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Archive for junho, 2014

100 Anos e Uma Única Morte Que Mudou o Mundo

100 anos se passaram e o mundo nunca mais seria o mesmo. A morte em 28 de junho de 1914 do Arquiduque Francisco Ferdinando e sua esposa Duquesa Sofia Maria Josefina, consolidou um dos últimos ingredientes para o estopim do maior conflito armado até aquela data, era a Primeira Guerra Mundial que iniciava. O assassino, um jovem sérvio de apenas 19 anos, Gavrilo Princip, integrante do grupo terrorista conhecido como Mão Negra que se autodeclarava anarquista radical. Segue relato do triste episódio que mudou o rumo da História:

Na manhã de 28 de junho de 1914, Francisco Fernando e sua comitiva partiram de trem de Ilidža para Sarajevo, onde foi recebido com grande pompa pelo governador Oskar Potiorek. Seis carros foram colocados à disposição da comitiva. Entretanto, por engano, três agentes da polícia local embarcaram no primeiro carro juntamente com o chefe de segurança especial, enquanto os oficiais a seu serviço foram deixados para trás.  O segundo carro levava o prefeito e o chefe de polícia de Sarajevo. O terceiro carro era um Gräf & Stift, veículo esportivo conversível, onde Francisco Fernando, Sofia, o governador Potiorek e o tenente-coronel conde Franz von Harrach embarcaram. Segundo o programa oficial da visita, a primeira parada da comitiva seria num quartel, para uma rápida inspeção. Às 10 horas da manhã, o grupo seguiu para a câmara municipal.

A comitiva passou pelo primeiro terrorista, Mehmedbašić, que havia sido posicionado por Ilić em frente ao jardim do Café Mostar. Entretanto, ele não conseguiu atirar sua bomba sobre o carro do arquiduque. Vaso Čubrilović, que estava ao seu lado com uma pistola e uma bomba, também não conseguiu agir O próximo terrorista por quem a comitiva passaria era Nedeljko Čabrinović, armado com uma bomba no lado oposto da rua paralela ao rio Miljacka

Às 10h10min da manhã, o carro de Francisco Fernando se aproximou e Čabrinović atirou sua bomba. Entretanto, o artefato bateu na capota aberta do veículo e caiu na rua, explodindo sob o carro seguinte da comitiva. A explosão abriu no chão um buraco de 30 cm de diâmetro e feriu um total de 20 pessoas.

Após o ataque, Čabrinović engoliu a cápsula de cianureto e pulou no rio Miljacka. Porém, a tentativa de suicídio fracassou, pois o terrorista vomitou o veneno e o rio tinha apenas cerca de 12 centímetros de profundidade. Detido pela polícia, Čabrinović foi agredido pela multidão antes de ser levado em custódia.

A comitiva partiu em disparada em direção à câmara municipal, deixando o carro danificado para trás. Cvjetko Popović, Gavrilo Princip e Trifun Grabež não conseguiram efetuar nenhum ataque contra o grupo, devido à velocidade com que se deslocavam.

Após saber que o plano de assassinato havia malogrado, Princip foi até uma delicatessen nas proximidades. No curto trajeto o sérvio avistou o carro aberto de Francisco Fernando manobrando próximo da Ponte Latina. Neste momento, o motorista iniciava o retorno para tomar o caminho certo para o Hospital de Sarajevo, mas o motor do veículo parou durante a manobra e Princip teve a sua oportunidade.

Um relato detalhado do atentado foi descrito por Joachim Remak no livro Sarajevo:

“Uma bala perfurou o pescoço de Francisco Fernando, enquanto a outra perfurou o abdome de Sofia (…) Como o carro estava manobrando (para retornar à residência do governador), um filete de sangue escorreu da boca do arquiduque sobre a face direita do Conde Harrach (que estava no estribo do carro). Harrach usou um lenço para tentar conter o sangue. Vendo isso, a duquesa exclamou: “Pelo amor de Deus, o que aconteceu com você?” e afundou-se no assento, caindo com o rosto entre os joelhos de seu marido.”

