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Archive for julho, 2012

Voluntário da Waffen SS, Com Muito Orgulho!!

 Entrevista realizada pelo jornalista inglês Laurence Rees a um membro belga da Tropas SS que lutou nos campos de Batalha da Russia, e que durante a guerra perdeu um olho e um braço e mesmo assim retornou para seu Batalhão até o final da guerra. Segue esse impressionante relato:

Na cultura popular, a associação entre a Alemanha e nazismo é explícita. O que nem todo mundo se lembra é de que as ideias nazistas e fascistas foram além das fronteiras alemãs e agradavam a muitas pessoas de outras nacionalidades. Sem dúvida, o integrante da SS mais fanático que conhece era um belga.

Jacques Leroy foi criado em Bache, na Valônia, a porção da Bélgica de colonização francesa. Na juventude, Leroy se tornou partidário das visões fascistas do belga Léon Degrelle, líder do movimento rexista. Sendo um simpatizante de ideias racista e perfil profundamente anticomunista, não é surpresa que Jacques Leroy tenha se voluntariado a participar da luta contra Stalin em uma divisão especial da SS, com sede na Valônia.

“O objetivo ideológico da Waffen SS era treinar homens – homens de elite”, disse Leroy. “Tais ideais não são mais apreciados na sociedade multipluralista atual, mas, na época, inspiravam homens a treinar em situações extremas, sempre servindo a seu país”. A motivação era uma só: “era uma guerra contra a Rússia, contra os comunistas e bolcheviques, e essa era a grande razão.”

Uma vez na tropa, Leroy e alguns outros voluntários da Waffen SS foram transferidos para o front leste, onde o belga se mostrou um lutador bravio e destemido: “estávamos sempre prontos para empunhar as armas, ficávamos escondidos atrás de árvores, lutávamos corpo a corpo”. A dedicação era tamanha que, em reconhecimento a sua notória coragem, ele recebeu várias condecorações de batalha.

Bem antes disso, no entanto, na neve da floresta de Teklino, no oeste da Ucrânia, em 1943, o batalhão que Jacques Leroy defendia enfrentava um grupo do Exército Vermelho muito mais numeroso que o dele. “As consequências foram realmente terríveis. Perdemos 60% dos nossos homens. Dois ou três tanques Panzer estavam lá para nos defender, mas não conseguiram entrar na floresta.”

É medida que recordava dos tempos antigos de combate, o ex-militar belga ia ficando cada vez mais animado: “Lutamos com leões. Atacamos  e fomos conquistando uma posição atrás da outra!”

Mas logo, o velho combatente revelou que a sorte não esteve do seu lado por todo o tempo. “Eu estava ajoelhado atrás de uma bétula – uma dessas árvores bem finas – e, de repente, senti algo parecido com um choque elétrico. Larguei minha arma e, imediatamente, vi sangue, gostas vermelha pingando no branco da neve. Era o meu olho que tinha sido atingido por uma bala. Meu olho havia sido aniquilado. E eu estava com mais três balas no ombro.”

Estirado na neve, sangrando, Leroy só foi salvo porque dois de seus camaradas o carregaram a um hospital do campo de batalha. Não houve salvação para o olho. Os cirurgiões tampouco conseguiram salvar o braço.

E agora bem uma parte do relato desse belga aficionado pelo nazismo que considero extraordinário. Depois de recuperar-se do ataque, mesmo mutilado e cego de uma  Leory volta à sua Unidade. Por quê?

“Para não cair na mediocridade e para não abandonar os meus camaradas!”, Leroy respondeu “Sim, eu tinha perdido um braço e um olho, mas quando se é jovem, a gente não se deixa afetar pelos problemas na mesma maneira que as pessoas mais velhas se afetam. Voltei, acima de tudo, para não cair no comodismo. Não suportaria ficar sem fazer nada, à toa, sem um objetivo na vida (…), às vezes, a gente precisa pensar, precisa ter um objetivo.”

Confesso que passou pela minha cabeça que, ironicamente, existia um enorme aparelho de televisão naquela casa onde estive, a casa em que Leroy passou sua velhice. Penso que ele, provavelmente, nesta fase da vida, passava, sim, muito tempo assistindo à programação.

