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“Eu Vi Morrer o Sargento Wolf ” – Relato de Joel Silveira
Vamos publicar uma série de informações sobre a atuação do Sargento Max Wolf Júnior na Itália, com uma análise sobre o ícone em que se transformou o Sargento herói, que tem sido colocado na galeria dos grandes soldados brasileiros.
Relato de Joel Siveira:
Vi perfeitamente quando a rajada de metralhadora rasgou o peito do Sargento Max Wolf Júnior. Instintivamente ele juntou as mãos sobre o ventre e caiu de bruços. Não se mexeu mais. O tenente que estava do meu lado no posto de observação apertou os dentes com força, mas não disse uma palavra. Quando lhe perguntei se o homem que havia tombado era o Sargento Wolf, ele balançou a cabeça afirmativamente.
Menos de uma hora antes eu estivera conversando com o sargento. Creio que foi a mim que ele fez suas últimas confidências. Falou-me de sua filha, uma menina de 10 anos de idade. Disse-me que era viúvo e deu-me notícias de que a promoção a segundo-tenente, por ato de bravura, não tardaria a chegar. E como eu estava colhendo mensagens de homens do seu “Pelotão de Choque”, já formados para a patrulha de minutos depois, o Sargento Max Wolf pediu-me que também enviasse sua carta. Estão comigo as poucas linhas que sua letra delicada e carta escreveu no meu caderno de notas:
“Aos parentes e amigos. Estou bem. À minha querida filhinha – Papai vai bem e voltará em breve.”
Tenho ainda nos ouvidos, muito vivas, as últimas palavras que escutei do sargento. Um dos soldados pedira uma faca, e ele respondeu, sorrindo:
– Voi non bisogna faca – Tedesco não é frango.
O sargento saiu com seus homens pela sebes e ravinas da direita e nós seguimos para as montanhas ao Norte, defronte ao ponto que a patrulha deveria atingir. Vimos quando os homes apontaram na “terra de ninguém” e seguiram cautelosos pela estrada deserta. O sargento havia transformado seus pentes de munição num colar que o sol incendiava. Levava o capacete de aço debaixo do braço e a pequena Thompson apontada para a frente. Nossa Artilharia, à esquerda, cessara de atirar e agora o silêncio era total. O tenente me disse:
– Não é possível que os alemães estejam ali.
O primeiro objetivo da patrulha eram as três casas, a menos de um quilômetro de nós, e que os homens do Sargento Wolf atingiram às duas horas da tarde. O grupo cercou os três edifícios em ruínas e o sargento empurrou com o pé a porta de um deles. Vimos quando ele empurrou com o pé a porta de um deles. Vimos quando ele entrou e fez um sinal para seus homens: novamente as duas fileiras espaçadas voltaram a caminhar pelos campos proibidos. Fazia um sol muito claro e alguma coisa – uma vidraça partida ou um esqueleto de munição – cintilava forte no casario de Montese.
Às duas horas e meia da tarde, a patrulha estava a menos de cem metros do último objetivo a ser atingido: um novo grupo de casas sobre uma lombada macia. O Sargento Wolf deu os últimos passos à frente. Então uma gargalhada curta e nervosa rasgou o silêncio do vale e o sargento caiu de bruços sobre a grama. Os outros homens se agacharam, rápidos, e o alemães começaram a atirar, bloqueando nossos homens com uma chuva de granadas de mãe e rajadas de metralhadoras. Sacudiram depois para o ar foguetes luminosos, pedindo fogo de suas baterias, e minutos depois os projetos de artilharia nazista assoviavam sobre nós e iam explodir no caminho percorrido pela patrulha. O tenente indicou posições aos nossos morteiros e durante mais de uma hora o duelo continuou, um diálogo de fogo. Nossos morteiros rebentaram dois quilômetros e meio além, onde possivelmente estariam localizadas as baterias nazistas, e os obuses alemães explodiam perto, no chão onde nossos homens continuavam agachados ou nas fraldas do morro onde estávamos com o posto de observação. De vez em quando, uma rajada de metralhadora cortava o ar, como um vento mau, e ia inquietar os galhos das árvores próximas. Foi um desses “Leques” que raspou nossas cabeças e nos jogou para dentro do buraco, onde ficamos por uma hora. Levantamos de vez em quando até o parapeito da trincheira, mas os morteiros só nos davam folgas de segundos: escutávamos seu assovio a distância e voltávamos a nos espremer no foxhole antes de a explosão sacudisse a terra.
Quando a noite caiu, conseguimos, rastejando, deixar as posições batidas e alcançar as trincheiras de retaguarda. Chegamos ao PC do Batalhão perto das dezenove horas. Minutos depois, voltaram também os homens da patrulha do Sargento Max Wolf Júnior. Mas ele ficara lá. Quando nossos padioleiros foram à “terra de ninguém” recolher os corpos e os feridos, os nazistas os recebiam com rajadas impiedosas.
Muitos dos que voltaram tinham os olhos rasos de água. Uma deles era o Segundo-Sargento Nilton José Facion, de São José Del-rei, em Minas, que me contou a história:
– Eu estava a trinta metros de Wolf quando ele foi atingido. O soldado Alfredo Estevão da Silva, que ia na frente, virou-se para mim e disse: “Parece que Wolf está morto. Vou puxar o corpo para cá”. Respondi que ia atrás dele. Mas uma rajada matou também o pracinha Estavão antes que ele pudesse fazer qualquer coisa. Chegou a minha vez e consegui arrastar o corpo do sargento uns trinta metros. Depois veio a chuva de morteiros e não pude fazer mais nada.
O Sargento Alfeu de Paula Oliveira (ele também enxugava os olhos úmidos com a manga da blusa) me levou depois ao estreito compartimento onde Wolf tinhas suas coisas: ali estava a condecoração que o General Truscott colocara no peito, poucos dias antes; a citação elogiosa do General Mascarenhas; o retrato da filhinha, de olhos vivos e brilhantes como os do seu pai. Tudo agora muito desgarrado. “Este foi um dia triste para nosso Batalhão”, me disse o Major Manuel Rodrigues Carvalho Lisboa. “Nós Perdemos um BRAVO!!”
Fonte: Fatos e Homens da Segunda Guerra – Caio de Freitas, Joel Siveira, Mário Martins, R Magalhães Júnior e Zevi Ghivelder – editora Bloch
Qual a Origem dos Nossos Pracinhas?
Segue abaixo artigo enviado pelo colaborador e Secretário Ad-hoc da Associação Nacional dos Veteranos da FEB – Seccional Pernambuco Rigoberto de Souza Júnior.
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Desde o ano de 1937 que o Brasil tornara-se uma ditadura inspirada nos modelos tanto italiano quanto alemão, com o Poder Legislativo, os partidos políticos fora da lei, a liberdade suprimida e a exaltação exacerbada ao Chefe de Governo Getúlio Vargas. O governo valeu-se da oportunidade, tendo em vista que a opinião pública exigia a tomada de uma atitude frente aos diversos ataques aos nossos navios, que levou à morte centenas de civis e militares, além da entrada dos EUA no conflito, para romper relações com os países do Eixo.
