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Citações de Combate da Força Expedicionária Brasileira – Parte II
Soldado João Martins da Silva, do I Regimento de Infantaria – IG – 224.132. Estado do Rio de Janeiro.
Em 23-2-1945:
Eis outro episódio que, na sua simplicidade, reflete as belas virtudes do soldado brasileiro.
Durante o bombardeio do seu posto em BELAVISTA, foi atingido por três estilhaços de granada o soldado MARTINS. Assim ferido, deixou-se ficar no mesmo lugar sem uma queixa sequer. E ali permaneceu cerca de oito horas. Sabedor do fato pelos companheiros do soldado ferido, o Comandante do Pelotão determinou sua evacuação. No posto de socorro, interrogado pelo médico, porque resolvera calar sobre seu estado de saúde, respondeu-lhe simplesmente que, ciente de que os alemães iram lançar contra-ataques, decidira não se afastar do posto para ajudar a repeli-los uma vez que o Pelotão se encontrava desfalcado e ainda se sentia forte. Possuía, realmente, o soldado MARTINS, a tempera do verdadeiro combatente. O seu exemplo, pela sua grandeza e pelo estoicismo envaidece a tropa brasileira.
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Soldado ROMEU SIQUEIRA MACEDO, do I Regimento de Infantaria – 1G – 266.733. Estado do Rio de Janeiro.
Em 23-2-45
O seu Pelotão atacara e se apossara de LA SERRA, e agora se esforçava para manter o terreno conquistado, eliminando as resistências alemãs que ainda perduravam o cumprimento integral da missão. No curso da ação já se havia distinguido o Soldado Romeu. Agora, como esclarecedor de uma patrulha, devia reconhecer uma posição inimiga que se revelara poucos momentos antes. Avizinhando-se dessa posição, ele ouve rumores partidos do interior do abrigo. À porta do citado abrigo, surge-lhe inesperadamente, um adversário: o soldado Romeu logo tomara a iniciativa e o faz prisioneiro, e a resistência foi reduzida.
O desassombro, a decisão inflexível e rápida, a vontade forte do Soldado Romeu, são belos exemplos que tenho o prazer de apontar à tropa brasileira.
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Soldado ISINO NEUMAN, do I Regimento de Infantaria – 2G – I26.883. Estado de Santa Catarina.
Em 23-2-45
Pertencia ao Grupo de Comando da 6ª CIA. Esta subunidade se empenhava com raro vigor, na conquista da linha LA SERRA COTA 958.
Partira ela, ao ataque, na noite de 23 e, para cumprir a missão, necessitava que funcionassem sem interrupção seus variados meios de transmissão. O sargento e o soldado de transmissão haviam baixado ao hospital. Entretanto a presença do soldado ISINO era uma garantia para que as transmissões não falhassem: tomou sob a sua responsabilidade exclusiva a integridade das ligações de rádio S.C.R 300 com o batalhão, S.C.R. 536 com os pelotões, e telefônicas com 6 pelotões de fuzileiros e petrechos. Toda vez que os bombardeios lançavam a procura de ponto de ruptura dessas linhas e imediatamente fazia as reparações indispensáveis. O desejo ardente de servir à causa de seu país superava toda a dificuldade e guiava as ações no ataque.
A iniciativa, o ânimo forte brasileiro, o destemor, a noção perfeita do cumprimento do dever, a capacidade profissional, do soldado ISINO são exemplos de realce, que deve apontar a todos os quantos combatem neste setor da FEB.
Citações de Combate da Força Expedicionária Brasileira – Parte I
Citações de Combate são relatórios sobre o desempenho individual de algum militar envolvido em ações de combate. Para comemorar o aniversário da Tomada de Monte Castelo, vamos publicar algumas citações elogiosas que foram registrados na Revista Cruzeiro do Sul para louvar o desempenho de militares envolvidos nas operações vitoriosas sobre Monte Castelo e nas operações de contenção dos contra-ataques alemães.
Fonte: Cruzeiro do Sul, gentilmente cedidas pelo pesquisa Rigoberto Souza Júnior.
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Soldado AFONSO DE MELO, do I Regimento de Infantaria – IG – 267.486 – Estado Rio de Janeiro.
Em 23-2-1945
A citação do Soldado AFONSO DE MELO tem dupla significação uma vez que exalta não só o valor combativo da gente brasileira como o profundo amor as tradições de sua terra.
