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Pinturas Soviéticas da Segunda Guerra– 41/42 – Parte II
Segue a beleza da arte do caos da guerra:
Uma “Via Sacra” Diferente! – Memórias de um Soldado Brasileiro
Estávamos na Itália como participante da Força Expedicionária Brasileira.
Eu pertencia ao 1° pelotão da 2ª companhia do Regimento Sampaio (1° RI). Na sexta-feira da paixão em 1945, o meu pelotão, comandado pelo então 1° Tenente. Fredímio Trota foi designado para formar uma patrulha noturna afim de verificar se um casarão (tipo casa de chácara) que havia na “terra de ninguém”, encosta de morro onde estavam os alemães bem à nossa frente, estaria sendo usada ou não pelos alemães como posto de observação de nossas posições. Como sabemos, as posições tanto nossa como as do inimigo eram situadas seguindo os caprichos das sinuosas linhas de cristas das elevações que se contrapunham. Em linha reta, ora estavam próximas ora se distanciavam um pouco, mas as variações eram cerca de 300 a 500 metros. Para a sortida em patrulha, a coisa mudava de figura, tínhamos que descer ao fundo do vale que os separava e em seguida galgar as encostas em direção às linhas alemãs, multiplicando as distâncias. Assim a patrulha saiu às 20 horas e como de costume, caminhávamos pé ante pé. Não se dava uma palavra, Apenas um cochicho aqui outro ali e comunicação por gestos, pois andávamos bem próximos um dos outros, cuidando para que o companheiro não se desviasse da rota. Nessas condições leva-se horas para percorrer 400, 500 metros, um tempo extraordinário… Fomos chegar ao objetivo passava da meia noite.
Chegamos, cercamos a cara (era grande) e usando pequenas lanternas em formato de cachimbo, verificamos cômodo por cômodo. Encontramos vestígios, gorros alemães, pequenos restos de comida (pão), mas alemão mesmo, nenhum. Após isso todos foram se comunicando em vozes mais altas. Houve a ordem de retrair. O retorno era por uma estradinha carroçável (quase um carreiro coberto de grama e arbusto).Fomos regressando. Comunicação feita pelo rádio. “Não foi encontrado inimigo na posição tal!” e como é natural, ninguém pode evitar isso, houve aquele suspiro, um alívio. Quando estávamos a uns 150 metros da casa as metralhadoras alemãs entraram em ação (eles tinham posto “lurdinhas” em posições bem distantes da casa em um monturo de folhas e lixo), havíamos verificado apenas a casa e pagamos o preço…
As descargas pegaram o pelotão em cheio, a caminhada em declive e a rapidez em que nos jogámos no solo fez o milagre de não ter havido baixas. Mal havia deitado e percebi que no outro lado da estradinha havia uma pequena valeta para escoamento das águas. Resolvi atravessar a estrada em busca de abrigo melhor. Atravessei a estrada num lance com as balas traçantes passando entre minhas pernas e cai do outro lado. Junto a mim um soldado do meu grupo, Joaquim, também nordestino acompanhou-me. Cai na valeta e ele junto. A partir daí o soldado passou a fazer uma chamada de santos… Ele não pedia socorro (tal como: Me ajude, me proteja, etc) ele só dizia São Benedito, São Sebastião, São Luiz, São Francisco, São Leão. Começou a desfiar um rosário de nomes de santos que eu até hoje não sei se existem.
Em seguida às “lurdinhas”, os alemães mandaram uma chuva de monteiros que por terem usado “alça longa” caiu à nossa frente, a considerável distância fazendo o declive nos proteger! Embora tenha “barrado” o nosso retorno por bastante tempo. Aguardamos imóveis no terreno e cessada a refrega regressamos silenciosos chegando quase ao amanhecer com a missão cumprida, pois essas armas alemãs foram devidamente mapeadas para serem neutralizadas durante a “operação encore” (ofensiva geral sobre os alemães) que se desencadearia brevemente.
Este foi o meu exercício de “Via Sacra” na paixão de 1945. Claro que me obstive de falar sobre Joaquim com os companheiros para não haver as inevitáveis gozações.
Souza
(Recife, Páscoa de 2005, 60 anos depois)
Nome: Severino Gomes de Souza
Graduação na FEB: Terceiro Sargento
Funções: Comandante de Grupo de Combate
Comandante de pelotão (48 horas – Monte Castelo)
Orientador de Pelotão
Posto Atual: Capitão Reformado
Formação Civil: Administração de Empresas (Diploma UFPe)
Condecorações:
Cruz de Combate
Medalha de Campanha
Medalha de Guerra
Medalha de Tempo de Serviço
Medalha Monte Castelo
Medalha Mascarenhas de Morais
Medalha Asp. Mega
Residência Atual:
Candelária – Natal-RN
Humor – as Fotos Mais Estranhas da Segunda Guerra – Parte VII
Continuação da Série…
- Autoridade Militar no banheiro
- Lorde indo para a Guerra
- Pessoas Estranhas Parte I
- Pessoas Estranhas Parte II
- Juventude Hitlerista – Sacaram quem tá padrocionando?
- Enganando o inimigo
- “Sou um coelhinho…”
- O gato na cabeça é a coisa menos estranha dessa foto
- Esse vai ser o jantar da Tropa…Será?
- Sem armamento
- Legal
- Fiel amigo do homem
- Sei…sei…sei…Mas um golinho!
- Fiel amigo do PAI
- Já vi essa foto…
- Esse cara é o maior combatente da Guerra…Olha o tamanho da medalha
- Putz…Cigarro pro moloque é pra lascar!!
- Levando o filho pra guerra
- É o Bebum nada!!
- Brincando de Polícia e Ladrão
Pinturas Soviéticas da Segunda Guerra – 1941/42
Estamos publicando uma série de pinturas fantásticas que foram produzidas durante a ofensiva alemã sobre a União Soviética até a expulsão de seus territórios. Todas as telas estão em coleções particulares em museus pelo mundo inteiro. Uma raridade linda e inquietante. Todas as obras refletem exatamente o momento de agustia que passavam os soviéticos, e isso, obviamente está refletido nas obras que tomam um contorno de patriotismo contra o invasor.
Força Aérea da Segunda Guerra – Parte II
A segunda Parte com Fotos mais incríveis ainda:
Força Aérea da Segunda Guerra – Parte I
Em uma série iremos apresentar todos os aviões nas mais diversas situações de guerra, de acidentes a bombardeios, de ataques a destruição total. Segue abaixo:
Fotos e Seus Detalhes Históricos – Parte IX
Continuação da Série de Tirar o Fôlego!! – Alta definição!
- P-51A Mustang durante um voo de teste perto da fábrica norte-americana de Aviação em Inglewood, Califórnia, Estados Unidos, outubro 1942
- Os pára-quedistas dos EUA de 82 ª Divisão Aerotransportada se preparando para um salto, Norte da África, no final de 1942; nota CCKW 2 1/2-ton 6×6 caminhão de transporte
- P-38H-5 com um motor de penas; muitos disseram neste avião terai um motor perdido; 1943
- Bombardeiros B-29 pintados de Verde-oliva – final de 1943
- Bombardeiro B-25 Mitchell “Escapando de um Bombardeio”, Nova Guiné, 1943-1945
- Três pilotos do Grupo 332, EUA Nona Força Aérea EUA, posando na frente de um Jeep, Essex, Inglaterra, Reino Unido, fev-set 1944
- 101ª Airborne Division EUA – pára-quedista Louis E. Laird embarcou em um transporte C-47 durante a travessia para a invasão da Normandia, primavera de 1944
- Exército dos EUA tanques M4 Sherman e outros equipamentos carregados em uma LCT, pronto para a invasão da França, por volta de final de maio ou início de junho 1944
- Memorando de Eisenhower a Marshall, 6 de junho de 1944 contado os detalhes dos resultados da Invasão a Europa
- Fogo na área da praia de Juno, Normandia, França, 6 de junho de 1944
- Tripulação do encouraçado Missouri realizando exercícios de abandono do navio, no verão de 1944; nota OS2N-1 aeronaves Kingfisher em segundo plano na porta catapulta lateral
- Caças P-51 Mustang do 375º Esquadrão de Caça voando em formação, na Europa, 7 Jul-09 de agosto de 1944
- P-51D Mustang aeronaves “Tika IV” do 361 Exército dos EUA Grupo Flight, julho-dezembro 1944
- Francês tropas e veículos desfilando pelas Arco do Triunfo até a Avenue des Champs-Élysées, Paris, França, 26 de agosto de 1944
- Me 262 B-1a/U1 caça noturno (convertido de dois lugares trainer), pós-guerra
- F-86 Sabres na Coreia
Fotos e Seus Detalhes Históricos – Parte VIII
Segue a série fotos e seus detalhes históricos. Algumas dessas inclusive são em Alta resolução.

