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Archive for agosto, 2012

Registro Fotográfico da Guerra Civil Americana – Explicando algo Importante!

Um contexto que gosto de interpretar, tanto a Segunda Guerra, quanto outros eventos anteriores, é exatamente o senso comum em relação à segregação racial. Enquanto falamos do genocídio do regime nazista, o movimento em relação à separação de raças superiores e inferiores era algo anterior ao nacional socialismo, à bem da verdade, os judeus sofrem perseguição há séculos, os negros americanos, ainda nos dias atuais, resistem entrar em bairros “brancos” e em algumas cidades americanas. A Guerra Civil Americana é exemplo de um povo dividido pela ideologia de segregação racial.

Hitler não inventou nada de novo, o que ele fez foi executar em escala industrial o pensamento de boa parte do mundo daquele período histórico! E nesse momento ele deve ser condenado, não pela ideia, mas pelos meios empregados.

Vejamos a continuação do registro fotográfico da Guerra Civil Americana

A Poderosa Alemanha Nazista!

Não é possível negar, a Alemanha nazista se preparou para a guerra. Essa afirmativa, até certo ponto simplista, não resume o avanço extraordinário que o regime conseguiu alcançar nos anos que esteve em processo de reafirmação bélica. Em 1933, Hitler assume uma Alemanha humilha e cheia de restrições, ninguém pode negar esse fato, e aos poucos vai transformando sua indústria bélica em uma poderosa máquina de guerra. Mérito? Falando militarmente, esquecendo as argumentações de causas e consequências da Segunda Guerra Mundial, é possível ceder o mérito ao senhor Adolf, muito embora o que importa de fato é o que ele fez com esse poder. Mas é possível imaginar um país destruído economicamente e em menos de uma década ser a maior potência militar do mundo? E mais impressionante ainda, em pouco mais de cinco anos se encontrar completamente devastado novamente?  Observando esses acontecimentos friamente, esse tipo de cenário parece tão improvável atualmente como o era antes de 1939, mas aconteceu.

O poder da Alemanha foi muito além do armamento e da tecnologia, a Alemanha desenvolveu técnicas de combate, doutrinas militares que são empregadas até os dias atuais. Isso assustou o mundo, e assusta até hoje! Devemos ter em mente que é necessário entender a História em sua plenitude para que outros regimes com a eficiência militar da Alemanha nazista e sua ideologia possam ficar apenas na história, servindo de exemplo para essa e as próximas gerações.

Aquela Foto Quase Sem Querer…

Gosto dessas fotos casuais, sem poses ou efeite…Dizem as más línguas que o General MacArtur era quase uma artista quando o assunto era fotografia e filmagem.

 

Olha a criança bricando!

 

As Fotos Mais Engraçadas e Sem Noção da Guerra – Parte IX

Segue mais uma edição extraordinária dos soldados mais indisciplinados e sem noção dos Exército Alemão e Aliado. Curtam!

Só lembrando a página no BLOG no Facebook  (contando com publicações inéditas).

 https://www.facebook.com/BlogChicoMiranda

Isso é uma Armadilha?

 

 

 

 

O “Fritz” Cansado de Guerra!

Os nazistas são sabidamente arrogantes e presunçosos! Hitler conseguiu acrescentar-lhe mais uma outra característica: um fanatismo doentio!

Por isso não nos surpreendiam os prisioneiros que nos chegavam cobertos de condecorações, batendo os calcanhares e saudando-nos com o seu “famoso”: HEIL HITLER!

Entretanto, a fome, a bala, e, sobretudo, a baioneta não fazem graça para alguém rir! E os homens de Hitler, que ficavam calmamente atrás de suas metralhadoras, guardados por fortes abrigos, esperando sorridentes a aproximação dos nossos soldados para ceifá-los, começava a sentir o peso da derrota. E lá veem os prisioneiros alemães, mãos cruzadas na nuca, submissos, humildes, “inocentes”!

 

Certo dia, porém, assistíamos o tenente Renato Gonçalves proceder a interrogação de uma leva de prisioneiros. O oficial de informações do Batalhão manda sair um deles já interrogado e entrar outro. A porta se abre bruscamente e entra um alemão de meia idade, risonho e satisfeito, gritando alô! Alô volvendo-se ora para um ora para outro de nós.

 

Dissemos ao nosso soldado intérprete que chamasse a atenção do prisioneiro para que se portasse convenientemente. Que ele se achava num Posto de Comando brasileiro, local ao qual ele devia muito respeito e consideração.

 

O prisioneiro, toma uma atitude respeitosa e pede para intérprete que nos diga que começou a guerra na Polônia; foi para a África, onde arrostou todo aquele vai e vem de Rommel; viveu nos desertos; retirou-se para Itália, e vem de léo e léo, sempre para trás, para trás, sofrendo derrotas e mais derrotas, a munição escasseando cada vez mais; por último, vem comendo o que consegue no local! E lá se vão cinco anos! E os senhores sabem o que foram cinco anos de guerra?  Pergunta o Alemão. Sem notícia da família havia mais de uma ano, assombrado por desilusões, desenganados, sofrimentos!

 

Bem podíamos avaliar! Essa guerra termina hoje pra mim! Não vos estou desrespeitando, mas, me sinto muito e muito alegre, concluiu o “Fritz” impando de vera satisfação.

Fonte: Crônicas de Guerra – Coronel Olívio de Gondim Uzêda

 

 

 

Guerra Civil Americana em Fotos

Segue uma boa edição das fotografias da Guerra Civil Americana.

 

Ele é Tenente Valente, Pernambucano de Goiana!

 Publicação dedicada a Associação dos Oficiais da Reserva R/2 do Exército – Regional Recife – Celeiro de Valorosos Tenentes

O que faz um homem joga-se à guerra? Apenas o amor pátrio é necessário para um soldado dedicar-lhe sua vida nos campos de batalha? Diria que sim? Mas não só isso! Quando se está no campo de batalha, e depois de muito andar com seu Pelotão, com sua Companhia e com seu Batalhão, o verdadeiro destemor do soldado se mostra para defender o seu companheiro! Na FEB há vários casos de soldados de todos os postos e graduações que se colocaram na linha do inimigo para buscar um companheiro perdido em uma patrulha, caído em campo minado ou até mesmo morto. Segue abaixo outra crônica do Coronel Uzêda:

O Tenente Regueira é um pernambucano de Goiana; destemido e valente, bravo como ele só! Baixo, moreno, barba cerrada, bigode aparado, sobrancelhas densas, cabelo e olhos pretos, nariz afilado, uma “barroca” no queixo, gentil e maneiroso, ninguém o dizia o soldado corajoso que era.