A subunidade atacara e se apossara do ponto cotado 958. Manter o terreno conquistado em condições básica para o prosseguimento das operações do Regimento, mesmo que lhe custasse os maiores sacrifícios. Dessa verdade bem sabia o Soldado Melo, tanto que lutou muito, lutou denodadamente para que todos os contra-ataques lançados pelo inimigo com o intuito de reapossar-se das posições perdidas, fossem rechaçadas. Foram quatro dias de tenaz esforço coroados de completo sucesso, assim, sem mácula, a pureza das ações dos homens de sua tempera. E tanto isso é verdade, que uma feita, quando o seu Comandante de Pelotão se deslocara com um Grupo de Combate para uma ação nas profundidades, o Soldado Melo, como observador avançado de seu Grupo, pressentira que cerca de 60 alemães se avizinhavam da posição. Sem perda de tempo, comandou o fogo do pelotão, solicitou ao Comandante de Companhia apoio de fogo de artilharia enquanto simultaneamente fiscalizava o consumo de munição, só permitindo tiros à curta distância. Numa legítima explosão de sentimento de responsabilidade, na fase mais critica do combate gritou, com toda a força de seus pulmões: “quem recuar eu fuzilo”. Ele mesmo abateu, a tiros de fuzil, um inimigo armado de metralhadora.
Era um brasileiro que ali estava, defendendo o nome da tropa brasileira e honrando as belas tradições de sua gente.
Mais tarde foi ferido com estilhaço de granada e evacuado para o Hospital.
A ação excepcional do Soldado AFONSO MELO traduz, na sua grandiosidade, as mais perfeitas virtudes do Soldado do Brasil.
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3º Sargento OTTON ARRUDA, do 11º Regimento de Infantaria – IG – 199.186. Estado de Minas Gerais.
Em 17-2-45
Fazia parte de uma patrulha que nesse dia saiu em missão de reconhecimento da reigão do VALE. Quando examinava uma das casas de ABETAIA é ferido por explosão de mina. Grandes sofrimentos físicos lhe produziram os ferimentos recebidos. O Tenente comandante da Patrulha, entretanto, faz-lhe um apelo para que suporte as dores em silêncio, de modo a não atrair o fogo do inimigo sobre os demais companheiros. Daí por diante o Sargento OTTON estoicamente cala o seu sofrimento, até o regresso da patrulha às linhas amigas.
A fortaleza de ânimo, o espírito de sacrifício, a abnegação do Sargento OTTON merecem destaque especial, para reconhecimento da FEB na Itália.
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Cabo MANUEL CHAGAS, do I Regimento de Infantaria – IG – 305272 – Estado do Rio de Janeiro.
Em 23-2-45:
Já no curso do ataque do seu Pelotão à posição de LA SERRA, se distinguira, pelo ardor combativo, o Cabo Chagas. Todo o esforço empregara, a seu ânimo inflexível de brasileiro pureza em jogo para que a posição fosse conquistada e mantida. Suportara contra-ataques e trabalhara para rechaçá-los. E não parou aí a sua atividade.
Certa vez alcançada uma posição inimiga passou a observar os arredores atentamente. Notou que dois alemães se aproximavam, deixou que ambos chegassem à porta do abrigo. Neste instante, apontou-lhes a arma, fê-los prisioneiros. Um terceiro adversário, incontinenti atirou-lhe uma granada de mão, que infelizmente não o atingiu. E neste ritmo prosseguiu a sua ação, em benefício do cumprimento integral da missão do Pelotão.
A ação serena, inteligente, a capacidade profissional, o desassombro, a noção perfeita do cumprimento do dever, tornaram-no um exemplo bem digno da tropa brasileira.
Comemorações do Aniversário de Tomada de Monte Castelo!
A Tomada de Monte Castelo faz aniversário no próximo dia 21. Enquanto o país celebra o Carnaval, o feito militar da Força Expedicionária Brasileira completa 66 Anos. A História de Monte Castelo é interpretada erroneamente por pessoas que não conhecem os fatos que antecedem aos desastrosos ataques de novembro e dezembro de 1944, e ainda tem visões distorcidas dessa vitória das tropas brasileiras. Monte Castelo ceivou a vida de centenas de soldados brasileiros e abateu o moral não apenas da FEB no front italiano, mas de toda a nação que aguardava ansiosa pelo desempenho de seus soldados.