“Harrach e Potoriek (…) acharam que ela havia desmaiado (…) só o marido parecia ter idéia do que estava acontecendo. Virando-se para a esposa, apesar da bala em seu pescoço, Francisco Fernando implorou: “Sopherl! Sopherl! Sterbe nicht! Bleibe am Leben für unsere Kinder!” (“Querida Sofia! Não morra! Fique viva para os nossos filhos!!!”). Dito isto, ele curvou-se para a frente. Seu chapéu de plumas (…) caiu e muitas de suas penas verdes foram encontradas em todo o assoalho do carro. O conde Harrach puxou o colarinho do uniforme do arquiduque para segurá-lo. Ele perguntou: “Leiden Eure Kaiserliche Hoheit sehr?” (“Vossa Alteza Imperial está sentindo muita dor?”) “Es ist nichts…” (“Não é nada…”), disse o arquiduque com voz fraca, mas audível. Ele parecia estar a perder a consciência durante seus últimos minutos mas, com voz crescente embora fraca, repetiu esta frase, talvez, seis ou sete vezes mais.”

“Um ronco começou a brotar de sua garganta, diminuindo quando o carro parou em frente ao Konak bersibin (Câmara Municipal). Apesar dos esforços médicos, o arquiduque morreu pouco depois de ser levado para dentro do prédio, enquanto sua amada esposa morreu de hemorragia interna antes da comitiva chegar ao Konak.”

Princip foi imediatamente detido. Durante o julgamento ele afirmaria que sua intenção não era matar Sofia, mas o governador Potiorek.

Recife de Antigamento no Facebook

Caros amigos,

 A partir de agora estaremos juntos com a Página do Facebook Recife de Antigamente.  Se trata de uma das melhores páginas sobre a História do Recife que temos o orgulho de acompanhar. Todos os tópicos relacionados com a História do Recife estarão presentes tanto no Facebook, quanto no BLOG. A parceria também divulgará eventos e palestras relacionadas a História do Recife. Nosso objetivo é manter viva a cultura histórica e seus valores de nossa amada Recife, lutando contra a estigma de um país sem memória.

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Recife e Seus Estrangeiros na Segunda Guerra Mundial

 Enquanto Natal recebia um contingente considerável de americanos, por ser uma impontante via aérea para os Aliados, Recife serviu de Base para 4ª Frota Naval, responsável pelas Operações Marítimas de defesa e escolta de comboios no Teatro de Operações do Atlântico Sul durante todo o decurso da guerra. O Governo de Agamenon Magalhães cedeu um edifício comercial, recém construído, para acomodar todo o QG da 4ª Frota Naval.

 Os pernambucanos viram chegar a sua, ainda provinciana capital, centenas de estrangeiros que estavam em trânsito ou estacionados em Recife. Eles participavam da vida social e eram incetivados a desfrutarem da hospitalidade pernambucana. Restaurantes importantes a época, como o Restaurante Leite, recebia marinheiros prontos a se alegrarem e a gasteram seus doláres na companhia das pernambucanas. Essa quantidade de dinheiro estrangeiro circulando, causou um inflacionamento de vários produtos e serviços, como por exemplo, os preços dos aluguéis aumentaram consideravelmente, principalmente em pensões próximos ao Porto do Recife. Outra curiosidade é que os bares e prostíbulos locais, tinham dois cardápios, um em inglês e outro em português, alguns mais refinados e exigentes não mais aceitavam “locais” como clientes, atendiam apenas a estrangeiros e só recebiam em moedas estrangeiras.

 A 4ª Frota permaneceu em atividade até 1946, quando foi desativada, e com isso, o comércio nos arredores do Porto do Recife entrou em declínio e por muitas décadas foi conhecido por ser o maior centro de prostituição do Estado, com alto índice de criminalidade. Na década de 90 foi reestruturada e recebeu incentivos para se transformar em um Polo de Tecnologia do país e receber várias empresas de tecnologia, formando o Porto Digital.

 Os impactos sociais e econômicos da presença dos estrageiros ainda deve ser objeto de estudo, pois Recife deixou de ter a influência francesa, para ser uma cidade que respirava a cultura americana, passando a se despedir com um BYE!

MAIOR Acervo do Dia D na Internet?

 Chegando o aniversário número 70 da Operação Overlord. Evidentemente pensei em escrever um artigo sobre o tema, claro. Essa operação, me perdoe os adeptos da República Soviética, é a que mais aguça o interesse de alguns aficionados pela Segunda Guerra Mundial, graças a propaganda americana. Deixando de lado a ideologia, percebi que já escrevi tanto sobre esse tema, que talvez o que iria escrever soasse repetitivo. Então não vou escrever. Irei disponibilizar os links de todos os artigos que já escrevi sobre o Dia D, nem eu mesmo lembrava que foram tantos! São 47 Artigos tratando diretamente os eventos do dia 05 e 06 de junho de 1944, data de marca o início das operações aerotransportadas e, posteriormente, o desembarques nas praias normandas. Acompanhada com os artigos, estão disponíveis uma centena de fotografias que, diga-se de passagem, estão entre as minhas preferidas. Por sinal, estou indicando uma galeria com as fotografias que considero imperdíveis para quem gosta da operação.

