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Contingência de Guerra? Ou Desumanização Pura e Simples?
Uma guerra, sempre será uma guerra! As vezes ela existe, mas não é declarada. Seja de qualquer forma produz frutos terríveis. Atualmente a guerra moderna muitas vezes não são exércitos contra exércitos, mas na Segunda Guerra Mundial ficava claro, praticamente em todos os casos, quem era o inimigo e quem era apenas um inocente; quem era beligerante e quem neutro. No âmbito humano, a primeira característica de uma guerra é exatamente a desumanização dos combatentes, é o que muitos chamam de “perder a alma”, é quando a morte é algo corriqueiro e sem valor, que faz parte da guerra! É o que dizem!
Infelizmente mais de 70 anos depois da Segunda Guerra Mundial ainda é uma máxima no contexto militar, contudo a observância da proteção civis inocente também consta no código de conduta de qualquer exército. Mas, infelizmente nem todos respeitam ou respeitaram. Ainda precisamos evoluir, e muito!
Warsaw, 14 de setembro de 1939
Uma sequencia de fotos tirada por Julien Bryen, fotográfo, cinegrafista e documentarista americano.
Ele relata o seguinte:
“Sete mulheres estavam plantando batatas em um campo. Não havia comida em sua região, e elas estavam desesperadas por comida. De repente dois aviões alemães apareceram do nada e lançaram duas bombas aos duzentos metros de distância, em uma pequena casa. Duas mulheres na casa foram mortas. As agricultoras de batatas se jogaram no chã, não esperança de passarem despercebidas. Depois do bombardeio as mulheres retornaram ao trabalho. Elas precisavam de comida. Mas os pilotos nazistas não estavam satisfeitos com o trabalho. Em alguns minutos eles estavam voltando e mergulhando novamente para um novo ataque, desta vez limpando o campo com rajadas de metralhadora. Duas das sete mulheres que estavam no campo foram mortas. As outras cinco escaparam por pouco.
Enquanto eu fotografava os corpos, um pequena garota, aproximadamente dez anos, corria transtornada em direção ao corpo de sua irmã mais velha. A criança nunca tinha visto a morte e não entendia porque sua irmã não respondia a ela…
A criança nos olhava desnorteada. E joguei meus braços sobre ela e segurei-a firme, tentando confortá-la. Ela chorava. Eu confortava-a com dois oficiais poloneses que me acompanhavam.”
A Hora H – Parte VIII
Quando os bravos caem, quando a morte chega, quando a covardia aflora e o medo atinge. Essa é a hora H! Não há homem que não saiba essa hora; não há soldado que não se assombre neste momento. Essa é a HORA H:
O Cemitério Militar de Pistóia e o Último dos Brasileiros Morto na Itália
O quanto uma nação pode contemplar tanto descaso histórico ao ponto de ignorar escandalosamente o sacrifício de gerações passadas? Quem somos afinal? Que nação o Brasil irá se tornar se continuamos a vivenciar o descaso com brasileiros que deram suas vidas para forjar esse país? Muito pior, quando observamos que o descaso governamental se baseia em argumentação ideológica destrutiva de nossa própria identidade como povo, que se orgulha em cantar “Mas, se ergues da justiça a clava forte, Verás que um filho teu não foge à luta,!”.
Segundo o pensamento científico o que move a humanidade são as perguntas e não as respostas, mas neste caso, as perguntas estão sem respostas década após décadas.