Ferido num dos bombardeios de artilharia em Braineta, estava baixado ao hospital. Por isso nosso Batalhão não contou com seu precioso auxílio no ataque ao Monte Castello, no dia 21 de fevereiro.

Entretanto, num dos primeiros dias de março, o bravo tenente apresenta-se ao Posto de Comando do Batalhão, em Querciola, pronto para retornar à linha de frente.

A chegada do Regueira foi motivo de grande alegria para o nosso Batalhão, já pela simpatia que irradiava o jovem tenente, já pela admiração que tínhamos pelos seus feitos, pela sua experiência e pelo seu destemor, como também porque sua presença era, realmente, um reforço para o Batalhão.

E lá se vai o Regueira para a linha de frente. Desta vez mandamo-lo para a 3ª Companhia.

Prosseguimos mandando patrulhas às linhas inimigas, quer para sondar-lhes as intenções, quer para destruir-lhes as posições, afastando-os de nossas linhas.

Essas patrulhas obedeciam a uma escala, e, de quando em vez, lá ia o Regueira. As patrulhas sob o seu comando, como as dos tenentes Trota, Valdir, Aquino, Osvaldo, eram sempre cheias de alterações. Aguerridos, valentes e decididos, esses bravos tenentes infiltravam-se insidiosamente nas linhas inimigas, levando-lhes a destruição, provocando-lhes pânico, trazendo prisioneiros. Mas, também, de quando em vez, passávamos por susto para recuperá-los!

Certo dia, lá foi o tenente Regueira fazer um reconhecimento em Marne. Esse era um lugarejo com três casas apenas; mas, todo o grupo de casa na Itália tem um nome e os naturais chamam-nos de “paese”.

Merne, era, pois, um “piccolo paese” que defrontava nossas posições em Polla. O lugarejo ficava num espigão que corria quase paralelamente à nossa linha, e que vinha se entroncar no Monte Belvedere.

Para atingirem o espigão nossas patrulhas tinham que atravessar uma ravina que os italianos chamavam de “fosso”.

Parte o Regueira com elementos do seu aguerrido Pelotão.

Transpõe nosso campos minados em Polla; dispersa seus homens, dá-lhes missões. O “fosso” é enfiado por posições inimigas em C. Vigoni e Fantetti; ele o atravessa num só lanço e se aproxima cautelosamente de Marne.

Quando a patrulha se acerca de Marna recebe tiros de Fiocchi, C. Ghiri e Bottara. Nossa Artilharia e nossos morteiros anulam as resistências inimigas. Os esclarecedores do Regueira atingem o casario de Marne. Diversas organizações, mas tudo vazio. Dispondo de poucos recursos o alemão usa de malícia. Varia de posição; hoje está aqui, amanhã acolá. O “escravo” italiano cavava-lhes os abrigos.

Missão cumprida. Quando menos, a patrulha facultara-nos alvo para os bombardeios.

Regueira faz o sinal para o regresso: a patrulha retrocede. Quando os primeiros elementos chegam em Polla ouve-se a metralhar do inimigo: era uma “lurdinha”. Donde atirara?

Regueira apressa o regresso de sua patrulha, mas observa que lhe falta um homem. Quem seria? Ele conhecia todos, lembra-se dos que já se recolheram. Onde se acha o seu ordenança, aquele seu amigo que não o larga nunca? E o tenente recorda-se das rajadas inimigas! Seu ordenança ficara ferido. Iria busca-lo !

À sua contextura moral não cabia outra solução. Ele não era apenas o bravo e afoito patrulheiro. O destemido tenente cumpria seu dever com convicção plena. Um só homem do seu Pelotão não ficava em mãos inimigas: tanto mais o seu ordenança!

E Regueira retrocede ansioso em busca do seu soldado. Divisa-o à margem do fosso. Convicto do seu deve, encantado com a sua nobre missão, preocupado com o destino do seu amigo, esquece-se do inimigo que lhe acompanha perfidamente os movimentos.

Regueira alcança seu soldado ferido, e tenta arrastá-lo. Eis quando se repete a rajada de metralhadora inimiga.

Nossos observatórios localizam-na em Fantetti. Nossos tiros de morteiros partem céleres, precisos.

A arma do inimigo silencia, mas o heroico tenente fica ao lado do seu soldado.

Alguns homens do seu Pelotão voltam para busca-los. Era o exemplo do Chefe!

Chegaram os feridos ao nosso posto de saúde. Os doutores Barcelos e Câmara prestam-lhes os socorros de seu zê-lo, de sua competência, do seu carinho.

Estamos presente na sala de curativos. Regueira está na padiola; as vestes rasgadas e muito sangue nas coxas. Acariciamos-lhe a cabeça, exaltando-lhe o feito. Barcelos corta-lhe as calças na altura do dos ferimentos. As coxas inchadas mostravam um rasgo em cada uma; o da direita era bem maior. Nosso dedicado médico olha-nos significativamente; inicia o curativo; estiva as pernas do nosso herói amarrando-as na extremidade da padiola. O dr. Câmara aplica-lhe uma injeção de plasma.

Continuamos acariciando a cabeça do Regueira, mas nossos lábios não se descolam mais.

Crianças do meu Brasil! Quando virem um jovem Oficial como muito propositadamente lhes descrevi, andando com as penas um pouco rijas, apoiado num bengala, parem e o saúdem reverentemente: É um Herói que passa! É o pernambucano de Goiana Tenente Regueira.

Fonte: Crônicas de Guerra – Coronel Olívio Gondim de Uzêda

 

 

 

Guerra Civil Americana: Cruel e Importante

Quando se deseja realizar uma análise histórica de um determinado período, não se pode, pelo menos no contexto histórico, se limitar apenas aos fatos do período, é imperativo entender o período anterior, em uma verdadeira construção para culminar nos eventos que se deseja analisar. Por exemplo, não é possível entender a Segunda Guerra Mundial, a posição de Hitler em relação à doutrina ariana, se não se conhece os pensadores e o consenso geral dos países europeus do século XIX.

O entendimento em relação ao mundo e a importância dos Estados Unidos no século XX, só são possíveis, se pensarmos e entendermos o conflito que moldou a sociedade americana do século XIX, a Guerra Civil Americana ou Guerra da Secessão.

Um país dividido em dois blocos, um agrário e escravocrata no sul e outro industrializado e antiescravista do norte, um conflito sem precedentes na história americana, que deixou nada menos do que 970 mil mortos entre 1861 a 1865.

