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Montese – A Conquista Final
Artigo enviado pelo Pesquisador Rigoberto Souza em comemoração a aniversário da Tomada de Montese em 16 de abril de 1945.
Nos primeiros dias de Abril de 1945, o 5º exército Americano decidiu atacar com os seus Corpos de Exército justapostos, pela rota 64 e atingir o norte do Apeninos entre os rios Reno e Panaro, com o objetivo de isolar ou conquistar a cidade de Bolonha.
Coube a 1ª Divisão de Infantaria Divisionária a proteção do flanco esquerdo do IV Corpo nesta investida. O General Critemberg resolveu fazer o ataque frontal com a 10ª Divisão de Montanha.
O ataque , marcado para o dia 12 de Abril, foi adiado para o dia 14, em virtude das condições climáticas, pois elas não permitiam o apoio indispensável da força aérea. A 10ª Divisão de Montanha se impôs de tal maneira à admiração dos brasileiros que, durante a reunião dos chefes militares do IV Corpo de Exército, o General Mascarenhas ofereceu e foi aceito figurar a região de Montese como objetivo da D.I.E., dessa maneira, a afamada Divisão Americana ficaria aliviada no seu flanco esquerdo para se dedicar inteiramente à difícil missão.
Neste ataque seria utilizada uma quantidade enorme de homens e materiais, com o intuito de fazer um rombo na linha defensiva e, ao adentrarem, iriam transformar os Apeninos, que serviam de linha defensiva alemã, em uma enorme muralha da de sua própria prisão.
Devido a isto, a Divisão de Infantaria Divisionária entrou num ritmo intenso de recompletamento de pessoal e de material. Estas medidas foram tomadas, prevendo principalmente consertos de estradas, reabastecimento de combustível, encaminhamento de prisioneiros. Em todos nossos soldados, estava a certeza de vitória, seria apenas uma questão de tempo.
Nesta ação de cobertura do flanco esquerdo, figurava a conquista da cidade de Montese, e a progressão seguindo a direção Zocca-Vignola.
A conquista de Montese correspondia na realidade à tomada de um trio de elevações, constituída por Montese-Zocco-Montello (não confundir Zocco, que é uma elevação, com Zocca, que é um povoado mais ao norte, que foi posteriormente conquistado) e, que viria a contituir o mais duro combate travado pela FEB.
Uma vez mais, as condições climáticas fariam com que o comando brasileiro atacar sem o apoio de observação aérea, permitindo que a artilharia alemã, sempre inativa durante o dia, abrisse fogo à vontade contra as nossas tropas.
Às 10:30 hs do dia 14 de Abril partiram os elementos de reconhecimento, que atingiram os seus objetivos através de pequenas mas rápidas incursões. Por volta das 13:30 hs o 11° RI, sob comando do Coronel Delmiro, sendo a ação principal por conta do 3º Batalhão, e depois de decorridos 90 minutos do início do ataque, Montese foi dominada mas, os dois vértices da base defensiva triangular tivessem sido capturados: Zocco e Motello.
Na manhã seguinte, dia 15 de Abril, o ataque prosseguiu com as mesmas tropas e, em face da ausência do apoio aéreo, a DIE suportou e enfrentou as repetidas e terríveis barragens da artilharia alemã e, ao término da jornada, somente os objetivos intermediários de Montesuffone e Paravento haviam sido conquistados.
O General Mascarenhas solicitou do comando superior e, obteve esse objetivo, como uma homenagem à brava e sempre exaltada 10ª Divisão de Montanha, assim, a unidade americana, que conquistara briosamente Monte Belvedere e Monte Della Toraccia, ficaria aliviada em suas responsabilidades. Sem querer, os brasileiros livraram seus companheiros da armadilha que a artilharia alemã lhes havia reservado.
Os numerosos mortos e feridos da FEB nesse combate, resgataram a dívida anterior, quando o sacrifício das tropas do General Hayes, tornou mais fácil a conquista de Monte Castelo.
Apesar da árdua jornada de Montese ter surpreendido os soldados brasileiros, verificou-se que a Seção de Informações, não deixou dúvidas quanto aos recursos que o inimigo dispunha para causar as sérias baixas aos vitoriosos pracinhas da FEB.