Infelizmente o entusiasmo das ruas não tomou o caminho da seções de recrutamento, praticamente sendo inexistente o voluntariado. O apelo das autoridades militares para que todos os homens aptos ao serviço militar, engrossassem as fileiras da FEB, ficou sem eco nas classes mais abastadas de nossa sociedade, onde curiosamente os oradores mais inflamados dos comícios da época, ao serem chamados a se incorporar, se valiam de dispositivos legais que os isentavam de servir o Exército e, a Força Expedicionária Brasileira teve de ser organizada com a juventude pobre do Brasil.
Os vários episódios ocorridos nos quartéis(quarteladas), o falso civismo republicano, o material obsoleto usado por nosso Exército, nos obrigou juntamente com oficiais americanos a retirar quase do nada uma divisão de Infantaria, um Grupo de Caça e um reduzido números de navios.
De acordo com relatos de alguns Veteranos da FEB da Regional PE, várias artimanhas foram usadas para estes jovens de classe, como o uso do creme dental “Kolinos”, que naquela época tinha uma cor amarela, e no exame de saúde ao ser perguntado se teria alguma doença venérea, apertava a ponta do pênis, de onde saía um excremento amarelado, que se dizia ser “pus”, já que sofria de blenorragia. Outro artifício usado para burlar o exame médico era se colocar um dente de alho no ânus, o que causava um aumento da temperatura corporal, indicando que o mesmo estaria com febre devido a uma possível infecção.
De acordo com fatos da época, se dizia que a era mais fácil a “Cobra Fumar” que o Brasil entrar na guerra e para configurar ainda mais a descrença da partida da FEB, o Major Elber de Mello ouviu do General Cordeiro de Farias uma anedota recorrente nas altas rodas da sociedade carioca na época era: A FEB não partirá. Não partirá porque seu comandante é DEMORAIS; o comandante da Infantaria é da COSTA e o comandante da Artilharia é CORDEIRO, ou seja, não é de briga…
Fonte: “A FEB doze anos depois” do Major Elber de Mello Henriques – Bibliex – 1959
- Foto 2 : 2º Sgt Virgílio Daniel de Almeida – Areia/PB
- Foto 3: Cb Alberides de Lima Passos – Correntes/PE
- Foto 4: 2º Sgt Alberto Nepomuceno Agra – Santana do Ipanema/AL
- Foto 1 : 2º Sgt Rigoberto de Souza – Pombal /PB
Todos de famílias humildes do sertão nordestino
FEB – Todos os Detalhes – A Série
Com o intuito de preservar a memória histórica dos mais de 25 mil homens que embarcaram a partir do dia 02 de julho de 1944 para lutarem na Segunda Guerra Mundial contra as potências do Eixo, estaremos realizando uma profunda reflexão histórica sobre a vida desses brasileiros e os desdobramentos políticos que levaram a criação dessa força de combate impar na America latina. Teremos duas publicações semanais que compreenderá o período do envolvimento político brasileiro com a Alemanha, sua decisão em lutar ao lado dos Aliados e a consequente formação de uma Divisão de Exército Expedicionário; seu retorno como tropa vencedora, os movimentos políticos para desmobilizar a FEB; o reconhecimento com a Constituição de 1988. Nosso objetivo é produzir um material de qualidade que possa ser utilizado como apoio para pesquisas. Não temos um intuito de escrever uma obra literária, contudo prezaremos pelo que há de mais importante para a pesquisa histórica, os fatos! Para tanto nos apoiaremos em obras importantes para deliberar sobre todos os acontecimentos que culminaram com a entrada do Brasil na Segunda Guerra e o resultado para o governo brasileiro a partir da década de 40.
Esperamos sinceramente que os artigos publicados nessa série possam estar a altura de todos aqueles que acompanham o BLOG, pois sabemos que o nível de nossos internautas é elevado! Portanto, Acompanhem! Comentem e divulguem, pois devemos lutar contra a ignorância histórica desse país e valorizar os homens que lutaram pelo Brasil e honrando aqueles que perderam sua vida longe de sua pátria.
Deixo aqui uma frase clássica da FEB: “Conspira contra a sua própria grandeza, o povo que não cultiva seusfeitos heróicos” Iniciaremos as Publicações AMANHÃ – 27/09
O Rei Netuno e a FEB!
O que o Rei Netuno tem haver com a FEB? Na verdade nada! Ou quase nada…
Havia uma tradicional brincadeira na USNavy em presentear os marinheiros que atravessam a Linha Imaginária do Equador com “Diplomas do Rei Netuno”, por isso a deidade grega é revestida de uma simbologia única para Forças Latino-Americanas, tendo em vista que o Brasil foi o único país do continente sul-americano a participar de ações beligerantes na Segunda Guerra Mundial. E para diminuir a tensão da viagem, que para o 1º Escalão da FEB iniciou no dia 02 de julho de 1944 e o desembarque aconteceu em Nápoles no dia 16 de julho, nesse período havia riscos de operações de submarinos do Eixo o que era necessário total alerta e treinamentos constantes para a tropa e a tripulação. A noite todas as luzes eram apagadas e o calor tornava a viagem bastante desgastante para os nossos soldados. Por isso a prática da marinha americana de “diplomar” os militares por cruzarem a linha imaginária do hemisfério tornou a viagem mais animada e, como o espírito brasileiro naturalmente é caracterizado pela irreverência, trouxe um animo a mais para tropa no Navio de Guerra General Mann.
Estamos abaixo exibindo uma raridade que é o “Diploma do Rei Netuno” do querido pracinha Sargento Rigoberto Souza que embarcou com o 2º Escalão e lutou nas principais batalhas do Teatro de Operações do Mediterrâneo.
- Diploma do Rei Netuno
Fontes:
Rigoberto Souza Júnior
“A luta dos Pracinhas – A Força Expedicionária Brasileira na 2ª Guerra
Mundial de Joel Silvera e Thassilo Mitke
Fotos & Detalhes Históricos – Especial FEB – Parte V
Ainda em homenagem ao efetivo da FEB que deixou sua terra para lutar nos campos da Itália e, em especial, para os quase quinhentos que lá pereceram, segue mais um tributo do acervo da ANVFEB-PE, cedidos gentilmente por Rigoberto Souza Júnior – Secretário – Ad hoc.
Fotos & Detalhes Históricos – Especial FEB – Parte IV
Segue a Série Fotos & Detalhes Históricos. Um conjunto de fotos cedidos pela ANVFEB-PE para publicação no Blog.
Vivendo e Morrendo como um Soldado!
Viver e morrer como soldado são conceitos que engrandece a vida de qualquer ser humano. Um soldado em tempo de paz deve estar sempre preparado para cumprir o que sua pátria espera. Durante a Segunda Guerra Mundial, nos Estados Unidos, muitos jovens sabiam exatamente o que deveriam fazer com relação à guerra. E depois dos ataques a Pearl Harbor, milhares se candidataram voluntariamente para compor e se doar para sua pátria. Em outros países não foi diferente. O que podemos dizer dos soldados russos? O país que mais sofreu baixas na guerra. Independente de qualquer tendência filosófica ou social deve-se engrandecer o sacrifício do povo russo, do Soldado Russo. O que podemos dizer do soldado alemão? Podemos citar o exemplo da 148ª Divisão Alemã que se rendeu as Forças Brasileiras (FEB) de forma disciplinada e com a reverência peculiar que fez a fama do Exército Germânico. Se perguntar a qualquer soldado que lutou contra os alemães, dez entre dez fará referência a conduta, bravura e disciplina alemã.
