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Série Desvendando Adolf Hitler – Apresentação
Quem não conhece Hitler? Qualquer jovem que passa pelo Ensino Médio deve, indiscutivelmente, conhecer o principal personagem da Segunda Guerra Mundial. Adolf Hitler é a figura mais presente nos estudos históricos do século XX e continuará a ser, sem sombra de dúvida, por centenas de anos. Mas quem é de fato Adolf Hitler? Quem era Hitler, antes de Hitler? Ele tinha o sangue judeu? Como ele chegou a ser o Fürher da Alemanha? Como ele chegou ao apogeu do sucesso político e militar e, pouco tempo depois, cravou um tiro na cabeça encerrando sua existência? Teria ele morrido realmente naquele bunker em abril de 1945? Hitler fez alguma coisa boa para a humanidade? O messias alemão de sua época ou a besta encarnada? São perguntas que balizam a pesquisa e não as respostas.
Toda a composição histórica desse personagem possui centenas e centenas de variáveis e interpretações, que foram exaustivamente estudadas por dezenas e dezenas de pesquisadores, mas muita ideologia do pós-guerra tornou a imagem histórica do austríaco de bigode engraçado turva e sem a transparência exigida pela ciência. Contudo, passado 70 anos do fim do conflito, uma nova geração de pesquisadores tem provido substanciais pesquisas sobre a figura de Hitler, desprovida do ideologismo faceiro dos vencedores da Segunda Guerra Mundial. O mito da besta bíblica encarnado passa a dar lugar à figura histórica que foi produto do seu tempo.
Levando em consideração todos os elementos que compõem a recente visão histórica de Hitler, vamos criar um Especial Semanal sobre Adolf Hitler, desde sua infância como filho de um funcionário alfandegário, passando pela sua tentativa de ganhar a vida em Viena; seu alistamento no Exército até o início de sua carreira política, ascensão e queda. Nosso objetivo, bastante audacioso, diga-se de passagem, é considerar Hitler enquanto figura histórica, desprovida de qualquer tipo de motivação ideológica ou política para defender ou condená-lo. Deixaremos para você julgá-lo de forma definitiva.
Todo sábado, uma publicação sobre Desvendando Adolf Hitler:
- Desvendando Adolf Hitler: O garoto da mamãe!
Primeira Guerra Mundial: O Início da Propaganda de Massa!
É impossível não pensar em propaganda moderna sem trazer a figura de Joseph Goebbels e de toda máquina criada para difundir as ideias nazistas na Alemanha e no mundo. Mas o que poucos sabem é que a propaganda de guerra foi introduzida na Primeira Guerra Mundial. Os impérios Austro-húngaro e Prussiano iniciaram fortes campanhas nacionalistas de apoio ao conflito. A Inglaterra e França também buscavam apoio da população, além de menosprezar o inimigo com charges que passavam mensagens específicas. Quando a entrada dos Estados Unidos, além de mensagens da luta pela liberdade, também eram comuns mensagens que tratavam a venda de bônus de guerra. Estratégia também acompanhada de várias nações envolvidas no conflito.
A Velha e Boa Alemanha de SEMPRE!
Depois da consagração da Copa do Mundo do Brasil, a imprensa brasileira muito tem alardeado sobre a organização e o planejamento dos alemães e seu metodismo para tornar-se a maior potência futebolística do mundo. Mas, para quem conhece o histórico da Alemanha, não é difícil entender os motivos que levaram a Alemanha a atingir esse nível de planejamento e execução, já que isso faz parte da cultura desse povo. Sempre fez. O mundo sentiu de forma voraz essa cultura de organização e execução calculista na mais trágica das formas. A Alemanha fez sua fama pela vocação belicista. Contudo, não quero falar sobre as duas guerras, daria margem para infindáveis discussões entre adeptos e acusados do rastro de destruição e morte dos regimes que estiveram no poder seja na Alemanha do Kaiser; seja na Alemanha Nazista.
A prova inconteste da magnitude da abnegação alemã surge exatamente quando o povo esteve destroçado, ou seja, no final da Segunda Guerra Mundial. Não há outro exemplo mais contundente de humilhação que uma nação tenha vivenciado com privação ao extremo, nos difíceis meses posteriores a guerra. Cidades completamente destruídas, mortos aos milhões, estupros em massa, foram os ingredientes que acompanharam a chegada das forças estrangeiras a partir de abril de 1945 e por lá permaneceram até 1989.