Em minha visita, Leroy negou com muita ênfase ter visto qualquer atrocidade ser cometida contra os judeus: “Nunca, nunca, nunca! Nunca vi uma cena daquelas, é por isso que não acredito, não acredito!”.

Aproveitei para dizer a ele sobre a existência de provas fotográficas de cadáveres em campos de concentração nazistas, ele respondeu: “E você acredita mesmo que aquelas fotos são de verdade?”.

Leroy morreu poucos dias depois da nossa entrevista. Tenho certeza de que foi para o túmulo mantendo sua convicção até o fim. Morreu como um ex-integrante fanático da SS, que negava a realidade do Holocausto e que gritava com a TV cada vez que ela lhe falava o contrário.

Jacques Leroy

 

A Feroz Propaganda Alemã no Front Oriental

Não há como negar que em questão de guerra psicológica a Alemanha desempenhou um papel sem precedentes. Antes mesmo das operações militares serem invocadas Ministério de Propaganda, comandada pelo ícone propagandístico Goebbels,  debelava o inimigo com sua massificação da superioridade alemã contra a insuficiência do governo inimigo, fazendo com que a população se voltasse contra seu governo. Assim a Tchecoslováquia caiu sem conhecer uma operação militar. Com esse mesmo ímpeto a propaganda foi utilizada na URSS soviética, embora o resultado final não foi suficiente para determinada o peso da balança da guerra.

Quem está por trás?

 

Chefe do movimento de libertação russo – “O Bolchevismo vai morrer, o povo russo viverá”

 

Propagandistas do exército de libertação russo trabalhando com prisioneiros soviéticos. Novorossiysk, 1943

 

Voluntários da 14ª Divisão SS, Ucrânia ocidental, maio de 1944

 

Propaganda alemã nas ruas de uma cidade Soviética ocupada.

 

“Um passe que permite a entrada no território ocupado por tropas alemãs, pode ser usado por um número ilimitado de soldados e comandantes! A ordem de Stalin sobre as ameaças das famílias daqueles que vêm para o nosso lado não pode ser executada. O comando alemão não publica listas de prisioneiros. Então não tenha medo da intimidação de Stalin. “
“Os oficiais alemães vai acolher, alimentar e empregá-lo”. Você pode entrar sem um passe muito e terá garantida uma recepção calorosa de qualquer maneira”.

 

“Não apenas a vida, mas o paraíso…”

 

A Crimeia – “Desista, o confronto não faz nenhum sentido!”

 

“Os feridos podem deixar o Exército Vermelho e vir para o lado alemão, tendo a certeza que irá ser tratado”.
“Se você for ferido pode ter a certeza de receber os primeiros socorros de médicos alemães”.
“Por que derramar seu sangue por nada? Siga o exemplo de seus amigos: Venha em paz para o nosso lado “!
“A guerra não é mais para você e seus amigos. Você irá para trás de nossas linhas”.

 

“Siga o exemplo de seus amigos.” “Leia e deixe que os outros leiam também!”

 

Pilotos do Exército Vermelho. “Voem para o nosso lado!” “A Propaganda bolchevique judaica sobre o tratamento atroz dos cativos é uma mentira simples, tão típico de uma língua judia!” “O piloto não deve ter medo da tortura nem mesmo atirar em si mesmo.”

 

“Você são enviados para morrer! Salve sua vida! Tenha atitude favorável ao ex-inimigo! Amigos, você está seguro aqui! Não há obstáculos para o Exército alemão. Mais confronto e ainda mais derramamento de sangue é um absurdo! “

 

“Soldado! Olhe para trás! Quem controla você? Quem envia você para morrer? “

 

“Você está cercado! Mas ainda tem uma saída! Venha para o lado alemão, salvar suas vidas!”