Drayton navegando no mar ao largo da costa oeste dos Estados Unidos, por volta de outubro 1941; nota asa de estibordo avião SNJ da Marinha dos EUA a partir do qual a foto foi tirada - (Alta definição)

Adolf Hitler inspecionando encouraçado Bismarck com o Almirante Lutjens e o Capitão Lindemann, Gotenhafen, Alemanha (hoje Gdynia, Polónia), 5 de maio de 1941. Lutjens não é visto nesta foto

Documento oficial assinado por Ribbentrop, Galeazzo Ciano, Hiroshi Oshima, e Filov Bogdan, incluindo a Bulgária na aliança do Eixo, 03 de janeiro de 1941

Danificado veículo alemão na sequência de um ataque de partidários, Simferopol, sul da Ucrânia, por volta de dezembro 1941

MS.406 finlandês se preparando para decolar de um campo nevado, Viitana, Karelia, na Rússia, o inverno 1941-1942

M3 tanque médio e sua tripulação EUA Exército, Fort Knox, Kentucky, Estados Unidos, junho 1942 - (Alta definição)
Fonte: German Federal Archive
O que aconteceu com o Tenente que Ordenou o massacre em Creta?
Fallschirmjäger Oberleutnant Horst Trebes – Tenente Paraquedista Horst Trebes
Nascido: Köln, 22 de outubro de 1916,
Morto em ação: 29 jul 1944 Normandia – sul de Denys-le-Gast
Fallschirmjäger desde: 1 de junho de 1938
Data de enlistement: 01 de abril de 1936
A estranha história de sua vida …
Tenente Horst Trebes foi uma figura central no massacre Kondomari. A vida desse jovem tenente morto em ação ainda desperta o interesse de muitas pessoas.
Horst Trebes nasceu em Köln (Colônia) em 22 de Outubro de 1916. Ingressou na Wehrmacht como aluno da academia militar em abril de 1936 e foi promovido a oficial em 20 de Abril de 1938. Em 20 de junho de 1938 ele se voluntariou para a formação de uma Unidade Fallschirmjäger (paraquedista) sob o comando do Major Richard Heidrich. A Unidade Fallschirmjäger foi incorporada à Luftwaffe em 01 de abril de 1939 como parte do Batalhão III, 1 Fallschirmjäger Regiment (III FJR / 1).
Trebes participou das campanhas da Holanda e Polonia e ganhou a Cruz de Ferro de Segunda Classe na Polônia e a Cruz de Ferro de Primeira Classe na Holanda. Em 1941, durante a invasão de Creta, ele serviu como oficial de pessoal do Regimento Sturm 1.
Em Creta um unidade de combate (Kampfgruppe) foi formada a partir da equipe regimental consistindo do tenenteTrebes, tenente Schachter e o major Baum. O Kampfgruppe pousou perto da ponte sobre o rio Travotinis em nove planadores a oeste da Malemes. A missão era capturar a ponte e depois capturar a posição a oeste do aeródromo Malemes.
Em 20 de maio Trebes atacou a área em auxilio ao pelotão tenente Kalhey, que tinha sido cercado. Durante este ataque major Baun foi morto e o tenente Schachter foi ferido. Trebes assumiu o comando da Kampfgruppe. A próxima ação foi em maio de 23 a oeste de Palantias quando o Kampfgruppe capturou a colina 107. Por essa ação Trebes foi condecorado com a Cruz dos Cavaleiros, embora a data do prêmio é listado como 09 de julho de 1941.
Em 02 de junho de 1941 Trebes se dirigiu com quatro caminhões cheios de Fallschirmjäger (paraquedistas) para a aldeia de Kondomari onde mais de 100 civis foram presos e, estima-se, que aproximadamente 65 foram executados. Tenente Trebes ordenou pessoalmente o “abrir fogo” executando as ordens vindas do General Student.
Um mês depois do massacre em Kondomari, Trebes foi novamente condecorado. Ele voltou à Alemanha, e foi para uma festa em Halberstadt com um grupo de Fallschirmjäger. A festa terminou tragicamente; Oberjäger Karl Polzin; um membro do famoso Fallschirmjäger Trupp 4 que tinha capturado Fort Eben Emael, foi morto por Trebes acidentalmente em uma brincadeira com a sua arma. Polzin foi dormir na casa de banho e Trebes insistia em acordar-lhe com a sua pistola… É fácil imaginar a cena e a “situação de controle total dos bebados após uma festa “.
Sua mãe o salvou da pena de morte. Ela havia trabalhado como enfermeira durante a Primeira Guerra Mundial e ajudou Hermann Göring nesse período com seus ferimentos. Após se recuperar, Göring prometeu que iria ajudá-la no futuro, em caso de necessidade. Ela procurou Göring papra interceder por Trebes. Pesou também o fato de que Trebes era um herói famoso na tropa e, por isso, sua vida foi poupada. De qualquer forma a Luftwaffe não podia fugir do embaraço de ter uma de seus herói julgados em tribunal.
Apesar de intervenção de Göring, o tenenteTrebes perdeu suas condecorações e a licença de paraquedista e foi enviado à África, onde especula-se, que perdeu seu braço direito (Isto não é provado). Ferido ou não, ele se tornou um homem imprudente emocionalmente, abalado e obcecado por cada chance para recuperar sua posição.
Trebes também lutou na Rússia como comandante III / Regimento LLStürm até ser transferido no início da primavera de 1944 para o comando III/FJR6. Apesar de todas as suas missões suicidas se destacou e ganhou a oportunidade de recuperar sua honra. O major von der Heydte sábio, desesperado por comandantes experientes e voluntários como Trebes, que sabia da oportunidade como comandante de seu Regimento III Batalhão 6.
Contudo durante a ofensiva Aliada sob a Normandia (Operação Cobra) o tenente Trebes morre em ação. As circunstâncias de sua morte não são claras e é desconhecida a localização exata, talvez em algum lugar perto Carentan, acredita-se ser a sul de Denys-le-Gast em 29 de julho de 1944 durante a luta dos exércitos aliados através de Saint- -Lo.
Creta: Da Resistência ao Massacre
A aldeia de Kondomari faz parte do município Platanias, estando localizado perto da costa norte de Creta e 18 km a oeste da cidade de Chania . A aldeia fica na vizinhança da pista Maleme, que está situado cerca de 3 km à noroeste.
A Batalha de Creta começou em 20 de Maio de 1941 com uma invasão em larga escala no ar destinada a capturar pontos estratégicos da ilha. Como foi comprovado na prática, um dos locais mais importantes, foi a pista de pouso Maleme e a região em torno. Sua captura permitiu a Luftwaffe voos em grande escala e o envio reforços de tropas e suprimentos que, eventualmente, determinou o resultado da batalha.
Na manhã de 20 de maio de 1941, os pára-quedistas alemães do III Batalhão do Regimento de Assalto atacaram a sudeste de Maleme. Seu local de pouso compreendia Platanias e a vila de Kondomari. Os invasores foram confrontados nos dias 21 e 22 por Batalhões de Infantaria da Nova Zelândia, que se juntaram a civis mal armados portando armas primitivas. Os pára-quedistas experientes ofereceram forte resistência, mas sofreram severas baixas que totalizaram cerca de 400 homens, incluindo seu comandante major Otto Scherber. Eugen Meindl , comandante do regimento, foi baleado no peito e teve de ser substituído por Hermann-Bernhard Ramcke .
Ao longo da Batalha de Creta, as forças aliadas e as forças cretense irregulares tinham infligido pesadas perdas de vidas na Wehrmacht . Em particular, a resistência, sem precedentes da valente população local exasperava o senso de ordem militar dos prussianos, pois pensavam que apenas um profissional deve ter permissão para lutar. Relatórios do General Julius Ringel , comandante da 5a Divisão de Montanha , afirmavam que os civis cretenses atacavam pára-quedistas com facas, machados e foices. Mesmo antes do fim da Batalha, as histórias não comprovadas e exageradas tinham começado a circular, atribuindo as mortes excessivamente altas a tortura e mutilação de pára-quedistas pelos cretenses. Quando essas histórias chegaram ao Alto Comando Luftwaffe em Berlim, Göring ordenou ao General Student a realizar inquéritos e represálias. Assim, buscando contra-insurgência e antes de inquéritos estivessem completos, o comandante General Kurt Student emitiu uma ordem para lançar uma onda de represálias brutal contra a população local após a rendição de Creta em 31 de Maio. As represálias eram para ser realizadas rapidamente, omitindo as formalidades ou ensaios e pelas mesmas unidades que tinha sido confrontado com os habitantes locais.
