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Rússia, 1941. Uma Guerra Sem Louros – Parte VIII
“De repente os russos começaram a atirar contra nós” conta o soldado Michael Beer. Rajadas de armas automáticas e de metralhadoras varriam através dos grupos separados de prisioneiros alemães amarrados e seminus. Karl Jäger, conduzido pela estrada no sentido norte, de início ficou surpreso com o tiroteio que acontecia entre os grupos que vinham atrás. Segundo ele, “O pânico se instaurou logo após os primeiros tiros e então eu consegui fugir.”. Granadas de mão foram lançadas entre os grupos compostos de sub-oficiais e oficiais que tinham sido separados para um tratamento especial. Eles sofreram ferimentos graves.
Na manhã seguinte, soldados e tanques da 25ª Divisão (alemã) fizeram um pente fino pelo campo: 153 corpos seminus foram encontrados, suas peles brancas e pálidas fazendo um contraste patético contra um fundo de verde exuberante. Um grupo de 14 soldados teve os órgãos genitais arrancados. Entre os corpos estava o de Hermann Heiss, gravemente ferido. Ele foi reconfortado pelos soldados alemães. Olhando em volta em uma cena de completa devastação, ele viu “que a cabeça do meu camarada” que tinha urrado de dor “estava completamente aberta (…) A maioria dos soldados estava morta” ou acabaram morrendo devido aos ferimentos. Apenas 12 sobreviveram.
Caminhões abertos foram trazidos e os corpos seminus empilhados até em cima. Eles formavam uma mistura de membros emaranhados e grotescamente enrijecidos devido ao rigor mortis. A luz do sol reluzia nas tachas das botas espalhadas por sobre os lados dos caminhões que tiveram as suas abas abaixadas de modo a poder acomodá-los. Um cemitério militar foi criado na parte externa da igreja em Broniki. Pode-se imaginar o efeito causado aos soldados da 25ª Divisão, obrigados a limpar a cena do massacre. Em silêncio eles prometeram vingar a morte de seus companheiros.
Durante os estágios iniciais da campanha, as mutilações nos olhos e nos órgãos genitais dos prisioneiros alemães eram infligidos com tal freqüência que acabaram por aumentar ainda mais o desconforto diante da perspectiva de uma possível captura pelo inimigo. A rapidez da Blitzkrieg por muitas vezes cobrava seu preço em razão dos avanços imprudentes de modo que prisioneiros de guerra não eram apenas um fenômeno russo. Mais de 9.000 alemães foram dados como desaparecidos em julho, 7.830 em agosto, e perto de 4.900 em setembro de 1941. Embora mais tarde a taxa de mortalidade dos alemães capturados pelos russos viesse a cair, mesmo assim ainda nesse estágio entre 90 e 95% morreriam nas mãos dos seus captores. Esses números são insignificantes se comparados com o destino dos milhões de prisioneiros soviéticos, porém eram suficientes para criar um receio considerável entre os soldados alemães. Um relatório da 26ª Divisão (russa) datada em 13 de julho de 1941 mencionou que 400 inimigos foram deixados mortos no campo de batalha a oeste de Slastjena e “uns 80 alemães se renderam e foram executados.”. Um outro relatório – também capturado – de uma companhia apresentado pelo capitão Gediejew em 30 de agosto fazia referência aos inimigos mortos, aos canhões e morteiros capturados e a “15 feridos que foram fuzilados.”.
C O N T I N U A
- 06 – O exército alemão estava mal preparado para o rigoroso inverno russo em 1941
- Russia, Moscou – Inverno 1941: Bem equipado contra o frio, soldados ciberianos marcham para o front
- Arma de apoio a Infantaria na posição de tiro perto do rio Narva, agosto de 1941. Estamos avançando e o inverno passa a ser uma preocupação de todos.
- Foi dado ordens para guardar nossas posições e com o inverno russo encontramos outro inimigo
- A tomada da cidade de Chudovo foi custosa para o regimento, pela primeira vez tivemos que construir um cemitério para os nossos mortos. O inverno e as baixas começam a deixar-nos abatidos e nesse momento o moral não está bom.
- Com o fim do inverno a lama transforma qualquer deslocamento em um exercício quase insuportável. Só à cavalo é possível se deslocar.
- Local de agrupamento de tropas inimigas durante o inverno na área Volchov. 1942.
- O inverno se foi, mas o problema agora é a lama causada pela neve derretida. Um tanque russo capturado será reaproveitado pelo regimento.
- Utilizando granada. Infantaria alemã.
- Sepulturas Bolscheviks no campo de batalha de Uman (Ucrânia), onde na primeira semana de agosto 25 divisões foram destruídas. Mais de 103.000 prisioneiros foram levados, entre eles os comandantes do 6º e do 12º Exército. 317 veículos blindados, 858 pistolas, 242 armas antitanque e canhões antiaéreos, 5250 caminhões e 12 trens.
Você conhece a Batalha da Floresta de Hurtgen?
A Segunda Guerra Mundial foi um conflito de números inimagináveis até hoje. Quando Eisenhower comentou em 1969 a quantidade de tropas e material bélico estacionado na Inglaterra aguardando a Operação Overlord, explicou que seria inviável, em tempos armamento nuclear, manter uma quantidade de exército estacionados nestas condições. No contexto geral o recursos humanos e de material empregados nas centenas de operações do conflito sempre surpreende, e isso é proporcional a quantidade de vidas perdidas, tanto em combate como na população civil.
Devido a quantidade de eventos bélicos que formataram a o sangrento quadro da Segunda Guerra, é natural que uma ou outra batalha receba mais ou menos destaque nos estudos históricos. A mesma regra é válida para unidades militares, pessoas, operações, e regiões envolvidas nos conflitos. Quem já estudou e ficou impressionado com o Dia D? A Operação Overlord é um estudo obrigatório para qualquer aspirante a pesquisador da Segunda Guerra, assim como Kusk, Barbarossa, Bagration, Cobra, Bulge, Iwo Jima, Gualdacanal, Midway e tantas outras decisivas batalhas da guerra, mas quem lembra Ofensiva da Primavera na Itália? Quem sabe como foi a batalha pelas ilhas de Aleutas? pois é!
Contudo, no contexto desse conflito, dezenas de outras operações foram importantes; dezenas de outros cenários exigiram vidas de soldados e civis, e envolveram dezenas de Exércitos, Corpos de Exército, Divisões e Batalhões que tiveram perdas consideráveis em operações de “segundo plano” nos estudos históricos. E isso é uma grande pena, pois geralmente seus países não lembram as datas que esses soldados caíram. Não fazem paradas militares, não fazem monumento aos seus mortos.
Hoje gostaria de lembra a Batalha da Floresta de Hurtgen, a batalha mais sangrenta do Teatro de Operações da Europa que o Exército americano enfrentou. Isso mesmo, esqueçam Dia D, Bulge, Cobra e Market Garden! Cerca de 33 mil militares americanos e 28 mil alemães pereceram próximo a fronteira da Bélgica e Alemanha, em uma floresta concebida para ser uma fortificação impenetrável e estratégica para a Wermarcht, inclusive para apoiar o planejamento da Ofensiva das Ardenas, em dezembro de 1944.
A Batalha da Floresta de Hurtgen é o nome dados aos diversos combates ocorridos próximos a floresta da cidade alemã de Hurtgen entre 13 de setembro de 1944 a 10 de fevereiro de 1945. O Exército Americano enviou para a região seis divisões de infantaria, duas blindadas e uma paraquedista, sendo que todas foram praticamente dizimadas ou saíram com severas baixas.
A floresta possuía árvores que mediam 20 a 30 metros de altura, em algumas regiões nem mesmo o sol chegava até o solo. No início da campanha, o solo alternava entre congelado e lamacento, com uma lama que afundava até os joelhos, com pouca mobilidade para tráfego motorizado. As condições do tempo tão pouco ajudavam nesse período, variando entre chuva de granizo, neve, frio e névoa. A linhas de suprimento eram quase inacessíveis e custosas. Um terrível cenário, onde a vantagem que o Exército americano tinha sob o Alemão de nada valia.
As próximas publicações trarão as unidades empregadas e seus comandantes e, principalmente, como aconteceu essa custosa operação em termos de vida humana.