Pistóia foi a cidade que acolheu os corpos dos brasileiros que deram sua vida pelo seu país. Isso mesmo, eles deram a vida pelo seu país, pois foi o Brasil que os enviou! Para lutarem e morrerem na Itália. Todos brasileiros! Todos nascidos em diversas regiões do país que, deixando suas famílias e suas vidas, partiram para lutar a Segunda Guerra Mundial ostentando a Bandeira do Brasil e de lá só retornaram a sua terra natal, em 22 de dezembro em cotejo fúnebre para repousar eternamente no Monumento aos Mortos da Segunda Guerra Mundial e para repousarem na memória dos brasileiros que nem mesmo entendem que a bela construção arquitetônica no Aterro do Flamengo guarda os restos mortais de brasileiros natos, bravos e que honram a frase: “ Nem teme, quem te adora, a própria morte.” , enquanto deixamos a desejar como nação: “ Dos filhos deste solo és mãe gentil…“
O MONUMENTO VOTIVO MILITAR BRASILEIRO DE PISTÓIA
Depois de quase 5 anos em que o terreno do antigo Cemitério foi deixado repousar para permitir a drenagem da terra, foram começados os trabalhos para a construção do Monumento. Neste meio tempo muito grande foi a tarefa diplomática para conseguir os recursos e as autorizações necessárias para conseguir realizar o Monumento Votivo do Cemitério Militar Brasileiro. Foi o filho do então Embaixador Francisco D’Alamo Lousada, Engº Dr. Carlos Eduardo, que realizou uma grande opera de persuasão junto as personalidades e Autoridades do Governo e ao Ministro das Relações Exteriores Juracy Magalhães, vencendo inúmeras dificuldades para conseguir recursos governamentais. O Monumento foi projeto do Arquiteto Olavo Redig de Campos, discípulo do projetista de Brasília Oscar Niemayer, auxiliado pelo Engenheiro italiano Luigi Cafiero na realização que foi executada pela firma Zarri. A inauguração aconteceu em 7 de junho de 1966, na presença das mais altas Autoridades brasileiras, com destaque para S. E. Francisco D’Alamo Lousada, Embaixador junto ao Governo italiano em Roma, o Embaixador junto à Santa Sé Henrique de Souza Gomes, o General do Exército brasileiro Floriano de Lima Brayner, chefe da delegação especial das Forças Armadas brasileiras. Também as Autoridades italianas prestigiaram a cerimônia sendo presentes, entre outros o Ministro das Relações Exteriores, o subsecretário da Defesa ,o Prefeito de Pistóia, o Bispo da diocese de Pistóia, além de inúmeros representantes das Forças Armadas italianas.
Varias simbolizais caracterizam o Monumento, como muito bem explicado na entrada onde em duas colunas em base triangular são gravadas as palavras:
A TERRA
A terra de sepultura
É terra sagrada
Na Itália o campo-santo
É a terra intocável
Do antigo cemitério
E lá continua agreste
Como antes
Sagrada pelo “Sangue dos heróis”
A CRUZ
A cruz toma posse do terreno
Fixa seus limites
Consagra seu destino
São as linhas brancas
Da enorme cruz
Que marcam o lugar para sempre
Ao altar de Deus
Se ascende pelo pé da cruz
Os braços se abrem
Em verdes campos
De esperança e fé
O SACRIFÍCIO
Ao centro da cruz
Está o altar de Deus
Pelo sacrifício do altar
Os mortos se elevam
À glória de Deus
Aqui domina a vertical
As colunas elevam o pálio
Bem alto
A ÁGUA
O horizonte é o perfil da terra
Da terra que recebe os mortos
Para o descanso eterno
É a linha horizontal
Do longo espelho d’água
Serena, estática
Como as coisas acabadas
Como um cálice
A PEDRA
A pedra é símbolo da resistência
A pedra é tenaz
A pedra é dura
O muro de pedra guarda
Gravados para sempre
Os nomes gloriosos
E a memória dos vivos
Os nomes emergem
Das águas tranqüilas
As águas refletem os nomes no céu
É a gloria dos heróis
A GLÓRIA
Para ascender à gloria dos mortos
Um longo caminho
Em meio às pedras
O caminho das batalhas vencidas
O das vitorias
Alcançadas no sacrifício
O nome de Monte Castelo
E tantos outros
Gravados no chão de pedra
Reúnem a longa caminhada
De nossos irmãos
O RESPEITO
A presença dos vivos
É marcada pelo respeito
Um lugar apartado
Para a glorificação
Na contemplação
À direita do altar
No lugar de honra
A Bandeira do Brasil
E a gratidão da pátria.