A linguagem utilizada não poderia ter sido mais clara, tanto que dizia afirmativamente: “O inimigo defenderá fortemente o triângulo Montese-888-Montello”, mas a 3ª Seção é mais otimista e encarou a situação em termos definitivos, dando prosseguimento da ação:
“Procurar melhorar a posição, com a posse da linha Montese-888-Montello e da região de 747, partindo daí sobre Bertichi, Ranocchio e Montespecchio”.
A conquista de Montese
O ataque à cidade Montese, foi precedido de uma compacta preparação de nossa Artilharia Divisionária e, com apoio de tanques e agentes fumígenos da Companhia de Morteiros Químicos Americana, às 13:30 hs do dia 14 de Abril de 1945, foi desfechado o ataque, com o seguinte dispositivo: I e III Batalhões do 11º RI e II Batalhão do 1º RI, constituindo assim o 1° escalão de ataque.
Por volta das 15 horas, o I Batalhão do 11º RI, sob comando do Major Lisboa, demonstrando elevado espírito ofensivo, conseguiu penetrar em Montese, desarticulando a resistência alemã, mas a primeira tropa a entrar em Montese foi o pelotão comandado pelo Tenente Iporan Nunes de Oliveira, da 1ª Companhia do 11° RI.
Às 15:15 hs, o 11º Regimento de Infantaria conquistava Serreto, e alcançava as imediações de Paravento e, finalmente às 18:00 hs, os tanques americanos atingias as cercanias de Montebuffone, seguidos de perto pela Infantaria Brasileira. Valendo-se do apoio de nossos canhões e morteiros, o III do 11º RI, completou o assalto às “casamatas” alemãs, alcançando as cotas 806 e 808 – Montese e Serreto.
Apesar dos violentos ataques de nossa Infantaria, tudo indicava que os obstinados alemães, não estavam dispostos a abandonar Montese e, esperava-se a qualquer momento, um contra-ataque de blindados alemães, com o objetivo de recuperar \Montese e Serreto e, assim, nesta expectativa, encerrou-se a jornada do dia 14.
Não parecia indicado continuar o ataque na manhã seguinte, com a mesma tropa do 11º RI, que havia dispendido um esforço muito grande, com muitas baixas no seu efetivo. O General Mascarenhas pretendia empregar nas operações do dia 15, o III do 6º RI, porém, diante do elevado moral da tropa do 11º RI, cujos comandantes manifestaram o desejo de continuar na missão, ele, levando em conta, principalmente a economia de tempo e de meios, aceitou o pedido.
Os fogos da Artilharia alemã, pareciam mais ajustados e certeiros que os do dia anterior, causando muitas baixas em nossas linhas. Embora o 9º Batalhão de Engenharia participasse ativamente do ataque, acompanhando palmo a palmo nossa Infantaria, os campos minados e as traiçoeira armadilhas fizeram muitas vítimas entre nossos pracinhas.
A estafa e o levado números de baixas, aconselharam a retirada do III do 11º RI da linha de combate, cuja retração foi feita na noite do dia 15 para 16 de Abril, sendo substituído pelo II do 6º RI.
Foram quatro jornadas severas, vividas sob os mais pesados bombardeios que a tropa brasileira experimentou durante a Campanha da Itália. Somente nas áreas de Montese, Serreto e Paravento, ocupadas pelos brasileiros, houve maior bombardeio de artilharia inimiga do que no restante da frente ocupada pelas demais tropas do IV Corpo do Exército.
Balanço das baixas da FEB
1º RI – 8 mortos e 27 feridos, totalizando 35 baixas
6º RI – 14 mortos, 131 feridos, 3 extraviados, totalizando 148 baixas
11º RI – 12 mortos, 224 feridos, 7 extraviados, totalizando 243 baixas
O número de 426 baixas foi o preço pago pela conquista de Montese.
Especial Monte Castelo – 67 anos. O Ataque Vitorioso de 21 de Fevereiro.