O resultado final desse embate moldou o perfil dos Estados Unidos para as décadas seguintes. Se pensarmos que os Estados Confederados saíssem vencedores, com certeza haveria outro Estados Unidos.

O terrível conflito foi particularmente cruel, principalmente pelo potencial bélico empregado e os meios sanitários e médicos precários ainda na época. Não raras vezes amputações, doenças e podridão acompanhavam os soldados de ambos os lados.

Hoje podemos ignorar ou até odiar a ideologia americana, mas fatos históricos não podem ser negados, o povo americano foi forjado na guerra.

Linha depois de uma Batalha

 

 

 

 

O Primeiro Milhão a Gente Nunca Esquece!

Hoje o BLOG CHICO MIRANDA passa a fase adulta, se é que isso existe. Hoje ultrapassamos a marca de 1 milhão de acessos. Isso pode ser apenas um número, mas junto com esse milhão, estão 678 publicações, 12.426 fotos, 1469 Comentários de 588 pessoas diferentes.

Tenho certeza que esse BLOG tem sido um instrumento de reflexão, de estudo e até de descobertas para mim e para aqueles que acreditam na seriedade com que tento conduzir esse trabalho. Deixou de ser um espaço virtual para ser mais um filho, que alimento, de forma cuidadosa, para que seu crescimento seja baseado em verdades e fatos históricos, e esse pequeno e jovem “filho” está ficando mais velho, e tenho certeza que crescerá ainda mais, me recompensado com novos laços de amizade por esse país a fora.

E esse BLOG não seria possível, se não contasse com a ajuda de amigos sinceros que enviaram conteúdo, escreveram artigos, divulgaram, colocaram links em seus sites e espaços. Não irei citar nomes, pois a lista cresceu bastante desde de que ultrapassamos os 500 mil há apenas 04 meses atrás. A TODOS os amigos meus sinceros agradecimentos.

Para tentar recompensar aqueles que seguem esse espaço, irei começar a refazer o caminho inverso do BLOG, como se contasse a história dele, vamos, durante toda essa semana, disponibilizar os links das primeiras publicações até a mais recente. Contanto um pouco a história dos posts e curiosidades sobre os comentários e outros detalhes. Muita gente envia email perguntando sobre determinados assuntos que já foram publicados, então é um oportunidade de acompanhar tudo que esse BLOG já publicou.

A TODOS MAIS UMA VEZ, OBRIGADO!

Perseguição a Clubes de Futebol durante a II Guerra Mundial

Um dos primeiros assuntos que me despertou o interesse que não estava relacionado com ações militares

O dia em que o nazismo matou um craque*

Recife Era Assim…

Minha primeira publicação sobre minha cidade natal.

Fotografia de Guerra

Hitler era mesmo o vilão?

Esse foi o post mais polêmico. Quase cem comentários sobre o artigo e uma discussão acalorada sobre o tema. O Artigo tem por objetivo desconstruir a ideia de que todos as nações Aliadas estavam empenhadas com a liberdade dos povos. Ilusão, muitas apenas mudaram de ditadores, quando Hitler caiu com a Alemanha

Os Vilões eram apenas os Nazistas e Japoneses?

Com a mesma tônica, tentando argumentar que na Segunda Guerra Mundial não há mocinhos e bandidos, há morte e destruição, a mais desgraçada da condição humana.

Fotos & Versões do Dia D

Primeira abordagem sobre o Dia D. Não queria tratar o Dia D com aquela ladanhia exaustiva que encontramos em muitos relatos sobre o tema. Queria abordar com visões difentes, perspectivas

Morre um Herói – Major Richard Winters

Quando publiquei a morte do Major Winters recebi algumas dezenas de emails pedindo confirmação, mais detalhes, mais fotos ou seja, muitos pareciam não acreditar que um senhor de mais 90 anos poderia morrer assim, de uma hora para outra. Mas isso prova que o mito ficou! Tirando o esteriótipo do soldado americano invencível, encontramos um grande soldado, sofreu com sua tropa, lutou, sofreu traumas de guerra e entrou para história da Segunda Guerra.

 

Desastre em DIEPPE – O Dia D que fracassou!

DIEPPE, uma batalha que talvez ainda tenha muito a dizer sobre a condição e o desespero britânico naquele momento da guerra. Se tivesse obtido êxito, talvez estivesse exaltando seus idealizadores, mas como fracassou, seus nomes são esquecidos. Exaltamos os sucessos infelizmente(?)

A Destruição de Tanques na Segunda Guerra Mundial

Interessante a Segunda Guerra. No início o poder de um país era medido pela quantidade de tanques que dispunha, até ai tudo bem. Mas posteriormente se passou a medir o poder do país pela quantidade de tanques que ele conseguia produzir, aliada, obviamente, a qualidade do mesmo, graças altos índices de perdas nos campos de batalha. No final da guerra o poder era mensurado pela quantidade de tanques que ainda operavam. Lembrando que isso nos faz refletir sobre as tripulações desse instrumento de guerra, a cada carro destruído havia uma tripulação morta ou capturada.

A Batalha de Kursk que aconteceu entre 4 a 22 de julho de 1943, serve de parâmetro para imaginarmos o que foi a perda de tanques na Segunda Guerra Mundial. O envolvimento de 7000 tanques soviéticos contra 2700 tanques alemães, causou tanta destruição que resultou mais 177 mil mortos do lado soviético e 56 mil mortos do lado alemão.

Que esse instrumento bélico possa apenas ser desenvolvido e nunca mais utilizado na extensão de quase 70 anos atrás.

 

 

 

A Arte que retrata os paraquedistas da Alemanha

Um pouco de arte alemã:

 

Será um Camelo ou um Brasileiro? A Chegada da FEB ao Teatro de Operações.

Crônica de Autoria do Coronel Uzêda relatando o desembarque e a chagada para acampamento em Pisa, onde o 2º e 3º Escalão permaneceram por mais de um mês até a ordem para entrarem na linha de combate.

Fonte: Crônicas de Guerra – Olívio Gondim de Uzêda.

Desembarcamos em Livorno, comprensados entre as malas A e B, formos levados através de um lamaçal sem fim, para uma área de reunião de caminhões, próxima do cais.