Soldado é a forma mais elementar da guerra! Dizia Eisenhower: “Antes da Batalha os Planos são tudo! A partir do momento que ela começa eles nada valem”. A guerra é feita pelos soldados, pela infantaria na linha de combate, pela artilharia nas posições, pelo soldado raso entrincheirado.
Infelizmente é fácil observar que a relação soldado e guerra, tenha um consciente triste…A Morte! Mas morrer como um soldado é acima de tudo, uma honraria. Não há um soldado que caiu em terreno que não fosse motivo de orgulho inebriante de sua família, de sua terra e de seu país. Sua vida passou a ter um sentido a partir de sacrifício de morte! Triste, mas honroso. Embora nenhum soldado queira morrer em combate, mas ele está pronto para isso se preciso for.
O que dizer da bravura de três soldados mineiros? Geraldo Baêta da Cruz, então com 28 anos, natural de Entre Rios de Minas; Arlindo Lúcio da Silva, de 25, de São João del-Rei; e Geraldo Rodrigues de Souza, de 26, de Rio Preto, morreram como heróis em Montese, Itália. Eles são a prova viva, mesmo em morte, que a bravura de um soldado é venerada, independentemente do resultado do combate!
Fotos & Detalhes Históricos – Especial FEB – Parte III
Nossa geração lutará, não por nós! Mas pelos que ficaram em Pistóia! Pelos que aqui permaneceram à margem da História…Para que os mortos na Itália tenham o sacríficio reconhecido e os que voltaram possam descansar, sabendo que seu legado será mantido. Essa será a nossa Guerra! Nosso presente para as próximas gerações.
Continuamos a terceira parte da série Fotos e detalhes históricos – Especial FEB.
As Imagens aqui postadas são de Reprodução Proibida! Fazem parte de um acervo pessoal. Qualquer cópia sem a autorização dos seus proprietários estará sujeito às sanções previstas em lei
A Cobra Segue Fumando!!
Os Combatentes pela FEB de HOJE – Tenente R1 Messias
Quanto soldados são necessários para fazer um grupo de combate? Dependendo do tipo de soldado, diria UM, depende do nível de instrução, dedicação, capacidade e, principalmente o nível operacional do soldado, e se o soldado é de elite pode dar a missão que ele vai e cumpre! Se for um Tenente será um exímio comandante de pelotão ou de companhia. O Tenente R1 Sílvio Mário Messias, a primeira vista, pode-se ter uma visão diferente dele, mas basta apenas ouvi-lo discursar por míseros 30 segundos para a visão mudar 360 graus. Perceber o valor cultural desse oficial! Homem de eloquência reconhecida, para tanto foi escolhido pelo General Benzi Comandante Militar do Nordeste para ser o Mestre de Cerimônia de todas as atividades do CMNE. Felizmente esse grande soldado, é um multitarefa! Pois desempenha as funções de consultor jurídico da associação, além de ser um relações públicas entre a ANVFEB-PE e as Unidades Militares, e por achar pouco é membro Confraria das Comunicações do 4º Batalhão de Comunicações. Ufa!
Um detalhe, o Tenente R1 Sílvio Mário Messias de Oliveira é cadeirante. Mas isso tem alguma importância?
Os Veteranos da FEB e os Combatentes pela FEB de HOJE
Vários artigos e livros já foram publicados sobre o esquecimento dos nossos soldados após a Segunda Guerra Mundial. Embora ainda haja muito para se falar sobre a falta de identidade histórica dos brasileiros, gostaríamos hoje de dissertar sobre o outro lado da moeda. Sim ela existe!
Enquanto pensamos que nosso passado está jogado ao poço profundo do esquecimento, há de forma quase velada, verdadeiros guerreiros que lutam uma batalha injusta contra esse inimigo voraz: o esquecimento. Nesta batalha muitas vezes perdem terreno, outras vezes avançam sobre o inimigo, mas nunca deixam de guerrear.
Nos últimos meses tivemos o prazer de compartilhar e acompanhar as batalhas de alguns desses bravos soldados, e por uma questão de justiça, quero nominar alguns deles.
O melhor soldado no campo de batalha é aquele que luta pelo que acredita, e o senhor Rigoberto Júnior é um desses soldados. Não luta pelo o que não conhece, luta pelo o que tem conhecimento de causa. É um ávido leitor da FEB, e se não é um historiador acadêmico, o é na prática. Secretário da ANVFEB-PE Rigoberto, como já afirmamos em outro artigo, é o Braço Operacional da associação. Mas ele é muito mais que isso! Também é zeloso e cuidadoso com os próprios veteranos; preocupado com a saúde de cada veterano, com deslocamentos, alimentação, acomodação e/ou qualquer coisa que esteja relacionado ao bem estar dos nossos guerreiros. Leva sobre seus ombros a responsabilidade de cuidar de tão honrosa tropa!
Sargento Alessandro dos Santos é a cara do Exército Brasileiro moderno. O Santos é Mestre em História e sua tese: “A Reintegração social dos Ex-Combatentes da Força Expedicionária Brasileira (1946-1988)”, não é apenas uma dissertação de mestrado, mas um “grito” para os que ainda insistem em ignorar a história de vida dos membros da FEB antes, durante e depois do conflito. E Santos o fez com a maestria acadêmica que em nada deixa a desejar para uma publicação literária de primeira linha.
Sargento Bruno Ribeiro é um entusiasta e estudioso da FEB. Trocando algumas palavras percebemos imediatamente a vibração de um soldado que vestiu a farda, colocou a faca nos dentes e encara o inimigo de frente, mesmo sendo de artilharia, luta como um infante. Licenciando em História, tem objetivos claros para a FEB e, a partir deles, teremos uma produção acadêmica de qualidade. Melhor que isso, teremos um professor comprometido com a divulgação das ações da Força Expedicionária Brasileira nos campos da Itália e um especialista nas operações de u-boots no atlântico sul, quer mais?
Obviamente ainda há alguns nomes que irei citar, como a do Coronel Lima Gil comandante do 7º GAC e a do Major Adler Comandante da 14ª Bateria de Artilharia Antiaérea, esses oficiais têm um compromisso histórico no comando de suas unidades que, diga-se de passagem, unidades com um rico passado, reforçando para a tropa o sentido da importância de se reverenciar os sacrifícios de homens para com a sua pátria.
E para encerrar, vou citar o Tenente-Coronel Monteiro, mesmo com pouco contato, já é fácil perceber a enorme contribuição desse oficial nas atividades da associação. Com isso presta um grande serviço, não aos integrantes da FEB, mas a memória do povo pernambucano, e se torna um oásis de reconhecimento no enorme deserto de esquecimento. Deserto esse que é nosso maior inimigo.
A todos os meus sinceros agradecimentos!