Não importa os motivos da guerra, as ideologias ou qualquer tipo de juízo de valor sobre seu desfecho causal, o que interessa são os fatos e isso aponta para um povo extraordinário e resistente, e com uma impressionante vocação para se reinventar e se adaptar as mais adversas situações; seja causado por regimes nefastos; seja para reerguer-se da quase aniquilação ou até mesmo para se planejarem para ser o país do futebol.
A Maior Catástrofe Militar Portuguesa Depois de Alcácer-Quibir
Portugal entrou no conflito a partir de 1914 já na linha africana, com o objetivo de defender suas colônias. Mas apenas em 09 de março de 1916, Portugal declara guerra à Alemanha e forma, no ano seguinte, o Corpo Expedicionária Português (CEP). Em 1918, as tropas portuguesas foram deslocadas para defender a região de Flandres na Bélgica. A Alemanha preparava uma ofensiva desesperada para retomar a região dos Calais na França.
As tropas portuguesas estavam exaustas. Deveriam ser rendidas por tropas inglesas, mas por falta de barcos, o CEP ficou estacionado, defendendo a linha. Porém, muitos oficiais abastados conseguiram retornar para Lisboa e outros conseguiram favores para abandonarem suas tropas. Em todo momento o General Gomes da Costa, comandante do CEP, informava o governo de Lisboa sobre as condições das tropas. Casos de insubordinação, suicídio e deserções eram cada vez mais frequentes.
Em 09 de abril de 1918, o General Erich Ludendorff eclodiu a ofensiva “Georgette”. Em algumas horas de combate 7,5 mil soldados portugueses estavam feridos, mortos ou desaparecidos em combate. Infelizmente, a ofensiva ocorreu quando o exército português recebeu ordens para se deslocarem à retaguarda, sendo substituídas por tropas britânicas. O caos e o desespero dos portugueses eram generalizados.
Dentre os muitos casos de heroísmo em situações de guerra que ocorreram no decurso das Batalhas, um soldado português chama a atenção: Aníbal Milhais. Enquanto os soldados recuavam, o soldado Milhais ficou entrincheirado e defendeu sua posição contra o avanço da Wehrmacht. Depois passou à frente e, durante toda a Batalha, esteve lutando de trincheira em trincheira. Ao final, conseguiu retornar as linhas aliadas e foi condecorado com a Ordem da Torre e da Espada, maior condecoração de Portugal. Ficou conhecido como soldado Milhão.
Mais sobre sobre o soldado Milhões:
As Idas e Vindas dos Ingleses na Segunda Guerra Mundial
Quando a França caiu em 1940 e a Alemanha passa a desferir pesados bombardeios sobre Londres, o mundo não acreditava na resistência inglesa por muito tempo. Todos sabiam que as forças alemãs iriam a qualquer momento cruzar o Canal e desembarcar suas tropas nas terras do Rei George VI. Era uma questão de tempo.
Contudo, a heroica resistência inglesa e o apoio dos Estados Unidos para furar o bloqueio naval, aliado a incompetência da Luftwaffen de não conseguir superioridade aérea sobre a Grã-Bretanha, foram determinantes para que a Alemanha se voltasse para o seu inimigo natural, a União Soviética.
Em 1941, a guerra entra em uma nova fase, Hitler é compelido pela Itália para o norte da África. Nasce o mito da Raposa do Deserto, que não resiste à entrada americana na guerra. Os Aliados passam para a ofensiva. A Itália cai. Recursos e homens se voltam para a Europa. É o Dia D tomando forma.
Mais do que uma simples campanha, a retomada da França significava o reavivamento do brio inglês. Quando meio-milhão de soldados ingleses e franceses foram expulso da Europa Continental de forma melancólica abalou o moral da pátria inglesa, por isso, a simples hipótese de retomar a campanha perdida em 1940, levou vários veteranos da Força Expedicionária Britânica ao delírio.
Na campanha da Normandia coube aos Estados Unidos o comando das operações. Mas as divisões inglesas não se importavam, elas queriam uma revanche contra o exército alemão, pela humilhação sofrida naquele mesmo terreno. E eles avançaram!
Depois da Companha da Normandia, queriam mais! Queriam chegar a Berlim antes do natal. Nasce a Operação Market Garden. É neste ponto que o melhor soldado inglês, Monty, se desfez do sonho de acabar com um inimigo que quase destruiu sua terra. Os alemães ainda tinham forças. A prova maior foi ofensiva no inverno de 1944.