Seguinte ordem de Student, os habitantes de Kondomari foram responsabilizados pela morte de alguns soldados alemães cujos corpos foram encontrados perto da aldeia. Em 02 de junho de 1941, quatro caminhões cheios de pára-quedistas alemães do III Batalhão da Luftlande-Sturm-Regimento sob o comando do Oberleutnant Horst Trebes rodeado Kondomari. Trebes, um ex-membro da Juventude Hitlerista , foi o único oficial do Batalhão a ter sobrevivido a batalha sem ferimentos. Homens, mulheres e crianças foram obrigados a se reunir na praça da vila. Então, um número de reféns foi selecionado entre os homens, enquanto mulheres e crianças foram liberadas. Os reféns foram levados para os bosques em torno de olivas e depois foram mortos a sangue frio. O número exato de vítimas não é certo. De acordo com registros alemães, um total de 23 homens foram mortos, mas outras fontes colocam o número de 60. Toda a operação foi registrada por Franz-Peter Weixler , então servindo como correspondente de guerra (kriegsberichter) para o Wehrmacht.
- Casa onde foi encontrado uma Jaqueta de um soldado perfurado
- Examinando a jaqueta encontrada
- O início do agrupamento
- A primeira formação do pelotão
- Negociação
- no bosque
- Os Assassinatos.
- General Kurt Student e o Tenente Horst Trebes
- As ordens para abrir fogo
- Abrindo FOGO
- O resultado do massacre
Zinaida e Seu Passado de Interrogatórios na URSS
Entrevista realizada por Laurence Rees diretor de criação da área de História da BBC. Documentarista e escritor premiado, Rees é especialista em nazismo e Segunda Guerra Mundial
A Oficial de uma Unidade antiterrorismo soviética, Zinaida Pytkina recebeu do seu chefe a incumbência de atirar em um jovem major alemão prisioneiro
Sentada encolhidinha em sua casas caindo aos pedaços em Volgograd, Zinaida Pytkina, à primeira vista, parece-me uma típica vovó russa. Quando a conheci, ela já estava quase com oitenta anos, no entanto, seu olhar ferino não combinava com a idade. Ali estava uma mulher que avaliava as pessoas que conhecia sem qualquer emoção – e que parecia considerar todos a sua volta inferiores ao seu padrão.
Durante a Segunda Guerra, Zinaida foi oficial da SMERSH [Smert Shpionam, palavras russas que significava “morte aos espiões”], uma das mais formosas unidades secretas da inteligência soviética. Sua especialidade era coletar informações junto a prisioneiros alemães.
Esses nazistas capturados, ela explicou, não eram “prisioneiros de guerra comuns” , pois tinham sido presos por esquadrões soviéticos antissequestro. Em resumo, esta condição conferia aos integrantes da SMERSH o direito de tratar aqueles prisioneiros da forma que quisessem, sem qualquer limite.
Assim, os soldados alemães eram obrigados a revelar unidades, suas missões, seus plano de batalha e os nomes de seus comandantes. Se cooperassem, contou Zinaida, eram tratados “com gentileza”.
“Com gentileza” foi a forma escolhida para a ex-oficial soviética para se referir à tortura a que os prisioneiros eram submetidos caso não colaborassem. Quando os alemães falavam, um especialista era trazido para “lhes dar uma lavada” e, finalmente, fazê-los “cantar”. Geralmente, eles, falavam, afinal de contas, “ninguém queria morrer”, lembra a ex-oficial.
Ao falar das ações da SMERSH, Zinaida demonstrou orgulho. Ela defende que era correto tratar os prisioneiros alemães daquela maneira, porque eles lhes dispensavam semelhante tratamento: “O que deveríamos fazer? Idolatrá-los? Eles matavam nossos soldados. O que eu deveria fazer?”.
E sua rotina não se restringia a observar interrogatórios e tortura de soldados alemães: ela participou pessoalmente de assassinatos. Um dia, seu superior lhe disse para “dar um jeito” em um jovem major alemão. Assim que recebeu a ordem, ela sabia exatamente o que aquilo significava: a ordem era para que ela matasse. “Quando os prisioneiros eram trazidos depois de interrogatórios, aquilo já era esperado (…). Se tivessem trazidos uma dúzia deles, minha mão não tremeria para atirar em cada um. Eles tinha de ser destruídos, da mesma forma com que estavam nos destruindo. Hoje, eu não participaria daquilo tudo, não mataria, fosse inimigo ou não. Para mim, hoje este assunto está superado. Mas, naquela época, se tivessem enfileirado todos aqueles alemães, eu teria matado um a um. Tanto soldados russos já tinha perdido a vida com dezoito, dezenove ou vinte anos…Tinham sido simplesmente obrigados a lutar contra os alemães porque aqueles homens queriam ganhar terreno. Como você se sentiria?”.
Zinaida descreveu seus sentimentos, ao levantar sua pistola para atirar no jovem major alemão: “eu senti alegria (…). A minha mão não tremeu quando eu atirei nele(…). Os alemães não nos pediam para poupá-los. Eles sabiam que eram culpados e eu estava com raiva. Eu enxergava ali um inimigo: meus pais, tios e irmãos morreram por causa deles”.
Quando o corpo sem vida do militar nazista caiu na vala, ela sequer olhou: “fiquei satisfeita. Tinha cumprido meu dever. Fui para o escritório e tomei um bebida”.
“Compreendo o interesse em saber como um mulher é capaz de matar um homem”, disse Zinaida, já no fim da entrevista. “Eu não faria isso agora. Bom, só faria se houvesse uma guerra e eu voltasse a ver o que vi naquela época. Daí, provavelmente, faria de novo(…). Uma pessoa a menos, foi o que pensei. Pergunte a ele quantas pessoas ele matou – será que não pensou nisso? Eu também poderia ter sido morta(…)e, hoje, se um inimigo atacar, eu faria a mesma coisa”.
Naquela noite, sonhei com a história que tinha acabado de ouvir. Vi o corpo do major apodrecendo na vala e Zinaida e seus amigos comemorando ali nas redondezas.
Talvez o pesadelo tenha sido inspirado pelas palavras que a velha russa proferiu antes de se despedir: “Ele já tinha matado tantos soldados russos…por acaso eu deveria beijá-lo por isso?”
- Zinaida – Ex-Oficial da URSS
Nota do BLOG:
A História deve ser vista sob a ótica da imparcialidade, portanto não estamos questionando ou fundamentando de algum forma os motivos ou o merecimento dos soldados alemães ou o direito de torturar que a entrevistada tenta usar como justificativa. Como estudiosos do período apresentamos FATOS HISTÓRICOS e cabe a cada pessoa que acompanha o BLOG realizar julgamentos de valores e pessoais sobre o assunto.
As Fotos mais Engraçadas da Segunda Guerra – Parte VI
Campo de Concentração de Pouso Alegre – MG
Entre os campos de concentração ou presídios verificados como estabelecimentos destinados ao internamento dos “súditos do Eixo” no Brasil, encontramos uma única situação envolvendo prisioneiros militares. Trata-se do Campo Militar para Prisioneiros de Guerra de Pouso Alegre, que acomodou, entre 21 de setembro de 1943 e 15 de abril de 1944, 62 marinheiros do navio alemão Anneleise Essberger.
Esse campo gora regulamentado pelo Ministério da Guerra para meio do Aviso Reservado n 411/348, de 24 de agosto de 1943, no qual o general Mario José Pinto Guedes, respondendo pelo expediente, designou o quartel do 1º Grupo do 8º Regimento de Artilharia Montada de Pouso Alegre, no sul de Minas Gerais, como sede do campo de prisioneiros de guerra a ser instalado e regulamentado pela Convenção de Genebra.
O quartel do Exército do I/8º RAM de Pouso Alegre, atualmente denominado de 14º Grupo de Artilharia de Campanha (14º GAC), foi criado em 23 de fevereiro de 1915 pelo Decreto n. 11488 de 10 de fevereiro de 1915, como 10º Regimento de Artilharia Montada, mas foi organizado em 19 de março de 1918, sendo esta data aniversário da Unidade. A partir de 20 de julho de 1919, passou a ser chamado o 8º RAM, constituindo-se no 1º Grupo do 8º RAM somente em 1940. Após a declaração de guerra o quartel foi designado para cooperar com o esforço de guerra na proteção do litoral brasileiro.
Mesmo sendo um cargueiro da Marinha Mercante Alemã, o Anneleise Essberger contava com uma tripulação de 35 marinheiros, 14 oficiais e 13 suboficiais. Essa tripulação mista justificava-se pelo fato de o cargueiro ser um furador de bloqueio, destinado a abastecer os submarinos alemães no Atlântico de combustível, mantimentos, munições e matérias-primas. Fazia a rota Bordeaux, na França, até Kobe, no Japão, transportando cargas de borracha entre o Atlântico e o Pacífico.