Fotos & Detalhes Históricos – Especial FEB
Com muito prazer o blog foi autorizado pela ANVFEB – Seccional Pernambuco, a publicar um material exclusivo do acervo pessoal do Secretário Rigoberto Júnior, que tem de forma muito peculiar, contribuído para preservação histórica da Força Expedicionária Brasileira. Aproveitamos para ratificar o compromisso que temos com a luta pelo reconhecimento histórico dos mais de 20 mil brasileiros deslocados para os campos de batalhas italianos. Dos que tombaram em combate: lutamos ferozmente pela sua memória; dos que morreram esquecidos pelo seu povo anos depois da guerra: lutamos pelo seu reconhecimento; e os que ainda estão vivos: nos orgulhamos e reverenciamos.
Nesse 07 de Setembro possamos refletir não apenas sobre nossa independência, mas principalmente sobre a ignorância latente que insiste em cercar muitos brasileiros.
As Imagens aqui postadas são de Reprodução Proibida! Fazem parte de um acervo pessoal. Qualquer cópia sem a autorização dos seus proprietários estará sujeito às sanções previstas em lei
Crônicas de Amor Durante a Segunda Guerra
Quando os pesquisadores estudam a história da Segunda Guerra, muitas vezes realizam uma dissertação profunda sobre os aspectos políticos, econômicos e sociais dos países envolvidos no conflito, mas outras vezes ignoram o mais básico elemento de interpretação histórica, o homem!
É muito comum ver e ouvir jovens menosprezando ou ignorando os feitos dos mais de 20 mil homens que integraram a Força Expedicionária Brasileira e que lutaram nos campos de batalhas italianos. Cada integrante dessa tropa, ainda vivo nos dias atuais, é um poço inesgotável de história oral. Esse elemento tão importante na concepção da chamada Nova História tem, em cada pracinha espalhado pelas associações de ex-combatentes da FEB, uma enciclopédia viva dos acontecimentos da Segunda Guerra.
Uma dessas histórias é de um tal João, nome tão comum entre os brasileiros quanto os da Silva. Esse ex-combatente paraibano que tem por nome de batismo João Batista da Silva, foi para Itália como voluntário combater um inimigo que ele não conhecia, sem imaginava o que lhe esperava.
Depois de algum tempo na Itália, João certa vez encontrou uma jovem italiana que cruzava o acampamento brasileiro, e perguntou se ela conhecia alguém que costurasse. A jovem então o levou até sua casa e apresentou-lhe a mãe viúva. João logo fez amizade e conheceu a família e dentre as filhas da senhora costureira estava Rita Cei, a jovem que conquistou o coração do soldado brasileiro.
Algum tempo depois João pediu a Rita em casamento, ali mesmo na Itália, com as tropas prestes a retornarem ao Brasil. A família italiana inicialmente mostrou resistência, pois João não tinha família e eles não conheciam o Brasil. Com alguma resistência resolvem aceitar a união, contudo ao se dirigir ao padre o mesmo não autorizou o casamento, tendo em vista o pouco tempo para tramitar a papelada. João decidido a não desistir, viajou até Livorno para buscar o aceite do Bispo, que vendo o empenho do brasileiro autorizou o casório.
Após uma cerimônia simples, João e Rita tiveram pouco tempo para desfrutar as bodas, pois uma semana depois o jovem soldado retornou com o contingente brasileiro para o Rio de Janeiro, mas não antes de planejar o encontro com sua esposa italiana, a fim de consolidarem a vida em comum. Rita ainda tinha um árduo caminho a fazer, pois juntamente com outras italianas casadas com soldados brasileiros, portanto a história do soldado João e da italiana Rita não foi isolada, pedalou 8 horas de bicicleta até a cidade de Livorno para a embaixada brasileira solicitar um visto de permanência.
No final os dois se encontram no Rio de Janeiro. João licenciado do exército e com dificuldades para encontrar emprego se desloca para o Recife, na expectativa de sustentar sua família. Com o passar dos anos João e Rita se firmam e já com um filho vivem um vida tranquila e cheio de história para contar aos seus netos.
Essa é uma história real de pessoas que viram a guerra e as dificuldades provenientes dela.
Valorizemos as pessoas que viveram algo tão surreal para a juventude atual.
Um Verdadeiro Soldado Brasileiro – Rigoberto de Souza
Esse post é mais do que uma mera descrição da história! Por várias vezes publicamos material baseado na pesquisa, na indicação ou em algum material que é enviado para este blog. Mas este POST é diferente! Recai sobre meus ombros a descrição da experiência de um verdadeiro Soldado Brasileiro. Materializar através dessas linhas um paraibano bravo que combateu na Itália e que, apesar dos seus 88 anos, possui na firmeza de seus pensamentos e na eloquência de sua voz, um relato de um integrante atuante da Força Expedicionária Brasileira.
Rigoberto de Souza Vice-Presidente da Associação Nacional dos Veteranos da FEB – Seção Pernambuco, não possui nem de longe o perfil do soldado brasileiro que os historiadores gostam de exemplificar: “o pracinha incauto com pouca educação”, muito pelo contrário, Doutor Rigorberto é um erudito, com uma biblioteca farta ele manuseia seus livros com a firmeza de conhecer e dominar cada publicação, indicando livros e fazendo menções de relatos e autores. Tivemos o prazer de passar uma tarde na presença desse homem que, entre outras coisas, possui um acervo que surpreende pela qualidade. Tudo isso tornou a visita uma verdadeira aula de história prática, que deixaria qualquer professor universitário completamente renovado da profissão. Foi uma especialização em FEB!
O Sargento Rigoberto serviu no 11º Regimento de Infantaria, Companhia de Canhões Anticarros (C.C.A.C), depois convertida para Subunidade de Fuzileiros, onde comandou um grupo de combate. Participou dos ataques a Monte Castello e a Montese, sendo condecorado com as seguintes medalhas: Cruz de Combate de 2ª Classe; Medalha de Campanha; e Medalha de Guerra. Ao retornar ao Brasil ingressou na Universidade Federal de Pernambuco, se formando posteriormente em Odontologia. Foi um dos fundadores da ANVFEB-PE, tendo atuado fortemente em 1988 pelo reconhecimento pela Constituição da situação dos Ex-Combatentes da FEB.
Mas seria injusto se não fizesse menção ao braço operacional da ANVFEB-PE, Rigoberto de Souza Júnior nosso contato, e uma pessoa apaixonada pelo legado do pai e que, gentilmente proporcionou, não apenas esse encontro, mas também as fotos do seu acervo pessoal, e se demonstrou um grande soldado que batalha pela herança histórica da FEB no Brasil. Graças a seu exemplo, podemos ratificar nossas esperanças de continuar o trabalho em busca do reconhecimento de todos que fizeram a Força Expedicionária Brasileira um exemplo de dedicação ao Brasil.
Uma Citação:
“A Cobra segue Fumando!”
O Sargento Rigoberto em uma patrulha com o seu grupo de combate encontraram um alemão morto e sob seu corpo estava essa pistola wz.35 Vis – Arma de fabricação polonesa e que foi adotada pelo Exército polonês a partir de 1935 como armamento padrão. Posteriormente foi utilizado pela Wehrmacht com a anexação da Polônia pela Alemanha.