Embarcamos nos caminhões. Partimos. Atingimos uma estrada asfaltada. Destruições e mais destruições. Próximo ao Rio Arno elas se acentuam. Em todo o trajeto as crianças iam pedindo “sigarreta, cioccolatta e caramella”. Atravessamos o rio Arno num ponte provisória de vez que a primitiva fora destruída. Surge-nos à direita a característica torre inclinada de Pisa. A cidade apresenta uma parte nova e outra velha; essa é envolvida por uma muralham aquela está praticamente destruída pelos bombardeios.

Desbordamos a cidade pelo leste e nos dirigimos para oeste. Aparecem umas placas escritas: “Braziliam Expedicionary Force – Bivouac Area”, e uma seta indicando a direção.

Surgem as barracas: uma maiores, outras menores; algumas mais aperfeiçoadas, com as paredes laterais de tela e madeira, de lona no teto.

A área do nosso acampamento era, visivelmente, um magnífico parque de pinheiros. Á margem da estrada, placas marcavam o número dos Batalhões e Regimentos.

Desembarcamos na região destinada ao nosso Batalhão

As barracas alinhadas, a céu aberto, indicavam que não havia aviação inimiga;

Identificamos o acampamento. Achávamo-nos em “Tenuta de San Rossore”, o famoso parque do Rei da Itália.

As barracas maiores eram para os oficias; as menores para os praças; as especiais eram as cozinhas que, por sinal, nos foram entregues funcionando cada uma com 3 ótimos fogões à gasolina, nelas trabalhando soldados do 6º Regimento e americanos.

Ao fundo, a linha das privadas.

Existiam dois banheiros com água quente e fria para toda a área.

Tão pronto nos adaptamos, fomos alongar nosso reconhecimento. Só podíamos passear, com segurança, na área que ocupávamos e ao longo das estradas, com garantia de 3 pés à margem dessas. Tudo mais estava balizado com um cadarço branco, indicando-nos zona minada.

Entretanto, passamos a observar que nessa zona, que não podíamos penetrar, andavam uns camelos. Alguém nos informou que os colocaram ali de propósito para explodirem as minas. Seria? Na verdade, de quando em vez ouvia-se uma explosão e o nosso soldado dizia: Lá vai um camelo!

Passamos alguns dias, alguns soldados brasileiros já não respeitavam as marcas e se embrenhavam nos campos supostamente minados: distanciavam-se em busca de conquistas amorosas, de lavadeiras “de verdade”, para darem uma escapada até Pisa, para tomarem banho de mar em “Marina de Pisa”, a famosa praia dos bacanais de Mussoline.

Depois fizeram mais, penetravam nas próprias casamatas alemães para trazerem tábuas para revestirem o piso de suas barracas. E cada um se afoitava mais, embora de quando vez morresse um desses imprudentes!

E aí nos detivemos mais de um mês, adaptando-nos ao clima, à alimentação, recebendo armamento, fazendo instrução.

De quando em tempo ouvíamos uma explosão e perguntávamos a nós próprios: será um camelo ou um brasileiro?

Vista aérea acampamento San Rossore

Preparação para o acampamento

Transporte nos LCI americanos.

Grupamento do 11º RI (Acervo pessoal do Veterano Rigoberto Souza)

Série: As Melhores Fotos da Segunda Guerra

Como disse desde o início, a foto é algo que tem o poder de fazer o homem refletir…

Palestra e Exposição sobre a Força Expedicionária Brasileira

 A Associação Nacional dos Veteranos da Força Expedicionária Brasileira – Regional Pernambuco está desenvolvendo o Projeto: CONHECENDO A FEB. Esse projeto consiste em um Museu Itinerante em conjunto com a realização de Palestras sobre a Formação e as Operações da Força Expedicionária Brasileira no Teatro de Operações da Itália.

 O acervo do Museu itinerante possui uniformes, medalhas, peças utilizadas pelos pracinhas desta regional, e utensílios de época do acervo pessoal do pesquisador Rigoberto Souza.

 A Palestra será realizada pelo historiador Francisco Miranda no próximo dia 20 de agosto, às 13h00 no Auditório do 7º Depósito de Suprimento – 7ºDSup, na cidade do Recife. Entrada franca.

O principal objetivo não é outro se não a divulgação histórica dos feitos da Força Expedicionária Brasileira durante a Segunda Guerra Mundial e a valorização da memória do Exército Brasileiro.

 

Eu Sou a Poderosa Artilharia…

 Aos meus amigos e verdadeiros soldado brasileiros, Coronel Lima Gil, Major Adler, Tenente Monteiro, Tenente Cid e outros grandes Artilheiros, segue uma crônica de um dos mais respeitados infantes que já passaram pelas fileiras do Exército Brasileiro em homenagem a Poderosa Artilharia!

Nossa Artilharia

O emprego do observador avançado na artilharia, isto é, um tenente dessa arama junto aos comandantes de Companhias de Fuzileiros, fez com que nossos da arma irmã sentissem mais de perto o valor do Infante. A criação das Companhias de Obuses nos Regimentos de Infantaria e seu emprego pelos próprios infantes, provaram que, para estes a rigor, não há grandes segredos na técnica do tiro de Artilharia.

A bravura com que suportou o Capitão Raul, oficial de ligação da Artilharia junto ao nosso Batalhão, ante o cerrado bombardeio inimigo ao Posto de Comando de combate do batalhão, quando do nosso primeiro ataque a Monte Castello; a bravura com que os observadores avançados de Artilharia sempre se portaram dos comandantes das Companhias de Fuzileiros deste Batalhão, quando dos nossos ataques, mostraram-nos perfeitamente que nossos artilheiros são tão bravos quantos os mais bravos infantes. O próprio convívio continuado de infantas e artilheiros. Em todas as fases do combate, uniram-nos sensivelmente.

Por outro lado a justa simpatia de que se gozava o comandante da Artilharia Divisionária, o General Cordeiro da Farias, no meio dos infantes, muito concorreu para que essa união se tornasse definitiva. Para nós, essa união foi sempre dos maiores benefícios que essa guerra trouxe para o nosso Exército Brasileiro.

Vejamos uma justificativa do que dissemos: Certo dia, nosso Batalhão ocupava o setor Morro dell Oro x Roca Pitigliana, quando o comando do Regimento nos informou constar que o inimigo se havia retirado e, como consequência, o comando da nosso Divisão ordenava mandássemos imediatamente patrulhas ocupar as posições inimigas e aí aguardaram ordens, talvez para prosseguirem. Essas patrulhas deviam partir imediatamente.