No final das contas, a Inglaterra viu de tudo na Segunda Guerra Mundial. De inimigos declarados serem aliados; e de aliados virarem inimigos. Derrotas e morte de soldados e civis eram uma contingência de guerra que os ingleses sabiam exatamente oferecer.
O Que A Invasão da Polônia Pode Nos Ensinar?
O quadro se redesenha para a História. Impressiona como ainda não sabemos olhar para trás e verificar o que a História nos ensina. Apesar de contextos diferentes, a retórica de acontecimentos explode em nossas caras, e mesmo assim não conseguimos perceber a semelhança dos fatos e acontecimentos e as decisões erradas tomadas no passado, não servem de referência para as tomadas de decisões hoje.
Em uma época não muito distante, uma nação com poucos recursos, tanto econômicos, quanto militares, valia-se do apoio de grandes potências para existir como nação. Possuía uma região autônoma e estava na fronteira de influências de nações opositoras! Qualquer semelhança é mera consciência, será?
Em 01 de setembro de 1939, a Alemanha invade à Polônia! As potências ocidentais enviam ultimato a Hitler para desocupar o território polaco. A Alemanha argumenta que o motivo da invasão é a proteção da população de origem alemã (outra consciência?). As potências que, inicialmente, protestam, ameaçam enviar tropas e aplicar sanções econômicas a Alemanha, nada fazem. Assistem de camarote a Polônia capitular em 06 de outubro daquele mesmo ano. O país inteiro é anexado a Nova Alemanha e a região Livre da Danzig deixa de existir. Este evento marca o início de seis longos anos de morte e destruição para toda a Europa.
Certamente estamos em contextos diferentes. Não estamos comparando a Rússia com a Alemanha nazista. Estamos relacionando fatos históricos ocorridos e que levaram o mundo a beira do apocalipse. Os atores são diferentes, mas os resultados podem ser os mesmos. Temos que pensar que as consequências de um conflito mundial terá o cenário descrito por Albert Einstein:
“Eu não sei com que armas a Terceira Guerra Mundial acontecerá, mas a Quarta Guerra será lutada com paus e pedras.”
Baterias de Costa e a Guerra Estática da Alemanha
Quando a França caiu em 23 de junho de 1940, a Alemanha subjugava grande parte da Europa Continental. Os domínios do Reich chegavam ao auge e um Exército de ocupação seria crucial para a manutenção do domínio alemão. Esse Exército, deveria, além de manter o controle interno dos inimigos do Reich, também deveria estar preparados para um possível ataque das nações inimigas. Quando a frente oriental foi aberta e uma nova fase da guerra se voltava para uma possível invasão da França, ergueu-se a mais conhecida fortificação estática da Segunda Guerra Mundial, a Muralha do Atlântico. Um conjunto de fortificações que se estendiam dos Países Baixos até as costas normandas. A propaganda de Goebbels classificava a Muralha com instransponível e inexorável. Mas não resistiu a primeira inspeção de Rommel. Que a chamou de enganação, e só servia de propaganda.
A Wehrmacht, no final de 1943, estava agora atrás da Muralha fazendo uma guerra estática, parecido com as trincheiras da Grande Guerra, aguardando um movimento do inimigo. Ou melhor, o próprio sistema de defesa estático da Alemanha era tão complicado quanto a diversidade de unidades militares estacionadas pela França. As Baterias Costeiras estavam subordinadas a Kriegsmarine , mas até iniciar os desembarques de tropas inimigas, a partir deste momento, a subordinação passaria a Wehrmacht, que deveria impedir exatamente a consolidação de pressionar o inimigo de volta para o mar.
Essa complicação de subordinação também se dava para as unidades Panzers que só podiam ser acionadas por ordem direta de Hitler, ou seja, Rommel deveria contra-atacar, mas sem contar com as Unidades de Blindados, exceto se solicitasse em tempo para que eles fossem deslocados.
Um dos grandes fatores de preocupação para Rundstedt e Rommel era o poderio naval dos aliados, por isso as fortificações costeiras foram construídas com uma proteção de concreto reforçado e dispostos de tal forma que resistissem a projéteis diretamente. Essas Baterias de Costas estavam prontas para atacar embarcações e tropas que chegasse às praias por elas protegidas. A proteção funcionou no Dia D. A maioria dos que lutaram nos Bunkers e Fortificações nas praias que desembarcaram inimigos, estavam vivos depois dos bombardeios navais e aéreos. Estavam surdos, mas vivos!
Vamos verificar como estas baterias funcionavam e o que restou delas no Dia D.
Panzerabwehr – Arma Anti-Tanque, Simples e Eficiente.