Informações sobre a Pistola: http://it.wikipedia.org/wiki/Radom_Pistolet_wz.35_Vis
Negociado com um Prisioneiro de Guerra Alemão
Informações Adicionais:
Centenário de Nascimento do Sgt Max Wolf Filho
Nascido em Rio Negro – PR, em 29 de julho de 1911, era filho de Max Wolff, descendente de alemães e de D. Etelvina, natural de Lapa-PR. Até os 4 (quatro) anos viveu as tensões da Guerra do Contestado. Aos 5 (cinco) anos, durante a Primeira Guerra Mundial, freqüentou a escola em Rio Negro (PR). Aos 11 (onze) anos já era o principal auxiliar de seu pai na torrefação e moagem de café. Aos 16 (dezesseis) anos passou a trabalhar como escriturário de uma companhia que explorava a navegação no Rio Iguaçu. Nas horas de folga, juntava-se aos carregadores para ensacar erva-mate, carregar e descarregar vapores.
Serviu ao Exército pela primeira vez, se alistando no então 15ºBC, em Curitiba, hoje 20ºBIB, onde participou da Revolução de 1930. Transferido para o Rio de Janeiro, combateu a Revolução de 1932 no Vale do Paraíba. Foi professor de Educação Física e Defesa Pessoal. Ingressou na Polícia Militar do Rio, então Distrito Federal, sendo Cmt da Polícia de Vigilância.
Na época da 2ª Grande Guerra Mundial, apresentou-se voluntariamente, tendo sido designado para a 1ª Cia, do 1°Btl do já tradicional 11°Regimento de Infantaria, em São João Del Rei. Contava ele com 33 (trinta e três) anos de idade.
Ingressou na FEB como 3° Sargento, desde cedo tornou- se muito popular e querido, dada as suas atitudes desassombradas e a maneira carinhosa e paternalista com que tratava seus subordinados (apelidado de carinhoso) com o passar do tempo, passou a ser admirado não só pelos seus camaradas, mas pelos superiores tanto da FEB como do V Exército de Campanha americano, pelas suas inegáveis qualidades.
Todas as vezes que se apresentava para missões dificeis a serem cumpridas, lá estava o Sgt Wolff se declarando voluntário, principalmente participando de patrulhas. Fazia parte da Companhia de Comando e, portanto, sem estar ligado diretamente às atividades de combate, participou de todas as ações de seu Batalhão no ataque de 12 de dezembro a Monte Castelo, levando, de forma incessante, munição para a frente de batalha e retornando com feridos e, na falta deste, com mortos. Indicado por sua coragem invulgar e pelo excepcional senso de responsabilidade, passou a ser presença obrigatória de todas as ações de patrulha de todas as companhias, como condição indispensável ao êxito das incursões. Um desses exemplos está contido no episódio em que o General Zenóbio da Costa, ao saber do desaparecimento do seu Ajudante-de-Ordens, Cap João Tarciso Bueno, que fora colocado à disposição do escalão de ataque, pelo General, por absoluta falta de recompletamento de oficiais, ordenara ao Cmt do Btl que formasse uma patrulha para resgatar o corpo do seu auxiliar. O Cmt adiantou ao emissário que a missão seria muito difícil, mas que tentaria. Para tanto, sabedor que só um Wolff poderia cumpri-la, o chamou, deu a ordem e ouviu do Sgt Wolff, com a serenidade, a firmeza e a lealdade que só os homens excepcionalmente dotados podem ter: ”Coronel, por favor, diga ao General que, desde o escurecer, este padioleiro e eu estamos indo e voltando às posições inimigas para trazer os nossos companheiros feridos. Faremos isto até que a luz do dia nos impeça de fazer. Se, numa dessas viagens, encontrarmos o corpo do Capitão Bueno, nós o traremos também”. Não logrou o Sgt Wolff trazer o corpo do Cap Bueno que, apenas ferido, havia sido resgatado por um soldado, mas ainda lhe foi possível, naquela madrugada, salvar muitas outras vidas.
Tais qualidades o elevaram ao comando de um pelotão de choque, integrado por homens de elevados atributos de combatente, especializado para as missões de patrulha, que marcharia sobre o acidente capital “Ponto cotado 747”, ação fundamental nos planos concebidos para a conquista de Montese. Foi-lhe lembrado sobre a poupança da munição para usá-la no momento devido, pois, certamente, os nazistas iriam se opor à nossa vontade. Foi-lhe aconselhado que se precavesse, pois a missão seria à luz do dia. Partiu às 12 h de Monteporte, passou pelo ponto cotado 732 e foi a Maiorani, de onde saiu às 13:10h para abordar o ponto cotado 747. Tomou, o Sgt Wolff, todas as precauções, conseguindo aproximar-se muito do casario, tentando envolvê-lo pelo Norte. Estavam a 20 metros e o Sgt Wolff, provavelmente, tendo se convencido de que o inimigo recuava, estando longe, abandonou o caminho previsto para, desassombradamente, à frente de seus homens, com duas fitas de munição trançadas sobre seus ombros, alcançar o terço superior da elevação. O inimigo deixou que chegasse bem perto, até quando não podiam mais errar. Eram 13:15 h do dia 12 abril de 1945. O inimigo abriu uma rajada, atingindo e ferindo o comandante no peito que, ao cair, recebeu nova rajada de arma automática, tendo caído mortalmente também soldado que estava ao seu lado. Após esta cena, sucedeu-se a ação quase suicida de seus liderados para resgatar o corpo do comandante. A rajada da metralha inimiga rasgava um alarido de sangue. A patrulha procurava neutralizar a arma que calara o herói. Dois homens puxaram o corpo pelas penas. Um deles ficou abatido nessa tentativa. O outro, esquálido e ousado, trouxe Wolff à primeira cratera que se lhe ofereceu. Ali, mortos e vivos se confundiam. A patrulha, exausta, iniciava o penoso regresso às nossas linhas, pedindo que a artilharia cegasse o inimigo com os fogos fumígenos e de neutralização. Os soldados do Onze queriam, a qualquer custo, buscar o companheiro na cratera para onde tinha sido trazido, lembrando a ação que ele mesmo praticara tantas vezes. Queriam trazer o paciente artesão das tramas e armadilhas da vida e da morte das patrulhas. Foi impossível resgatá-lo no mesmo dia face a eficácia dos fogos inimigos, inclusive de Artilharia. O dia seguinte era a largada da grande ofensiva da primavera. O Sgt Wolff lá ficara para que estivéssemos presentes na hora da decisão.
Montese foi conquistada. Seu nome será sempre presente porque as grandes ações resistem ao tempo e são eternas. Foi promovido “post-mortem” ao posto de 2º Tenente (Decreto Presidencial, de 28 Jun 45). Deixou na orfandade sua filha Hilda, seu elevo e maior afeição de sua vida de soldado. Da Itália, escreveu a sua irmã Isabel, relatando seu orgulho em pertencer ao Exército Brasileiro e que, se a morte o visitasse, morreria com satisfação. Foi homenageado com a distinção de ser agraciado com quatro medalhas: de Campanha; sangue do Brasil; Bronze Star (americana) e Cruz de Combate de 1ª Classe.Eis a síntese do heroísmo de um homem simples e valoroso. Seus restos mortais encontram-se no Monumento aos Mortos da Segunda Guerra Mundial, no jazido 32, quadra G.