Olavo Redig de Campos
ESTA TERRA SAGRADA FOI SEPULTURA DOS SOLDADOS BRASILEIROS MORTOS NO CAMPO DE HONRA PELA DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA. SEUS NOMES ESTÃO GRAVADOS NESTA PEDRA PARA ETERNA MEMÓRIA DOS HOMENS
A atender as visitas desde o 1947 foi o Sr. Miguel Pereira, integrante da FEB que teve a honra de ficar como guardião, recebendo inúmeras importantes visitas (passaram até dois Presidentes do Brasil) e sem poupar esforços, ao longo dos anos, recuperou boa parte dos extraviados, bem como os contatos com as Prefeituras dos locais onde os soldados brasileiros atuaram, estreitando ainda mais as relações entre os dois países. Falecido em fevereiro de 2003 deixou ao filho a tarefa de continuar a “missão” de cuidar deste singelo lugar onde Historia, Honra e Glória estão de mãos dadas, num cartão postal que fala num conjunto único das qualidades humanas do povo do Brasil.
Mário Pereira
Administrador Monumento Votivo Militar Brasileiro
Último dos Brasileiros
Foi no fim da mesma cerimônia que um idoso da cidade de Montese – onde aconteceu uma das mais duras batalhas – declarou conhecer o local onde um brasileiro estava ainda sepulto. Depois de um ano de pesquisa, o Guardião do Monumento, Miguel Pereira, conseguiu localizar os restos exatamente no local indicado, achando provas que não deixavam dúvidas quanto à nacionalidade dos restos e sim sobre a identidade certa de quem podia ser o corpo, entre os ainda 15 desaparecidos. A decisão de deixá-lo repousar no Monumento, enquanto Desconhecido, e então representando todos os irmãos tombados no cumprimento do Dever, transformou o local – de fato – num Sacrário.

Autoridades administrativas, judiciárias e policiais da Comuna de Montese e da Província de Módena assistem à entrega da urna do “Pracinha de Montese”, às autoridades brasileiras, no Cemitério de Montese. O Subtenente Miguel Pereira, da Reserva do Exército, ex-Expedicionário, encarregado da Conservação do Monumento de Pistóia, conduzirá a urna ao seu destino definitivo. Montese 30/5/1966
É necessário que se faça menção ao trabalho do Arquivo Histórico do Exército (AHEX). Um oásis para os pesquisadores do período. Mantém um acervo maravilhoso e também disponibiliza material ONLINE (www.ahex.ensino.eb.br). Temos que divulgar!
O Infante Brasileiro na Campanha de Inverno
Crônica publicada no Correio da Manhã, assinado apenas como “Veterano”, de janeiro de 1945. Esta publicação visa abranger o entendimento sobre questões que ainda geram dúvida em muitos brasileiros sobre o papel do soldado da FEB na Campanha da Itália. Não por acaso, a concepção errônea sobre o valor do nosso soldado na campanha da Itália se encerra quando o brasileiro é apontado com um especialista em patrulhas, mesmo depois das fracassadas investidas em Castello, em novembro e dezembro de 1944. A contrário do que se possa imaginar, para uma soldado nascido e criado nos trópicos, muitos, inclusive, oriundos dos escaldantes sertões nordestino, combateram com destemor com pequenas frações sob temperaturas que chegavam a 20 graus abaixo de zero em algumas regiões no norte da Itália. O soldado brasileiro esteve na vanguarda do setor do Quinto Exército em toda a campanha da Itália, desde que chegou ao Teatro de Operações. Como diz o artigo abaixo: “O Soldado Brasileiro é lutador e Bravo na sua aparente frouxidão…”
O Infante Brasileiro na Campanha de Inverno