Esse assunto já há muito estava para ser abordado pelo BLOG, mas resolve publicar a partir de um documento muito bem elaborado do Club SOMNIUM produzido pelo escritor Reinaldo Theodoro e enviado por Neto para o blogchicomiranda@gmail.com, cujo o email transcrevo abaixo:
“Bom dia caro amigo Francisco Miranda. Meu nome é Odílio (mas pode me chamar de Neto), moro em Araçatuba-SP e sou fã e seguidor do seu blog, pois sou apaixonado por assunto relacionado a 1ª e 2ª Guerra Mundial. Vi no seu blog que se quiséssemos mandar perguntas, poderíamos. Então gostaria de pedir, se você puder é claro, postar no seu blog alguma coisa sobre a Batalha da Floresta de Hürtgen, pois pesquisando fiquei sabendo que foi uma batalha esquecida, ofuscada pelo início da Batalha do Bulge, mas que infelizmente muitas vidas foram perdidas[…] Deixo aqui um grande abraço à você Francisco, se precisar de alguma coisa é só pedir, pois tenho algumas coisas que possa servir a seu blog. Fica com Deus.”
Para o nosso amigo Neto, espero que as publicações que virão possam lhe agradar.
Perguntas sobre a Segunda Guerra? blogchicomiranda@gmail.com
- O primeiro Ataque
Morte nos Campos de Batalha – Ainda não Aprendemos com Nossos Erros!
Dizem que a inocência de um homem acaba nos primeiros minutos de batalha, e com o decorrer da guerra sua humanidade também se desfaz. O mundo como conhecemos, foi forjado a partir da guerra, e apesar de sempre presente, a guerra é a degradação maior que o individuo pode enfrentar.
A Segunda Guerra foi o primeiro grande flagelo a ser documentado e registrado de forma industrial. Porquanto a quantidade de registros de jovens que pereceram em combate e outros que sobreviveram fisicamente, mas que deixaram suas mentes nos campos de batalha permite termos a exata dimensão do que um conflito de grandes proporções pode causar a um homem sadio.
E continuamos criando nossas guerras ao longo das décadas até os dias atuais, mesmos cientes das consequências devastadoras, deixamos que o ódio entre povos e nações continuem a produzir mais mortes. Não entendemos nossa própria história e continuamos a repetir os mesmos erros do passado.
Rússia, 1941. Uma Guerra Sem Louros – Parte VII
PARTE 7
“Se eu fosse atacado, como foram os russos atacados pela “hordas germânicas” (e para eles nós éramos apenas “hordas fascistas” – comportamento justificado em parte por nós mesmos), então eu teria lutado até o fim.”
Em 1º de julho de 1941, nove dias após o início da campanha, 180 soldados alemães entre artilheiros e infantes pertencentes ao 35º Regimento e ao 119º Regimento foram capturados durante um contra-ataque repentino na estrada entre Klewan e Broniki na Ucrânia. Eles pertenciam a duas formações de infantaria motorizada as quais inadvertidamente se depararam contra uma força soviética superior composta de 1 divisão mais a metade de outra e foram prontamente dominados. Os prisioneiros, a maioria composta de feridos, foram conduzidos para um campo ao longo de uma estrada e ordenados para que se despissem. O Gefreiter Karl Jäger começou a apressadamente a tirar a sua túnica além de “ser obrigado a entregar todos objetos valiosos incluindo tudo que tínhamos em nossos bolsos.”. Nesta fase inicial após a captura, os prisioneiros geralmente obedeciam pois estavam ainda em estado de choque e preocupados com as suas vidas. Os soldados feridos tiveram dificuldades para se despirem. Jäger se lembra de um sub-oficial conhecido, Gefreiter Kurz, lutando para tirar o cinto devido à sua mão ferida. Para o seu horror, Jäger viu “ele ser apunhalado por trás, na nuca, de modo que a baioneta saiu pelo pescoço.”. Impressionados, os outros soldados desesperadamente removeram as suas túnicas. Outro soldado, ferido gravemente, foi chutado e espancado na cabeça com as coronhas dos rifles. Completamente intimidados, os prisioneiros alemães foram sendo encaminhados para o norte da estrada em grupos de 12 a 15 homens. Muitos estavam seminus e “outros completamente nus” lembra Jäger. O Oberschütze Wilhelm Metzger disse: “os russos (…) levavam tudo o que tínhamos: anéis, relógios, sacos de dinheiro, insígnias dos uniformes, e então eles começaram a pegar nossas jaquetas, camisas, sapatos e meias.”. O soldado Hermann Heiss teve as suas mãos amarradas para trás de maneira bem tosca como a maioria dos soldados. Eles então foram forçados pelos soldados russos a deitarem sobre um campo verdejante de trevos. Heiss descreveu quando:
“Um soldado russo me apunhalou no peito com sua baioneta. Neste momento eu me virei. Eu então fui apunhalado por sete vezes nas costas. Eu não me mexia. Evidentemente que os russos acharam que eu estava morto (…) Eu podia ouvir os gritos de dor dos meus companheiros e então eu desmaiei.”
Segunda Guerra Mundial: Perguntas Complicadas & Suas Respostas – Parte III
Vamos fazer diferente aqui. Não vou postar uma pergunta, mas uma afirmativa que achei pertinente comentar, já que estava em uma rede social:
“Para todos os estudiosos da 2ª GM sempre é bom lembrar que a segunda guerra começou em 28 de junho de 1919, quando Hermann Müller assinou e em 10 de janeiro de 1920 quando foi ratificado o famigerado Tratado de Versalhes. As condições vexatórias do tratado para a Alemanha e a perda de território iniciaram a 2ª GM. Mesmo não sendo Hitler no poder, bastaria um governo forte e que desejasse a soberania alemã e a guerra estaria decretada.”
Chico Miranda:
Existem duas perspectivas que devem ser analisadas para a afirmação acima. A primeira é a indicação do Tratado de Versalhes ter sido vexatório. Quem poderia negar? Quando penso no Tratado de 1919, gosto da opinião exposta por John Maynard Keynes em seu clássico “As Consequências Econômicas da Paz”. Keynes foi o principal representante do Departamento do Tesouro que compôs a delegação Inglesa, e que negociou os termos do Tratado. Não concordou com os termos do relatório final e criticou duramente os objetivos dos aliados. No livro, publicado em 1919, Keynes imputou a França as principais insustentáveis imposições do Tratado, argumentou que o valor das reparações eram impagáveis, porquanto acusou seu país, a Inglaterra, de omissão, exaltando o espírito separatista que existia entre a Europa continental e as ilhas de sua majestade. Outra característica do livro são as referências pouco elogiosas que são dispensadas aos principais articulares do Tratado: Clemenceau, Wilson e Lloyd George, segue abaixo uma afirmativa dada pelo próprio Keynes:
“Essas eram as personalidades de Paris […] Clemenceau, esteticamente o mais nobre; o presidente (Wilson), moralmente o mais admirável; Lloyd George, intelectualmente o mais sutil. O tratado nasceu de suas disparidades e fraquezas, filho dos menos valiosos atributos de seus pais: sem nobreza, sem moralidade, sem intelecto”
Keynes, 1919
A outra perspectiva da afirmativa do enunciado não deve ser usada para justificar as ações de Hitler e os desdobramentos da Segunda Guerra Mundial. Para tanto, em 1935, ou seja, dois anos depois da assunção do nazismo, já não havia qualquer tipo de obrigação do Tratado de Versalhes sobre a Alemanha, exceto o Corredor Polonês. Pelo contrário, o regime nazista já colocava em prática o Lebensraum (Espaço Vital). A compreensão das políticas externas e a visão de Hitler da posição que a Alemanha deveria ter em relação aos outros povos é que determinou os caminhos que o regime tomou a partir de 1939.
Faço ressalvas a afirmativa “bastaria um governo forte e que desejasse a soberania alemã e a guerra estaria decretada”, já que o governo alemão de Hitler empreendeu conquistar reparações muito além dos parâmetros iniciais impostos pelo Tratado. A guerra foi uma opção, dentre outras possíveis. Outra característica do nazismo era não cumprir os diversos acordos diplomáticos que se seguiram por toda a década de 30 e preterir os meios negociados, buscando o empreendimento bélico. Esse é o ponto! O Führer era um belicista por natureza. Desde o princípio, a sua ideologia já demonstrava claramente de que forma iria colocar a Alemanha onde o nacional socialismo entendia que ela deveria estar, e os meios eram bélicos. Prova? Em discurso no Reichstag em 1938, o próprio Führer declara que as fronteiras antes do Tratado de Versalhes de nada interessam para III Reich. O que ele queria?
Evidente que os aliados foram os expoentes na preparação do terreno para a Segunda Guerra Mundial, contudo, o totalitarismo, somado a uma ideologia radical e convicta do regime, que se estabeleceu na Alemanha a partir de 1933, contribuíram de forma decisiva para a abrangência do conflito.
