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Archive for dezembro, 2011

O Ataque de Doolittle – A Resposta de Pearl Harbor.

Depois do rápido ataque as forças navais americanas em Pearl Harbor, em 07 de dezembro de 1941, os americanos entraram na Segunda Guerra Mundial. E para a resposta americana o, então Major da reserva Doolittle foi chamado de volta a ativa e promovido a Tenente-Coronel em 02 de janeiro de 1942, com a missão de realizar um ataque em território japonês como forma de retaliação por Pearl Harbor. Doolittle foi voluntário para o plano ultrassecreto de utilizar bombardeiros médios B-25, a partir do Porta-Aviões USS Hornet, sendo seus principais alvos Tóquio, Kobe, Yokohama, Osaka e Nagoya. Em 18 de abril decolaram com sucesso do USS Hornet com destino ao Japão. Todos atingiram seus alvos, contudo era uma passagem só de ida. Muitos dos tripulantes foram capturados na China, enquanto outros foram salvos por Guerrilheiros chineses locais.

 O ataque de Doolittle  não teve grande efeitos com relação aos danos, mas foi devastador no moral japonês e americano, pois a ideia de que o Japão o povo japonês estaria imune aos efeitos da guerra desabou nesse ataque, enquanto que os EUA sentiram-se mais confiantes pelo sucesso do Tenente-Coronel Doolittle .

Batalha de Stalingrado – Nunca Ficará no Passado!

Um país que não possui a referência pelo seu passado conspira contra sua própria grandeza. Essa frase, linda e verdadeira, nos permite ter a sincera noção do muito que temos que evoluir para sermos considerados como uma nação desenvolvida. Enquanto falamos que o país avança economicamente, deixamos de lado mais elementos importantes do passado, que é relegado ao esquecimento, por isso, muito temos que aprender com outros povos, sobre o valor histórico de seus feitos.

A Batalha de Stalingrado foi uma das mais cruéis e terríveis batalhas que a humanidade já testemunhou, e tornou a cidade às margens do Volga conhecida mundialmente. Atualmente essa cidade se chama Volgograd, na atual Rússia. Mas a troca de nome, não teve qualquer peso para que seu povo esquecesse a destruição e a resistência do passado. Há registros do período em toda a moderna cidade, sendo que, a que mais chama a atenção é a grande Estátua “Chamada da Pátria”, além de ser uma dos maiores do mundo, também enche de galhardia a memória de seus habitantes.

É com esse espírito de devoção pelos sacrifícios de gerações anteriores que deveríamos referenciar os feitos de outrora, e educar as próximas gerações para que nosso país não recorra a erros do passado, simplesmente por não valorizar sua própria história.

“Pátria” é um dos mais altos monumentos do mundo. Ele está localizado no Mamayev Kurgan em Volgograd, na Rússia, e comemora a Batalha de Stalingrado. Duzentos passos de chumbo na parte inferior do morro do monumento, simbolizam os 200 dias da Batalha de Stalingrado. O escultor Yevgeny Vuchetich queria que houvesse uma escada para ir até o rio, mas isso nunca aconteceu devido à falta de financiamento. Alguns dizem existe um projeto para continuar projeto inicial do escultor.

Há uma estátua do soldado no centro da praça. Ele simboliza o defensor de Stalingrado. As seguintes inscrições estão escritas sobre a rocha: “Aqui na última trincheira, não há terra para nós por trás do rio Volga, nunca recuamos, cada casa é uma fortaleza”.

‘O Muro de Ruinas’ impressiona. Podemos olhá-lo por horas. Estes são os restos das construções que foram destruídas por incêndios e explosões diversas. Uma escultura do famoso atirador, Vasily Zaytsev, que matou 224 militares alemães, está em cima da parede à esquerda. Embora pareça um pouco pequeno, é uma escultura de corpo inteiro.

Há muitas inscrições nas paredes. Aqui está uma delas:

Discutidos: O comportamento dos membros durante uma luta.

Resolvido: É melhor morrer na trincheira, em vez de fugir de vergonha.

Uma pergunta para o palestrante: Há alguma desculpa razoável para sair da posição de tiro?

A resposta: Sim, é a morte.

“Lago de Lágrimas” a piscina está no centro de “A Praça dos Heróis”. À esquerda da piscina há “O muro” com as seguintes palavras riscadas sobre ele: “Eles continuaram a avançar, apesar do vento forte. Os inimigos eram aterrorizados de novo, pensando se aqueles que estavam lutando contra eles, eram seres humanos? Eles realmente são mortais? “.

O edifício redondo é “O Hall da Glória Militar”, com o fogo eterno de 7200 nomes dos soldados riscados dentro. O número total de pessoas que morreram na Batalha de Stalingrado é de 3 milhões.

“Pátria” pode ser visto através do buraco redondo do teto da ” O Hall da Glória Militar”.

Há apenas duas cidades na Rússia, que têm a guarda de honra, Moscou e Volgograd.

“O Hall da Glória Militar” é seguido pela ‘A Praça da Dor “, com um monumento de uma mãe com um soldado morto em seus braços.

“A Praça da Dor” leva ao principal monumento de Mamayev Kurgan.

“Pátria” é monumento que tem um peso de 8 000 toneladas e está apenas em pé no chão, sem fixação.

A Pátria tem 52 metros de altura, ela segura uma espada, que é de 33 metros de comprimento em sua mão direita, a espada tem um peso de 14 toneladas. A fundação do monumento é de 16 metros de altura, por isso altura total do monumento é de 85 metros.

Fonte: Sergeydolya.livejournal.com

A Batalha da Rússia. Hitler errou ou acertou?

 Hitler chegou a menos de 35km da capital da URSS, e preferiu mudar de estratégia direcionando seus exércitos para o Cáucaso.

 Em 06 de dezembro, forças soviéticas contra-atacam na linha de frente de Kalinin, logrando uma surpresa quase completa. O caos se instala nas linhas alemãs e os salientes a noite e sul de Moscou colapsam. No mesmo dia, outras frentes também são atacadas e os alemães são incapazes de deter o avanço. O Exército Vermelho ainda não era capaz o bastante para explorar essa vantagem e os alemães estabelecem posições defensivas fortemente construídas, conhecidas como “ouriços”. O contra-ataque soviético arrefece.

 Não obstante, os alemães obtiveram vitórias em outros pontos, Odessa caíra em 16 de outubro, seguida por Taganrog um dia depois. Kharkov cairia no dia 24 de outubro e toda a Crimeia, com exceção de Sebastopol e Kerch, estava em mãos alemãs no dia 27.

 Na primavera de 1942, contudo, ambos os lados estavam em um impasse. Hitler voltara a atenção para o Cáucaso e o sul da Rússia, um fonte importante de petróleo. Nega essa fonte aos soviéticos traria, obviamente, um segundo e igualmente importante benefício.

A Rússia deixava de ser um objetivo estratégico e político.

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Mulheres na Seguda Guerra – O Fim do Sexo Frágil – Parte II

Continuação das obsevações e do envolvimento das mulheres na Segunda Guerra.

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Leningrado Antes e Depois do Cerco!

  Uma impressionante visão de uma das populações mais sofridas de toda a Segunda Guerra Mundial. Uma cidade cercada por anos e que resistiu bravamente a invasão inimiga, sofrendo uma das maiores baixas entre a popução civil da História das Guerras. Leningrado não é apenas um marco de resistência, é também um prova de sacrifício incomensurável.

 Aqui temos uma série de fotos para que possamos entender o que acontenceu a essa cidade, sendo que as primeiras 20 fotos foram restauradas da Leningrado dos anos 20 e 30 e as outras 20 durante o cerco ou logo depois de sua liberação.

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Antes dos Radares da Segunda Guerra…

O radar é anterior a Segunda Guerra Mundial, pelo mesmo o conceito, que foi desenvolvido inicialmente concebido por Christian Hülsmeyer na Alemanha em 1924, mas projeto ficou na geladeira por mais de 20 anos, quando o Watson Watt, melhorou e desenvolveu novas tecnologias, utilizando o sistema de telemetria fixa e rotatória.

Mas antes dos radares foi elaborado um sistema de escuta para ser utilizado a partir da detecção de ondas sonoras emitidas pelos aviões para defesa aérea, e esse sistema foi utilizado antes e durante a Segunda Guerra, sendo que logo ficou obsoleto com os enormes avanços obtidos com a utilização dos princípios existentes nos atuais radares. Segue alguns exemplos desses quase hilários instrumentos:

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Cenas da Queda do Terceiro Reich!

O fracasso alemão em derrotar a URSS no final de 1942 mostrou que outros fatores além de habilidades militares e boa sorte tiveram papel importante na Frente Oriental. Em uma situação de guerra total, a capacidade de uma dos lados de superar a produção do outro pode imensamente significativa, especialmente se combinada com vastos recursos humanos para a linha de frente. A União Soviética contava tanto com uma capacidade de produção  superior em relação à da Alemanha quanto com homens e mulheres capazes de usa plenamente os equipamentos enviados das fábricas para a linha de frente.

Para entender como eram impressionantes as conquistas industriais da URSS, consideremos um fato simples: as fábricas soviéticas produziram duas vezes a quantidade do material de guerra produzida pela indústria alemã em 1942, apesar de ter acesso a apenas aproximadamente um terço dos suprimentos de aço e carvão disponíveis para Hitler. A razão disso foi um cuidadoso desenvolvimento da capacidade industrial. Antes da guerra, fábricas soviéticas que produziam tratores passaram a produzir, também, alguns tanques. Assim, quando veio a guerra, a proporção da produção entre tratores e tanques se inverteu, garantindo uma rápida estruturação da força blindada do Exército Vermelho. Inevitavelmente, a produção agrícola decresceu, mas não desapareceu, possibilitando atingir equilíbrio entre suprir a linha de frente com armamentos e alimentar a nação como um todo.

A indústria soviética foi capaz de produzir cerca de 240 milhões de toneladas de munição em 1942, um aumento dramático em relação aos números de 1949, aumento este que impressiona mais ainda quando se considera a perturbação causada pela evacuação do parque industrial. A produção geral da indústria soviética foi prodigiosa. Entre 1943 a 1945, mais de 80.000 aeronaves, 73000 veículos blindados e 324000 pelas de artilharia saíram das fábricas. Para cita apenas um exemplo, somente do avião Ilyushin Il-2 “Sturmovik” foram construídas 36.000 unidades, fazendo dele a aeronave com maior produção em massa da história (uma marca que quase certamente nunca será superada).

Não foi uma produção industrial sozinha que derrotou Hitler na Frente Oriental, mas qualquer avaliação do conflito a partir de 1943 em diante deve leva-la em consideração. É difícil calcular a dimensão absoluta de tropas, máquinas e outros equipamentos envolvidos, mas sem sua capacidade industrial, a URSS não poderia alcançar a vitória na Frente Oriental.

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Fonte: História da Segunda Guerra, David Jordan.

Teatro de Operações do Pacífico – O Pior da Guerra?

A guerra é difícil e cruel em qualquer situação, mas o terreno e a geografia, além, claro, das adversidades climáticas, que podem tornar ainda mais caótica a vida em front. Com relação a isso, um exemplo de front muito duro, foi o Teatro de Operações do Pacifico, onde japoneses e americanos se enfrentaram de 1942 até 1945 em ilhas com clima subtropicais e com características bastante diferentes de outros teatros de operações da Segunda Guerra Mundial. Nessas condições os combatentes de ambos os lados enfrentaram doenças, chuvas torrenciais por meses a fio, áreas de mata fechada e colinas íngremes, sem falar que, diferentemente das tropas que combatiam em outras frentes, os militares não gozavam de passes livres, devido a seu isolamento. Como exemplo critico, podemos citar o ataque a Iwo Jima, onde os civis foram evacuados dessa ilha vulcânica; os militares japoneses passaram meses trabalhando dia e noite construindo uma complexo sistema de túneis e fortificações sem qualquer folga, e quando os ataques iniciaram eles permaneceram semanas refugiados nesses túneis. Sendo que os combates nessa ilha foram os mais duros da guerra.

Não por acaso, a Guerra do Pacífico, como ficou conhecida esse Teatro de Operações, tendo em vista sua diferença com a guerra que se desenrolava no Velho Continente, teve o maior número traumas de guerra, esquizofrenia e doenças relacionados a pressão e ao isolamento, também foram detectado requintes de crueldade insanas entre a tropa americana, tais como colecionar partes dos corpos dos inimigos.

Quando os americanos chegaram a Okinawa, última parada até a grande ilha, os Marines veteranos estavam esgotados de uma guerra sem fim, e claramente observa-se a diferença entre um soldado antigo e um recruta. Enquanto o soldado japonês estava disposto a morrer, e de fato ele já tinha morrido, pois a honra de morrer como um soldado era a única coisa que lhe restava.

Enquanto a Polônia era Invadida em 1939…

A Guerra Chega a America do Sul

O couraçado de bolso alemão Admiral Graf Spee, em chamas fora de Montevidéu, Uruguai, em 19 de dezembro de 1939. A tripulação do Graf Spee tinha acabado de deixar a Batalha do Rio da Prata, lutou com três cruzadores da Marinha Real. A batalha não afundou o encouraçado alemão, mas danificou-o e teve que se retirar para reparos no porto de Montevidéu. Incapaz de permanecer o tempo suficiente para os reparos, e incapaz de furar um bloqueio que o esperava, a tripulação do Graf Spee navegou até a uma curta distância fora do porto e afundou o navio. Foto pouco antes de afundar. (AP Photo).

O revoltado

Dono de Restaurante Fred Horak de Somerville, Massachusetts, colocou estas frases na janela de seu estabelecimento, fotografado em 18 mar 1939. Horak era natural de Praga, Tchecoslováquia. (AP Photo).

A Produção de Guerra Americana dava os primeiros passos

P-40 Warhawk caças sendo fabricados, provavelmente em Buffalo, New York, ca 1939 (Foto: AP).

A Mobilização Começa

Enquanto as forças alemãs estavam concentradas na Polônia, a ansiedade estava nascendo na Frente Ocidental, como os soldados francesas e britânicos, sendo transferidos ao longo da fronteira com a Alemanha. Aqui, as tropas francesas montam um acantonamento na França em 18 de dezembro de 1939. (AP Photo).

A Fé pela Paz

Grande multidão de parisienses se reúnem na Igreja Basílica do Sagrado Coração na colina de Montmartre para assistir a um serviço religioso e orar pela paz. Parte da multidão reunida em frente da igreja na França em 27 de agosto de 1939. (AP Photo).