Com o avanço dos Vermelhos sobre as tropas alemães e Wermarcht passou a adotar uma eficiente arma contra os terríveis blindados dos soviéticos. O Panzerabwehr, um tipo de bazuca alemã, passou a ser armamento obrigatório para sua infantaria e permaneceu assim até a queda final de Berlim em maio de 1945. Seu funcionamento ridiculamente simples permitia a utilização de qualquer um, inclusive sendo utilizado por crianças durante a Batalha pela capital alemã.
Apresentando a Luftwaffe em sua melhor forma!
Em 1932 a Alemanha estava proibida graças a Tratado de Versalhes a manter uma Força Aérea. A Luftwaffe praticamente renasceu depois de 1935 e se desenvolveu muito rapidamente. E o teste de campanha dos novos aviões de mergulho, aviões de transporte e bombardeios e caça foi exatamente o Guerra Civil Espanhola.
Quando a Segunda Guerra estourou, e uma nova doutrina militar avançava pelas terras europeias, a aviação passou a atuar diretamente com elementos em terra, proporcionando segurança para a infantaria e a cavalaria que se seguia.
Mas quando o ultimato para Inglaterra foi esboçado, a estratégia colocada em prática por Hermann Göring encerrou o brilhantismo da Força Aérea Alemã. Ela jamais recuperaria neste conflito o ímpeto ofensivo.
Com vocês a aviação alemã:
Rússia, 1941. Uma Guerra Sem Louros – Parte XXIII
É pessoal, chegamos ao fim desta série traduzida pelo linguista ARaquenet, publicado inicialmente na WebKits e gentilmente cedido para o BLOG Chico Miranda. Portanto apreciem a última publicação da fidelidade dos fatos no Front Russo.
Uma forte desintegração ética era o resultado das atrocidades as quais causavam um impacto negativo sobre o componente moral do poder de luta no front leste. Ideais, mesmo aqueles voltados para os fins ideológicos do Nacional Socialismo estavam comprometidos. O exército cristão que invadiu a Rússia estava se comportando da mesma maneira que os Cavaleiros Teutônicos do século XIII, retratados no filme Alexander Nevsky do diretor Einsenstein. Este causou uma forte impressão nas platéias dos cinemas de uma nação soviética ameaçada e oprimida. Paradoxalmente, tal comportamento diluía o poder de luta uma vez que a brutalidade apoiada oficialmente pelo Estado promovia o questionamento sobre a natureza fundamental e solidária do ser humano que, por sua vez, levava ao questionamento sobre os motivos. E isto tudo afetava a força de vontade. Ao mesmo tempo, o componente moral do inimigo ficava fortalecido. Tais indignações aumentavam massivamente a resolução em resistir. E o soldado alemão começou a perceber que, com a falta de um sucesso garantido, pela primeira vez nesta guerra sua própria sobrevivência estava em jogo. Ao mesmo tempo, o soldado russo sabia que ele não tinha outro recurso a não ser lutar até o fim. Era um beco sem saída.
O Unteroffizier Harald Dommerotsky, servindo em uma unidade da Luftwaffe perto de Toropez, era uma testemunha das “execuções quase que diárias de partisans por enforcamento pelos serviços de segurança da SS.” Enormes multidões – predominante russas – se juntavam. Ele comentou: “Pode ser uma característica humana esta predileção de sempre estar presente quando um de nós é apagado.” Ele continua ao afirmar que não fazia diferença “se fosse inimigo ou algum deles.” Enforcamentos públicos em Zhitmonir na maioria das vezes acabavam em aplausos quando os caminhões aceleravam e deixavam as vítimas pateticamente penduradas no meio da praça central. Uma testemunha descreveu como mulheres ucranianas, com roupas típicas, seguravam suas crianças acima das cabeças para que pudessem ver enquanto que espectadores da Wehrmacht berravam ‘devagar, devagar!” de modo que pudessem tirar as melhores fotos.
Em Toropez uma enorme forca foi construída. Caminhões se aproximavam, cada um com quatro partisans em pé na parte de trás. Os laços eram colocados em volta dos seus pescoços e os caminhões arrancavam. Dommerotsky se lembra de uma ocasião em que apenas três dos quatro corpos ficaram balançando na ponta das cordas. Uma vítima estava esparramado no chão devido à corda arrebentada. “Isso não faz diferença” comentou um sargento da Luftwaffe enquanto que a vítima foi recolocada no caminhão e empurrada de novo. A mesma coisa aconteceu. Insistentes, seus carrascos repetiram o processo macabro e mesmo assim a vítima caiu no chão, ainda viva.