Eram 9 horas. Em fase missão recebida, o comando do Batalhão resolveu enviar 2 patrulhas: a principal a cargo da 1ª Companhia e uma outra, apenas para distrair do inimigo, a cargo da 3ª Companhia. A principal, com efetivo de uma pelotão de Fuzileiro, uma seção de metralhadoras leves, 3 sapadores devia progredir na direção de “Oratório dello Sassone” e procurar atingir o Morro “Della Vedetta”; a outra com dois grupos sob o comando de uma oficial devia progredir na direção de Cá de Giansimone e procurar atingir a localidade de Pietra Colora. O Batalhão contava com o apoio do Grupo de Artilharia do Coronel Da Camine  de seus próprios fogos, inclusive três metralhadoras de calibre .50, sob o comando do bravo tenente Carlos Pinto, e um canhão 57, do não menos bravo tenente Paiva.

O  comandante do Batalhão ai se deslocando para a morro Dell’Oro onde coordenaria pessoalmente o movimento da patrulhas, quando surge no Posto de Comando do Batalhão o ulistre ortopedista da FEB, professor Caio Amaral, que vinha à frente, dizia ele, “para que não regressasse ao Brasil sem ver a guerra”. O comandante do Batalhão informou o que se estava passando e convidou-o para ir à frente, ver a guerra mais de perto. E lá se foram! Com eles foi também o Dr. Camara. No Morro Dell’Oro encontraram o destemido capitão Everaldo, comandante da 1ª Companhia. Mais ou menos às 10 horas partiram as patrulhas: a da 1ª sob o comando do tenente Oliveira Lima e a da 3ª sob comando do tenente Romeu. Essa, ao atingir a região de Bordigone, encontrou um emaranhado de minas. Aí se detém pra retirá-las e recebe forte rajadas de metralhadoras. A da 1ª Companhia, ao atingir Oratório dela Sassone, é recebida com rajadas de metralhadoras pela esquerda. O inimigo, ante a ameaça de ser envolvido, tenta se retirar. Os 3 primeiros que surgem são mortos pelos próprios sapadores. Estavam acompanhando tudo pelo rádio. O capitão Everaldo incentivou o tenente Oliveira Lima para que prosseguisse e deixasse alguns elementos a fim de vasculhar Mela.

Quando o pelotão progride mais alguns metros, tentando galgar um espigão existente entre o Oratório Della Sassone e Geleto, é detido por tiros que partem de diversas direções, de frente e dos flancos. Dividimos essas resistências entre os nossos morteiros 81 e o grupo de Artilharia que nos apoiava.

Nessa altura, nem o Dr; Caio Amaral escapou: já estava funcionando direitinho como agente de transmissão, por sinal otimamente. Agora o próprio comandante do batalhão incentivava o tenente para que progredisse sob o apoio de fogos que lhe estava sendo dado, para que, pelo menos, mandasse buscar os documentos dos mortos inimigos. O tenente respondeu que o pelotão encontrara em toda a frente rede de minas, e que não podia usar suas armas automáticas porque se enterravam na neve.

O comandante do Batalhão e o capitão Everaldo prosseguiam incentivando o Pelotão: que aos sapadores tirassem as minas e que o conjunto prosseguisse sob o apoio de fogos que lhe seria renovado.

 Estavam os sapadores empenhados em sua missão, quando vimos nitidamente rebentar no ar, na altura das linhas inimigas um foguete de fumaça amarelo. Já era nosso conhecido: era o sinal de contra-ataque inimigo.

E o fogo inimigo recrudesceu. Já não eram só as metralhadoras, também vinham granadas de morteiros.

Compreendemos a situação. Devíamos fazer retroceder a patrulha. Mas como, se ela estava com seu itinerário de regresso cortado por ajustados fogos de metralhadoras inimigas?

 Nossos recursos de fogos estavam todos empenhados, inclusive 57 e as metralhadoras de calibre .50. Não tínhamos como bater Cá de Giansimone, de onde devia partir o contra-ataque inimigo, nem como neutralizar as últimas metralhadoras inimigas que se tinham revelado.

Mas, era para nós uma questão de honra salvar nossa Patrulha! Toda sim! Para que não ficasse como jamais ficou, um só homem do nosso Batalhão em mãos inimigas!

 Comunicamos o fato ao Regimento; pedimos mais artilharia: demos os pontos a bater.

A hora combinada vimos um colar de fogos se sobrepor às resistências inimigas.

As balas traçantes do canhão 57 e das metralhadoras cortavam o espaço. Por sobre nossas cabeças era um sibilar sem fim! Eram nossos bravos artilheiros que vinham nos ajudar e salvar nossos homens. De quando em vez ouvia-se um sibilar mais forte: era o 155 do Grupo Escola do Rio que batia, com uma precisão de tiro ao alvo, a localidade de Cá de Giansimone.

E nós, infantes, sentimos que o apoio que nos era dados pela nossa valorosa artilharia não era apenas uma “missão cumprida”, tecnicamente perfeita. Não! Os seus tiros levavam o influxo dos corações dos artilheiros que vinham colaborando com seus irmãos infantes na causa comum da defesa da nossa Pátria.

Fonte: Coronel Olívio Gondim de Uzêda – Crônicas de Guerra

 

 

 

Guerra Aérea e Naval – Destruição em Alto Mar

Não tem escapatória! A guerra naval chegou a um nível impensado, com o advento das forças aéreas, os navios tiveram que compor em seus quadros uma força defensiva antiaérea que pudesse impedir ações dos aviões, por isso os Porta-Aviões eram temidos e caçados durante toda a guerra. Mas os embates eram invitáveis e afundamentos e quedas de aviões tornaram a guerra nos oceanos uma das mais duras já vivenciadas na guerra.

Crônicas de Guerra – A FEB em Relatos!

Muito se escreveu na Itália sobre a atuação dos pracinhas brasileiros durante a Segunda Guerra Mundial. Relatos não escritos por pessoas que falavam sem conhecimento de causa, escreveram fatos e acontecimentos que presenciaram ou estiveram em contato logo após o acontecimento. Muitos destes, foram elementos chave no dispositivo da FEB ou jornalistas importante enviados para realizar a cobertura da guerra. Entres estes, podemos citar as crônicas de Rubens Braga e as do Olívio Gondim de Uzêda, jornalista do Diários Associados e Comandante do 1º Batalhão do I Regimento de Infantaria, respectivamente. Essas testemunhas escreveram importantes crônicas sobre as peculiaridades do cotidiano da campanha na Itália e que, compartilhadas, passam uma nova perspectiva da guerra, longe da visão do Alto Comando, mas a perspectiva de quem viu os combates ou de quem esteve nele, literalmente falando.