Jornalistas na Linha Maginot

Um grupo de jornalista da Frente Ocidental no topo de um uma fortificação em algum lugar da Linha Maginot, na França, em 19 de outubro de 1939, com um guia do exército francês apontando-lhes a “terra de ninguém” que separa os franceses e as tropas alemãs.(AP Photo).

A Caminho da Guerra

As tropas britânicas embarcam em seus comboios para a primeira etapa de sua viagem para a frente ocidental, em algum lugar na Inglaterra, em 20 de setembro de 1939.(AP Photo / Putnam).

As Primeiras Ações de Defesa na Inglaterra

Westminster em Londres e as Casas do Parlamento, envolto em trevas, após o grande black-out que começou em 11 de agosto de 1939. Este apagão foi o primeiro estudo realizado pelo Ministério do Interior, em preparação para possíveis ataques aéreos alemães.

Curiosidades da Guerra

Uma cena curiosa em Holborn Town Hall, em Londres, Inglaterra, com funcionários e mães testando as reações dos bebês a um respirador projetado para protegê-los contra o gás venenoso em 03 de março de 1939. Vários bebês, todos com idade máxima de dois anos, foram equipados com os “capacetes bebê.”(AP Photo).

Hitler e seus Planos na Polônia

A chanceler alemã e ditador Adolf Hitler consulta um mapa geográfico com o seu pessoal, incluindo Heinrich Himmler (esquerda) e Martin Bormann (à direita) em um local não revelado em 1939.(AFP / Getty Images).

EXTRA

Se ele tivesse sucesso o Mundo seria diferente HOJE!

Na sexta-feira, 30 de outubro de 2008, um homem olha para uma fotografia de Johann Georg Elser, montado em um monumento em Freiburg, Alemanha. Um cidadão alemão, tentou assassinar Adolf Hitler com uma bomba caseira na cervejaria “Buergerbraukeller” em Munique, em 08 novembro de 1939. Hitler terminou seu discurso inicial, escapando da explosão cronometrada por apenas treze minutos. Oito pessoas morreram, 63 ficaram feridas, e Elser foi pego e preso. Pouco antes do fim da Segunda Guerra Mundial, ele foi executado no campo de concentração nazista em Dachau.(AP Photo / Winfried Rothermel).

FIM DA GUERRA! Por Joel Silveira.

Em uma deliciosa reportagem de Joel Silveira fala sobre seu encontro de uma tropa alemã no final da guerra, então percebemos algo que, inicialmente, é difícil de encontrar ou entender durante um estado de guerra. Primeiro a disciplina alemã é incrivelmente inquestionável, mesmo totalmente destroçada as tropas marchavam em formação, com respeito e obediência hierárquica, e na narrativa do Joel parece algo surreal para exército desfarelado. Outra observação é o ponto em que o próprio correspondente de guerra percebe que um novo universo estava se formando para vencido e vencedores, e como um profeta ele pergunta: O que será de nós? Como se previsse o descaso que aconteceria como a desmobilização e abandono do contingente vitorioso da FEB.  Então curtam esse maravilhoso relato:

Publicado anteriormente: O Primeiro Dia – Relato de Joel Silveira – Correspondente de Guerra

Então para fechar vamos publicar o último dia da guerra para Joel Silveira.

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Fim da Guerra

 

Foi no dia 03 de maio de 1945.

Haviam-nos dito, no QG avançado da FEB, que a guerra iria acabar dentro de três dias, quatro no mais tardar. Mas na verdade já havia acabado, embora muitos combatentes – aliados e alemães – ainda não soubessem disso. Eu sabia. Mas não sabia o sargento alemão que fomos encontrar, num trecho de autoestrada que vai de Milão para Bolonha, tentando comandar decentemente um grupo de soldados amarfanhados e barbudo. Atrás do aturdido Batalhão, um pequeno carro italiano camuflado levava um coronel de rosto duro, que sentava ereto ao lado do motorista como se estivesse em posição de sentido. E o motorista era quase um menino, as faces cavadas pelo cansaço, olheiras profundas e maltratados cabelos sobrando do casquete cinza-esverdeado.

Alcançamos com o nosso jipe o carro do coronel, que andava sem pressa, fiz um gesto pedindo que parasse. Mas, antes de frear, o menino olhou apreensivo para o impassível oficial. Este levantou o braço direito, cuja mão segurava uma luva de couro, e imediatamente o jovem chofer pisou no freio.

Lá na frente, o sargento e os soldados, vendo que o carro do coronel estacara, também interrompeu a marcha. E logo uma vintena rodeava nosso jipe. Numa voz que pretendia ser autoritária, o sargento grunhiu uma ordem que ninguém pareceu ouvir. Ou, se ouviram, não obedeceram.

Entre Milão e Bolonha, a larga estrada ainda não era inteiramente de ninguém, nem nossa, nem deles – e por ignorar isto é que o Correspondente de Guerra Rubem Braga levou um inesperado tiro na mão. Logo a magnífica rodovia estaria desimpedida, mas naquela manhã havia trechos dos quais o inimigo ainda não havia sido expulso. O difícil era saber o que já era nosso e o que ainda era deles. E sabe isso era o que precisamente estava acontecendo naquele instante no quilometro 312 do caminho que nos trouxera de Milão, libertada poucos dias antes, e que deveria nos levar a Bolonha, já tomada a muito tempo.

O Corporal Hans sabia um pouco de italiano e, a uma pergunta minha, respondeu que estava recuando.

– Para onde?

– Para qualquer lugar, não sabemos ainda.

Perguntei depois quem era o coronel. Hans me disse que o coronel se chamava Gunther Habecker, comandante do 114º Regimento de Artilharia – ou do que restava dele. E o que restava do 114 era o que se encontrava ali, diante de nós: uns 50 homens de todas as idades, de uniformes os mais variados, a maioria já sem qualquer arma, quase todos de olhos enterrados nos rostos magros, fechados na barba de dias. O 114º era a sobra da Divisão, a 543, que por sua vez, havia sobrado de uma Corpo de Exército – o do Marechal Kelsering – que não existia mais e que começara a dispersar-se desde que foram expulsos do seu QG, em Genôva.

Foi ao Corporal Hans que indaguei para onde eles pretendiam ir, mas ao fazer a pergunta fixei por um instante os olhos no coronel Gunther, que permaneceu como estava: vertical e distante. Hans queria saber se de fato a guerra havia acabado.

 – Acabou mesmo, não?

 – Acabou.

– Nós já sabíamos. Horas atrás encontramos um Batalhão de ingleses, perto de Pádua, e eles nem nos quiseram prender. Só o nosso Coronel não quer entender ou aceitar isso.

Marchavam agora, ou melhor, caminhavam quase se arrastando, como no final de um prolongado passeio. Direção: a retaguarda. Ponto de chegada: qualquer um. Talvez Bréscia, talvez Alessandria, porque as rações estavam chegando ao fim e os italianos, antes não amigos e prestativos, já não queriam mais nada com eles. Estavam sem comida. E sem cigarros.

 – O último o Coronel acaba de fumar.

Quando Hans soube que era jornalista passou a me fazer uma série de atropeladas perguntas. Atropeladas e ansiosas. E logo não era apenas ele, mas todos a querer saber se era verdade que a Alemanha havia se rendido, se o Marechal Kesselring havia sido preso. Minhas respostas os deixavam ainda mais inquietos. Com exceção do coronel, que fingia não ouvir a conversa (da qual Hans servia de intérprete para os companheiros, no seu italiano confuso), mas era evidente que estava escutando e entendendo tudo.

Hans me disse mais, que as últimas notícias que haviam tido “lá do norte” não eram nada boas, coincidindo com as que eu lhe dava: Mussoline e seus gerarcas haviam sido executados pelos partigiani, Berlim praticamente fora varrida do mapa, Hitler se matara, e os vitoriosos, particularmente os russos, estavam sendo implacáveis para os vencidos.

Que ia ser deles? Uma era de Bremen, outro de Hamburgo, outro de Dresden (Dresden também acabou), outro de Kiel. E havia também alguns tchecos, um russo ucraniano e quatro polacos. Que ia ser de todos? Muitas das cidades onde havia nascido, e para onde pretendiam retornar um dia, eram naquele instante apenas nomes, referências sem sentido num geografia que a guerra havia passado a limpo, nalguns pontos apagando-a por completo do mapa.

 Houve um momento em que o sargento segurou meu braço, me olhou dentro dos olhos e perguntou se tinha cigarros: “zigarette?” Não fumo – mas tinha.

 – Cambiare?

Trocar por quê? Que teria ele a me dar? O alemão meteu a mão no bolso do culote folgado e dele tirou uma Cruz de Ferro e mais outro crachá no centro do qual uma iracunda águia nazista desfraldada as suas outrora temíveis asas.

 –Cambiare?

Entreguei-lhe os dois maços de cigarros. Ele me deu as medalhas. Depois acendeu um cigarro, sorveu demorada e gulosamente a fumaça, os olhos semicerrados, num total enlevo. Em seguida ajeitou o bornal que trazia dependurado ao ombro, gritou um ordem imperativa e o grupo voltou a se reunir.

Foi então que começou a cair uma chuvinha rala e fria – e também absolutamente neutra, pois molhava a todos nós, vencedores e vencidos. Imperturbável, o Coronel Gunther Habecker continuou como estava. Mas o sargento, ao vê-lo exposto à chuva que engrossava, gritou qualquer coisa em alemão. E como ninguém, no grupo palrador, parecesse tê-lo ouvido, gritou mais alto. Logo um velho soldado destacou-se do resto do Batalhão, trazendo um guarda-chuva. O sargento arrancou-o das mãos do soldado, pulou para o assento de trás do pequeno carro do coronel e abriu sobre sua cabeça o guarda-chuva providencial. O coronel Gunther, comandante do 114º de Artilharia, repetiu o mesmo jeito de momentos antes, erguendo a mão que segura a luva de couro, e o seu carros pôs-se novamente em movimento. Ao roçar nosso jipe, fez uma espécie de continência, à qual o meu motorista, um enfezado e exausto terceiro-sargento, respondeu com um sonoro palavrão em português.

                Não havia dúvida: a guerra tinha acabado, definitivamente. Tudo indica isso: o prosaico guarda-chuva aberto sobre a cabeça do coronel alemão, a sua continência vaga (mas um cumprimento que continência) e o indisciplinado palavrão do meu sargento – não restava mais dúvida: tais demonstrações tão à margem da ordem castrense eram a prova definitiva, a que me faltava, de que de fato a guerra chegara ao fim.

                A guerra havia acabado – e, do lado de lá e do lado de cá, que seria de todos nós? Do lado de lá, um era de Bremen, outro de Hamburgo, outro de Praga – que ia ser deles? Do lado de cá, eu era de Aracajú e o sargento de São João del Rei – que ia ser de nós dois? Nossa situação, naquele momento, era ironicamente a mesma, ou quase. Vencidos e vencedores, a fábrica de matar, onde vínhamos trabalhando havia meses, anos, fora fechada, e agora estávamos todos sem emprego. Dentro de mais algumas horas, quando o armistício fosse assinado, não seríamos mais do que intrusos sem função num terra que não era a nossa e que por justas razões só tinha motivo para nos detestar e estava ansiosa para nos ver pelas costas.

                Quando o último soldado alemão desapareceu na estava, o Sargento Alcebíades me perguntou para onde iríamos agora? Pensei alguns segundos, decidi:

                – Vamos voltar.

                – Para Milão?

                – Exato

                – Mas acabamos de sair de lá.

                – E daí? A guerra acabou. O coronel deles pensa que não, mas o fato é que acabou. Você viu aquele guarda-chuva do sargento? A guerra acabou mesmo. Vamos para Milão. Lá tem luz, tem aquecimento, tem bebida, tem mulher. E já é hora de arrumar a nossa trouxa.

                Na verdade, metido naquela farda velha de quase 10 meses, eu já começava a me sentir um tanto ridículo. Como alguém fantasiado de palhaço num quarta-feira de cinzas.

                – Quer dizer que é Milão mesmo?

                – É

                – Pois que seja, o Capitão é que manda.

                Minha reação ríspida:

                – E pare de me chamar de “capitão”. “Capitão” é a mão!

                – E como vou chamar o senhor a partir de agora?

                – “Senhor” também é a mãe! Me chame simplesmente de Joel. É o meu nome. E é o que sou.

                – Depois de tanto tempo, vai ser difícil. Mas vou tentar.

                – Pois comece logo. E basta de conversa. Milão!

Fonte: A Luta dos Pracinhas  –  Joel Silveira/Thassilo Mitke. Ed. Record, 1993

A Reintegração Social dos Ex-Combatentes da FEB – Parte III

BRASIL: CONDUZIDO AO CONFLITO ARMADO

 

 A abordagem sobre o direcionamento político, que aconteceu no cenário brasileiro, se torna importante para que possamos ter um entendimento de como foi demorada a tomada de decisão de apoiar, militarmente, os países aliados. Também, auxilia na compreensão de como teve que se organizar às pressas e de forma desordenada esse efetivo, que comporia a Força Expedicionária. Esse contingente foi mobilizado sem organização, fruto, principalmente, da inexperiência em guerras, situação que permaneceu presente na mobilização, participação e desmobilização da FEB, direcionando para a problemática social que se apresentou ao findar da participação brasileira no episódio da Segunda Guerra Mundial.

Com a Revolução de 1930, Getúlio Vargas é levado à presidência da República, conforme análise de Ricardo Seitenfus:[1]: “Em outubro de 1930, um movimento armado conduz o gaúcho Getúlio Dornelles Vargas à presidência da república. A Primeira República conhece seu ocaso e tem início a Era de Vargas”. Após passar pelo governo provisório (1930-1934) e pelo governo constitucional (1934-1937), apoiado por militares e pela população, Getúlio Vargas derrubou a constituição e declarou o Estado Novo (1937-1945). Com o advento do Estado Novo, em novembro de 1937, “Vargas passou a governar com poderes ditatoriais, iniciando oito anos de domínio incontrastável.”[2]

Iniciava-se um período de ditadura na História do Brasil. Alegando a existência de um plano comunista para a tomada do poder (Plano Cohen) Getúlio fechou o Congresso Nacional e impôs ao país uma nova Constituição, que ficaria conhecida mais tarde como “Polaca”, por ter se inspirado na Constituição da Polônia, de tendência fascista. O governo de Getúlio Vargas contava com grande apreço popular e tinha como meta principal enquadrar o Brasil em uma era de desenvolvimento. Procurando uma autonomia em bens industriais, não desejava que o país continuasse tão dependente das economias internacionais.

