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DIA D – Mais Um Ângulo Diferente, a dos Alemães – Parte Final
O comandante da 352ª, general Klaiss, fez uma interpretação completamente errada das intenções dos aliados. Às 2 horas, quando ele recebeu relatórios sobre o lançamento de pára-quedistas no seu flanco esquerdo entre Isigny e Caretan, pensou que os americanos estavam tentando separar a 352ª da 709ª. Às 03:10 ele ordenou que sua divisão de reserva, chamada de Kampfgrupe Meyer, nome do comandante da 905º Regimento, se deslocasse de suas posições ao sul de Bayerux até o estuário do Vire. Mas essa foi uma tentativa absurda; os pára-quedistas eram uns poucos homens da 101º que haviam saltado erradamente.
Às 5:50 Kraiss compreendeu o seu erro. Ele disse a Meyer que detivesse a Kampfgrupe e esperasse ordens posteriores. Dentro de meia hora os americanos começaram a desembarcar em Omaha, mas só às 07:35 Kraiss enviou reservas para área, e em seguida apenas um batalhão da Kampfgrupe. Às 8:35, ele enviou os outros dois batalhões contra a 50ª Divisão Britânica na praia de Gold. Fracionar a 915ª desta maneira significava que em parte alguma havia condições de desencadear um ataque vigoroso. Os batalhões estavam também várias horas atrasadas ao chegar aos locais de combate, porque quando se deslocavam eram alvejados por caças e bombardeios aliados.
Revisionismo – É preciso ter cuidado!
O britânico Edward Hallett Carr foi um dos maiores historiadores do século XX, em sua obra que é história? (What is History?) de 1961, estabelece princípios historiográficos radicais que rejeitavam as práticas e os métodos históricos tradicionais. “O fato histórico deve ser analisado segundo a ótica dos documentos, relatos e outros elementos que confirmem a historiografia dos acontecimentos”, dizia Carr. Ele rejeitava as interpretações históricas baseadas no empirismo da velha escola clássica, tão comum na primeira metade do século XX.
Infelizmente passamos por uma nova fase de interpretações históricas. Dado a velocidade com que a informação percorre o mundo virtual, encontramos uma quantidade enorme de pessoas que fazem o papel de um historiador moderno, dominando assuntos que, em outros tempos, só estariam disponíveis em centros acadêmicos e bibliotecas de grande porte, mas isso também abriu margem para um fenômeno de interpretação parcial da História.
Falando especificamente sobre a Segunda Guerra Mundial, a partir da década de 70 houve um movimento de alguns estudiosos para redesenhar a historiografia dos acontecimentos relativos a todo o período compreendido da Segunda Grande Guerra, isso incluía uma nova visão sobre os motivos de sua deflagração, os anos do conflito e suas consequências sobre a humanidade em diversos aspectos. É importante salientar que esse movimento abrange todo o contexto do conflito, muito embora, há trabalhos de pesquisadores especificamente sobre o Revisionismo do Holocausto, que tem lançado uma série de questionamentos em relação a abrangência, métodos e logística em relação ao extermínio sistemático de judeus. Mas também existe um movimento que luta pela “desmistificação da Alemanha nazista”, que tem como objetivo mudar a visão histórica do nazismo que fora construído no pós-guerra.
Os Movimentos Revisionistas são ruins para História? Evidente que não! Pelo contrário são salutares, mas devemos ter em mente que a historiografia moderna, defendida por figuras como Carr, são por si só REVISIONISTAS, e a História como ciência tem seus conceitos perpetrados na Revisão dos Fatos Históricos e, como qualquer outra ciência não há conceitos eternizados. Infelizmente, o que está acontecimento é uma visão parcial da interpretação histórica baseada nas tendências ideológicas de quem a interpreta.
Uma pessoa que realiza uma pesquisa sobre um autor que defende um Revisionismo radical do Holocausto. Essa pessoa poderá defender a tese desse autor como uma verdade absoluta, mesmo que o autor do estudo não tenha apresentado documentos ou qualquer tipo de prova substancial que sustente sua teoria. A mera argumentação deve ser colocada em check, pois sempre caberá uma contra-argumentação, e para formar uma perspectiva histórica sólida é necessário ter a visão do todo e não apenas lidar com argumentos parciais. Evidente que isso também vale para uma visão simplista da Segunda Guerra, quando na afirmação de que “A Segunda Guerra foi uma Luta do Bem contra o Mal…”. Claro que não há mais espaço para essa visão na História.
