões sobre seu território. Stálin perplexo com a manobra alemã ordena, de forma desvairada, que todas as forças soviéticas resistam à investida nazista, e em vão, soldados do Exército Vermelho despreparados e sem as mínimas condições de combate, tentam enfrentar uma Wermacht exercendo sua Blitzkrieg.
O avanço chega a 150km em poucas horas, vila após vila, caem diante do poderio das forças invasoras. Em pouco tempo, grandes centros populacionais, como Leningrado, sofrerão cercos terríveis que abalará o moral do povo soviético.
De qualquer forma, todos da Alemanha, sabiam que o tempo era um dos principais inimigos do Exército, todos entendiam o rigor do frio russo, e esperavam uma derrota antes da chegada do inverno. Outro problema é a extensão dos territórios ocupados, pois as linhas de suprimentos eram cada vez maiores e perigosas. O efetivo de 4.5 milhões de soldados, empregados na Operação Barbarossa, deveriam tomar seus objetivos e ainda estarem abastecidos de toda a sorte de suprimentos necessários à operação. Hitler não queria, e não poderia, estender a guerra a ponto de dar oportunidade para que as forças soviéticas ou aos seus aliados no ocidente reestruturassem suas indústrias bélicas.
No final das contas a Operação Barbarossa é estudada hoje como sendo um dos grandes erros de Adolf Hitler. Com a operação, a Alemanha estava atuando em três grandes fronts (Grã-Bretanha, África e URSS), curiosamente Hitler cita em seu livro Mein Kampf, que a luta em dois fronts tinha sido um dos motivos da derrota alemã na Grande Guerra. Ele sabia da História, mas não aplicou a realidade.
Um contexto que precisa ser citado é que as manobras no território soviético incluíam várias unidades de voluntários e nações do Eixo, tais como: polonesas, francesas e italianas.







































































































