O país contava com uma economia muito dependente. O que vem dar mostras dessa fragilidade econômica foi à crise de 1929, na qual foi grandemente reduzida à compra do café brasileiro, produto que servia como base da economia nacional, fazendo com que as preocupações de uma industrialização tomassem lugar de destaque, como explica Ricardo Seitenfus:[3]:

A crise econômica mundial de 1929 mostrou bem que o Brasil não mais poderia continuar a depender inteiramente do estrangeiro para o suprimento de bens industriais. A importância da siderúrgica para o Brasil e para sua política externa é imensa: Getúlio Vargas a considerou o “problema básico” da economia brasileira. Enquanto não resolvido, o Brasil não reconheceria “a opulência econômica”. A partir de outubro de 1930, a implantação de um complexo siderúrgico tornou-se um dos elementos chave do programa getulista, condicionando a atitude brasileira em relação à Alemanha e aos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial (p. 04)

A política comercial brasileira partiu para a tentativa de diminuir as barreiras que o protecionismo internacional impunha, procurando uma aproximação com as nações que dominavam os mercados pelo mundo. O Estado Novo foi marcado pela expansão industrial e pelo crescimento das exportações nacionais: “O país apresentava uma estrutura agrária, com o café respondendo por 70% das exportações e 60% dos seus quase 40 milhões de habitantes vivendo em áreas rurais.”[4]

Desde o final de 1935 o governo havia reforçado sua propaganda anticomunista, amedrontando a classe média e de certa forma preparando a mesma para prestar seu apoio. O Golpe de Getúlio Vargas teve sua articulação com apoio dos militares, contando também com o apoio maciço da sociedade. Dessa forma, conseguiu uma centralização política que, desde então, se desencadeava. Vargas impôs a censura aos meios de comunicação, reprimiu a atividade política, perseguiu e prendeu inimigos ligados a ela, adotando medidas econômicas nacionalizantes e deu continuidade a sua política trabalhista com a criação da CLT[5], em 1943.

Desde a sua ascensão ao poder, a política getulista sempre seguiu a esteira das políticas totalitárias e ditatoriais. Fato esse que, com a proximidade do evento da Segunda Guerra Mundial, a sociedade e até mesmo o meio militar ficava duvidoso de qual seria sua decisão, a quem prestar apoio, como analisado por Roney Cytrynowicz[6]:

Como terceiro e “outro” fator aparece a guerra que já em 1939 “produzia seus efeitos no Brasil, pois, como se não bastasse a ditadura do Estado Novo, havia o temor de que Getúlio Vargas optasse por alinhar o país ao lado da Alemanha nazista.

Embora identificado com os regimes totalitários europeus, o Estado Novo getulista conservava-se neutro em relação ao conflito que eclodira em 1939, neutro quanto aos Estados liberais e ao nazi-fascismo europeu. As riquezas minerais, como, por exemplo, o minério de ferro em grande quantidade, era estrategicamente ambicionado pelos dois lados, pois essas matérias-primas seriam utilizadas para a fabricação de arsenais de guerra, tecnologia que, nesse período, estava em pleno desenvolvimento.

Apesar das pressões norte-americanas, o governo continuava indeciso. E essa indecisão era reflexo das tendências contraditórias dos homens do governo: enquanto Filinto Müller, chefe da polícia do Rio de Janeiro, e Francisco Campos, Ministro da Educação, eram favoráveis às potências fascistas do eixo Berlim – Roma – Tóquio, Osvaldo Aranha, ministro das Relações Exteriores, colocava-se contra. Entre as duas tendências oscilavam os generais Góis Monteiro e Dutra.

Todavia, muito preocupavam aos Estados Unidos as ligações comerciais que o Brasil mantinha com a Alemanha e, principalmente, a postura tomada por Vargas diante da ideologia dos países do Eixo. Em 1940, Vargas citou em um discurso as qualidades do Eixo. Isso fez com que todos acreditassem na possibilidade do Brasil, em breve, se unir a eles, até porque o Estado Novo era um governo que se identificava com os regimes totalitários europeus. Mas apesar do fato do presidente ser um simpatizante do regime alemão, “economicamente, nas circunstâncias, o Brasil não podia viver sem os Estados Unidos. A Alemanha não era bastante grande para substituí-lo em nossos negócios.”[7]

Segundo Roberto Gambini[8]:

Deve ficar bem claro que essa possibilidade de um duplo sistema comercial foi usada, mas não criada pelo Brasil. À medida que se concretizava as medidas que definiam a aliança entre Brasil e Alemanha, os Estados Unidos concentravam seus esforços para subverter o comércio entre os dois países, visando impedir que a Alemanha prosseguisse em sua marcha armamentista.

Sendo assim, o governo determinou através do DIP[9], que qualquer meio de comunicação permanecesse neutro ao relatar notícias da guerra que acontecia na Europa, uma vez que a censura era rigorosamente exercida em todas as ocasiões. A inclinação a favor das potências aliadas deu-se a partir do sucesso das negociações de empréstimos entre o Brasil e o Eximbank, em 1941. Já na II Conferência de Consulta dos Chanceleres no Rio de Janeiro, em meados de janeiro de 1942, a aliança política entre Brasil e Estados Unidos foi efetivada. Tornou-se inevitável naquela ocasião o rompimento das relações diplomáticas com o Eixo. Em março do mesmo ano, o comprometimento do Brasil se aprofundou, com a assinatura de um acordo que permitia aos Estados Unidos a utilização das costas nordestinas como bases aeronavais.

A participação direta do Brasil no conflito mundial aconteceu após repetidos ataques aos navios brasileiros por parte da força submarina alemã. Cerca de dezoito navios foram perdidos nesses ataques, realizados até em águas brasileiras. Além das perdas materiais, foi grande o número de brasileiros mortos, conforme analisado pelo Marechal Floriano de Lima Brayner[10]:

Foram grandes as nossas perdas, em embarcações e vidas preciosas. E deste modo registrou-se a inevitável exaltação do amor próprio nacional, e mais de se acentuou a nossa aproximação aos Aliados Ocidentais. Em 22 de agosto de 1942, o Brasil rompia relações com os países do Eixo Berlim-Roma em seguida ao cruel afundamento do Afonso Pena, por um submarino, nas costas da Bahia, e do Aníbal Benévolo, Baependi, Araraquara, Itagiba e Arara, entre 15 e 16 de agosto de 1942, a 8 milhas da costa de Sergipe, fazendo 653 vítimas.

Até o momento que ocorreu o fato acima citado, a política getulista tinha um alinhamento com as ideologias ditadas pelos países do eixo, em especial com a Alemanha, como abordado anteriormente. Quando ocorre esse episódio, o sentimento de simpatia transforma-se em sentimento de justiça como explicado por Italo Conti[11]:

Realmente era admirável a forma da política alemã e Getúlio Vargas fez um discurso muito ambíguo, dizendo que forças novas estavam surgindo no mundo, realmente dava a entender que estava com pensamento a apoiar as ideologias alemãs, as quais estavam sendo vitoriosas. Mas no instante que virou a opinião pública do Brasil, inclusive a simpatia do exército brasileiro que tinha pelo exército alemão, virou em 24 horas.

Evidentemente, isso provocou reações espontâneas que resultaram em manifestações populares, exigindo a entrada do Brasil na guerra. Em 21 de agosto de 1942, finalmente, Osvaldo Aranha, ministro das Relações Exteriores, declarou oficialmente guerra contra a Itália e a Alemanha. O país acaba participando do episódio da Segunda Guerra Mundial, não porque estava na eminência de ser atacado ou ocupado, mas sim, porque as articulações políticas e econômicas acabaram conduzindo ao desfecho desse processo.

A participação inicial do Brasil ficou limitada ao fornecimento de matérias-primas estratégicas e ao auxílio no policiamento do Atlântico Sul. Somente em 1944 foi enviado à Itália um contingente de soldados, que compuseram a Força Expedicionária Brasileira (FEB), que foi criada um ano antes, sob o comando do General Mascarenhas de Morais, a qual passará a ser analisada em item específico.

A sociedade brasileira tinha em todos os seus segmentos, sejam eles políticos, instituições de segurança, comércio, indústria, produção rural, uma ligação muito forte com os imigrantes alemães e italianos, dificultando de forma expressiva a tomada de decisão contrária aos países do eixo, em especial a Alemanha. Essa atitude, depois de tomada, acabaria afetando até mesmo a forma como seria tratado o povo germânico aqui residente, o que acabou acontecendo de fato.

Ainda, conforme abordagem dos autores Roberto Ganbini, Leôncio Basbaum, Renato Eickhoff, Roney Cytrynowicz, Ricardo Seitenfus e Paulo Brandi, nos possibilita uma visão de como foi articulado dentro do Estado Novo uma situação que pudesse beneficiar a economia brasileira até os últimos momentos, em que uma decisão havia de ser tomada: tomar partido e apoiar os países do Eixo, seguindo as políticas totalitárias, ou apoiar os países aliados e lutar contra essas ideologias. Dentro do exposto acima, fica possível uma análise de como acaba se desencadeando o processo que leva o país aos campos de batalha da Europa, desde suas dificuldades, devida à relação construída com os imigrantes germânicos, ideologia política alinhada com os regimes ditatoriais e, ainda, interesses econômicos.

BIBLIOGRAFIA

 

BASBAUM, Leôncio. História sincera da República: de 1930 a 1960. São Paulo: Alfa-Omega, 1976.

BRAYNER, Floriano de Lima. A verdade sobre a FEB: memórias de um chefe do estado-maior na campanha da Itália. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1968.

CYTRYNOWICZ, Roney. Guerra sem guerra: a mobilização e o cotidiano em São Paulo durante a Segunda Guerra Mundial. São Paulo: Edusp, 2000.

EICKHOFF, Renato. A Força Expedicionária Brasileira e os seus veteranos. 2005. 42 f. Trabalho de conclusão de curso (Licenciatura Plena) – Setor de Ciências Humanas, Letras e Artes, Universidade Tuiuti do Paraná, Curitiba, 2005.

GAMBINI, Roberto. O duplo jogo de Getúlio Vargas. São Paulo: Ed. Símbolo, 1977.

RIBEIRO, P. da S. As batalhas da memória: uma história da memória dos ex-combatentes brasileiros. Niterói, 1999. Dissertação (Mestrado em História): Instituto de Ciências Humanas e Filosofia, Universidade Federal Fluminense.

SALUM, A. O. Zé Carioca vai à Guerra. São Paulo, 1996. Dissertação (Mestrado em História) Pontifícia Universidade Católica.

SEITENFUS, Ricardo. O Brasil vai à guerra: o processo de envolvimento brasileiro na Segunda Guerra Mundial. 3.ed. Barueri, SP: Mamole, 2003.

BRANDI, Paulo. Vargas: da vida para a história. Rio de Janeiro: Zahar, 1983.


[1] SEITENFUS, Ricardo. O Brasil vai à guerra: o processo de envolvimento brasileiro na Segunda Guerra Mundial. 3.ed. Barueri, SP: Mamole, 2003. p.01

[2] BRANDI, Paulo. Vargas: da vida para a história. Rio de Janeiro: Zahar, 1983. p. 03.

[3] Idem. p.4

[4] EICKHOFF, Renato. A Força Expedicionária Brasileira e os seus veteranos. 2005. 42 f. Trabalho de conclusão de curso (Licenciatura Plena) – Setor de Ciências Humanas, Letras e Artes, Universidade Tuiuti do Paraná, Curitiba, 2005. p.5

[5] Consolidação das Leis do Trabalho. Criada pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943. A consolidação das leis trabalhistas era uma necessidade do governo Vargas, populista e dependente da aclamação popular. Nesse período foi criado o Ministério do Trabalho, e a maioria das leis trabalhistas nasceram após 1930, quando triunfou a revolução que levou Vargas ao poder. O sindicalismo crescia sob as asas do governo e foram feitas muitas leis para regulamentar o trabalho.

[6] CYTRYNOWICZ, Roney. Guerra sem guerra: a mobilização e o cotidiano em São Paulo durante a Segunda Guerra Mundial. São Paulo: Edusp, 2000. p.292

[7] BASBAUM, Leôncio. História sincera da República: de 1930 a 1960. São Paulo: Alfa-Omega, 1976. p. 122.

[8] GAMBINI, Roberto. O duplo jogo de Getúlio Vargas. São Paulo: Ed. Símbolo, 1977. p. 165

[9] O Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), criado em dezembro de 1939, foi o principal responsável pela legitimação de Vargas e do Estado Novo perante a opinião pública. Com maior amplitude de ação que o Departamento Nacional de Propaganda, o DIP, dirigido por Lourival Fontes, tornou-se porta-voz autorizado do regime e o órgão coercitivo máximo da liberdade de pensamento e expressão até 1945.

[10] BRAYNER, Floriano de Lima. A verdade sobre a FEB: memórias de um chefe do estado-maior na campanha da Itália. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1968. p. 19

[11] Ítalo Conti. Ex-combatente da Força Expedicionária Brasileira. Entrevista realizada no dia 12 de novembro de 2009, na cidade de Curitiba – PR. Natural da cidade de Mallet – PR, de origem italiana, participou como voluntário. Após a declaração de guerra do Brasil contra as nações do eixo, todos os oficiais receberam do ministro um telegrama, solicitando que compusessem o efetivo da FEB, o qual ele fez prontamente. Fez parte do efetivo do 1o Grupo de Artilharia em apoio ao 11o RI. Tinha a função de oficial de ligação, era capitão naquela oportunidade, tendo como seu superior o coronel Valdemar Levi Cardoso, comandante do 1o Grupo de Artilharia. Após passar para a Reserva, desempenhou funções como chefe de segurança do Estado do Paraná e foi também, por algumas vezes, eleito Deputado Estadual. Configura uma das grandes personagens do Estado do Paraná. Conta atualmente com 94 anos.

