O Dia D – Defensores e Atacantes
Em 1943 a única certeza que o Alto Comando Alemão tinha era que a invasão a Europa era iminente. Portanto era imperativa a manutenção das conquistas alemãs fossem defendidas a todo custo, principalmente a região norueguesa de Narvik, grande centro de produção de minério de ferro e a própria França e Bélgica principais entradas para a conquista da Alemanha.
No segundo semestre de 1944 iniciou-se a construção do que a propaganda alemã vendeu como sendo a Fortaleza Europa, um conjunto de fortificações que tinham como objetivo expurgar qualquer tentativa de invasão oriunda do mar, revivendo assim a malfadada tentativa em DIEPPE que frustrou um desembarque em 19 de agosto de 1942 e tornou-se célebre na Segunda Guerra.
Contudo o Fortaleza Europa era extensa e o desconhecimento completo do local dos desembarques forçava o amplo e custoso aparato de fortificações. Os locais mais prováveis foram os prioritariamente defendidos, sendo o mais importante o Passo do Calais, trecho mais estreito do Canal e a região da base de lançamento dos mísseis V1 e V2.
Para a região da Normandia, o General Erwin Rommel organizou assumiu parte da defesa e organizou uma considerável melhoria nas defesas, aumentando a quantidade de minas terrestres, obstáculos e inundando regiões. Mas a cadeia de comando da Wermartch em 1944 não ajudava a Raposa do Deserto. Ele não tinha o comando das Divisões Panzers da Região, inclusive a 21ª Divisão Panzer, que seria utilizada na região da Normandia para repelir um ataque em alta escala.
O General Gerd von Rundstedt, o mais velho dos generais no Teatro de Operações, mas também o mais respeitado, divergia de Rommel sobre as táticas da doutrina defensiva que deveria ser emprega. Rundstedt achava que o emprego dos blindados deveria ser realizado a partir do interior, longe do fogo da artilharia naval, de forma que um contra-ataque em grande escala tomaria as cabeças-de-praia dos aliados antes do avanço sobre o interior. Rommel acredita que os Aliados deveriam ser expulsos no desembarque, sem conquistarem qualquer avanço no terreno. No final das contas o que prevaleceu foi o fracasso de ambos. As defesas costeiras não foram suficientemente capazes de repelir o desembarque, exceto em Omaha, onde a imposição durou todo o Dia D. E o contra-ataque esperado pelos americanos não teve o ímpeto desejado pelo velho general.




































































Um Herói Cuiabano
Iporan Nunes de Oliveira
É com muito pesar que quero registrar com um pouco de
atraso a passagem do nosso conterrâneo Iporan Nunes de Oliveira,que
faleceu em Niterói, Rio de Janeiro, no ultimo dia 3 de dezembro .Um
homem como poucos em nossa historia.Nascido em 20 de dezembro de 1917
em Cuiabá, filho de Joaquim Pinto de Oliveira e Theonila Nunes de
Oliveira, engressou na vida militar na escola do Realengo ,sendo
declarado aspirante a oficial em 8 de janeiro de 1944,voluntariou-se
para servir no 11 Regimento de infantaria em São João Del Rey ,Minas
Gerais,diga-se de passagem um do regimentos escolhidos para compor a
Força Expedicionária Brasileira .
Chegou ao Rio na Vila militar aonde acabou de se preparar
para o embarque, que ocorreu em 22 de Setembro, chegando à Itália em
11 de Outubro, começando um novo período de adaptação ao armamento e
as táticas modernas de combate. Em novembro Iporan já tenente e no
comando de um pelotão da 2 companhia enfrentou o Front pela primeira
vez.
Durante um ataque a Monte Castelo seu pelotão, tendo ele a
frente, conquistou a localidade de Falfare. A partir daí ele lideraria
11 bem-sucedidas patrulhas ao longo da guerra, ganhando as duas
classes da Cruz de Combate e em 14 de abril de 1945 viria a conquistar
seu maior trunfo em Montese colocando seu nome e do seu pelotão
definitivamente no panteão dos Heróis nacionais, demonstrando coragem,
valentia e principalmente iniciativa nessa e em todas as missões a ele
confiadas. Na véspera do ataque, liderando uma patrulha conseguiu
abrir uma brecha em um campo minado que protegia um das bordas da
posição fortificada Alemã.No dia 14 já sabendo da brecha entrou com
seu pelotão em Montese tomando a torre local ,aonde fez prisioneiros e
manteve a posição resistindo fortemente aos Alemães .Seu pelotão foi a
primeira tropa Brasileira a romper a resistência inimiga que fustigava
as linhas brasileiras causando um numero grande de baixas como ficou
registrado nos anais de nossa historia.
São exemplos assim que precisamos exaltar; hoje esse
turbilhão de maus elementos que brilham de forma fugaz transformam
nossa vida cotidiana em exemplos de como roubar e se dar bem. É
lamentável que homens com uma historia pessoal brilhante e heróica
fiquem esquecidos.Temos que registrar essas pessoas que pautam sua
vida com exemplos que extrapolam a normalidade e que mesmo assim são
incapazes de vangloriar ou ao menos de contar suas próprias façanhas.
A humildade é condição natural dos mestres,aqueles que fazem
um mundo melhor dia a dia,constroem e edificam um Brasil honesto e
profícuo.
Diz Confúcio “a humildade é a única base solida de todas as
virtudes” isso era dele.Viveu, lutou e morreu como um grande ser
humano.Escreveu um livro e novamente mostrou sua humildade ,em vez de
escrever suas historias sobre a guerra ,escreveu uma arvore
genealógica em que se coloca em uma pequena nota ,menor até que as
menores que existem em sua obra .Deixou sim relatos dos seus feitos
nos anais de honra da historia do Exercito Brasileiro.Que sua memória
seja lembrada por nós Cuiabanos.
E fica aqui uma sugestão aos nossos governantes que vivem
homenageando pessoas merecedoras ou não, mais muitas vezes
desconhecidas, que prestem uma justa homenagem para aqueles que
realmente fez a diferença em nossa historia.
“Um grande homem é aquele que morre duas vezes.Primeiro,como homem;e
depois,como grande homem”(Paul Valery)
Abaixo listo as homenagens recebidas pelo Cel.Iporan:
-Cruz de Combate de 1 Classe
-Cruz de Combate de 2 Classe
Silver Star-USA ARMY sendo agraciado pelo Gen.Charles H.Gerhalt
-Chefe da Comissão Militar Mista Brasil-EUA,que se deslocou por via
aérea até Cuiabá aos 15/07/1946 com numerosa comitiva,especialmente
para a outorga no 16 BC.
-Admitido na OBE-Order of the British Empire,em cerimônia com a
presença do Marechal de Campo Viscount Alexander realizada no Palácio
das Laranjeiras aos 15/06/1948,sendo o diplomata assinado de próprio
punho pelo Rei George VI
Benjamin Duarte Monteiro Neto
Historiador e cidadão