DEPOIMENTO
Eu estava a uns trinta metros de Wolff quando ele foi atingido. O soldado Alfredo Estevão da Silva, que ia na frente, virou-se para mim e disse: “Parece que Wolff está morto. Vou puxar o corpo para cá”.Respondi que ia atrás dele. Mas uma rajada matou também o pracinha Estevão antes que ele pudesse fazer qualquer coisa. Chegou a minha vez e consegui arrastar o corpo do sargento até uns trinta metros. Depois veio a chuva de morteiros, e não pude fazer mais nada. O Sargento Alfeu de Paula Oliveira me levou depois ao estreito compartimento onde Wolff tinha suas coisas: ali estava a condecoração que o General Truscott colocara no seu peito, poucos dias antes, a citação elogiosa do General Mascarenhas; o retrato da filhinha, de olhos vivos e brilhantes como os do seu pai. Tudo agora muito desgarrado. “Este foi um dia triste para nosso Batalhão”, me disse o Major Manuel Rodrigues Carvalho Lisboa. “Nós perdemos um bravo”.
Segundo-Sargento Nilton José Facion, de São João Del Rei, Minas Gerais (http://www.anvfeb.com.br/sgtmax.htm)
Fonte:
http://www.esa.ensino.eb.br
Planfleto Americano sobre as Tropas Brasileiras
Panfleto Aliados destinados a Soldados Alemães no Front Italino. Cada carga de pafletagem a ser laçanda nas linha inimigas tinha ums quantidade em inglês destinada aos militares que iriam efetuar os disparos, para que os mesmo pudessem entender a importância da carga.
Segue a Tradução
Porque nós soldados brasileiros estamos lutando contra os alemães?
Esta pergunta é fácil de responder. O Brasil se juntou à coalizão mundial contra a Alemanha nazista, por duas razões simples e convincente:
Primeiro: porque nosso país foi provocado por piratas com submarinos alemães que afundaram nossos navios indefesos, ao longo da costa brasileira, apesar dos nossos protestos diplomáticos – na época em que o Brasil ainda mantia uma estrita neutralidade.
Segundo: porque o povo do Brasil quer viver em um mundo livre, onde um homem livre pode continuar tranquilamente com seus negócios – não sob o domínio do mundo nazista. Os chamados de Hitler <<nova ordem>> não era de forma alguma limitada a Europa, era um esquema em todo o mundo, uma ameaça universal. a rede de intrigas políticas que os nazistas tentaram espalhar por todas as repúblicas latino-americanas, incluindo a nossa pátria, feito que ficou muito claro e que o Brasil foi diretamente ameaçado pelo desafio nazista.
Soldados brasileiros na Europa estão lutando contra a agressão imperialista da Alemanha nazista – para a manutenção do nosso modo de vida e um futuro de progresso e liberdade, como todos das Nações Unidas.
Memórias de um Soldado da FEB – Parte I
Apresentaremos a partir de hoje, uma série especial contendo o relato do 3º Sargento Virgílio Daniel de Almeida que combateu pelo Regimento Sampaio durante a campanha na Itália. Nordestino valente, Sgt. Virgílio fez um relato abrangente que compreende desde o patrulhamento da costa paraibana, passando pelo seu voluntariado para compor a Força Expedicionária Brasileira até a atuação individual dos combatentes da FEB.
É com satisfação que publicamos um material tão rico em detalhes e temos a convicção de que estamos contribuindo para que as histórias aqui narradas possam ser utilizadas como reflexão pelos milhares de brasileiros que não conhecem a história da participação brasileira na Segunda Guerra Mundial e, portanto, não valorizam o sacrifício de jovens brasileiros em um período tão importante para o mundo.
Iremos realizar a publicação em cinco Partes, sendo uma por dia.
Todos os comentários enviados nos POSTS serão entregues ao próprio Major R-1 Virgílio Daniel de Almeida. Portanto fiquem à vontade!!
PRIMEIRA PARTE – O VOLUNTARIADO
Desde a declaração de guerra contra o eixo, as forças armadas aumentaram seus efetivos. Os regimentos de infantaria passaram a contar com efetivos de guerra. No nordeste foi criado o Campo de Instrução Engenho Aldeia (atualmente Centro de Instrução Marechal Newton Cavalcanti), todos os quartéis ficaram vazios, já que o efetivo da 7ª Região Militar foram acampar por tempo indeterminado em Aldeia, com exceção de duas companhias de fuzileiros por regimento, as quais, ficaram guarnecendo as praias contra eventual desembarque de tropas ou náufragos.
No 15º Regimento de Infantaria ficaram a 4ª e 5ª Companhias, fazíamos parte da 4ª Companhia, a qual coube manter a vigilância das praias do litoral sul da Paraíba, sua sede foi transferida, a princípio, do quartel para a praia de Tambaú, na época como 3º Sargento de Infantaria , comandava um grupo de combate. Recebi a missão com meu grupo, de manter a vigilância da praia de Jacumã, meu regimento naquela época era hipomóvel, contudo fomos deslocados por viaturas motorizadas de um grupo de artilharia, sediado em João Pessoa. Em nosso deslocamento para Jacumã, o subtenente da companhia nos acompanhou, conduzindo os gêneros para nossa alimentação nos próximos 15 dias, e estava ainda, autorizado a requisitar uma casas a beira mar para alojar o grupo e conseguir crédito na pequena padaria local para compra dos pães, a casa requisitada tinha fogão, mas faltava os utensílios de cozinha e lenha. Para a função de cozinheiro resolvemos com a seguinte pergunta: quem deseja ser dispensado da guarda noturna da praia e assumir a função de cozinheiro? Não difícil, apareceu logo candidato. Com criatividade resolvemos o impasse dos utensílios de cozinha e a lenha, a água para uso diária, era recolhida de uma cacimba, que ficava a uns dois quilômetros de distância da casa. O nosso banho, era uma pequena lagoa, formada por um córrego que saia de uma mata e desaguava na praia. Contudo algo lamentável aconteceu, contraí malária! Quando decorreu 15 dias que estávamos na praia, o capitão Ari, comandante da companhia, veio nos inspecionar. Me encontrou deitando em uma rede, com febre, tremores, frio e dor de cabeça. Ele então mandou o cabo assumir o comando do grupo e levou-me para a sede da companhia e, depois, para a enfermaria do regimento. Fui medicado com comprimidos de quinino, o medicamente não surtiu o efeito desejado e agravou ainda mais meu estado de saúde. O capitão Ari, então, me levou para o Serviço Geográfico do Exército, sediado em João Pessoa, e naquela organização o médico administrou ateblina. Foi quando me recuperei da malária e permaneci na sede da companhia.
Da praia de Tambaú, a companhia se deslocou para a cidade de Goiana em Pernambuco, onde fui designado para manter a vigilância da praia de Pitimbú, distante pouco mais de 40km daquela cidade. Em Pintimbú as missões eram as mesmas de Jacumã, a única novidade era um estação de rádio, chefiada por um sargento rádio telegrafista, que em caso de necessidade, eu me comunicaria com o comando da companhia em Goiana.