Especial Pearl Harbor – 70 Anos – Documentos Anexos – Final

Informes de Pearl Harbor

Tóquio ao Cônsul-Geral em Honolulu

24 de setembro de 1941 (n° 83). Adiante  encarecemos nos envie informações relativas navios de guerra conforme as seguintes normas até onde seja possível: (1) As águas de Pearl Harbor serào divididas em 5 subzonas, aproximadamente. Nada temos a objetar se você as reduz da forma que achar mais conveniente. Zona A: águas entre a ilha Ford e o Arsenal. Zona B: Águas adjacentes à ilha ao sul e ao oeste da ilha Ford. Esta zona acha-se do lado oposto à ilha da Zona A. Zona C:  East Loch. Zona D: Middle Loch. Zona E: West Loch e as rotas marítimas de comunicação. (2) Com respeito aos navios de guerra e porta-aviões desejamos ter seus informes sobre os que estão ancorados (estes não são tão importantes), amarrados e ancorados, bóias e em diques. Indique sucintamente tipos e classes. Se for possível, desejaríamos que você mencionasse o caso de quando houver dois ou mais navios ancorados um junto ao outro, num mesmo ancoradouro. (Decifrado no Departamento de guerras dos EUA no dia 9 de outubro de 1941).

Cônsul-Geral em Honolulu a Tóquio

29 de setembro de 1941 (n° 178). ( A mensagem n° 178 respondia ao n° 83 e estabelecia uma designação em código de duas letras para cada uma das cinco zonas em que se dividia Pearl Harbor). (Decifrado no Departamento da Marinha dos EUA no dia 10 de outubro de 1941).

Tóquio ao Cônsul-Geral em Honolulu

15 de novembro de 1941 (n° 111). Como as relações entre o Japão e Estados Unidos são sumamente críticas envie em forma irregular seus informes sobre navios em Pearl Harbor, se bem que a um ritmo de dois por semana. Apesar de você ser muito cauteloso, permitimo-nos esclarecer a necessidade de manter o maior segredo (Decifrado no Departamento da Marinha dos EUA no dia 3 de dezembro de 1941).

Cônsul-Geral em Honolulu a Tóquio

18 de novembro de 1941 (n° 222) (A mensagem n° 222 era um informe sobre os navios americanos que se encontravam nas diferentes zonas de Pearl Harbor). (Decifrado no Departamento de Guerra dos Estados Unidos no dia 6 de dezembro de 1941).

Tóquio ao Cônsul-Geral em Honolulu

18 de novembro de 1941 (n° 113). Favor informar sobre as seguintes zonas, quanto a navios ancorados: Zona N, Pearl Harbor, Baía Mamala (Honolulu) e as zonas adjacentes a elas. Efetue suas investigações com grande segredo. (Decifrado pelo Departamento de Guerra dos Estados Unidos  no dia 5 de dezembro de 1941)

Tóquio ao Cônsul-Geral em Honolulu

20 de novembro de 1941 (n° 111). Favor investigar rapidamente as bases da frota nas vizinhanças da zona militar do Havaí (Decifrado no Departamento de Guerra dos EUA no dia 4 de dezembro de 1941).

Tóquio ao Cônsul-Geral em Honolulu

29 de novembro de 1941 (n° 122). Recebemos quatro informes sobre movimentos de navios. No futuro, favor informar também quando não haja movimento. (Decifrado no departamento da Marinha dos EUA no dia 5 de dezembro de 1941).

 

Mensagens “Púrpura”

Textos de algumas das mensagens secretas que, deciframos com o código “púrpura”, foram enviados pelo governo japonês ao Embaixador Nomura em Washington

5 de novembro de 1941 (n° 736)

É absolutamente necessário que todas as disposições sejam tomadas para que assinatura deste acordo seja completada até o dia 25 deste mês. Compreendemos ser esta uma ordem difícil; mas, dadas as circunstâncias, é inevitável. Favor entender isto a fundo e encare o problema de evitar que as relações entre o Japão e Estados Unidos caiam em um estado caótico. Rogamos que proceda, portanto, com grande determinação e com um esforço ilimitado. (decifrado em 5 de novembro de 1941)

11 de novembro de 1941 (n° 762)

A julgar pelo andamento das negociações parece que há indícios de que os Estados Unidos não se deram conta da crítica situação. Persiste o fato de que a data estabelecida em nossa mensagem n° 736 é absolutamente inamovível nas presentes condições. É uma data final definitiva e por conseguinte é essencial que se consiga um acordo até ela. O governo deve ter um quadro claro dos acontecimentos ao apresentar o caso ao Parlamento. Pode ver assim que a situação se aproxima do ápice e o tempo realmente está se esgotando. (decifrado no dia 12 de novembro de 1941)

16 de novembro de 1941

(1) Li seu número 1090 e pode estar seguro de que tem toda nossa gratidão pelos esforços que realizou. A sorte de nosso império pende de um delgado fio. Por isso, favor lutar mais duramente que nunca. (2) Em nossa opinião deveríamos esperar e ver que rumo toma a guerra e permanecer pacientes; no entanto, lamento profundamente dizer que a situação faz que isto seja afastado. Estabeleci essa data final para a solução dessas negociações em nosso número 736 e não haverá mudanças. Favor tratar de compreender isto. Veja quão breve é o tempo; por esse motivo não permita que os Estados Unidos nos desviem e continuem retardando as negociações. Pressione-os para uma solução sobre a base de nossas propostas e faça o melhor para chegar a uma solução imediata (decifrada em 17 de novembro de 1941)

22 de novembro de 1941 (n° 812)

É terrivelmente duro para nós considerarmos uma mudança na data que fixamos em nosso n° 736. Você o sabe. No entanto, sabemos que está trabalhando tenazmente. Ajuste-se à política fixada e faça o melhor. Não economize esforços e procure conseguir a solução que desejamos. Há razões além de sua capacidade de suspeita pela quais necessitamos definir as relações nipo-americanas até o dia 25; mas se dentro dos próximos 3 ou 4 dias puder terminar as conversações com os americanos, se a assinatura pode ser completada para o dia 29; deixe-nos escrever esta data por extenso: vinte e nove; se as notas relativas podem ser intercambiadas; se podemos chegar a um entendimento com a Inglaterra e a Holanda; e, em resumo, se todas as questões podem ser concluídas, resolvemos esperar até essa data. Esta vez, garantimos que a data final não poderá ser trocada, em absoluto. Depois dela, os acontecimentos começarão a ocorrer de maneira automática. Favor fazer isto objeto de sua cuidadosa consideração e trabalhe mais duramente que nunca. Isto, por ora, é apenas para informação dos embaixadores, exclusivamente. (decifrado no dia 22 de novembro de 1941)

 

Plano de guerra americano

Apresentado no dia 5 de novembro de 1941 ao Presidente Roosevelt pelo General Marshall, chefe do Estado-Maior do Exército, e pelo Almirante Stark, chefe de Operações Navais da Marinha dos EUA. “(a) Os objetivos básicos militares e estratégicos acordados nas conversações entre os estados-maiores britânico e americano continuam sendo válidos. O objetivo fundamental das duas nações é derrotar a Alemanha. Se o Japão for derrotado e a Alemanha continua em guerra, a decisão não terá sido alcançada. Em todo caso, uma guerra ofensiva ilimitada não deve ser empreendida contra o Japão, uma vez  que ela enfraquecerá muito o esforço combinado no Atlântico contra a Alemanha, que é o inimigo mais perigoso. (b) A guerra entre Estados Unidos e Japão deve ser evitada enquanto se aumenta as forças defensivas no Extremo Oriente, até o momento em que o Japão ataque ou ameace diretamente territórios cuja segurança seja de grande importância para os EUA. Só devem ser realizadas ações militares contra o Japão em caso de se produzirem uma ou várias das seguintes contingências: (1) uma ação direta de guerra das forças armadas japonesas contra o território ou territórios sob mandato dos EUA, a Comunidade Britânica, ou as Índias Orientais Holandesas.; (2) A penetração de forças armadas japonesas na Tailândia ao oeste dos 100o de longitude este, ou ao sul dos 10o de latitude norte; ou em Timor português, Nova Caledônia ou nas ilhas da Lealdade. (c) Do ponto de vista da estratégia mundial, um avanço japonês sobre Kuming ou a Tailândia,  salvo no caso anteriormente citado, ou um ataque contra a Rússia, não justificariam a intervenção dos Estados Unidos contra o Japão. (d) Deve ser oferecida ao governo central chinês toda a ajuda que seja possível realizar, sem entrar abertamente em guerra. Especificamente recomendamos: Que não seja autorizado o envio de forças armadas dos Estados Unidos para intervir contra o Japão na China. Que a ajuda material à China seja acelerada de acordo com as necessidades da Rússia, Inglaterra e de nossas próprias forças. Que a ajuda ao Grupo Voluntário Americano seja contínua e acelerada na máxima extensão possível. Que não seja apresentado um ultimato ao Japão”.

 

Mensagem final de Roosevelt a Hiroíto

Texto do telegrama enviado ao Embaixador americano em Tóquio, Joseph Grew, para ser entregue ao Imperador Hiroíto.

818 – 6 de dezembro – 21 horas

Confidencial

Favor comunicar quanto antes possível e na forma que julgar mais correta, a seguinte mensagem do Presidente ao Imperador: “A Sua Majestade Imperial, o Imperador do Japão:

Há aproximadamente um século, o Presidente dos Estados Unidos dirigiu ao Imperador do Japão uma mensagem formulando uma oferta de amizade do povo de seus país ao do Império. Essa oferta foi aceita, e no longo período de ininterrupta paz que se seguiu, nossas respectivas nações, através da virtude de seus povos e do bom critérios de seus governantes, prosperaram e ao mesmo tempo contribuíram para o bem da humanidade. Só em situações de extraordinária importância para nossos países vejo-me na obrigação de enviar a Sua Majestade mensagem sobre assuntos de Estado. Considero que devo fazê-lo desta vez, por causa da grave e transcendental emergência que parece estar formando-se. Estão ocorrendo na zona do Pacífico acontecimentos que ameaçam privar a nossas nações e a toda a humanidade da benéfica influência da paz duradoura entre nós. Esses acontecimentos encerram trágicas possibilidades. O povo dos Estados Unidos, que acredita na paz e no direito das nações de viver e deixar viver as outras nações, acompanhou com ansiedade as conversações mantidas entre nossos governos durante os últimos meses.

Confiamos no término do atual conflito entre o Japão e a China. Confiamos em que se poderia estabelecer no Pacífico uma paz de tal natureza que povos de diversas nações pudessem conviver sem temor de uma invasão.; que se poderia suprimir delas todos os inadmissíveis excessos de armas e que todos os povos poderiam reiniciar seu comércio  sem discriminações em favor ou contra alguma nação. Tenho certeza de que Sua Majestade compreenderia tão bem como eu que, ao perseguir esses elevados objetivos, tanto o Japão como os Estados Unidos devia estar de acordo em eliminar qualquer forma de amaça militar. Isto parece-me essencial para atingir os objetivos. Há mais de um ano o Governo de Sua Majestade concluiu com o de Vichy um acordo pelo qual cinco ou seis mil soldados japoneses poderiam penetrar no norte da Indochina Francesa para proteger as tropas que estavam operando contra a China mais ao norte. E durante a última primavera e verão o Governo de Vichy permitiu a entrada de novas forças armadas. Japonesas ao sul da Indochina, com o objetivo de defendê-la. Creio que não me engano ao dizer que não se levou a cabo, nem sequer foi projetado um ataque contra a Indochina Francesa. Durante as últimas semanas tornou-se evidente para o mundo que as forças militares, navais e aéreas japonesas introduziram-se em tal quantidade no sul da Indochina, que dão lugar a uma razoável dúvida por parte das demais nações pelo mundo, no sentido de que essa concentração continuada não é de caráter defensivo. Em vista do fato a que refiro, e de que as tropas estão se estendendo para os extremos sudeste e sudoeste da península, é agora naturalmente razoável que o povo das Filipinas, das centenas ilhas das Índias Holandesas, da Malaia e da Tailândia mesmo se pergunte se essas forças do Japão estão preparando ou tratando de efetuar um ataque em uma ou outra dessas direções. Estou seguro de que Sua majestade compreenderá que o temor de todos esses povos é legítimo, desde que se encontrem comprometidas sua existência nacional e a paz. E restou seguro também de que Sua Majestade compreenderá porque o povo dos Estados Unidos, em sua maioria, olha com receio o estabelecimento de bases militares, navais e aéreas, dotadas e equipadas em forma tal que podem constituir forças armadas e em condições de realizar ações defensivas. Fica claro que a persistência de uma situação dessa natureza é inconcebível. Nenhum dos povos a que me referi acima está obrigado a permanecer, seja transitória ou permanentemente, sobre um barril de dinamite. Não existe absolutamente  alguma intenção de parte dos Estados Unidos de invadir a Indochina se se retirassem  dela todos os soldados e marinheiros japoneses. Creio  que podemos obter a mesma segurança de parte dos respectivos governos das Índias orientais, da Malásia e da Tailândia. Comprometemo-nos ainda a conseguir a do Governo da China. Desta forma a retirada das forças japonesas da Indochina daria por resultado o afiançamento da paz e em toda a zona meridional do Pacífico. Dirijo-me pessoalmente a Sua Majestade, a fim de rogar-lhe que, como eu o faço, pense na forma de dissipar as nuvens negras na atual emergência. Considero que nós, não apenas em benefício do povo de nossos grandes países, mas também por um princípio de humanidade para com os povos vizinhos, temos o sagrado dever de restabelecer a tradicional amizade e evitar novos  atos de guerra e destruição no mundo. Franklin Roosevelt (A imprensa foi apenas informada de que o Presidente enviara uma mensagem ao imperador)

 

Churchill recebe a notícia

Nove da noite do dia 7 de dezembro de 1941. No gabinete de Winston Churchill, o velho líder inglês acha-se reunido com o embaixador americano Winnant e Averell Harriman. O primeiro-ministro sintoniza seu aparelho de rádio para escutar as últimas notícias da frente russa e a luta na África do Norte. Não suspeita da gravidade dos acontecimentos que acabam de ocorrer no Pacífico. Churchill, fatigado pelas tarefas do dia, fuma um grande charuto, como de hábito. A voz do locutor não consegue tirá-lo de sua sonolência. Seus companheiros de mesa igualmente não lhe presta maior atenção. O locutor está por finalizar a sua leitura quando pronuncia, em tom um pouco mais alto, algumas frases. Estas tem a virtude de sacudir aos que ouvem. Entre as frases do locutor haviam-se destacado palavras como “Pearl Harbor”… “Ataque japonês”… Desconcertado, Churchill interroga a seus companheiros com o olhar. Harriman repete com voz emocionada o que acabam de escutar. Nesse momento irrompe  na casa o mordomo do primeiro-ministro. Aproxima-se rapidamente e, deixando de lado a  sua habitual circunspecção, exclama: “É certo! Os japoneses  atacaram aos americanos”.