De alguma forma os fóruns, comunidades sociais e outras formas de comunicação pela internet têm seus membros divididos em grupos que são declaradamente Revisionistas e Não-Revisionistas. Mas isso é necessário? A polarização histórica é um erro recorrente da humanidade, e nesse mundo de visões mil, devemos agir com parcimônia em qualquer radicalização de opinião. O que temos que fazer é entender a interpretação histórica de forma a ter a visão do geral e não do parcial.
Teorias conspiratórias e teses sionistas de domínio do mundo podem até chamar a atenção e serem interessantes, mas de forma alguma possuem embasamento histórico, assim como aqueles que acreditam que a Alemanha é um povo vil, como caricaturado pela mídia ocidental, não possui nenhum juízo de valor sobre a Ciência chamada História.
Nossa tendência não é defender uma ou outra corrente, mas defender o Fato Histórico, entender seus desdobramentos e suas consequencias.
* Francisco Miranda – Reprodução proíbida sem autorização.Prisioneiros de Guerra – Normandia
Falar em Convenção de Genebra durante a Segunda Guerra Mundial é complicado, se vislumbramos todos os acontecimentos nos campos de concentração e de prisioneiros mantidos por todos os países beligerantes. Contudo vamos publicar algumas fotos dos Prisioneiros de Guerra alemães capturados no Dia D ou nas operações subsequentes.
É importante observar que tanto os Aliados quanto as nações do Eixo cometeram graves descumprimentos da Convenção. Dos nazistas podemos dar exemplos até mais do que gostaríamos, os japoneses eram conhecidos pelas marchas monstruosas por territórios ocupados, enquanto os americanos tinham campos de prisioneiros com pouca ração, pouca água e poucas condições de higiene; estima-se que 200 mil homens tenham perecido nos campos de detenção americanos a céu aberto. Pior que isso, claro qualquer exército era a ordem de não fazer prisioneiros.
Evidente que houveram bons exemplos com os Prisioneiros de Guerra, inclusive com relatos de ambos os lados de bons tratos, boa alimentação e cordialidade. Vamos ver os bons exemplos então.
Dia D – Visto por Outro Ângulo
O que pensou um soldado ferido no na praia de Omaha? Primeiro: posso me locomover? Não! Então é ficar parado e rezar para que não seja atingido novamente. Muitos foram! Se a resposta é Sim, posso me locomover, vem um dilema: procurar abrigo na linha de frente? A única proteção das primeiras levas era uma barreira de seixos a 50 metros da praia, isso implica em ir percorrer toda a praia correndo o risco de ser atingido novamente. Não existia uma opção cem por cento segura para as primeiras levas em Omaha.
Outros conseguiram serem resgatados ainda no mar ou por embarcações que retornavam levando os feridos, outros eram tratados ali mesmo na praia. Não foram poucos os casos de soldados feridos e atingidos enquanto ainda recebiam os primeiros socorros. Segue uma pequena amostra do que aconteceu.
Lembro que os resgates efetivos começaram quando os americanos começaram a ter o controle do setores de omaha.
A vista dessa vez do Dia D recairá sobre o resgate dos soldados feridos durante os desembarques.
Um Verdadeiro Soldado Brasileiro – Rigoberto de Souza
Esse post é mais do que uma mera descrição da história! Por várias vezes publicamos material baseado na pesquisa, na indicação ou em algum material que é enviado para este blog. Mas este POST é diferente! Recai sobre meus ombros a descrição da experiência de um verdadeiro Soldado Brasileiro. Materializar através dessas linhas um paraibano bravo que combateu na Itália e que, apesar dos seus 88 anos, possui na firmeza de seus pensamentos e na eloquência de sua voz, um relato de um integrante atuante da Força Expedicionária Brasileira.
Rigoberto de Souza Vice-Presidente da Associação Nacional dos Veteranos da FEB – Seção Pernambuco, não possui nem de longe o perfil do soldado brasileiro que os historiadores gostam de exemplificar: “o pracinha incauto com pouca educação”, muito pelo contrário, Doutor Rigorberto é um erudito, com uma biblioteca farta ele manuseia seus livros com a firmeza de conhecer e dominar cada publicação, indicando livros e fazendo menções de relatos e autores. Tivemos o prazer de passar uma tarde na presença desse homem que, entre outras coisas, possui um acervo que surpreende pela qualidade. Tudo isso tornou a visita uma verdadeira aula de história prática, que deixaria qualquer professor universitário completamente renovado da profissão. Foi uma especialização em FEB!