 

Com relação ao “MAIOR Acervo”, pode ser que tenha outros, claro! Mas é só para chamar a atenção.

 ESPERO QUE GOSTEM!

 

Rommel e o Dia D – Preparação

http://wp.me/pSMXF-4ns

Os Loucos Condenados do Dia D

http://wp.me/pSMXF-4nX

Os Feridos e Mortos em Omaha – Dia D

http://wp.me/pSMXF-4of

Bombardeios Imprecisos, prenúncio do massacre – Omaha/Dia D

http://wp.me/pSMXF-4pi

Dia D – A Operação que Mais Consumiu Recursos Materias e Humanos!

http://wp.me/pSMXF-4qx

Dia D e a Normandia: O Preço Pela Liberdade!

http://wp.me/pSMXF-4Vx

O Dia D – IN LOCO

http://wp.me/pSMXF-5cg

A Hora H do Dia D – Parte II

http://wp.me/pSMXF-5gr

Os Alemães e o Dia D.

http://wp.me/pSMXF-5hi

Os Melhores Registros Fotográficos do Dia D – Homenagem a Robert Capa

http://wp.me/pSMXF-5l3

Dia D – Especial 69 Anos – Destruição e Morte Vinda dos Céus

http://wp.me/pSMXF-5xj

Eis O Dia D, Ainda Chama Atenção

http://wp.me/pSMXF-5Pc

O GOOGLE MAPS do Dia D!!

http://wp.me/pSMXF-5AC

Bunker – As Fortificações do Dia D e Outras

http://wp.me/pSMXF-5yF

O Dia D – Defensores e Atacantes

http://wp.me/pSMXF-3TH

Dia D – Análise, Fatos e Fotos

http://wp.me/pSMXF-3KC

E o Brasil, Como Viu o Dia D?

http://wp.me/pSMXF-C4

Omaha – Dia D – General Cota – O Comandante no Setor DOG WHITE

http://wp.me/pSMXF-CT

O Dia D no LEGO – Muito Legal!

http://wp.me/pSMXF-Dh

O Fracasso da Defesa no Dia D

http://wp.me/pSMXF-DH

Dossiê – A Morte do General Pratt no Dia D – Parte I

http://wp.me/pSMXF-Eu

O Dia D – Visto por um ângulo Diferente

http://wp.me/pSMXF-Uh

Dia D – Visto por Outro Ângulo

http://wp.me/pSMXF-ZO

DIA D – Mais Um Ângulo Diferente, a do Soldado – A Mais Difícil – Parte I

http://wp.me/pSMXF-10M

DIA D – Mais Um Ângulo Diferente, a do Soldado – A Mais Difícil – Parte II

http://wp.me/pSMXF-11v

DIA D – Mais Um Ângulo Diferente, a dos Alemães – Parte Final

http://wp.me/pSMXF-12c

O Dia D, depois do Dia D!

http://wp.me/pSMXF-224

Os Civis No Dia D e depois do Dia D!

http://wp.me/pSMXF-22F

O Que Sobrou do Dia D? Cidades Destruídas

http://wp.me/pSMXF-23o

A Marinha de Guerra dos Aliados no Dia D.

http://wp.me/pSMXF-2bp

As Consequências do Dia D para a População da Normandia

http://wp.me/pSMXF-2NU

06 de Junho de 1944 – 67 Anos do Dia D

http://wp.me/pSMXF-Bg

Muito bem. Vamos! – A Ordem do Dia D – Especial – Parte II

http://wp.me/pSMXF-At

05 de Junho 1944 – DIA D 67 Anos – Especial – Parte I

http://wp.me/pSMXF-zL

Os Páraquedistas no Dia D – Parte I

http://wp.me/pSMXF-r9

Dia D – Relatos de Omaha – Parte III – Os Erros em Omaha

http://wp.me/pSMXF-oG

No Dia D – Hitler Dorme do Ponto

http://wp.me/pSMXF-hp

Dia D – Relatos de Omaha – Parte III – Quem fez a diferença

http://wp.me/pSMXF-fp

Dia D – Relatos de Omaha – Parte II

http://wp.me/pSMXF-cE

Dia D – Relatos de Omaha – Parte I

http://wp.me/pSMXF-cC

Depois do Dia D

http://wp.me/pSMXF-98

Prisioneiros de Guerra do Dia D!