Vi a primeira nevada cair na noite de Natal e logo pensei nos soldados. Pensei em todos, mas principalmente no infante. O infante do Brasil! Muitos se têm admirado dele. Eu confesso que não me surpreendeu. O infante do Brasil das campanhas platinas e dos chacos do Paraguai era exatamente como é o infante que combate na Itália. O valor deste infante está imortalizado na História Militar do Brasil. O valor dele nós conhecemos de sobra no país, sempre que é chamado a lutar. Não foi aqui na Itália que ele se revelou. O brasileiro é o homem que ninguém dá nada por ele; ele mesmo não se dá muito valor. O brasileiro é assim – por natureza – lutador e bravo na sua aparente frouxidão. Saiu do Brasil com os ouvidos cheios. O Alemão é o primeiro soldado do mundo. Viu o alemão pela frente e topou. Viu a neve e topou. Topou de cara. Topa tudo! Defendendo-se do frio – 17 graus negativos – lançando mão de todos os recursos de sua imaginação. Perfeitamente equipado para a campanha de inverno, então fica um número. Com uma bota de “pé de pato” e, na cabeça um gorro astrakan, visto no reflexo da neve, parece até um explorador polar. A guerra não para porque as planícies e as montanhas e os rios se transformam em gelo. Há máquinas gigantescas para desimpedir os caminhos. A engenharia trabalha dia e noite sob tempestades de neve para que o infante possa passar. o seu irmão artilheiro está atento, para ajudar e apoiar. a guerra não pára, não pode parar por causa do frio. O alemão está lá em cima. Domina as estradas, impede a passagem – precisa ser desalojado – e será desalojado. . Mais cedo ou mais tarde terá ceder. O General Mascarenhas de Morais acaba de consagrar um louvor especial à infantaria em uma ordem do dia. “A arma”, diz ele, “do sacrifício, a arma em que a têmpera do guerreiro é posta à prova a todo momento, a arma que não admite no seu meio os tíbios, os desalentados, os incrédulo, a arma que exige a manifestação viril da nossa raça por uma causa que é a reabilitação do mundo escravizado”
Acrescenta o comandante da FEB: “sei que a brava gente de infantaria tem um chefe experimentado em ações de combate – General Zenóbio da Costa – cujo o lema é “para frente, custe o que custar!” Acompanhei as ações da Infantaria primeiramente no Vale do Serchio, e por último no seu atual setor , lançando-se impetuosamente, em condições desfavoráveis, num terreno hostil, contra alemães poderosamente defendidos e mascarados, no Monte Castello. Claro que a FEB desempenha uma parte do esforço do Quinto Exército, e até agora nunca deixou de cumprir, dentro das possibilidades, as missões que lhe foram designadas. não tenho dúvida de que a Infantaria de SAMPAIO irá para a frente, custe o que custas!”.
Marselha, Reduto da Resistência que Pagou o Seu Preço
Como citado no post anterior, a Alemanha contava em janeiro de 1943 com praticamente todo o domínio da Europa Continental. Neste mesmo ano, a frente oriental consumia ainda mais recursos humanos e de material, a virada em Stanligrado estava próxima. Mas Hitler tinha um problema sério com seus domínios territoriais, o aumento dos movimentos de resistência. Na França, esses movimentos financiavam operações que atacavam a infraestrutura utilizada pelos alemães. Em contrapartida, as ações para desmantelar esses movimentos se tornavam cada vez mais violentos.
Na cidade medieval de Marselha, nos dias 22, 23 e 24 janeiro de 1943, ocorreu uma grande operação contra a resistência francesa. O centro antigo da cidade com suas características ruas estreitas e vielas por toda parte, era considerado um reduto da resistência. A operação militar apoiada pela polícia francesa e tropas nazistas identificou cerca de 40.000 pessoas no antigo porto da cidade, deportou 2.000 judeus e obrigou a mudança de 30.000 residentes no local. O bairro foi destruído.
No pós-guerra os governos da Alemanha Oriental, Alemanha Ocidental e Itália pagaram enormes reparações, acrescidas de juros, para indenizar civis mortos, feridos ou que ficaram sem-teto ou indigentes como consequência da guerra, e para a reconstrução da cidade.
A deportação ocorreu inicialmente para um campo em Fréjus e posteriormente para o Camp de Royallieu, que era uma campo de trânsito para os deportados antes para os Campos de Concentração.