Haveria guerra, mesmo sem Hitler? É possível! Mas a dimensão, consequências e, principalmente, o resultado para a Alemanha, são méritos exclusivos do Líder alemão e seus aliados.
Perguntas Complicadas? blogchicomiranda@gmail.com
- Hilter e Goelbbes
- Em Murmansk. Ju 88 decola para o ataque a bomba em um campo de aviação soviética
- Tropas húngaras tomom Kolomea e Stanislav em 04 de julho – tanques húngaros mover-se em Kolomea
- Em 3 de julho unidades de cavalaria atravessam rio Beresina
- Unidades de trabalho de Reich acompanhar de perto as tropas de combate
- O povo de Lvov cumprimentam os vencedores mesmo quando combate ainda continua no outro lado da cidade. Em 30 de junho as tropas bávaras de montanha colocam a bandeira Reich no ponto mais alto do Castelo de Lvov
- Bombardeiros de mergulho estão se preparando para atacar as rotas de transporte do inimigo
- Em 01 de julho a cidade velha de Riga hanseática é libertada do bolchevista
- A condição estradas dificulta o avanço. A lama da Rússia Soviética é um adversário difícil por si só
- Produto Lançado em 1939
Força Expedicionária Britânica – Esperança e Morte no mesmo Exército
Em 03 de setembro de 1939, a Grã-Bretanha declarou guerra à Alemanha nazista. Desde os primeiros dias de setembro, uma Força Expedicionária Britânica, desembarcaram na França e se instalaram a leste de Lille. Começaram um longo período de espera naquilo que ficou conhecida como “Guerra de Mentira”.
Em 10 de maio de 1940, a inatividade se encerrou com a invasão pelo exército alemão na Holanda, Bélgica e Luxemburgo. Em resposta, as unidades francesas e britânicas, entraram na Bélgica para contra-atacar a ofensiva alemã. Em 14 de maio de 1940, o avanço de tanques alemães na região de Sedan e Dinant iniciam um movimento que determinariam a derrota dos exércitos aliados. A partir de 20 de maio, o inimigo avança território adentro, apesar da resistência feroz, as cidades francesas caem uma após a outra. Em 26 de maio de 1940 Operação Dínamo, que consiste na retirada de forças aliadas de Dunquerque, um campo entrincheirado. Em 04 de junho, mais de 300 000 soldados foram reembarcaram para a Inglaterra, era o fim da Força Expedicionária Britânica. Este sucesso inesperado, permitiria a Inglaterra continuar na luta.
Correspondentes de guerra da SCA fotografaram o cotidiano dos soldados britânicos em solo francês em seus quartéis.
Outras imagens, utilizadas pela propaganda alemã, mostram o que sobrou das forças inimigas que seguem o progresso até derrotar das unidades aliadas por completo.
Acompanhem pelo facebook: https://www.facebook.com/BlogChicoMiranda
Segunda Guerra Mundial: Perguntas Complicadas & Suas Respostas – Parte II
Continuação das respostas para a pergunta do Paulo Roberto de Oliveira:
Nada se fala dos soldados soviéticos que também em sua grande maioria eram simples aldeões, e fizeram o mesmo percurso na contra ofensiva e ou soldados norte americanos que se embrenhavam nas florestas da Ásia na luta contra o exercito japonês?
Chico Miranda: Na verdade são contextos e situações diferentes.
Os Soviéticos:
O soldado soviético viu seu território ser invadido e respondeu ao chamado desesperado para defender sua pátria, em contrapartida o soldado alemão, em dado momento, já não acreditava na motivação da guerra.
Uma das características do Exército soviético foram seus abundantes recursos humanos, e isso é facilmente comprovado pelo número de baixas sofridas no conflito, 17 milhões. Diferentemente do Exército alemão, o soviético possuía uma massa de homens para recomposição de suas unidades.
Mesmo com pouco material e treinamento quase inexistente, o Exército soviético supria com jovens enviados de trens de todo o território das repúblicas comunistas, enquanto que a Wermarcht já não conseguia realizar a reposição de seus efetivos com a mesma eficiência do início da guerra.
Os americanos:
O contingente americano utilizado no Teatro de Operações da Europa, a partir da Operação Overlord, por exemplo, era quase totalmente formado por novas Unidades, exceto a 116 Rangers e a 82 Airborne, com renovado efetivo, que participaram das operações na África do Norte, todas as demais unidades entravam em combate a primeira vez. Enquanto que os fuzileiros, com pequeno apoio do US Army, foram predominantes no Teatro do Pacífico.
Portanto não podemos comparar o esforço de um ou outro exército, pois foram circunstâncias diferentes para contextos e cenários diferentes.
Se houve problemas de logístico devido a “Lama” nos pós invernos de 41/42, para a Wehrmacht também não aconteceu o mesmo com o exercito vermelho, mesmo com a enorme quantidade de material bélico fornecido pelos americanos?
Chico Miranda: Sim, mas o Exército Vermelho lutava nestas condições já há alguns anos, para não dizer séculos, se levarmos em consideração a campanha de Napoleão contra a Rússia. O problema nesse caso é que a Alemanha esperava uma vitória aos moldes da Campanha da França, rápida e conclusiva. O que não aconteceu. Eles não se preocupavam com o general inverno, pois acreditavam em uma vitória muito antes disso.
Um outro fator a ser observado é que as linhas de transportes do Exército Vermelho foram mantidas, que era basicamente linhas férreas. Em nenhum momento da guerra a Alemanha conseguiu interromper o fluxo de transporte dentro da URSS, portanto a manutenção de deslocamentos e de linhas de abastecimento sempre estiveram ativas.
Me dá impressão que só temos fatos do ponto de vista dos aliados, será que a superioridade tecnológica e a melhor qualidade de treinamento militar Alemão (nos primeiros anos do conflito) não deveria ser mais divulgada atualmente?
Chico Miranda: Claro! Estudos indicam que em 1939 o Exército Alemão estava tecnologicamente cerca de 5 anos à frente de seus opositores. E esse desenvolvimento prosseguiu em várias áreas da pesquisa bélica desde mísseis balísticos continentais até o enriquecimento de urânio. Basta lembrar a disputa pelos cientistas nazistas quando a Alemanha caiu e a transferência e utilização dessas tecnologias no pós-guerra.
Acredito sinceramente que estamos na fase do revisionismo histórico responsável, entendendo que a história não deve e não pode ser contada pelos Vencedores, mas pela análise dos FATOS, independente dos seus agentes.
Obrigado Paulo!
Galeria de Fotos que mostram Tropas Americanas no Dia D – Demonstra tropas novas, treinadas para o primeiro combate na Operação Overlord
Soldado 201 Nascimento – Mais Conhecido como Pelé!
Sinto-me orgulhoso de ter servido por anos na instituição mais respeitada desse país. Por mais que existam pessoas que ataquem o passado recente do Exército Brasileiro, a população do nosso país sabe a quem recorrer quando precisa de garantia da Lei e da Ordem. Nosso Exército é uma das poucas instituições públicas onde há fomentação de valores. Conduta correta, honra, respeito, lealdade a pátria são apenas alguns dos pré-requisitos para se envergar uma farda camuflada do Exército Brasileiro. Esse é o nosso Exército, refúgio dos valores de nossa sociedade.
Para tanto podemos encontrar no maior jogador de futebol de todos os tempos à confirmação dos argumentos acima:
Cabo Clarindo Batista Santos é um pernambucano!
Mais uma crônica de Rubem Braga. Desta vez ele escreve sobre a bravura de um pernambucano da cidade de Bom Conselho.
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Clarindo Batista Santos é um pernambucano troncudo, musculoso, de pequenos dentes sadios. Nasceu em Bom Conselho, perto de Garanhuns. Em 1933 foi para São Paulo, serviu no Exército, depois esteve por dois anos na Escola da Aeronáutica do Rio, onde aprendeu enfermagem. Saindo do Exército trabalhou como empregado em várias casas comerciais do Rio. Quando a SEMTA organizou (ou, mais precisamente: promoveu) a migração de trabalhadores nordestinos para a Amazônia, Clarindo entrou para esse Serviço como enfermeiro, mas logo passou a chefe de comboio. Recrutava os voluntários no interior da Paraíba e de Pernambuco e organizava os comboios de 8 caminhões que os levavam até Fortaleza. Correu assim muitos trechos do Nordeste e chegou a ir até o Maranhão.
Mais de uma vez teve que agir com energia, pois os trabalhadores ameaçavam se revoltar, devido à desorganização do serviço que, a princípio, não providenciava alojamento nem alimentação para os homens.