“Meu amigo, ao meu lado, comentou: ‘É julgamento de Deus’. Eu também não conseguia entender e apenas respondi: ‘Agora eles provavelmente vão deixá-lo ir’.”
Eles não deixaram. Na quarta vez o caminhão acelerou e a corda se manteve esticada em volta do pescoço da vítima. Ele mexia as pernas enquanto que a fumaça do escapamento se dispersava. “Não houve nenhuma lamentação nem lamúria” lembrou-se Dommerotsky. “Estava um silêncio sinistro.”
Essa que era a Kein Blumenkrieg – uma guerra sem louros (O que o autor expressa aqui é o fato de que nos primeiros conflitos da Segunda Guerra Mundial, as vitórias alemãs – Polônia e França – eram comemoradas com o desfile da tropa vitoriosa com o consequente arremessar de flores e louros pela multidão simbolizando as conquistas – N. do T.).
F I M
Final de 1944: Hitler Acreditava em Vitória Militar?
No final de 1944, a Alemanha não tinha nem mesmo a sombra das forças que tivera três anos antes. Neste período, a Wehrmacht tinha passado de uma guerra ofensiva para um dispositivo estático defensivo em todos os fronts. Em dezembro de 44, as forças alemães se preparavam para última ação ofensiva da guerra para eles. A Unternehmen Wacht am Rhein (“Vigília sobre o Reno”). A questão é: o que Hitler queria afinal?
Esquecendo a formação estratégica dessa operação, mas tentando entender o que uma ofensiva no ocidente iria proporcionar para a Alemanha naquela fase da guerra, levando em consideração que os soviéticos já avançavam sobre território alemão.
Uma pista interessante que pode lançar uma luz a mentalidade do Führer é a argumentação do autor Lev Bezymenski (1968). Sua análise é embasada nos contatos que alta cúpula nazista, com o aval de Hitler, mantiveram com empresários suíços para realizarem um elo com altos funcionários do governo inglês para uma paz negociada. Segundo o autor, os contatos foram realizadas no segundo semestre de 1944 e nos termos da paz, proposto pela Alemanha, o governo alemão ratificava a permanência do sistema de governo atual, inclusive com a manutenção de Hitler no poder. Esse era o principal medo da União Soviética, uma paz negociada dos ocidentais em separado. Embora cogitada, os anglo-americanos não admitiam a manutenção do governo nazista na Alemanha, nem tão pouco a permanência do líder alemão. Hitler ao saber da completa rejeição dos ocidentais afirma: “Eles vão saber que não podem realizar a paz sem mim!”.
Portanto, levando em consideração a análise de Bezymenski, a Ofensiva das Ardenas foi uma tentativa de provar aos ingleses e americanos que a Alemanha ainda tinha condições de resistir e abrir ofensivas contra os Aliados, forçando uma saída negociada, pelo menos no ocidente, para então, se concentrar na luta contra os soviéticos.
Hitler jogou, apostou e perdeu. Sua atitude enfraqueceu o leste, e desperdiçou excelentes tropas; tropas que seriam imprescindíveis na contenção dos exércitos soviéticos. Tudo que ele queria aquele momento era parar o avanço sobre a Alemanha, cessando bombardeios e, se possível, jogar os americanos e ingleses contra os soviéticos.
Mas, no final das contas, nem mesmo ele acreditava em uma vitória militar.
Retrospectiva – A Alemanha da Segunda Guerra
Fim de ano chegando e começamos a fazer nossas retrospectivas. Como não poderia deixar de ser, vamos iniciar uma série de publicações que colocam à disposição as nossas melhores publicações agrupadas por assunto. Nosso objetivo é disponibilizar os quase mil posts agrupados e disponíveis, principalmente para quem nos acompanha a pouco tempo.
Tema é ALEMANHA:
Clique no link para ver a matéria:
Pichação nos Muros de Berlim! Aviso aos Invasores
Berlim – A Divisão de Uma Cidade Derrotada!
Especial: 08 de Maio de 1945 – Os Acontecimentos!
Especial: 08 de Maio de 1945 – A Rendição!