Baterias de Costa e a Guerra Estática da Alemanha
Quando a França caiu em 23 de junho de 1940, a Alemanha subjugava grande parte da Europa Continental. Os domínios do Reich chegavam ao auge e um Exército de ocupação seria crucial para a manutenção do domínio alemão. Esse Exército, deveria, além de manter o controle interno dos inimigos do Reich, também deveria estar preparados para um possível ataque das nações inimigas. Quando a frente oriental foi aberta e uma nova fase da guerra se voltava para uma possível invasão da França, ergueu-se a mais conhecida fortificação estática da Segunda Guerra Mundial, a Muralha do Atlântico. Um conjunto de fortificações que se estendiam dos Países Baixos até as costas normandas. A propaganda de Goebbels classificava a Muralha com instransponível e inexorável. Mas não resistiu a primeira inspeção de Rommel. Que a chamou de enganação, e só servia de propaganda.
A Wehrmacht, no final de 1943, estava agora atrás da Muralha fazendo uma guerra estática, parecido com as trincheiras da Grande Guerra, aguardando um movimento do inimigo. Ou melhor, o próprio sistema de defesa estático da Alemanha era tão complicado quanto a diversidade de unidades militares estacionadas pela França. As Baterias Costeiras estavam subordinadas a Kriegsmarine , mas até iniciar os desembarques de tropas inimigas, a partir deste momento, a subordinação passaria a Wehrmacht, que deveria impedir exatamente a consolidação de pressionar o inimigo de volta para o mar.
Essa complicação de subordinação também se dava para as unidades Panzers que só podiam ser acionadas por ordem direta de Hitler, ou seja, Rommel deveria contra-atacar, mas sem contar com as Unidades de Blindados, exceto se solicitasse em tempo para que eles fossem deslocados.
Um dos grandes fatores de preocupação para Rundstedt e Rommel era o poderio naval dos aliados, por isso as fortificações costeiras foram construídas com uma proteção de concreto reforçado e dispostos de tal forma que resistissem a projéteis diretamente. Essas Baterias de Costas estavam prontas para atacar embarcações e tropas que chegasse às praias por elas protegidas. A proteção funcionou no Dia D. A maioria dos que lutaram nos Bunkers e Fortificações nas praias que desembarcaram inimigos, estavam vivos depois dos bombardeios navais e aéreos. Estavam surdos, mas vivos!
Vamos verificar como estas baterias funcionavam e o que restou delas no Dia D.
Melhores das Melhores Fotos da Segunda Guerra
Publicamos algum tempo fotografias coloridas da Segunda Guerra, mas nada comparada a essa galeria, pois a naturalidade das fotografias nos coloca como se a cena se desenvolvesse a nossa frente, neste exato momento. Uma viagem de volta no tempo.
Fernando de Noronha – Estratégico – Parte I
Há muito tempo sabemos que a História do Brasil é muito mais do que os livros didáticos tendenciosos contam. No contexto geral, somos muitas vezes indignos de nossa própria História. Isso é uma observação muito séria. Uma boa prova disto é um fato presenciado durante o II Seminário sobre a participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial que nos deixa envergonhado não apenas como um entusiasta da História de nosso país, mas principalmente como brasileiro. Sempre pontuei como menosprezada a participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial, mesmo sendo uma participação pequena no contexto de uma guerra total, mas importante para nossa identidade nacional, pois os caminhos políticos e diplomáticos escolhidos naquele período atingiram diretamente o cotidiano do cidadão comum e, muito além disso, as vidas de milhares de brasileiros que sucumbiram no mar e na Itália, sangue nacional derramado. É como se nada disso importasse para nossos “gestores educacionais”.