Churchill abandonou rapidamente sua residência e ordenou a seus subordinados que o pusessem imediatamente em comunicação com o Presidente Roosevelt, Poucos minutos depois, os dois chefes aliados conversavam telefonicamente. Roosevelt confirmou a notícia escutada, dizendo-lhe: “É totalmente verdade… Atacaram-nos em Pearl Harbor… Agora estamos no mesmo barco…

“Churchill, consciente da extrema gravidade do momento, respondeu: “isto, certamente, simplifica as coisas… Que Deus esteja convosco!”

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  Encerramos Aqui a Série em Homenagem aos 70 anos do Ataque a Pearl Harbor.

Fonte: http://adluna.sites.uol.com.br/

Adolfo Luna Neto – É filho do segundo-sargento Adolfo Luna Filho, portanto nada mais justo do que publicar a pesquisa do filho de um Guerreiro da FEB.

Fotos Históricas Estranhas e Engraçadas

Um assunto mais light é ver como era a cultura e a civilização no final do século XIX e início do século XX, perceber que coisas “inovadoras” para o período são para nós estranhas e até engraçadas. Como não há muitos registros em vídeo nesse período, a fotografia, quando de qualidade, nos dar a precisa ideia de como o mundo a sociedade mudaram nesse intervalo. Divirta-se:

 

Especial Pearl Harbor – 70 Anos – Estoura a Guerra

No dia 28 de novembro Roosevelt manteve uma reunião com seu gabinete, na qual ficou resolvido que o Presidente enviaria uma mensagem final de advertência ao Imperador Hiroíto.

No entanto, os acontecimentos se precipitavam. No dia 3 de dezembro os serviços de inteligência da Marinha interceptaram uma mensagem de Tóquio ordenando à embaixada japonesa em Washington que destruísse seus códigos secretos. Dois dias depois Nomura informava que havia cumprido a ordem. A guerra já era inevitável. Nessas circunstâncias Roosevelt decidiu que se enviasse a nota a Hiroíto. O documento não fazia mais que enumerar as proposições americanas que os japoneses já haviam recusado.

Era o dia 6 de dezembro de 1941. O embaixador britânico fez chegar ao governo americano informações do Almirantado que duas grandes frotas japonesas tinham sido avistadas ao sul da península da Indochina. De acordo com seu rumo e velocidade chegariam no dia seguinte à Malásia. Ao cair da noite, uma nova mensagem japonesa foi interceptada. Era a nota final cuja entrega daria automaticamente início às hostilidades. Pouco depois das 21 horas, os serviços “Magia” tinham decifrado 13 dos 14 artigos do documento, e foram levados imediatamente à Casa Branca. O Presidente Roosevelt, ao terminar a leitura, exclamou com voz emocionada: – Isto significa a guerra!

O drama chegou assim ao seu fim. Nas primeiras horas da manhã de 7 de dezembro, Roosevelt recebeu a cópia decifrada do último artigo da nota japonesa. o governo de Tóquio anunciava simplesmente que todas as possibilidades de acordo tinham terminado. Pouco depois os serviços “Magia”  interceptaram uma nova mensagem, na qual dava ordens ao Embaixador Nomura para apresentar o documento decisivo ao Secretário de Estado Hull às 13 horas de Washington (essa hora correspondia às 7:30 da manhã no Havaí, momento fixado para o ataque a Pearl Harbor).

Tomando conhecimento desta última comunicação, o General Marshall resolveu enviar sem demora um sinal de alerta ao General Short, chefe das forças do Exército em Pearl Harbor e às guarnições americanas no extremo Oriente e no Caribe. Dizia: “Os japoneses apresentam às 13 horas de hoje o que constitui um ultimato. Receberam igualmente ordens de destruir imediatamente suas máquinas de cifrar. Não sabemos que significado preciso pode ter a hora fixada, mas esteja de alerta. Participe esta comunicação às autoridades navais – Marshall”.

Este telegrama foi cifrado às 11h58 de Washington e enviado a São Francisco, de onde foi retransmitido ao Havaí. No entanto, quando chegou finalmente nas mãos do General Short já era muito tarde. Seis horas antes, os aviões japoneses haviam levado a cabo seu surpreendente e devastador ataque contra a frota ancorada em Pearl Harbor.

A última entrevista

Pouco depois da uma da tarde do dia 7 de dezembro de 1941, uma urgente mensagem por rádio foi recebida no Departamento da Marinha, em Washington. A comunicação retransmitida pela base naval de São Francisco provinha de Pearl Harbor e era a dramática notícia de que os japoneses acabavam de atacar Pearl Harbor. A mensagem, emitida sem o emprego de código algum, dizia: “Ataque aéreo, Pearl Harbor. Não foi uma simulação”. Quando recebeu a comunicação, o Secretário da Marinha, Knox, telefonou imediatamente para a Casa Branca e comunicou a Roosevelt a terrível notícia. O Presidente mandou chamar o Secretário de Estado Hull. Este chegou à Casa Branca às 14h05. O Presidente, após colocá-lo a par das novidades, ordenou que sustasse a entrevista que havia solicitado aos enviados japoneses Nomura e Kurusu, mas sem fazê-los saber o que havia ocorrido. Devia, simplesmente, mostrar-se frio e receber de suas mãos o ultimato japonês que havia sido interceptado e decifrado pelos serviços de inteligência americanos horas antes. Hull foi imediatamente para o Departamento de Estado e às 14h20 recebeu em seu gabinete o Embaixador Nomura e o enviado especial Saburu Kurusu. Estes haviam chegado, contrariando as instruções recebidas do seu governo, uma hora depois do previsto. Havia-se perdido um tempo precioso. Uma hora antes da chegada dos emissários japoneses, as primeiras bombas haviam caído sobre Pearl Harbor. Ao encontra-se com Hull, o Almirante Nomura entregou-lhe a nota dizendo-lhe: “Deram-me instruções de entregar-lhe esta resposta às 13 horas”. Hull, grave, respondeu: “Por que devia-me entregar às 13 horas?” “Não sei porque!” O Secretário de Estado, bruscamente, tomou a nota e disse, amargamente: “Nunca, nestes últimos nove meses pronunciei uma palavra que não fosse certa. Jamais vi um documento tão cheio de falsidades e distorções”. Assim terminou a entrevista. Minutos depois, ao chegar à sua embaixada, Nomura recebeu a notícia: Aviões japoneses sobre Pearl Harbor! A guerra começava…

Fonte: http://adluna.sites.uol.com.br/

Adolfo Luna Neto – É filho do segundo-sargento Adolfo Luna Filho, portanto nada mais justo do que publicar a pesquisa do filho de um Guerreiro da FEB.

Especial Pearl Harbor – 70 Anos – Nas Vésperas do Ataque

No dia 25 de novembro, Roosevelt manteve uma reunião na Casa Branca com os mais destacados dirigentes políticos e militares americanos. Estavam presentes: o Secretário de Guerra Stimson, o Secretário da Marinha Konx, o Secretário de Estado Hull, o General Marshall e o Almirante Stark. Nessa conferência o presidente e seus ministros discutiram a possibilidade de um ataque japonês de surpresa.

Stimson narrou posteriormente os pormenores da discussão. Reproduzimos seu relato: “O Presidente, logo de início, referiu-se às relações com o Japão. Mr. Hull disse que os japoneses estavam inclinados para o ataque e que poderiam atacar a qualquer momento. O Presidente disse que os japoneses eram conhecidos por realizar um ataque sem prevenir e manifestou que poderíamos ser atacados, digamos, por exemplo, na próxima segunda-feira… Um problema nos inquietava profundamente. Se alguém sabe que seu inimigo está por atacar, não é inteligente esperar até que ele dê o salto sobre a gente, tomando a iniciativa. Apesar do risco que implicava deixar que os japoneses efetuassem o primeiro disparo, nos dávamos conta que a fim de termos o pleno apoio do povo americano era desejável ter certeza que os japoneses foram os que fizeram isso de tal forma que não ficasse dúvida em mente alguma sobre quem eram os agressores… A questão era como devíamos manobrá-los (aos japoneses) para levá-los à situação de disparar o primeiro tiro sem que o perigo para nós fosse muito grande. Era um assunto difícil”.

Ao concluir a reunião na Casa Branca Stimson dirigiu-se ao seu gabinete na Secretaria de Guerra e ali recebeu de seus assessores uma notícia urgente. Os japoneses estavam embarcando grandes contingentes de tropas no porto de Xangai, e as unidades avançadas dessa frota de invasão já se encontravam navegando junto à costa chinesa ao sul da ilha de Formosa. Assim, o ataque contra a Malásia e as Índias Orientais já estava praticamente em marcha. Stimson telefonou imediatamente ao Presidente Roosevelt, e lhe informou a dramática nova.

A possibilidade de acertar a trégua proposta por Hull ficou assim completamente eliminada. Além disso, em novas consultas, Hull comprovou que as potências aliadas e principalmente a China opunham-se a um acordo com o Japão.

Na noite de 25 de novembro chegou a resposta de Churchill e seu conteúdo decidiu finalmente Hull a abandonar todas as intenções de conciliação com os japoneses. O primeiro-ministro britânico assinalava que a projetada trégua era prejudicial a Chiang Kai-shek e poderia contribuir para o desmoronamento da resistência chinesa. Hull comunicou então sua decisão a Roosevelt, o qual lhe deu plena aprovação.

A nova proposta redigida por Hull era uma exposição clara e terminante das exigências americanas. Oferecia aos japoneses suspender as sanções econômicas e propunha a assinatura de um tratado de comércio e um pacto mútuo de não agressão, sob a condição de que os Japão retirasse todas as suas forças da China e da Indochina e reconhecesse como único governo chinês o regime de Chiang Kai-shek. Esta oferta, com certeza, não seria aceita pelo governo de Tojo, pois equivalia à renúncia de todas as conquistas realizadas pelos japoneses no continente asiático. Assim entendeu Hull que, em 27 de novembro, disse ao Secretário de Guerra Stimson: – Lavei minhas mãos a respeito desse assunto e agora está em suas mãos e nas de Knox, do Exército e da Marinha. O jogo da diplomacia estava encerrados.

Em Tóquio, o documento americano causou uma imediata reação. O gabinete resolveu iniciar a guerra no momento em que as forças de ataque estivessem prontas para entrar em ação. O Ministro das Relações Exteriores enviou sem demora um telegrama ao Embaixador Nomura – decifrado pelo serviço de inteligência da marinha americana – no qual lhe comunicava a decisão do governo de dar por terminadas todas as negociações. Como último trâmite, Nomura deveria apresentar um relatório com os pontos de vista japoneses que lhe seria enviado com urgência. A entrega desse documento significaria a ruptura diplomática das relações entre ambos os países. Este telegrama que também fôra interceptado e decifrado pelo serviço de inteligência da marinha americana, permitiu que o governo de Washington tomasse conhecimento antecipado de que a nova nota japonesa equivaleria, de fato, ao início da guerra.

Diante da crítica situação, os secretários da Guerra e da Marinha viram-se com o problema de escolher a atitude que as forças armadas americanas adotariam. O General Marshall e o Almirante Stark aconselharam novamente não iniciar as hostilidades até que os japoneses tivessem atacado ou ameaçassem diretamente as possessões americanas, britânicas ou holandesas no Pacífico. Esta proposta foi aceita e foi transmitida uma mensagem de alerta de guerra às guarnições americanas localizadas naquele oceano.

O Almirante Kimmel, chefe da frota ancorada em Pearl Harbor, foi avisado de que as negociações com o Japão estavam rompidas, devendo ele esperar um ataque para os próximos dias. Assinalaram no entanto que tal ataque, de acordo com as informações recolhidas, teria por objetivo as Filipinas, Tailândia, Malásia ou Bornéu. A mensagem não continha qualquer indicação de que a agressão poderia ser dirigida contra Pearl Harbor, apesar de terem sido interceptadas numerosas comunicações de Tóquio ao cônsul japonês no Havaí, solicitando detalhadas informações sobre o número e tipo de navios estacionados em Pearl Harbor, e o lugar exato de seus ancoradouros.

Às 2 horas da tarde de 1o de dezembro o gabinete japonês reuniu-se na presença do Imperador Hiroíto. Tojo anunciou que já não podia esperar nada das vias diplomáticas e que era necessário iniciar imediatamente a guerra. Os chefes da Marinha e do Exército anunciaram que estavam prontos e ansiosos por entrar em ação. Diante dessas entusiásticas manifestações o Imperador Hiroíto permaneceu em absoluto silêncio. A decisão de iniciar a guerra foi tomada, no entanto, com sua tácita aprovação. No dia seguinte o Almirante Yamamoto enviou ao Almirante Nagumo, cuja frota já se encontrava navegando para Pearl Harbor, a mensagem em código que confirmava a ordem de ataque: Escale o monte Nitaka.

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Adolfo Luna Neto – É filho do segundo-sargento Adolfo Luna Filho, portanto nada mais justo do que publicar a pesquisa do filho de um Guerreiro da FEB.

Especial Pearl Harbor – 70 Anos – Tojo assume o poder

A crise provocada pela suspensão das remessas  de petróleo deu lugar a uma série de agitadas reuniões entre os dirigentes políticos e militares japoneses. O Primeiro-Ministro Konoye, apoiado pelo Almirante Nagano, chefe do Estado-Maior da Marinha, decidiu realizar uma última tentativa para induzir os EUA a que depusessem sua oposição às ambições japonesas. O general Tojo, Ministro da Guerra, chegou a autorizar uma entrevista direta entre Konoye e Roosevelt, mas colocou como condição que o primeiro-ministro não cedesse em ponto algum dos planos de expansão para o sul.

A projetada conferência, no entanto, não chegou a ser realizada porque Roosevelt, convencido da falsidade das propostas japonesas, negou-se a se encontrar com Konoye. No dia 2 de outubro de 1941, o Secretário de Estado Hull comunicou essa decisão ao Almirante Nomura, embaixador japonês em Washington. A sorte de Konoye ficou assim  selada. Ante o malogro de sua política de negociações, viu-se forçado a apresentar sua demissão e, no dia 18 de outubro, assumiu o poder o General Tojo, decidido partidário da guerra.