O Sargento Rigoberto serviu no 11º Regimento de Infantaria, Companhia de Canhões Anticarros (C.C.A.C), depois convertida para Subunidade de Fuzileiros, onde comandou um grupo de combate. Participou dos ataques a Monte Castello e a Montese, sendo condecorado com as seguintes medalhas: Cruz de Combate de 2ª Classe; Medalha de Campanha; e Medalha de Guerra. Ao retornar ao Brasil ingressou na Universidade Federal de Pernambuco, se formando posteriormente em Odontologia. Foi um dos fundadores da ANVFEB-PE, tendo atuado fortemente em 1988 pelo reconhecimento pela Constituição da situação dos Ex-Combatentes da FEB.
Mas seria injusto se não fizesse menção ao braço operacional da ANVFEB-PE, Rigoberto de Souza Júnior nosso contato, e uma pessoa apaixonada pelo legado do pai e que, gentilmente proporcionou, não apenas esse encontro, mas também as fotos do seu acervo pessoal, e se demonstrou um grande soldado que batalha pela herança histórica da FEB no Brasil. Graças a seu exemplo, podemos ratificar nossas esperanças de continuar o trabalho em busca do reconhecimento de todos que fizeram a Força Expedicionária Brasileira um exemplo de dedicação ao Brasil.
Uma Citação:
“A Cobra segue Fumando!”
O Sargento Rigoberto em uma patrulha com o seu grupo de combate encontraram um alemão morto e sob seu corpo estava essa pistola wz.35 Vis – Arma de fabricação polonesa e que foi adotada pelo Exército polonês a partir de 1935 como armamento padrão. Posteriormente foi utilizado pela Wehrmacht com a anexação da Polônia pela Alemanha.
Informações sobre a Pistola: http://it.wikipedia.org/wiki/Radom_Pistolet_wz.35_Vis
Negociado com um Prisioneiro de Guerra Alemão
Informações Adicionais:
Memórias de um Soldado de Hitler – Parte Final
Em vez de ficar decepcionado com a guerra, Metelmann se tornou ainda mais selvagem. Hitler dera ordens para que os combatentes destruíssem tudo que encontrassem pelo caminho, e ele estava pronto para cumprir seu papel. “No início, eu era apenas um robô obedecendo a ordens. Mas me transformei em um soldado diferente. Coberto até o pescoço de terra, neve e sangue, lutava como um demônio. Estava tomado por uma fúria imensa. Como podíamos estava sendo vencidos por aqueles Untermensch. Era hora de mostrar de mostrar a eles do que erámos capazes”. O número de baixas em ambos os lados era assustador. Metelmann atingira o fundo do poço.
Poucos meses depois, ele foi ferido, mas teve a sorte de conseguir embarcar em uma trem de volta à Alemanha pra receber cuidados médicos. Metelmann se recuperou, mas parecia tarde demais. Estávamos em 1945 e a Alemanha estava sendo derrotada. Ele foi capturado pelos norte-americanos e forçado a marchar através da França, juntamente com outras centenas de alemães que seriam enviados aos Estados Unidos.
Henry Metelmann virou prisioneiro de guerra no Arizona. “Pouco antes de chegarmos aos campos, os nazistas que já estavam lá há mais tempo tinham acabado de enforcar um alemão que ousara renegar a Hitler. Me mostraram a execução, o que me fez tomar cuidado com as palavras”. Daquele momento em diante, porém, a confusão política que se instalara em sua mente já se transformou em desencanto, que era reforçado ainda pelas aulas de reeducação semanais oferecidas pelos americanos. O selvagem nascido há pouco, começava a morrer.