Portanto teremos como objetivo até o próximo dia 21, realizar uma análise das operações fracassadas e, principalmente expressar os Fatos Históricos que marcaram Conquista final em fevereiro de 1945, referenciando a memória dos que lá tombaram e exaltando os vitoriosos que sobreviveram a esse acontecimento.
General Rommel: Um Grande General ou Um Produto de Propaganda?
Confesso que gosto de Erwin Rommel. Mas também admito que Rommel foi um dos principais elementos de propaganda do III Reich durante os vitoriosos anos iniciais da Segunda Guerra. Quando Rommel chegou à África, os italianos estavam dispersos e perdidos, e o general alemão conseguiu formar um Exército combativo, evidentemente à custa da máquina de guerra nazista, mas esse front nunca fora referência para o Fürher, e acabou sendo um front desabastecido de suprimentos, a derrota foi inevitável. A Raposa do Deserto ficou sem comando quase todo o ano de 1943, quando foi dada a missão de cuidar da Muralha do Atlântico, e, na primeira inspeção, ficou claro o quanto a Muralha era frágil. Aconteceu o Dia D, Rommel foi ferido e enviado para casa.
No final das contas Rommel foi envolvido no atentado contra Hitler em 1945 e por isso foi forçado a cometer suicídio. O fato de ter sido morto pelo sistema que defendeu, ajudou na construção da imagem de um militar patriota e profissional, mas não nazista. Infelizmente Rommel era fascinado por Hitler e pelo Nazismo, mas no decorrer da guerra essa fascinação se transformou em decepção. Mas a imagem se perpetuou e Erwin Rommel é citado como um dos maiores generais da História. Será?
O BLOG quer saber sua opinião sobre a Raposa do Deserto.
Arte Alemã na Segunda Guerra – Imperdível
A Alemanha sempre foi berço de grandes artes, fato! Não é pelo fato de haver um sistema de governo belicoso que fica jogado ao ralo toda a contribuição para a cultura mundial que foi ofertado pelos alemães ao longo dos séculos. Portanto segue um pequena amostra de pintura, gravuras e desenhos criados no período em que o Estado servia de inspiração e controlava a produção cultural da Alemanha.

Essa pintura é de Hans Adolf Bühler (1877-1951) exposta em 1940 durante A Grande Exibição de Arte Alemã de Munique
- Autor: L. G. Buchheim
- Autor: Busch
- Obra: Kameraden por Busch
- Obra: Übergang über den Dnjepr por M. Engelhardt-Kyffhäuser
- Obra: Verwundeten-transport por E. Kretschmann
- Obra: Einnahme von Kischinew por R. Lipus
- Obra: Frontsoldaten por W. Sauter
- Autor: Schrimpke
- Autor: Schrimpke
- Obra: Finnischer Spähtruppführer por W. Stucke
- Obra: Generaloberst Keller por W. Willrich
- Obra: Oberleutnant Kersin por W. Willrich
- Obra: Ein verdienter Sturzkampfflieger-Offizier por W. Willrich
- Obra: Ein Oberjäger por W. Willrich
- Essa pintura é de Hans Adolf Bühler (1877-1951) exposta em 1940 durante A Grande Exibição de Arte Alemã de Munique
- Gerhard Graf von Schwerin
Capitão Paiva: um exemplo de Policial do Exército.
Vou apresentar-lhe o capitão da reserva Edson Rodrigues Paiva, um homem que entrou no exército na década de 60 como soldado e por lá ficou. A história desse militar se confunde com a História do 4º Batalhão de Polícia do Exército, e a prova cabal desse vincula está publicada abaixo:
- Acampamento
- O Carro de Combate da Polícia do Exército
- Poucas pessoas sabem, mas o Polícia de Exército era dotada de Carros de Combate
- Jeep do Batalhão na década de 60
- Monobras década de 70
- Quer Prova?
- Foto da Década de 60, Sargento Paiva como Exímio Batedor
- 7ª Companhia de Polícia – Antes do 4º Batalhão de Polícia do Exército ser criado
Fotos do Acervo Pessoal do Capitão Paiva, sua reprodução é proibida sem a autorização.
Associação Uma Vez PE, SEMPRE PE!