Em 1943 começaram os preparativos para a organização da FEB, sendo escolhido para o comando da Divisão de Infantaria Expedicionária 1ª DIE, o General de Divisão João Batista Mascarenhas de Morais, para comandar a Infantaria Divisionária, o General Euclides Zenóbio da Costa, para Artilharia Divisionária o General Osvaldo Cordeiro de Farias.
Em junho de 1944, o Ministério da Guerra determinou às Regiões Militares que organizassem contingentes para seguir destino ao primeiro escalão da FEB no Rio de Janeiro. A prioridade adotada foi o voluntariado e caso não atingisse o número exigido, as faltas seriam preenchidas por militares escalados, então me apresentei como voluntário, como explicado abaixo:
Estava com a companhia em instrução, quando recebemos a ordem para suspender os exercícios e regressar ao quartel. Lá mandaram os oficiais e praças antigas para o alojamento, onde ficaram aguardando a ordem para falar com o comandante da companhia. Quando chegou minha vez, o comandante olhou para mim e disse – sargento Virgílio recebi ordens para selecionar voluntários para a Força Expedicionária Brasileira, vou olhe fazer uma pergunta, você responde sim ou não: você deseja se inscrever como voluntário para a FEB? Respondi – sim. Após a minha resposta, ele me mandou que saísse e não mais voltasse ao alojamento. No dia seguinte, na leitura do boletim da Unidade, foi publicado a minha inclusão como voluntário no contingente destinado a FEB, ficando adido para atender os vários procedimentos, tais como inspeção de saúde, receber proventos, aguardar ordem de embarque e outros. A 20 de junho fui excluído do estado efetivo da Unidade e embarquei para Recife, ficando adido ao 7º Grupo de Artilharia de Dorso, em Olinda-PE, aguardando envio para seguir destino para o Rio de Janeiro.
CONTINUA…
Charge Brasileira da FEB com o Espírito Brasileiro
Por que a 148ª Divisão Alemã se entregou somente aos brasileiros na Itália?
É obrigação dessa geração lutar pelo reconhecimento histórico da honra dos nossos soldados que lutaram na Itália:
Esse pequeno exemplo representa muito bem a índole dos nossos combatentes, muito diferente daquele que tentam nos imputar: a de torturadores e facínoras.
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Por que a 148ª Divisão Alemã se entregou somente aos brasileiros na Itália?
“Foi em abril de 1945. Os alemães tinham retraído da Linha Gótica depois da nossa vitória em Montese, e provavelmente pretendiam nos esperar no vale do rio Pó, mais ao Norte. Nosso Esquadrão de Reconhecimento, comandado pelo Pitaluga, os avistou na Vila de Collechio, um pouco antes do rio. A pedido do General fui ver pessoalmente e lá, por ser o mais antigo, coordenei a noite um pequeno ataque com o esquadrão e um pelotão de infantaria, sem intenção maior do que avaliar, pela reação, a força do inimigo. Sem defender efetivamente o local, os alemães passaram para o outro lado do rio e explodiram a ponte. Então observamos que se tratava de uma tropa muito maior do que poderíamos ter imaginado. Eram milhares deles e nós tínhamos atacado com uma dezena de tanques e pouco mais de cinquenta soldados”.
“Informamos ao comando superior que o inimigo teria lá pelo menos um regimento. O comando, numa decisão ousada, pegou todos os caminhões da artilharia, encheu-os de soldados e os mandou em reforço à pequena tropa que fazia frente a tantos milhares.” – ” Considerei cumprida a minha parte e fui jantar com o Coronel Brayner, que comandava a tropa que chegara” prosseguiu Dionísio. “Durante a frugal refeição de campanha, apresentaram-se três oficiais alemães com uma bandeira branca, dizendo que vieram tratar da rendição. Fiquei de interprete, mas estava confuso; no início nem sabia bem se eles queriam se entregar ou se estavam pensando que nós nos entregaríamos, face ao vulto das tropas deles, que por sinal mantinham um violento fogo para mostrar seu poderio”.
“Esclarecida a situação, pediram três condições: que conservassem suas medalhas; que os italianos das tropas deles fossem tratados como prisioneiros de guerra (normalmente os italianos que acompanhavam os alemães eram fuzilados pelos comunistas italianos das tropas aliadas) e que não fossem entregues à guarda dos negros norte-americanos”.
“Esta última exigência merece uma explicação: a primeira vista parece racismo. Que os alemães são racistas é óbvio, mas porque então eles se entregaram aos nossos soldados, muitos deles negros? Bem, os negros americanos naquela época constituíam uma tropa só de soldados negros, mas comandada por oficiais brancos. Discriminados em sua pátria, descontavam sua raiva dos brancos nos prisioneiros alemães, aos quais submetiam a torturas e vinganças brutais. É claro que contra eles os alemães lutariam até a morte. Não era só uma questão de racismo”.
“Eu perguntei ao interprete do lado alemão (nos entendíamos em uma mistura de inglês, italiano e alemão), por que queriam se render, com tropa muito superior aos nossos efetivos e ocupando uma boa posição do outro lado do rio. Ele me respondeu que a guerra estava perdida, que tinham quatrocentos feridos sem atendimento, que estavam gastando os últimos cartuchos para sustentar o fogo naquele momento e que estavam morrendo de fome. Que queriam aproveitar a oportunidade de se render aos brasileiros porque sabiam que teriam bom tratamento”.
“Combinada a rendição, cessou o fogo dos dois lados. Na manhã seguinte vieram as formações marchando garbosamente, cantando a canção ‘velhos camaradas’, também conhecida no nosso Exército”.
“A cerimônia era tocante” – prosseguiu Dionísio. “Era até mais cordial do que o final de uma partida de futebol. Podíamos ser inimigos, mas nos respeitávamos e parecia até haver alguma afeição. Eles vinham marchando e cada companhia colocava suas armas numa pilha, continuando em forma, e seu comandante apresentava a tropa ao oficial brasileiro que lhe destinava um local de estacionamento. Só então os comandantes alemães se desarmavam. A primeira Unidade combatente a chegar foi o 36º Regimento de Infantaria da 9° Divisão Panzer Grenadier. Seguiram-se mais de 14 mil homens, na maioria alemães, da 148° Divisão de Infantaria e da Divisão Bessaglieri Itália que os acompanhava”.
“Entretanto houve um trágico incidente: Um nosso soldado, num impulso de momento, não se conteve e arrancou a Cruz de Ferro do peito de um sargento alemão. O sargento, sem olhar para o soldado, pediu licença a seu comandante para sair de forma, pegou uma metralhadora em uma pilha de armas a seu lado e atirou no peito do brasileiro, largou a arma na pilha e entrou novamente em forma antes que todos se refizessem da surpresa. Por um momento ninguém sabia o que fazer. Já vários dos nossos empunhavam suas armas quando o oficial alemão sacou da sua e atirou na cabeça do seu sargento, que esperou o tiro em forma, olhando firme para frente. Um frio percorreu a espinha de todos, mas foi a melhor solução” – Concluiu Dionísio.