Clarindo voltou para o Rio – e “arranjou para ser convocado”, entrando então para a FEB como cabo-enfermeiro de companhia. Seu pai, Manuel Santiago de Messias, vive em Palmeiras dos Índios, Estado de Alagoas.
É do Cabo Clarindo o personagem principal da narrativa abaixo:
Março, 1945
Com informações que colheu através de patrulhas, o S-2 de um Batalhão conseguiu localizar perfeitamente uma localização nazista. O capitão Arnóbio Pinto Mendonça chamou o tenente de seu pelotão de morteiros. Os morteiros 81 receberam um tipo de munição especial – grandes granadas incendiárias. O oficial de ligação de artilharia telefonou ao Tenente Lontra – e os canhões de retardo, que primeiro entraram no chão para depois explodir.
Marcou-se a hora exata. Os binóculos voltaram-se para uma igrejinha e um grupo de casas, não distante de nossas linhas. Fogo! Choveram sobre a posição 50 tiros de morteiros e 25 de artilharia. Minutos depois o fogo ardia sobre os escombros. E uma bandeira branca emergiu. Logo depois apareceu também uma bandeira vermelha. Os alemães se rendiam e pediam socorros médicos.
O Capitão Fará telefonou para o Batalhão, o Batalhão para o Regimento, o Regimento telefonou para a Divisão. Na linha de frente nossos homens olhavam a bandeira branca e a bandeira vermelha. Esperavam que aparecesse algum alemão na terra de ninguém, mas nenhuma aparecia. O fogo tinha sido suspenso. Podia ser uma cilada do inimigo.
Uma pequena discussão no PC da Companhia – mas o cabo Clarindo Batista dos Santos, enfermeiro, disse que fazia questão de ir. Já se oferecera para outras missões perigosas – e fora preterido. Que vá!
Clarindo pediu ao Tenente Cisne que, se os alemães o segurassem lá, ele varresse tudo com morteiros – não se importava de estar no meio. E sozinho, desarmado, caminhou para as linhas inimigas. Levava na mão uma bandeira de cruz vermelha.
– “Quando cheguei lá perto, vi um alemão. Acenei para ele com a bandeirinha, dizendo para ele vir cá. O alemão deu uns passos e depois me chamou para ir lá. Eu disse para ele vir, que não tivesse paura, gritei que tinha sigaretti, mangiare. Ciocolatta, que brasiliano não matava tedesco prisioneiro não, que ele podia vir que já tinha muitos amigos deles do lado de cá. Então veio um alemãozinho. Eu conversei com em italiano e disse para dizer aos outros para virem. Não sei se ele entendeu direito. Voltou lá e eu fiquei esperando. Aí chegou um terceiro-sargento nosso que ficou comigo, não sei o nome dele. O alemãozinho voltou com um outro, parece que era sargento. Esse chegou perto de mim, levantou a mão e disse Heil Hitler. Então eu bati continência, depois apertei a mão dele… ”
– Mas por que você apertou a mão dele, Clarindo?
– “Sei lá, é porque esse aquele negócio de fazer Heil Hitler e eu bater continência ficou uma coisa sem jeito, então resolvi cumprimentar o homem direito. Aí o homem disse que queria vir para o nosso lado e que lá na sua posição tinha mortos e feridos. O sargento voltou com o homem e eu resolvi ir lá ver os feridos com o alemãozinho que tinha vindo antes. Eu pensava que lá só tinha feridos e mortos e queria ver para então providenciar o socorro. Mas quando eu cheguei, fio logo vendo três alemães, depois outro, depois mais outro. Eles ficaram me olhando e eu sozinho ali no meio deles. Tinha um cavando um buraco para enterrar os mortos, e outro mexendo com uma padiola. Perguntei se ele não tinham médico. Disseram que não, “niente médico”, e tinha um ferido no chão. Um deles perguntou se nós tínhamos médicos e remédios; eu disse que sim, e ele fez o sinal de vir. Mas ai eles começaram a conversar uns com os outros em alemão e me olhavam com cara feira e não sabia o que fazer. Aí eu peguei a pá e comecei a cavar o buraco…”
– Mas para que você foi cavar buraco?
– “Sei lá, estava todo mundo parado, eu precisava fazer alguma coisa para ver como é que as coisas ficavam. Se eu ficasse parado, eles acabavam me prendendo ou me matando. Aí um alemão disse que eu não bisognava cavar, eu larguei a pá e resolvi botar energia. Olhei assim, e escolhi quatro alemães bem fortes e dei uns berros: “vocês quatro portare padiola! Depressa! Súbito!” Os homens me olharam admirados, mas trataram de ir segurando a padiola com o ferido, e eu os pus na frente e vim outra vez para a nossa linha. Depois eu voltei, mas aí fui com três homens, dois com fuzis, um com metralhadora…”
Rússia, 1941. Uma Guerra Sem Louros – Parte V
As condições físicas iam ao encontro dos rigores da campanha. Soldados acostumados aos alojamentos bem equipados na Alemanha ficavam cada vez mais deprimidos com a continuação das operações que superavam a duração e os desconfortos de todas as campanhas anteriores juntas. Um soldado escreveu: “Essas planícies imensas, enormes florestas com alguns barracos aqui e ali, tudo causa uma impressão desoladora.” Era tudo “desinteressante ao olho” com “cabanas de madeira com um aspecto melancólico, florestas e pântanos.” Ele continua: “Tudo parecia estar perdido nessas extensões infindáveis.”
Da mesma maneira que os avanços continuavam, também continuavam os receios. “Se orientar na Rússia é tão difícil quanto no deserto” lembra um soldado. “Se você não olhar para o horizonte – você está perdido.” Outro comentou:
“O imenso espaço era tão vasto que muitos soldados ficaram melancólicos. Vales planos, pequenas colinas – vales planos, pequenas colinas, intermináveis, intermináveis. Não havia limite. Nós não conseguíamos ver um fim e era tudo tão desolador.”
“Onde será que essa guerra sem fim irá nos levar?” perguntou Günther Von Soheven de 33 anos, lutando no fronte Sul.
“Não há nenhum objetivo identificável em termos de espaço através desses campos que se estendem cada vez mais longe. Mais deprimente é o inimigo que se torna cada vez mais numeroso mesmo depois de termos feito enormes sacrifícios.”
Os soldados começavam a sentir saudades de casa. “As distâncias crescem incomensuravelmente,” concluiu van Soheven “mas nossos corações se mantém próximos.”
Porém, a determinação em terminar logo a guerra era igualada pela insistência russa em continuar lutando. Não era difícil desumanizar um inimigo em uma terra estranha e que, longe de qualquer razão lógica, preferia resistir fanaticamente apesar de sua derrota certa. A propaganda nacional socialista disseminou a falsa semente que encontrou guarida nas mentes receptivas dos soldados já expostos às doutrinas racistas. O Unteroffizier Wilhelm Prüller, um soldado de infantaria da 9º Divisão, escreveu em 4 de julho: “nós ouvimos as coisas mais terríveis sobre o que os russos estão fazendo com os prisioneiros (alemães).” A 8ª Companhia do seu 11º Regimento Schütze foi seriamente castigada em uma emboscada russa e perdeu 80 homens. “Os Kameraden feridos receberam um tratamento pelos canos das armas russas até que estivessem todos mortos.” Os comentários anti-semitas de Prüller despersonalizaram o inimigo. Tal qual vários soldados alemães, ele ficou surpreso em encontrar mulheres russas de uniforme. Dentro de um bolsão de resistência russa ele se deparou com “mulheres, completamente nuas e carbonizadas” que “estavam deitadas sobre ou ao lado de um tanque (soviético destruído). Horrível.” Ele conclui indignado: “Aqui nós não estamos lutando contra seres humanos, mas contra animais.” Da mesma maneira, os soldados americanos desumanizaram os seus adversários japoneses no Teatro do Pacífico e, mais tarde, os vietcongs no Vietnã nas décadas de 1960 e 1970; ou seja, essa é uma reação não necessariamente vinculada às sociedades puramente totalitárias. Prüller mais adiante observa: “entre os mortos russos há vários rostos asiáticos os quais tem uma aparência nojenta com aqueles olhos puxados.” Ele tinha ficado impressionado com toda aquela situação estranha. Em um parque na cidade de Kirovograd, alguns soldados se banhavam em um pequeno lago. “É curioso ver, bem à nossa frente, mulheres russas tirando a roupa sem vergonha alguma e caminhando peladas.” Ele continua: “Algumas delas até que valem a pena, especialmente com relação aos seios (…) A maioria de nós teria vontade de… mas então você repara nas mais sujas e te dá vontade de vomitar. Não há moral nenhuma por aqui! Revoltante!”