Contudo um caso tão gritante, novo e inusitado se apresentou para nós. A História de Fernando de Noronha. Isso mesmo, esse arquipélago que fica a 380Km da costa do Brasil é um pedaço da soberania estratégica do nosso país; parte da nossa História que não é estudada pelos brasileiros, que não chega as nossos filhos. Quem conhece Fernando de Noronha? É óbvio que todos conhecem o paraíso turístico que atrai 60 mil visitantes por ano! Mas quem conhece a História além do paraíso ecológico? Ou quem já viu algum livro didático brasileiro fornecendo informações sobre a história das ilhas? Sabe por quê? Por que Fernando de Noronha sempre foi militarizada ou reduto de indesejáveis políticos e criminosos comuns, sendo fortificada e utilizada quando o país passou a ser alvo de nações inimigas, sendo sistematicamente ocupado por portugueses, ingleses, franceses, holandeses e americanos. E qual o interesse de se estudar a formação de um arquipélago com essa característica em um sistema de ensino com forte tendência ideológica e de interesse político? A própria história do arquipélago explica os diversos momentos políticos e sociais que o Brasil passou. Durante o período da Segunda Guerra, por exemplo, Fernando de Noronha esteve no foco das negociações de cessão de bases para os americanos. O paraíso brasileiro recebeu Baterias Antiaéreas e Artilharia de Costa. O objetivo principal era a primeira defesa contra uma possível invasão ao território brasileiro. E uma base americana inteira se instalou na ilha principal. De certo um Batalhão de Caçadores também foi instalado e não foram poucos os pracinhas nordestinos que antes de compor a Força Expedicionária Brasileira atuaram no Arquipelágo incorporados ao 30º Batalhão de Caçadores.
Para que possamos lançar luz sobre a história desse território e não nos conformarmos com a omissão com que nossos “gestores educacionais” tratam nossas bens imateriais e materiais, vamos começar a divulgar amplamente uma série de estudos históricos realizados pelos pesquisadores do próprio arquipélago, entre eles a Historiadora do Distrito de Fernando de Noronha Grazielle Rodrigues do Nascimento. Esse é apenas um, entre os muitos legados deixados pelo II Seminário Nacional Sobre a Participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial. Vamos em frente que a batalha está começando e a guerra é longa e difícil…
Fonte das fotos históricas: Historiadora Grazielle Rodrigues
CPOR/Recife – 80 Anos Formando Líderes
Uma das instituições mais prestigiadas do Exército Brasileiro e uma das mais tradicionais organizações militares do Estado de Pernambuco, o Centro de Preparação de Oficiais da Reserva do Recife (CPOR/R) é muito mais do que um aquartelamento localizado no tradicional bairro de Casa Forte. Sua existência é motivo que orgulha a sociedade pernambucana há 80 anos. Guardiã dos valores e do espírito de liderança que se consolidar através da formação de jovens que, em tempo de guerra, são forjados para serem comandantes de frações, e em tempo de paz, exercem a sua liderança na sociedade civil.
O CPOR/Recife é parte integrante da História de Pernambuco desde 1933, sendo protagonista, a partir de então, dos desdobramentos políticos e sociais do Estado. Durante a Segunda Guerra Mundial formou, capacitou e enviou militares para compor a Força Expedicionária Brasileira e os demais efetivos para guarnecer o litoral nordestino.
Por todo o peso histórico, importância e brilhantismo impoluto com que o CPOR/Recife tem se estabelecido em Pernambuco, muito orgulha o seu POVO em poder confirmar: Este é o nosso CPOR do Recife – 80 Anos Formando Líderes
Um Excelente e Maravilhoso Evento
O II Seminário Nacional Sobre a Participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial encerrou as atividades do segundo dia. Os assuntos abordados até o presente momento, deixam claro o quanto ainda temos que lutar para o reconhecimento histórico da importância do saliente do nordeste para o Atlântico Sul, e com essa mesma importância está sendo evidenciada nos dias de hoje.
Professores, mestres e doutores se revezaram para expor as diversas visões historiográficas e permitiu que os participantes do Seminário pudessem entender as diversas perspectivas da nossa própria Segunda Guerra.
O evento também contou com a participação de veteranos da Força Expedicionária Brasileira e de ex-combatentes que estiveram defendendo o litoral nordestino.
Hoje (16/10), o espaço será para comunicações (excelentes, por sinal) e amanhã (17/10) iniciaremos as visitas aos locais remanescentes da Segunda Guerra Mundial por Recife.