No dia 2 de novembro o novo gabinete realizou uma reunião decisiva. Depois de longas discussões os ministros concordaram em realizar uma última gestão ante o governo americano, com a finalidade de chegar a um compromisso. Se essa tentativa fracassasse, o Japão de lançaria, sem demora, à luta. Três dias depois o gabinete realizou uma nova conferência e ultimou os detalhes da ação a seguir. Apresentaria em primeiro lugar uma proposta de acordo aos americanos. Caso esse oferecimento fosse rechaçado seria entregue um segundo documento no qual estariam expostas as exigências mínimas dos japoneses para evitar o conflito. Se até o dia 25 de novembro não tivesse sido obtida a aprovação dos americanos, seria comunicado ao Imperador que estava em suas mãos a decisão final para o início da guerra.

Sem demora o Ministério de Relações exteriores transmitiu ao Embaixador Nomura a resolução do Governo, junto com o texto das duas proposições. A mensagem, interceptada e decifrada pelos serviços de inteligência americana, continha um dramático aviso: “Tanto em letra como em espírito esta nossa oferta é, certamente, a última…”.

Assim, graças aos informes “Magia”, o governo dos EUA teve conhecimento antecipado de que se aproximava o fim das negociações com o Japão. No mesmo dia que o gabinete japonês adotou essa decisão, os chefes de estado-maior do Exército e Marinha americanos, General Marshall e Almirante Stark, apresentaram a Roosevelt um extenso relatório em que analisavam a crítica situação.

Ambos os chefes opinavam que os Estados Unidos deviam evitar o início da guerra enquanto de completava o reforço das guarnições do Pacífico. Com esse fim não devia apresentar-se ao Japão nenhum ultimato. A luta devia começar quando este país atacasse diretamente as possessões americanas, britânicas ou holandesas. Roosevelt reuniu-se com seu gabinete no dia 7 de novembro e solicitou a opinião dos ministros sobre as possibilidades de um choque armado. Todos, sem exceção, estiveram de acordo em que o ataque japonês poderia ocorrer a qualquer momento. Decidiu-se, no entanto, prosseguir com a política adotada e estender ao máximo as discussões com o fim de ganhar tempo para aumentar o poderio americano no Pacífico.

Na tarde desse mesmo dia o Embaixador Nomura entrevistou-se com o Secretário Hull e entregou-lhe a primeira proposta, exigindo-lhe pronta resposta. No dia 10 de novembro Nomura foi recebido por Roosevelt que lhe anunciou que o Japão teria que provar com fatos suas declarações pacifistas retirando todas as suas tropas da China e Indochina. O compromisso esperado pelos japoneses ficou, assim, frustrado. Nesse mesmo dia, no Japão, o Almirante Nagumo, chefe da frota encarregada do ataque a Pearl Harbor, ordenou a suas unidades que completassem os preparativos de combate para o dia 20 de novembro. A partir desse momento, a marcha para a guerra iria desenrolar-se inexoravelmente.

As últimas conversações

Diante do fracasso dessa primeira gestão, Nomura, agora acompanhado do Embaixador Kurusu, enviado urgentemente de Tóquio, comunicou fazer maiores concessões para conseguir um acordo. A resposta não tardou em chegar. O governo japonês não estava disposto a realizar novas concessões, e Nomura devia apresentar sem demora a segunda e última proposta.

No dia 20 de novembro o Embaixador japonês entregou a Hull a nota decisiva. O Secretário de Estado tomou o documento e lhe deu uma rápida leitura. Já conhecia integralmente seu texto, pois este havia sido decifrado pelos serviços de escuta. O Japão aceitava retirar suas tropas da Indochina depois que se tivesse chegado a um acordo pacífico com a China. Exigia também que os EUA se comprometessem a não interferir de forma alguma na disputa entre o Japão e a China. Em resumo: a paz com os chineses, negociada de acordo com as exigências japonesas, seria o ponto de partida para a liquidação das disputas. Os Estados Unidos, como retribuição a essas vagas promessas, deviam suspender suas sanções econômicas e recomeçar as remessas de petróleo ao Japão.

Hull, assim como Roosevelt, considerou que tal acordo era totalmente inaceitável. No entanto, e com o fim de ganhar tempo de que precisavam os chefes militares, decidiram apresentar uma contraproposta aos japoneses, destinada a manter vigentes as relações entre ambos os países. O dia 22 de novembro foi uma data decisiva. O governo japonês enviou uma mensagem a Nomura – decifrada no mesmo dia pelos serviços de inteligência do Departamento da Marinha americana – na qual lhe comunicava que havia resolvido fixar como data final para a assinatura do acordo o dia 29 de novembro. O último parágrafo dizia: “Esta vez garantimos que a data final não pode ser mudada de formas alguma. Depois dela os acontecimentos começarão a ocorrer automaticamente…” Nesse mesmo dia o Almirante Yamamoto, comandante-em-chefe da frota japonesa, enviou um telegrama ao Almirante Nagumo, chefe da esquadra encarregada do ataque a Pearl Harbor, com a ordem definitiva de operações: “A força de Tarefas zarpará de Hitokappu Wan no dia 26 de novembro e se dirigirá sem ser percebida até o ponto de reunião fixado para o dia 3 de dezembro. O dia X será o dia 8 de dezembro”.

O dia X era o dia do ataque a Pearl Harbor – pela diferença de horas, o dia 8 de dezembro no Japão correspondia ao dia 7 nas ilhas Havaí.

Hull realizou urgentes reuniões com os representantes diplomáticos da Inglaterra, Holanda e China com o fim de colocá-los a par da trégua que se propunha oferecer aos japoneses. Em troca da promessa japonesa de paralisar os movimentos militares no sudeste asiático, as potências aliadas se comprometeriam entregar uma quota reduzida de petróleo para abastecer as necessidades civis e quantidades limitadas de alimentos e matérias-primas. Por ordem de Roosevelt, o Secretário de Estado enviou uma mensagem a Churchill comunicando-lhe o plano. Roosevelt de seu punho e letra escreveu ao pé da carta: “Eu não tenha muitas esperanças, e devemos estar preparados para o mais grave, possivelmente agora mesmo”.

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Especial Pearl Harbor – 70 Anos – Os Informes “Magia”

Em meados de 1940 os serviços de inteligência americana entraram de posse de um material extraordinário: o código “Púrpura”, utilizado pelos japoneses para a transmissão de suas informações secretas da mais alta importância. Com um extraordinário trabalho de deciframento, esse código pôde ser inteiramente interpretado e conseguiu-se também construir máquinas similares à utilizadas pelos japoneses na transmissão das mensagens “Púrpura”.

A forma em que o código caiu em mãos americanas foi puramente acidental. No mês de maio de 1940 um barco veleiro japonês afundou no mar de Bering em meio a uma violenta tormenta. Poucos dias depois um baleeiro norueguês encontrou flutuando no mar o corpo do capitão japonês. Em seu uniforme, os marinheiros noruegueses encontraram um pequeno livro de capa de chumbo forrado com tecido que parecia conter uma série de tábuas de logaritmos. Os noruegueses entregaram esse livro a um guarda-costas americano, cujo capitão, ao examiná-lo, compreendeu que se tratava de um volume de código. Sem perda de tempo suspendeu sua viagem de patrulha e dirigiu-se à base naval de Dutch Harbor. Ao ser examinado o livro pelos experts comprovou-se que continha o ultra-secreto código “Púrpura”, utilizado nas comunicações cifradas pela marinha, aeronáutica e pelo Ministério de Relações exteriores do Japão.

Rapidamente foram organizados em Washington os serviços para a intercepção e deciframento das mensagens japonesas. Os informes assim obtidos receberam o nome-chave de “Magia”. Construíram-se seus máquinas de deciframento que foram assim distribuídas: uma foi enviada a Londres, duas ficaram para a secção de Inteligência do Departamento da Marinha e outras duas foram destinadas ao Serviço de Inteligência de Comunicações do Departamento de Guerra. A última máquina disponível, junto com o pessoal encarregado de seu funcionamento foi enviada em abril de 1941 para as ilhas Filipinas para ser utilizada pelo comandante da Frota Asiática e pelo General MacArthur.

Nenhuma máquina “Púrpura” foi instalada na base de Pearl Harbor, onde se encontrava a sede do comando da frota do Pacífico. O chefe dessa frota,. Almirante Kimmel, ficou, assim, subordinado a Washington, no que se refere à recepção dos informes japoneses interceptados. As mensagens “Magia”, decifradas pela Marinha e pelo Exército, foram objeto de um controle muito rigoroso. Só poucas pessoas tiveram acesso direto a esses documentos. Entre elas estavam o Presidente Roosevelt, o Secretário de Estado Hull, o Secretário de Guerra Stimson, o Secretário da Marinha Knox, o general Marshall, chefe do Estado-Maior do Exército, o Almirante Stark, chefe de operações navais, e outras sete altas autoridades navais e militares. Os serviços de inteligência da Marinha e do Exército alternavam-se cada 24 horas na tarefa de interceptar e decifrar as comunicações secretas japonesas e preparavam as cópias dos informes “Magia” para distribuí-las aos funcionários citados. Uma vez estudados esses informes, todas as cópias eram destruídas, menos uma, conservada nos arquivos secretos.

Ao aumentar a tensão entre o Japão e as potências  ocidentais, em meados de 1941, intensificaram-se as transmissões em código entre Tóquio e suas representações diplomáticas em Washington e Berlim. Por isso, os serviços de inteligência americana concentraram sua tarefa de intercepção sobre os circuitos e conseguiram decifrar as mensagens que o governo japonês enviou a seus representantes nos decisivos meses que precederam o ataque a Pearl Harbor.

EUA e Inglaterra estreitam sua aliança

Em 12 de novembro de 1940, o Almirante Stark, chefe de operações navais da Marinha Americana, apresentou a Roosevelt um extenso relatório no qual aconselhava que representantes da Marinha e do Exército iniciassem imediatamente conversações com os chefes militares britânicos, com o fim de traçar os planos e acordos definitivos para apresentar uma frente única contra as potências do Eixo. Roosevelt aprovou imediatamente o projeto.

As discussões foram iniciadas em Washington no dia 29 de janeiro de 1941, cercadas do maior segredo, e tiveram como resultado a aprovação de um acordo militar entre os dois países. Os chefes britânicos insistiram em que a frota americana do Pacífico destinasse parte de seus navios para a defesa da base de Cingapura, mas os dirigentes navais americanos opuseram-se categoricamente a dividir sua esquadra. Finalmente foi resolvido que os britânicos reforçariam Cingapura com navios próprios e os americanos enviariam, se necessário, parte de sua frota do Atlântico para apoiar a marinha inglesa no Mediterrâneo. O conjunto de planos aprovados – que compreenderam todas as regiões do mundo e os problemas estratégicos da guerra marítima, aérea e terrestre – recebeu a denominação de “Acordo ABC-I”.

Os compromissos fundamentais deste plano, no que respeita à participação dos EUA, eram os seguintes: os americanos concentrariam seu esforço bélico na região do Atlântico e da Europa, com a finalidade de apoiar os britânicos em luta contra a Alemanha, considerada como o inimigo principal. No Pacífico a frota americana recebia uma missão essencialmente defensiva.

As autoridades militares dos dois países deram plena aprovação ao projeto e começaram a elaborar em detalhe seus respectivos planos de guerra a fim de adaptá-los às diretrizes do “Acordo ABC-I”. A partir desse momento e tal como afirmou o Almirante Stark, ficou de fato resolvida a intervenção dos EUA na guerra. Os acontecimentos iriam decidir em que momento os americanos participariam abertamente na luta.

Quando a Alemanha invadiu a Rússia, em junho de 1941, Roosevelt decidiu estender imediatamente a ajuda militar aos soviéticos. Seu secretário, Harry Hopkins, viajou a Moscou para oferecer dito apoio a Stalin e averiguar quais as necessidades dos russos em armas e material de guerra. Os primeiros laços da aliança entre as três grandes potências, EUA, Inglaterra e a URSS, ficaram assim acertados.

Entretanto, as relações com o Japão estavam bastante tensas. Em abril de 1941, o Ministro de Relações Exteriores japonês firmou em Moscou um pacto de não-agressão com Stalin. De acordo com ele os japoneses obtiveram liberdade de ação para por em marcha seus planos de conquista no sudeste da Ásia e no Pacífico. No mês de julho, o Exército e a Marinha completaram seus projetos para a ocupação da Indochina, Malásia, Índias Orientais Holandesas, arquipélago das ilhas Bismarck e as Filipinas. A Marinha, por iniciativa do Almirante Yamamoto, já se achava ocupada no planejamento secreto do ataque contra a base americana de Pearl Harbor.

Em uma conferência celebrada no dia 2 de julho, na presença do imperador Hiroito, os dirigentes políticos e militares japoneses acertaram, como primeiro passo, ocupar quanto antes a Indochina e, ao mesmo tempo, realizar todos os preparativos necessários para entrar em guerra contra os EUA e a Inglaterra. Esta decisão foi transmitida às missões diplomáticas em Berlim e Washington, e foi interceptada pelos serviços de inteligência americanos. Roosevelt teve assim conhecimento da iminente invasão da Indochina.

No dia 24 de julho, e depois de obter o consentimento do governo de Pétain – a Indochina era então possessão francesa -, os japoneses empreenderam a ocupação de uma série de estratégicos portos e aeródromos naquela colônia. A reação de Roosevelt não se fez esperar. No dia seguinte decretou a congelação de todos os fundos japoneses nos Estados Unidos, medida que deu lugar à completa interrupção de intercâmbio comercial entre os dois países. Poucos dias depois os britânicos e o governo das Índias Orientais Holandesas ordenaram, por sua vez, a cessação do comércio com o Japão.

O ponto vital dessas medidas estava na interrupção das remessas de petróleo. O governo japonês esperava as sanções americanas e britânicas, mas não havia previsto a decidida atitude das autoridades das Índias Orientais Holandesas. Essa colônia era a principal fonte de abastecimento de petróleo do Japão e, portanto, ao cessar suas remessas, os japoneses ficavam com o problema de esgotar a curto prazo suas reservas, sem possibilidade de reabastecimento.