Artigo – A Alemanha Foi Uma Nação Vilã? Parte I
- Berlim não resta muito em abril de 1945
- O cara foi pra Berlim e vai levar pra casa a cabeça de Hitler…
O Modelo Alemão de Formar Soldado Combatente
Um dos pontos mais claros do Tratado de Versalhes era a referência ao tamanho do Exército Alemão, que deixava de ser um Exército e passava a ser uma força de defesa, chamado de Reichswehr. O Tratado previa uma força de 100 mil homens, sendo que 96 mil praças e 4 mil oficiais. Nesse contexto, o então comandante da Força Nacional, General von Seeckt passou a conceber uma doutrina de uma força profissional que fosse a base de um novo Exército. Esses militares seriam instrutores e formadores de combatentes em um futuro próximo.
Quando Hitler assume, já nos primeiros anos de governo, ele desconsiderou todas as imposições do Tratado e partiu para requalificar e transformar a Alemanha em potência militar, e inicia o processo de alistamento obrigatório e começa a criar as unidades militares que seriam a ponto de lança da visão expansionista do nazismo.
O treinamento desse recém formado Exército é digno de nota. Estabeleceu parâmetros e metas para a formação do soldado combatente. Cidades inteiras foram evacuadas para se transformarem em campo de instrução. A mobilização militar da Alemanha transformou um Exército de 100 mil homens para 2 milhões em pouco mais de 5 anos.
Esses centros de instruções funcionaram quase até o final da guerra, formando todo tipo de combatente. Já quando a demanda por homens treinados era evidente para a Alemanha, os centros receberam crianças, velhos e soldados não-combatentes das forças aérea e naval. Quando não havia mais o que fazer, e o fim era previsível, restava praticamente os civis lutando uniformizados, pelo menos, aqueles que ainda acreditavam em alguma coisa.
Bombardeios Imprecisos, prenúncio do massacre – Omaha/Dia D
Nas últimas palavras antes do início da Operação Overlord os comandantes de pelotão falavam abertamente para os soldados não se preocuparem, pois os bombardeios previstos para as praias desencadeados pela Marinha e Força Aérea aliada iria destruir qualquer coisa que se movesse no litoral onde aconteceriam os desembarques. Observem as torres das igrejas, não restará uma só em pé – diziam os oficiais. Também não deveriam se preocupar com os abrigos e fortificações nas praias, isso seria um monte de escombros assim que o primeiro soldado colocasse o pé na praia.
É certo que o bombardeio foi poderoso, contudo impreciso! Principalmente onde os americanos mais precisavam, no funil chamado Vierville Sur Mer, a praia de codinome Omaha. Mesmo com todo o impacto naval e aéreo as fortificações estavam lá, firmes e fortes, com canhões 88 e ninhos de metralhadoras apontadas destruidoramente para as embarcações da primeira leva. Era o início de um massacre.
A Revolta dos Vencedores! Os Partigianis Italianos!
Sargento Rigoberto relatou certa vez que os maiores horrores que ele viu na guerra foram testemunhadas após o cessar fogo na Itália. Evidentemente parece soar estranho para quem passou quase um ano na linha de frente e viu sua Unidade atuar nas principais batalhas da Força Expedicionária Brasileira. Mas não é tão surpreendente quando se observa o furor do povo italiano para por fim aquele período de dor e tristeza. Mussoline conseguiu, entre outras coisas, envolver a Itália na Guerra Civil Espanhola, levar o Exército a uma fatídica campanha no Norte da África e enviar Exércitos para apoiar a Alemanha na campanha de inverno na União Soviética. Tudo isso deixou os italianos com os nervos a flor da pele! Quando o regime cai e a Alemanha ocupa de fato os territórios italianos, revelasse a opressão do dominador. A Itália é um dos países que sentiu a guerra de perto. Pobreza, morte e destruição faziam parte do cotidiano dos italianos.
Quando a FEB chega à Itália, todos os pracinhas relatam unanimemente que se impressionavam com a destruição das cidades onde passavam, exatamente assim é a guerra, não permite que ninguém escape de suas consequências. Pessoas vivendo em cavernas, mulheres se prostituindo por qualquer alimento, crianças e velhos morrendo de inanição, esse era o quadro da população civil da outrora alegre Itália.
Quando a Alemanha se rende, chega a hora do acerto de contas, e os Partigiani queriam se vigar. Não por acaso, tropas alemães capturadas sofriam espancamento e morte, mas o pior estava reservado para os “traidores da pátria”, ou seja, os homens e mulheres que colaboravam com o regime de ocupação. Para estes, não bastava apenas a violência dos espancamentos ou a morte, mas a humilhação! Para as mulheres a violência era seguida da execração pública! Todos viravam as costas enquanto os cabelos eram raspados e suas roupas rasgadas! Se tivessem filhos de soldados alemães, eram banidas da cidade com a criança, tendo que perambular pelas estradas sem qualquer tipo de ajuda, pois quem ajudasse estava sujeita ao rigor da justiça dos vencedores.