5º e último ataque ao Monte Castelo
No dia 16 de Fevereiro de 1945 o General Critemberger, comandante do IV Corpo do Exército, deu a seguintes ordem à 1ª Divisão de Infantaria Divisionária:
- atacar o Monte Castelo após a 10ª Divisão de Montanha ter capturado Mazzancana
- guarnecer, mediante ordens, as regiões conquistadas pela 10ª, a fim de liberá-la para outras operações
- realizar uma manobra lateral, pelo fogo, na região entre Falfare e Livorno.
O último ataque ao Monte Castelo foi feito sob comando do General Mascarenhas de Morais, sendo encarregado da ação principal o 1º R.I.,e da ação secundária um batalhão do 11° R.I., no caso este ficaria como reserva do comando. A operação deveria ser desencadeada após a conquista da Região de Mazzancana.
Na noite do dia 20 de Fevereiro, o 1º R.I., ocupou cuidadosamente a base de partida( Mazzancana – Bombiana – Le Roncole), onde encontrou um extenso campo minado pelo exército alemão. Ás 5:30 horas da manhã o III /1 R.I.,partiu com amissão de atacar frontalmente o Monte Castelo, e na mesma ocasião o I / 1º R.I., iniciou o avanço com a missão de investir pelo flanco.
A 10ª Divisão de Montanha americana foi detida inesperadamente em capela de Ronchidos, fugindo completamente ao plano brasileiro – americano de ataque aos Monte Castelo e Toraccia, mas felizmente o exército alemão estava mais preocupado com a defesa de De la Toraccia, e enquanto a tropa brasileira progredia os americanos seguiam enfrentando forte resistência inimiga e, em face deste imprevisto os brasileiros seguiram sem esperar pelos americanos.
O ataque se desenvolvia tão bem, que às 9:00 horas da manhã foi empregada uma companhia reserva para alimentar o ataque do batalhão Uzeda, e por volta das 1430 horas o I /1º R.I., conquistou as cotas 930 e 875 e o III / 1º R.I., conquistou a região de Fornello.A partir deste momento foi empregado o II / 1º R.I., enquanto o II / 11º R.I., se aproximava de Abetaia, com uma brilhante cobertura.
Ás 16:00 horas o Major Uzeda, comandante do 1º Batalhão solicita que a artilharia bombardeie Monte castelo, e às 16:20 horas inicia-se o assalto final. Precisamente às 18:00 horas o pelotão do Tenente Aquino atinge o topo do Monte Castelo, seguido dos demais elementos da 1ª Companhia. Ao anoitecer o Monte Castelo já não oferecia resistência, e lá em cima nossos pracinhas comemoravam esta vitória tão árdua e esperada.
Enquanto isto, a 10ª Divisão de Montanha não conseguia atingir ainda o seu objetivo que era o Morro de La Toraccia, e prevendo um possível contra ataque nossda tropa passa a se instalar em posições defensivas para passar a noite. O dia seguinte, foi dedicado a uma vistoria minuciosa das instalações alemãs, que estavam bem protegidas e aquecidas, enquanto nossos soldados enfrentavam um frio enregelante. Esta última investida custou à nossa tropa 87 baixas, enquanto o inimigo abandonou no terreno 30 mortos, e foram feitos 27 prisioneiros.
Concluímos que o sucesso deste ataque deveu-se ao seguinte:
- abandono do ataque frontal , pois o Monte Castelo só caiu por ataque lateral
- a proteção do flanco esquerdo pela ocupação de Mazzancana pela tropa americana.
- Apoio maciço da aviação
- observação aérea ininterruptamente
- consequência das recorrentes derrotas do inimigo, com acentuada influência no ânimo da tropa.
E assim caiu o Monte Castelo, pela manobra precisa de nossa tropa.
Para nós o Monte Castelo, é um símbolo; para os alemães apenas mais um morro. A diferença é que o Brasil enviou à Europa uma Divisão Expedicionária, enquanto o inimigo dispunha de mais de uma centena de Divisões.


















































