 

“Venha para o nosso lado! Não há necessidade de passe! Todos são bem vindos! “

 

A Invasão dos Estados Unidos Durante a Segunda Guerra

Os Estados Unidos não sofreram invasão do seu território durante a Segunda Guerra Mundial, certo? Errado! Os japoneses invadiram os territórios americanos do arquipélago das ilhas de Near, situadas no Alaska. Duas ilhas foram ocupadas a partir de 06 de junho de 1942, Kiska e Attu, por uma força de 1100 soldados japoneses. Na ilha havia 46 pessoas, sendo que um foi morto durante a invasão, os 45 restantes foram enviados para um campo de prisioneiros japonês perto de Otaku, Hokkaido, onde 16 morreram.

Depois da retomada da ilha Attu em maio de 1943 pelas tropas americanas, num mês de intensos combates, os soldados, acompanhados de tropas do Canadá, desembarcaram em Kiska em julho. Mas tirando proveito da confusão, os japoneses deixaram a ilha uma semana antes, sem que os americanos tivessem notado. Mesmo assim, o desembarque fez mais de 300 mortos por causa do frio, “fogo amigo” e minas deixadas pelos japoneses

Espalhados aos Quatro Ventos – O Desperdício de Paraquedistas Aliados – Parte II e III

Tanto os comandantes dos paraquedistas ingleses quanto dos americanos consideravam que essa operação tinha um fator adicional de risco por parte do fogo amigo. Suas rotas de vôo para a Sicília passavam diretamente sobre a frota invasora bem como ao longo das praias a serem invadidas. Só era preciso que um artilheiro naval perdesse a calma para que os C-47 de transporte e os planadores, passando lentamente por cima, fossem destruídos nos céus pela artilharia da marinha. O General Matthew Ridgway, comandante das tropas aerotransportadas americanas, tentou obter a certeza por parte da marinha de que isso não aconteceria.

O Almirante inglês Cunningham se recusou a garantir qualquer coisa. Como ele salientou, nenhuma embarcação de guerra iria permitir que um avião chegasse perto o bastante para que fosse identificado. No momento que um avião inimigo fosse identificado, já seria tarde demais. Tendo lutado nas violentas batalhas navais no Mediterrâneo, o Almirante inglês não ia dar chance ao azar nesta altura da campanha. Se aviões voassem perto demais da frota, a marinha os abateria – e pediria desculpas depois. Desapontado com esta recusa, Ridgway pressionou para que se repensasse em uma outra rota de vôo para as tropas de paraquedistas. Havia uma grande chance de que, se as coisas fossem deixadas como estavam, um desastre poderia acontecer. Ridgway alertou que, a não ser que obtivesse uma garantia sólida, ele aconselharia em abandonar completamente os ataques das tropas aerotransportadas. Sua ameaça aparentemente surtiu efeito. O General George Patton, comandante do 7º Exército, disse a Ridgway que a Marinha estaria preparada para cooperar, mas isso se os transportadores de tropas e os planadores alterassem a sua rota de vôo e voassem a uma distância dos navios de não menos do que 7 milhas (11,2 km). Ridgway ficou aliviado, embora seja difícil entender o porque. Não havia maneira do Almirante Cunningham garantir que todos os seus artilheiros mantivessem a calma. Mais ainda, seria mais seguro se os próprios artilheiros tivessem sido avisados sobre o que esperar. Possivelmente devido a uma confusão administrativa ou – mais provavelmente – por causa da obsessão de algum oficial subalterno com o segredo da operação, a maioria dos artilheiros navais americanos bem como aqueles que manuseavam os canhões nos navios mercantes da frota invasora não foi avisada que haveria um invasão por parte dos paraquedistas de modo que ninguém estava preparado quando do avistar de aviões aliados voando por cima da frota. Para ilustrar a confusão, mesmo o Almirante Hewitt, comandante americano das forças navais, só veio a saber sobre o ataque dos paraquedistas no dia que este estava para acontecer. Não fica difícil entender porque os artilheiros foram os últimos a saberem.