Em 1942, o Anneleise Essberger rumava do Japão pelo Atlântico Sul quando foi interceptado pela 4ª Esquadra Americana, sediada em Recife, sob o comando do Almirante norte-americanos Jonas Ingran, já na linha do Equador. Desde o início de novembro, cruzadores e contratorpedeiros norte-americanos aguardavam a chegada de furadores de bloqueio do Eixo, quando, no dia 22, o Somers da esquadra americana aproximou-se de uma navio desconhecido intimidando-o a se identificar. A demora visava retardar sua captura pelos Estados Unidos possibilitando que a própria tripulação o destruísse.
Ao cair da noite, com o cargueiro afundando, seus tripulantes foram capturados e levados para Recife, entregues ao general Mascarenhas de Morais, comandante da 7ª Região Militar. Lá chegaram a bordo do cruzador norte-americano Cincinatti, sendo recebidos na Praça de Derby pelo Capitão de Infantaria José Arnaldo Cabral de Vasconcelos, comandante da Polícia Militar de Pernambuco, em cuja sede os prisioneiros ficavam internados de novembro de 1942 e julho de 1943. De Recife foram conduzidos para o Rio de Janeiro pelo navio brasileiro Poconé, aportando na capital federal em 03 de julho de 1943, e recolhidos pela Polícia Militar do Distrito Federal, comandada pelo Coronel Odylio Denys, até serem encaminhados para Pouso Alegre.
“A Guerra chegou a Pouso Alegre a 21 de setembro de 1943, desembarcando na estaçãozinha da Rede [Ferroviária Mineira de Viação Sul], por volta das sete horas da noite. Ela apareceu sob a forma de 48 prisioneiros de guerra alemães, escoltados desde o Rio de Janeiro, por soldados teuto-brasileiros do Exército” – ARARIPE, L. Prisioneiros de Guerra Alemães no Brasil: campo provisório de concentração de Pouso Alegre (MG) durante a Segunda Guerra Mundial (I), p.53.
O trajeto pela Rede Ferroviária Mineira de Viação Sul da Central do Brasil, no Rio de Janeiro, até a pequena estação próxima ao quartel do Exército de Pouso Alegre levava 12 horas, com uma baldeação na cidade paulista de Cruzeiro. Além da desconfortável viagem, os prisioneiros alemães ignoravam o destino do trem devido às venezianas bloqueadas, que os impediam de ver a paisagem. Ao chegarem a Minas, em trajes civis, com uma ou outra peça remanescente do uniforme da marinha alemã, traziam pouca bagagem, com mudas de roupas e raros objetos pessoais. Marcharam da estação de trem até o quartel, escoltados por cinco sargentos, três cabos e 15 soldados do Batalhão de Guardas, sob o comando do Primeiro-Tenente Diniz Silva.
Fonte: Prisioneiros de Guerra – Os “Súditos do Eixo” nos campos de concentração brasileiros (1942-1945) – Editora Humanitas – São Paulo – 2010
SEBASTOPOL – Em Detalhes – Parte III
Uma Patrulha Russa e o Dora
Os homens avançaram em silêncio, o máximo que puderam. Eram comandado por um jovem capitão. Um sargento que os acompanhava, veterano de cem campanhas, perscrutando a obscuridade com seu olhar penetrante…
– Atenção, companheiros, ali há um movimento estranho…- sussurrou debilmente.
O capitão, distribuindo rapidamente seus homens, protegeu-se, por sua vez, no buraco de uma granada. A patrulha tinha uma missão especial. À retaguarda haviam chegado informações pouco tranqüilizadoras. Informações que falavam de um canhão. Mas não de um canhão simples, como todos. Tampouco um canhão que superava em alguns centímetros os que já eram conhecidos. As informações falavam de um monstro. Efetivamente, assim havia qualificado o chefe do grupo encarregado da vigilância do depósito de munições russas de Sewernaja.
O capitão russo, no seu refúgio, meditava. Evidentemente aquela missão não tinha sentido… Para que preocupar-se com um canhão mais, um canhão menos, qualquer que fosse o seu calibre… O depósito de munições estava numa caverna, aberta na rocha viva, a 30 metros de profundidade… Nenhum canhão podia alcançá-lo, era impossível…
Repentinamente um violento resplendor iluminou todo o local. Os homens colaram-se ao solo instintivamente. Uma fração de segundo depois chegou o ruído. Foi um troar que aumentou sua intensidade até converter-se numa detonação, estarrecedora.
A terra estremecia sem cessar, sacudida pelos canhonaços. Violentos relâmpagos rasgavam o espaço. O silvo dos seus projéteis fendia o ar. Um furacão de fogo e aço desencadeou-se contra as posições russas.
Os homens da patrulha começaram a retroceder. Penosamente se arrastaram até suas posições. Faltavam apenas algumas centenas de metros, quando uma detonação, única, incrível, horrenda, partiu das linhas alemães. O Dora havia disparado pela primeira vez.
O famoso Dora, de 80 cm, havia sido projetado, estudado e fabricado para demolir as defesas da Linha Maginot, na França. Contudo, o desenrolar das operações tornou desnecessária a sua utilização. Era, sem dúvida, uma maravilha de técnica de artilharia. Seu comprimento total atingia 30 metros, e seu suporte tinha a altura de uma casa de dois andares. O transporte do Dora e seu equipamento havia requerido a utilização de 60 vagões ferroviários. Duas seções de artilharia antiaérea vigiavam e defendiam o Dora dos ataques da aviação inimiga. O Dora não compensou, como rendimento, seu elevadíssimo custo, porém conseguiu efeitos que pareciam impossíveis: fazer voar um depósito de munições, aberto na rocha viva, a 30 metros de profundidade, por exemplo.
Isto foi Sebastopol
Um piloto alemão que participou da conquista de Sebastopol anotou nas páginas de seu diário pessoal uma visão dessa trágica batalha. Eis aqui suas palavras:
– Do ar, Sebastopol parecia um panorama de batalha esboçado por um pintor. Já nas primeiras horas da manhã, o ar estava repleto de aviões que se precipitavam em picada arrojando suas bombas sobre a cidade. Milhares de bombas – mais de 2.400 toneladas de altos explosivos e 23.000 incendiárias – foram descarregadas sobre a cidade e a fortaleza. Uma só incursão demorava, nada menos, que 20 minutos. Quando se atingia a altura necessária, já se estava sobre o alvo.
– Com a fumaça e o pó, em meio ao rugido das explosões, o campo de batalha era praticamente invisível para nossas tropas em terra; elas viam apenas os bombardeiros lançando-se sobre esse inferno. O angustiante piquê dos Stukas e o silvo aterrador que produziam as bombas ao cair, abalavam o ânimo dos mais valentes. As tropas de assalto, expostas ao calor abrasador de um sol ardente, detêm seu avanço durante alguns minutos que, para os defensores, devem parecer uma eternidade. Os russos aferram-se à terra-mãe com obstinação inigualável. Se não lhes resta escapatória, dinamitam seus fortes e redutos e perecem junto com os atacantes.
– A artilharia antiaérea russa foi silenciada logo nos primeiros dias, e por isso o perigo para os aviões é menor que nos portos do Cáucaso ou nos aeródromos russos. Contudo, nossa tarefa em Sebastopol exige o máximo dos homens e do material; 12, 14 ou até 18 ataques diário foram feitos por cada tripulação. Um Junkers 88 com seus tanques de combustível cheios, faz 3 a 4 ataques seguidos, sem que a sua tripulação deixe o aparelho. Isto significa um desgaste tremendo para os aviões e o pessoal da manutenção, esse anônimos soldados que durante muitos dias e noites não tem um só minuto de descanso.
– Sob o estrondar maciço da avalanche de bombas, o fofo da artilharia pesada do Exército, e os disparos do superobus Thor, mesmo a defesa mais desesperada deve finalmente quebrar-se. Dia após dia, o anel do cerco se estreita. Milhares de alemães e russos perecem nos sangrentos combates corpo a corpo. A terra absorve em torrentes o sangue dos desafortunados soldados…
– O único momento em que reina uma breve calma é quando o sol se deita no mar Negro, e seus últimos raios banham a fortaleza e o porto com um resplendor vermelho-sangue… Isto foi Sebastopol, um nome que ainda hoje desperta terríveis lembranças em todos que ali estiveram. Os atacantes e os defensores lutaram igualmente com uma fúria que poucas vezes repetiu-se em toda a guerra.