 Portanto vamos publicar, além dos dois autores citados, crônicas de outros autores que estiveram no Teatro de Operações da Itália e compartilharam para a posteridade os acontecimentos que ceifaram a vida de quase 500 brasileiros, longe de sua pátria e distante de suas famílias.

Iniciamos hoje com uma crônica do Coronel Uzêda. O Coronel é citado no livro do Marechal Lima Brayner (Recordando os Heróis), como sendo um comandante de primeira linha, que após o ataque fracassado a Monte Castello no dia 12 de dezembro, tendo seu batalhão sido substituído por um batalhão do 11º RI, não mediu esforço, quando teve que voltar a linha para reforçar o mesmo regimento, depois de um voraz contra-ataque alemão, mesmo com sua tropa exausta.  O Coronel Uzêda, por algum motivo, não fez o curso de Estado-Maior, por isso foi para reserva como Coronel, fato também citado pelo Marechal Lima Brayner.

Os Super-Homes e os Brasileiros

No silêncio da noite reboam gritos de socorro! O sentinela, atento, enrija seus músculos comprimindo fortemente a coronha do seu fuzil, e procura ouvir melhor, localizar os gritos. De repente, ouve como que um desesperado apelo: Brasiliani, brasilliani! Chama o comandante do seu posto e informa-lhe o ocorrido. Agora, já todo o posto ouve o apelo, por sinal que com voz feminina. O desejo que os domina é se largarem imediatamente na direção de onde provinha os gritos, aproximadamente a de Navechie; mas, as ordens eram positivas; não podiam abandonar seus posições, nem tão pouco transpor a linha de frente, sem autorização.

Se se ausentassem de suas posições, prejudicariam a missão de vigilância; se traspusessem a linha de frente, podiam cais sob os tiros de inquietação que fazíamos todas as noites com a nossa artilharia sobre os pontos mais importantes do inimigo. Por outro lado, esses gritos podiam ser uma armadilha. O comandante do posto, resolve, pois comunicar a Companhia, e esse com o do Batalhão.

O comandante do Batalhão informa ao da Companhia que não havia nenhum tiro de inquietação previsto para aquela direção, durante a noite; e autoriza-lhe a enviar uma patrulha de reconhecimento.

Sai a patrulha e momentos depois regressa trazendo duas crianças, uma com doze e outra com dez (anos) e uma senhora, todas três feridas; e mais duas crianças menores, uma com  4 e outra com 2 anos.

As feridas são cuidadosamente tratadas pelo valoroso médico do batalhão, o dedicado Dr. Barcelos. A senhora apresentava oito ferimentos, todos produzidos por arma de fogo disparada por trás, às crianças cada uma tinha um ferimento em uma das pernas a altura do joelho.

A senhora relata o fato: achava-se em casa quando ouve o grunir de seus porcos; abre a janela que dava para o quintal e vê animais serem arrastados por quatro soldados alemães. Indignado, grita pelos brasileiros, pois sabia que estavam bem pertos. Outros soldados alemães atiram sobre ela; as crianças gritam espavoridas; os alemães disparam contra as crianças.

Ouvem passos, os alemães fogem. São os brasileiros que chegam.

Os ferimentos são encaminhados na ambulância do Batalhão para um Hospital Civil.

As duas crianças menores ficaram no Posto de Comando do Batalhão para, afim de serem encaminhados, no dia seguinte, a um endereço que a senhora deixara.

Ao acordamos, encontramos as duas crianças agasalhadas nas roupas de lã que lhes deram oficiais do batalhão; lembramo-nos bem, que o tenente Paiva concorrera com uma “sweater”. A maior estava sentada, tomando uma boa xícara de leite e comendo pão e queijo, feliz na sua inocência. A menor não dormira nem queria comer nada: só queria a mãe. E lá vinha um, vinha outro, cada um com uma ideia a fim de distrair a criancinha e fazê-la pelo menos comer. Os super-homens tentaram matar-lhes a mãe e os irmãos. Os brasileiros sofriam por vê-los sofrer.

Fonte: Coronel Olívio Gondim de Uzêda, Crônicas de Guerra – Biblioteca do Exército – 1952

Grupamento Histórico Aspirante Mega

 Foi realizado nesta data a primeira Palestra sobre a Força Expedicionária Brasileira com o objetivo de formar o Grupo Histórica Aspirante Mega, grupamento subordinado a Associação Nacional dos Veteranos da FEB – Regional Pernambuco, que tem como objetivo divulgar a memória da FEB e os feitos do Exército de Caxias no Teatro de Operações na Itália durante a Segunda Guerra Mundial.

O Grupo Histórico é uma fração que utilizará uniforme historicamente caracterizado, e representará todo o virgor e virtude dos nossos pracinhas no dias atuais. O Grupamento foi apresentado pelo Diretor de Patromônio da ANVFEB-PE durante reunião da Associação SEMPRE PE, realizada no 4º Batalhão de Polícia do Exército.

  Agradecemos o apoio de todos os envolvidos nessa árdua missão.

Abertura da Palestra

De Campeão Mundial de Boxe a Paraquedista da Luftwaffe na Segunda Guerra!

 O pessoal da Webkits citou esse fenômeno da Segunda Guerra, o pugilista Max Schmeling, que lutou nas Divisões Aerotransportadas da Alemanha, fazendo parte da Operação Mercúrio, que tomou de assalto a ilha de Creta. Segue a impressionante trajetória desse soldado:

«…Morreu o ex-campeão mundial Max Schmeling.

O antigo campeão mundial de boxe na categoria de pesos pesados, MAX SCHMELING, morreu na quarta-feira e foi enterrado ontem. Tinha 99 anos. O ex-pugilista entrou em coma três dias antes da sua morte, em consequência do frio polar que atingira o país durante o Natal. “MAX SCHMELING pertence aos imortais e terá sempre um lugar no coração dos alemães”, declarou o presidente do Comité Olímpico da Alemanha, Walter Troeger.»

Foi assim que em 5FEV05, o jornal diário PÚBLICO noticiou a morte «do maior desportista alemão de sempre», conforme foi considerado em 1987 por toda a imprensa desportiva alemã.

Recordado como o único pugilista germânico que se sagrou campeão mundial em todas as categorias, depois de bater o norte-americano JACK SHARKEY, no dia 12 de Junho de 1930, e o também norte-americano JOE LOUIS, por KO ao 12º assalto, em 19 de Junho de 1936 em Nova Iorque, MAX SCHMELING destacou-se também pela sua capacidade e entrega na ajuda ao próximo, pela sua incomensurável generosidade, coragem e elevado civismo.