Assim que o sol se pôs na Tunísia em 9 de julho de 1943, a 1ª Brigada Aerotransportada levantou vôo a partir de seis bases aéreas em torno de Kairouan. Ela estava sendo transportada em planadores pilotados pelos homens do 1º Batalhão do Regimento de Pilotos de Planadores. Os planadores estavam sendo rebocados por C-47 americanos pelos homens do 51º Esquadrão de Transporte de Tropas do Coronel Ray Dunn que, apesar de suas perícias e fanfarronices, eram na sua maioria pilotos da aviação civil. Poucos, para não falar ninguém, tinha participado de qualquer tipo de ação ou voado em meio à flak. Era uma aposta – alguém até pode dizer que era um erro grosseiro – confiar tal tropa de elite inglesa para tais pilotos despreparados e instáveis. Seguindo o roteiro, assim que os planadores se aproximaram da Sicília, tudo começou a dar errado. A flak inimiga, um característica comum do combate aéreo, pareceu ter pego os pilotos americanos de surpresa. Eles não gostaram nada do que estava acontecendo e logo se percebeu claramente que não estavam preparados para enfrentá-la. Os pilotos começaram a fazer manobras evasivas violentas e o resultado era de que os planadores eram arrastados e jogados em meio aos fortes ventos. Para piorar a situação a frota aliada, que se encaminhava em direção à Sicília bem abaixo, também abriu fogo contra os C-47. O resultado de tudo isso era de completo pavor por parte dos pilotos americanos dos rebocadores. Muitos tomaram a decisão que se transformaria na morte de centenas de soldados ingleses: eles soltaram os planadores a uma distância de no mínimo 5 milhas (8km) da costa. A razão para esta mudança de planos era óbvia. Os pilotos americanos não iriam enfrentar a flak incessante e assim poderiam dar meia volta e retornar à África. O resultado foi de que muitos homens da 1ª Brigada Aerotransportada morreram afogados ao longo da costa da Sicília naquela noite. Outros pilotos rebocadores simplesmente botaram o rabo entre as pernas e voaram de volta para a Tunísia sem mesmo soltarem os planadores. Logo toda a Brigada estava espalhada aos quatro ventos.

Consequentemente, planadores estavam caindo no mar a quilômetros de distância da costa. O planador que levava o General Hopkinson, comandante da 1ª Divisão Aerotransportada, foi um dos que caiu no mar. Porém, como resultado de uma coincidência curiosa, o General estava com sorte. Ele conseguiu se afastar dos restos do planador e encontrou um pedaço dos destroços para se segurar. Mesmo assim, ele provavelmente estava nos seus últimos suspiros quando foi avistado por um destroier inglês comandado por um velho amigo dos tempos do colégio o qual ele não via há vinte anos desde que competiram juntos em uma prova de remo em Cambridge. A bordo, um prato de ovos com bacon e uma troca de roupas logo revitalizou o General embora a tarefa a qual ele teria de enfrentar, achar o resto dos seus homens, se mostraria impossível.

Crédito: A. Raguenet

Midway – O Início da Virada no Pacífico

Sabendo da possibilidade dos dois porta-aviões restantes dos Estado Unidos, o Enterprise e o Hornet, estivessem no Pacífico Sul, Yamamoto planejou o golpe final das forças navais americanas. Assim, concluiu que é possível obter uma vitória naval segura e decisiva. A frota americana estaria tão enfraquecida que envolver as embarcações restantes em combate seria o fim, em todos os sentidos, à guerra no Pacífico, favorecendo o Japão. Yamamoto propõe invadir a ilha de Midway, calculando que os americanos teriam que responder a uma ação como esta. Então, poderia enviar suas aeronaves e encouraçado para destruir o que restava do poder naval americano no Pacífico.

Infelizmente para Yamamoto, ele subestimou a determinação dos trabalhadores dos estaleiros de Pearl Harbor, que se dedicam dia e noite a reparar o avariado Yorktown, deixando-o pronto para o retorno ao mar em muito menos tempo do que qualquer um julgaria possível. Há, ainda, outra dificuldade que Yamamoto felizmente ignora: os esforços técnicos de decodificação da marinha americana possibilitam que o comandante americano, almirante Chester Nimitz, fique previamente inteirado dos planos. Assim, Nimitz envia a Força Tarefa 16, comandada pelo vice-almirante  Raymond Spruance, e a Força Tarefa 17, comandada pelo vice-almirante pelo vice-almirante Frank Fletcher, para o norte de Midway. Também presente na região, esperando por uma oportunidade para, estão o Hornet e o Enterprise, especificamente enviados para enfrentar os japoneses, além o recentemente restaurado (embora ainda um tanto alquebrado) Yorktown. As embarcações, agora, esperavam por sua chance de entrar em ação.