Caros,
Hoje, 11 de fevereiro de 2012 é uma data especial! Reuniram-se em assembleia um grupo de Militares da Reserva, da Ativa e Reservistas da Polícia do Exército para fundar oficialmente a Associação da Polícia do Exército – UMA VEZ PE, SEMPRE PE! Nosso objetivo é congregar todos aqueles que servem ou serviram em qualquer Unidade de Polícia do Exército em qualquer tempo do nosso Brasil. E nossa Associação nasce exatamente onde a própria Polícia do Exército nasceu, dentro da Força Expedicionária Brasileira, pois foi para compor a FEB que se concebeu a primeira tropa com essa designação. A Associação dos Veteranos da Força Expedicionária Brasileira, gentilmente cedeu suas instalações para que a Associação SEMPRE PE possa iniciar suas atividades.
Mais uma vez agradeço o esforço de todos os amigos e companheiros de caserna que se dedicaram e essa ambiciosa, mas nobre missão.
De Tanque a Aviões – A Força da Indústria Alemã.
O importante para qualquer pessoa que faz análise da Segunda Guerra é o equilíbrio e a maturidade para não negar o fato histórico, isso independente de escolhas pessoas em relação a qualquer tipo de partidarismo filosófico ou ideológico. O Fato Histórico é soberano e se impõe e deve ser respeitado.
É fato histórico o grande avanço tecnológico e militar da Alemanha de Hitler, e deve ser levando em consideração na busca pela explicação dos desdobramentos da Segunda Guerra. A economia alemã antes mesmo de qualquer veto restritivo, que por ventura ainda resistia como resquício da imposição dos vencedores da Grande Guerra, constituiu sua produção na estatização das empresas e na produção de guerra, portanto grandes indústrias foram transformadas em subsidiárias do Estado para a composição da economia de guerra. E com a tomada de territórios ricos em matéria-prima, como os países baixos e a própria França, tornou a Alemanha a potência militar que assustou o mundo por longos seis anos.
Berlim Ontem e Hoje!
Uma visão completa da capital alemã durante a a Segunda Guerra e no que ela é hoje.
Os respectivos créditos estão impressos nas fotografias.
A Polícia do Exército na FEB – Uma Tropa Preparada!
Já publicamos artigos sobre a formação de uma Tropa de Elite para compor os quadros da FEB para ser utilizada com poder de polícia no front. A Polícia do Exército foi concebida a partir de uma das instituições mais respeita do Estado de São Paulo, a Guarda Civil do Estado, que no esforço de guerra, cedeu todo o efetivo para formação dessa tropa, sendo a única tropa que desembarcou na Itália já ciente e capacitada para a missão. A Guarda Civil paulista posteriormente deu origem a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros.
O Corenel Paulo Adriano L. L. Telhada escreveu uma das poucas obras sobre essa estreita ligação entre a Força Expedicionária Brasileira e a Polícia Militar do Estado de São Paulo, em sua obra A Polícia de São Paulo nos campos da Itália.
As fotos aqui postadas foram do Grupo de Reencenação Histórica “Dogs of War”, que segue o link: Reencenação Histórica “Dogs of War”
- Desfile da Vitória
- Capa do Livro do Cel. Telhada
- Desfile
- Uniformes e Capacetes do V Exército
- Capacete original
- Tipico MP americano do V Exército, no centro do capacete a Tropa brasileira tinha a bandeira do Brasil
- Museum dos Oficiais da Reserva do Estado de São Paulo
Ecos da Guerra – Montagem do Dia D e Outros – Especial
Já apresentamos as montagens realizadas pelo russo Serguey, contudo tem se popularizado vários aspectos dessas montagens, claro, graças as tendências dos vários programas para tratar imagens existente no mercado, mas o resultado é bastante legal.
A Boa e Velha Propaganda Americana!
Uma visão propagandista americana com relação ao Japão durante a Segunda Guerra:
A Incrível História dos Homens-Torpedo italianos – Parte II
A Incrível História dos Homens-Torpedo italianos – Parte I
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Certa madrugada, com a sentinela espanhola dormindo um sono pesado de conhaque, fêz-se a abertura de uma porta no casco do navio, abrindo para o compartimento da proa, abaixo da linha d’água normal. A porta abria para dentro—e fechava tão bem que só mesmo um mergulhador poderia dar por ela. Quando o navio voltou à nivelação normal, o compartimento da proa alagou, mas o porão ficou seco.
O plano era pendurar torpedos-humanos em polias no compartimento da proa. Nas noites de ataque, poderiam ser lançados à água, passando pela porta feita no casco.
Inicialmente, porém, os torpedos tiveram de ser trazidos da Itália. Dêsse modo, os italianos disseram aos espanhóis :
—Temos de reparar as máquinas do navio para nos prepararmos para a vitória.