http://wp.me/pSMXF-8Q

Fortificações Destruídas no Dia D

http://wp.me/pSMXF-5w

Erros do Dia D?

http://wp.me/pSMXF-5k

Desastre em DIEPPE – O Dia D que fracassou!

http://wp.me/pSMXF-4B

Fotos & Versões do Dia D

http://wp.me/pSMXF-3e

Operações Militares na Normandia!

http://wp.me/pSMXF-5oL

Antes e Depois – Especial Normandia

http://wp.me/pSMXF-5kL

Fotos Coloridas da Segunda Guerra – Impressionante – PARTE II

Seguindo com esse excelente acervo. As fotografias que impressionam pela realidade e por proporcionar uma visão diferente do conflito.

 

Respondendo Sobre Monte Castelo!

Maurício Sievers, Veterano do Batalhão de Polícia do Exército de Brasília e membro do Conselho Nacional dos Veteranos da Polícia do Exército do Brasil (CONAVEPE), enviou-nos questionamentos sobre a atuação da Divisão de Infantaria Expedicionária (DIE), durante os fracassados ataques contra Monte Castelo em novembro e dezembro de 1944, que deixou uma centenas brasileiros mortos e feridos e estacionou o avanço Aliado na conquista do Vale do Pó.  Eis os questionamentos:

“[…]Gostaria de saber do nobre amigo, […] em especial sobre as várias tentativas fracassadas da TOMADA DE MONTE CASTELO, que além do Terreno íngreme, Tiros, Lama, Frio, Bombardeios, o Medo corroendo o estômago e a presença constante da morte, foram alguns dos detalhes que rondaram as mentes e corpos dos bravos heróis, também podemos dizer que as FALHAS ESTRATÉGICAS devem-se a INEXPERIÊNCIA e a falta de HABILIDADE do General Zenóbio da Costa e de todos os seus comandados, foram responsáveis pelo tombamento de tantos homens naquela missão? É mito ou verdade que os Americanos responsabilizaram unicamente o General Zenóbio pelas incursões fracassadas a Tomada de Monte Castelo?” –

Primeiramente, para efeito de conhecimento, o Marechal Zenóbio da Costa é o idealizador da Polícia do Exército no pós-guerra no Brasil, portanto mais do que justo discorrer sobre a pessoa do Zenóbio da Costa no ápice de sua carreira militar, que é sua atuação como Comandante da Infantaria Divisionária brasileira no Teatro de Operações do Mediterrâneo.

Tomando como base os questionamentos, evidenciamos duas linhas de argumentação. A primeira é o fato de haver FALHAS ESTRATÉGIAS e que, estas falhas, recaem pela falta de experiência do comandante da Infantaria Divisionária e seus soldados. E o segundo, é que os americanos imputaram a culpa no próprio Zenóbio da Costa.

Na abordagem da primeira visão, tomaremos o conhecimento sobre a hierarquia que acompanhava a Força Expedicionária Brasileira na Itália. Segundo o Marechal Lima Brayner, então Chefe do Estado Maior da Divisão Brasileira, em 01 de agosto de 1944, “A 1ª Divisão Brasileira foi realmente incorporado ao 5º Exército do IV Corpo de Exército Americano”.

A 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária, comandado pelo General de Divisão Mascarenhas de Morais, era formada pelo QG da 1ª DIE, Estado Maior Divisionário (1ª, 2ª, 3ª, 4ª Seção e, claro Chefia), Estado Maior Especial, Tropa Especial (onde está incorporada o Pelotão de Polícia, comandada pelo 1º Tenente R/2 José Sabino Monteiro), e o Depósito Divisionário.

A Infantaria Divisionária (Não confundir a 1ª DIE) comandada pelo General de Brigada Zenóbio da Costa, tinha sob seu comando o 1º, 6º e 11º Regimento da Infantaria.

As operações ofensivas eram determinadas pelo comando do V Exército e o Estado-Maior da Divisão realiza o planejamento da operação, cabendo ao comandante da Infantaria Divisionária dispor suas tropas, segundo as determinações para execução das operações da 3ª Seção do Estado Maior da Divisão, este chefiado pelo Coronel Castelo Branco (futuro Presidente do Brasil).

Lembremos que o houve quatro ataques a Monte Castelo. Dias 23 e 24 de novembro, ataques coordenados pela Task Force 45 americana, envolvendo apenas o III Batalhão do 6º RI; dias 29 de novembro e 12 de dezembro, envolvendo toda a Divisão Brasileira e coordenada pelo próprio Mascarenhas de Morais. As análises do desempenho das tropas brasileiras estão fixadas apenas nas últimas duas operações.