Quando deflagrou o maior conflito mundial entre a Alemanha e os países aliados, MAX SCHMELING, apesar do seu estatuto de “cidadão estrela”, não se furtou aos seus deveres cívicos, tendo sido o único desportista de alta competição a cumprir o serviço militar, como voluntário, nas míticas unidades paraquedistas  ( FALLSCHIRMJÄGER ) da Luftwaffe.

Para recordar os principais traços biográficos deste grande desportista mundial e, apenas numa perspectiva histórica, a ação de combate em que participou como militar paraquedista durante a 2ª Guerra Mundial, aqui deixo este breve apontamento.

MAX SCHMELING: ALGUNS TRAÇOS BIOGRÁFICOS

MAXIMILIAN SIEGFRIED ADOLF OTTO SCHMELING nasceu a 28 de Setembro de 1905 em Brandemburgo (Klein-Luckow), no leste da Alemanha.

Filho de um piloto da marinha mercante e de uma mãe de origem humilde, viu despertar a sua vocação para a prática do pugilismo, depois de ter assistido a um filme de boxe no princípio dos anos 20.

Em 1922 muda-se para a região da Renânia, no oeste da Alemanha, lugar onde na época se aglomeravam as principais academias de boxe. Aqui se fixou, ao mesmo tempo que garantia a sua subsistência, alternando o seu trabalho com alguns combates de índole amador.

A sua primeira vitória no pugilismo é conquistada em 1924, e do dia para a noite tornou-se na maior sensação do desporto alemão.

Opta pela carreira profissional, vindo a conquistar o título alemão de meio-pesado em 1926. A par do seu percurso desportivo, ainda consegue alguma disponibilidade para participar nos filmes intitulados EIN FILMSTAR WIRD GESUCHT (PROCURA-SE UM ASTRO DE CINEMA) e LIEBE IM RING (AMOR NO RINGUE).Em 1927 e devido a problemas de excesso de peso, o temido pugilista, apesar da sua média envergadura (1,85m e 85Kg) é obrigado a mudar de categoria, passando a pesos-pesados, É já nesta categoria que em 1928 conquista o título alemão, iniciando ainda algumas lutas nos EUA.

A 12 de Junho de 1930, sagrou-se campeão mundial na categoria de pesos-pesados , depois do seu adversário, o norte-americano JACK SHARKEY, ter sido desclassificado ao 4º assalto por um golpe desferido abaixo da cintura, tornando-se no primeiro europeu a conquistar um título mundial nesta difícil categoria.

No ano seguinte defendeu o título contra outro norte-americano, YOUNG STRIBLING, mas em 1932 perde para Jack Sharkey, depois de controversa decisão do árbitro (um velho amigo do seu adversário).

Casado com a atriz checa de origem judia, ANNY ONDRA, e com a ascensão dos nazis ao poder, nega-se a separar-se da sua mulher e do seu treinador (Joe Jacobs), também de origem judia. Com o incumprimento desta determinação cultiva algumas antipatias e incompreensões, porém consegue fazer uma transição para o novo regime sem grandes sobressaltos.

Em 1936 participa nos Jogos Olímpicos (Berlim), tendo convencido os norte-americanos a participarem.

A 19 de Junho de 1936 vence o norte-americano JOE LOUIS (um jovem negro de Detroit), por KO no 12º assalto, facto que provoca uma inquestionável popularidade mundial, desde logo usada pela máquina de propaganda do 3º Reich (Joseph Goebbels, Ministro da Propaganda nazi chegou mesmo a enviar um telegrama de felicitações). Dois anos mais tarde perde o título conquistado contra o mesmo JOE LOUIS, depois de ter combatido cerca de 124 segundos!!!.

Chamado para combater durante a 2ª Guerra Mundial, MAX SCHMELING alista-se, em 1940, nas tropas paraquedistas da Luftwaffe.

Depois de ultrapassar com galhardia os rigores da instrução que este tipo de tropas impunha, e de frequentar com aproveitamento o Curso de Paraquedismo Militar, vê a sua unidade ser empenhada na operação com o nome de código « MERCÚRIO » que tinha como objetivo o ataque à ilha grega de Creta.

Dado como morto em combate, reaparece algum tempo depois numa cama de hospital. As causas do seu internamento, ainda hoje, são contraditórias, muito embora os seus delatores a atribuam a «disfunções estomacais».

Terminado o conflito mundial foi ilibado de quaisquer crimes de guerra por um tribunal britânico, iniciando a reconstrução da sua vida com alguns combates de demonstração e exibição.

Mais tarde dedica-se à plantação de tabaco e consegue uma licença para distribuir os refrigerantes Coca-Cola na Alemanha, onde consegue reequilibrar as suas finanças com algum sucesso.

Em 1954 viajou de novo, aos EUA para visitar o seu antigo adversário e grande amigo JOE LOUIS que ajudou financeiramente, tendo inclusive pago parte das despesas do funeral e carregado a sua urna em 1981.

Viveu sempre com a mesma mulher (falecida em 1987), não teve nenhum filho e, apesar da sua avançada idade, nunca dispensou a sua manutenção física diária.

Faleceu no dia 2 de Fevereiro de 2005, depois de ter estado em coma durante três dias, com 99 anos de idade.

Eis a vida de um CAMPEÃO MUNDIAL (56 vitórias em 70 combates como profissional), PÁRA-QUEDISTA MILITAR e CIDADÃO EXEMPLAR!

OPERAÇÃO MERCÚRIO: OBJECTIVO «CRETA»

Maio de 1941: o ataque à ilha grega de Creta foi a maior operação aerotransportada desenvolvida e levada a efeito pelas TROPAS PÁRA-QUEDISTAS da Luftwaffe durante a 2ª Guerra Mundial.

Estrategicamente localizada, esta pequena parcela de terra tinha-se tornado num problema acrescido para os exércitos alemães no Norte de África, pois servia como base para os bombardeiros aliados que atacavam os comboios de provisões no Mediterrâneo.
Iniciada em 20 de Maio, com o nome de código « MERCÚRIO » foram usadas, para o assalto, todas as unidades aptas a fazerem uso da terceira dimensão com exceção da 22ª DIVISÃO AEROTRANSPORTADA que teria a missão de proteger as refinarias de Ploetsi (Roménia).

Nesse dia são lançados 13.000 paraquedistas e cerca de 9.000 militares das unidades de montanha (5º Gebirgs Division). Para o efeito são utilizados 502 JUNKERS JU-52 e 85 planadores DFS 230.