SEBASTOPOL – Em Detalhes – Parte II
O DORA:
Dora era o codinome de um canhão alemão 800 mm, arma utilizada sobre trilhos. Juntamente com o Schwerer Gustav, foram desenvolvidos na década de 1930 pela Krupp, a fim de destruir posições fortificadas. Pesavam cerca de 1.350 toneladas, e podiam disparar projéteis a 37 km (23 milhas). Projetado em preparação para a Segunda Guerra Mundial, e destinados para uso contra a Linha Maginot, eles não estavam prontos para a ação quando a Wehrmacht invadiu a França. Foram usados na União Soviética no cerco de Sebastopol, durante a Operação Barbarossa. Eles foram transferidos para Leningrado. Gustav foi capturado por tropas dos EUA, enquanto Dora foi destruída perto do fim da guerra para evitar a captura pelo Exército Vermelho.
SEBASTOPOL – Em Detalhes – Parte I
O Cerco de Sevastopol (30 de outubro de 1941 to 04 de julho de 1942) acabou por quase destruição total da cidade. Nazistas entraram em Sevastopol 03 de julho de 1942 realizando um cerco de 22 dias. Durante o cerco de Sebastopol estima-se cerca de 200.000 cidadãos foram mortos.
Relatos Sobre a Resistância:
As luzes do amanhecer iluminavam debilmente o contorno das coisas. Vários homens, em fila indiana, acercaram-se rapidamente da praia, e buscaram refúgio entre as rochas. Um solitário avião alemão de reconhecimento passou nesse instante sobre o local. Os homens se imobilizaram, colados às parede das rochas. Segundos depois, o avião inimigo perdeu-se nas distância. Então, o grupo retomou as marcha. Agachados, todos se acercaram alguns metros mais da franja das ondas, fracas naquele ponto. Uma ordem partiu do que encabeçava o grupo. Pararam todos, e febrilmente começaram a abrir as sacolas que levavam. Num instante o chão de areia fina se cobriu de trajes de borracha e grandes escafandros. Uma nova ordem e os equipamentos foram colocados em fila. O comandante do grupo passou rapidamente e inspecionou cada elemento. Em seguida, com um gesto, ordenou a continuação da operação. Os homens começaram a vestir as roupas. Depois, auxiliados por um novo grupo que havia aparecido silenciosamente, ajustaram os escafandros. Compridos tubos de borracha foram arrastados até as pedras e atarrachados a bombas de ar, que permaneciam ocultas. Dois minutos depois, a equipe de mergulhadores estava pronta para descer às profundezas. Um a um, os homens foram submergindo. Em seguida, os que cuidavam das bombas cobriram com areia, os tubos que penetravam na água, e se esconderam apressadamente. A operação começara. A partir deste instante, a 10 ou 20 metros de profundidade, os mergulhadores ficaram entregues a sua sorte. Sua missão: extrair dos barcos afundados tudo que pudesse ainda ser de utilidade na defesa de Sebastopol. Ali, nas profundezas, havia granadas, bombas, peças de máquinas, medicamentos e armas. Tudo era útil. Tudo podia servir aos defensores. Mas também existia ali outra coisa que apavorava os mergulhadores. Algo que provocava reações tais que tornavam terrível o mergulho. Ali, em baixo, havia cadáveres. Cadáveres de homens e mulheres. E cadáveres de crianças. Centenas de homens, mulheres e crianças que pereceram ao afundar-se seus barcos sob o impacto das bombas alemães. E aquele cadáveres deviam ser apartados para os mergulhadores entrarem no interior dos barcos. E muitos deles, ao serem abertas as portinholas, saíam flutuando ao encontro dos vivos…
O espetáculo, horrendo, era temido pelos russos. Os mergulhadores russos, experientes e veteranos de cem campanhas, sofriam diante da idéia de flutuar num mundo silencioso e povoado de cadáveres. Porém, além dessa recusa instintiva, impunha-se a férrea decisão de resistir e salvar a sua cidade. E sem vacilar mergulhavam uma, outra, várias vezes.
Ao sair à superfície, nos momentos de calma em que a aviação alemã não sobrevoava a zona, os mergulhadores traziam caixões de granadas, peças de máquinas, e medicamentos principalmente. As granadas, sem perder um segundo, eram transportadas à linha de frente. Os medicamentos, bandagens especialmente, eram estendidas ao sol para secar e ficarem em condições de uso novamente. Os terríveis mergulhos se repetiram dia após dia, enquanto os russos mantiveram a cidade em suas mãos. Animados por uma fé inquebrantável, os mergulhadores desceram centenas de vezes. E milhares de granadas foram salvas e usadas contra o invasor.
É possível comprar Relíquias da Alemanha Nazista
Primeiramente essa publicação não tem a intenção de vangloriar qualquer tipo de artefato ou relíquia nazista ou qualquer tipo de objetivo relacionado a Adolf Hitler.
Temos por objetivo informar que nesse caso, o valor histórico de cada peça exposta possui uma concorrência direta com pessoas que cultuam a imagem do nazismo e do seu principal expoente.
Na internet é possível comprar de tudo! E nesse caso a fonte não será revelada.
Bolsa que pertenceu a Eva Braun , e cuja a origem vem da coleção de Frau Anni Winter.
Avaliada em 18 mil dólares
Talheres da Chancelaria do Reich
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Livro de Henry Ford que pertenceu a Adolf Hitler
Vendido por preço não divulgado
Estátua de Adolf Hitler construída pelo famoso artista Kurt Schmid-Ehmen. Um dos principais expoentes do Terceiro Reich
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Facas que eram utilizadas em jantares oferecidos para as autoridades de outros países em visita oficial a Alemanha
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Livro A Face do Führer, é uma coleção de 16 de 7 x 9 polegadas fotos de Adolf Hitler. Cada um é datado entre 1919-1939. O livro era o orgulho do fotógrafo pessoal do Führer Heinrich Hoffmann. Este é um muito procurado por se uma edição de luxo.
7º GAC – Uma Gloriosa Unidade Militar Resplandece da Tragédia.
O 7º Grupo de Artilharia de Campanha (7º GAC) é das mais tradicionais Unidades Militares do Estado de Pernambuco e a principal de cidade de Olinda. Sua história é uma verdadeira epopéia. Criado pelo Decreto-lei Nr 4.342, de 26 maio de 1942, como 7º Grupo de Artilharia de Dorso (7º GADo), teve seu efetivo enviado do Rio de Janeiro para Pernambuco nos vapores Baependi e Itagiba, que foram torpedeado pelo U-Boot 507 em 15 e 17 de agosto de 1942, respectivamente.
Naquele histórico e dramático momento, pereceram 153 militares que iriam constituir o 7º GADo, dentre eles o Major LANDERICO DE ALBUQUERQUE LIMA, comandante da tropa em deslocamento.
Segue abaixo o relato do Capitão Lauro Reis e publicado em 1948, no livro “Seleção de Seleções”, uma coletânea de artigos publicados na revista “Seleções do Reader’s Digest”.
“Deixamos o porto de Salvador, Bahia, às sete horas da manhã, rumando para o norte. Do Rio até ali o mar tinha estado calmo. Agora se apresentava picado, espumoso, com fortes marolas, e o velho Baependi arrastava-se, moroso, balançando desagradavelmente.
O vapor ia repleto — umas trezentas e cinqüenta pessoas, incluindo a tripulação e uma unidade do Exército, cujos componentes — oficiais e soldados — iam acompanhados de suas famílias, algumas com muitas crianças.
Como esse dia — 15 de agosto — era o aniversário natalício do comissário de bordo, um excelente homem, o jantar foi festivo, a orquestra tocou animadamente e a alegria reinou a bordo até bastante tarde. Enquanto no salão se dançava, lá fora na popa, os soldados, — quase todos cariocas — montados em canhões e grandes caixas, reunidos em grupos, tocando pandeiros e batendo em latas, cantavam seus sambas à moda do morro…
Noite fechada, as luzes todas apagadas, navegávamos a umas 20 milhas da costa, quando súbito um tremendo estampido sacode violentamente o velho barco. Quebram-se as vidraças; o madeiramento range, estala, racha e, arremessados por forças invisíveis, voam estilhaços de vidro e madeira para todos os lados. Caem as primeiras vítimas, e há diversas pessoas com o rosto sangrando, devido a ferimentos provocados por fragmentos de vidro.
As máquinas param, o vapor altera o rumo abruptamente, e somos jogados pela inércia, com força, para a frente.
O primeiro instante deixa todas as pessoas imóveis de espanto, a respiração suspensa, as fisionomias pálidas e angustiadas… Não há gritos; nenhum pânico. Percebe-se em cada um o esforço mental para entender o ocorrido, para buscar uma solução, pressentindo a gravidade do terrível momento…
Estou no vestíbulo, de onde partem as escadas para o deck superior e para os camarotes de baixo. Tomado de surpresa, tenho imediata intuição do sucedido: fomos torpedeados ! Logo a seguir, ouço o apito surdo do navio, pedindo socorro… O Baependi começa a adernar.