Ao ouvir esta história, eu já tinha mais de dez anos de serviço, mas não pude deixar de me emocionar. Não foram as tragédias nem as atitudes altivas o que mais me impressionaram. O que mais me marcou foi o bom coração de nossa gente, a magnanimidade e a bondade de sentimentos, coisas capazes de serem reconhecidas até pelo inimigo. Capazes não só de poupar vidas como também de facilitar a vitória. É claro que isto só foi possível porque os alemães estavam em situação crítica; noutro caso, ninguém se entregará só porque o inimigo é bonzinho, mas que a crueldade pode fazer o inimigo resistir até a morte, isto também é real. Na História Pátria podemos ver como Caxias, agindo com bondade, só pacificou, e como Moreira César, com sua crueldade, só incentivou a resistência até a morte em Canudos.
O General Dionísio e o interprete alemão – Major Kludge, se tornaram amigos e se corresponderam até a morte do primeiro, no início dos anos 90. O General Mark Clark, comandante do 5° Exército norte- americano, ao qual a FEB estava incorporada, disse que foi um magnífico final de uma ação magnífica. Dionísio disse apenas que a história real é ainda mais bonita do que se fosse somente um grande feito militar.”
Cel.Hiram Reis e Silva
Série Heróis Brasileiros na FEB – Parte I
Vamos a partir de hoje publicar uma série que possa exaltar nossos ex-combatentes que participaram da Força Expedicionária Brasileira. Caso você tenha material sobre qualquer participante da FEB teremos a maior prazer de publicar, é só enviar para blogchicomiranda@gmail.com. No caso de hoje vamos publicar as fotos e resumo Enock Pires de Araujo enviados por Evan Hudes seu genro.
Capacete M1 completo c a insignia do 9o BE com assim como seus dog-tags e patches e de uma jaqueta do V exercito americano q ele conseguiu trazer de Napoles.
Enock Pires de Araujo,nascido em 26/07/1917,Alagoas,Maceio.
O Brasileiro é Acima de Tudo Um Forte – O Legado da FEB
Tradicionalmente o brasileiro é taxado de ter a memória curta, isso quer dizer que lhe é peculiar o pouco interesse no passado de seu país. Em vários aspectos discordamos dessa posição, contudo existem características no Brasil que nos arremata para esse tipo de pensamento, e uma delas é a FEB. Isso mesmo, a Força Expedicionária Brasileira é um assunto pouco expressado no meio acadêmico, a participação brasileira no conflito mundial de 39 a 45 é um grande território de estudo para as diversas universidades do país, muito embora o tema seja pouco valorizado, as obras e estudos que têm como área de pesquisa a mobilização, atuação, resultados e desmobilização da Força Expedicionária Brasileira são de pouquíssimos autores em comparação a outros períodos da história brasileira. Nesse cenário, a memória dos que combateram no Teatro de Operações Europeu ficou sob a responsabilidade dos filhos, netos e bisnetos dos ex-combatentes que têm lutado com a mesma garra de seus antepassados para manter viva a honra que esses combatentes conseguiram nos campos de batalha italiano. Nessa “guerra” injusta contra a ignorância histórica, o trabalho se torna mais difícil com o passar dos anos e, quando os ex-combatentes nos deixarem, as Associações estarão enfadadas ao esquecimento se não houver um mudança de atitude no trato com a memória desses homens que viram a guerra, e voltaram sob a égide da vitória para o país, mas também destinados ao abandono do governo que os enviou.
Existe um grupo de intelectuais que critica e questiona firmemente a atuação da FEB nos campos de batalha italianos, entre os quais citamos William Waack, um dos maiores jornalista que esse país possui é também autor do livro As Duas Faces da Glória, que trás uma visão jornalística das relações do Brasil com os demais Aliados, e se baseia em documentos trocados entre os ingleses e americanos juntamente com entrevistas de combatentes alemães que lutaram contra a FEB na campanha da Itália. Bem, claro que essas discussões são pertinentes e, até salutar, para o debate sobre a participação brasileira, contudo o ponto passivo entre os estudiosos e aficionados pelo assunto é a bravura dos soldados brasileiros no combate, isso deve ser o elemento central na exaltação da memória das futuras gerações. Uma divisão expedicionária que foi formada com soldados com claras deficiências físicas, com pouca ou nenhuma instrução, saídos de um exército que até anos antes tentou golpes de Estado que foram planejados e executados por membros de suas fileiras, um exército cujo último conflito de grandes proporções foi uma controversa guerra contra seu próprio povo, em uma cidade chamada Canudos, ainda no século XIX; e a FEB foi criada sob as ordens de um Estado ditatorial para lutar contra uma nação de regime semelhante, guardada as proporções. Essa divisão foi formada com soldados que, aparentemente, não foram bem vistos por seus Aliados, mas que no decorrer das missões mostrou-se ser de extrema bravura individual, lutando contra um inimigo experiente, vindos de outros fronts como a campanha russa, membros da temida Afrika Corps, um povo que estava lutando desde o final do século anterior. Nossos soldados foram viris frente a este inimigo, deixando de lado suas limitações logísticas e físicas demonstraram serem dignos da frase do grande escritor Euclides da Cunha, quando se referiu ao povo que o exército enfrentara na guerra de canudos – O nordestino é acima de tudo um forte, escreveu ele em sua obra-prima Os Sertões – no caso da FEB, não apenas o nordestino, mas o brasileiro se mostrou forte, enfrentando o seu oponente e todas as limitações, enfrentando o tempo, e o rígido inverno europeu, mesmo saído das regiões tropicais e nunca ter visto neve, lutou na neve, vencendo um inimigo árduo, o frio. Pode-se escrever livro questionando as operações da campanha, mas deveríamos escrever dez vezes mais, sobre a coragem dos febianos para deixar de legado para as próximas gerações.
Fechando o ciclo de exemplos que podemos elencar na busca pelo reconhecimento dos nossos brasileiros que lutaram em solo estrangeiro, podemos citar os 17 de Abetaia que foram cercados e mortos no ataque em 12 de dezembro de 1944 no Monte Castelo, seus corpos só foram recuperados após o ataque de 21 de fevereiro de 1945, e devido o frio extremo, todos estavam bem conservados, muitos ainda com o dedo travado no gatilho de seus fuzis, enquanto outros estavam com granadas na mão e sem o pino de segurança, morreram todos em formação semi-circular, cercados, mas face a face com o inimigo, encarando-os até a morte. Homens bravos! Brasileiros Bravos!
Escrito por Francisco Miranda - Proibido reprodução ou publicação sem autorização do autor
































































































































































































