Se os espanhóis se houvessem mostrado curiosos sobre os caixotes de «tubos para caldeira» que chegaram em caminhão da Itália, teriam descoberto em cada um deles um torpedo-humano de 6,70 m de comprimento.
Diversos ataques foram lançados do Olterra. O primeiro, na noite de 7 de dezembro de 1942, custou a vida a Visintini e seu companheiro. Todas as noites a Marinha Inglesa fazia disseminar, a pequenos intervalos de tempo, cargas explosivas nas águas do porto. Uma dessas cargas matou os dois torpedeiros. Seus corpos foram encontrados duas semanas depois dentro do porto de Gibraltar. Mas o segredo do Olterra continuou inviolado.
Só em maio de 1943 os italianos conseguiram trazer «maquinaria» suficiente para que o Olterra reiniciasse seus ataques. Desta vez abandonaram a esperança de penetrar no porto de Gibraltar, passando a escolher como objetivo navios ancorados ao largo. Na noite de 7 de maio três torpedos-humanos, partindo do Olterra, efetuaram um novo ataque e regressaram sem baixas. Dois cargueiros aliados foram pesadamente danificados, um terceiro perdeu-se inteiramente.
Outro ataque vindo do Olterra teve lugar a 3 de agosto de 1943, dirigido pelo comandante Ernesto Notari. Sob o objetivo—o navio norte-americano Harrison Grey Otis, tipo Liberty, de 7.000 toneladas—Notari encontrou um novo dispositivo de defesa, arame farpado pendente na escuridão. Seu auxiliar era o sub-oficial Giannoli, um substituto de última hora. Relativamente bisonho, Giannoli deixou escapar o cabo que deveria ser passado de um para outro dos frisos laterais e a cabeça do torpedo teve de ser diretamente pinçada à quilha. Enquanto isso se fazia, o torpedo começou a subir. Notari abriu demais as válvulas de emersão e o torpedo mergulhou sem controle. Com os pulmões estourando, a cabeça rébentando, Notan lutava com os controles, enquanto a agulha do indicador de profundidade ia passando do limite de 34 metros—três vezes a profundidade normal de treinamento.
Tão rápido como mergulhara, o torpedo disparou para a superfície. Notari pensou espatifar a cabeça de encontro ao fundo do navio ou estraçalhar a roupa de borracha nos arames farpados, mas, com um forte ruído peculiar, o torpedo rompeu a água e se encontrava a um metro de distância do navio.
Semi-inconsciente, incapaz de pensar ou de agir, Notari permaneceu tombado sobre os botões de controle, aguardando gritos ou tiros. Nada aconteceu. Lentamente, readquiriu a capacidade de raciocínio. O motor só funcionava à velocidade máxima, e, a essa velocidade, mergulhar era impossível.
Optou pela única possibilidade de salvação que lhe restava—a retirada a toda velocidade pela superfície, numa extensão de cerca de quatro milhas, esperando que a qualquer momento a viva fosforescência da água em sua esteira pusesse um barco-patrulha no seu encalço.
Então aconteceu um milagre. Um cardume de golfinhos fez-lhe companhia até Algeciras, brincando e proporcionando-lhe assim um perfeito disfarce para a sua esteira e um regresso seguro ao Olterra.
Nesse ínterim, Giannoli, arrancado de seu assento no torpedo pela velocidade do mergulho, mantinha-se à tona, do outro lado do navio, pensando que Notari se tivesse afogado. Nadou para a popa, desvencilhou-se do equipamento respiratório e do invólucro de borracha e, durante duas horas, deixou-se ficar agarrado ao leme, gelando na água por dentro do macacão de lã.
Quando, pelos seus cálculos, seus companheiros já deviam estar de volta ao Olterra e, portanto, se aproximava o momento da explosão da ogiva de combate que ele próprio havia fixado, nadou ao longo do navio e gritou por socorro.
Foi içado para bordo. A notícia de sua captura foi imediatamente radiografada para o Comando Naval, que, sem perda de tempo, enviou uma lancha-patrulha, com um tripulante mergulhador, ao Harrison Grey Otis, para recolher o prisioneiro e examinar o navio. A lancha foi atada junto ao costado.
Já Giannoli tinha sido levado para a lancha e o suboficial Bell, o mergulhador, estava metendo o pé na água, quando a carga de 230 quilos explodiu do outro lado do navio.