Ao iniciar a operação, os alemães desconheciam que os serviços secretos britânicos tinham descodificado todos os seus códigos secretos, sendo este facto agravado com uma “desvalorização da capacidade de combate do inimigo” elaborada pelos serviços secretos alemães: a temida ABWEHR.

Dividida em três grandes grupos denominados Oeste, Centro e Este, a força de ataque é lançada em duas vagas: a primeira salta sobre o aeroporto de Maleme e a segunda incluía um ataque ao aeródromo de Rethymnon.

Porém, os bombardeamentos executados pela Força Aérea alemã alertam os cerca de 27.500 soldados britânicos e 14.000 gregos e os combates tornam-se encarniçados.

Centenas de paraquedistas germânicos são mortos sem nunca terem tocado o solo e muitos outros nunca conseguiram alcançar os objetivos (aterram no mar) devidos a erros nos lançamentos.

Com um início desastroso e surpreendidos por um adversário implacável, os FALLSCHIRMJÄGER fazem emergir a sua reputação de soldados de elite e conseguem obter uma preciosa e decisiva vitória, apesar do elevado número de baixas: 3.250 mortos e desaparecidos e 3.400 feridos, contra 2.500 mortos e 10.000 prisioneiros britânicos e gregos.

Impressionado com o elevado número de baixas, Adolfo Hitler nunca mais autorizou o uso em grande escala de tropas paraquedistas.

Fonte: http://www.operacional.pt/max-schmeling-pugilista-e-para-quedista-militar/

 

 

 

Fallschirmjäger-Os Páraquedistas do 3º Reich

Durante a Segunda Guerra Mundial, o Exército Alemão abriu caminho para muitos avanços tecnológicos em guerra, inclusive aeronaves a jato, mísseis teleguiados, e foguetes de longo alcance. Porém, entre os avanços mais efetivos prematuramente na guerra estava no uso tático da Luftwaffe alemã com forças Aerotransportadas. A ideia de jogar um soldado em batalha atrás das linhas inimigas não era nova. Era, entretanto, a Wehrmacht que levaria esta ideia a um novo nível. No dia 11 de maio de 1936, o Major Bruno Oswald Brauer fez o primeiro salto de paraquedas da asa de uma aeronave esportiva Klemm KL25 e se tornou o primeiro Fallschirmjäger alemão (traduzido livremente, paraquedista-caçador) a ser dado um Fallschirmschutzenschein (Licença de Paraquedismo). No dia 5 de novembro de 1936, o Fallschirmjäger seria premiado com o Fallschirmschutzenabzeichen (insígnia de paraquedista que caracteriza uma águia de ouro que agarra as letras FJ).
Foram utilizados Fallschirmjägers no ataque e conquista de Dinamarca, Noruega, Bélgica, e Holanda. A primeira real operação de paraquedas da guerra foi levada a cabo por tropas alemãs do 1º Batalhão, Fallschirmjäger Regiment 1, que capturou aeródromos e pontes durante as invasões da Noruega e Dinamarca. Durante a ofensiva no oeste em 1940, pousou um contingente pequeno de engenheiros paraquedistas em planadores e capturou o forte belga de Eben Emael, que se pensava ser indestrutível e inconquistável. Um Grande forte que contém mais de 1.200 soldados, protegido por armas pesadas, artilharia, e artilharia antiaérea foi tomado por 68 paraquedistas alemãs.
A Operação Mercúrio seria a primeira operação da 2ª Guerra administrada completamente por via aérea. O objetivo era a ilha de Creta. Em Maio de 1941, Fallschirmjäger alemães atacaram a ilha ambos por paraquedas e planadores. Depois, reforços foram enviados, incluindo tropas de montanha alemãs, eram pousados nos aeródromos capturados pelos paraquedistas. Depois de 10 dias de luta feroz e grande perda, foi assegurada a ilha. Como a guerra progrediu e a superioridade aérea estava perdida, o Fallschirmjäger alemão nunca seria novamente usado em amplas operações no ar. Eles acharam que eles por tempos e tempos eram usados nas posições como um soldado raso comum novamente, apesar de que eles eram altamente treinados, altamente incentivados, e verdadeiramente eram uma força de elite em paridade com os Commandos britânicos e os Rangers americanos. Eles participaram em dúzias de operações no ar em pequena escala em Norte da África em 1942, na Sicília e Itália durante o ano de 1943, e na Rússia de 1942 a 1945. As ações pós-Creta deles culminaram em uma batalha que ganhou um lugar proeminente nos anais da história militar, como também um apelido. Aquela batalha estava dentro e ao redor de uma cidade no topo de uma colina italiana chamada Cassino. Monte Cassino, uma montanha a oeste da cidade, foi frequentemente apontada por uma das sentinelas na estrada para Roma. E durante 2ª Guerra ninguém entendeu aquilo melhor então do que os alemães. O Marechal-de-Campo Albert Kesselring, comandante supremo das unidades alemãs na Itália em 1944, utilizou Monte Maio e Monte Cassino como pontos fortes na defesa dele contra as forças Aliadas que avançam para cima, rumo ao norte da Itália. Se os Aliados fossem penetrar o Vale Liri, um desses bastiões teria que ser eliminado. Cassino foi o escolhido. Monte Cassino, com uma abadia de 400 anos no seu topo, não era mais um estranho para a guerra. Tinha sido saqueado em duas outras ocasiões, e seus habitantes, monges Beneditinos, agora estavam prontos para um terceiro assalto. E é bem que eles fizeram, para a Batalha de Cassino que começou em 17 de Janeiro de 1944 numa violenta batalha que duraria quase quatro meses e resultaria em 175.000 vítimas (115.000 Aliados, 60.000 alemães). Os Fallschirmjäger alemães em Cassino escreveram uma página especial para eles nos anais da história militar, embaixo da categoria da tenacidade. A 1ª Divisão de Fallschirmjäger, em particular, impressionava seus adversários cavando dentro da terra, e suportando pancadas inexoráveis através de artilharia e bombardeio, e emergindo então da cobertura para atrasar o Assalto Aliado um após o outro. Ao término da batalha, a 1ª Companhia do 1º Batalhão do 3º Regimento de Fallschirmjäger havia perdido um Oficial, um Oficial-Comandante, e um soldado do exército. Por causa do desempenho deles durante a campanha de Cassino, os Aliados os intitularam “Os Diabos Verdes.” eles também estiveram em ação durante a Campanha da Normandia, em Junho de 1944 e durante a ofensiva das Ardenas em dezembro de 1944.