Corro ao meu camarote ali perto, empurro a porta, que felizmente não ficou emperrada, apanho rápido o meu salva-vidas, e saio.
Há muitas pessoas no vestíbulo; umas, principalmente mulheres e crianças, paradas, como se esperassem que uma providência alheia as salvasse; outras caminhando febrilmente, na direção em que julgam poder encontrar salvamento. O navio aderna mais e mais; só podemos andar, agora, agarrados às paredes.
Alguns descem com dificuldade as escadas para os camarotes inferiores, em busca de salva-vidas, ou para se reunir às suas famílias; infelizmente, para não voltarem mais… Ficarão na companhia dos que nem sequer conseguiram sair dali.
Vejo tudo isso de relance e, ainda enfiando o cinto salva-vidas, subo a escada para o deck de cima, em busca da minha baleeira; agarrado ao corrimão, chocando-me com pessoas que descem, aturdidas, estou quase no alto, quando um segundo torpedo explode, abalando fragorosamente todo o navio. O corrimão, ao qual me agarrava, fica feito em frangalhos, e rolo na escada, de costas, aos trambolhões, até a porta do refeitório, de onde saíra. Entre o primeiro e o segundo torpedos, não decorreram mais de trinta segundos.
As luzes se apagam; esbarramos uns nos outros, desorientados, no meio de profunda escuridão. O navio aderna consideravelmente, já sendo impossível, agora, andar de pé.
O segundo torpedo foi o tiro de misericórdia. O Baependi agoniza… Percebo que o afundamento vai ser rápido. Esforço-me por sair do interior. Um cheiro sufocante e enjoativo, proveniente da explosão, invade tudo.
Tateando, com grande esforço consigo agarrar-me à escada e, de restos, segurando-me nas saliências, vou subindo devagar.
Na escuridão, apenas distingo, numa pequena claridade vinda de fora, o contorno de uma porta, ao fim da escada que tento subir. É preciso atingí-la a todo custo, porque senão eu afundarei dentro do navio. Mais um esforço e consigo chegar.
O navio, nesse momento, está quase de lado: o que era parede passou a ser chão. Atravesso aquela porta com os movimentos de quem, pela abertura do teto, passa para o forro de uma casa.
Alcanço a baleeira em frente à porta. Presa aos turcos, num emaranhado de cordas, alguns marinheiros tentam soltá-la. Não trocamos palavra. Começo a ajudá-los, procurando desvencilhar cordas, febrilmente.
Mas é inútil: o Baependi continua a afundar-se vertiginosamente ! As ondas revoltas quase nos atingem e ouço, bem perto, os gritos pungentes dos que já lutam com elas.
Compreendo, então, que devo atirar-me imediatamente ao mar, para não ser arrastado pelo turbilhão que faria a massa do navio ao submergir. Mas já é tarde demais, porque, estando ele quase horizontal, se eu der um salto, cairei, conforme o lado, sobre o casco ou sobre o convés. Ouço ainda o apito tenebroso do vapor, um apito surdo e contínuo, agonizante, de estertor.
As águas me envolvem violentamente, jogando-me de encontro a uma parede. Depois… sinto que mergulhamos, arrastados pelo navio.
Penso, conformado, na morte: deste mergulho não voltarei, certamente ! Não perco o raciocínio, nem me deixo dominar pelo desespero. Antes me conservo calmo, resignado, enfrentando o desfecho da vida. Continuo a merguIhar, a mergulhar… Quantos metros ? Nem sei ! Sinto nos ouvidos o barulho forte e característico das bolhas de ar, numa escala cromática extravagante, que vai num crescendo do grave para o agudo, à proporção que me aprofundo nas águas… A falta de ar já me tortura; começo a engolir água…
Súbito, porém, paro de mergulhar, e percebo que vou voltando. Mas sou, então, violentamente imprensado entre dois volumosos fardos, e tenho a sensação de que vou ficar esmagado. Inexplicavelmente, não sinto nenhuma dor. Por felicidade, fico de novo livre, e continuo a voltar, aos trancos, à superfície, recebendo pancadas pelo corpo, agora mais rápido — cada vez mais rápido — até que, de repente, dou um salto, saindo-me fora d’água o tronco todo, tal o empuxo.
O navio está completamente submerso. Imagino que não deve ter levado a afundar-se mais de três ou quatro minutos, tornando impossível qualquer providência de salvamento, ou a descida de qualquer das baleeiras.
O mar, violentíssimo, encapelado, está coberto de destroços e, não sei como, ainda caem paus de todos os lados, como estilhaços.
Ouço gritos terríveis, angustiosos, de socorro, e vejo homens, mulheres e crianças se afogando em torno de mim.
Nado um pouco e me agarro a uns paus que flutuam, e que as fortes ondas me arrancam logo das mãos; imediatamente me seguro noutros, mas também não consigo sustê-los, e fico nesse jogo, pulando de uma tábua para outra, durante algum tempo.
Reparo que há sobre as águas duas luzes avermelhadas, como archotes, a iluminar aquela cena macabra: são bóias de iluminação, que se acendem automaticamente, ao contato com a água.
O mar limita-me a visão, e só quando me elevo numa onda melhora o meu horizonte. Em dado momento, avisto com surpresa um projetor lançando seu feixe luminoso sobre o local do sinistro: firmo o olhar e diviso, iluminado pelas luzes que dançam na água, o perfil do submarino assassino, bem próximo de nós, contemplando os resultados da sua bárbara missão ! Em seguida, perco-o de vista…
Estou agora junto de uma grande tábua branca, com aberturas que me parecem janelas: consigo com facilidade deitar-me nela, de bruços, e me sinto mais bem acomodado. Pelo menos descanso um pouco. Mas me agarro com todas as forças, para que as ondas não me arranquem dali.
Perto de mim, alguém grita em desespero, já quase a perder o fôlego:
— Não posso mais, vou desistir…
Animo o companheiro, chamando-o para junto de mim, e isso me dá mais animo! Ele se aproxima, e com algum esforço se agarra à minha tábua: vem ofegante, exausto. Trocamos algumas palavras. É um tripulante do Baependi.
As ondas violentas e o forte vento começam agora a espalhar náufragos e destroços; os gritos dispersos de socorro chegam cada vez de mais longe. Somos também impelidos para longe do local do sinistro, arrastados naquela tábua, em rumo desconhecido.
Conjugando nossos esforços, examinamos o mar em todas as direções. Nada ! Provavelmente nenhuma baleeira pôde ser lançada ao mar. Nossa salvação é provisória, sem dúvida… E ficamos vogando ao sabor das ondas por um tempo difícil de estimar: talvez meia hora, uma hora… Ouvem-se agora menos gritos de socorro: a maioria sucumbiu, desesperada !
Mas, repentinamente, divisamos uma silhueta que não é de um destroço, passando defronte das bóias de iluminação, já bem longe. Parece-nos uma baleeira… Dentro, um vulto, de pé… Não resta dúvida, é uma baleeira ! Mas está muito distante. Para alcançá-la, teríamos que nadar contra o vento e as ondas e, cansados como estamos, isso não nos parece empresa fácil.
Começamos então a gritar, com todas as forças dos nossos pulmões. Grito, grito ! Lembro-me de gritar meu nome, e o faço diversas vezes. Lembrança talvez salvadora: ouvimos, pouco depois, uma resposta que nos pareceu “espera”… Graças a Deus, tinham-nos ouvido, e remam em nossa direção ! Foi o primeiro alento, a primeira sensação de poder sair com vida daquela pavorosa catástrofe.
A baleeira se aproxima. Abandonando a benfazeja tábua, damos umas braçadas, lançam-nos uma bóia presa a uma corda, e somos içados para bordo, onde encontro dois tenentes, dois sargentos e três soldados, da minha unidade. Abraçamo-nos, comovidos, mas poucas palavras trocamos. Pensamos na sorte dos outros camaradas, e não nos conformamos com a idéia de que somos os únicos sobreviventes.
É talvez esta a única baleeira que escapou ao desastre, arrancada dos turcos pela violência da explosão.
Recolhidos mais alguns náufragos, somos ao todo vinte e oito. Entre eles, há uma moça que, mal explodiu o torpedo, lançou-se resolutamente ao mar, nadando, agarrada a um pequeno destroço, durante mais de uma hora!
Mas em que direção ficará a costa? Não podemos orientar-nos com segurança, pois mal se vêem as estrelas, e a escuridão impede-nos de consultar a única bússola, que corria de mão em mão, inutilmente.