A explosão abriu um enorme rombo na casa das máquinas. Um estilhaço, atravessando toda a largura do navio, matou o marinheiro que guardava Giannoli junto à roda do leme.
Minutos depois dessa explosão, a ogiva de combate do aspirante Cella partia em dois o navio-tanque norueguês Thorshovdi, espalhando pela baía grandes manchas de óleo grosso. A terceira bomba avariou seriamente o Stanridge, navio inglês de 6 mil toneladas. Os três navios afundaram em água rasa.’
Com exceção de Giannoli, todos os italianos regressaram sãos e salvos ao Olterra, partindo no dia seguinte para a Itália.
Os GRUPOS de assalto italianos não limitaram suas atividades à área de Gibraltar. Em 1941, três torpedos-humanos italianos penetraram no porto de Alexandria e, graças à ação dos seis homens que os tripulavam, alterou-se do dia para a noite o equilíbrio do poder naval no Mediterrâneo oriental, ficando os Aliados em inferioridade.
Às três horas da madrugada do dia 19 de dezembro, dois italianos—o Tenente de La Penne e o suboficial Bianchi—foram vistos nadando ao longo do navio de combate Valiant, que se encontrava no porto, juntamente com seu companheiro de classe, o Queen Elizabeth. Os dois homens foram içados para bordo, mas nenhum deles respondeu às perguntas que lhes foram feitas. O Comandante Morgan (mais tarde Vice-Almirante Sir Charles Morgan) ordenou sua detenção no porão do navio, no ponto em que imaginava que houvessem colocado uma ogiva de combate. Por espaço de duas horas e meia os italianos permaneceram calados.
Às 5 e 45, o Tenente de La Penne pediu para falar ao comandante. Disse:
—Quero preveni-lo de que seu navio vai sofrer uma explosão em poucos minutos.
Não quis dizer mais nada. O comandante Morgan deu ordens para que a tripulação subisse ao convés e mandou fechar as portas de vedamento d’água. Às 6 horas e 4 minutos uma forte explosão pôs o Valiant fora de ação. Não houve baixas a lamentar.
Quase simultaneamente a casa das máquinas do Queen Elizabeíh foi avariada e inundada por outra explosão de igual violência. Um navio-tanque ancorado perto perdeu a popa e as hélices.
Em 1944, depois do armistício italiano, o Tenente de La Penne ingressou nas unidades de assalto dos Aliados e tomou parte, com distinção e nobreza, num ataque combinado anglo-italiano aos navios do porto de Spezia, sob domínio alemão. Um cruzador e um submarino foram afundados. O Almirante Morgan pretendeu obter para o Tenente de La Penne uma condecoração britânica, mas a Itália estava ainda em guerra com a Inglaterra e a condecoração foi recusada.
EM MARÇO de 1945 o Príncipe Regente da Itália foi a Taranto inspecionar as unidades navais italianas que serviam junto aos Aliados, e distribuiu condecorações. O Tenente de La Penne adiantou-se para receber a medalha de ouro concedida por sua bravura no ataque ao Valiant. O Príncipe Umberto voltou-se para o Almirante Morgan:
—Venha aqui, Morgan, disse. Isto lhe compete.
O Almirante Morgan tomou a medalha e colocou-a no peito do homem que três anos antes pusera fora de ação o navio sob seu comando.










































































































































































































































































































































































































