Quando a Estupidez Humana Alcança as Crianças
Quando o fim da guerra chegou na Alemanha, as forças soviéticas que atacam implacavelmente Berlim desde 21 de abril de 1945 tinham uma missão: achar Hitler, vivo ou morto! Todos queriam os louros de encontrá-lo. Finalmente encontraram o bunker onde ele se protegeu desde o início da ofensiva contra a capital alemã, mas não foi possível, pelo menos no primeiro momento, encontrar o corpo do ditador. Infelizmente, uma triste imagem chocou aqueles soldados cansados de presenciarem o horror da guerra. Os corpos de seis crianças, intactas em suas camas, como se estivessem dormindo. Era os filhos de Joseph e Marta Goebbels. Em um último ato de extrema estupidez Marta e o marido, envenenaram todas os seus filhos enquanto eles dormiam.. Cometeram suicídio depois. Uma cena horrível, mesmo no meio daquele caótico mundo. As crianças Helga Susanne, Hildegard, Helmut Christian, Hedwig Johanna, Holdine Kathrin e Heidrun Elisabeth, todas entre 04 e 13 anos de idade. Essa bestialidade foi confessada por Magda, não fazia sentido os filhos viverem em um mundo que não fosse o nacional-socialismo, declarou poucas horas antes.
Na semana e que o Brasil comemora o Dia das Crianças, que possamos refletir sobre as crianças levadas pela estupidez, brutalidade, imbecialidade humana quando, ao invés de protegermos as crianças, somos agentes de suas desgraças.
Fotos Sem Noção…Da Segunda Guerra
Segue mais algumas fotografias daquelas que se não houvesse fotografia registrada ninguém acreditaria.
Stálin: Ditador, Fato!
Já publicamos muita coisa sobre a União Soviética neste BLOG, basta pesquisar um pouco aqui que o internauta encontrará um acervo bastante volumoso de fotografias e artigos sobre a atuação da União Soviética, seu povo, seu exército e seus líderes, ou melhor, seu líder. Exatamente neste ponto gostaria, mais uma vez, refletir, tendo em vista o reavivamento de comunismo “renovado”, mais “light” e voltado para países que atualmente frutificaram a base da filosofia vermelha a partir dos moldes consolidado pelo georgiano Stálin.
Primeiro o Comunismo constituído e concebido pela Revolução Bolchevista de 1917 que tornou a Rússia uma “República do Proletariado ” em nada tem a ver com o sistema ditatorial perpetrado por Josef Stálin a partir de 1922, e que perdurou até o seu falecimento em 1953. Portanto, não estamos falando do comunismo em si; falamos de um ditador sanguinário que exerceu com mão de ferro sua posição, exterminado seus inimigos e oprimindo ao extremo seu povo. Provas e argumentações a favor desta visão do perfil brutal do senhor Stálin são vários e vários, muitos desses já publicamos aqui mesmo no BLOG.
Contudo o que queremos refletir é a questão da separação da ideologia da interpretação histórica. Não é possível que possamos compreender períodos e personagens históricos através da visão ideológica. Isso é um golpe cruel contra a Ciência História. Querer interpretar e explicar fatos históricos e seus envolvidos à luz da visão ideológica torna nula qualquer tentativa de compreender a dimensão do passado e seus ensinamento para o presente e o futuro da humanidade. Outro agravante severo é quando defendemos cega e sistematicamente as ações e erros de lideres do passado, por mais cruel que possa parecer, tornado-nos tendenciosos e desprovidos de embasamento historiográfico. Alguns jovens idealistas defendem o senhor Stálin como se ele próprio fosse a representação máxima do comunismo, achando que estão argumentado contra o imperialismo capitalista. Isso é um erro.
Mais uma vez repito um episódio já publicado anteriormente:
Nikita Khrushchov realizou uma entrevista coletiva para expor a União Soviética os números de mortos e desaparecidos durante todo o regime de Stálin. Durante a entrevista um dos repórteres bradou a pergunta: “Por que as acusações só foram divulgadas depois da morte de Stálin?”. Khrushchov interrompeu a entrevista e perguntou quem estava fazendo a pergunta. Ninguém se levantou. Khrushchov responde: “Pela mesma razão que o senhor não se manifesta: MEDO”.
Abaixo uma série de exemplos do vigor russo, independente de regime, lutou pela sua terra.