Em 1946, Metelmann foi enviado à Inglaterra e libertado dois anos depois. Após uma breve temporada na Alemanha – que, segundo ele, foi uma época de “desilusão e raiva” – voltou à Inglaterra, onde reconstruiu a vida. Depois de meio século longe de casa, ele contou que poucas vezes foi hostilizado. “a maior cobrança veio sempre de minha própria consciência”, afirma. Depois de anos de questionamentos, Henry Metelmann acha que sobreviveu à guerra “graças a uma mistura de sorte e covardia”, confessa que “acreditou apenas naquilo que queria acreditar” e que, principalmente, “acostumou-se fácil demais com o sofrimento humano”. E, para ele, nada pode ser mais pavoroso do que isso.
Precisávamos conquistar primeiro a Europa para, depois, conquistar o mundo. Eu apoiava inteiramente essa idéia! Pensava que ela era certa. Nossa missão, portanto, era impor nossa vontade às outras nações. Se as outras nações não acreditassem nessa idéia, teríamos de forçá-las. Era este o motivo de nossa brutalidade na guerra
Conheci bem um prisioneiro, porque fui encerregado de vigiar,à noite, a área em que ele estava. Chamava-se Bóris. Eu sabia que todos seriam executados. Estava de guarda naquela que seria a última madrugada da vida de Bóris. Eram cerca de quatro da manhã. Pouco depois, às seis, ele seria fuzilado. Enquanto eu me afastava, ele apontou para o meu rifle: “Você pode fazer qualquer coisa! Pode matar muitos de nós, russos. Pode destruir! Pode causar mal! Mas não pode matar idéias!” . Ainda respondi: “Não consigo entender!”. Eu estava impregnado de minhas idéias nazistas. Fui embora. Mas ele repetiu: “Você pode fazer mal com este rifle! Mas não pode atingir as idéias. E essas idéias vencerão, não importa quanto demore!”. Participei da execução de Bóris e de outros prisioneiros – que foram fuzilados. Ouvi os tiros. De fato, fiquei triste por ele. Porque achei que ali estava um ser humano decente. Eu estava sentindo pena de Bóris. Mas devo dizer que também não achava que as execuções fossem exatamente erradas. Eu pensava na superioridade dos alemães. Nossa obrigação era limpar o lixo do mundo. Era este o motivo de estarmos fazendo aquelas coisas
”Vi uma mulher que, para mim, parecia velha: devia ter uns sessenta anos. As mãos da mulher tinham sido amarradas a uma árvore. Perguntei a um soldado que estava por perto: “O que foi que aconteceu?”. E ele: “Nós a capturamos na noite passada, quando ela se preparava para enterrar minas”. Ou seja: quando um tanque de nossa Divisão Panzer, um caminhão ou um carro alemão passassem, explodiriam. Eu disse a ela algo como: “Ah,bom, pegamos você! Como é que você se chama ?”. Ela respondeu: “Celina”. E eu: “Celina de quê ? “. E ela: “Não vou dizer nada!”. Nossos soldados, então, pegaram uma corda para que ela pudesse ser executada. Disse: “Porcos alemães! Vocês vieram aqui ocupar nosso país. Longa vida à revolução! Longa vida a Lênin! Vocês são porcos! Espero que percam a guerra!”.
Celina morreu. Nosso comandante disse: “Livrem-se do corpo. Enterrem-no”.
Fiquei pensando: “Celina era uma mulher muito corajosa. Sozinha, diante de nós, soldados fortes, disse: “Vocês são uns porcos nazistas!”. Pensei comigo: “Isso foi um gesto de coragem, Celina. Não importa de que lado as idéias estejam. Não importa. Você teve coragem”.
Participei do combate contra os russos. A única maneira de sair daquele inferno era manter a coesão do nosso exército. Ou seja: nós, alemães, nos unirmos para tentar sair. Creio que essa foi uma das razões por que lutamos como demônios na Rússia: não queríamos ser capturados. Tínhamos ocupado um país! Além de tudo, matamos gente, matamos soldados. Éramos duros, difíceis. Pensávamos que tínhamos esse direito. Hoje, lamento
Fonte: http://g1.globo.com/platb/geneton/tag/soldado/

























































































































































