C O N T I N U A
- Coluna de infantaria em marcha, Letônia.
- Foi dado ordens para guardar nossas posições e com o inverno russo encontramos outro inimigo
- A temperatura começa a baixar e soldados da companhia de comando do 506 tomam óleo de peixe
- Chudovo estação ferroviária
- Casas de veraneio perto Petrodvoretz, a oeste de Leningrado. Em 08 de setembro de 1941 Petrodvoretz foi tomada por nossas tropas. Toda a Divisão agora está se reunindo. Sabemos que nosso objetivo será Leningrado.
- Narva última cidade da Estônia, na fronteira russa. Sabemos que vamos avançar ainda mais.
- Ficamos impressionados quanto a aparelhamento militar do inimigo com armas puxadas com carroças
- Carruagens russa deixadas na floresta perto de Riga de 1941.
- Carregado com material e armamento, nosso comandante está preocupado em manter nosso linha de suprimento.
- As ferrovias passam a ser cruciais para o transporte de reforços, armamentos e suprimentos.
- Arma de apoio a Infantaria na posição de tiro perto do rio Narva, agosto de 1941. Estamos avançando e o inverno passa a ser uma preocupação de todos.
- Estamos na floresta de Luga, encontramos um tanque russo KV-I destruídos por outro regimento.
- Nosso objetivo a Fortaleza no rio Narva.
- Depois da conquista de Riga conseguimos captura armas antitanque de 4,7cm, e isso não parece que deixou nosso comandante aliviado.
- …E contabilizamos baixas
- A resistência russa que estava em Riga retraiu para a floresta adjacente aonde houve confrontos com nossas unidades avançadas, sabemos que teremos que expulsá-los de lá, mas ainda não temos informações sobre o tamanho da força do inimigo.
- Destruição de edifícios em Riga, 1941.
- O comandante do Regimento deus ordens para que os oficiais se aproximassem da população local para ouvi-los. Os nossos tradutores trabalharam bastante nesse dia. Vamos guardar nossas posições na Letônia até recebermos as ordens para avançar.
- Enquanto as ordens de avanço não chegam o pessoal da cavalaria do regimento se exercita na praia em Pernau, Estônia.
- Enquanto o grupo avançado recebe ordens de construção de uma ponte sobre o rio Purtse, o inverno de 1941 se aproxima.
- Estamos em Riga, podemos ver um monumento pela liberdade
- Companheiros do Pelotão de Cavalaria
- Missão reparar a estrada para os veículos do regimento
- fotos fazem os soldados sorrirem.
- Comandante do Batalhão Krauze do III/506 (no centro), Voigtlander capitão (à direita) e Tenente Meinel (à esquerda) discutem plano de ações, julho de 1941.
- De artilharia de apoio na marcha, na Letônia
- Descanso e alimento para os motociclistas do regimento.
Segunda Guerra Mundial: Perguntas Complicadas & Suas Respostas!
Esse BLOG, desde o momento que decidi enveredar para sua construção, tinha em mente que deveria expor a Segunda Guerra Mundial sem a estupidez da explicação pelo prisma ideológico, digo estupidez não com a arrogância de ser o dono da verdade, pelo contrário, mas tendo como objetivo expor apenas o FATO, despido das interpretações pessoais para embasar uma ou outra corrente de interpretação dos acontecimentos, ou seja, defender apenas aquilo que tem embasamento histórico, independente se esse Fato exalta um Derrotado do conflito e diminui um Vencedor, ou vice-versa.
Contudo, sempre sou inquirido sobre determinados acontecimentos que exige uma posição. Ou pelo menos, exige argumentos que possam agradar uma ou outra interpretação. Por exemplo, Os Bombardeios Aliados sobre as cidades alemães foram crimes de guerra? É possível negar o Holocausto, ou pelo menos diminuí-lo em números? E os bons resultados do Nacional Socialismo no pré-guerra, são sustentáveis? Todas essas perguntas exigem argumentos prós e contra, mas, como diria uma dos maiores medievalistas do século XX, Edward Carr: “Cabe ao Historiador trazer à luz os argumentos que ele entende sejam necessários para a compreensão do Fato Histórico”. Portanto, o Historiador possui na sua raiz profissional a obrigação de expor para seus contemporâneos todos os argumentos necessários ao entendimento do fato, e, pode sim, ser uma visão diferente da VERSÃO OFICIAL.
Bem, então resolvi postar perguntas que são enviadas para mim, que geralmente, respondo por email.
Se você quiser pode enviar perguntas para: blogchicomiranda@gmail.com
Terei o maio prazer em responder, pelo menos tentar!
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Vamos começar pelas perguntas enviadas por Paulo Roberto de Oliveira:
Francisco com sempre seus artigos são sensacionais!! Parabéns mais uma vez, agora me diga lá, veja se pode me ajudar…tenho algumas dúvidas há anos:
Pode ser que eu esteja desatualizado, se for caso desculpe-me.
1-Qual foi a área em Km2 em que se desenvolveu a Segunda Guerra (Europa e Africa do Norte) ou seja o palco das invasões da Alemanha Nazista?
Chico Miranda – Eduardo, levando em consideração o Teatro de Operações da Europa que, a depender do estágio da guerra, se subdividiu em vários outros teatros de operações, portanto, se pensarmos em fase, por exemplo: “A Guerra de Mentira”, que iniciou com a invasão da Polônia em setembro de 1939 até o início da ofensiva contra os Países Baixos em maio do ano seguinte, sem levar em consideração os países que foram “anexados” ideologicamente por Hitler. Só nesse quadro temos boa parte do território europeu.
Com o fim da “Guerra de Mentira”, teve iniciou a Campanha contra a França e a ofensiva aérea contra a Grã-Bretanha, aumentou a extensão geográfica das ações. Sem falar na Batalha do Atlântico, sendo o mais atuante o Norte e o de menor importância o Atlântico Sul, pois é exigível considerar a perda de 30 mil alemães que morreram em ação nas operações de UBoot nos oceanos.
Sem contar com as Tropas de Ocupação, para cada país invadido havia tropas de choque, significativo contingente administrativo e governos militares instituídos.
Para os dois Teatros citados na pergunta, há vários fatores além da extensão territorial que podem torna a resposta, meramente por quilômetros quadrados, ainda mais imprecisa.
Para ajudar no entendimento, em termos militares, são importantes três concepções. A primeira é o tamanho da Linha Ofensiva que um determinado Exército irá atuar, falo da Linha Ofensiva, já que creio que o seu foco é a atuação da Alemanha que esteve inicialmente nesta condição. A extensão dessa Linha é um dos principais fatores que determina o tamanho da Força Invasora, no caso da Invasão a Polônia, por exemplo, foram empregadas cerca de 53 Divisões alemãs, baseada na extensão territorial e na força do Exército polonês. O segundo fator para um plano de invasão, que é o tamanho da penetração territorial, ou seja, a extensão de deslocamento das tropas dentro do território ocupado e sua estimativa de avanço, que determina o terceiro parâmetro, o planejamento da Linha de Suprimentos, necessários para manutenção das Unidades Combatentes na Linha de Frente. Todos esses fatores são determinantes para um Teatro de Guerra e podem sofrer variação no decorrer da Campanha. Portanto a extensão em quilômetros quadrados, como já disse anteriormente, pode ser uma dado irreal.
Para tentar explicar melhor o argumento vamos ver algumas observações desses teatros de operações.
Na Operação Barbarossa os três grandes Exércitos, Norte, Centro e Sul, tinham missões específicas para invasão de cidades estratégicas. Esses Exércitos foram formados e dotados de arsenal bélico, levando em consideração o poder do Exército Vermelho (subestimado?) e a extensão territorial, não das fronteiras da União Soviética que iria atuar a Wermarcht, mas a soma das Linhas das operações de ocupação desses Exércitos. Como a guerra com a URSS se prolongou, as Linhas de Suprimento ficavam cada vez mais vulneráveis, pois dependiam de transporte férreo ou grandes deslocamentos de comboios de veículos ou de tração animal, suscetíveis ao conhecimento do inimigo, portanto a ataques terrestres e aéreos de uma Força Aérea cambaleante, mas ainda atuante.
Acrescento isso a dois outros fatores, a saber:
1. Indecisão na estratégia final da Ofensiva – Hitler resolve não mais entrar em Moscou e se dirige ao Cáucaso. Acertada ou não, mas toda uma logística inicialmente planejada teve que ser alterada. O moral da tropa, que já lutava havia meses, realizando exaustivos deslocamentos diários, com objetivos traçados e quando estava há alguns quilômetros do desses objetivos, tiveram que iniciar um novo deslocamento para o oriente.