Yamamoto reúne quatro frotas para conduzir a batalha de Midway. Uma é a força de invasão que deverá atrais os americanos para a batalha, enquanto as outras três são forças pesadas de apoio. O almirante japonês tem à sua disposição cinco porta-aviões (Akagi, Kaga, Soryuy, Junyo e Hyriu), três porta-aviões leves, 11 encouraçados e mais de 100 outras embarcações.

Em 3 de junho de 1942, aeronaves americanas partindo de Midway bombardearam as embarcações japonesas, sem grande efeito. Os danos infligidos são pequenos, mas a constância do ataque mantém os caças japoneses ocupados e impede que Yamamoto desfira ataque aéreos contra a força naval americana, que agora, acreditam os japoneses, inclui um porta-aviões adicional.

No dia seguinte, os japoneses começam o ataque a Midway com uma série de bombardeios que causam danos sérios. Os japoneses, contudo, estão preocupados com a possibilidade de um ataque de aeronave provenientes das duas forças tarefas americanas. Os americanos descobrem a localização de parte da força tarefa japonesa graças a um hidroavião PBY Catalina. Os primeiros ataque dos americanos são relativamente limitados,  já que o almirante Fletcher está convencido de que há uma força japonesa na área e prefere preservar suas aeronaves para outros ataques contra o restante da frota inimiga, quando encontrado. Os dois ataques limitados não surtem efeito. O primeiro, partindo do Hornet, não encontra japoneses

Cabo Honório: A Morte de um Bravo Pernambucano

Segue abaixo texto de uma publicação muito interessante: As Fornalhas de Março – História das Eleições do Recife – Volume 1 – Ronildo Maia Leite. Ed. Bagaço.

Fazendo referência a um pernambucano morto na Itália, durante operações da Força Expedicionária Brasileira. O artigo é bem interessante, e permite fazer a analise de como as famílias pernambucanas estavam sob a pressão da guerra que lançava seus filhos nas batalhas da Itália.

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No dia em que a Folha é obrigada a anunciar o manifesto do lançamento da candidatura do brigadeiro Eduardo Gomes, ela própria excita o patriotismo do recifense, informando que, entre 15 mil, 404 morreram e 96 estavam desaparecidos.

Tomba como um herói Itália, quando procurava defender a vida dos companheiros, um pernambucano. Essa notícia ocupa todo o alto da quarta página do Jornal do Commercio e novamente levou o povo às ruas. O cabo Honório é do Pelotão de Minas e, naquela tarde, 5 de janeiro, saíra em missão de reconhecimento da área. Pressente o perigo e avança sozinho. O petardo explode sob seus pés, estraçalhando-lhe  as carnes.

Proprietário de uma fábrica de calçados e cordões, Honorário Correia de Oliveira é uma homem baixo e corpulento, ombros largos e rijos. Engole em seco  e enxuga as lágrimas na ponta da camisa quando recebe a carta do padre Urbano Rach. Dizia:

Cheguei a tempo de lhe ministrar a absolvição, os santos óleos e a indulgência plenária. O nosso bravo cabo Honório descansa em paz e o Nosso Senhor lhe dê a Glória Eterna

A notícia do Jornal do Commercio, sacode a cidade. Dezenas de pessoas organizam-se em passeata à casa 1578 da Avenida Caxangá para, mais uma vez, inteirar-se do ocorrido. Em novembro, uma semana depois do Cabo Honório ter chegado à Itália, correu o boato de sua morte. Na segunda-feira, estudantes do Colégio Americano Batista dirigiram-se à casa do comerciante. São os colegas de Honório, punhos cerrados marchando na avenida.