Em 10 de agosto, Roosevelt e Churchill mantiveram, a bordo do cruzador americano Augusta, a célebre conferência do Atlântico. O problema do Japão foi um dos principais assuntos tratados pelos dois estadistas. Roosevelt comunicou ao primeiro-ministro britânico que estava decidido a manter em plena vigência as sanções econômicas e a não permitir a expansão japonesa no sudeste asiático. Acrescentou, no entanto, que estava decidido a continuar as discussões com os japoneses com o objetivo de ganhar tempo para reforçar as guarnições no Pacífico.

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Especial Pearl Harbor – 70 Anos – O caminho para Pearl Harbor

Verão de 1935. No aeroporto militar de Wright Field, muitos oficiais das forças armadas americanas aguardavam nervosamente o vôo de prova de um novo e poderoso avião: o bombardeiro quadrimotor Boeing B-17, denominado “Fortaleza Voadora”. Os chefes da Marinha e do Exército não tem confiança no gigantesco aparelho. Para eles trata-se apenas de um avião sumamente caro que não possui a importância militar que lhe querem dar com fanático entusiasmo os oficiais do corpo aéreo.

Os mecânicos e engenheiros realizam os últimos preparativos, e o B-17 apronta-se para levantar vôo. O Capitão Pete Hill, chefe da equipe de pilotos de prova, instala-se na cabina e põe em marcha os poderosos motores. Com um rugido ensurdecedor, o enorme bombardeiro começa a parquear lentamente e coloca-se na cabeceira da pista. Ansiosos, os chefes de aviação, entre os quais conta-se o Coronel Hugh Knerr, principal promotor do B-17, observam a manobra. O bombardeiro toma velocidade e, finalmente eleva-se no ar, erguendo o nariz em um pronunciado ângulo. Repentinamente, a máquina interrompe sua brusca subida e precipita-se ao solo. Ante o olhar horrorizado dos espectadores a máquina choca-se e se arrebenta com uma gigantesca explosão. No interior, o Capitão Pete Hill e um engenheiro da Boeing morrem carbonizados; só o co-piloto, Tenente Donald Putt, consegue escapar com vida.

O fracasso do primeiro B-17 foi um rude golpe para os partidários do desenvolvimento acelerado do poderio aéreo americano. No entanto, o Coronel Knerr não desanima e consegue que o Departamento de Guerra conceda os fundos necessários para a construção de outros três aparelhos. Com essas máquinas prossegue as experiências e consegue eliminar as falhas que provocaram o trágico acidente. Seguidamente, Knerr, apoiado pelo General  Andrews, chefe do corpo aéreo – que nessa época não era independente e sim um setor subordinado ao Exército – elaborou um plano no qual propunha a construção de 108 “Fortalezas-Voadoras” e a ampliação dos aeródromos americanos nas ilhas do Pacífico.

Esse programa teria permitido aos Estados Unidos contar em 1941 com uma poderosa força aérea, capaz de enfrentar com êxito aos ataques japoneses contra o Havaí e as Filipinas. No entanto, o projeto não foi aprovado. Uma vez mais, os veteranos almirantes e generais que se opunham obstinadamente ao desenvolvimento do poderio aéreo, conseguiram fazer triunfar seus arcaicos princípios. Em 1937, e depois de longas discussões, o Departamento de Guerra recusou o plano com a seguinte resolução: “O Departamento de Guerra não pode aprovar o programa para desenvolver o avião B-17. Em lugar desse avião será construído um avião de bombardeio leve, manobrável e barato, cujo raio de ação não exceda 300 milhas”.

Foi assim como a incrível cegueira dos dirigentes militares americanos daquela época impediu a formação de uma força de bombardeiros de longo alcance. Ao estourar a Segunda Guerra Mundial, em setembro de 1939, os Estados Unidos só dispunham de 19 bombardeiros B-17. Mas essas máquinas não estavam em condições de combater. Não eram blindadas, não tinham torres automáticas de metralhadoras e nem metralhadoras de cauda. Esse equipamentos vitais não tinham sido providenciados por falta de dinheiro para a sua fabricação!…

Em fins de 1939, assumiu o cargo de Chefe do Estado-Maior do Exército o General Marshall, que, seguindo instruções do Presidente Roosevelt, esforçou-se para remediar a situação crítica em que se encontravam as forças de ar e terra – o Exército contava unicamente com 230.000 soldados e 13.000 oficiais. Sob a enérgica orientação de Roosevelt, procedeu-se ao incremento acelerado do poderio militar americano. Em fins de 1940 o Congresso já havia votado leis pelas quais se dispunha o aumento dos efetivos do Exército até a cifra de 1.000.000 de soldados; a fabricação de 50.000 aviões para o Corpo Aéreo e de 15.000 para a Força Aérea Naval, e a construção de numerosos navios de guerra.

Este esforço, no entanto, foi muito tardio. Foi assim que, em outubro de 1941, dois meses antes do ataque à Pearl Harbor, só existiam 33 tripulações de bombardeiros B-17 adequadamente treinadas! No total, o comando de combate da Força Aérea dispunha unicamente de 64 pilotos para quadrimotores, 97 para bombardeiros bimotores e 171 para aparelhos de caça.

Assim, em dezembro de 1941, os americanos não contavam com o poder aéreo necessário para resistir ao ataque japonês. Teriam que pagar um preço muito elevado por essa infortunada falta de preparação.

 A guerra “não declarada”

 Apesar da oposição da opinião pública à participação dos Estados Unidos na guerra, o Presidente Roosevelt compreendeu desde o princípio que teria, cedo ou tarde, que intervir junto com a Inglaterra no conflito, com a finalidade de impedir que as potências do Eixo conseguissem a vitória. Assim, uma vez iniciadas as hostilidades, permitiu aos países aliados adquirir nos Estados Unidos grande quantidade de armamentos e materiais bélicos. No dia 3 de setembro de 1940 deu um passo à frente nessa política e cedeu aos britânicos 50 torpedeiros, em troca do arrendamento a longo prazo das bases aéreas e navais na região do mar do Caribe. Roosevelt estava convencido de que o inimigo principal e mais perigoso era a Alemanha. Por esse motivo articulou sua política em estreita colaboração com Winston Churchill, com a finalidade de prestar a máxima ajuda possível à Inglaterra, para evitar que fosse derrotada pelos alemães. Paralelamente intensificou o rearmamento dos Estados Unidos, e tentou conter temporariamente a expansão japonesa na Ásia e no Pacífico mediante uma série de manobras diplomáticas e sanções econômicas. Em novembro de 1940, Roosevelt foi eleito pela terceira vez, Presidente dos Estados Unidos. No transcurso da campanha fora novamente forçado a afirmar que manteria o país à margem da guerra. Estas declarações, no entanto, estavam apenas dirigidas à satisfação do eleitorado, que, em sua maioria, era partidária de prosseguir a ajuda aos britânicos, mas sem intervir no conflito. Roosevelt sabia que tão difícil política não poderia prolongar-se indefinidamente. A situação era, nesses momentos, extremamente grave. No dia 27 de setembro, o Japão havia firmado com a Alemanha e a Itália um tratado de aliança pelo qual as três potências totalitárias comprometiam-se a prestar ajuda militar total e mútua em caso de que alguma delas fosse atacada por um país que não se achasse empenhado na guerra européia ou no conflito sino-japonês. Esta cláusula estava abertamente dirigida contra os Estados Unidos.

A Inglaterra, por sua vez, havia conseguido rechaçar os ataques da Luftwaffe, mas achava-se agora com um problema que a ameaçava mortalmente: o bloqueio submarino. Semana após semana os submarinos alemães infligiam terríveis perdas nos comboios que transportavam alimentos, matérias-primas e armas para as Ilhas Britânicas. O Amirante Stark, chefe de operações navais dos Estados Unidos, calculava que os britânicos esgotariam suas reservas no prazo de seis meses, se a marinha americana não prestasse imediatamente ajuda aos seus comboios no Atlântico.

Nessas circunstâncias, Churchill dirigiu um dramático apelo a Roosevelt, solicitando o apoio dos Estados Unidos para manter abertas as rotas de abastecimento através do Atlântico. Roosevelt, que se encontrava em viagem pelo Caribe, regressou imediatamente a Washington e resolveu, junto com seu gabinete, estender a proteção aos comboios no Atlântico, ainda que isso implicasse em choque armado entre os navios da escolta americana e os submarinos alemães. Simultaneamente decidiu fornecer material bélico aos ingleses sem necessidade de pagamento em dinheiro por essa compra. Essa medida deu lugar à aprovação – em março de 1941 – da célebre lei de Empréstimos e Arrendamentos, cujos benefícios foram logo estendidos  aos países que se achavam em guerra contra as potências do Eixo.

A participação da marinha americana na batalha do Atlântico de lugar a uma série de violentas discussões entre Hitler e o Almirante Raeder, chefe da frota alemã. O ditador estava decidido a evitar a qualquer preço a entrada dos EUA na guerra, até que a Rússia tivesse sido invadida e derrotada pela Wehrmacht. Assim recusou  os insistentes pedidos de Raeder, para que autorizasse os submarinos a atacar os navios americanos. Roosevelt, entretanto, prosseguiu estendendo a proteção armada nas rotas do Atlântico. No dia 9 de julho de 1941 anunciou que tropas de seus país substituiriam as forças inglesas na defesa da Islândia. A Groelândia já tinha sido declarada parte integrante da zona de defesa continental americana.

Todas essas medidas podiam dar lugar a um choque que serviria de motivo para a intervenção dos Estados Unidos na guerra. Hitler, no entanto, manteve-se firme em sua decisão de não se deixar arrastar à luta até que tivesse conseguido derrotar a Rússia. Os incidentes, no entanto, multiplicaram-se, aumentando a tensão. No dia 4 de setembro um submarino alemão disparou dois torpedos contra o torpedeiro americano Greer, mas não o atingiu. Esse ataque levou Roosevelt a anunciar, no dia 11, que havia dado ordens à marinha e à aviação para que abrissem fogo sobre todos os navios do Eixo que fossem avistados em águas vitais para os interesses americanos.

No dia 13 de novembro, Hitler resolveu finalmente atender aos pedidos de Raeder e dos chefes da marinha e autorizou os submarinos a contra-atacar quando fossem agredidos. De fato, os submarinos alemães já tinham recorrido a essa política. No mês de outubro o torpedeiro Kearny foi avariado pelos torpedos de um submarino contra o qual havia lançado cargas de profundidade. Onze de seus tripulantes morreram. Foram esses os primeiros americanos mortos em combate contra a Alemanha na Segunda Guerra Mundial. Poucos dias depois, outro torpedeiro, o Reuben James, foi atingido e afundado. Assim, meses antes do ataque japonês contra Pearl Harbor. As forças navais dos Estados Unidos já haviam iniciado uma guerra “não declarada” contra a Alemanha.

 

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Adolfo Luna Neto – É filho do segundo-sargento Adolfo Luna Filho, portanto nada mais justo do que publicar a pesquisa do filho de um Guerreiro da FEB.

A Marinha de Guerra dos Aliados no Dia D.

A Marinha Real Britânica e a Marinha Americana tiveram um papel fundamental na maior operação anfíbia da Segunda Guerra Mundial, transportar e apoiar com fogo naval um contingente de mais de meio milhão de homens nos primeiros dias da Operação Overlord. E para tal operação, todo tipo de embarcação foi utilizada, desde Destroier até outras embarcações menores como CLI, CLVP, LCT e LCM, todas essas letrinhas representavam o transporte de tropas e de material, além de carros de combate e toda a logística de guerra necessária à tomada de posições fortemente defendidas. As cabeças-de-praia só poderiam ocorrer se a Marinha Americana e Inglesa pudessem bombardear pontos estratégicos específicos e dá apoio total aos setores de desembarque de tropas. Contudo problemas acorreram, principalmente na praia chamada Omahar, quando a U.S Navy despejou projéteis de 12 e 14 polegadas sobre topos de penhascos e por cima de casas matas que praticamente ficaram intactas nas primeiras ondas de desembarque, o que aumentou enormemente a resistência na tomada dessa praia.  Mas o pior ainda estava por vir, quando começou os desembarques a Marinha não poderia mais ajudar as tropas, pois corria o risco de atingir as suas próprias tropas. Sobre isso escreve o W.J. Marshall, comandante do destroier Satterlee:

“Era extremamente vexatório e deprimente permanecer ocioso a algumas centenas de metros das praias e observar as tropas, carros de combate, barcos de desembarques e veículos motorizados sendo pesadamente bombardeados e não poder disparar um tiro para ajuda-los, só porque não tínhamos informações sobre em quem atirar e éramos incapazes de detectar a fonte de fogo inimigo”. Stephen E. Ambrose – O Dia D – 06 junho 1944.

A Reintegração Social dos Ex-Combatentes da FEB – 46/88 – Parte II

Dando continuidade a publicação da excelente pesquisa sobre a reintegração social dos Ex-Combatentes, realizada magistralmente pelo Mestre Alessandro Santos, segue a segunda etapa. Para quem não acompanhou a primeira parte, clique no link abaixo:

A Reintegração Social dos Ex-Combatentes da FEB – 46/88 – Parte I

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CONTINUACAO

No momento em que se oficializou o retorno do efetivo da Força Expedicionária, a mesma já nem existia mais. Havia sido diluída através de decreto baixado quando ainda na Europa. Com atitudes como essa, tomadas de forma muito prematura naquele momento, uma das consequências foi a abertura de caminhos que poderiam conduzir a uma problemática social, situação essa que ainda era invisível e acabaria afetando uma grande parcela da população brasileira. Devido à forma como iniciou o processo de desmobilizar a FEB, ficariam as dúvidas acerca da representatividade que teriam, perante a sociedade, os ex-combatentes e, da mesma forma, como esses passariam a ser vistos pelo meio social. Tais atitudes dificultavam ainda mais uma ligação sólida entre ambas as partes, aumentando a possibilidade de ocorrerem fatos como a discriminação e isolamento.

Todo esse novo cenário, que teve início com a desmobilização, ainda em solo italiano. Configurou-se como algo que se posicionava contra o que idealizavam os vitoriosos combatentes. Estes tinham o anseio de não somente reencontrar suas famílias, mas restabelecer contato com seu povo. Esperavam uma recepção calorosa, o que de fato aconteceu, mas não esperavam que fosse tudo tão rápido. Queriam uma continuidade do reconhecimento e viver com dignidade, pois precisaram partir para o cenário da guerra, na Europa, arriscar suas próprias vidas em combate, e agora contavam com o reconhecimento público.