2. Linha de Manutenção – citado por ninguém menos que Guderian. Nas ofensivas de 1940 contra a França, as Linha de Manutenção seguiam mais próximas das Linhas Ofensivas, o resultado disso é que viaturas e equipamentos bélicos poderiam parar, seja pela ação do inimigo, seja por defeito, e o conserto era realizado logo atrás das linhas e, estaria em condições de combate pouco tempo depois. Na campanha russa não houve a preocupação de manter essa Linha de Manutenção, fato que foi apontado por Guderian como um dos fatores para a derrota da Alemanha nesta Campanha.
Quando se trata do Teatro de Operações da África, que ocorreram em cinco territórios na África do Norte: desertos da líbia e egípcio, Marrocos, Argélia e Tunísia. Inicialmente Rommel tinha uma missão específica, dominar Gibraltrar e Suez e avançar para o Cáucaso, ou seja, uma Linha Ofensiva definida. Mas a partir de 1942 os ingleses, com a ajuda dos americanos, conseguem impedir Rommel. A Raposa do Deserto e o Montgomery passam um período lutando nos desertos entre ofensivas e contra-ofensivas, ou seja, o mesmo território foi conquistado e perdido mais de uma vez pelos Exércitos. Portanto, a extensão territorial das Operações não se limita apenas a extensão territorial das regiões geográficas que serviram de cenários das batalhas.
2-Porque só se comenta que os soldados alemães ficavam “atordoados” com a tal distancia Berlim-Moscou ( pouco mais de 2.000 km) não é isso? Bem como com a “vastidão” do tamanho da area sovietica anexada?
Para essa sua pergunta, vou colocar o link que, no me entendimento, contém a resposta:
O que Esperava o Soldado alemão na Campanha Russa?
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TODOS estão convidados a corrigir e/ou acrescentar a essa modesta argumentação
Posteriormente publicarei as demais perguntas e respostas.
Rússia, 1941. Uma Guerra Sem Louros – Parte IV
Essa era a maior pressão sobre cada um dos soldados. Não apenas em morrer, mas em se tornar uma estatística oficial que logo seria esquecida. Zeiser explica:
“Isso acontece quando você depara com os horrores e, depois disso, existe sempre o pesadelo; ele nunca, mas nunca para; o medo real de ser varrido da face da terra, o medo da impiedosa inexistência, o medo de pensar que, a qualquer momento, você pode ser um daqueles que nunca foram criaturas.”
Medo de se tornar uma baixa era acentuado pela “estranheza” da própria terra que a Wehrmacht tinha invadido. As famílias alemãs no seus lares não tinham ideia de onde era e de como era a terra na qual seus familiares morriam. O correspondente de guerra, Felix Lützkendrof, servindo em uma unidade da SS, escreveu:
“Esta terra não tem fim, sob um céu infinito e com estradas se espalhando numa distância incalculável. Cada vila e cidade parecem iguais àquelas que as precederam. Todas elas tem as mesmas mulheres e crianças, de pé em silêncio ao longo das estradas, os mesmos poços de água, as mesmas fazendas… Se uma coluna sai de uma estrada e se desloca pelos campos através das leituras das bússolas, nós mais parecemos circunavegadores de um mundo perdido à procura de novas costas para além desse oceano.”
Para muitos soldados alemães cujo o conhecimento do mundo se restringia a ir andando ou de bicicleta para a cidade vizinha mais próxima, a guerra se transformou em um tipo de pseudo-turismo. Um soldado descreveu as suas experiências na campanha da França em 1940 como sendo de uma viagem de “Força através do Prazer”, comparável aos passeios promovidos pelo partido nazista antes da guerra. Outro soldado, escrevendo de uma área de agrupamento antes do início da campanha na Rússia, descreveu como a sua “longa viagem até o limiar da fronteira russa” tinha permitido que ele conhecesse metade da Europa sem ter de se esforçar e nem gastar dinheiro. Porém a Rússia oferecia pouquíssimas atrações. Em três semanas de campanha, um Gefreiter reclamou: “Aqui não é como na França. Lá nós tínhamos tudo o que queríamos; aqui há praticamente nada.” Outro soldado observou enigmaticamente que eles tinham trocado os anteriores “barracões polacos (poloneses) por canis russos.”
“Ontem nós mudamos de nossos bonitos alojamentos e agora estamos jogados em um barraco nojento e desgraçado, mais sujo do que qualquer outra coisa.”
C O N T I N U A
- Tinhamos posições de comunicações avançadas
- Começamos a capturar prisioneiros russo na investida.
- Os pântanos de Volchov são quase inespugnáveis.
- Nosso acampamento das imediações de nossas posições
- Área defendida por um unidade russa. Foram os primeiros combates para tomada da região e consolidação da posição.
- Na área havia defesas russas preparadas com comunicação
- A divisão enviou outra unidade Panzer para apoiar a operação
- Nossos oficiais entraram em contato direto com o líder para informar as posições inimigas conhecidas
- Quando iniciou a operação logo percebemos que na floresta também havia civis refugiados. Eles passaram semanas dentro dos pântanos russos
- Chegou a hora de avançar. Ficamos mais tranquilos com o apoio dos tanques.
- Posicionamos nossas metralhadores em várioas pontos próximos a floresta.
- As operações na linha férrea continuam até Kamenka. Patrulhas constantes são designadas.
- Chegou a missão de limparmos as áreas próximas a floresta na preparação para uma incursão mais profunda
- Uma das missões da unidade e manter a linha Tosno-Kamenka operacional.
- Tenente Miller discute as operações que serão lançadas no bolsão de Volchov. 1942
- Recebemos ordens para nos posicionarmos próximo a floresta de Volchov. O que chegou até nós são que as forças inimigas se abrigaram na floresta e estão preparando um contra-ataque.
- O avanço da tropa praticamente inexiste.
- Estação Central do Trem da Unidades
- Isso preocupa a todos, por causa das nossas linhas de suprimentos, pois os veículos não mais poderão ser usados.
- Com o fim do inverno a lama transforma qualquer deslocamento em um exercício quase insuportável. Só à cavalo é possível se deslocar.
- Feridos em batalha na cidade de Volchov são transportados para o hospital de campanha.
- Local de agrupamento de tropas inimigas durante o inverno na área Volchov. 1942.
- O inverno se foi, mas o problema agora é a lama causada pela neve derretida. Um tanque russo capturado será reaproveitado pelo regimento.
- A tomada da cidade de Chudovo foi custosa para o regimento, pela primeira vez tivemos que construir um cemitério para os nossos mortos. O inverno e as baixas começam a deixar-nos abatidos e nesse momento o moral não está bom.
- Mesmo assim, há ataques do inimigo.
- Feldfebel Krauze entrega de correio a partir de casa. É o melhor momento do dia.
Invasão da Grã-Bretanha: A Operação Leão Marinho que Nunca Aconteceu!
Há rumos históricos, bem embasados, diga-se de passagem, que a fuga de meio milhão de britânicos e franceses em Dunquerque foi uma estratégia política de Hitler para tentar uma paz negociada com a Inglaterra e que, só não foi colocada em prática graças à disposição do Primeiro Ministro Churchill de inquerir o povo britânico a não ceder a qualquer tipo de negociação. Rumores a parte, Hitler iniciou os preparativos para a Operação Leão Marinho (Unternehmen Seelöwe). Consistia em um Plano de Invasão da Grã-Bretanha através do Canal da Mancha, seria a “Operação Overlord dos Nazistas”. Contudo, tudo dependia de um fator crucial, a superioridade aérea sobre a Inglaterra. Tudo dependeria de uma das figuras mais pragmáticas e oportunistas de toda a guerra: Hermann Wilhelm Göring! E ele, assim como aconteceu em outras oportunidades, prometeu uma vitória esmagadora. Mais uma vez ele tinha falado demais!
A força de invasão iria contar com aproximadamente 67 mil homens, entre tropas de desembarques e paraquedistas. O comando das operações ficou a cargo do Almirante Erich Raeder, comandante da Kriegsmarine. Os treinamentos foram iniciados no segundo semestre de 1940 do porto de Boulogne. A data inicial para desencadeamento da Seeöwer era setembro daquele ano. No planejamento inicial os alvos seria a região entre Dorset e Kent. Graças à incapacidade da Lutfwaffe de conseguir a superioridade aérea, a Operação teve seu primeiro adiamento para outubro e posteriormente para o verão de 1941, quando o foco da guerra mudou para a Operação Barbarossa.