Mas entre os náufragos está, felizmente, o piloto do Baependi. Recobrando as forças, ele resolve com simplicidade o problema da navegação, mandando “remar na direção do vento, pois o mesmo soprava para terra”.
Somente na baleeira noto que estou ferido. O sangue jorra abundantemente do meu rosto, e, levando a mão à face direita, percebo que sofri uma fratura. Mas não sinto nenhuma dor.
A pequena embarcação joga como uma casca de noz naquele mar agitado e de vez em quando uma onda mais forte invade-a; um grande rombo da proa aumenta a nossa inquietação; é preciso baldear continuamente a água, tal a quantidade que entra.
O vento é cortante, sentimos um frio tremendo, uma sede desoladora, e o enjôo apodera-se da maioria.
Pouco depois avistamos, não muito longe, um navio iluminado. Ficamos hesitantes: valerá a pena remar na sua direção ? Alcançá-lo-emos ? Desistimos da idéia, o que foi providencial, pois cerca de uma hora depois, ouvimos o eco de uma tremenda explosão, que nos pareceu um trovão longínquo: o navio que passara por nós — o Araraquara, soubemos depois — fora também torpedeado !
Navegamos assim, impelidos pelo vento e pelos remos, durante toda a noite — que nos parece interminável. Os rapazes, incansáveis, se revezam nos remos e os outros no balde de água.
Ao clarear o dia, ainda na penumbra, temos uma explosão de contentamento: a uns dois quilômetros de nós, percebemos a faixa branca de areia de uma praia ! Mais umas remadas, a manobra para vencer a forte arrebentação, e eis-nos em terra firme. Nossos corações pulam de alegria !
A praia, desabitada, é formada por vastas dunas de areia, onde os pés se enterram, agravando nosso cansaço. Caminhamos algum tempo, seguindo uma pequena trilha, até avistarmos uma cabana onde apenas encontramos água.
Felizmente, indicam-nos uma picada que vai ter a uma povoação. Andamos até o meio-dia, ou antes, arrastamo-nos, pois há diversas pessoas feridas, e outras esgotadas. Por sorte encontramos muitos coco-da-baía, cuja água saborosa bebemos sofregamente.
Ao chegarmos à povoação, todas as portas e janelas se batem, violentamente ! “Que teria havido ?” Consultamo-nos, surpresos… Estamos tão embrutecidos, que nos custa a compreender: a nossa nudez quase total ofendeu o pudor da gente da terra ! Um parlamentar, que enviamos em trajes mais decentes, resolve a situação, e recebemos algumas roupas usadas, que nos permitem improvisar tangas.
Depois de alimentados, seguimos de canoa para Estância, no Estado de Sergipe, termo das nossas provações. Ali soubemos, mais tarde, terem chegado à praia, numa pequena balsa de madeira, mais oito náufragos do Baependi. Trinta e seis sobreviventes — eis o que restava !
Quase todos os nossos camaradas tinham sido tragados pelas ondas. E quando um médico, náufrago também, nos relatou o episódio da morte do mais jovem dos nossos companheiros de armas, não pudemos conter as lágrimas. Ao atirar-se ao mar, sem salva-vidas, certo do fim que o aguardava, o Tenente Assunção lançara em voz vibrante este grito derradeiro de patriotismo:
— “Viva o Brasil!”
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O Capitão Lauro Moutinho dos Reis, oficial de artilharia do Exército Brasileiro, fazia parte de uma unidade(7º GAdo) que viajava no Baependi para o Nordeste, quando na noite de 15 de agosto de 1942, o navio do Lóide brasileiro foi atingido por dois torpedos na altura da fronteira entre Bahia e Sergipe, fato que, ao lado dos outros quatro torpedeamentos efetuado pelo U-507, suscitou a onda de revolta nacional que levou o Brasil entrar efetivamente na Segunda Guerra contra as potências do Eixo. Das 323 pessoas que estavam a bordo do Baependi, apenas se salvaram 18 passageiros e 18 tripulantes.
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Fonte:
A Agressão Alemã Contra o Brasil
Figurou por muitos anos a tola menção de que os navios torpedeados na costa brasileira era fruto inevitável de submarinos aliados com o objetivo de incriminar deliberadamente a Alemanha, e forçar a entrada no Brasil na Segunda Guerra Mundial. Evidentemente essa teoria nunca se sustentou, muito embora ainda haja pessoas que acreditam em tão fraco argumento.
A convite do então Ministério da Marinha, o Almirante Jorgen Horhwer esteve no Brasil e, no dia 28 de março de 1982, na Escola de Guerra Naval, pronunciou uma conferência intitulada “Operações navais da Alemanha”. O Almirante, que combateu na marinha alemã durante a Segunda Guerra Mundial, relatou de forma precisa como os submarinos de seu país torpedearam navios brasileiros. O depoimento histórico abrange todas as operações navais realizadas nesta parte do oceano atlântico, do início ao fim das hostilidades, e foi publicado na íntegra, no número 18 da revista Navegator.
Vamos verificar abaixo um resumo de algumas atividades das operações submarinas da marinha alemã na costa brasileira a partir de 1942.
Semanas antes do afundamento do Lacônia, precisamente no dia 7 de agosto de 1942, Doenitz tomou uma decisão que mudaria a História Contemporânea do Brasil: o U-507 recebeu por rádio a mensagem para usar “manobras livres” na costa brasileira. De modo que o submarino comandado pelo capitão-de-fragata Harro Schacht então com 35 anos, afundou cinco navios brasileiros de cabotagem nos litorais da Bahia e Sergipe, acarretando a morte de mais de 600 pessoas, inclusive de mulheres e crianças. Diga-se agora e a bem da verdade que a grande mortandade ocorrida nos afundamentos do Baependi, Araraquara, Anibal Benevolo foi devido ao tipo de ataque devastador desfechado pelo comandante Schacht, ou seja, sem prévio aviso e lançando dois torpedos um após outro, levou aqueles navios ao fundo em questões de minutos e isso debaixo de uma noite escura e de um mar revolto. Em outras palavras, a maioria dos tripulantes e passageiros não tiveram a oportunidade de abandonar os navios devido ao rápido afundamento. Tudo indica que as ordens dadas a Schacht era o de causar o maior número de vítimas fatais. Para se ter uma idéia da dimensão da tragédia cometida pelo U-507, somente uma baleeira do Baependi, com apenas 28 sobreviventes atingiu a costa no dia seguinte. E apenas oito náufragos, agarrados em destroços de madeira, lograram alcançar a terra dois dias após o ataque. Portanto, das 305 pessoas que estavam a bordo do famoso navio do Lloyd Brasileiro, pereceram 269. Já entre os 142 ocupantes do Araraquara, 131 morreram. Tanto pior ocorreu com o Anibal Benevolo, pois morreram todos os seus 83 passageiros e apenas quatro dos 71 tripulantes, sobreviveram. Foi uma matança sem igual, porquanto até fins de julho de 1942, a Marinha Mercante brasileira de longo curso tinha perdido onze navios com 135 vítimas fatais.
Esse massacre ocorrido em águas territoriais brasileiras, provocou grande consternação entre o povo brasileiro. A indignação foi geral. Em várias cidades houve violentas manifestações populares contra súditos do Eixo e suas propriedades. Tanto o governo autoritário do Estado Novo quanto a opinião pública que vivia manietada pelo DIP, consideraram indispensável uma reação. O Brasil seria lançado definitivamente na infernal Segunda Guerra Mundial. No Rio de Janeiro, a notícia, divulgada no dia 18, desencadeou uma série de passeatas e comícios populares, onde os cariocas exigiam retaliação. No fim da tarde, uma massa popular se dirigiu para o Palácio do Itamaraty – sede do Ministério das Relações Exteriores – clamando pelo chancelar Oswaldo Aranha, que apareceu na sacada do edifício para exclamar: “A situação criada pela Alemanha, praticando atos de beligerância, bárbaros e desumanos contra a nossa navegação pacífica e costeira, impõe uma reação à altura dos processos e métodos por eles empregados contra oficiais, soldados, mulheres, crianças e navios do Brasil. Posso assegurar aos brasileiros que me ouvem, como a todos os brasileiros, que, compelidos pela brutalidade da agressão, oporemos uma reação que há de servir de exemplo para os povos agressores e bárbaros, que violentam a civilização e a vida dos povos pacíficos.”
Mas em verdade o Brasil naquele momento estava longe de ser um país pacífico. Vide o que a FAB estava fazendo em maio de 1942, ao atacar os submarinos italianos que estavam posicionados ao longo da costa nordeste brasileira.