Contrariando as orientações realizadas pelos norte-americanos, foi efetivada uma desmobilização rápida, sem preocupações básicas, como por exemplo, ter uma legislação específica que oportunizasse uma preparação para um restabelecimento em meio à sociedade, capacitando estes novos cidadãos a, novamente, sintonizarem-se com o seu meio social. As orientações dos norte-americanos eram a de se manter a FEB como tropa de ocupação ou, pelo menos, como alavanca pra a modernização do exército brasileiro.

Como consequência dessas decisões, tomadas de forma precipitada e sem cautela, os ex-combatentes ficaram sem uma estrutura para se readaptar. A brutalidade de uma guerra possivelmente pode acabar interferindo no sistema nervoso do ser humano, principalmente em sua dimensão psicológica. O desamparo que vai acabar ocorrendo, principalmente por parte das autoridades político-militares, traz problemas de efeito “cascata”. Inicia afetando os ex-combatentes; posteriormente, familiares e amigos, que convivem de forma direta com os mesmos; e, por final, traz prejuízos incalculáveis para a sociedade e, finalmente, até mesmo para a memória historiográfica.

Após a desmobilização, algumas medidas começam a ser adotadas na tentativa de minimizar as dificuldades sociais, pelas quais estavam passando os ex-componentes da FEB. No ano de 1946 é editada a primeira lei de amparo, a qual procura atender, primeiramente, aqueles que ficaram mutilados nos campos de batalha. Ainda, na década de 1940, outras leis foram criadas, seguindo pelas décadas subsequentes. Porém, a legislação será um assunto abordado à parte, especificamente em um capítulo dessa pesquisa.

Com essa legislação a situação dos ex-combatentes começa a ser minimizada, embora tardiamente, inicia-se um processo demorado para reparar os prejuízos causados aos ex-militares e seus familiares. Existiram alguns entraves, o que fez a aplicação dessa leis sofrerem de lentidão. O principal motivo que levava as leis demorarem em ser votadas e aprovadas era a constante solicitação daqueles militares que, em nada tinham a ver com o episódio da Segunda Guerra Mundial, em querer receber os mesmos benefícios.

Com a dificuldade encontrada pelos ex-febianos para se restabelecer dentro da sociedade, de se reintegrar ao meio social, ao longo das décadas inicia-se um processo de aproximação com as Forças Armadas, de forma especial com o exército, fato que se explica por ser desse o maior efetivo de componentes. Essa proximidade, ocorrida entre ambos os lados, fazia com que houvesse uma fusão de idéias, “onde era referir-se aos pracinhas e ao Exército como se fossem uma coisa só.” [1]

Alguns esclarecimentos se fazem necessários. Essa dissertação, em seu título, privilegia o termo FEB, referindo-se a todos aqueles que participaram de forma efetiva do Teatro de Operações na Itália, de uma forma generalizada, como sendo parte da Força Expedicionária Brasileira, por assim termos essa compreensão. Porém, o efetivo em seu número maciço era da Força Expedicionária, tendo ainda o Grupo de Aviação de Caça da Força Aérea Brasileira e do Corpo de Enfermeiras. Esses dois últimos possuíam um número de componente bastante reduzido, fato que não diminui de importância sua participação, pois vivenciaram o mesmo momento e processo histórico, partilharam das mesmas dificuldades e tensões. Todos os grupos citados reúnem-se nas mesmas associações, sem usar de distinções de unidades e subunidades a que fizeram parte. Para referir-me aos grupos citados acima utilizarei os termos, ex – combatentes, ex – febianos, ex – expedicionários e veteranos. Para referir-me ao conjunto de componentes utilizarei Força Expedicionária, Força Expedicionária Brasileira e FEB.

No primeiro capítulo abordarei a criação da Força Expedicionária Brasileira, procurando relatar sobre a seleção e os apadrinhamentos, isto é, as atitudes tomadas para que determinado militar, mesmo sendo convocado, conseguisse criar mecanismos para não participar do efetivo que partiria para a Itália. Farei uma análise de como foi a partida da FEB e a chegada, após singrar o mar até a Europa. As tropas brasileiras conduziram materiais de baixa qualidade, ocorrendo, dessa forma, um reaparelhamento procedido pelos norte-americanos, ou seja, uma “americanização” da Força Expedicionária. Faremos uma abordagem sobre as grandes dificuldades enfrentadas para que houvesse uma adaptação ao novo cenário que se apresentava as superações ocorridas devido à determinação dos soldados brasileiros. Abordaremos, ainda, sobre alguns tipos de facilidades proporcionadas no Teatro de Operações, fato que, em algumas obras são negadas, principalmente naquelas de cunho militar e que foram pesquisas realizadas por oficiais do alto-escalão. Em outras análises referentes à historicidade da FEB, existem pesquisas que não aprofundam muito o assunto.

Esse aspecto não será tratado de forma depreciativa, com o intuito de denegrir ou desvalorizar a participação do efetivo expedicionário, ao contrário, tem por objetivo destacar alguns pontos sensíveis do campo de batalha que, por falta de esclarecimento oportuno na época, fez com que a sociedade, em alguns momentos, tivesse uma visão distorcida levando a comentários infundados. Ainda, analisarei como foi o retorno, momento tão esperado por todos que participaram, de forma efetiva, nos campos de batalha e como se desencadeou a receptividade organizada no país.

No segundo capítulo será abordado, de forma específica, a reintegração social dos ex-combatentes. Procuraremos analisar a problemática social gerada com a desmobilização que foi executada de maneira rápida e sem um planejamento mínimo. Os ex-integrantes da Força Expedicionária sofreram uma forte decepção ao se deparar com a realidade que, de uma hora pra outra, lhes foi imposta, nascendo um sentimento de abandono por parte do Estado e por parte da sociedade. Essa última agiu dessa forma principalmente por não ter sido preparada pelas autoridades para acolher seus heróis de guerra.

Uma luta pior do que aquela enfrentada nos dias e noites gélidos dos Apeninos, na Itália, estava por vir. Iniciaram-se as novas lutas, verdadeiras batalhas, agora em solo pátrio, para que se recebesse, no mínimo, o reconhecimento. Passaram a ser discriminados dentro da sociedade, que isolava e rotulava aqueles que estiveram em frente de combate, afirmando que haviam se tornado perturbados mentais. Mesmo aqueles que conseguiram voltar para seus lares, suas famílias e amigos, enfrentaram grandes dificuldades em se readaptar sem um tratamento psicológico adequado. Esses aspectos citados acima serão trabalhados de forma detalhada em subtítulos, tentando trazer a luz a realidade vivenciada pelos ex-combatentes.

No terceiro capítulo, será abordado, de forma específica, a busca constante que durou décadas, pelos amparos, por leis que assegurassem o mínimo de dignidade aos ex-combatentes e seus familiares. Amparos esses que foram tardiamente aplicados, agravando a precária condição social que grande número de ex-febianos, que ainda estavam vivos, vivenciavam. As legislações criadas, muitas vezes demoravam décadas para chegar e atender aqueles que se encontravam deslocados, morando em regiões afastadas dos grandes centros. Esse aspecto será abordado de forma mais profunda.

Muitos desses ex-componentes da FEB já haviam ido a óbito ou viviam em situação de pedintes, numa condição lamentável à margem da sociedade, verdadeiros mendigos, vivendo de restos, de sobras, quando as leis foram sancionadas. Será, ainda, realizada uma análise sobre entidades e instituições que foram criadas pelo Estado para dar amparo e levantar fundos para os ex-combatentes e sua famílias, os quais passavam por uma dificuldade extrema e careciam de toda ajuda possível. Além das entidades, os próprios estados, municípios, aos quais pertenciam os ex-integrantes da Força Expedicionária, procuravam dentro de suas possibilidades, oferecer benefícios que pudessem minimizar suas precárias condições sociais. Os aspectos sobre as entidades serão abordados, de forma mais detalhada, em subtítulo exclusivo, que procurará esclarecer em que pontos contribuíram para minimizar o problema social gerado e se foi de forma positiva ou negativa.

As fontes orais utilizadas nessa pesquisa, com ex-integrantes da Força Expedicionária Brasileira, serão trabalhadas no sentido de trazer informações inéditas, que auxiliem na compreensão das dificuldades enfrentadas no momento da reintegração social. Essas entrevistas não ficaram limitadas somente a esse aspecto, mas ilustrarão outros momentos, como a organização do efetivo expedicionário, participação efetiva nos campos de batalha, as adversidades enfrentadas e superações, trazendo um aspecto inédito, como as facilidades proporcionadas pela guerra, mesmo não sendo esse o tema central da pesquisa. Essas informações trarão grande enriquecimento em detalhes, a fim de contribuir para uma melhor compreensão desse momento da história militar brasileira, qual seja a participação no episódio da Segunda Grande Guerra Mundial, agregando informações inéditas coletadas junto aos ex-combatentes.

Visando facilitar a compreensão e a leitura dessa pesquisa, por parte daqueles que possuem pouco contato com denominações militares, algumas delas usadas nesse trabalho, farei um breve resumo da composição da Força Expedicionária Brasileira. A apresentação dessa forma organizacional tem a finalidade de passar a idéia de como foi distribuído esse efetivo. A FEB, seguindo as novas doutrinas norte – americanas e se adequando a ela, teve participação efetiva com uma divisão de exército, foi composta de vários tipos de unidades, que cumpriam finalidades específicas, auxiliando umas as outras no cumprimento de missões no campo de batalha. As unidades mais citadas são os Regimentos de Infantaria, pelo fato de que essa estrutura foi a que melhor se adaptava ao terreno em que haveria a participação brasileira, como explicado por Francisco César Alves Ferraz[2]:

 A estrutura da FEB era “ternária”, ou seja, cada unidade dividia-se em três menores, que se dividiam em outras três menores e, assim, sucessivamente, até chegarmos aos Grupos de Combate. Esta é a unidade básica, formada por 13 homens, sendo 11 soldados, um cabo e um sargento, que o comanda. Um pelotão é composto por três Grupos de Combate, que soma 41 homens, comandados por um tenente e tendo como auxiliar direto um segundo sargento, a praça mais antiga, ocupando a função de adjunto. Três Pelotões de fuzileiros e mais um Pelotão de Petrechos Leves (morteiros e metralhadoras leves) compõem uma Companhia (193 homens), comandada por um capitão. Três Companhias de fuzileiros e mais uma Companhia de Petrechos Pesados (com 166 homens, possui dotação de metralhadoras e morteiros pesados, de maior calibre) formam um Batalhão (871 homens), comandado por um major. Três Batalhões constituem um Regimento de Infantaria (R. I.), que possui 3.256 homens e é comandado por um coronel. Dessa forma, os três Regimentos que compuseram a FEB formaram a Infantaria de sua Divisão. Mesmo que cada unidade abrigasse soldados de todos os Estados brasileiros, era maior a concentração de soldados de sua sede. Assim, o 1º R. I., com sede no Rio de Janeiro, concentrou mais expedicionários cariocas e fluminenses. O 6º R. I., com sede em Caçapava, São Paulo, reuniu mais paulistas. O 11º R. I., com sede em São João Del Rei, Minas Gerais, teve a maior concentração de mineiros. A composição da Artilharia era de quatro Grupos de Obuses, três dos quais com 12 canhões de 105mm e um, com 12 canhões de 155mm. Um Grupo de Obuses era dividido em três baterias, de quatro canhões. A Artilharia tinha como auxiliar, o Esquadrão de Ligação e Observação, que usava aviões pequenos e frágeis para monitorar, por via aérea, os alvos a serem atingidos pela Artilharia. O Batalhão de Engenharia, o Batalhão de Saúde, o Esquadrão de Reconhecimento (possuía 13 carros blindados (sobre rodas) e 5 carros de meia-lagarta, tendo como comandante um capitão, eram unidades e subunidades que completavam o quadro operacional. Outras companhias como de Transmissões, de Manutenção, de Intendência e de Polícia, além daquela destinada ao Quartel General da Divisão, faziam parte. Pequenas unidades e quadros completavam a FEB, como os capelães militares, os componentes do Pelotão de Sepultamento, os padioleiros, a Justiça Militar, a Banda de Música e a agência do Banco do Brasil.

BIBLIOGRAFIA

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CABRAL, F. Um batalhão no Monte Castelo. São Paulo, 1982. Tese (Doutorado em História), Universidade de São Paulo

FERRAZ, Francisco César Alves. A guerra que não acabou: a reintegração social dos veteranos da Força Expedicionária Brasileira (1945-2000). Tese de doutorado. São Paulo, 2003.

FERRAZ, F. C. A. O Brasil na guerra: um estudo de memória escolar. Comunicação apresentada no IV Encontro Perspectiva do Ensino de História. Ouro Preto. Universidade Federal de Ouro Preto, 24 de abril de 2001. Anais da ANPOC.

LINS, M de L. F. A Força Expedicionária Brasileira: uma tentativa de interpretação. São Paulo, 1972. Dissertação (Mestrado em História) Universidade de São Paulo (publicada em 1975 pela Editora Unidas de São Paulo).

MASCARENHAS DE MORAES, João Batista. A FEB pelo seu Comandante. São Paulo: Instituto Progresso Editorial, 1947.

NASS, Sirlei de Fátima. Legião Paranaense do Expedicionário: indagações sobre a reintegração social dos febianos paranaenses (1943-1951). Dissertação – UFPR, 2005.

OLIVEIRA, D. História e memória entre ex-combatentes: o caso da Força Expedicionária Brasileira (1943-2000).

RIBEIRO, P. da S. As batalhas da memória: uma história da memória dos ex-combatentes brasileiros. Niterói, 1999. Dissertação (Mestrado em História): Instituto de Ciências Humanas e Filosofia, Universidade Federal Fluminense.

SALUM, A. O. Zé Carioca vai à Guerra. São Paulo, 1996. Dissertação (Mestrado em História) Pontifícia Universidade Católica.


[1] FERRAZ, F. C. A. A guerra que não acabou… op. cit. p. 09.

[2] FERRAZ, Francisco César Aves. A Guerra que não acabou… op. cit. 10-11; BONALUME NETO, Ricardo. A nossa Segunda Guerra: os brasileiros em combate, 1942-1945. Rio de Janeiro: Expressão e Cultura, 1995, p. 134-135; e MASCARENHAS DE MORAES, João Batista. A FEB pelo seu Comandante. São Paulo: Instituto Progresso Editorial, 1947, p. 263-264.