A Operação Leão-Marinho nunca saiu do papel. Caso ela tivesse se tornado realidade, com certeza a Segunda Guerra estaria sendo prolongada ou até ter seu resultado alterado (?). O que sabemos hoje é que havia uma Lista, que acompanharia as tropas de ocupação da SS, com os nomes de personalidades que deveriam ser presas e mortas, no caso de uma ocupação plena dos alemães. Essa lista, conhecida no pós-guerra e apelidada de Livro Negro, continha nomes de pessoas como Churchill, Chamberlain, Bernard Shaw, Noël Pierce Coward, entre outros.
Qualquer semelhança é mera coincidência!
Assim como a Operação Overlord, o Dia D, a Operação Leão Marinha também previa a utilização de tropas aerotransportadas e novos veículos de desembarques de tropas e material bélico.
Acompanhe as Fotos do treinamento de desembarque para a invasão. A fonte é o departamento de História do Ministério de Defesa da França.
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- Treinamento de Desembarque
- Oficiais generais monitoram os preparativos
Análises de Fotografias Surreais da Segunda Guerra
Em outras publicações já testemunhamos o poder do registro fotográfico da Segunda Guerra Mundial. Evidentemente outros conflitos posteriores, com mais recursos tecnológicos, permitiu a real dimensão dos acontecimentos. Mas damos preferência as fotografias da Segunda Guerra pelo pionerismo profissional e documental dos fotográfos e das pessoas que registraram o evento. Foi a primeira vez que profissionais e amadores dispunham dos recursos tecnológicos para acampanha e registrar a ação em tempo real. Por isso o acervo da Segunda Guerra impressiona pela quantidade e qualidade.
Selecionamos algumas fotografias que merecem reflexão, pelo menos segundo a perspectiva desse humilde observador.
Se você tem uma fotografia da Segunda Guerra que tem uma mensagem a passar, ou representa algo que você acredita, por favor, envia pra gente: blogchicomiranda@gmail.com teremos o maior prazer em publicar.
- Porque é Surreal? A militarização de uma nação! Representa o esforço do governo alemão e fascista na busca da disseminação de uma doutrina militar para o seu povo.
- Porque é Surreal? Um soldado alemão realizando um curativo em um civil soviético é um fato que vai de encontro a todo o contexto da guerra no leste.
- Porque é Surreal? Atiradores enfrentam um possível ataque aéreo
- Porque é Surreal? Um piloto enviando uma mensagem através de uma pomba ou um desejo de paz?
- Porque é Surreal? O momento da rendição, o exato momento!
- Porque é Surreal? Prisioneiro vai em Pé, enquanto soldados segue despreocupados sentados na viatura
- Porque é Surreal? Soldados Soviéticos conversam camalmente com oficiais nazista
- Porque é Surreal? O inverso, soldados alemães conversam com oficias soviéticos
- Porque é Surreal? Um Oficial Soviético oferta cigarro a prisioneiros de guerra alemães. Diferente do que se pode imaginar para o tratamento entre os prisioneiros dos soviético
- Porque é Surreal? Uma patrulha soviética ouvindo piano
- Porque é Surreal? Soldadao soviético escreve cartas para a família nos intervalos do combate!
- Porque é Surreal? Poses fotográficas que revem um Hitler, digamos, preocupado com sua unha!
- Porque é Surreal? Soldado alemão não conseque segurar o sono na trincheira
- Porque é Surreal? A fadiga da tropa no Leste era terrível, as distâncias de deslocamente para o interior da URSS eram cada vez maiores
- Porque é Surreal? O frio e a exaustão física aproxima companheiros e seus bichos de estimação
- Porque é Surreal? Quem diria que o havia entertedimento para as tropas na soviéticas. –
- Porque é Surreal? Quem diria que haveria uma refeição soviética em plena capital Berlim?
- Porque é Surreal? Soldados soviético na Chacelaria do Reich
- Porque é Surreal? O que restou de Berlim
- Porque é Surreal? Soldados na linha de frente antes do combate
- Porque é Surreal? O todo poderoso Goering, herói da Grande Guerra, comandante da Luftwaffen e mero prisioneiro em 1945
Iwo Jima – A Batalha Estratégica e Sangrenta do Pacífico
Não meus amigos, me perdoem os antiamericanos, mas não podemos negar que os Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial cumpriu seu papel de nação gigante. Assim como o povo soviético cumpriu sei dever com a Guerra Patriótica declarada por Stálin, os americanos conseguiram unir capacidade industrial bélica com soldados acima da média em termos físicos. A prova disso foi a Operação Detachment, mais conhecida como Batalha de Iwo Jima. Os recursos empregados em fevereiro de 1945 eram impressionantes se analisados a partir da Operação Overlord, o Dia D, e Operação Marketing Garden, desencadeadas em junho e setembro do ano anterior. Essa Operação empregou uma força de 70 mil homens contra 20 mil defensores na batalha que é classificada pelos militares como sendo o campo de batalha perfeito, sem civis e com alto poder de fogo atacante e defesas estrategicamente estruturadas para resistir um longo período.
O Tenente-general Tadamichi Kuribayashi sabia o que estava por vir, foi adido militar nos Estados Unidos, e conhecia a poder bélico do inimigo. Por isso tratou de fortificar a pequena ilha vulcânica através de emaranhado de túneis e bunkes com extensão de 27 km. Mas sua missão era árdua e ele sabia qual seria o resultado, para tanto, determinou que para cada soldado japonês morto, dez soldados inimigos deveriam cair.
Quando no dia 19 de fevereiro de 1945, os primeiros navios inimigos começaram a disparar contra a ilha, os soldados japoneses não acreditaram na quantidade de embarcações e aviões que se dirigiam contra as posições japonesas. Mas eles estavam prontos para morrer lutando.
Os americanos facilmente desembarcaram, encontrando pouca resistência nas praias, fazia parte do plano de Kuribayashi, atacar as tropas invasoras a partir do momento que eles estivessem avançando para o interior da Ilha com fogos de armas automáticas, artilharia e morteiros a partir do Monte Suribachi e outras elevações da Ilha. Também patrulhas que eram enviadas para ataca as tropas americanas que se deslocavam por túneis, e depois do ataque retraiam rapidamente.
A estratégia japonesa estendeu o conflito e tornou a batalha a mais sangrenta do Teatro do Pacífico com mais de 7 mil americanos mortos e 19 mil feridos. Apenas em 26 de março, ou seja, mais de um mês depois de iniciado o ataque, as forças japonesas foram praticamente aniquiladas do território de Iwo Jima. Dos 22 mil soldados japoneses que defendiam a ilha, apenas 200 foram feitos prisioneiros, e aproximadamente 21.800 foram mortos na desesperada e sangrenta Batalha.
Iwo Jima é considerada como uma das mais terríveis batalhadas da Segunda Guerra. Uma pequena e estratégica Ilha se tornou o bastião de resistência do Império do Sol Nascente, mas também era fundamental para que os americanos pudessem bombardear toda a Ilha principal do Japão.
Infelizmente caíram naquela ilha quase 30 mil homens, e expressa exatamente o que é a Guerra, sacrifícios de vida por pontos pequenos territórios, mas militarmente estratégicos. Uma pena.
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- Caído de bruços na poeira vulcânica de um buraco em Iwo Jima causada por bombardeios navais, um fuzileiro encontra “fim da jornada” na pequena ilha em que os japoneses defenderam com tenacidade feroz.
- Um pequeno ponto no Pacífico chamado de “Ilha de enxofre.”
- Para a destruição pelo bombardeio pré-invasão, terríveis fogo a partir da Marinha dos EUA. Equipamentos americanos, preso em um fogo cruzado das posições japonês, atolado nas areias de cinzas vulcânicas.
- Embarcações de desembarque, Marines das primeiras ondas cavam trincheiras nas areias de Iwo Jima, enegrecidas pelas cinzas vulcânicas expelidas do Monte Suribachi. Sob fogo cruzado mortal de armas japonesas e morteiros, os fuzileiros navais buscam cobertura de todas as peças disponíveis de equipamentos, atolados na areia. Esta foto foi feita no Dia D, como o ponto de apoio na base do vulcão estava sendo protegido e ampliado para o interior.
- Baixas da praia de Iwo Jima do fogo do inferno são içadas a bordo de um transporte invasão da Guarda Costeira e está apenas fora da área de pouso. O custo deste cabeça de praia foi alta e logo um quarto dos navios estavam cheios de Marines feridos. A enfermaria foi convertida em uma sala de operação. A Guarda Costeira recolheu os fuzileiros navais.
- O corpo coberto pela bandeira de um fuzileiro naval, que deu sua vida pela cabeça de praia de Iwo Jima, é remetido para o mar a partir de um navio de transporte utilizado na invasão.