História Completa da Segunda Guerra – O Início do Conflito!
Nessa segunda parte da série História Completa da Segunda Guerra Mundial, vamos analisar em algumas publicações o início do conflito europeu. A eclosão da guerra de fato, só acontece dia 03 de setembro de 1939, quando em uma declaração conjunta entre a França e Grã-Bretanha a declaração de guerra contra a Alemanha é proferida. Hitler iniciara o conflito e agora ele não mais poderia voltar atrás. Enquanto os soviéticos, inicialmente não participam da ofensiva alemã, muito embora tenham um acordo secreto assinado no Pacto Ribbetrop-Molotov que previa a divisão do território polonês, contudo as forças soviéticas só entram na Polônia em 17 de setembro, quando a declaração de guerra já estava consumada entre as potências ocidentais. Nesse momento nasce a Blitzkrieg, e o mundo observa estarrecido com a performance de nova forma de fazer guerra.
É necessário lembrar que nesse momento do conflito ALEMANHA e UNIÃO SOVIÉTICA eram parceiros nessa empreitada, inclusive com Hitler submetendo os planos de invasão para a chancela de Stalin. É necessário entender que, mesmo sendo regimes antagônicos, os dois países tinham políticas parecidas no que se refere a áreas de influência pela Europa Central. Não há como negar a esdruxula relação fez parte de uma estratégia, inclusive interna, do Fürher para o planejamento da guerra total que estava por vir.
O início da Blitzkrieg
Nas primeiras horas da manhã de 01 de setembro de 1939, bases áreas polonesas são atacadas por bombardeiros alemães. O plano da Luftwaffe era infligir o maio dano possível à força aérea polonesa para assegurar que não interferisse na invasão por terra que viária a seguir. Às 04h45m, elementos da vanguarda da força de invasão cruzaram a fronteira da Polônia.
Os poloneses foram pegos de surpresa. A mobilização de suas forças, ordenada apenas dois dias antes, nem sequer estava perto de ser concluída. Algumas unidades de reserva contavam com todo ou quase todo o seu efetivo e aguardavam para se deslocar para as posições designadas em caso de invasão, mas muitas outras ainda esperavam a chegada da maioria de seu pessoal e, assim sendo, não estavam em condições de se dirigirem à frente de combate. Para os alemães, isso representou enfrentar oposição inicial enfraquecida até o final da tarde daquele 01 de setembro.
As formações de vanguarda do Grupo de Exércitos do Norte alemão se beneficiaram do fato de seu avanço ser acobertado por um nevoeiro de outono. Houve um ou dois incidentes em que, por causa da baixa visibilidade, unidades alemãs confundiram unidades amigas com tropas polonesas, chegando a trocar tiros entre si, mas nada grave. Os alemães tomaram Danzing rapidamente, com o Terceiro e Quarto Exército deslocando-se para cortar o Corredor Polonês antes que o Terceiro Exército se desviasse em direção a Varsóvia. A oposição foi ligeira, com somente algumas posições polonesas ao longo da costa do Báltico apresentando resistência digna de nota.
Aquele foi o dia em que nasceu o muito do galante ataque da cavalaria polonesa contra tanques. O 18º Regimento de Lanceiros realmente recebeu ordens de realizar uma carga de cavalaria contra a infantaria alemã e parecia que teria sucesso. Contudo, alguns veículos blindados alemães flanquearam os cavaleiros poloneses e abriram fogo sobres os lanceiros, que sofreram baixas pesadas e foram forçados a se retirar.
A situação era delicada para os defensores poloneses, que lutavam por seus planos defensivos em ação. A garantia de apoio de França e Inglaterra se mostrara especialmente inócua, já que não impedira a invasão e parecia haver pouco que qualquer uma das potências pudesse fazer para ajudar seu aliado polonês com suficiente rapidez.
Na segunda manhã da invasão, os alemães esperavam uma oposição mais tenaz conforme se aproximavam do rio Brade. Ali, acreditavam eles, seria a base da principal linha de defesa polonesa. Entretanto, os poloneses não estavam suficientemente preparados. Além disso, ataques aéreos e alvos de transporte foram eficazes e, assim, o rio foi cruzado com facilidade, apesar do esforço de unidades defensoras.