O barulho dos sapatos no calçamento da avenida parece com os das botas nas paradas militares: a guerra de lá, a guerra de cá, a guerra de lá, a guerra de cá…Honório (pai) recebe o repórter do Jornal do Commercio e exibe o amargo triunfo nos olhos úmidos, a última carta do filho morto. Dizia: Meu querido velhinho: em breve, a paz será restabelecida na terra e poderemos voltar ao seio das nossas famílias, portadores da vitória e da liberdade…

Naquele dia, caravanas populares caminham em direção à casa do sapateiro Honório Correia de Oliveira, pai do cabo Honório.

LEITE, Ronildo Maia. AS FORNALHAS DE MARÇO, Edições Bagaço, Recife, 2002, p. 169-170)

PS. Indicação do Sr. Francisco Bonato Pereira

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Histórico do Cabo Honorário

Id. 1G – 298025 – Classe 1923 – 11º Regimento de Infantaria.

            Embarcou para a Itália em 20 de Setembro de 1944, era natural da cidade do Cabo de Santo     Agostinho. Filho de Honório Corrêa de Oliveira e Antônia Aguiar de Oliveira, tendo como   pessoa responsável o seu pai, residente à Avenida Caxangá nº 1578 – Recife. Faleceu em  ação no dia 5 de Janeiro de 1945, em Bombiana – Itália, e foi sepultado no Cemitério Militar   Brasileiro de Pistóia, na quadra A, fileira nº 8, sepultura nº 86. Foi agraciado com as  Medalhas de Campanha e Cruz de Combate de 2ª Classe. No decreto que lhe concedeu esta   última condecoração lê-se: “Por uma ação de feito excepcional na Campanha da Itália”.

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Infelizmente há apenas um monumento em Pernambuco que lembra os patrícios caídos em combate na Itália. Encontra-se no Parque 13 de Maio e está em total abandono. Não há qualquer referência do que se trata e seu significado, ou seja, não informa a essa geração, ou as futuras, que jovens pernambucanos morreram defendendo seu país, ou pelos menos, os interesses dele.

Festa na Inauguração do Momumento que Homenageava os Mortos Pernambucanos na Segunda Guerra

O Monumento hoje se encontra abandonado, sem qualquer identificação que lembre seu propósito

Conhecendo Pernambuco e Suas Histórias

Na década de 30 o Recife passou a ser uma das primeiras cidades do mundo a utilizar os bondes “Zeppelin” resistentes e com peças em alumínio. Tudo isso veio à baixo quando na eclosão da Segunda Guerra Mundial, quando o havia recionamento de matéria prima

Praça Marciel Pinheiro na década de 40 do Século XX. Em um sobrado nesta praça, morava a escritora Clarisse Lispector. Ela passou parte de sua infância no bairro da Boa Vista e estudou no Colégio Ginário Pernambucano, antes de se mudar para o Rio de Janeiro

 

Na Avenida Boa Viagem nº. 400 no Recife, Pernambuco, existiu uma curiosa casa no formato de navio, construída em 1940, a casa pertencia ao empresário Aldemar da Costa Carvalho com arquitetura semelhante ao navio Queen Elizabeth, com sala de reunião, quartos, suítes, salão de jogos, cinema, restaurante e até uma cabine de comando com todos os equipamentos originais de navio. A casa virou cartão postal, e foi filmada pela Metro Golden Meyer, de Hollyooh, e hospedou diplomatas e até presidentes. Foi demolida em 1981, para a construção de um edifício. Fonte:http://eduardogeneroso.blogspot.com.br

Marco Zero no Recife Antigo. Na década de 40 possuía uma giratória com uma estátua do Barão do Rio Branco. Atualmente o local está reestruturado com a estátua localizada do lado esquerdo do Marco Zero.

Ponte da Boa Vista com bonde elétrico na década de 40. No local próximo a essa ponto, existia uma outra, construída pelo holandeses em localização exata desconhecida. Pelos mapas do período acredita-se que ela ficava próximo a atual Casa da Cultura (antiga Casa de Detenção)