- Aqui, uma das bombas em posições para as linhas japonesas na pequena ilha vulcânica.
- Fotos do Arquivo Nacional americano, mostra o soldado Rez P. Hester e seu cão de guerra em Iwo Jima
- Agachado por trás de cada cobertura disponível, Marines pertencentes as primeiras ondas de assalto reúnem seus recursos para o primeiro avanço para o interior da praia de Iwo Jima. Eles varreram a costa em barcaças de desembarque tripulados por equipes da Guarda Costeira e da Marinha. Entrincheirados em formidáveis fortificações, os japoneses defenderam a ilha com fúria fanática.
- Ao longo das praias o fogo varreu Iwo Jima, conhecido como “Acre do Inferno”, AMTRACKS carregados com Marines emergem das profundezas de um LST, à direita, e surge em direção à costa. Esta foto foi feita no Dia D como forças de assalto movendo-se em direção a mais sangrenta batalha da guerra do Pacífico.
- Cortando através das águas preparando Iwo Jima, os barcos de desembarque da Marinha, carregado com Marines, abrem a batalha pela fortaleza vital dos japoneses essa ilha vulcânica, apenas 750 quilômetros de Tóquio. No fundo são os navios da Marinha do grande desembarque.
- Um fuzileiro naval cansado é testemunhado por um fotógrafo de combate da Guarda Costeira esparramado no sono nas areias de Iwo Jima, mas com sua faca à mão, contra a qualquer inimigo que perturbe o seu descanso. É durante uma pausa nos combates para garantir a cabeça de praia, quando Marines podiam dormir em trincheiras e crateras.
- Exausto da luta para estabelecer a cabeça de praia em Iwo Jima, dois militares americanos e um fuzileiro naval da Marinha a partir de um LST relaxam na cinza vulcânica da praia para uma soneca.
- É hora H e as embarcações de desembarque aguardam o sinal para invadir Iwo Jima, o momento em que o enorme bombardeamento executado pela força tarefa da marinha cessa.
Mascarenhas de Morais: Um Exemplo de General Brasileiro
Relato retirado do livro Crônicas de Guerra do Coronel Olívio Gondim de Uzêda, comandante do 1º Batalhão do 1º Regimento de Infantaria, Regimento Sampaio.
Relato:
O Coronel Mascarenhas de Morais já fora nosso Diretor de Ensino, quando cursávamos a Escola das Armas, já fora nosso comandante, quando éramos instrutores na Escola Militar.
Tornamos a servir sob o comando do general Mascarenhas de Morais, fora um dos motivos que nos alegraram ao sermos designados para servir na FEB.
E não erramos: onde quer que nos achássemos tínhamos sempre a nos orientar e a nos estimular o nosso dedicado chefe.
Estava nosso Batalhão aguardando ordens em Gagio Montano para o nosso primeiro ataque ao Monte Castelo quando aí foi ter ao nosso Posto de Comando o nosso General.
O inimigo nos vinha bombardeando cerradamente, e foi nesse ambiente que nosso chefe nos veio trazer suas palavras de estimulo.
As granadas caiam mais amiudamente em torno da casa onde nos achávamos e o nosso comandante em chefe, sereno e imperturbável continuava falando-nos.
Com o mesmo ardo patriótico o nosso comandante nos telefonou no dia 21-2-45, quando nosso Batalhão atacava pela segunda vez Monte Castelo, concitando-nos, estimulando-nos: que era o nosso dia, o dia do nosso Brasil, e que ele confiava em nós. O ataque estava planejado, apenas sendo montado: ia ser iniciado dentro em breve, mas o fizemos com redobrado entusiasmo ante as palavras do nosso General, o comandante que se lembrou dos subordinados aos quais confiara tão importante missão.
E foi com o coração cheio de fé que respondemos ao nosso querido chefe: o nosso Batalhão vos dará o Castelo hoje! E deu!
E o nosso General prosseguiu conosco!
Um dia achávamo-nos no inverno. A neve prosseguiu caindo impiedosamente, dificultando nossos transportes e deslocamentos, antecipando a explosão de nossas minas, arrebentado nossos fios telefônicos, fazendo ruir a cobertura dos abrigos, recrudescendo a vida nas trincheiras.
Eis que surge no Post de Comando do Batalhão o nosso General. Queria ver nossas posições. Mostramos-lhe o depósito de rações e o posto de remuniciamento e depois as posições dos morteiros.
Fomos alguns metros mais à frente de Jeep e dissemos ao nosso General que daí não podíamos prosseguir senão a pé, já porque a neve, muito profunda, dificultava o emprego do jeep, como porque o itinerário, que daí nos conduzia a qualquer elemento de fuzileiros, estava submetido às vistas e fogos inimigos. Em face disso propusemos ao nosso General, apenas mostrar-lhe a posição do canhão de 57mm que havia atirado sobre Pietra Colora e uma metralhadora de calibre 50 em defesa contra a aviação. Ele viu isso tudo e por fim repetiu: quero ver os fuzileiros. O ajudante de ordens do nosso comandante em chefe, por sinal seu genro, lançou-nos um olhar significativo. Ponderamos ao nosso General, apresentamos-lhe as mesmas razões: o itinerário era perigoso e muito cansativo, o inimigo observava nossos movimentos, a neve ali tinha mais de 80 cm de espessura.
Ele respondeu energicamente, em tom que não admitia réplica: vocês estão me fazendo mais velho do que sou! É meu deve estar com meus soldados onde eles se acharem e eu quero vê-los.
Arranjamos uma capa branca, para disfarce na neve e uma bengala ferrada para o nosso General. Lembramos-lhe que devíamos marchar distanciados, para dificultarmos os tiros e as observações dos inimigos.
Partimos à frente para mostrarmos o itinerário, e de quando em vez olhávamos para trás.
Lá nos seguia, num magnifico exemplo de cumprimento do dever, de tenacidade e de destemor, o nosso querido General!
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Blindado Hotchkiss H-39 – A Última Lembrança de Dunquerque!
Foi encontrado um blindado Hotchkiss H-35 sem torre que reapareceu na costa francesa. Ele foi descoberto em Camiers, uma cidade situada entre Boulogne-sur-Mer e Le Touquet (Pas-de-Calais, norte da França, perto da Bélgica). Este tanque, provavelmente participou do ataque a Dunkerque, que aconteceu em maio-junho de 1940. O fato de estar sem a torre pode ser explicado por ele ter sido usado como uma posição defensiva, mas isso não está confirmado. A cidade de Camiers está disposta a recuperar o tanque e, talvez, usá-lo para um monumento. É o nono Hotchkiss H-39 remanescente da Segunda Guerra.
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- Essa Foto acima, é uma tirada logo após o ataque de Dunquerque. Alguns acreditam que se trata do mesmo blindado
Expressão da Miséria Humana: Prisioneiros de Guerra
Condição indesejada de qualquer combatente, cair nas mãos do inimigo. Um Prisioneiro de Guerra (POW) é algo que os Exércitos tiveram que conviver em grande escala na Segunda Guerra Mundial, e até os dias de hoje geram criticas pela política adota por algumas nações em relação às condições que esse soldado ficou prisioneiro. Não por acaso, desde a Grande Guerra, já havia extrema preocupação com a condição de POW, tanto que a Terceira Convenção de Genebra, realizada em 1929, deliberou especificamente sobre o tratamento dispensado a Prisioneiros de Guerra. O direito a uma condição mínima, com uma alimentação mínima, foram algumas das decisões da Convenção.
Nada disso impediu que Prisioneiros de Guerra fossem mortos, humilhados ou colocando em uma situação de miséria total. E engana-se quem acredita que os alemães foram os únicos a praticarem atrocidades contra seus prisioneiros. Os russos e os americanos deixaram muito a deseja no quesito humanidade em relação aos inimigos capturados, sendo que o primeiro executaram milhares de alemães durante a campanha contra Berlim.
Mas nada se compara ao Teatro de Operações do Pacífico, apesar de menor em termos de operações, produziu bizarrices incomparáveis, tais como a norma da U.S. Navy, que proibiu a coleção de partes de corpos de inimigos, prática corriqueira entre os integrantes da Marinha americana. Em contrapartida, os japoneses foram acusados, nas Filipinas, de marchas forçadas de mais de 100 km sem qualquer alimentação, a chamada Marcha da Morte. Isso, sem falar das atrocidades cometidas contra os chineses.
No final das contas, o tratamento aos Prisioneiros de Guerra, nada mais é do que a mais perfeita expressão do que a Segunda Guerra representou para a humanidade, desprezo pela vida e decadência de valores básicos para a paz.
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