As principais dificuldades alemãs aconteceram quando alguns dos tanques do XIX Corpo Panzer ficaram sem combustível por terem estendido demais suas linhas de suprimento. Isso foi uma amostra do que aconteceria ao longo da guerra, já que o exército alemão dependia muito do transporte animal. Como resultado, em sempre haveria suprimentos disponíveis em momentos críticos.
Naquele instante, a força aérea polonesa já sofrera baixas pesadas. A surpresa do ataque inicial deixou poucas aeronaves em condições de resistir e, embora alguns pilotos tivessem conseguido decolar, estes há não podiam influenciar o que estava por vir. Os pilotos poloneses eram bem treinados e capazes, mas suas aeronaves eram amplamente obsoletas. Isso era particularmente verdadeiro em relação aos caças poloneses, que estavam uma geração atrás dos Messerschmitt Bf-109s da Luftwaffe, mais comumente (embora incorretamente) conhecidos como Me-109. Apesar disso, a força aérea polonesa continuou a operar. Patrulhas de caças defendendo Varsóvia opuseram severas resistências enquanto puderam, porém, em 03 de setembro, a Luftwaffe já estabelecera superioridade aérea em todo o país, permitindo que o poderio aéreo desempenhasse o papel fundamental de apoiar as forças alemãs no solo.
Isso, entretanto, não significou que a Luftwaffe tenha passado todo o tempo sobre os campos de batalha. Um dos principais objetivos de usar ataques aéreos para apoiar movimentações rápidas em combate, na tática que ficou conhecida como Blitzkrieg, era desmoralizar o inimigo, atacando centros de comunicações, administrativos e industriais. Varsóvia foi bombardeada no primeiro dia, enquanto as tropas polonesas que tentava chegar à linha de frente eram impedidas por uma série de ataques aéreos contra estradas, pontes e ferrovias. Além disso, bolsões de resistência polonesas foram bombardeados pelo ar, principalmente por uma aeronave que logo se tornaria infame, o bombardeiro de mergulho Junkers Ju-87, mais conhecido como Stuka.
Parte I – História Completa da Segunda Guerra – De Olho na Polônia
Fonte: David Jordan – The complete history of World War Two
A Poderosa Alemanha Nazista!
Não é possível negar, a Alemanha nazista se preparou para a guerra. Essa afirmativa, até certo ponto simplista, não resume o avanço extraordinário que o regime conseguiu alcançar nos anos que esteve em processo de reafirmação bélica. Em 1933, Hitler assume uma Alemanha humilha e cheia de restrições, ninguém pode negar esse fato, e aos poucos vai transformando sua indústria bélica em uma poderosa máquina de guerra. Mérito? Falando militarmente, esquecendo as argumentações de causas e consequências da Segunda Guerra Mundial, é possível ceder o mérito ao senhor Adolf, muito embora o que importa de fato é o que ele fez com esse poder. Mas é possível imaginar um país destruído economicamente e em menos de uma década ser a maior potência militar do mundo? E mais impressionante ainda, em pouco mais de cinco anos se encontrar completamente devastado novamente? Observando esses acontecimentos friamente, esse tipo de cenário parece tão improvável atualmente como o era antes de 1939, mas aconteceu.
O poder da Alemanha foi muito além do armamento e da tecnologia, a Alemanha desenvolveu técnicas de combate, doutrinas militares que são empregadas até os dias atuais. Isso assustou o mundo, e assusta até hoje! Devemos ter em mente que é necessário entender a História em sua plenitude para que outros regimes com a eficiência militar da Alemanha nazista e sua ideologia possam ficar apenas na história, servindo de exemplo para essa e as próximas gerações.























































































































































































































































































































































































