As memórias equivocadas de Doenitz
É bem verdade que em agosto de 1942, o Brasil já estava em beligerância não declarada com o Eixo, mas sobre o nefasto acontecimento que chocou o Brasil, Doenitz, em suas memórias veio escrever: “Finalmente, havia a possibilidade de operações ao largo da costa do Brasil. Nossas relações políticas com aquele País vinham há já algum tempo cada vez mais se deteriorando e as ordens emitidas pelo Alto Comando Naval referentes à nossa atitude para com a navegação brasileira se agravaram em correspondência(…)Depois que o Brasil rompeu relações diplomáticas, seus navios continuaram a ser tratados da mesma maneira que os de todos os outros Estados neutros, desde que fossem reconhecidos e agissem como neutros, de acordo com a Convenção Internacional. No entanto, entre fevereiro e abril de 1942, os U-boats torpedearam e afundaram sete navios brasileiros, com todo direto de fazê-lo de acordo com o estabelecido na Convenção de Praças de Guerra( Prize Ordenance), desde que os capitães dos U-boats não puderam reconhecer suas identidades de neutros. Estavam navegando sem luzes em curso de zigue-zague, alguns deles armados e alguns pintados de cinza e nenhum deles ostentava uma bandeira ou signo de sua identidade de neutro. Depois disso mais e mais navios brasileiros montaram canhões até que toda sua Marinha Mercante estava armada.(…)No fim de maio, o Ministro da Aeronáutica brasileiro anunciou que um avião brasileiro tinha atacado submarinos do Eixo e que continuaria a fazê-lo. Sem nenhuma declaração formal, achamo-nos assim num estado de guerra com o Brasil, e a 4 de julho os U-boats receberam permissão dos nossos líderes políticos de atacarem todo os navios brasileiros. Na primeira semana de julho, quando estávamos planejando as primeiras operações dilatadas de U-boats, perguntei ao Ministro do Exterior se haveria alguma objeção às planejadas operações ao largo do estuário do Rio da Prata, área de reunião para os navios-frigoríficos que eram tão importantes no suprimento de carne da Inglaterra. Sem considerar a opinião da Argentina, o Ministro do Exterior negou permissão para qualquer operação ao largo das costas daquele País, mas não fez objeção à continuação de nossas atividades ao largo do Brasil, que haviam sido permitidas em maio e que estavam em progresso desde então. Decidi portanto mandar, em associação com as operações planejadas contra o tráfego de navios Norte-Sul ao largo de Freetow, mais um barco para a costa brasileira. Do outro lado do estreito entre a África e a América do Sul, o U-507(Tenente-Comandante Schacht) estava operando. Ali fora das águas territoriais, ele afundou cinco navios brasileiros. Nisto ele agia de acordo com as instruções expedidas, com a cooperação do Ministro do Exterior, pelo Quartel-General das Forças Armadas. O Governo brasileiro tomou o afundamento destes navios como ocasião para declarar guerra à Alemanha. Embora isto não tivesse em nada alterado nossas relações existentes como o Brasil, que já havia tomado parte em atos hostis contra nós, foi sem dúvida um erro levar o Brasil a uma declaração oficial; politicamente deveríamos ter sido melhor aconselhados para evitar tal fato. O U-boat Command, porém, e o capitão do U-boat envolvido, como membros das Forças Armadas, não tinham senão que obedecer as ordens que lhe haviam sido dadas; não competia a eles pesar e calcular as conseqüências políticas…”
CONTUDO…Primeiro é preciso que se diga que certas informações fornecidas acima por Doenitz não correspondem com a verdade. Os três primeiros navios comprovadamente afundados pelos nazi-fascistas(Buarque, Olinda e Cabedelo, 14, 16 e 25 de fevereiro de 1942, respectivamente), navegavam com as luzes de bordo e de navegação acesas, assim como estavam iluminadas as bandeiras do costado e da popa, bem como a chaminé que identificava a nacionalidade e a companhia proprietária. Foi depois dessas iniciativas da parte da ressentida Alemanha contra os interesses brasileiros, que o governo do Estado Novo junto com autoridades navais norte-americanas, tomaram medidas para tentar evitar que os barcos fossem afundados tão facilmente. Assim, o terceiro a ser atacado, o Arabutan, estava pintado de cinza, navegava às escuras e sem bandeira. E foi após a perda do Cairu ao largo da costa leste dos EUA, o qual veio gerar a morte de 53 pessoas, que os navios mercantes brasileiros começaram a ser dotados de um sistema de defesa, dispondo tão-somente de uma peça de artilharia( O Parnaíba, o quinto navio torpedeado em 1-5-42, trazia na popa um canhão de 120mm) Entrava-se numa dialética de ação e reação de atos de beligerância. O Comando da Marinha alemã solicitou a Hitler que fossem levantadas as restrições para o ataquue a navios brasileiros(vistoria e ordem de abandono), no que foi atendido. Daí por diante, os navios brasileiros seriam considerados beligerantes e torpedeados sem aviso. Mas bem antes disso, o governo de Getúlio Vargas havia protestado perante a Alemanha através do embaixador português em Berlim, que transmite em 27 de fevereiro o seguinte: “devem cessar os atos da Marinha de Guerra alemã contra os navios mercantes sem defesa, e que pertencem a um país que não está em guerra.” Mas a Alemanha hitlerista não levou em conta esses protestos.
Medalhas e Condecorações Brasileiras na Guerra
Instituído pelo Decreto de 13 de Dezembro de 1943 (Decreto 6.095). Foi atribuída a membros da Marinha do Brasil para por bravura em ação em face do inimigo.
Também instituiu em 13 de dezembro de 1943.
Como as duas medalhas anteriores, esta condecoração foi instituída em 13 de dezembro de 1943. Até três estrelas de prata (autorizado em dezembro de 1945) são usadas na fita para indicar o período de serviço ativo. O reverso desta medalha tem três navios de guerra em curso, o anverso mostra uma âncora com a seguinte descrição “Serviços de Guerra/Marinha do Brasil”
Instituída em 02 de junho de 1954 para os membros do “Grupo de Patrulha do Sul” (mais tarde chamada a Força Naval do Sul), que patrulhava a costa sul do Brasil entre 1942 e 1945. Existem três classes: ouro para oficiais de comando, prata para os capitães dos navios e outros oficiais e bronze para suboficiais e marinheiros.
Da mesma forma que a medalha anterior, e instituiu no mesmo dia, esta medalha também tinha as três classes, conforme descrito acima. Foi concedido aos membros do Grupo de Patrulha que cobriam a costa nordeste do Brasil.
O governo brasileiro criou esta condecoração, em duas classes, sendo por atos pessoais de bravura militar (1ª Classe) ou como prêmio por bravura coletiva (2ª Classe). A medalha foi instituída em 17 de agosto de 1944 e no verso o título e classes da condecoração.
Condecoração instituída em 17 de agosto de 1944. O anverso mostra o Cruzeiro do Sul rodeado por “Estado Unidos do Brasil”. O reverso é simples, com a inscrição “Medalha de Guerra. 22-VIII-1942″.
Oferecida a todos os combatentes da Força Expedicionária Brasileira
Esta medalha de bronze foi instituída em 28 de Novembro de 1948 e foi oferecido por serviços diferenciados a Força Aérea Brasileira em ações no Atlântico sul. O reverso tem um avião voando sobre um navio, com a legenda: “Campanha no Atlântico Sul”. A inscrição lê “FAB / 1942-1945” (Força Aérea Brasileira).
Esta medalha de bronze foi instituída em 05 de julho de 1945 para as tropas brasileiras e civis que serviram em operações de guerra e que foram feridos por meio de ações contra o inimigo.As três estrelas no anverso são simbólicas dos três ferimentos recebidos pelo Brigadeiro Sampaio na batalha de Tuiuti, em 1866, contra o Paraguai.Em todo o reverso é um pergaminho com a inscrição “Sangue do Brasil”.
Fonte: http://hmmb.com.br/








































































































































































































































































































