Podemos elencar vários motivos que levaram o fracasso e consequente perda de vidas brasileiras, mas nada relacionado à atuação do General Zenóbio da Costa.  Podemos afirmar, com base nos registros das operações fornecidas pelo próprio Chefe do Estado Maior da Divisão, Coronel Lima Brayner e a análise da obra “A FEB por um Soldado”, de Joaquim Xavier Silveira, que a 3º Seção Divisionária expediu ordens diretas de colocar tropas em linha recém-chegadas, como é o caso 11º RI, além de operações sucessivas utilizando a mesma estratégia e com tropas cansadas como erros estratégicos para o fracasso desses ataques. Outro ponto foi à falta de coordenação em todos os ataques. A Hora H, que deveria iniciar o ataque, não foi obedecida pelos elementos envolvidos, acabando por alertar o inimigo em diversos setores. O General Zenóbio tentou executar ordens expedidas diretamente oriundas do Comando da Divisão, não por sua estratégia. A questão da culpabilidade do General Zenóbio é irreal.

Com relação à falta de experiência e habilidade do General Zenóbio, é impensado que a Destacamento da FEB, formado em setembro de 1944 havia conseguindo várias vitórias tendo como comandante o Zenóbio da Costa, portanto qual o motivo de expor sua falta de experiência? A campanha do Destacamento da FEB entre setembro a dezembro daquele ano prova que o Comandante da Infantaria já tinha provado seu valor na campanha, e se ainda assim, havia falta de experiência, esta não concorreu para o resultado final da Batalha. O dispositivo para os ataques foram dispostos no terreno depois de um exaustivo deslocamento, adiciona-se a isso, vários outros fatores, fora do controle do comandante da infantaria, incluindo as bem fortificadas posições do inimigo.

Não há, pelo menos da historiografia atual, qualquer indicação de que os americanos colocaram a culpa no fracasso no próprio General Zenóbio da Costa, pois seria ilógica essa acusação. O Oficial de Ligação do Comando do Estado Maior do V Exército dentro da própria Divisão Brasileira era o Coronel Stevenson G. Carrel, que tinha por missão repassar todas as informações ao General Clinttemberg, comandante do V Exército. Portanto, o comando americano sabia que as estratégias escolhidas para os ataques partiram do Estado Maior da Divisão, diga-se de passagem, com animosidades entre o Coronel Kruel (Chefe da 2ª Seção) e do Coronel Castelo Branco (Chefe da 3ª Seção).

Então, temos o último questionamento, os fracassos de Monte Castelo foram provocados, principalmente, pela falta de experiência do próprio soldado brasileiro? A resposta pessoal para essa afirmação é não! Não foi o principal elemento do resultado da Batalha. Pois, nos ataques anteriores, desferidos por experientes tropas americanos não tiveram êxito. Mas é evidente que houveram sérios problemas de conduta de campanha da nossa tropa. Principalmente se levarmos em consideração que a Divisão utilizou tropas ainda no período de adaptação ao Teatro de Operações. Cito aqui um evento ocorrido por ocasião da substituição de tropas do 1º Regimento de Infantaria por elementos do III/Batalhão do 11º Regimento, que chegaram rapidamente já tendo que defender uma linha nas proximidades de Guanela, no dia 01 de dezembro de 1944. Posição conquistada duramente dois dias antes. Um determinado comandante de Companhia, ligou para o Comando do Batalhão informando que a posição da Companhia estava sendo atacada e que ele iria abandonar a linha. De imediato foi enviado reforços para a Companhia. Uma granada de artilharia atinge a retaguarda do PC da Companhia e o Capitão abandona seu posto e seus soldados o seguem. Esse capitão é substituído e retorna para casa. É importante dizer que isso é comum em qualquer Exército. Mas a falta de experiência em combate era notável entre as nossas tropas, nas não foi determinante para o resultado em Monte Castelo.

Lembro que o soldado brasileiro fez sua fama exatamente depois dos malogrados ataques em dezembro de 1944, a partir dai, passamos a realizar patrulha e defender uma Linha de dezenas de quilômetros, durante todo um rigoroso frio e tenebroso inverno. Até que em fevereiro de 1945, tomamos em definitivo este que é para Força Expedicionária Brasileira símbolo do sangue derramado de nossos soldados e orgulho de nossa vitória.